{"id":2716,"date":"2012-04-20T22:15:34","date_gmt":"2012-04-20T22:15:34","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=2716"},"modified":"2012-04-20T22:15:34","modified_gmt":"2012-04-20T22:15:34","slug":"governo-vai-mudar-regras-de-poupanca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2716","title":{"rendered":"Governo vai mudar regras de Poupan\u00e7a"},"content":{"rendered":"\n<p>A presidente da Rep\u00fablica, Dilma Rousseff, decidiu assumir o \u00f4nus pol\u00edtico e vai mexer nas regras da caderneta de poupan\u00e7a. Para isso, convocou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, para uma reuni\u00e3o que deve ocorrer na segunda-feira pr\u00f3xima. No encontro, ser\u00e1 batido o martelo sobre a proposta a ser encaminhada ao Congresso Nacional, para que a mais tradicional modalidade de investimento do pa\u00eds, com remunera\u00e7\u00e3o fixa de 6,17% ao ano mais a varia\u00e7\u00e3o da TR (Taxa Referencial), seja atrelada \u00e0 taxa b\u00e1sica da economia (Selic). Dilma est\u00e1 decidida a levar a Selic a 8% ao ano, o que significa mais dois cortes de 0,5 ponto percentual, o primeiro na reuni\u00e3o do Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom) de maio e o segundo, na de julho.<\/p>\n<p>O Pal\u00e1cio do Planalto j\u00e1\u00a0preparou o discurso. Como o governo venceu a guerra com os bancos e reduziu os custos dos empr\u00e9stimos e os spreads (diferen\u00e7a entre o que \u00e9\u00a0pago aos investidores e o que \u00e9\u00a0cobrado dos devedores), chegou a vez de os poupadores darem a sua cota de sacrif\u00edcio no processo de ter juros mais pr\u00f3ximos do mundo civilizado. Segundo t\u00e9cnicos do governo, n\u00e3o se trata de confisco, mas de corrigir distor\u00e7\u00f5es. O modelo atual de poupan\u00e7a no Brasil, na vis\u00e3o deles, \u00e9\u00a0uma heran\u00e7a do per\u00edodo de hiperinfla\u00e7\u00e3o, quando se tentava, por decreto, preservar o m\u00ednimo de valor da moeda.<\/p>\n<p>Com o projeto que ser\u00e1\u00a0enviado ao Congresso, Dilma pretende resolver um dilema que sempre impediu a queda dos juros no Brasil. Segundo economistas ouvidos pelo Correio, n\u00e3o d\u00e1\u00a0para levar a Selic para 8% ao ano, como deseja a presidente, sem que ocorra uma fuga em massa de recursos aplicados em fundos de investimento, os principais credores do governo. &#8220;A partir dessa taxa, os ajustes na poupan\u00e7a s\u00e3o necess\u00e1rios&#8221;, observou Oct\u00e1vio de Barros, economista-chefe do Bradesco. A ideia do governo \u00e9 colocar faixas de remunera\u00e7\u00e3o. Caso a Selic chegue a 8% ao ano, como quer Dilma, a caderneta pagar\u00e1 5,8% ao ano. Se a taxa b\u00e1sica da economia baixasse a um n\u00edvel inferior a 4% ao ano, o Conselho Monet\u00e1rio Nacional (CMN) ficaria encarregado de decidir a corre\u00e7\u00e3o da poupan\u00e7a. As novas regras, entretanto, valeriam apenas para novos investimentos.<\/p>\n<p>&#8220;Vamos nos antecipar a todas as distor\u00e7\u00f5es que possam ocorrer com a Selic mais baixa. Preservaremos os fundos de investimentos e evitaremos uma fuga de recursos para a poupan\u00e7a, que deixaria os bancos em situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil&#8221;, explicou um assessor do Planalto. &#8220;Por lei, as institui\u00e7\u00f5es financeiras s\u00e3o obrigadas a destinar, no m\u00ednimo, 65% dos dep\u00f3sitos para o financiamento da casa pr\u00f3pria. Mas, diante de uma enxurrada de dinheiro, n\u00e3o teriam como faz\u00ea-lo, pois um empreendimento imobili\u00e1rio pode levar at\u00e9 dois anos para ficar pronto. Portanto, estando desenquadrados, os bancos teriam de ser multados pelo BC&#8221;, acrescentou.<\/p>\n<p>Taxa de administra\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>A decis\u00e3o de levar o projeto \u00e0\u00a0frente foi tomada nesta semana pela presidente Dilma, que j\u00e1\u00a0tinha deixado os ministros de sobreaviso. Tanto que Tombini cancelou participa\u00e7\u00e3o na reuni\u00e3o de primavera do Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI), em Washington, onde teria encontros na pr\u00f3xima segunda-feira com economistas e agentes do mercado financeiro. Mantega, que est\u00e1 nos Estados Unidos, deve voltar no domingo. O nome dele ainda aparece na programa\u00e7\u00e3o do 2012 Brazil Summit, organizado pela C\u00e2mara de Com\u00e9rcio Brasil-Estados Unidos. Ele falaria na segunda-feira. Na capital norte-americana, o ministro disse que, &#8220;com os juros b\u00e1sicos de 9%, n\u00e3o h\u00e1 necessidade de mudar a regra da poupan\u00e7a&#8221;. Mas a presidente quer a Selic a 8%.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de mudar as regras da caderneta, o governo refor\u00e7ar\u00e1\u00a0 o discurso contra os bancos para que reduzam as taxas de administra\u00e7\u00e3o dos fundos de investimentos. Hoje, parte dos ganhos dessas modalidades de aplica\u00e7\u00e3o \u00e9\u00a0comido pelos encargos, que chegam a 5% ao ano. Estima-se que, ap\u00f3s as sucessivas quedas da Selic desde agosto do ano passado, quase 40% dos fundos j\u00e1 registram rentabilidade inferior \u00e0 da poupan\u00e7a. Segundo os analistas, quanto maior\u00a0 a taxa de administra\u00e7\u00e3o de um fundo e menor o per\u00edodo em que o dinheiro fica aplicado, mais vantajosa fica a caderneta. Isso porque h\u00e1, tamb\u00e9m, sobre os rendimentos dos fundos, a cobran\u00e7a de Imposto de Renda entre 15% e 22,5%. A caderneta de poupan\u00e7a n\u00e3o paga taxa de administra\u00e7\u00e3o e \u00e9 isenta de IR.<\/p>\n<p>Para alcan\u00e7ar o objetivo, a equipe econ\u00f4mica usar\u00e1, mais uma vez, a Caixa Econ\u00f4mica Federal e o Banco do Brasil a fim de pressionar o setor privado. Em entrevista ao Correio, Carlos Massaru Takahashi, presidente da BB DTVM, administradora de recursos do BB, admitiu que o banco j\u00e1 avalia cortar as taxas de administra\u00e7\u00e3o dos fundos. &#8220;Com a Selic a 9%, ficamos no limiar da competitividade&#8221;, disse. &#8220;Como sabemos que o Copom pode realizar novos cortes (nos juros), se isso acontecer, teremos que fazer ajustes&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>Pesquisa divulgada pela Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Executivos de Finan\u00e7as, Administra\u00e7\u00e3o e Contabilidade (Anefac) mostra que, com a Selic a 9% ao ano, a maioria dos fundos de investimento com taxa de administra\u00e7\u00e3o a partir de 1% ao ano t\u00eam rendimento menor que a poupan\u00e7a. Em 16 das 20 simula\u00e7\u00f5es feitas, a caderneta aparece como melhor neg\u00f3cio (veja gr\u00e1fico nesta p\u00e1gina). &#8220;O problema \u00e9 que mais de 80% das pessoas pagam taxas de administra\u00e7\u00e3o nos fundos entre 1,5% e 2% ao m\u00eas. As mais baixas s\u00e3o para quem aplica acima de R$ 50 mil&#8221;, observou Miguel Oliveira, vice-presidente da Anefac.<\/p>\n<p>Fique ligado<\/p>\n<p>Nas contas de Felipe Chad, s\u00f3cio-diretor da DX Investimentos, com a Selic a 9% ao ano, uma pessoa que aplicar R$ 10 mil durante um ano em um fundo de investimento com uma taxa de administra\u00e7\u00e3o de 1% ao m\u00eas ter\u00e1 rendimento de R$ 643. Quem deixar esse mesmo montante na poupan\u00e7a, no mesmo per\u00edodo, ganhar\u00e1 R$ 706. &#8220;Mais do que nunca o cliente tem de olhar quanto est\u00e1 pagando&#8221;, ensinou.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p>Governo quer licita\u00e7\u00f5es mais flex\u00edveis para o PAC<\/p>\n<p>O Estado de S. Paulo<\/p>\n<p>O governo quer flexibilizar a forma de fazer as licita\u00e7\u00f5es das obras do Programa de Acelera\u00e7\u00e3o do Crescimento (PAC). Aprovado pelo Congresso Nacional para ser usado estritamente em constru\u00e7\u00f5es da Copa do Mundo (2014) e dos Jogos Ol\u00edmpicos (2016), o Regime Diferenciado de Contrata\u00e7\u00f5es (RDC) pode ser uma alternativa, na avalia\u00e7\u00e3o da ministra do Planejamento, Miriam Belchior.<\/p>\n<p>O instrumento \u00e9\u00a0mais leve em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s exig\u00eancias para contrata\u00e7\u00e3o de obras p\u00fablicas e modifica a Lei de Licita\u00e7\u00f5es. Seu uso no PAC foi debatido ontem entre a ministra e os l\u00edderes do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM), e na C\u00e2mara, Arlindo Chinaglia (PT-SP).<\/p>\n<p>&#8220;Apresentamos os resultados da utiliza\u00e7\u00e3o do regime diferenciado de compras, o RDC, no caso da Infraero&#8221;, explicou a ministra.<\/p>\n<p>A lei que estabelece o regime diferenciado \u00e9\u00a0questionada na Justi\u00e7a. Em setembro do ano passado, o procurador-geral da Rep\u00fablica, Roberto Gurgel, apresentou uma a\u00e7\u00e3o ao Supremo Tribunal Federal (STF) onde afirma que a lei aprovada no Congresso n\u00e3o fixa par\u00e2metros m\u00ednimos para identificar obras, servi\u00e7os e compras que devam seguir o regime diferenciado, o que contraria um dos artigos da Constitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em outro argumento, o procurador destacou que o modelo de empreitada integral, ao permitir que se concentrem num mesmo contratante o projeto b\u00e1sico e a execu\u00e7\u00e3o da obra ou servi\u00e7o, desvirtua todo os prop\u00f3sitos da licita\u00e7\u00e3o, especialmente o da ampla competitividade. Partidos de oposi\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m questionam a legalidade do regime.<\/p>\n<p>Infraero. Miriam Belchior salientou que foram feitas seis licita\u00e7\u00f5es para a Infraero usando RDC, o que acabou provocando uma redu\u00e7\u00e3o do tempo de leil\u00e3o de 250 dias para 80 dias e diminui\u00e7\u00e3o de 15% dos pre\u00e7os, em m\u00e9dia. O funcionamento do instrumento \u00e9\u00a0o seguinte: primeiro, abre-se a proposta dos interessados, que est\u00e1\u00a0fechada em um envelope. Depois, h\u00e1\u00a0possibilidade de realiza\u00e7\u00e3o de lances, o que proporciona redu\u00e7\u00e3o do valor das obras. &#8220;Temos um balan\u00e7o positivo&#8221;, avaliou a ministra.<\/p>\n<p>O uso do RDC pode ser aplicado a aeroportos das capitais distantes at\u00e9\u00a0350 quil\u00f4metros das cidades-sede da Copa por causa de uma emenda proposta pela C\u00e2mara. Para ser usado tamb\u00e9m nas obras do PAC, por\u00e9m, o instrumento precisa voltar para aprecia\u00e7\u00e3o do Congresso.<\/p>\n<p>Como a maior parte das obras j\u00e1\u00a0foi licitada, a ministra salientou que essa forma de licita\u00e7\u00e3o poder\u00e1\u00a0ser usada por Estados e munic\u00edpios e tamb\u00e9m em algumas obras mais importantes do governo federal, que possam ser inclu\u00eddas no PAC.<\/p>\n<p>De qualquer forma, segundo Miriam Belchior, sofreria modifica\u00e7\u00f5es no caso de uso em constru\u00e7\u00f5es de menor porte.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p>CPI do cachoeira \u00e9\u00a0criada e aliados n\u00e3o sabem como agir<\/p>\n<p>O Estado de S. Paulo<\/p>\n<p>No dia em que o Congresso deu sinal verde para a CPI que vai investigar a liga\u00e7\u00e3o de pol\u00edticos e empresas com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, a articula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do governo Dilma Rousseff foi alvo de fortes cr\u00edticas da pr\u00f3pria base aliada. Sem orienta\u00e7\u00e3o do Pal\u00e1cio do Planalto, at\u00e9 parlamentares do PT passaram a bombardear o &#8220;vazio&#8221; na coordena\u00e7\u00e3o do governo e, em conversas reservadas, disseram temer o pre\u00e7o que ser\u00e1 cobrado pelo PMDB na CPI.<\/p>\n<p>&#8220;A presidente Dilma est\u00e1\u00a0muito bem, mas a articula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do governo \u00e9\u00a0muito fraca e amadora&#8221;, disse o senador Lindbergh Farias (PT-RJ). Favor\u00e1vel \u00e0\u00a0investiga\u00e7\u00e3o, ele se surpreendeu ao saber que o Planalto deflagrou uma opera\u00e7\u00e3o para controlar a CPI e evitar desgaste, j\u00e1\u00a0que a Delta Constru\u00e7\u00f5es &#8211; suspeita de injetar dinheiro em empresas de fachada ligadas a Cachoeira &#8211; \u00e9\u00a0 respons\u00e1vel por obras do Programa de Acelera\u00e7\u00e3o do Crescimento (PAC). &#8220;A bola da CPI est\u00e1\u00a0quicando h\u00e1\u00a0duas semanas e ningu\u00e9m do governo conversou com a gente.&#8221;<\/p>\n<p>Depois de Dilma se irritar com um v\u00eddeo no qual o presidente do PT, Rui Falc\u00e3o, vincula a CPI \u00e0\u00a0estrat\u00e9gia petista para neutralizar o esc\u00e2ndalo do mensal\u00e3o, a ministra Ideli Salvatti (Rela\u00e7\u00f5es Institucionais) pediu cautela ao partido. Na ter\u00e7a-feira, ela conversou com Falc\u00e3o. Para o governo, a dire\u00e7\u00e3o do PT foi precipitada ao tentar desviar o foco do mensal\u00e3o. Falc\u00e3o, por\u00e9m, s\u00f3 autorizou a divulga\u00e7\u00e3o do v\u00eddeo ap\u00f3s reuni\u00e3o com o ex-presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva. Para Lula, a CPI ajudar\u00e1 a desvendar o que chama de &#8220;farsa do mensal\u00e3o&#8221; ao expor liga\u00e7\u00f5es de Cachoeira com membros da oposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Besteirol&#8221;. &#8220;\u00c9\u00a0claro que dessa CPI pode nascer uma nova linha de investiga\u00e7\u00e3o, revelando que o esquema Cachoeira, al\u00e9m de ajudar uns, trabalhava para macular outros, mas \u00e9\u00a0um besteirol dizer que essa apura\u00e7\u00e3o vai apagar outros processos&#8221;, disse o governador Jaques Wagner (PT-BA).<\/p>\n<p>Diante das queixas de aliados, Lindbergh foi ontem \u00e0\u00a0tribuna para apontar as falhas do Planalto na articula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. No seu diagn\u00f3stico, falta di\u00e1logo n\u00e3o s\u00f3\u00a0com os parlamentares, mas com os governadores, que querem renegociar as condi\u00e7\u00f5es de pagamento das d\u00edvidas dos Estados.<\/p>\n<p>&#8220;Ideli \u00e9 muito fr\u00e1gil e o grau de esgar\u00e7amento na rela\u00e7\u00e3o com os governadores \u00e9 grande&#8221;, insistiu Lindbergh. &#8220;H\u00e1 uma aus\u00eancia de articula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica por parte do Planalto e, por isso, est\u00e1 havendo solidariedade federativa. N\u00f3s, do Rio, decidimos n\u00e3o votar nada que prejudique os Estados, independentemente dos partidos.&#8221;<\/p>\n<p>A revolta de aliados \u00e9\u00a0o pano de fundo que pode contaminar a primeira CPI importante da gest\u00e3o Dilma. Nos bastidores, integrantes da base avaliam que a prec\u00e1ria negocia\u00e7\u00e3o diante de temas espinhosos &#8211; como a d\u00edvida dos Estados, o fim da guerra dos portos e a nova reparti\u00e7\u00e3o dos royalties &#8211; pode incentivar uma rea\u00e7\u00e3o contra o Planalto.<\/p>\n<p>Petistas dizem que o PMDB, com o senador Vital do R\u00eago (PB) na presid\u00eancia da CPI, tem a faca e o queijo na m\u00e3o e pode pressionar por mais cargos no primeiro escal\u00e3o. &#8220;Isso n\u00e3o existe. Tamb\u00e9m somos governo e temos consci\u00eancia da gravidade de uma CPI como essa&#8221;, observou o l\u00edder do PMDB na C\u00e2mara, Henrique Eduardo Alves (RN), que esteve com Lula nesta semana.<\/p>\n<p>Ideli n\u00e3o quis responder \u00e0s cr\u00edticas de Lindbergh. O ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral) disse que n\u00e3o cabe ao governo tratar de CPI. &#8220;\u00c9 assunto restrito ao Legislativo.&#8221; O l\u00edder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM), amenizou o clima de desorienta\u00e7\u00e3o. &#8220;O governo tem posi\u00e7\u00e3o neutra sobre a CPI. Ningu\u00e9m me pediu para abafar nem desabafar nada.&#8221;<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p>Juro pode dobrar valor a ser pago<\/p>\n<p>O Globo<\/p>\n<p>Apesar da redu\u00e7\u00e3o de juros anunciada pelos bancos p\u00fablicos e privados, o cliente que n\u00e3o obtiver a taxa mais vantajosa oferecida pela institui\u00e7\u00e3o ainda pagar\u00e1\u00a0caro para tomar cr\u00e9dito. \u00c9\u00a0o que mostra uma simula\u00e7\u00e3o feita, a pedido do GLOBO, pela Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Executivos de Finan\u00e7as (Anefac), tomando como base as taxas m\u00ednimas e m\u00e1ximas divulgadas, em v\u00e1rias modalidades de empr\u00e9stimos, como Cr\u00e9dito Direto ao Consumidor (CDC) e financiamento de ve\u00edculos. As diferen\u00e7as s\u00e3o impressionantes. Quem comprar um carro no valor \u00e0 vista de R$ 60 mil, em 48 parcelas, por exemplo, pagando juro 4,23% ao m\u00eas (a taxa m\u00e1xima oferecida pelo Bradesco), desembolsar\u00e1 R$ 141.144,20 pelo bem. O mesmo carro sai por R$ 75.333,39, se o cliente obtiver a taxa m\u00ednima do pr\u00f3prio banco, de 0,97%. A diferen\u00e7a \u00e9 de mais de R$ 65 mil no pre\u00e7o final, ou 87% a mais.<\/p>\n<p>Na compara\u00e7\u00e3o entre diferentes institui\u00e7\u00f5es, a diferen\u00e7a tamb\u00e9m chama aten\u00e7\u00e3o. Os juros de um financiamento de R$ 5 mil pelo CDC, com 36 meses, variam de 1,04% (Santander) e 1,6% (Banco do Brasil) a 2,48% (HSBC) e 2,97% ao m\u00eas (Bradesco), considerando apenas as taxas m\u00ednimas. No primeiro caso, a opera\u00e7\u00e3o vai custar R$ 6.019 ao correntista, contra R$ 8.207 se fechar com a taxa mais elevada &#8211; uma economia de R$ 2.188.<\/p>\n<p>Segundo o vice-presidente da Anefac, Miguel Ribeiro de Oliveira, para justificar tanta diferen\u00e7a entre a taxa m\u00ednima e a m\u00e1xima, os bancos alegam que precisam avaliar o comprometimento da renda do cliente, que indica o potencial de inadimpl\u00eancia, o hist\u00f3rico com a institui\u00e7\u00e3o, e o pr\u00f3prio produto oferecido. Num empr\u00e9stimo consignado, por exemplo, o risco para o banco de levar um calote \u00e9 muito menor que no rotativo do cart\u00e3o. Isso porque a parcela do empr\u00e9stimo \u00e9 descontada diretamente na conta do cliente.<\/p>\n<p>&#8211; Na pr\u00e1tica, se quiser obter uma taxa de juro mais vantajosa, o cliente ter\u00e1\u00a0que fazer esses c\u00e1lculos com as taxas oferecidas por seu banco e as de outras institui\u00e7\u00f5es e depois negociar com seu gerente. Ou seja, ter\u00e1\u00a0que provocar esse movimento &#8211; diz Oliveira.<\/p>\n<p>No caso do cheque especial, se utilizar R$ 1.000 por 30 dias no HSBC, o cliente com a melhor taxa oferecida pelo banco (2,27% ao m\u00eas) vai desembolsar R$ 22,70 no per\u00edodo. O cliente que usa o mesmo valor, tamb\u00e9m por um m\u00eas, mas paga a taxa de juro m\u00e1xima de 14,69%, ter\u00e1\u00a0um gasto de R$ 146,90 s\u00f3\u00a0em juros pelo empr\u00e9stimo.<\/p>\n<p>Ontem, um dia ap\u00f3s o an\u00fancio da redu\u00e7\u00e3o de taxas feita pelos grandes bancos privados de varejo, clientes do Ita\u00fa\u00a0Unibanco e do Bradesco n\u00e3o conseguiam saber que benef\u00edcios poder\u00e3o obter. No caso do Ita\u00fa\u00a0 Unibanco, quem entrou em contato com as ag\u00eancias descobriu que a ado\u00e7\u00e3o das novas taxas era desconhecida dos gerentes.<\/p>\n<p>&#8211; \u00c9\u00a0algo que passou na televis\u00e3o? &#8211; perguntou, surpresa, uma gerente.<\/p>\n<p>Informados das medidas, todos diziam n\u00e3o ter recebido qualquer orienta\u00e7\u00e3o sobre a aplica\u00e7\u00e3o da redu\u00e7\u00e3o. Mesmo assim, um dos gerentes afirmou que dificilmente um cliente &#8220;comum&#8221; ser\u00e1\u00a0beneficiado com as taxas m\u00ednimas anunciadas, como a do cheque especial, de 1,95%.<\/p>\n<p>&#8211; Essa \u00e9\u00a0uma tarifa que nem os funcion\u00e1rios (do banco) conseguem. Certamente, s\u00f3\u00a0o (cliente) private \u00e9 que vai ter tarifa t\u00e3o pequena &#8211; disse o gerente de uma ag\u00eancia na Zona Sul de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Mantega: estamos no caminho certo<\/p>\n<p>Como as novas taxas dos pacotes anunciados quarta-feira s\u00f3\u00a0come\u00e7am a valer na segunda-feira, Bradesco e Ita\u00fa\u00a0Unibanco garantem que at\u00e9\u00a0l\u00e1\u00a0suas redes de ag\u00eancias estar\u00e3o preparadas. No Ita\u00fa\u00a0 Unibanco, os juros menores do cheque especial, do CDC para a aquisi\u00e7\u00e3o de bens e do cart\u00e3o de cr\u00e9dito s\u00f3\u00a0entram em vigor em 2 de maio.<\/p>\n<p>Ontem, um dia ap\u00f3s o an\u00fancio de corte dos juros dos principais bancos privados e da decis\u00e3o do Banco Central de fazer mais a redu\u00e7\u00e3o na taxa b\u00e1sica (Selic), agora em 9% ao ano, o BB anunciou que reduziu mais o custo dos empr\u00e9stimos. A taxa m\u00ednima para o cr\u00e9dito consignado para aposentados passou de 0,85% para 0,79% ao m\u00eas. A de financiamento de ve\u00edculos caiu de 0,99% ao m\u00eas para 0,95% ao m\u00eas. E a do cheque especial passou de 1,97% ao m\u00eas para 1,38% ao m\u00eas. E a Caixa anunciou que, a partir de segunda-feira, at\u00e9 11 de maio, abrir\u00e1 uma hora mais cedo.<\/p>\n<p>Em Washington, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que o Brasil est\u00e1 &#8220;no bom caminho&#8221; de ter juros mais baixos no sistema financeiro ap\u00f3s a decis\u00e3o dos bancos privados de reduzirem o custo de seus empr\u00e9stimos, a pedido do governo. Segundo o ministro, as institui\u00e7\u00f5es est\u00e3o, desta forma, &#8220;dando ao povo brasileiro a oportunidade de consumir com taxas menores&#8221;.<\/p>\n<p>&#8211; N\u00f3s estamos no bom caminho, com a rea\u00e7\u00e3o positiva do setor financeiro a esta demanda que foi feita pela redu\u00e7\u00e3o dos spreads e aumento do cr\u00e9dito &#8211; disse o ministro, ap\u00f3s reuni\u00e3o do Brics no FMI.<\/p>\n<p>O ministro disse ainda que, com a Selic a 9%, &#8220;n\u00e3o h\u00e1 necessidade de mudar a regra da poupan\u00e7a&#8221;.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p>A nova voz do Brasil na geopol\u00edtica regional<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>No f\u00f3rum de 590 dirigentes de empresas que ocorreu de forma paralela ao encontro de chefes de Estado da C\u00fapula das Am\u00e9ricas, em Cartagena, o papel que o Brasil desempenhou ficou claro: a presidente Dilma Rousseff dividiu o cen\u00e1rio do principal painel com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Sentado entre ambos, como se fosse um elo entre dois polos, estava o presidente anfitri\u00e3o, o colombiano Juan Manuel Santos. Era a manh\u00e3 do s\u00e1bado, 14 de abril. Santos anunciaria na tarde do dia seguinte a entrada em vigor do Tratado de Livre Com\u00e9rcio (TLC) com os Estados Unidos.<\/p>\n<p>A imagem ilustra a polaridade que se estabeleceu no continente a partir do in\u00edcio do s\u00e9culo XXI. Entre o Peru e o M\u00e9xico, com as exce\u00e7\u00f5es de Venezuela, Equador, Cuba e Nicar\u00e1gua, os EUA ainda s\u00e3o a grande refer\u00eancia econ\u00f4mica. Quase todos os pa\u00edses nesta faixa estabeleceram tratados de livre com\u00e9rcio com os EUA. Santos, como anfitri\u00e3o da C\u00fapula das Am\u00e9ricas, esteve \u00e0\u00a0frente desse bloco. O cone sul do continente e a Venezuela convergiram para o Mercosul, em que o discurso predominante \u00e9 o de Dilma.<\/p>\n<p>Talvez seja uma coincid\u00eancia da diplomacia, mas a C\u00fapula ficou espremida entre duas visitas de Estado entre Brasil e EUA, cujos contatos est\u00e3o mais frequentes do que nunca em tempos sem crise. Antes do encontro na Col\u00f4mbia, Dilma Rousseff visitou Barack Obama em Washington. Em seguida \u00e0\u00a0c\u00fapula, Hillary Clinton tomou um avi\u00e3o para Bras\u00edlia, onde declarou que &#8220;\u00e9\u00a0dif\u00edcil imaginar um Conselho de Seguran\u00e7a da ONU [Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas] reformado sem a presen\u00e7a de um pa\u00eds como o Brasil&#8221;. A declara\u00e7\u00e3o \u00e9\u00a0um passo discreto na dire\u00e7\u00e3o do apoio ao pleito brasileiro por um assento permanente no conselho.<\/p>\n<p>O papel central exercido pelo Brasil nas reuni\u00f5es de Cartagena est\u00e1 ancorado na sua participa\u00e7\u00e3o crescente, e muitas vezes central, na economia dos vizinhos. &#8220;Hoje, quem est\u00e1 exposto a riscos na Am\u00e9rica Latina n\u00e3o s\u00e3o mais os EUA, mas o Brasil&#8221;, diz Matias Spektor, coordenador do Centro de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas. Portanto, &#8220;os investimentos fornecem instrumentos importantes para influenciar os caminhos da regi\u00e3o, principalmente atrav\u00e9s dessa rela\u00e7\u00e3o de depend\u00eancia rec\u00edproca com os vizinhos&#8221;.<\/p>\n<p>Essa exposi\u00e7\u00e3o \u00e9\u00a0fruto dos investimentos importantes que o governo e as empresas brasileiras mant\u00eam em outros pa\u00edses da regi\u00e3o. A pol\u00edtica do pa\u00eds est\u00e1\u00a0ancorada em um regime definido como &#8220;solid\u00e1rio&#8221; pelo Itamaraty, ou seja, orientado para se inserir nas economias vizinhas de acordo com suas necessidades: tecnologia de pesca para pa\u00edses caribenhos, media\u00e7\u00e3o com as Farc (For\u00e7as Armadas Revolucion\u00e1rias) na Col\u00f4mbia, fornecimento de petr\u00f3leo com seguran\u00e7a para o Chile.<\/p>\n<p>Empresas de peso, p\u00fablicas e privadas, t\u00eam presen\u00e7a forte no continente, como Vale e Petrobras. Tamb\u00e9m avan\u00e7am companhias do setor financeiro &#8211; ag\u00eancias do banco Ita\u00fa\u00a0est\u00e3o espalhadas por Buenos Aires e Santiago do Chile -, e empreiteiras, como a Odebrecht, respons\u00e1vel pela moderniza\u00e7\u00e3o do porto de Mariel, em Cuba, e a OAS, que constr\u00f3i uma estrada na Bol\u00edvia como parte do projeto de abrir uma conex\u00e3o vi\u00e1ria para o Oceano Pac\u00edfico.<\/p>\n<p>A magnitude da presen\u00e7a brasileira no continente \u00e9\u00a0descrita por Kellie Meiman, diretora-executiva na consultoria McLarty Associates, que foi diplomata no Brasil e em outros pa\u00edses do continente: &#8220;Ao visitar os pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul e Central, ouvia constantemente falar nas &#8220;big americans&#8221;, empresas americanas que dominavam a economia desses pa\u00edses. Agora, esse discurso teve de abrir espa\u00e7o para um novo ator, as &#8220;grandes empresas brasileiras&#8221;.<\/p>\n<p>O peso dos investimentos nos pa\u00edses vizinhos produz uma interdepend\u00eancia que, por sua vez, \u00e9\u00a0um primeiro passo para a integra\u00e7\u00e3o regional, ao torn\u00e1-la necess\u00e1ria. A Petrobras \u00e9\u00a0respons\u00e1vel por quase um quarto da arrecada\u00e7\u00e3o de impostos bolivianos, enquanto a energia que alimenta as ind\u00fastrias do Sudeste brasileiro vem, em grande parte, da usina binacional de Itaipu, na divisa com o Paraguai. Uma crise em algum desses pa\u00edses, pol\u00edtica ou econ\u00f4mica, poderia trazer riscos para a economia brasileira.<\/p>\n<p>Nem sempre a interdepend\u00eancia \u00e9\u00a0recebida com sorrisos pelos vizinhos. A constru\u00e7\u00e3o de uma estrada em terras ind\u00edgenas na Bol\u00edvia, com financiamento do BNDES, foi suspensa no ano passado pelo presidente do pa\u00eds, Evo Morales, acusado pela imprensa de ser um &#8220;t\u00edtere do imperialismo brasileiro&#8221;. Os protestos ind\u00edgenas tiveram um impacto particularmente forte no pa\u00eds, porque Morales foi eleito como um representante da popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m na Bol\u00edvia, as rela\u00e7\u00f5es com a Petrobras s\u00e3o d\u00fabias. Em 2006, o governo de Morales anunciou a nacionaliza\u00e7\u00e3o do g\u00e1s boliviano e tropas do pa\u00eds chegaram a ocupar uma refinaria da Petrobras. No ano seguinte, duas refinarias foram compradas pela Bol\u00edvia, ainda no esfor\u00e7o de nacionaliza\u00e7\u00e3o. Foram momentos de crise, mas, como assinala o embaixador Antonio Sim\u00f5es, subsecret\u00e1rio-geral da Am\u00e9rica do Sul do Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, n\u00e3o se chegou ao extremo de cortar o fornecimento de g\u00e1s para o Brasil.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o teria sido do interesse deles interromper o fornecimento, vender para o Brasil \u00e9\u00a0importante&#8221;, diz o embaixador, usando o caso boliviano como exemplo para as vantagens de estreitar as rela\u00e7\u00f5es com os vizinhos sem passar a impress\u00e3o de se tratar de um comportamento de tipo imperialista. O temor boliviano, hoje, foi, desde a independ\u00eancia, expresso tamb\u00e9m por outros pa\u00edses, a come\u00e7ar pela Argentina.<\/p>\n<p>A atua\u00e7\u00e3o diplom\u00e1tica do Brasil \u00e9\u00a0considerada &#8220;muito sofisticada&#8221; por Riordan Roett, cientista pol\u00edtico especializado em Am\u00e9rica Latina, professor da universidade Johns Hopkins e autor de &#8220;The New Brazil&#8221;. A crise com a Bol\u00edvia foi resolvida com uma conversa entre Lula e Evo Morales em Bras\u00edlia. Quando houve um desentendimento com Fernando Lugo, presidente do Paraguai, por causa da divis\u00e3o da energia da usina de Itaipu, em 2009, a solu\u00e7\u00e3o foi encontrada pelo mesmo m\u00e9todo. &#8220;A maior preocupa\u00e7\u00e3o dessa diplomacia \u00e9 evitar ou minimizar danos&#8221;, diz Roett.<\/p>\n<p>Durante o governo de George W. Bush nos EUA, encerrado em 2009, a orienta\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica externa americana foi de delegar ao Brasil a execu\u00e7\u00e3o, ou ao menos a defesa, de algumas de suas bandeiras, particularmente a oposi\u00e7\u00e3o \u00e0s pol\u00edticas bolivarianas de Hugo Ch\u00e1vez e o combate agressivo, militarizado, ao narcotr\u00e1fico. &#8220;Condoleezza Rice [ent\u00e3o secret\u00e1ria de Estado] veio ao Brasil para exigir que o Brasil &#8220;fizesse alguma coisa&#8221; contra a Venezuela&#8221;, diz Roett. &#8220;Bras\u00edlia, j\u00e1 no governo Lula, foi muito s\u00e1bia ao n\u00e3o seguir o que Washington preconizava.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;&#8221;Delegar&#8221; \u00e9\u00a0uma curiosa escolha de palavras&#8221;, afirma Julia Sweig, do &#8220;think tank&#8221; americano Council on Foreign Relations. &#8220;Na verdade, n\u00e3o consigo imaginar algu\u00e9m em Bras\u00edlia usando essa palavra para descrever as pol\u00edticas que Washington tentava empurrar para cima do Brasil.&#8221;<\/p>\n<p>Ainda durante a gest\u00e3o de Bush, ficou evidente que o Brasil n\u00e3o pretendia ocupar o espa\u00e7o que Washington lhe oferecia de maneira t\u00e3o categ\u00f3rica. Hoje, resta aos EUA reconhecer que o Brasil, em particular, e a Am\u00e9rica Latina, em geral, &#8220;j\u00e1\u00a0deixaram h\u00e1\u00a0muito tempo de ser seu quintal&#8221;, como frisa Spektor.<\/p>\n<p>&#8220;Em Washington, o governo j\u00e1\u00a0se deu conta de que o Brasil est\u00e1\u00a0em outro patamar, tornou-se uma pe\u00e7a importante no jogo global&#8221;, diz David Rothkopf, presidente da consultoria internacional Garden Rothkopf. &#8220;Mas ainda n\u00e3o est\u00e1 agindo plenamente de acordo com isso.&#8221;<\/p>\n<p>Os sinais, segundo Rothkopf, s\u00e3o contradit\u00f3rios. Por um lado, o Departamento de Estado, comandado por Hillary Clinton, designou Thomas Shannon para a embaixada em Bras\u00edlia. Trata-se de um dos mais prestigiados diplomatas de seu pa\u00eds e um nome muito pr\u00f3ximo a Hillary. Antes de assumir o cargo no Brasil, foi secret\u00e1rio-assistente para assuntos do Hemisf\u00e9rio Ocidental. Por outro lado, o tratamento oferecido ao Brasil continua inferior a seu prest\u00edgio e, principalmente, \u00e0 aten\u00e7\u00e3o dispensada a outros pa\u00edses de import\u00e2ncia semelhante, como a \u00cdndia e a China. Rothkopf ilustra essa discrep\u00e2ncia citando o caso do acordo nuclear com o Ir\u00e3, costurado por Brasil e Turquia em 2010. &#8220;Enquanto o Brasil foi criticado e punido, nenhuma palavra foi dita em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Turquia. A rela\u00e7\u00e3o dos EUA com aquele pa\u00eds nunca esteve melhor&#8221;, comenta.<\/p>\n<p>Dentre os temas que op\u00f5em as duas maiores for\u00e7as do continente, aquele que mais reverbera nos demais pa\u00edses \u00e9\u00a0o do &#8220;tsunami monet\u00e1rio&#8221;, como diz a presidente Dilma Rousseff. &#8220;Temos que tomar medidas para nos defender, e n\u00e3o nos proteger. \u00c9\u00a0importante diferenciar defesa de protecionismo. N\u00e3o podemos deixar nosso setor industrial ser canibalizado&#8221;, disse Dilma aos empres\u00e1rios.<\/p>\n<p>O excesso de liquidez atinge os pa\u00edses do continente de maneira desigual. O real tem o c\u00e2mbio mais valorizado porque sua economia \u00e9\u00a0a maior do continente. Como consequ\u00eancia, afirma Roett, Dilma tem o discurso mais vigoroso em defesa de pol\u00edticas compensat\u00f3rias e de prote\u00e7\u00e3o \u00e0 ind\u00fastria. Os demais pa\u00edses podem interpretar esse discurso como recusa \u00e0 abertura do mercado, n\u00e3o s\u00f3 para os produtos industriais chineses, mas tamb\u00e9m aos capitais financeiros abundantes.<\/p>\n<p>Roett n\u00e3o v\u00ea essas medidas como tend\u00eancia para o longo prazo. As iniciativas de integra\u00e7\u00e3o regional s\u00e3o mais fortes, a come\u00e7ar pela rodovia que liga o Brasil aos portos do Peru, a partir de Rio Branco e Porto Velho. Para evitar o risco de desindustrializa\u00e7\u00e3o, assunto que est\u00e1 em pauta no Brasil atualmente, ser\u00e1 necess\u00e1rio tomar medidas de mais longo prazo, como investimento em qualifica\u00e7\u00e3o da m\u00e3o de obra e reformas institucionais. &#8220;Tenho esperan\u00e7a de que isso aconte\u00e7a, mas admito que n\u00e3o \u00e9 uma esperan\u00e7a muito realista&#8221;, diz Roett, citando as dificuldades do sistema pol\u00edtico.<\/p>\n<p>Na parte de cima da Am\u00e9rica Latina, pontifica o &#8220;laissez faire, laissez passer&#8221;. &#8220;As coordenadas para o crescimento n\u00e3o est\u00e3o no protecionismo, mas na abertura comercial, e n\u00e3o est\u00e3o na expropria\u00e7\u00e3o de ativos, mas na garantia de livre empresa&#8221;, afirmou o presidente mexicano Felipe Calder\u00f3n, aplaudido de p\u00e9. O discurso era uma alfinetada diretamente dirigida ao Brasil, em resposta \u00e0 mudan\u00e7a no regime automotivo binacional com o M\u00e9xico no m\u00eas passado, que reduziu drasticamente a importa\u00e7\u00e3o de carros vindos do pa\u00eds de Calder\u00f3n.<\/p>\n<p>O caso mexicano \u00e9\u00a0particular e ilustra a din\u00e2mica da economia latino-americana nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas. Com a cria\u00e7\u00e3o do Nafta (Acordo de Livre-Com\u00e9rcio da Am\u00e9rica do Norte, na sigla em ingl\u00eas), o pa\u00eds foi inundado de investimentos americanos &#8211; com destaque para as chamadas ind\u00fastrias maquiadoras, que aproveitavam a elimina\u00e7\u00e3o das tarifas e os baix\u00edssimos sal\u00e1rios para montar produtos sem transferir tecnologia &#8211; e se tornou a principal economia do continente.<\/p>\n<p>J\u00e1\u00a0no s\u00e9culo atual, com a ascens\u00e3o da China, seguida da alta vertiginosa dos pre\u00e7os de produtos prim\u00e1rios, a balan\u00e7a do continente passou a pesar a favor do Brasil. Os pa\u00edses cuja pol\u00edtica econ\u00f4mica estava voltada para o mercado interno foram favorecidos, ao promover uma redistribui\u00e7\u00e3o da renda e uma alta dos sal\u00e1rios. At\u00e9\u00a02004, Brasil e M\u00e9xico tinham PIBs em n\u00edvel semelhante, mas, desde ent\u00e3o, o produto brasileiro disparou, permitindo ao pa\u00eds a manifesta\u00e7\u00e3o de ambi\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas mais vistosas.<\/p>\n<p>A ascens\u00e3o do Brasil n\u00e3o foi bem recebida pelos mexicanos. O pa\u00eds investe numa oposi\u00e7\u00e3o ativa contra a candidatura brasileira a um assento permanente no Conselho de Seguran\u00e7a da ONU. Na vota\u00e7\u00e3o para a FAO (Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Agricultura e Alimenta\u00e7\u00e3o), no ano passado, o M\u00e9xico foi o \u00fanico pa\u00eds latino-americano a n\u00e3o apoiar o candidato brasileiro, Jos\u00e9\u00a0Graziano, que acabou eleito.<\/p>\n<p>No m\u00eas passado, os chefes de Estado dos pa\u00edses da Alian\u00e7a do Pac\u00edfico, formada por M\u00e9xico, Peru, Chile e Col\u00f4mbia, se reuniram pela primeira vez em Santiago. O grupo, constitu\u00eddo pelos principais pa\u00edses do bloco mais ligado \u00e0\u00a0economia americana &#8211; portanto, contrapostos \u00e0\u00a0 corrente inspirada em iniciativas como o Mercosul -, tem no M\u00e9xico seu integrante mais entusiasmado.<\/p>\n<p>Para Rothkopf, \u00e9 normal que a ascens\u00e3o internacional do Brasil provoque rea\u00e7\u00f5es de preocupa\u00e7\u00e3o &#8211; e de ci\u00fames &#8211; em alguns de seus vizinhos, notadamente aqueles que aspiravam a um destino semelhante. O M\u00e9xico, em particular, tem sido uma barreira eficaz contra algumas pretens\u00f5es do Brasil tamb\u00e9m junto ao governo americano, diz Rothkopf. Um dos motivos da lentid\u00e3o no avan\u00e7o do governo Obama para o reconhecimento do pleito brasileiro na ONU \u00e9 a tentativa de evitar ferir os sentimentos mexicanos. &#8220;Ser\u00e1 que as Filipinas t\u00eam ci\u00fame da proemin\u00eancia da China?&#8221;, pergunta Rothkopf. &#8220;Ser\u00e1 que o Canad\u00e1 tem ci\u00fames dos EUA? Ningu\u00e9m aqui fica cheio de dedos com os ci\u00fames do Canad\u00e1.&#8221;<\/p>\n<p>Roett acrescenta mais uma causa para a irrita\u00e7\u00e3o mexicana com o Brasil. &#8220;O Itamaraty concentra seus esfor\u00e7os na integra\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica do Sul&#8221;, diz. Em 2000, foi feita a primeira reuni\u00e3o de presidentes sul-americanos. O M\u00e9xico reclamou e acabou obtendo status de observador. Vicente Fox, presidente mexicano de 2000 a 2006, quis integrar o pa\u00eds ao Mercosul, mas foi rejeitado. &#8220;A proximidade com os EUA sempre incomodou a Am\u00e9rica do Sul, n\u00e3o s\u00f3 o Brasil.&#8221;<\/p>\n<p>Por outro lado, o Brasil tem uma situa\u00e7\u00e3o melhor do que as demais pot\u00eancias ascendentes, no objetivo de conjugar a posi\u00e7\u00e3o global e a local. Ao contr\u00e1rio da China, e principalmente da \u00cdndia, n\u00e3o tem conflitos hist\u00f3ricos ou de fronteira com seus vizinhos. E, ao contr\u00e1rio da Alemanha que crescia na \u00e9poca de Otto von Bismarck, &#8220;h\u00e1 140 anos que o Brasil n\u00e3o entra em guerra no continente&#8221;, ressalta Rothkopf.<\/p>\n<p>Roett cita o bar\u00e3o do Rio Banco, &#8220;essa figura ador\u00e1vel&#8221;, para assinalar a tradi\u00e7\u00e3o brasileira de trabalhar em conjunto com os vizinhos, em vez de escolher a via do confronto. &#8220;Ao contr\u00e1rio de v\u00e1rios outros pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul, o Brasil n\u00e3o tem quase nenhum conflito de fronteiras.&#8221; O embaixador Sim\u00f5es segue na mesma linha de Roett. Entende que as eventuais desconfian\u00e7as dos vizinhos quanto \u00e0s verdadeiras inten\u00e7\u00f5es do Brasil s\u00e3o compreens\u00edveis, mas equivocadas, e afirma que &#8220;o Brasil n\u00e3o quer ser rico, mas crescer com seus vizinhos&#8221;.<\/p>\n<p>Outrora a maior rival do Brasil no continente, hoje a principal parceira comercial e pol\u00edtica abaixo do Rio Grande, a Argentina, na pessoa da presidente Cristina Kirchner, foi frustrada, na c\u00fapula de Cartagena, em seu prop\u00f3sito de obter uma declara\u00e7\u00e3o conjunta sobre a disputa das ilhas Malvinas. Tamb\u00e9m muito distante do encontro dos empres\u00e1rios, Cristina voltou para Buenos Aires ainda na manh\u00e3 de domingo para preparar a expropria\u00e7\u00e3o da petroleira YPF, at\u00e9 o momento de capital espanhol, no dia seguinte.<\/p>\n<p>A \u00fanica rea\u00e7\u00e3o significativa \u00e0\u00a0decis\u00e3o de Cristina veio da Espanha, que amea\u00e7ou com retalia\u00e7\u00f5es e avaliou a parte da companhia que ter\u00e1\u00a0de vender em US$ 10,5 bilh\u00f5es. Em perspectiva hist\u00f3rica, o pouco barulho \u00e9\u00a0significativo. H\u00e1\u00a0menos de uma d\u00e9cada, uma decis\u00e3o dr\u00e1stica como a da Argentina teria provocado uma rea\u00e7\u00e3o em cadeia no continente, como nas crises pol\u00edticas dos anos 1960 e 1970 e na montanha-russa financeira dos anos 1980 e 1990.<\/p>\n<p>J\u00e1\u00a0n\u00e3o\u00a0\u00e9\u00a0assim. &#8220;A Argentina est\u00e1\u00a0claramente isolada&#8221;, diz Julia Sweig. &#8220;Os investidores sabem que o ambiente econ\u00f4mico e pol\u00edtico do continente est\u00e1 s\u00f3lido e est\u00e1vel.&#8221; Para Rothkopf, &#8220;a Argentina s\u00f3 fez o que fez porque est\u00e1 sem dinheiro. Acredito que entrar\u00e1 em crise muito em breve&#8221;.<\/p>\n<p>Do outro lado do panorama continental, os pa\u00edses que gravitam em torno dos EUA t\u00eam no baixo custo da m\u00e3o de obra um de seus principais ativos e na viol\u00eancia urbana a principal debilidade. Jornais favor\u00e1veis ao governo colombiano festejavam os \u00edndices animadores do pa\u00eds, como a infla\u00e7\u00e3o de apenas 3,4% no ano passado e o crescimento de mais de 100% das exporta\u00e7\u00f5es nos \u00faltimos cinco anos.<\/p>\n<p>Mas tamb\u00e9m recordavam o desemprego persistente em 11,9% da popula\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica ativa (no Brasil, de 5,7% em fevereiro) e um dos 20 sal\u00e1rios m\u00e9dios mais baixos do mundo. N\u00e3o\u00a0\u00e9\u00a0\u00e0\u00a0toa que a principal rea\u00e7\u00e3o contra os TLC nos Estados Unidos tenha partido da central sindical AFL-CIO, preocupada com a migra\u00e7\u00e3o da m\u00e3o de obra para pa\u00edses de sal\u00e1rios mais baixos, que, gra\u00e7as a essa condi\u00e7\u00e3o e aos acordos de livre com\u00e9rcio, exportariam produtos de menor pre\u00e7o para os EUA &#8211; com ganho certo em gera\u00e7\u00e3o de postos de trabalho e divisas.<\/p>\n<p>Se existe a divis\u00e3o na economia, no \u00e2mbito pol\u00edtico a equa\u00e7\u00e3o \u00e9\u00a0outra. &#8220;Caminhamos do Consenso de Washington para o consenso sem Washington&#8221;, comentou, em Quito, o presidente do Equador, Rafael Correa, o \u00fanico a boicotar a c\u00fapula em raz\u00e3o da aus\u00eancia de Cuba em Cartagena, uma exig\u00eancia americana.<\/p>\n<p>Nos debates a portas fechadas, os Estados Unidos ficaram &#8220;solos, solitos&#8221;, ironizou o chanceler da Venezuela, Nicol\u00e1s Maduro, que representava o presidente Hugo Ch\u00e1vez, ausente por doen\u00e7a. A pol\u00edtica interna \u00e9 citada como principal entrave \u00e0 atua\u00e7\u00e3o dos EUA no continente. &#8220;Para algu\u00e9m que, como eu, trabalhou tanto com a Am\u00e9rica Latina, \u00e9 uma pena que o continente n\u00e3o receba mais aten\u00e7\u00e3o dos EUA&#8221;, diz Donna Hrinak. A ex-embaixadora no Brasil faz a ressalva, por\u00e9m, de que uma das principais fun\u00e7\u00f5es da diplomacia americana, hoje, \u00e9 criar condi\u00e7\u00f5es para a atua\u00e7\u00e3o do setor privado. &#8220;Mas o setor privado, adiantando-se aos diplomatas, &#8220;j\u00e1 busca intensamente maneiras de investir no continente, particularmente no Brasil.&#8221;<\/p>\n<p>Para Julia Sweig, &#8220;a Am\u00e9rica Latina deveria ser uma regi\u00e3o important\u00edssima para os EUA&#8221;. A explica\u00e7\u00e3o, paradoxal segundo ela, est\u00e1 justamente na tranquilidade e na solidez da regi\u00e3o. A pol\u00edtica externa americana se concentra em regi\u00f5es de conflito e instabilidade que possam colocar em risco a seguran\u00e7a alimentar, energ\u00e9tica e econ\u00f4mica do mundo. Trata-se de uma vis\u00e3o, segundo Kellie Meiman, baseada na &#8220;realpolitik&#8221;: uma diplomacia baseada em preocupa\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas e imediatas. &#8220;Os EUA j\u00e1 perderam a influ\u00eancia que tinham no continente, isso \u00e9 fato consumado&#8221;, diz Sweig.<\/p>\n<p>Maduro exagerou ao falar da solid\u00e3o americana. Os Estados Unidos ficaram em companhia do nada tropical Canad\u00e1\u00a0em sua intransig\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o a Cuba, na resist\u00eancia a discutir uma mudan\u00e7a na pol\u00edtica antidrogas no Continente e na oposi\u00e7\u00e3o a se debater a reivindica\u00e7\u00e3o argentina pelas Malvinas. E at\u00e9\u00a0Felipe Calder\u00f3n, antes de chegar \u00e0 Col\u00f4mbia, passou por Cuba para se encontrar com Ra\u00fal Castro.<\/p>\n<p>Neste &#8220;consenso sem Washington&#8221;, a estrela de Hugo Ch\u00e1vez esmaece. A tend\u00eancia \u00e9\u00a0para o predom\u00ednio dos presidentes eleitos pela esquerda, mas com compromissos de manuten\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas econ\u00f4micas favor\u00e1veis ao meio empresarial. \u00c9\u00a0o caso de Dilma Rousseff, do peruano Ollanta Humala, do uruguaio Jos\u00e9 Mujica &#8211; cujo pa\u00eds acaba de subir no rating das ag\u00eancias de classifica\u00e7\u00e3o de risco &#8211; e do salvadorenho Mauricio Funes.<\/p>\n<p>O grupo come\u00e7a a ganhar a ades\u00e3o de uma gera\u00e7\u00e3o eleita pela direita e interessada em pol\u00edticas sociais. Est\u00e3o no grupo o colombiano Santos, que promove uma reforma fundi\u00e1ria que beneficia as fam\u00edlias de camponeses atingidas pelos grupos de exterm\u00ednio, e o guatemalteco Otto P\u00e9rez, defensor de investimentos em sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o no tratamento da viol\u00eancia urbana.<\/p>\n<p>Em ambos os lados do espectro pol\u00edtico, a refer\u00eancia evocada \u00e9\u00a0 quase sempre a mesma: o ex-presidente brasileiro Luiz In\u00e1cio Lula da Silva. Lula virou uma esp\u00e9cie de s\u00edmbolo na regi\u00e3o porque foi, nas palavras de Donna Hrinak, o primeiro a chamar para os pr\u00f3prios latino-americanos o peso da responsabilidade de resolver os problemas do continente. A transi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica suave entre o governo do PSDB e o do PT tamb\u00e9m \u00e9 citada como prova da matura\u00e7\u00e3o do continente, em paralelo com o controle continuado da infla\u00e7\u00e3o e a \u00eanfase em pol\u00edticas sociais.<\/p>\n<p>Um elemento citado por diplomatas para explicar a transforma\u00e7\u00e3o de Lula em &#8220;grife&#8221; na pol\u00edtica continental \u00e9\u00a0o sucesso em provocar a sensa\u00e7\u00e3o, na popula\u00e7\u00e3o, de que a vida est\u00e1\u00a0melhorando de fato. Mesmo em pa\u00edses com grande sucesso econ\u00f4mico, como o Chile, o orgulho com a for\u00e7a financeira pode ser eclipsado pela aus\u00eancia dessa sensa\u00e7\u00e3o. O Chile sofreu com vastos protestos estudantis no ano passado e seu presidente, Sebasti\u00e1n Pi\u00f1era, n\u00e3o goza de bons \u00edndices de popularidade.<\/p>\n<p>Aproveitando a aproxima\u00e7\u00e3o, primeiro da Uni\u00e3o Europeia e depois, principalmente, da China, esses pa\u00edses est\u00e3o conseguindo conjugar a liberdade de mercado com a aten\u00e7\u00e3o a problemas sociais. A ret\u00f3rica inflamada de Hugo Ch\u00e1vez empalidece diante da capacidade que pa\u00edses como o Brasil e o Peru &#8211; em que a elei\u00e7\u00e3o de Humala, no ano passado, causou a mesma apreens\u00e3o que a vit\u00f3ria de Lula em 2002 &#8211; t\u00eam demonstrado de produzir crescimento econ\u00f4mico com sucessos na \u00e1rea social, sempre com independ\u00eancia de pol\u00edticas, mas sem bater de frente a cada momento com os EUA ou os mercados.<\/p>\n<p>Para ser protagonista dessa nova tend\u00eancia, falta a Dilma certos gestos de apelo popular, nos quais Lula sempre foi pr\u00f3digo. Em Cartagena, a presidente n\u00e3o bebeu cerveja em uma boate, como a secret\u00e1ria de Estado Hillary Clinton. Jantou em um restaurante refinado da cidade colombiana e se retirou, sem acenar para turistas brasileiros. &#8220;O Pi\u00f1era \u00e9 mais simp\u00e1tico&#8221;, lamentou uma paulistana a passeio. O presidente do Chile, apesar de n\u00e3o fazer parte do grupo que reivindica o legado de Lula, visitou comunidades carentes durante sua estadia na Col\u00f4mbia.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p>Com\u00e9rcio com a China tem o menor avan\u00e7o em 5 anos<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>Nos tr\u00eas primeiros meses do ano, as exporta\u00e7\u00f5es brasileiras para a China desaceleraram. Elas somaram US$ 7,9 bilh\u00f5es, representando um aumento de 10,5% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano passado. Esse foi o menor crescimento dos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p>O aumento de 10% foi garantido principalmente pela exporta\u00e7\u00e3o da soja, que cresceu 127%, impulsionada por uma antecipa\u00e7\u00e3o de compras do gr\u00e3o. Sem esse produto, as vendas do Brasil para a China teriam ca\u00eddo 6% no per\u00edodo. Min\u00e9rio de ferro e petr\u00f3leo, que somados responderam por mais da metade de tudo o que foi vendido aos asi\u00e1ticos no ano passado, tiveram queda nas vendas e puxaram o resultado para baixo, segundo dados do Minist\u00e9rio do Desenvolvimento, Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio Exterior (Mdic). Os tr\u00eas produtos &#8211; soja, min\u00e9rio e petr\u00f3leo &#8211; responderam no ano passado por 80% da exporta\u00e7\u00e3o brasileira para a China, sendo, portanto, fundamentais para indicar o rumo do com\u00e9rcio entre os dois pa\u00edses.<\/p>\n<p>Produto mais procurado pelos chineses, as vendas de min\u00e9rio de ferro cresceram 5% em volume no per\u00edodo, mas a queda do pre\u00e7o no mercado internacional fez a commodity render 12% a menos de divisas do que no primeiro trimestre do ano passado, com as vendas totais chegando a US$ 3,3 bilh\u00f5es. O pre\u00e7o do petr\u00f3leo ficou em patamar semelhante ao de 2011, mas a desacelera\u00e7\u00e3o do apetite chin\u00eas pelo produto fez o volume cair 32%, o que diminuiu em 17% as exporta\u00e7\u00f5es em d\u00f3lares, que somaram US$ 1 bilh\u00e3o, segundo estudo elaborado pelo Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC) com base nos dados do Mdic.<\/p>\n<p>Para Andr\u00e9\u00a0Soares, coordenador e analista de pesquisas do Conselho, a queda das exporta\u00e7\u00f5es brasileiras de min\u00e9rio de ferro e petr\u00f3leo respondeu ao movimento de desacelera\u00e7\u00e3o da China que, de acordo com a estimativa oficial, espera crescimento de 7,5% do Produto Interno Bruto (PIB) para este ano ante 9,2% de 2011. &#8220;Os dois casos foram acentuados, mas acompanharam a demanda total de certa forma. Em toneladas, as importa\u00e7\u00f5es chinesas de min\u00e9rio no trimestre cresceram 6%, enquanto em d\u00f3lares elas ca\u00edram 8%. No petr\u00f3leo, a diminui\u00e7\u00e3o foi de 10% em peso e de 23% em d\u00f3lares&#8221;, diz ele.<\/p>\n<p>Apesar de o volume crescer, a tend\u00eancia \u00e9\u00a0que as vendas de min\u00e9rio de ferro rendam menos aos exportadores neste ano, segundo o presidente em exerc\u00edcio da Associa\u00e7\u00e3o de Com\u00e9rcio Exterior do Brasil (AEB) Jos\u00e9\u00a0Augusto de Castro. Em mar\u00e7o do ano passado, o Brasil vendeu a tonelada do produto a US$ 116. Doze meses depois, a US$ 100. &#8220;A m\u00e9dia em 2011 ficou em US$ 128, com picos de US$ 136. Mantendo o patamar atual, vai haver um impacto grande na balan\u00e7a at\u00e9\u00a0o fim do ano, pois o min\u00e9rio \u00e9\u00a0o produto mais vendido aos chineses&#8221;, diz.<\/p>\n<p>O substancial aumento da soja, que registrou US$ 2 bilh\u00f5es em vendas, deu-se em virtude da intensifica\u00e7\u00e3o das exporta\u00e7\u00f5es desde o fim do ano passado em fun\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os favor\u00e1veis do produto, de acordo com F\u00e1bio Silveira, s\u00f3cio-diretor da RC Consultores. &#8220;Entre janeiro e fevereiro, exportamos US$ 640 milh\u00f5es. Nos mesmos meses do ano passado, as vendas foram de US$ 53 milh\u00f5es. Houve um esfor\u00e7o na exporta\u00e7\u00e3o dos estoques do mercado brasileiro por causa da relativa escassez do produto no mercado mundial.&#8221;<\/p>\n<p>As importa\u00e7\u00f5es vindas da China, por outro lado, cresceram mais do que as exporta\u00e7\u00f5es &#8211; 13,8%, refletindo na balan\u00e7a comercial entre os dois pa\u00edses. No primeiro trimestre do ano passado, o d\u00e9ficit no com\u00e9rcio com os chineses foi de US$ 51 milh\u00f5es. Em fun\u00e7\u00e3o do crescimento maior das compras brasileiras, capitaneadas por m\u00e1quinas, instrumentos e aparelhos eletr\u00f4nicos, o saldo negativo pulou para US$ 292 milh\u00f5es no primeiro trimestre de 2012.<\/p>\n<p>O d\u00e9ficit, no entanto, poderia ter sido maior, j\u00e1\u00a0que as compras de carros chineses ca\u00edram para menos de US$ 4 milh\u00f5es no trimestre. Em volume, vieram 834 carros de janeiro a mar\u00e7o deste ano, situa\u00e7\u00e3o que est\u00e1\u00a0relacionada \u00e0\u00a0forte importa\u00e7\u00e3o do \u00faltimo trimestre do ano passado, quando as importa\u00e7\u00f5es somaram 200 milh\u00f5es e corresponderam a entrada de 31,4 mil autom\u00f3veis. O movimento foi uma rea\u00e7\u00e3o ao aumento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre o produto que passou a valer no fim de dezembro.<\/p>\n<p>O resultado dos tr\u00eas primeiros meses no com\u00e9rcio entre Brasil e China acompanha a previs\u00e3o para o ano. &#8220;Prev\u00ea-se desacelera\u00e7\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o deles de ve\u00edculos e linha branca, gerando uma demanda menor por a\u00e7o e energia que vai acabar impactando o pre\u00e7o das commodities exportadas pelo Brasil&#8221;, diz Silveira, que manteve a previs\u00e3o de super\u00e1vit de US$ 20 bilh\u00f5es para a balan\u00e7a comercial do Brasil em 2012. &#8220;No fim do ano passado j\u00e1\u00a0prev\u00edamos crescimento menor das vendas \u00e0\u00a0China.&#8221;<\/p>\n<p>A AEB tamb\u00e9m manteve a previs\u00e3o feita em dezembro e vai esperar para refazer seus c\u00e1lculos. &#8220;Trabalhamos com um super\u00e1vit de US$ 3 bilh\u00f5es. Com base na conjuntura atual eu o aumentaria para cerca de US$ 8 bilh\u00f5es, mas o cen\u00e1rio pode mudar at\u00e9\u00a0julho, quando ser\u00e1\u00a0feita a revis\u00e3o&#8221;, diz Castro.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p>Ap\u00f3s impasse, C\u00f3digo Florestal vai a vota\u00e7\u00e3o com texto pr\u00f3-ruralistas<\/p>\n<p>O Estado de S. Paulo<\/p>\n<p>A cinco dias da vota\u00e7\u00e3o da reforma do C\u00f3digo Florestal, o relator da mat\u00e9ria na C\u00e2mara, deputado Paulo Piau (PMDB-MG), deu por fracassada a tentativa de negocia\u00e7\u00e3o com o governo para promover a anistia a desmatadores, como defendem seus colegas ruralistas. O texto, que vai \u00e0 vota\u00e7\u00e3o sem acordo, retira da vers\u00e3o aprovada no Senado a exig\u00eancia de recupera\u00e7\u00e3o das \u00c1reas de Preserva\u00e7\u00e3o Permanente (APPs) \u00e0s margens de rios.<\/p>\n<p>\u201cVai ter batalha campal, n\u00e3o teve jeito de evitar. Vamos para o confronto e quem tiver mais voto vence\u201d, desafiou. Um pouco antes, em reuni\u00e3o no Pal\u00e1cio do Planalto, a presidente Dilma Rousseff reiterou a posi\u00e7\u00e3o do governo de exigir a recupera\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o nativa \u00e0s margens de rios, entre 15 e 100 metros, dependendo da largura do rio. A regra tem atenuantes para pequenas propriedades. Dilma admite corrigir eventuais problemas que surjam no cumprimento da exig\u00eancia, mas voltou a defender o texto aprovado no Senado em dezembro, fruto de um acordo.<\/p>\n<p>Este texto, visto como meio-termo entre o que defendem ambientalistas e ruralistas, prev\u00ea\u00a0a recupera\u00e7\u00e3o de 330 mil quil\u00f4metros quadrados de vegeta\u00e7\u00e3o nativa, segundo c\u00e1lculos preliminares. \u201cPelo que pude observar, o relator insiste na anistia a desmatadores. Sua proposta traz inseguran\u00e7a jur\u00eddica\u201d, reagiu a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, ap\u00f3s a reuni\u00e3o com Dilma, ao ser questionada sobre a proposta defendida por Piau. O deputado tirou do texto aprovado pelo Senado a exig\u00eancia de recupera\u00e7\u00e3o das APPs \u00e0s margens de rios. Seu plano era exigir que Dilma relaxasse ainda mais a regra para recuperar vegeta\u00e7\u00e3o nativa \u00e0s margens de rios e beneficiasse propriet\u00e1rios de at\u00e9 15 m\u00f3dulos fiscais, o que representa at\u00e9 1.500 hectares ou 15 km\u00b2 na Amaz\u00f4nia. O relator tamb\u00e9m cedeu ao lobby dos produtores de camar\u00e3o no Nordeste e tirou as \u00e1reas de apicuns e salgados \u2013 parte dos manguezais onde ocorre a produ\u00e7\u00e3o \u2013 da lista de APPs. Essas \u00e1reas foram redefinidas como \u00e1reas de uso restrito, com regras mais flex\u00edveis, como queriam os criadores de camar\u00f5es. Na avalia\u00e7\u00e3o de Piau, seu texto n\u00e3o obter\u00e1 o consenso na C\u00e2mara. \u201cA press\u00e3o vem dos dois lados, mas todos sairemos felizes se tivermos ju\u00edzo\u201d, comentou.<\/p>\n<p>Produtor rural e membro da Frente Parlamentar da Agropecu\u00e1ria, Piau n\u00e3o deixou d\u00favida que as mudan\u00e7as foram inspiradas em teses ruralistas. \u201cN\u00e3o se pode penalizar o agricultor por uma culpa que n\u00e3o\u00a0\u00e9\u00a0 dele\u201d, diz. Batalha campal. Parte dos integrantes da frente, por\u00e9m, vem manifestando discord\u00e2ncia da maneira radicalizada como o relator vinha conduzindo o debate. O deputado Reinhold Stephanes (PMDB-PR), ex-ministro da Agricultura, defendia uma posi\u00e7\u00e3o mais moderada, que prev\u00ea a aprova\u00e7\u00e3o do texto do Senado. Ele lembrou que a aprova\u00e7\u00e3o do texto, como defende Piau, levar\u00e1 a presidente a vetar o projeto. O debate do C\u00f3digo Florestal, que j\u00e1 se arrasta h\u00e1 13 anos, poderia voltar \u00e0 estaca zero. Piau tem o respaldo do l\u00edder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), o primeiro a falar publicamente da hip\u00f3tese de uma \u201cbatalha campal\u201d na C\u00e2mara. O l\u00edder n\u00e3o reconhece o compromisso assumido na campanha eleitoral, pela ent\u00e3o candidata Dilma Rousseff, de vetar uma eventual<\/p>\n<p>anistia a desmatadores. \u201cCompromisso com quem, com a sua base?\u201d, ironizou. Dilma sofreu a principal derrota pol\u00edtica de seu primeiro ano de mandato na vota\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>da proposta de C\u00f3digo Florestal, em maio.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p>Ind\u00fastria morre sem inova\u00e7\u00e3o, diz Gerdau<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>Periodicamente os funcion\u00e1rios das 49 usinas que a Gerdau possui no mundo inteiro participam de um &#8220;programa de ideias&#8221;. \u00c9\u00a0 uma competi\u00e7\u00e3o para levantar propostas e projetos para a empresa. Segundo o empres\u00e1rio Jorge Gerdau, s\u00e3o levantadas as melhores ideias de cada pa\u00eds e depois as propostas, reunidas, concorrem entre si. As melhores ideias s\u00e3o premiadas.<\/p>\n<p>Gerdau diz que a iniciativa, entre outras, foi adotada para evitar que uma boa ideia morra no ch\u00e3o de f\u00e1brica. Ele diz que a inova\u00e7\u00e3o depende de uma mudan\u00e7a comportamental que deve ser aplicada em toda a empresa. &#8220;A sobreviv\u00eancia de uma empresa s\u00f3\u00a0vem com inova\u00e7\u00e3o. L\u00edder sem processo de inova\u00e7\u00e3o n\u00e3o\u00a0\u00e9\u00a0l\u00edder. Inovar \u00e9\u00a0 quase um processo darwiniano: \u00e9\u00a0preciso se ajustar \u00e0s mudan\u00e7as&#8221;, diz. A declara\u00e7\u00e3o foi feita ontem no Semin\u00e1rio Internacional de Pequenos Neg\u00f3cios promovido pelo Servi\u00e7o Brasileiro de Apoio \u00e0s Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) com apoio do Valor.<\/p>\n<p>O empres\u00e1rio lembra, por\u00e9m, que a inova\u00e7\u00e3o depende de uma mudan\u00e7a comportamental. &#8220;A globaliza\u00e7\u00e3o e a mudan\u00e7a dos cen\u00e1rios de competitividade exigem que nos ajustemos ao ritmo das velocidades que os processos de desenvolvimento tecnol\u00f3gico passaram a ter.&#8221; Sem a adapta\u00e7\u00e3o, diz, h\u00e1\u00a0riscos de um processo r\u00e1pido de obsolesc\u00eancia do parque empresarial brasileiro. A press\u00e3o do mercado pressionando por processos inovadores \u00e9\u00a0algo hist\u00f3rico, diz. &#8220;Mas como esse processo hoje est\u00e1\u00a0muito acelerado, \u00e9\u00a0preciso que haja mobiliza\u00e7\u00e3o nesse sentido.&#8221;<\/p>\n<p>Glauco Arbix, presidente da ag\u00eancia Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), tamb\u00e9m aponta para a necessidade de mudan\u00e7a. Ele diz que o atual plano nacional de ci\u00eancia e tecnologia coloca a promo\u00e7\u00e3o da inova\u00e7\u00e3o das empresas como segunda prioridade. &#8220;\u00c9 a primeira vez que um plano da \u00e1rea incorpora o item com essa relev\u00e2ncia. As empresas, por\u00e9m, n\u00e3o est\u00e3o claramente no foco das pol\u00edticas e as pequenas, menos ainda.&#8221;<\/p>\n<p>O presidente da Finep diz que o investimento em inova\u00e7\u00e3o e tecnologia tradicionalmente foi tratado como subproduto do crescimento econ\u00f4mico e n\u00e3o como um pr\u00e9-requisito para o desenvolvimento. A maior parte das empresas ainda inovam adquirindo equipamento novo. &#8220;Isso \u00e9 importante, mas s\u00e3o poucas as empresas que inovam continuamente, com trabalho de diversifica\u00e7\u00e3o de processos, com desenvolvimento de produtos novos. S\u00e3o poucas as que conseguem combinar suas atividade com pesquisa e desenvolvimento.&#8221; Uma das metas do governo, lembra Arbix, \u00e9 aumentar o investimento em pesquisa das empresas de 0,59% do Produto Interno Bruto em 2010 para 0,90% em 2014.<\/p>\n<p>Especialista em inova\u00e7\u00e3o, o professor Charles Edquist, da Lund University, da Su\u00e9cia, diz que a implementa\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica industrial demanda apoio pol\u00edtico para a formula\u00e7\u00e3o de mecanismos de est\u00edmulo \u00e0 inova\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m precisam ser estabelecidas metas claras, avalia\u00e7\u00e3o do uso dos mecanismos e seus resultados. &#8220;Somente essa medi\u00e7\u00e3o pode permitir ao formulador de pol\u00edticas detectar onde est\u00e3o os problemas e de que maneira se pode intervir.&#8221;<\/p>\n<p>Para Edquist, existem pelo menos dez itens imprescind\u00edveis para uma pol\u00edtica p\u00fablica voltada \u00e0 inova\u00e7\u00e3o. Entre elas, algumas s\u00e3o relacionadas aos atores da inova\u00e7\u00e3o que, sejam p\u00fablicos ou privados, devem ter recursos direcionados especificamente para pesquisa e desenvolvimento e deve haver cria\u00e7\u00e3o de compet\u00eancias e capacita\u00e7\u00e3o. \u00c9 preciso tamb\u00e9m, diz, que a pol\u00edtica para inova\u00e7\u00e3o inclua o lado da demanda. Para o professor, s\u00e3o necess\u00e1rias estrat\u00e9gias para criar mercados para novos produtos, fazer com que o consumidor crie uma demanda por bens e servi\u00e7os de maior qualidade.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p>Argentina manda YPF acelerar produ\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>O Estado de S. Paulo<\/p>\n<p>O ministro do Planejamento Federal, Julio De Vido, e o vice-ministro da Economia, Axel Kicillof, ordenaram aos diretores da expropriada YPF que aumentem a produ\u00e7\u00e3o da empresa imediatamente. O plano \u00e9 reverter a queda de produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e g\u00e1s da YPF nos \u00faltimos anos e mostrar a suposta efici\u00eancia do governo da presidente Cristina Kirchner nas empresas estatais.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o governo pretende &#8220;mostrar servi\u00e7o&#8221; na YPF, e assim reverter a m\u00e1\u00a0imagem que a administra\u00e7\u00e3o estatal teve nos \u00faltimos anos no pa\u00eds. Um dos casos emblem\u00e1ticos \u00e9\u00a0o da companhia a\u00e9rea Aerol\u00edneas, que ap\u00f3s a reestatiza\u00e7\u00e3o, h\u00e1\u00a0 meia d\u00e9cada, sempre fechou os anos com substanciais d\u00e9ficits.<\/p>\n<p>De Vido e Kicillof, respectivamente designados pela presidente Cristina para o posto de interventor e vice-interventor da YPF, ordenaram a prepara\u00e7\u00e3o de um plano para perfurar e reparar mais de mil po\u00e7os de petr\u00f3leo. Al\u00e9m disso, determinaram que a refinaria da YPF na cidade de La Plata, prov\u00edncia de Buenos Aires, dever\u00e1 aumentar sua produ\u00e7\u00e3o em 8% de forma imediata.<\/p>\n<p>Total. De Vido e Kicillof tamb\u00e9m anunciaram a abertura de negocia\u00e7\u00f5es com a empresa francesa petrol\u00edfera Total, para ampliar a capacidade produtiva das jazidas de petr\u00f3leo que a empresa possui em algumas \u00e1reas do pa\u00eds, em conjunto com a YPF. O plano do governo \u00e9 aumentar em 2 milh\u00f5es de metros c\u00fabicos di\u00e1rios de g\u00e1s a produ\u00e7\u00e3o das jazidas nas \u00e1reas de Aguada Pichana e Aguada San Roque, na prov\u00edncia de Neuqu\u00e9n. Ambas s\u00e3o respons\u00e1veis por 20% da produ\u00e7\u00e3o de g\u00e1s da Argentina.<\/p>\n<p>Miss\u00e3o de paz. De Vido desembarcou ontem em Bras\u00edlia com recados claros do governo argentino para transmitir ao ministro de Minas e Energia, Edison Lob\u00e3o, e \u00e0\u00a0presidente da Petrobr\u00e1s, Maria das Gra\u00e7as Foster.<\/p>\n<p>Primeiro, dir\u00e1\u00a0que a investida oficial contra a Repsol n\u00e3o afetar\u00e1 a companhia brasileira. Segundo, que a estatal \u00e9 fonte de inspira\u00e7\u00e3o para a nova YPF argentina, e por isso a presidente Cristina Kirchner gostaria de ter a Petrobr\u00e1s entre as empresas associadas ao novo empreendimento.<\/p>\n<p>De Vido vai refor\u00e7ar o pedido de Cristina a Lob\u00e3o, em fevereiro, para que a Petrobr\u00e1s aumente seus investimentos no pa\u00eds vizinho. Um dos alvos do governo argentino seria a Refinaria Del Norte (Refinor), na qual a Petrobr\u00e1s j\u00e1 det\u00e9m participa\u00e7\u00e3o minorit\u00e1ria (28,5%). Repsol-YPF tem 50% e Pluspetrol, 21,5%. Uma maior presen\u00e7a da Petrobr\u00e1s seria uma forma de ajudar a Argentina. &#8220;A ideia \u00e9 manter os atuais s\u00f3cios, e que aumentem a presen\u00e7a nas companhias&#8221;, disse uma fonte da Ag\u00eancia Estado.<\/p>\n<p>A Petrobr\u00e1s tamb\u00e9m divide participa\u00e7\u00e3o com a Repsol YPF em outra empresa na Argentina, a petroqu\u00edmica Mega, que produz derivados de g\u00e1s natural usados como mat\u00e9ria-prima na ind\u00fastria petroqu\u00edmica. A Petrobr\u00e1s det\u00e9m 34%, a YPF 38% e a Dow Chemical, 28%.<\/p>\n<p>A nacionaliza\u00e7\u00e3o de 51% da YPF e da YPF G\u00e1s na Argentina afeta o controle acion\u00e1rio dessas duas empresas, j\u00e1\u00a0que a nacionaliza\u00e7\u00e3o ter\u00e1\u00a0um efeito cascata de expropria\u00e7\u00e3o de todas as participa\u00e7\u00f5es da Repsol em empresas no pa\u00eds. A Petrobr\u00e1s no Brasil preferiu n\u00e3o comentar se a troca de controle acion\u00e1rio provocar\u00e1 efeitos na companhia brasileira.<\/p>\n<p>Outro poss\u00edvel pedido de De Vido pode ser a participa\u00e7\u00e3o da Petrobr\u00e1s em explora\u00e7\u00e3o offshore (em mar). H\u00e1 pelo menos tr\u00eas anos, j\u00e1 era discutida a possibilidade de uma parceria entre a Repsol-YPF e a Petrobr\u00e1s Argentina, subsidi\u00e1ria da holding brasileira, segundo fonte da companhia. Os argentinos estariam interessados em forma\u00e7\u00f5es geol\u00f3gicas semelhantes \u00e0s da Bacia de Campos e gostariam de ter a expertise da Petrobr\u00e1s, bem como sua capacidade de investimento.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\nCorreio Braziliense\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2716\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[106],"tags":[],"class_list":["post-2716","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c119-olhovivo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-HO","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2716","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2716"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2716\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2716"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2716"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2716"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}