{"id":27218,"date":"2021-05-02T23:50:02","date_gmt":"2021-05-03T02:50:02","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=27218"},"modified":"2021-05-02T23:50:02","modified_gmt":"2021-05-03T02:50:02","slug":"a-petrobras-desfigurada-e-o-brasil-desguarnecido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/27218","title":{"rendered":"A Petrobras desfigurada e o Brasil desguarnecido"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.aepet.org.br\/uploads\/noticias\/imagens\/Amorim_418_3.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Unidade Classista dos Petroleiros<\/p>\n<p>Um breve balan\u00e7o do estrago causado pelas gest\u00f5es privatistas na Petrobr\u00e1s<\/p>\n<p>A Petrobras tem sido v\u00edtima, ao longo de sua hist\u00f3ria, dos mais s\u00f3rdidos ataques, por dentro e por fora, buscando inviabiliz\u00e1-la como principal estatal brasileira. Desde a luta pela sua funda\u00e7\u00e3o, os agentes monopolistas internacionais se colocaram de corpo e alma como inimigos da campanha &#8220;o Petr\u00f3leo \u00e9 Nosso&#8221; e do projeto de cria\u00e7\u00e3o de uma estatal de Petr\u00f3leo (que viria a ser a Petrobras). Em seguida, fizeram lobby para desencorajar a continuidade do projeto, quando quiseram convencer a dita opini\u00e3o p\u00fablica de que no Brasil n\u00e3o havia petr\u00f3leo.<br \/>\nMais recentemente, os comunicadores a servi\u00e7o das petrol\u00edferas e demais corpora\u00e7\u00f5es estrangeiras papagaiavam que o Pr\u00e9-sal seria uma farsa. E quando ele se provou altamente vi\u00e1vel comercialmente, mudaram o discurso para uma suposta incapacidade da Petrobras de produzir sozinha a partir daquelas reservas. Em suma, estes agentes no Brasil a servi\u00e7o de interesses antinacionais e antipopulares sempre foram simples sabotadores da nossa soberania.<\/p>\n<p>Pois bem, o golpeachment de 2016 veio para buscar fazer o projeto privatista assumir sua velocidade de cruzeiro, e o desmonte da Petrobras ganhar contornos altamente alarmistas. Mas aten\u00e7\u00e3o: n\u00e3o \u00e9 correto apontar essa data como ponto de inflex\u00e3o entre uma pol\u00edtica de alguma preserva\u00e7\u00e3o do car\u00e1ter estatal da Petrobras para uma pol\u00edtica pr\u00f3 mercado, privatista. Cabe registro que, no af\u00e3 de fazer concess\u00f5es pol\u00edticas ante uma extrema press\u00e3o oposicionista desde as manifesta\u00e7\u00f5es de 2013, passando pelas polarizadas elei\u00e7\u00f5es presidenciais de 2014, o lava-jatismo e a chantagem golpista da\u00ed por diante, o governo Dilma e as gest\u00f5es petistas da Petrobras j\u00e1 tomavam medidas de prepara\u00e7\u00e3o de terreno e davam at\u00e9 mesmo os primeiros passos da jornada recente de privatiza\u00e7\u00e3o.<br \/>\nO momento anterior era de uma &#8220;disputa equilibrada&#8221; entre as esferas p\u00fablica e privada, gerando um hibridismo sui generis na Petrobras, fruto da pr\u00f3pria concep\u00e7\u00e3o conciliat\u00f3ria de Lula. Por um lado, a Petrobras de Lula e Dilma jamais teve a ousadia de retirar as a\u00e7\u00f5es da bolsa de Nova Iorque ou de revisar a quebra do monop\u00f3lio. Endividou-se perigosamente em moeda estrangeira, tornando as decis\u00f5es estrat\u00e9gicas mais e mais ref\u00e9ns de agentes externos e do setor rentista (credores). Seguiu a l\u00f3gica de rateio de cargos de indica\u00e7\u00e3o com fins de acomoda\u00e7\u00e3o de aliados para preservar algum n\u00edvel de apoio ao governo. E atingiu o pico de terceiriza\u00e7\u00e3o, delegando a empresas privadas boa parte das suas atividades. Essa rela\u00e7\u00e3o concursado x terceirizado chegou a ser de 1 para 3, quando cerca de 300 mil pessoas estiveram a servi\u00e7o da Petrobras com uma rela\u00e7\u00e3o mais inst\u00e1vel e precarizada, cedendo suas mais-valias e muito conhecimento da Petrobras a empresas contratadas.<\/p>\n<p>Em se tratando de delega\u00e7\u00e3o de atividades e poder ao setor privado, cabe registro de que todo o grande investimento em novas plantas, especialmente de refino, foram feitos atrav\u00e9s das chamadas EPCistas. Ou seja, tamb\u00e9m a capacidade de desenvolvimento dos projetos estrat\u00e9gicos de engenharia foram deixados sob poder das empreiteiras, o que permitiu uma verdadeira farra com investimento estatal, na medida em que prazo e custo de projetos eram estourados sucessivamente, em benef\u00edcio das contratadas privadas. Por outro lado, este foi um per\u00edodo em que houve uma consider\u00e1vel recomposi\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho da Petrobras por meio de concursos, que estavam praticamente congelados fazia mais de uma d\u00e9cada. Tamb\u00e9m foi um per\u00edodo de restaura\u00e7\u00e3o salarial e relativo avan\u00e7o de benef\u00edcios. Foi tamb\u00e9m quando se implantou o regime de Cess\u00e3o Onerosa e de partilha do Pr\u00e9-sal, que, longe de serem ideais e de alijar os interesses alheios ao Brasil sobre nossas reservas, ao menos melhoraram as condi\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o ao regime de concess\u00e3o, totalmente entreguista. Tamb\u00e9m foi nesse per\u00edodo em que se desenvolveu a pol\u00edtica de conte\u00fado local, que priorizava a contrata\u00e7\u00e3o em territ\u00f3rio brasileiro para desenvolver nossa ind\u00fastria, e o investimento da companhia encontrou seu \u00e1pice, chegando a U$ 48 bi anuais.<\/p>\n<p>No entanto, no per\u00edodo Dilma Rousseff, sobretudo ap\u00f3s 2013, o vetor privatista desse arranjo h\u00edbrido come\u00e7a a se sobressair. Foi na gest\u00e3o da presidenta petista que se deu o leil\u00e3o do campo de Libra, do Pr\u00e9-sal (2013), a privatiza\u00e7\u00e3o parcial da Gaspetro (2015) e o planejamento e primeira tentativa de privatiza\u00e7\u00e3o da BR Distribuidora (2015). J\u00e1 no desespero de impedir o golpe, na sua estrat\u00e9gia de concess\u00e3o submissa em vez de enfrentamento, Dilma fez um grande acordo com Jos\u00e9 Serra para desmontar o regime de partilha do Pr\u00e9-Sal, permitindo que empresas estrangeiras passassem a operar em campos dessa regi\u00e3o e abrindo m\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o m\u00ednima de 30% da Petrobras (2016). J\u00e1 neste per\u00edodo, o plano de neg\u00f3cios e gest\u00e3o da Petrobras previa a privatiza\u00e7\u00e3o do equivalente a US$ 15 bilh\u00f5es em ativos da companhia.<\/p>\n<p>A atrofia como projeto<\/p>\n<p>Foi no per\u00edodo p\u00f3s-golpe que a privatiza\u00e7\u00e3o alcan\u00e7ou sua velocidade e amplitude m\u00e1ximas. Esse processo se enquadra em uma vis\u00e3o de subordina\u00e7\u00e3o a um projeto imperialista que reserva ao Brasil um mero papel de exporta\u00e7\u00e3o de bens prim\u00e1rios na divis\u00e3o internacional do trabalho. N\u00e3o \u00e9 exagero constatar que o projeto da burguesia dos pa\u00edses capitalistas avan\u00e7ados \u00e9 de monop\u00f3lio industrial e p\u00f3s industrial para suas economias, enquanto nos cabe um retrocesso quase colonial, limitando-nos apenas \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o de artigos agropecu\u00e1rios ou commodities n\u00e3o processadas, como min\u00e9rio e petr\u00f3leo cru. Para a economia e o povo brasileiros, eles t\u00eam a atrofia como projeto.<\/p>\n<p>A privatiza\u00e7\u00e3o est\u00e1 desfigurando a Petrobras<\/p>\n<p>Esses anos de pleno vapor da privatiza\u00e7\u00e3o da Petrobras est\u00e3o desfigurando esse colosso do povo brasileiro, n\u00e3o s\u00f3 no aspecto de sua participa\u00e7\u00e3o nas atividades de petr\u00f3leo, energia e na economia, mas tamb\u00e9m na sua din\u00e2mica interna de funcionamento. Quanto ao papel da Petrobras nas atividades petrol\u00edferas, estamos sujeitos a uma gest\u00e3o que considera o valor para o acionista mais importante do que o pre\u00e7o adequado e o abastecimento da popula\u00e7\u00e3o brasileira. Com um projeto de uma empresa totalmente configurada para exportar petr\u00f3leo cru (obedecendo ao interesse dos pa\u00edses compradores) e distribuir os lucros para acionistas privados, boa parte tamb\u00e9m estrangeiros. Est\u00e1 sendo imposto \u00e0 Petrobras a quebra da sua verticaliza\u00e7\u00e3o, da sua hist\u00f3rica integra\u00e7\u00e3o do po\u00e7o ao posto (explora\u00e7\u00e3o, produ\u00e7\u00e3o, refino, distribui\u00e7\u00e3o, petroqu\u00edmica, etc), algo vital para uma empresa do ramo, n\u00e3o por acaso a meta de que todas as concorrentes perseguem. Est\u00e3o apostando na concentra\u00e7\u00e3o das atividades, e concentra\u00e7\u00f5es sempre elevam riscos. A li\u00e7\u00e3o b\u00e1sica das finan\u00e7as \u00e9 que n\u00e3o se coloca todos os ovos na mesma cesta. Na contram\u00e3o do bom senso, essa concentra\u00e7\u00e3o se d\u00e1 em diversos aspectos:<\/p>\n<p>&#8211; Concentra\u00e7\u00e3o na atividade de produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo cru, conforme descrito anteriormente.<br \/>\n&#8211; Concentra\u00e7\u00e3o regional &#8211; restringindo a atua\u00e7\u00e3o de uma empresa nacional por voca\u00e7\u00e3o praticamente ao Sudeste e desmontando v\u00e1rias economias regionais.<br \/>\n&#8211; Concentra\u00e7\u00e3o temporal &#8211; buscando uma produ\u00e7\u00e3o super acelerada, imprimindo a queima de nossas reservas acima da produ\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para atendimento da demanda dom\u00e9stica, enquanto outros pa\u00edses produtores administram sua produ\u00e7\u00e3o pensando no futuro.<\/p>\n<p>Esses gestores irrespons\u00e1veis est\u00e3o deixando o Brasil totalmente ref\u00e9m de oscila\u00e7\u00f5es de mercado, haja vista o exemplo do absurdo pre\u00e7o de paridade de importa\u00e7\u00e3o praticado para combust\u00edveis e g\u00e1s de cozinha, que penaliza imensamente o povo brasileiro. Internamente, um conjunto de medidas e iniciativas busca destruir caracter\u00edsticas genu\u00ednas da Petrobras e a sua cultura.<\/p>\n<p>T\u00e3o logo o golpe foi consumado, trataram de desconstruir o Estatuto da Petrobr\u00e1s e estabelecer a &#8220;Lei das Estatais&#8221;, medidas que restringiram a representa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores no Conselho de Administra\u00e7\u00e3o com uma s\u00e9rie de dificuldades, retirando sua autonomia. Tamb\u00e9m foram essas contrarreformas que permitiram a indica\u00e7\u00e3o, sem concurso, n\u00e3o somente de diretores, mas tamb\u00e9m de gerentes. A mudan\u00e7a mais grosseira se deu sob encomenda, quando se permitiu aceitar estrangeiros no comando, casuisticamente para acomodar um diretor espec\u00edfico que se queria nomear, abrindo uma porteira aos prepostos das transnacionais privadas. Ainda no conjunto de violentas mudan\u00e7as implantadas, foi retirado a f\u00f3rceps da Miss\u00e3o da companhia o desenvolvimento do pa\u00eds (o que, implicitamente, significa consentir com seu subdesenvolvimento), e foram introduzidas fal\u00e1cias como a dita meritocracia no nosso c\u00f3digo de \u00e9tica!<\/p>\n<p>O desmonte da Universidade Petrobras tamb\u00e9m se insere nesse contexto, pois a produ\u00e7\u00e3o de conhecimento pr\u00f3prio \u00e9 algo emancipat\u00f3rio e necess\u00e1rio na busca da soberania. Quem n\u00e3o se lembra das chocantes desativa\u00e7\u00f5es de bibliotecas ou mesmo a destrui\u00e7\u00e3o de ambientes de dissemina\u00e7\u00e3o de conhecimento como o Espa\u00e7o Terra e Petr\u00f3leo, pequeno museu de Geologia?<\/p>\n<p>Os efeitos da privatiza\u00e7\u00e3o foram verdadeiras trag\u00e9dias para a Petrobras e consequentemente para o pa\u00eds, a partir do lava-jatismo que criou o clima necess\u00e1rio para o golpe de 2016. Perdemos centenas de milhares de empregos direta ou indiretamente ligados \u00e0 Petrobras, com a quebra de megaobras como a do Comperj e trem 2 da RNEST, o fim das encomendas nacionais especialmente aos estaleiros (com a derrocada desse setor) e a demiss\u00e3o de boa parte dos terceirizados. Enquanto a Petrobras teve um pico de investimento de cerca de US$ 48 bi em 2013, no ano de 2020 estes valores ca\u00edram a cerca de US$ 8 bi, menos de 17% do valor anterior!<\/p>\n<p>Os trabalhadores da Petrobr\u00e1s, que sempre se acostumaram e se orgulharam da diversidade de sotaques, origens (geogr\u00e1ficas e sociais) e culturas convivendo harmonicamente, observaram um s\u00f3 time estreito tomar de assalto a c\u00fapula decis\u00f3ria da companhia, com sua cultura financista e seu linguajar e sotaque caracter\u00edstico. O fato \u00e9 que o Partido da Boquinha do Mercado, o clube da Faria Lima, monopolizou os cargos de alta gest\u00e3o entrando pela janela, e passou a ditar os rumos e as prioridades da companhia. Ao mesmo tempo em que se disseminavam estranhos conceitos estrangeiros, com uma bajula\u00e7\u00e3o de figuras hist\u00f3ricas do liberalismo, como Thatcher e Churchill, se silenciava sobre os nossos grandes nomes. Metodologias financistas importadas e propaga\u00e7\u00e3o de cursos do Imp\u00e9rio do Norte t\u00eam dado o tom do per\u00edodo. A anglofonia dominou o ambiente corporativo, o que n\u00e3o deixa de ser uma rendi\u00e7\u00e3o \u00e0 domina\u00e7\u00e3o cultural. Os cursos de gest\u00e3o e MBA empacotados dos EUA s\u00e3o tidos como a nova Meca.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 ambiente de trabalho com trato t\u00e3o respeitoso, gentil e cooperativo entre os trabalhadores como na Petrobras. Os concursos concorrid\u00edssimos geram uma alta capacidade t\u00e9cnica inquestion\u00e1vel, de modo que, entre os petroleiros, sabe-se que a cada intera\u00e7\u00e3o profissional ou pessoal leva-se um aprendizado. A cultura do sofisma meritocr\u00e1tico acirra a competitividade em substitui\u00e7\u00e3o a essa colabora\u00e7\u00e3o. A hipertrofia da renda vari\u00e1vel para poucos amigos da gest\u00e3o (membros da diretoria passaram a receber at\u00e9 R$ 400 mil mensais em m\u00e9dia), em detrimento da renda salarial geral que decai, tamb\u00e9m cumpre papel nessa desconstru\u00e7\u00e3o da ambi\u00eancia interna. S\u00e3o verdadeiros esc\u00e2ndalos: a bolada de R$ 1,5 milh\u00e3o de pr\u00eamio levada pelo presidente que fabricou lucro com o desmonte da companhia, bem como a suposta premia\u00e7\u00e3o nababesca n\u00e3o negada ao gestor de RH, mesmo ap\u00f3s sua demiss\u00e3o por investiga\u00e7\u00e3o de uso de informa\u00e7\u00e3o privilegiada para tirar vantagens em jogadas na bolsa de valores. Sem mencionar a curva for\u00e7ada, que obriga cada gestor a qualificar o desempenho de uma fra\u00e7\u00e3o de sua equipe com mau desempenho, mesmo que todos tenham sido excepcionais. H\u00e1 uma tentativa de minar o sentimento de bem maior do petroleiro, em prol do Brasil e de seu povo, e de criar um clima de competi\u00e7\u00e3o, obedi\u00eancia acr\u00edtica e medo, pois junto com o &#8220;mau desempenho&#8221; (entre aspas porque os crit\u00e9rios s\u00e3o subjetivos e os decisores n\u00e3o podem ser questionados) vem o fantasma da demiss\u00e3o, inten\u00e7\u00e3o j\u00e1 declarada pelos planos da hierarquia privatista.<\/p>\n<p>No extremo dessa cultura capitalista e mercadol\u00f3gica, a gest\u00e3o orientou todos os gerentes a praticarem a ladainha do coach com todos os funcion\u00e1rios, com um estranho mantra de &#8220;mindset de crescimento&#8221; que faz lembrar a teologia da prosperidade. Tudo passa a ser monetizado, numa exc\u00eantrica venera\u00e7\u00e3o ao acionista, entregando todo o valor gerado pelos trabalhadores como oferendas a estes que muitas vezes s\u00e3o meros especuladores, a maioria estrangeiros. As pessoas n\u00e3o importam, o que importa \u00e9 o capital, esse abstrator geral que pasteuriza as atividades humanas.<\/p>\n<p>Enquanto todos esses elementos e tra\u00e7os s\u00e3o ressaltados, outros tantos de nossa cultura s\u00e3o completamente ofuscados, quase proibidos. Uma boa an\u00e1lise se debru\u00e7a sobre o que \u00e9 dito, mas tamb\u00e9m sobre o que \u00e9 intencionalmente omitido. Essa gest\u00e3o sainte, que entende tudo de finan\u00e7as mas nada de petr\u00f3leo, simplesmente aboliu conceitos e termos como &#8220;Desenvolvimento&#8221;, &#8220;Seguran\u00e7a Nacional&#8221;, &#8220;Soberania&#8221;, &#8220;Geopol\u00edtica&#8221;, &#8220;Abastecimento&#8221; e at\u00e9 mesmo &#8220;Pr\u00e9-sal&#8221;. N\u00e3o se fala em nada disso, pois isso faz lembrar tempos pregressos com concep\u00e7\u00f5es e compromissos distintos. A solu\u00e7\u00e3o para legitimar um projeto t\u00e3o estranho \u00e0 nossa cultura \u00e9 exatamente essa: apagar a Hist\u00f3ria. Resgatar nossos feitos pode ser perigoso, pois evidencia que a Petrobras s\u00f3 foi criada enquanto estatal por meio de uma grande luta popular. E que ela \u00e9 a mola propulsora de nossa economia, que pode permitir nossa emancipa\u00e7\u00e3o, se a extraordin\u00e1ria renda petroleira que ela gera se der em benef\u00edcio de quem trabalha, e n\u00e3o dos rentistas.<\/p>\n<p>A atrofia como projeto se manifesta nas atividades mais corriqueiras. Quantos petroleiros que passaram em concursos para desenvolver atividades produtivas se frustram com o papel a que s\u00e3o relegados, de meros contratadores de servi\u00e7os ou produtos de mercado, ou fiscais dessas contrata\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<p>\u00c9 preciso, mais do que nunca, reafirmar o car\u00e1ter estatal da Petrobras, ainda que alguns embusteiros tentem negar essa condi\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 raro at\u00e9 mesmo alguns petroleiros incautos repetirem a mentira de que &#8220;Petrobras n\u00e3o \u00e9 uma estatal&#8221;. Ainda que de economia mista, ela \u00e9 sim uma estatal, pois tem controle do Estado na sua composi\u00e7\u00e3o societ\u00e1ria. Portanto, deve sim prestar um papel a servi\u00e7o do desenvolvimento e bem estar de nosso povo!<br \/>\nCabe agora um progn\u00f3stico sobre a gest\u00e3o entrante, mas isso merece um outro texto. De qualquer forma, adiantamos que n\u00e3o podemos nos iludir. Somente a resist\u00eancia militante, a organiza\u00e7\u00e3o dos petroleiros em cada base e o engajamento da sociedade na causa da defesa da Petrobras 100% estatal ser\u00e1 capaz de reverter esse cen\u00e1rio!<\/p>\n<p>Unidade Classista, futuro Socialista!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/27218\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[31],"tags":[219],"class_list":["post-27218","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c31-unidade-classista","tag-manchete"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-750","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27218","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=27218"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27218\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=27218"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=27218"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=27218"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}