{"id":27214,"date":"2021-05-02T23:37:02","date_gmt":"2021-05-03T02:37:02","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=27214"},"modified":"2021-05-02T23:37:02","modified_gmt":"2021-05-03T02:37:02","slug":"resistencia-e-luta-popular-na-colombia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/27214","title":{"rendered":"Resist\u00eancia e luta popular na Col\u00f4mbia"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cloudfront-us-east-1.images.arcpublishing.com\/elespectador\/IHFV2TFX6JENPJ4ITURTSYT6WQ.jpeg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Col\u00f4mbia: Cali \u00e9 a cidade da resist\u00eancia e luta contra a prepot\u00eancia policial<br \/>\nA greve geral continua e o povo est\u00e1 nas ruas<\/p>\n<p>Resumen Latinoamericano<\/p>\n<p>As ruas est\u00e3o ocupadas. Cali, a m\u00edtica cidade da salsa, mudou a m\u00fasica para os discursos e gritos que ecoam em suas ruas e avenidas. Desde quarta-feira, 28 de abril, as manifesta\u00e7\u00f5es em diversos pontos desta cidade n\u00e3o cessaram de exigir ao Governo Nacional, liderado por Iv\u00e1n Duque, a retirada do projeto de Reforma Tribut\u00e1ria que pretende impor.<\/p>\n<p>Vive-se o genoc\u00eddio contra as lideran\u00e7as sociais; o ecoc\u00eddio nos territ\u00f3rios ind\u00edgenas; a emerg\u00eancia nacional por femic\u00eddios e abusos da for\u00e7a p\u00fablica. Ao mesmo tempo, aumentam as desigualdades, a pobreza e a fome do povo colombiano. Contra essa reforma que agrava a crise econ\u00f4mica e social alimentada pela pandemia, o pa\u00eds saiu \u00e0s ruas. E Cali assumiu a lideran\u00e7a.<\/p>\n<p>Embora a mobiliza\u00e7\u00e3o social na Col\u00f4mbia tenha sido uma constante na hist\u00f3ria recente do pa\u00eds, os acontecimentos do ano passado fizeram crescer significativamente a manifesta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e social do povo.<\/p>\n<p>O dia da Greve Nacional foi anunciado semanas antes. Movimentos sindicais e oper\u00e1rios, ind\u00edgenas, camponeses, estudantes, mulheres, LGBTIs e a popula\u00e7\u00e3o civil em geral tiveram um compromisso em diferentes cidades e munic\u00edpios do pa\u00eds para gritar &#8220;N\u00c3O \u00c0 REFORMA TRIBUT\u00c1RIA&#8221;, como principal bandeira de luta.<\/p>\n<p>A paralisa\u00e7\u00e3o nacional teve in\u00edcio \u00e0s 4h do dia 28 de abril. Os bloqueios come\u00e7aram no setor Sameco. Eles seguiram por Univalle, Menga, Paso del Comercio, Juanchito, Silo\u00e9, Plaza de las Banderas e Puerto Llanera. O povo come\u00e7ou as manifesta\u00e7\u00f5es, a\u00e7\u00f5es e marchas que seriam os protagonistas do dia. Populares cobriram as ruas com cartazes, com\u00edcios, m\u00fasica e arte que clamavam por n\u00e3o mais abusos; n\u00e3o mais pol\u00edticas de morte, guerra e fome; n\u00e3o mais moradores de rua; n\u00e3o mais carestia, impostos e assassinatos.<\/p>\n<p>A REPRESS\u00c3O URIBISTA J\u00c1 CAUSOU 8 MORTES<\/p>\n<p>A repress\u00e3o n\u00e3o esperou. Os primeiros confrontos come\u00e7aram na Universidade del Valle \u00e0s 10 da manh\u00e3. Os manifestantes se defenderam do g\u00e1s lacrimog\u00eaneo, das bombas de atordoamento, balas de borracha e at\u00e9 pedras com as quais foram atacados pelo Esquadr\u00e3o M\u00f3vel Antidist\u00farbios &#8211; Esmad &#8211; da Pol\u00edcia Nacional. Aos poucos, toda a for\u00e7a policial (cerca de 2.500 homens, segundo declara\u00e7\u00f5es do ministro da Defesa) passou a atacar as manifesta\u00e7\u00f5es, em sua maioria pac\u00edficas e silenciosas. A presen\u00e7a de idosos e \/ ou crian\u00e7as n\u00e3o importou. Os ataques, espancamentos e abusos n\u00e3o foram poucos.<\/p>\n<p>N\u00e3o era nem meio-dia e a cidade convulsionou. As chamas tomaram conta de bancos, grandes redes de lojas e dos \u00f4nibus. O prefeito da cidade, Jorge Iv\u00e1n Ospina, e toda a prefeitura decretaram um toque de recolher na cidade a partir de uma da tarde, tentando for\u00e7ar o esvaziamento das ruas e desrespeitando o direito constitucional de protesto e manifesta\u00e7\u00e3o. As ruas n\u00e3o se calaram nem se esvaziaram. Os estudantes &#8211; apesar da forte repress\u00e3o, das pris\u00f5es arbitr\u00e1rias e dos mais de 14 feridos registrados no local &#8211; n\u00e3o recuaram. A greve continua independentemente da chegada dos militares e das for\u00e7as policiais especiais.<\/p>\n<p>Porto Rellena \u00e9 Porto Resist\u00eancia<\/p>\n<p>Na madrugada de quinta-feira, 29, na capital do Valle, o povo teve mais raiva, indigna\u00e7\u00e3o e coragem ao saber das quatro mortes provocadas pelas a\u00e7\u00f5es desmedidas da Pol\u00edcia Nacional. Um grande n\u00famero de pessoas reuniu-se em setores como Sameco, Silo\u00e9 e Puerto Rellena. Puerto Rellena (um bairro popular no sul de Cali que se configurou como um local de organiza\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria, resist\u00eancia e grande mobiliza\u00e7\u00e3o social) foi o epicentro da demonstra\u00e7\u00e3o na quinta-feira \u00e0 tarde, 29 de abril. A comunidade j\u00e1 estava nas ruas e por volta do meio-dia caminhoneiros e transportadores aderiram ao protesto pac\u00edfico, por\u00e9m, havia pouca tranquilidade. Por volta das 13h30, os agentes da Esmad invadiram a mobiliza\u00e7\u00e3o. Eles rasgaram e queimaram uma faixa gigante que tinha sido pintada com as palavras: &#8220;Por nossos mortos, porra.&#8221; Eles intimidaram tanto as pessoas que os manifestantes levantaram as m\u00e3os em s\u00edmbolo de paz e para pedir o fim dos atos violentos.<br \/>\nAs intimida\u00e7\u00f5es e o ass\u00e9dio da Pol\u00edcia n\u00e3o impediram as manifesta\u00e7\u00f5es. A Esmad e o tanque que estavam no local recuaram e isso conseguiu acalmar o local por alguns minutos. No entanto, minutos depois, o Esmad investiu novamente contra o povo. Mas desta vez houve uma resposta. Um confronto de quase uma hora come\u00e7ou em Puerto Rellena e voltou a transformar o bairro em um campo de batalha. Encurralado e j\u00e1 sem muni\u00e7\u00f5es, o Esmad retirou-se e o povo festejou pensando que havia conquistado uma vit\u00f3ria contra a brutalidade do esquadr\u00e3o da morte, como tem sido chamado.<\/p>\n<p>Dez minutos depois, militares uniformizados da Pol\u00edcia Nacional abriram fogo contra a popula\u00e7\u00e3o. Sem medir qualquer tipo de consequ\u00eancia, eles atiraram descontroladamente. As pessoas correram para se proteger em meio \u00e0s balas. Um oficial do Gabinete do Prefeito de Cali, um defensor dos direitos humanos, come\u00e7ou a gravar com seu telefone os rostos e n\u00fameros de identifica\u00e7\u00e3o dos homens uniformizados que apontavam e amea\u00e7avam com armas de fogo. Os policiais ficaram alarmados com a grava\u00e7\u00e3o e acertaram o funcion\u00e1rio a porretadas.<\/p>\n<p>Houve um tiroteio. Pessoas ca\u00edram no ch\u00e3o. A for\u00e7a p\u00fablica capturou os jovens que estavam no local. Eles foram espancados no ch\u00e3o. Os Grupos Especiais de Seguran\u00e7a Operacional &#8211; GOES &#8211; e o Ex\u00e9rcito Nacional chegaram ao local como se fosse um campo de guerra.<\/p>\n<p>Hoje Puerto Rellena \u00e9 conhecido como Puerto Resistencia. Cali entendeu tudo. Suas ruas est\u00e3o cheias de dignidade e, sem medo, s\u00e3o a primeira linha nessa luta contra a Reforma Tribut\u00e1ria, contra a fumiga\u00e7\u00e3o de glifosato, contra a militariza\u00e7\u00e3o, contra o narco-estado, contra a viol\u00eancia, contra a morte. Exigem o respeito pela vida que suas comunidades e seu povo merecem. Como toda a Col\u00f4mbia merece.<\/p>\n<p>A greve continua. Foi informado que pelo menos 40 pessoas foram presas e levadas ao Coliseu Las Am\u00e9ricas, como uma imagem aterrorizante dos ditadores de meados do s\u00e9culo XX no Cone Sul. O ministro da Defesa, Diego Molano, anunciou o envio de mais de 1.800 policiais, 700 militares do Ex\u00e9rcito e 500 uniformizados da Esmad para &#8220;garantir&#8221; a mobilidade na cidade. Mas Cali segue sem medo. E, com raiva nos olhos, seus habitantes mandam uma mensagem ao pa\u00eds: devemos parar e lutar at\u00e9 que a vida seja digna.<\/p>\n<p>Pelo menos 8 mortos e dezenas de feridos em Cali, pela repress\u00e3o policial aos protestos<\/p>\n<p>Organiza\u00e7\u00f5es de Direitos Humanos colombianos denunciaram que pelo menos oito pessoas faleceram como resultado da repress\u00e3o policial na cidade de Cali, durante o terceiro dia de protestos contra a reforma tribut\u00e1ria impulsionada pelo presidente Ivan Duque. Segundo a Rede de Direitos Humanos Francisco Isaias Cifuentes, al\u00e9m das oito pessoas mortas, a a\u00e7\u00e3o policial deixou um saldo de 84 detidos, 28 feridos e tr\u00eas manifestantes desaparecidos.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m se informou que, entre os feridos, h\u00e1 tr\u00eas pessoas com perda de olhos e um caso de abuso sexual por parte de agentes da pol\u00edcia.<\/p>\n<p>Apesar do balan\u00e7o de mortes apresentado pelo organismo de Direitos Humanos, as comunidades reportaram ao menos 14 mortes pela repress\u00e3o em v\u00e1rios bairros da cidade colombiana.<\/p>\n<p>A Rede de Direitos Humanos Francisco Isaias Cifuentes assinalou que das oito mortes confirmadas, as primeiras v\u00edtimas foram dois menores de idade registradas no dia 28 de abril.<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Partido Comunista Brasileiro (PCB)<\/p>\n<p>Fonte: https:\/\/www.resumenlatinoamericano.org\/2021\/04\/30\/colombia-cali-es-ciudad-de-resistencia-y-lucha-contra-la-prepotencia-policial-el-paro-continua-y-el-pueblo-esta-en-las-calles\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/27214\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[34],"tags":[234],"class_list":["post-27214","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c39-colombia","tag-6b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-74W","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27214","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=27214"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27214\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=27214"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=27214"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=27214"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}