{"id":2717,"date":"2012-04-20T22:22:17","date_gmt":"2012-04-20T22:22:17","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=2717"},"modified":"2017-08-24T21:58:28","modified_gmt":"2017-08-25T00:58:28","slug":"o-papel-do-partido-como-agente-de-educacao-uma-concepcao-marxistaleninista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2717","title":{"rendered":"O PAPEL DO PARTIDO COMO AGENTE DE EDUCA\u00c7\u00c3O: UMA CONCEP\u00c7\u00c3O MARXISTA\u2212LENINISTA"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/sepechapa4sg.files.wordpress.com\/2012\/04\/lenin-october-revolution2.jpg?w=747\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Professor da Universidade de S\u00e3o Paulo<\/p>\n<p>Militante da Base Caio Prado Jr\/Ribeir\u00e3o Preto<\/p>\n<p>1 &#8211; Aspectos da constru\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica da concep\u00e7\u00e3o marxista-leninista de partido pol\u00edtico revolucion\u00e1rio.<!--more--><\/p>\n<p>Marx e Engels formularam uma proposta para a organiza\u00e7\u00e3o do Partido Comunista no final de 1847, a pedido da Liga dos Comunistas, uma associa\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria internacional, sendo o Manifesto do Partido Comunista publicado pela primeira vez em Fevereiro de 1848.<\/p>\n<p>O manifesto aparece numa d\u00e9cada em que a produ\u00e7\u00e3o industrial atingia cifras elevad\u00edssimas, difus\u00e3o das ci\u00eancias jamais vista, publica\u00e7\u00f5es de livros na casa de centenas de milhares, a ferrovia no Reino Unido em 1845 transportou 48 milh\u00f5es de passageiros, em 1846 j\u00e1 havia tr\u00eas mil milhas de via f\u00e9rrea e nos E.U.A., chegava a nove mil milhas em 1850.<\/p>\n<p>Por outro lado, aumentava o n\u00famero de oper\u00e1rios e sua resist\u00eancia \u00e0 explora\u00e7\u00e3o burguesa cada vez mais brutal. No campo, as revoltas de semi-servos e camponeses alastram-se por toda a Europa.<\/p>\n<p>Neste contexto aparece o Manifesto do Partido Comunista que propunha a cria\u00e7\u00e3o de um partido oper\u00e1rio que tinha como primeira tarefa organizar o operariado como classe, com o objetivo claro de acabar com o dom\u00ednio da burguesia e a constru\u00e7\u00e3o de um poder pol\u00edtico oper\u00e1rio.<\/p>\n<p>No manifesto \u00e9 feita uma exposi\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica de uma concep\u00e7\u00e3o de hist\u00f3ria, do capitalismo e da revolu\u00e7\u00e3o. Nele \u00e9 afirmado que a hist\u00f3ria de todas as sociedades que existiram, at\u00e9 nossos dias, tem sido a hist\u00f3ria das lutas de classe e que estas lutas sempre terminaram por uma transforma\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria da sociedade inteira ou na destrui\u00e7\u00e3o das classes em luta. Essas afirma\u00e7\u00f5es expressam a vis\u00e3o de Marx e Engels do dinamismo da sociedade atrav\u00e9s da luta de classes. Luta que moveu as sociedades em toda a sua hist\u00f3ria e que levar\u00e1 \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de uma nova sociedade.<\/p>\n<p>Esta luta, no capitalismo, se d\u00e1 entre a burguesia, propriet\u00e1ria dos meios de produ\u00e7\u00e3o, e a classe que se antagoniza aos seus interesses, o proletariado que, desprovido dos meios de produ\u00e7\u00e3o, \u00e9 obrigado a vender sua for\u00e7a de trabalho \u00e0 burguesia. Esta contradi\u00e7\u00e3o est\u00e1 na ess\u00eancia das rela\u00e7\u00f5es capitalistas de produ\u00e7\u00e3o e determina a luta pol\u00edtica: a burguesia, enquanto classe dominante em luta permanente para a conserva\u00e7\u00e3o da sociedade capitalista e o operariado, em luta pela transforma\u00e7\u00e3o social e supera\u00e7\u00e3o destas rela\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A transforma\u00e7\u00e3o social na sociedade capitalista, segundo os princ\u00edpios do marxismo, s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel atrav\u00e9s da dire\u00e7\u00e3o da classe oper\u00e1ria, \u00fanica capaz de cumprir esta tarefa atrav\u00e9s da revolu\u00e7\u00e3o socialista. A dire\u00e7\u00e3o exercida pela classe oper\u00e1ria no processo revolucion\u00e1rio \u00e9 constru\u00edda a partir do momento em que o operariado toma consci\u00eancia de classe e percebe que seus interesses s\u00e3o antag\u00f4nicos aos da burguesia, que at\u00e9 ent\u00e3o contava com o apoio da classe oper\u00e1ria contra a aristocracia.<\/p>\n<p>Os primeiros elementos para que a classe oper\u00e1ria tome consci\u00eancia de seus pr\u00f3prios interesses enquanto classe, contraditoriamente, s\u00e3o fornecidos pela pr\u00f3pria burguesia.<\/p>\n<p>Escrevem Marx e Engels no &#8220;Manifesto do Partido Comunista&#8221;:<\/p>\n<p>Em geral, os choques que ocorrem na velha sociedade, favorecem de diversos modos o desenvolvimento do proletariado. A burguesia vive em guerra perp\u00e9tua primeiro contra a aristocracia, depois, contra as fra\u00e7\u00f5es da pr\u00f3pria burguesia, cujos interesses se encontram em conflitos com os processos da ind\u00fastria; e sempre contra a burguesia dos pa\u00edses estrangeiros. Em todas essas lutas, v\u00ea-se for\u00e7ada a apelar para o proletariado, reclamar seu concurso e arrasta-lo assim para o movimento pol\u00edtico, de modo que a burguesia fornece aos proletariados os elementos de sua pr\u00f3pria educa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, isto \u00e9, armas contra ela pr\u00f3pria.<\/p>\n<p>Demais, como j\u00e1 vimos, fra\u00e7\u00f5es inteiras da classe dominante em conseq\u00fc\u00eancia do desenvolvimento da ind\u00fastria, s\u00e3o precipitadas no proletariado, ou amea\u00e7adas, pelo menos, em suas condi\u00e7\u00f5es de exist\u00eancia. Tamb\u00e9m elas trazem ao proletariado numerosos elementos de educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A educa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica revolucion\u00e1ria da classe oper\u00e1ria \u00e9 um dos elementos para a tomada de consci\u00eancia de classe e de que seus interesses s\u00e3o opostos ao da burguesia, que sua emancipa\u00e7\u00e3o s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel com a destrui\u00e7\u00e3o da sociedade capitalista e a constru\u00e7\u00e3o do socialismo atrav\u00e9s da revolu\u00e7\u00e3o. Mas como organizar a classe oper\u00e1ria do ponto de vista pol\u00edtico? Como superar as reivindica\u00e7\u00f5es restritas \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de trabalho e melhores sal\u00e1rios? Como o operariado deve agir taticamente para alcan\u00e7ar seus objetivos estrat\u00e9gicos?<\/p>\n<p>O Manifesto do Partido Comunista \u00e9 a tentativa de Marx e Engels de responder a estas quest\u00f5es que j\u00e1 se apresentavam na metade do s\u00e9culo XIX.<\/p>\n<p>O ano da primeira publica\u00e7\u00e3o do Manifesto do Partido Comunista, 1848, foi o ano das grandes revolu\u00e7\u00f5es do s\u00e9culo passado, destacando-se a parisiense que significou a primeira grande batalha entre o proletariado e a burguesia. A derrota do proletariado remeteu, por determinado per\u00edodo, ao plano secund\u00e1rio as reivindica\u00e7\u00f5es sociais e pol\u00edticas da classe oper\u00e1ria europeia. Os poucos movimentos que deram sinal de vida foram esmagados sem piedade.<\/p>\n<p>Somente na d\u00e9cada de 60 do s\u00e9culo XIX, a classe oper\u00e1ria europeia recuperou for\u00e7as para se contrapor \u00e0s classes dominantes. Esta nova situa\u00e7\u00e3o imp\u00f5e a necessidade de uma organiza\u00e7\u00e3o que aglutinasse todas as for\u00e7as do proletariado. Nasce a Associa\u00e7\u00e3o Internacional dos Trabalhadores em Londres no dia 28 de Setembro de 1864, com a aprova\u00e7\u00e3o do Manifesto Constituinte e Regulamentos Provis\u00f3rios da Associa\u00e7\u00e3o Internacional dos Trabalhadores, redigida por Marx.<\/p>\n<p>Este manifesto e estatutos provis\u00f3rios serviram de base para a elabora\u00e7\u00e3o dos Estatutos da Associa\u00e7\u00e3o Internacional dos trabalhadores, tamb\u00e9m redigido por Marx, e aprovado em Setembro de 1871 na Confer\u00eancia da Associa\u00e7\u00e3o realizada em Londres.<\/p>\n<p>Nos Estatutos de 1871, Marx escreveu a respeito da necessidade do Partido Pol\u00edtico para que a classe oper\u00e1ria atingisse seus objetivos, a revolu\u00e7\u00e3o e a constru\u00e7\u00e3o da sociedade socialista.<\/p>\n<p>Em sua luta contra o poder coletivo das classes possuidoras, o proletariado s\u00f3 pode atuar como classe constituindo-se em um partido pol\u00edtico distinto, em oposi\u00e7\u00e3o a todos os velhos partidos constitu\u00eddos pelas classes possuidoras.<\/p>\n<p>Essa constitui\u00e7\u00e3o do proletariado em partido pol\u00edtico \u00e9 indispens\u00e1vel para assegurar o triunfo da revolu\u00e7\u00e3o social e desse objetivo supremo: a aboli\u00e7\u00e3o das classes.<\/p>\n<p>As ideias de Marx, Engels como as de L\u00eanin, s\u00e3o os pilares te\u00f3ricos no qual se sustentam os Partido Comunistas, sendo o \u00faltimo quem melhor deixou sistematizado o problema do Partido Pol\u00edtico da classe oper\u00e1ria. Como se devem organizar, quais seus objetivos t\u00e1ticos e estrat\u00e9gicos como se deve conduzir nas alian\u00e7as pol\u00edticas e no seu papel conscientizador da classe oper\u00e1ria e das massas, ou seja, seu papel educador.<\/p>\n<p>Vladimir Ilitch Ulianov, L\u00eanin, iniciou sua atividade pol\u00edtica em 1887, aos dezessete anos, num per\u00edodo de grande combate pol\u00edtico na esquerda russa entre os marxistas russos, liderados por Plekanov, e os populistas, ainda dominante. Neste per\u00edodo, L\u00eanin esteve fortemente influenciado pela ideologia populista, s\u00f3 no ano seguinte que iniciou seu estudo do marxismo.<\/p>\n<p>Em 1893, formou-se em Direito e mudou-se para S. Petersburgo para trabalhar. Logo ao chegar \u00e0 Capital, da \u00e9poca, entrou em contato com os c\u00edrculos revolucion\u00e1rios e de in\u00edcio, come\u00e7ou a esbo\u00e7ar as linhas estruturais de uma organiza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria. Neste mesmo ano, reorganizou seu c\u00edrculo depois de assumir a dire\u00e7\u00e3o. Criou um grupo central com a tarefa de dirigir centralizadamente a atividade geral, organizar reuni\u00f5es e confer\u00eancias e formar grupos de discuss\u00e3o de oper\u00e1rios que se tornavam instrutores e formadores de novos grupos.<\/p>\n<p>Estes dados indicam sua preocupa\u00e7\u00e3o com a forma\u00e7\u00e3o dos quadros e militantes, e sua organiza\u00e7\u00e3o, que j\u00e1 estavam presentes desde o in\u00edcio de sua atividade pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Em 1895, foi organizada a Uni\u00e3o de Luta pela Emancipa\u00e7\u00e3o da Classe Oper\u00e1ria, organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que uniu todos os c\u00edrculos marxistas de S. Petersburgo, sob sua dire\u00e7\u00e3o. A import\u00e2ncia desta organiza\u00e7\u00e3o est\u00e1 em que pela primeira vez na R\u00fassia, uma organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica unia as ideias do socialismo cient\u00edfico com o movimento oper\u00e1rio. Neste mesmo ano, L\u00eanin \u00e9 preso, acusado de &#8220;crime contra o Estado&#8221;.<\/p>\n<p>O ano seguinte, 1896, foi marcado pelas grandes greves em S.Petersburgo, que depois se prolongaram a Moscou. Estas greves marcaram o in\u00edcio do movimento oper\u00e1rio de massas na R\u00fassia, com a participa\u00e7\u00e3o da social-democracia na R\u00fassia. Da pris\u00e3o, L\u00eanin dirigiu os sociais-democratas neste importante movimento hist\u00f3rico do operariado russo e internacional.<\/p>\n<p>Em 1897, foi deportado para a Sib\u00e9ria. No ano seguinte, casou-se com Nadejda Krupskaia que tamb\u00e9m havia sido deportada em 1898. Foi no ex\u00edlio que teve not\u00edcias do I Congresso do Partido Oper\u00e1rio Social-Democrata Russo, POSDR, realizado na cidade de Minsk em Mar\u00e7o de 1898, e solidarizou-se com as teses fundamentais do manifesto publicado pelo Congresso. No ano de 1900, retornou do ex\u00edlio com a convic\u00e7\u00e3o da necessidade de um jornal para unificar os diversos n\u00facleos revolucion\u00e1rios que continuavam na mesma situa\u00e7\u00e3o, mesmo depois do Congresso de funda\u00e7\u00e3o do POSDR.<\/p>\n<p>Junto com Martov, Potressou e o grupo de Plekhanov constitu\u00edram o cora\u00e7\u00e3o do jornal. O primeiro n\u00famero do Iskra (A Fa\u00edsca) saiu no dia 24 de Dezembro de 1900.<\/p>\n<p>O Iskra foi a concretiza\u00e7\u00e3o do sonhado instrumento de unifica\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica e de assentamento das bases program\u00e1ticas essenciais \u00e0 constru\u00e7\u00e3o do partido.<\/p>\n<p>O jornal passou a ser um eficiente instrumento de divulga\u00e7\u00e3o de seus artigos, principalmente os de organiza\u00e7\u00e3o e da linha pol\u00edtica que o partido deveria ter. Al\u00e9m dos v\u00e1rios artigos a respeito da quest\u00e3o, L\u00eanin sistematizou de forma mais acabada sua compreens\u00e3o da estrutura partid\u00e1ria, em tr\u00eas brochuras: &#8220;Que Fazer?&#8221;, 1901\/1902, &#8220;Um passo em frente, dois passos atr\u00e1s&#8221;, 1904 e &#8220;Duas t\u00e1ticas da social-democracia na revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica&#8221;, 1905.<\/p>\n<p>O livro &#8220;Que Fazer?&#8221; teve um esquema original que se consistia em tr\u00eas quest\u00f5es: car\u00e1cter e conte\u00fado principal da agita\u00e7\u00e3o pol\u00edtica; tarefas de organiza\u00e7\u00e3o; e plano de um jornal para toda a R\u00fassia que servisse de base \u00e0 forma\u00e7\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o. Este plano inicial teve que ser mudado para responder \u00e0s necessidades que a luta contra o economismo impunha. O resultado foi a introdu\u00e7\u00e3o de dois cap\u00edtulos iniciais destinados a combater o oportunismo em geral, e especialmente ao economismo russo. Quanto \u00e0s quest\u00f5es do plano inicial, passou a ter um aspecto de pol\u00eamica anti-economista. Na obra &#8220;Um passo em frente, dois passos atr\u00e1s&#8221;, fez uma descri\u00e7\u00e3o do II Congresso do POSDR, onde esclarece as posi\u00e7\u00f5es das fra\u00e7\u00f5es, bolchevique e menchevique, e dos grupos minorit\u00e1rios e avan\u00e7a nas suas concep\u00e7\u00f5es do que devem ser os princ\u00edpios organizativos de um partido prolet\u00e1rio, contrapondo-se \u00e0 pol\u00edtica organizativa defendida pelos mencheviques que defendiam uma organiza\u00e7\u00e3o de c\u00edrculos coordenados. Esta obra ajudou a formar a primeira organiza\u00e7\u00e3o da fra\u00e7\u00e3o bolchevique do POSDR, em torno de L\u00eanin.<\/p>\n<p>Quanto ao livro &#8220;Duas t\u00e1ticas da social-democracia na revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica&#8221;, L\u00eanin considera que existiam tr\u00eas posi\u00e7\u00f5es \u00e0 situa\u00e7\u00e3o da R\u00fassia agitada pelas in\u00fameras greves de 1905: a primeira, de que a R\u00fassia passava por um momento que possibilitava reformas do tipo democr\u00e1ticas, posi\u00e7\u00e3o defendida pela burguesia liberal: a segunda, defendida pelos reformistas, considerava o momento uma fase da revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica-burguesa, sendo que a burguesia liberal deveria dirigi-la; a terceira, era a revolucion\u00e1ria, que aceitava que a fase era democr\u00e1tica, mas que para ser \u00fatil ao proletariado, teria que conseguir conquistas democr\u00e1tico-revolucion\u00e1rias, que colocassem a situa\u00e7\u00e3o favor\u00e1vel de evoluir para o socialismo. Para isto, era necess\u00e1rio isolar a burguesia liberal e aliar-se com o campesinato e alguns setores da pequena burguesia urbana, pois estes tinham interesses de levar as transforma\u00e7\u00f5es o mais longe poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Este breve hist\u00f3rico teve como objetivo apresentar aspectos da concep\u00e7\u00e3o marxista-leninista de Partido Pol\u00edtico, e conceitos referentes a este, foram constru\u00eddos historicamente. Sendo estas tr\u00eas \u00faltimas obras citadas a consolida\u00e7\u00e3o da concep\u00e7\u00e3o marxista-leninista de Partido Pol\u00edtico. Isto n\u00e3o significa que n\u00e3o houve outros escritos ap\u00f3s 1905, e escritos importantes, mas que sua estrutura conceitual estava dada.<\/p>\n<p>2 &#8211; O papel do Partido Pol\u00edtico como agente educador<\/p>\n<p>Neste item apresentamos a import\u00e2ncia das quest\u00f5es pertinentes ao papel educativo do partido em v\u00e1rios escritos de L\u00eanin, sem a preocupa\u00e7\u00e3o cronol\u00f3gica, mas com a inten\u00e7\u00e3o da fidelidade terminol\u00f3gica, e deste como s\u00edntese do acumulo te\u00f3rico com a pr\u00e1tica do militante pol\u00edtico. Em seus escritos, ele debate com seus contempor\u00e2neos sobre a organiza\u00e7\u00e3o do partido revolucion\u00e1rio, a eleva\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia do proletariado trade-unionista a uma consci\u00eancia pol\u00edtica de classe, a atua\u00e7\u00e3o deste partido frente aos outros partidos, os sindicatos, parlamento e, \u00e0 sociedade em geral.<\/p>\n<p>No livro &#8220;Que Fazer?&#8221;, Lenin defende que a luta pelo socialismo s\u00f3 pode ser travada a partir de uma consci\u00eancia socialista, ou seja, consci\u00eancia pol\u00edtica de classe que s\u00f3 pode ser incorpora pelo operariado quando vem do exterior desta classe, &#8220;fora da esfera das rela\u00e7\u00f5es restritas entre oper\u00e1rios e patr\u00f5es&#8221;, uma vez que a luta espont\u00e2nea limita as quest\u00f5es que envolvem o operariado e seus patr\u00f5es. O conhecimento que pode fazer com que o operariado eleve sua consci\u00eancia ao n\u00edvel socialista, \u00e9 o conhecimento obtido \u00e9 produzido a partir das rela\u00e7\u00f5es entre todas as classes e camadas com o Estado e o governo e nas rela\u00e7\u00f5es de todas as classes entre si.<\/p>\n<p>Esta an\u00e1lise o leva a afirmar que, ao sair da luta entre oper\u00e1rio e patr\u00e3o que se limita \u00e0s quest\u00f5es relacionadas com melhorias das condi\u00e7\u00f5es de trabalho e sal\u00e1rios e incorporando a luta das v\u00e1rias classes em rela\u00e7\u00e3o ao Estado, com o prop\u00f3sito de dirigi-las para a conquista do poder de Estado, o operariado toma consci\u00eancia socialista, saindo do limite de oper\u00e1rio e elevando-se \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de revolucion\u00e1rio.<\/p>\n<p>Mas, para alcan\u00e7ar a condi\u00e7\u00e3o de revolucion\u00e1rio, imp\u00f5e-se a necessidade do estudo te\u00f3rico, o estudo da ci\u00eancia socialista que \u00e9 elaborada fora das rela\u00e7\u00f5es restritas do operariado com o patr\u00e3o. Isto n\u00e3o significa que a classe oper\u00e1ria \u00e9 incapaz de formar seus pr\u00f3prios intelectuais, elaboradores de teoria.<\/p>\n<p>L\u00eanin escreveu a respeito em uma nota de rodap\u00e9 do livro &#8220;Que fazer?&#8221;:<\/p>\n<p>Isto n\u00e3o significa, naturalmente, que os oper\u00e1rios n\u00e3o participem nessa elabora\u00e7\u00e3o. Mas n\u00e3o participam como oper\u00e1rios, participam como te\u00f3ricos do socialismo, como os Proudhon e os Weitling; noutros termos, s\u00f3 participam no momento e na medida em que consigam dominar, em maior ou menor grau, a ci\u00eancia da sua \u00e9poca e faz\u00ea-la progredir. E para que os oper\u00e1rios os consigam com maior freq\u00fc\u00eancia \u00e9 preciso esfor\u00e7ar-se o mais poss\u00edvel para elevar o n\u00edvel de consci\u00eancia dos oper\u00e1rios em geral; \u00e9 preciso que os oper\u00e1rios n\u00e3o se confinem ao quadro artificialmente restrito da &#8216;literatura para oper\u00e1rios&#8217;, mas aprendam a assimilar cada vez mais a literatura geral. Seria mesmo mais justo dizer, em vez de &#8216;n\u00e3o se confinem&#8217;, &#8216;n\u00e3o sejam confinados&#8217;, por que os pr\u00f3prios oper\u00e1rios l\u00eaem e querem ler tudo quanto se escreve tamb\u00e9m para os intelectuais e &#8216;s\u00f3 alguns (maus) intelectuais pensam que &#8216;para os oper\u00e1rios&#8217; basta falar das condi\u00e7\u00f5es nas f\u00e1bricas e repisar aquilo que j\u00e1 sabem h\u00e1 muito tempo.<\/p>\n<p>Todo este processo de eleva\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia pol\u00edtica, intelectualiza\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o da classe oper\u00e1ria passa, necessariamente, pela organiza\u00e7\u00e3o do partido da classe oper\u00e1ria, que ter\u00e1 \u00eaxito com um eficiente trabalho educativo interno e externo ao partido e \u00e0 classe oper\u00e1ria.<\/p>\n<p>O papel educativo do Partido Comunista \u00e9 educar a milit\u00e2ncia e as massas para a luta e constru\u00e7\u00e3o do socialismo. Portanto, a educa\u00e7\u00e3o dos comunistas e das massas trabalhadoras \u00e9 um importante instrumento da luta pol\u00edtica que, para a classe oper\u00e1ria, significa a tomada do poder de Estado e a constru\u00e7\u00e3o do socialismo, objetivos esses que s\u00f3 ser\u00e3o alcan\u00e7ados atrav\u00e9s das organiza\u00e7\u00f5es e a\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias do proletariado fundamentadas pela teoria revolucion\u00e1ria:<\/p>\n<p>&#8220;Sem teoria revolucion\u00e1ria n\u00e3o pode haver tamb\u00e9m movimento revolucion\u00e1rio&#8221;.<\/p>\n<p>Ainda no livro &#8220;Que fazer?&#8221;, L\u00eanin cita Engels, identificando a import\u00e2ncia da teoria e dizendo que este \u00e9 outro campo de luta de classes em que os revolucion\u00e1rios devem se preparar:<\/p>\n<p>Citaremos as observa\u00e7\u00f5es feitas por Engels em 1874 sobre a import\u00e2ncia que a teoria tem no movimento social-democrata. Engels reconhece na grande luta da social-democracia n\u00e3o duas formas (a pol\u00edtica e a econ\u00f4mica) &#8211; como se faz entre n\u00f3s &#8211; mas tr\u00eas, colocando a seu lado a luta te\u00f3rica.<\/p>\n<p>A necessidade de assimila\u00e7\u00e3o da teoria revolucion\u00e1ria por parte da classe oper\u00e1ria aponta a quest\u00e3o: quais devem ser as condi\u00e7\u00f5es que possibilitem instrumentalizar os revolucion\u00e1rios de uma teoria revolucion\u00e1ria?<\/p>\n<p>A resposta a essa quest\u00e3o, do ponto de vista marxista-leninista, \u00e9 que o instrumento que possibilita a assimila\u00e7\u00e3o da teoria revolucion\u00e1ria pelos revolucion\u00e1rios \u00e9 o partido da classe oper\u00e1ria (Partido Comunista), que deve utilizar como princ\u00edpio educativo a rela\u00e7\u00e3o teoria\/pr\u00e1tica. O partido tem que propiciar uma educa\u00e7\u00e3o que articule a teoria e a vida cotidiana, para que o partido n\u00e3o limite seu programa de forma\u00e7\u00e3o \u00e0s experi\u00eancias cotidianas da vida e nem aos estudos te\u00f3ricos desvinculados da realidade concreta. Estas preocupa\u00e7\u00f5es foram manifestadas por L\u00eanin em seu artigo &#8220;Sobre a confus\u00e3o da pol\u00edtica e a pedagogia&#8221;, escrito em 1905:<\/p>\n<p>Na atividade pol\u00edtica do partido social-democrata h\u00e1 e haver\u00e1 sempre certos elementos de pedagogia: \u00e9 preciso educar toda a classe dos trabalhadores assalariados a fim de que desempenhem o papel de combatentes para libertar toda a humanidade de qualquer opress\u00e3o; \u00e9 preciso educar constantemente novas e novas camadas desta classe, saber aproximar-se dos elementos mais atrasados, menos desenvolvidos , menos influenciados por nossa ci\u00eancia e pela ci\u00eancia da vida, para poder falar e estabelecer contato com eles e elev\u00e1-los paciente e firmemente ao n\u00edvel da consci\u00eancia social-democrata sem converter nossa doutrina em um dogma sem vida, ensinando-a n\u00e3o apenas com livros, mas tamb\u00e9m por meio da participa\u00e7\u00e3o das camadas mais atrasadas, e menos desenvolvidas do proletariado na luta di\u00e1ria e pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>A preocupa\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o teoria\/pr\u00e1tica na forma\u00e7\u00e3o dos revolucion\u00e1rios tamb\u00e9m \u00e9 trabalhada por ele, ao referir-se \u00e0s experi\u00eancias do movimento revolucion\u00e1rio nos grandes acontecimentos e como essas experi\u00eancias possibilitaram um avan\u00e7o na qualidade do movimento e, para fundamentar esta tese, exemplificou, atrav\u00e9s de an\u00e1lises das greves da metade do s\u00e9culo XIX e de como contribu\u00edram para o crescimento do movimento oper\u00e1rio que se manifestou nas greves dos anos 90 do mesmo s\u00e9culo e como estas foram embri\u00f5es da luta consciente do proletariado contra a burguesia.<\/p>\n<p>Ele tamb\u00e9m chama a aten\u00e7\u00e3o para a necessidade de se aprender na observa\u00e7\u00e3o da vida cotidiana das massas oper\u00e1rias e camponesas. Os ensinamentos que os grandes movimentos da hist\u00f3ria e da vida cotidiana oferecem para a educa\u00e7\u00e3o da classe oper\u00e1ria e das massas n\u00e3o s\u00e3o suficientes para form\u00e1-las politicamente, necessitando, para tanto, um ensino te\u00f3rico e sistem\u00e1tico da ci\u00eancia revolucion\u00e1ria, o socialismo cient\u00edfico. Este estudo tem a maior ou menor import\u00e2ncia, segundo as condi\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias, ou seja, se h\u00e1 movimentos de grande agita\u00e7\u00e3o e\/ou revolucion\u00e1rios, o estudo sistem\u00e1tico fica secundarizado, sendo que o processo de forma\u00e7\u00e3o da classe oper\u00e1ria e das massas se d\u00e1 na pr\u00f3pria luta; se o movimento oper\u00e1rio passa por per\u00edodo de calmaria, de repress\u00e3o por parte das for\u00e7as reacion\u00e1rias, o estudo sistem\u00e1tico tem que ser priorizado na luta do proletariado. \u00c9 nesses momentos que a luta ideol\u00f3gica toma maior import\u00e2ncia e a classe oper\u00e1ria tem que se organizar e se preparar para esta dura batalha contra a burguesia e no seu pr\u00f3prio interior, uma vez que esses momentos favorecem as vacila\u00e7\u00f5es e tend\u00eancias pequeno-burguesas no seio da classe oper\u00e1ria.<\/p>\n<p>Este \u00e9 um movimento que n\u00e3o pode ser entendido de forma mec\u00e2nica. Dar prioridade aos movimentos de rua e extrair, a partir da\u00ed, li\u00e7\u00f5es que servir\u00e3o para a forma\u00e7\u00e3o dos militantes e das massas, n\u00e3o exclui a import\u00e2ncia do estudo sistem\u00e1tico. \u00c9 este que possibilita uma qualidade diferente das a\u00e7\u00f5es de agita\u00e7\u00e3o e revolucion\u00e1rias. O inverso tamb\u00e9m \u00e9 verdadeiro, quando se priorizam os estudos sistem\u00e1ticos em consequ\u00eancia do momento hist\u00f3rico que se vive, n\u00e3o se abandona o movimento de rua, pois \u00e9 este que concretiza as possibilidades de transforma\u00e7\u00f5es guiadas por uma teoria.<\/p>\n<p>Lenin em seu artigo &#8220;Novas tarefas e novas for\u00e7as&#8221;, escrito no in\u00edcio da revolu\u00e7\u00e3o de 1905, indica quais devem ser as tarefas da social-democracia e quais as priorit\u00e1rias do movimento frente ao momento revolucion\u00e1rio:<\/p>\n<p>&#8230; \u00e9 preciso ampliar em grande medida todo tipo de organiza\u00e7\u00f5es do Partido ou a ele afetas para ir, ainda que seja em certo grau, ao compasso da torrente centuplicada da energia revolucion\u00e1ria popular. Isto n\u00e3o significa, est\u00e1 claro, que se deva abandonar a firme prepara\u00e7\u00e3o e a educa\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica nas verdades do marxismo; mas \u00e9 preciso ter em conta que agora, na prepara\u00e7\u00e3o e na educa\u00e7\u00e3o, assumem muito mais import\u00e2ncia as pr\u00f3prias a\u00e7\u00f5es militares, que ensinam os n\u00e3o iniciados a seguirem nossa orienta\u00e7\u00e3o e nenhuma outra mais. \u00c9 preciso ter presente que nossa fidelidade &#8216;doutrin\u00e1ria&#8217; ao marxismo se reafirma neste momento em virtude de o curso dos acontecimentos revolucion\u00e1rios dar, em toda parte, li\u00e7\u00f5es concretas \u00e0s massas, e todas estas li\u00e7\u00f5es confirmam precisamente nosso dogma&#8230;<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata, portanto, de enfraquecer nossas exig\u00eancias social-democratas e nossa intransig\u00eancia ortodoxa, mas de refor\u00e7\u00e1-las por novos caminhos, com novos m\u00e9todos de ensino. Em tempos de guerra \u00e9 preciso instruir os recrutas diretamente nas a\u00e7\u00f5es militares. Assimilai, pois, com mais aud\u00e1cia, os novos m\u00e9todos de instru\u00e7\u00e3o, camaradas! Formai com mais aud\u00e1cia, novos e novos destacamentos, enviai-os ao combate, recrutai mais jovens oper\u00e1rios, ampliai os limites habituais de todas as organiza\u00e7\u00f5es do Partido, come\u00e7ando pelos comit\u00eas e terminando pelos grupos de f\u00e1bricas, sindicatos de oficina e c\u00edrculos estudantis! Recordai que toda demora de nossa parte na realiza\u00e7\u00e3o desta tarefa beneficiar\u00e1 os inimigos da social-democracia, pois os novos regatos buscar\u00e3o sa\u00edda imediatamente e, ao n\u00e3o encontrarem um leito social-democrata, procurar\u00e3o outros leitos.<\/p>\n<p>A preocupa\u00e7\u00e3o de L\u00eanin com a participa\u00e7\u00e3o do Partido Oper\u00e1rio Social-Democrata da R\u00fassia na revolu\u00e7\u00e3o de 1905, era a necessidade de ampliar seus militantes em todas as inst\u00e2ncias partid\u00e1rias e que a social-democracia n\u00e3o se distanciasse do movimento de massas, que desse resposta e conduzisse na a\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria, sendo que aquele momento hist\u00f3rico determinava as a\u00e7\u00f5es militares como o melhor m\u00e9todo de instruir a milit\u00e2ncia, a classe oper\u00e1ria e as massas trabalhadoras. J\u00e1 nos momentos de repress\u00e3o e contra-revolucion\u00e1rios, o estudo sistem\u00e1tico \u00e9 que passa a ter import\u00e2ncia \u00edmpar, como justifica em seu artigo &#8220;A caminho&#8221;, publicado no Sotsial-Demokrat, n\u00ba 2, escrito em 1909, quando analisava o quadro pol\u00edtico p\u00f3s-revolucion\u00e1rio e a crise pela qual o POSDR passava. Indicava, por fim, qual o caminho que a social-democracia russa deveria seguir. Nesse mesmo artigo, chama a aten\u00e7\u00e3o do partido para a necessidade de uma estreita rela\u00e7\u00e3o entre a organiza\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria e a educa\u00e7\u00e3o de seus quadros e militantes, rela\u00e7\u00e3o que, necessariamente, deve ser mantida tamb\u00e9m na a\u00e7\u00e3o do partido frente \u00e0s massas:<\/p>\n<p>&#8230; o trabalho prolongado de educa\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o das massas do proletariado passa ao primeiro plano; a conbina\u00e7\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o clandestina e da legal imp\u00f5em ao Partido deveres especiais; a populariza\u00e7\u00e3o e o esclarecimento da experi\u00eancia da revolu\u00e7\u00e3o, desacreditada pelos liberais e intelectuais liquidacionistas, s\u00e3o necess\u00e1rios com objetivos te\u00f3ricos e pr\u00e1ticos.<\/p>\n<p>O trabalho de forma\u00e7\u00e3o do partido se d\u00e1 na rela\u00e7\u00e3o do trabalho de educa\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o em sua estrutura interna. Isso imp\u00f5e ao partido a tarefa de organizar e educar a classe oper\u00e1ria e as massas, sendo esta rela\u00e7\u00e3o que possibilita a educa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica interna e externamente ao partido. Em seu artigo &#8220;Tarefas urgentes de nosso movimento&#8221;, escrito em Novembro de 1900, indica as tarefas que o partido \u00e9 chamado a cumprir:<\/p>\n<p>&#8230; dever a que est\u00e1 chamada a cumprir a social-democracia russa: levar as id\u00e9ias socialistas e a consci\u00eancia pol\u00edtica \u00e0 massa do proletariado e organizar um partido revolucion\u00e1rio ligado indissoluvelmente ao movimento oper\u00e1rio espont\u00e2neo.<\/p>\n<p>Segundo os princ\u00edpios marxista-leninistas, a revolu\u00e7\u00e3o socialista \u00e9 um processo que compreende a articula\u00e7\u00e3o do Partido revolucion\u00e1rio com a a\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria das massas, portanto, o partido tem que, necessariamente, estar junto do povo para que possa cumprir seu papel pol\u00edtico, pedag\u00f3gico e organizador, para dirigir e elevar a consci\u00eancia pol\u00edtica do proletariado e das massas para a revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A atua\u00e7\u00e3o do partido junto \u00e0 classe oper\u00e1ria e \u00e0s massas n\u00e3o se limita aos movimentos espont\u00e2neos, mas tamb\u00e9m \u00e0s institui\u00e7\u00f5es em que essas camadas da sociedade se organizam. L\u00eanin, em seus escritos, privilegia a atua\u00e7\u00e3o do Partido Comunista nas organiza\u00e7\u00f5es sindicais, ressaltando que os comunistas devem atuar em todos os sindicatos, principalmente nos reacion\u00e1rios, pois \u00e9 neles que se encontram a massa mais atrasada do proletariado e do campesinato e tamb\u00e9m, que \u00e9 papel do partido elevar a consci\u00eancia pol\u00edtica destas massas.<\/p>\n<p>&#8230; o papel de vanguarda do proletariado, que consiste em instruir, ilustrar, educar, atrair para uma vida nova as camadas e as massas mais atrasadas da classe oper\u00e1ria e do campesinato.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 participa\u00e7\u00e3o nas institui\u00e7\u00f5es legais, justifica, em v\u00e1rios textos, a participa\u00e7\u00e3o do Partido Social-Democrata no Parlamento Burgu\u00eas. Diz ele no artigo &#8220;Qual a atitude dos partidos burgueses e do partido oper\u00e1rio ante as elei\u00e7\u00f5es \u00e0 Duma?&#8221;, publicado em 31 de Dezembro de 1906, no seman\u00e1rio Ternii Trud\u00e1, n\u00ba 2:<\/p>\n<p>O que nos importa n\u00e3o \u00e9 assegurar por meio de negociatas um lugar na Duma. Ao contr\u00e1rio, estes lugares somente s\u00e3o importantes na medida em que possam contribuir para desenvolver a consci\u00eancia das massas, elevar seu n\u00edvel pol\u00edtico, organiz\u00e1-las, n\u00e3o em nome da placidez filist\u00e9ia, da &#8216;tranq\u00fcilidade&#8217;, da &#8216;ordem&#8217; e da prosperidade pac\u00edfica (burgu\u00eas)&#8221;, mas em nome da luta, da luta para conquistar a plena liberta\u00e7\u00e3o do trabalho de toda explora\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m em seu artigo &#8220;A caminho&#8221;, indica qual deve ser a atua\u00e7\u00e3o dos comunistas em decorr\u00eancia da derrota do movimento revolucion\u00e1rio de 1905\/1907, e como deveriam atuar nas condi\u00e7\u00f5es que aquele momento lhes impunha:<\/p>\n<p>Esta etapa deve ser superada; as novas condi\u00e7\u00f5es do momento reclamam novas formas de luta; a utiliza\u00e7\u00e3o da tribuna da Duma \u00e9 uma necessidade absoluta; o trabalho prolongado de educa\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o das massas do proletariado passa ao primeiro plano.<\/p>\n<p>O marxismo-leninismo apresenta princ\u00edpios na defesa do trabalho de forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da classe oper\u00e1ria e das massas. Quanto aos meios se diferenciam segundo as condi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas que se apresentam a cada momento hist\u00f3rico, mas os objetivos permanecem os mesmos, ou seja, educar e formar a classe oper\u00e1ria e as massas para a revolu\u00e7\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o do socialismo.<\/p>\n<p>BIBLIOGRAFIA<\/p>\n<p>LENIN. Acerca del movimiento comunista y obrero internacional. Mosc\u00fa. Editorial Progresso, 1976.<\/p>\n<p>LENIN, V. I. Esquerdismo, doen\u00e7a infantil do comunismo. 5\u00aa ed., S\u00e3o Paulo, Global Editora, 1971.<\/p>\n<p>LENIN, V. I. El Partido: problemas de organizaci\u00f3n. Buenos Aires, Editorial Anteo, 1967.<\/p>\n<p>LENIN. O trabalho do partido entre as massas. S\u00e3o Paulo, Editora Ci\u00eancias Humanas, 1979.<\/p>\n<p>LENIN. As tr\u00eas fontes e as tr\u00eas partes constitutivas do marxismo. 4\u00aa ed., S\u00e3o Paulo, Global, 1983.<\/p>\n<p>L\u00c9NINE. biografia. Lisboa, Editorial Avante, 1984.<\/p>\n<p>L\u00c9NINE V. I. 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Em: MARX, Karl &amp; ENGELS, Friedrich. Obras escolhidas. S\u00e3o Paulo, Alfa \u00d4mega, v. 1.<\/p>\n<p>MARX, Karl. &#8220;Estatutos da Associa\u00e7\u00e3o Internacional dos Trabalhadores&#8221;. Em: MARX, Karl &amp; ENGELS, Friedrich. Obras escolhidas. S\u00e3o Paulo, Alfa \u00d4mega, V. 1.<\/p>\n<p>MARX, Karl. &#8220;As lutas de classe na Fran\u00e7a de 1848 a 1850&#8221;. Em: MARX, Karl &amp; ENGELS, Friedrich. Obras escolhidas. S\u00e3o Paulo, Alfa \u00d4mega, V. 1.<\/p>\n<p>MARX, Karl. &#8220;Pref\u00e1cio \u00e0 &#8216;Contribui\u00e7\u00e3o \u00e0 cr\u00edtica da economia pol\u00edtica'&#8221;. Em: MARX, Karl &amp; ENGELS, Friedrich. Obras escolhidas. S\u00e3o Paulo, Alfa \u00d4mega, V. 1.<\/p>\n<p>MARX, Karl &amp; ENGELS, Friedrich. Cr\u00edtica da educa\u00e7\u00e3o e do ensino. S\u00e3o Paulo, Moraes, 1978.<\/p>\n<p>MARX, Karl &amp; ENGELS, Friedrich. &#8220;Manifesto do Partido Comunista&#8221;. Em: Obras escolhidas. S\u00e3o Paulo, Alfa \u00d4mega, v. 1.<\/p>\n<p>MARX, Karl &amp; ENGELS, Friedrich. &#8220;Mensagem do Comit\u00ea Central \u00e0 lida dos comunistas&#8221;. Em: Obras escolhidas. S\u00e3o Paulo, Alfa \u00d4mega, v. 1.<\/p>\n<p>MARX, Karl &amp; ENGELS, Friedrich. Sindicatos. S\u00e3o Paulo, CHED Editorial, 1981.<\/p>\n<p>MARX, Karl &amp; ENGELS, Friedrich. Textos sobre educa\u00e7\u00e3o. S\u00e3o Paulo, Moraes, 1983.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: PCB\n\n\n\n\n\n\n\n\nMarcos Cassin\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2717\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[58],"tags":[],"class_list":["post-2717","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c69-formacao-basica"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-HP","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2717","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2717"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2717\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2717"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2717"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2717"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}