{"id":27095,"date":"2021-03-31T20:23:24","date_gmt":"2021-03-31T23:23:24","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=27095"},"modified":"2021-03-31T20:23:24","modified_gmt":"2021-03-31T23:23:24","slug":"para-que-jamais-se-esqueca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/27095","title":{"rendered":"Para que jamais se esque\u00e7a!"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/riomemorias.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/fogo-destroi-predio-da-une-1964-1024x829.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Inc\u00eandio criminoso na sede da UNE, no Rio de Janeiro, perpetrado pelos militares e for\u00e7as reacion\u00e1rias no dia 1\u00ba de abril de 1916.<\/p>\n<p>Por Leonardo Godim<\/p>\n<p>H\u00e1 57 anos, uma coluna militar sa\u00eda de Minas Gerais em dire\u00e7\u00e3o ao Rio de Janeiro para tirar do poder o ent\u00e3o presidente Jo\u00e3o Goulart. Saber\u00edamos depois que, ao mesmo tempo, um contingente militar norte-americano entrincheirava-se na costa brasileira para garantir que a aventura golpista fosse at\u00e9 o fim. O conjunto de acontecimentos que antecederam o golpe militar e os que o sucederam fizeram desse momento um divisor de \u00e1guas na hist\u00f3ria. O golpe arquitetado pelos Estados Unidos com todas as for\u00e7as reacion\u00e1rias e classes dominantes foi at\u00e9 o fim, estendendo-se por 21 anos de torturas, mis\u00e9ria e censura e deixando sua marca permanente na constru\u00e7\u00e3o do Brasil.<\/p>\n<p>A encruzilhada nos anos sessenta tinha dois resultados reais e poss\u00edveis. Um era o golpe das for\u00e7as reacion\u00e1rias para a implementa\u00e7\u00e3o de um Estado contra insurgente capaz de realizar as reformas de moderniza\u00e7\u00e3o num quadro conversador. Outra era a possibilidade de uma vit\u00f3ria do bloco democr\u00e1tico e nacionalista, paralisando a rea\u00e7\u00e3o pela execu\u00e7\u00e3o das reformas de base e for\u00e7ando o bloco progressista pelas demandas do proletariado industrial e pela radicaliza\u00e7\u00e3o do subproletariado rural. A crise de hegemonia dos anos 1960 era de tal ordem que a realiza\u00e7\u00e3o da primeira alternativa passou por anos de preparo, enquanto a segunda seguia sua marcha pelas pr\u00f3prias contradi\u00e7\u00f5es em curso na sociedade e tendia \u00e0 sa\u00edda progressista na medida em que o aumento paulatino da participa\u00e7\u00e3o popular na pol\u00edtica \u2013 seja pelos partidos de massa ou nos movimentos sociais \u2013 ampliava a base das reivindica\u00e7\u00f5es e chegava nas \u201cpedras de toque\u201d da hegemonia burguesa. A ideologia identificou aqui um \u201ctransbordar da democracia\u201d, que precisava ser corrigido com paus de arara e \u201cgeladeiras\u201d.<\/p>\n<p>A derrota das for\u00e7as populares \u2013 n\u00e3o s\u00f3 aqui, mas na maioria de nosso subcontinente \u2013 abriu espa\u00e7o para a moderniza\u00e7\u00e3o conservadora. Das universidades ao sistema financeiro, grandes transforma\u00e7\u00f5es eram necess\u00e1rias para que a superestrutura da sociedade brasileira se atualizasse ao mesmo tempo que desse as bases para um novo padr\u00e3o de acumula\u00e7\u00e3o do capital. A alian\u00e7a entre capital internacional, nacional e estatal integrava o pa\u00eds a novas cadeias de valor e permitia o estabelecimento de um desenvolvimento industrial interno coordenado e submetido ao imperialismo. Nessa nova f\u00f3rmula de domina\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, os militares ocuparam um papel bem definido de intelectualidade org\u00e2nica, preparada tecnicamente para condu\u00e7\u00e3o dos aparelhos econ\u00f4micos do Estado e de um regime ditatorial e contra insurgente contra as classes populares e sua vanguarda.<\/p>\n<p>Agora, novamente, vemos a imin\u00eancia de um poder militar crescente na pol\u00edtica brasileira \u2013 com ou sem Bolsonaro \u2013 e disso s\u00f3 podemos nos questionar: ele realmente deixou de existir? A democratiza\u00e7\u00e3o \u201clenta, gradual e segura\u201d gestou o mais longo per\u00edodo democr\u00e1tico, cujo ponto m\u00e1ximo foi a emerg\u00eancia de uma f\u00f3rmula de pacto com o campo democr\u00e1tico-popular. Mas, durante todo esse per\u00edodo, que rela\u00e7\u00e3o tiveram os militares com esse Estado, criado por eles mesmos em d\u00e9cadas de controle sobre a m\u00e1quina p\u00fablica?<\/p>\n<p>Os resqu\u00edcios jur\u00eddicos permanecem, como nas listas tr\u00edplices para reitoria das universidades federais. Mas ser\u00e3o ainda maiores os resqu\u00edcios ideol\u00f3gicos? Os pol\u00edticos? Reais v\u00ednculos entre a c\u00fapula militar e o grande capital monopolista? Um casamento de 21 anos n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o facilmente esquecido&#8230; A alian\u00e7a entre o bloco militar e as for\u00e7as monopolistas mais reacion\u00e1rias foi a alian\u00e7a que sustentou o per\u00edodo de maiores transforma\u00e7\u00f5es no aparelho estatal brasileiro. Cinquenta e sete anos depois, n\u00e3o \u00e9 un\u00edssona nossa burguesia sobre a necessidade de \u201creformas\u201d do Estado? N\u00e3o ser\u00e1 curioso que dessa necessidade tenha sa\u00eddo um golpe cuja participa\u00e7\u00e3o das c\u00fapulas militares j\u00e1 foi confessada?<\/p>\n<p>A Nova Rep\u00fablica se ergueu e desmorona sob a tutela dos militares. Produto de uma anistia criminosa em favor dos torturadores e de uma transi\u00e7\u00e3o que garantiu imunidade ao cons\u00f3rcio militar-empresarial, nossa vertiginosa democracia mostra, sobretudo, seu formalismo puro. Uma democracia dos monop\u00f3lios, em que o presidente destila \u00f3dio ao povo e garante sua sustenta\u00e7\u00e3o no grande capital.<\/p>\n<p>Nosso pa\u00eds \u00e9 atualmente dirigido pelo produto ideol\u00f3gico de 21 anos de ditadura empresarial-miliar. Enquanto o esquecimento sobre os crimes da ditadura e o perd\u00e3o aos seus culpados reinarem, o fedor dos por\u00f5es voltar\u00e1 a subir aos palcos e com\u00edcios, na boca de Bolsonaros ou demais filhotes da ditadura.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/27095\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[53],"tags":[224],"class_list":["post-27095","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c64-ditadura","tag-3b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-731","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27095","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=27095"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27095\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=27095"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=27095"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=27095"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}