{"id":2723,"date":"2012-04-23T17:41:56","date_gmt":"2012-04-23T17:41:56","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=2723"},"modified":"2012-04-23T17:41:56","modified_gmt":"2012-04-23T17:41:56","slug":"a-luta-da-china-para-desacelerar-se","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2723","title":{"rendered":"A luta da China para desacelerar-se"},"content":{"rendered":"\n<p>Na abertura da sess\u00e3o anual do Congresso Nacional do Povo, o parlamento chin\u00eas, o premi\u00ea Wen Jiabao anunciou que a meta de crescimento econ\u00f4mico anual para 2012 era de 7,5%. Com a economia mundial ainda \u00e0s voltas para recuperar-se, o an\u00fancio por Wen de um encolhimento t\u00e3o significativo no \u00edndice de expans\u00e3o da China, naturalmente, provocou preocupa\u00e7\u00f5es generalizadas por todo o mundo.<\/p>\n<p>\u00c9 importante destacar, no entanto, que Wen estava expressando uma pol\u00edtica e n\u00e3o uma previs\u00e3o de desempenho. O prop\u00f3sito de buscar um crescimento menor, explicou premi\u00ea, \u00e9 &#8220;guiar as pessoas por todos os setores a focar seu trabalho na acelera\u00e7\u00e3o da transforma\u00e7\u00e3o do padr\u00e3o de desenvolvimento econ\u00f4mico e tornar o desenvolvimento econ\u00f4mico mais sustent\u00e1vel e eficiente&#8221;.<\/p>\n<p>Os investimentos em ativos fixos s\u00e3o o motor mais importante de crescimento da China. Como pa\u00eds em desenvolvimento com renda per capita anual inferior a US$ 5 mil, ainda h\u00e1 espa\u00e7o significativo para a China aumentar seu estoque de capital. O ritmo de crescimento dos investimentos, contudo, \u00e9 alto demais. A quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 se a China precisa de mais investimentos, mas se a capacidade de absor\u00e7\u00e3o da China pode continuar a acomodar o elevado ritmo de crescimento dos investimentos visto nos \u00faltimos dez anos.<\/p>\n<p>Se for encolher a expans\u00e3o do PIB dos 9,2% em 2011 para 7,5% em 2012, sem piorar o padr\u00e3o de crescimento elevando a j\u00e1 alta rela\u00e7\u00e3o entre investimentos e PIB, o crescimento anual dos investimentos precisa ser igual ou menor a esses 7,5%.<\/p>\n<p>Nesse sentido, a rela\u00e7\u00e3o entre investimentos e Produto Interno Bruto (PIB), que na China \u00e9 pr\u00f3xima a 50% e est\u00e1 em alta, pode ser considerada como indicador da tens\u00e3o que o investimento de capital fixo exerce sobre a economia. N\u00e3o \u00e9 completo exagero dizer que a capacidade da economia de absorver o crescimento nos investimentos chegou a seu limite.<\/p>\n<p>A recente debacle dos trens de alta velocidade \u00e9 um bom exemplo. Em 2003, a China construiu seu primeiro projeto de trem de alta velocidade. Foi um componente fundamental do pacote de est\u00edmulos econ\u00f4micos de 4 trilh\u00f5es de yuans (US$ 630 bilh\u00f5es) lan\u00e7ado durante a crise financeira mundial de 2008 e 2009, de forma que os investimentos na constru\u00e7\u00e3o de ferrovias de alta velocidade aumentaram a grandes passos. No fim de 2010, a rede em opera\u00e7\u00e3o superava os 8 mil quil\u00f4metros, com mais 17 mil quil\u00f4metros em constru\u00e7\u00e3o. Em contraste, todos os pa\u00edses ocidentais combinados levaram meio s\u00e9culo para construir um total de 6,5 mil quil\u00f4metros. Diante de tal rapidez na constru\u00e7\u00e3o, uma cat\u00e1strofe era quase inevit\u00e1vel.<\/p>\n<p>Quando o crescimento nos investimentos supera a capacidade de absor\u00e7\u00e3o da economia, isso leva \u00e0 r\u00e1pida deteriora\u00e7\u00e3o na efici\u00eancia desses investimentos, o que por sua vez prejudica as perspectivas de crescimento de longo prazo. Atualmente, h\u00e1 evid\u00eancias generalizadas disso na China. Para reverter essa tend\u00eancia, em uma economia guiada pelos lucros, certa tr\u00e9gua no crescimento dos investimentos n\u00e3o \u00e9 apenas necess\u00e1ria, mas inevit\u00e1vel.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da rela\u00e7\u00e3o entre investimentos e PIB da China precisar ser reduzida a um patamar mais sustent\u00e1vel, um desafio igual ou mais importante \u00e9 ajustar a estrutura dos investimentos. Por muitos anos, o segmento mais importante de investimento na China foi o de desenvolvimento imobili\u00e1rio, que representa cerca de 10% do PIB e 25% dos investimentos totais. Os recursos, no entanto, precisam ser alocados a projetos que desenvolvam o capital humano, proporcionem bens p\u00fablicos e alimentem a criatividade e inova\u00e7\u00e3o. Ajustar a estrutura de investimentos, contudo, inevitavelmente vai desacelerar o ritmo de crescimento dos investimentos, pelo menos no per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o, e, portanto, desacelerar a expans\u00e3o total do PIB.<\/p>\n<p>O com\u00e9rcio internacional desempenhou papel central no desenvolvimento econ\u00f4mico da China nos \u00faltimos 30 anos. O mercado mundial, entretanto, n\u00e3o \u00e9 mais capaz de absorver as gigantescas exporta\u00e7\u00f5es chinesas, para n\u00e3o mencionar o impacto imediato das mazelas econ\u00f4micas na Europa e Estados Unidos sobre a demanda por exporta\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m disso, o aumento nos custos da m\u00e3o de obra e a valoriza\u00e7\u00e3o do yuan tamb\u00e9m v\u00e3o minar o setor exportador da China, provocando a desacelera\u00e7\u00e3o da expans\u00e3o do PIB neste ano.<\/p>\n<p>Poucos negariam a necessidade de a China passar a exibir um crescimento econ\u00f4mico menor, por\u00e9m melhor. O problema \u00e9 que se a China quiser encolher a expans\u00e3o do PIB dos 9,2% em 2011 para 7,5% em 2012, sem piorar o padr\u00e3o de crescimento elevando ainda mais a alta rela\u00e7\u00e3o entre investimentos e PIB, o crescimento anual dos investimentos precisa ser igual ou menor a esses 7,5%.<\/p>\n<p>Um c\u00e1lculo aproximado \u00e9 suficiente para mostrar que, a menos que o governo esteja disposto a tolerar um aumento na rela\u00e7\u00e3o entre investimento e PIB, atingir a meta de crescimento de 7,5% do PIB implica queda significativa no ritmo de crescimento dos investimentos. Para compensar o impacto negativo na expans\u00e3o do PIB, tamb\u00e9m afetado pela limita\u00e7\u00e3o ao aumento das exporta\u00e7\u00f5es decorrente da fraca demanda mundial, o consumo local precisa crescer de forma ainda mais acentuada, o que \u00e9 dif\u00edcil de imaginar. Em outras palavras, reduzir a alta do PIB para 7,5% sem tornar o padr\u00e3o de crescimento da China ainda mais irracional \u00e9 uma miss\u00e3o imposs\u00edvel.<\/p>\n<p>Um cen\u00e1rio mais prov\u00e1vel para 2012, portanto, \u00e9 de crescimento menor do que em 2011, mas ainda significativamente acima de 7,5%. De forma correspondente, seu padr\u00e3o de crescimento, puxado pelos investimentos, ser\u00e1 ainda mais fortalecido, embora a um ritmo menor de crescimento. De outra forma, seria dif\u00edcil evitar que a pol\u00edtica provocasse uma aterrissagem brusca.<\/p>\n<p>De fato, conseguir um \u00edndice de crescimento econ\u00f4mico mais moderado sem provocar um pouso brusco \u00e9 um dos desafios mais complicados enfrentados pelo governo chin\u00eas. Uma aterrissagem brusca, simplesmente, n\u00e3o \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o a ser cogitada.<\/p>\n<p>Com a posi\u00e7\u00e3o fiscal do pa\u00eds ainda positiva, \u00e9 dif\u00edcil imaginar que a lideran\u00e7a chinesa seja t\u00e3o teimosa na busca pela &#8220;acelera\u00e7\u00e3o da transforma\u00e7\u00e3o do padr\u00e3o de desenvolvimento econ\u00f4mico&#8221; a ponto de arriscar-se a deparar-se com tal op\u00e7\u00e3o. Mesmo se fosse, os governos locais, endividados e obcecados com o PIB, provavelmente lutariam para alcan\u00e7ar o maior crescimento poss\u00edvel para eles, seguindo apenas da boca para fora a convoca\u00e7\u00e3o de Wen para desacelerar-se. \u00c9 por isso que, apesar da meta oficial, a maioria dos economistas chineses ainda aposta em um \u00edndice de crescimento econ\u00f4mico bem acima dos 8% em 2012. (Tradu\u00e7\u00e3o de Sabino Ahumada)<\/p>\n<p>Yu Yongding \u00e9 presidente da China Society of World Economics, ex-membro do comit\u00ea de pol\u00edtica monet\u00e1ria do Banco do Povo da China e ex-diretor do Instituto de Economia e Pol\u00edtica Mundial, da Academia Chinesa de Ci\u00eancias. Copyright: Project Syndicate, 2012.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p>Argentinos aprovam a decis\u00e3o sobre YPF<\/p>\n<p>O Estado de S. Paulo<\/p>\n<p>A expropria\u00e7\u00e3o da empresa petrol\u00edfera YPF, realizada na semana passada pela presidente da Argentina, Cristina Kirchner, tem a aprova\u00e7\u00e3o de 62% dos argentinos, segundo uma pesquisa elaborada pela Poliarquia, uma consultoria independente de opini\u00e3o p\u00fablica. A estatiza\u00e7\u00e3o da companhia foi rejeitada por 31% dos entrevistados, enquanto os indecisos somaram 7%.<\/p>\n<p>A companhia, que era subsidi\u00e1ria argentina da espanhola Repsol havia quase 20 anos, foi extraditada, sem negocia\u00e7\u00f5es pr\u00e9vias &#8211; sem pagamento de indeniza\u00e7\u00e3o &#8211; por ordem da presidente Cristina, que celebrou a &#8220;recupera\u00e7\u00e3o da soberania energ\u00e9tica&#8221;.<\/p>\n<p>No entanto, o controle da YPF possui um respaldo &#8220;cr\u00edtico&#8221; dos argentinos, j\u00e1 que 44% dos abordados consideram que os governos de Cristina e do ex-presidente N\u00e9stor Kirchner (2003-2007) s\u00e3o os respons\u00e1veis pela queda da produ\u00e7\u00e3o de g\u00e1s e petr\u00f3leo do pa\u00eds. Uma propor\u00e7\u00e3o inferior dos entrevistados pelo instituto, de 36%, acredita que a culpa \u00e9 da iniciativa privada.<\/p>\n<p>A pesquisa da Poliarquia sustenta que 49% dos entrevistados consideram que a expropria\u00e7\u00e3o ter\u00e1 um impacto positivo na economia argentina, enquanto 31% acreditam que o efeito ser\u00e1 negativo. No entanto, 47% dos pesquisados admitem que a estatiza\u00e7\u00e3o da empresa, \u00e0 revelia da Repsol, provoca uma imagem negativa da Argentina no exterior. Uma parcela de 22% considera que a opera\u00e7\u00e3o ordenada pela presidente Cristina vai melhorar a imagem do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Neste fim de semana, o vice-presidente Amado Boudou deixou claro que o governo de Cristina Kirchner est\u00e1 encorajado com o respaldo do pr\u00f3prio partido, o Justicialista (Peronista), de parte da oposi\u00e7\u00e3o e amplos setores da opini\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n<p>O vice-presidente, durante a inaugura\u00e7\u00e3o do estande da Casa Rosada da Feira do Livro de Buenos Aires, afirmou que o governo &#8220;n\u00e3o tem medo&#8221; das rea\u00e7\u00f5es negativas no exterior geradas pela expropria\u00e7\u00e3o da YPF.<\/p>\n<p>&#8220;O governo n\u00e3o deixar\u00e1 que sejamos ca\u00e7ados&#8221;, afirmou o vice-presidente, em refer\u00eancia \u00e0s retalia\u00e7\u00f5es comerciais que o primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, come\u00e7ou a aplicar no \u00faltimo s\u00e1bado contra a Argentina. Boudou sustentou que &#8220;as decis\u00f5es da Rep\u00fablica s\u00e3o tomadas na Casa Rosada (o pal\u00e1cio presidencial) e priorizam o conjunto dos argentinos&#8221;.<\/p>\n<p>Pol\u00eamica. Enquanto Boudou e o resto do gabinete presidencial pronunciavam defesas da pol\u00eamica medida protagonizada pela presidente Cristina, diversos setores da sociedade criticaram a expropria\u00e7\u00e3o da YPF. Em um duro editorial, o jornal La Naci\u00f3n ressaltou que &#8220;o direito da propriedade aproximou-se mais uma vez de seu desaparecimento em nosso pa\u00eds&#8221;. O tradicional peri\u00f3dico portenho cita o artigo 17 da Constitui\u00e7\u00e3o Nacional para afirmar que a expropria\u00e7\u00e3o, do jeito que foi aplicada pela presidente, \u00e9 ilegal: &#8220;A propriedade \u00e9 inviol\u00e1vel e nenhum cidad\u00e3o da na\u00e7\u00e3o pode ser privado dela a n\u00e3o ser em virtude de uma senten\u00e7a fundamentada na lei. A expropria\u00e7\u00e3o por causa de utilidade p\u00fablica deve ser definida por lei e previamente indenizada.&#8221;<\/p>\n<p>No caso da expropria\u00e7\u00e3o da YPF, o governo Kirchner assumiu seu controle (51% das a\u00e7\u00f5es, em conjunto com os governos das prov\u00edncia petrol\u00edfera) sem pagamento pr\u00e9vio. Inclusive, o governo deixou claro que n\u00e3o pagar\u00e1 os US$ 10 bilh\u00f5es exigidos pela Repsol.<\/p>\n<p>O valor a ser desembolsado ser\u00e1 definido por um organismo do pr\u00f3prio Estado argentino, o Tribunal de Contas, junto com a Secretaria de Energia. A Repsol pode apelar da decis\u00e3o em tribunais internacionais.<\/p>\n<p>Joaqu\u00edn Morales Sola, um dos principais colunistas pol\u00edticos do pa\u00eds, indicou no La Naci\u00f3n que Cristina Kirchner protagonizou a transgress\u00e3o argentina de maior magnitude desde o calote da divida p\u00fablica feita pelo ex-presidente Adolfo Rodr\u00edguez Sa\u00e1, em dezembro de 2001. Segundo Morales Sola, &#8220;o kirchnerismo fez da infra\u00e7\u00e3o uma arte e transformou a seguran\u00e7a jur\u00eddica em algo quase inexistente&#8221;.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p>Juros de at\u00e9 688% ao ano<\/p>\n<p>Correio Braziliense<\/p>\n<p>Apesar da press\u00e3o do governo, a redu\u00e7\u00e3o das taxas pelos grandes bancos p\u00fablicos e privados ainda est\u00e1 longe de aliviar o consumidor. Financeiras lideram os abusos<\/p>\n<p>A presidente Dilma Rousseff n\u00e3o escondeu a satisfa\u00e7\u00e3o, nos \u00faltimos dias, diante do an\u00fancio de que bancos p\u00fablicos e privados haviam reduzido os juros aos consumidores. Mas, ainda que a press\u00e3o do governo tenha dado algum resultado, os brasileiros est\u00e3o longe de comemorar. Quem precisa de dinheiro emprestado est\u00e1 sujeito a arcar com taxas de at\u00e9 688,71% ao ano (18,78% mensais), cobrados pela Agiplan Financeira, conforme levantamento realizado pelo Banco Central. Se o cidad\u00e3o ficar pendurado no cheque especial, correr\u00e1 o risco de pagar encargos de at\u00e9 275,68% anuais (10,34% ao m\u00eas) no Banco Santander.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 preciso deixar claro que a redu\u00e7\u00e3o dos juros dos empr\u00e9stimos e financiamentos ainda est\u00e1 no come\u00e7o. H\u00e1 muito espa\u00e7o para que as taxas recuem&#8221;, diz o economista-chefe da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional do Com\u00e9rcio (CNC), Carlos Thadeu de Freitas Gomes. Ele ressalta que o processo de barateamento do cr\u00e9dito ser\u00e1 mais lento do que o desejado pela presidente Dilma, j\u00e1 que os bancos resistir\u00e3o ao m\u00e1ximo em abrir m\u00e3o de uma fatia de seus lucros. A maior parte dos ganhos do sistema financeiro, 32%, vem do que os especialistas chamam de spread. Trata-se da diferen\u00e7a entre o que as institui\u00e7\u00f5es pagam aos investidores e o que cobram dos devedores.<\/p>\n<p>No Brasil, o spread m\u00e9dio \u00e9 de 30 pontos percentuais, seis vezes maior do que os cinco pontos registrados nos pa\u00edses mais ricos, que integram a Organiza\u00e7\u00e3o para Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE). No mundo, segundo o Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI), apenas o Zimb\u00e1bue registra spread maior que o do Brasil, com 70 pontos. &#8220;A grande pergunta que todos est\u00e3o fazendo hoje \u00e9: os bancos v\u00e3o continuar reduzindo os spreads? Infelizmente, n\u00e3o h\u00e1 sinais concretos de que isso ocorrer\u00e1. Mas n\u00e3o h\u00e1 outro caminho para se baixar as taxas de juros com maior vigor&#8221;, diz Thadeu.<\/p>\n<p>Agiotagem<\/p>\n<p>T\u00e9cnicos do Banco Central asseguram que, entre as grandes institui\u00e7\u00f5es, lideradas pelas p\u00fablicas, j\u00e1 se percebe um movimento real de queda dos juros. Para ter acesso \u00e0s taxas menores, no entanto, \u00e9 preciso um amplo processo de negocia\u00e7\u00e3o. &#8220;Mas os clientes n\u00e3o podem desistir. Devem cobrar a redu\u00e7\u00e3o das taxas, se poss\u00edvel, apresentando aos gerentes as tabelas de encargos divulgadas em panfletos de publicidade. As institui\u00e7\u00f5es que resistirem devem ser denunciadas ao BC e aos Procons&#8221;, aconselha um funcion\u00e1rio da autoridade monet\u00e1ria respons\u00e1vel pelo atendimento ao p\u00fablico.<\/p>\n<p>Os mesmos t\u00e9cnicos do BC ressaltam que, no caso dos empr\u00e9stimos pessoais, as maiores taxas s\u00e3o cobradas pelas financeiras independentes, n\u00e3o ligadas a bancos. E, normalmente, os que recorrem a elas j\u00e1 estouraram todas as linhas de cr\u00e9dito disponibilizadas em suas contas-correntes. &#8220;S\u00f3 mesmo em situa\u00e7\u00e3o de desespero uma pessoa aceita pagar juros de 18% ao m\u00eas&#8221;, enfatiza um assessor do Minist\u00e9rio da Fazenda. Ele acrescenta que as pessoas menos informadas, que n\u00e3o t\u00eam conta banc\u00e1ria, acabam sendo fisgadas &#8220;por essa agiotagem regulamentada&#8221;. &#8220;E \u00e9 muita gente, sen\u00e3o essas financeiras n\u00e3o estariam proliferando Brasil afora&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Apesar dos juros menores, nos financiamentos de autom\u00f3veis tamb\u00e9m h\u00e1 exageros. Os carros financiados pelo Banco Azteca, por exemplo, t\u00eam taxas de 73,92% ao ano. Ou seja, em apenas 12 presta\u00e7\u00f5es, o comprador paga quase dois ve\u00edculos. &#8220;Esse abuso ocorre mesmo com a institui\u00e7\u00e3o tendo a possibilidade de retomar o ve\u00edculo em caso de n\u00e3o pagamento. Quer dizer: h\u00e1 garantia para o financiamento, o que, teoricamente, deveria jogar os encargos para baixo&#8221;, assinala outro t\u00e9cnico do BC.<\/p>\n<p>Ele n\u00e3o consegue entender como o Banco Ibi, que pertencia \u00e0 rede de varejo C&amp;A e foi comprado pelo Bradesco, cobra juros de 139,78% ao ano no cr\u00e9dito direto ao consumidor. &#8220;A \u00fanica receita para que bancos e financeiras de menor porte reduzam os juros \u00e9 a clientela se recusar a pagar o que cobram. Sabemos que vai demorar para que essas institui\u00e7\u00f5es entendam que o sistema est\u00e1 mudando e que o pa\u00eds n\u00e3o comporta mais taxas abusivas. Mas ou se adaptam, ou fechar\u00e3o as portas&#8221;, sentencia um assessor da presidente Dilma.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p>Mesmo investigada, Delta ganhou contratos<\/p>\n<p>O Globo<\/p>\n<p>Ap\u00f3s ser apontada como l\u00edder de um esquema de corrup\u00e7\u00e3o que desviou milh\u00f5es de reais dos cofres da Uni\u00e3o e veio a p\u00fablico em agosto de 2010 &#8211; na Opera\u00e7\u00e3o M\u00e3o Dupla, feita pela Controladoria-Geral da Uni\u00e3o (CGU) com a Pol\u00edcia Federal (PF) &#8211; a construtora Delta continuou assinando contratos de alto valor com \u00f3rg\u00e3os federais. Desde que o governo tomou conhecimento das graves irregularidades cometidas pela empreiteira em obras de rodovias no Cear\u00e1, foram assinados 31 novos contratos com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), no valor total de R$ 758 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>A Opera\u00e7\u00e3o M\u00e3o Dupla identificou fraudes em licita\u00e7\u00f5es, superfaturamento, desvio de verbas, pagamentos de propina, pagamentos indevidos e uso de material de qualidade inferior ao contratado em obras de infraestrutura rodovi\u00e1ria sob o comando do Dnit feitas pela Delta e outras 11 empreiteiras. A investiga\u00e7\u00e3o resultou na pris\u00e3o do ent\u00e3o superintendente do Dnit no Cear\u00e1, Joaquim Guedes Martins Neto, que, segundo a CGU, tinha, em 2008, &#8220;rendimento incompat\u00edvel com a renda auferida pelo agente p\u00fablico&#8221;, e do diretor da Delta Alu\u00edzio Alves de Souza.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca, a CGU informou que detectara &#8220;um preju\u00edzo estimado em R$ 5 milh\u00f5es aos cofres p\u00fablicos da Uni\u00e3o, afora o risco social decorrente da execu\u00e7\u00e3o de obras de infraestrutura rodovi\u00e1ria fora das devidas especifica\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas&#8221;. No s\u00e1bado, o ministro da CGU, Jorge Hage, reconheceu que as irregularidades apontadas pela M\u00e3o Dupla s\u00e3o graves. Mas isso n\u00e3o impediu que o Dnit celebrasse novos contratos com a Delta, sendo tr\u00eas deles (no valor total de R$ 9,6 milh\u00f5es) no Cear\u00e1, onde foram detectadas as irregularidades em 2010. Trata-se da conserva\u00e7\u00e3o e da recupera\u00e7\u00e3o de trechos das BRs 116, 437 e 230.<\/p>\n<p>Os contratos firmados desde agosto de 2010 s\u00e3o para constru\u00e7\u00e3o, duplica\u00e7\u00e3o, adequa\u00e7\u00e3o ou manuten\u00e7\u00e3o de 19 rodovias em 17 estados. Al\u00e9m disso, em setembro de 2010, atrav\u00e9s de cons\u00f3rcio com outras duas empresas, a Delta conseguiu fechar com a estatal Valec um contrato de R$ 574,5 milh\u00f5es para tocar as obras do lote um da Ferrovia Oeste-Leste, na Bahia. O Dnit e a Valec s\u00e3o ligados ao Minist\u00e9rio dos Transportes.<\/p>\n<p>A empreiteira ganhou destaque recentemente no notici\u00e1rio por suas liga\u00e7\u00f5es com o bicheiro Carlinhos Cachoeira, preso pela PF em fevereiro na Opera\u00e7\u00e3o Monte Carlo. Hoje, a CGU promete abrir processo administrativo contra a Delta. O resultado dessa investiga\u00e7\u00e3o poder\u00e1 tornar a empresa inid\u00f4nea, o que implica a proibi\u00e7\u00e3o para firmar novos contratos com o governo federal.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do Cear\u00e1, foram assinados contratos entre o Dnit e a Delta para obras em Alagoas, Amazonas, Esp\u00edrito Santo, Goi\u00e1s, Maranh\u00e3o, Mato Grosso, Minas Gerais, Par\u00e1, Paran\u00e1, Pernambuco, Piau\u00ed, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rond\u00f4nia, Sergipe e Tocantins. Dos 31 contratos, apenas um, de R$ 115 milh\u00f5es, em Goi\u00e1s, foi paralisado. Desse valor, o Dnit j\u00e1 pagou R$ 8,8 milh\u00f5es \u00e0 Delta.<\/p>\n<p>Vinte e cinco contratos, no valor de R$ 611,7 milh\u00f5es, constam como ativos. Outros tr\u00eas foram cadastrados no in\u00edcio de 2012 e totalizam R$ 13,6 milh\u00f5es, mas as obras ainda n\u00e3o come\u00e7aram. Dois contratos, no valor de R$ 17,8 milh\u00f5es, j\u00e1 foram conclu\u00eddos. Desse montante, R$ 15,6 milh\u00f5es foram pagos \u00e0 construtora, segundo o pr\u00f3prio Dnit. Em agosto de 2010, na Opera\u00e7\u00e3o M\u00e3o Dupla, a PF cumpriu 52 mandados de busca e apreens\u00e3o, 23 de pris\u00e3o tempor\u00e1ria e um de pris\u00e3o preventiva. Houve ainda o afastamento cautelar de oito servidores p\u00fablicos e sequestro de bens em Fortaleza e no interior do Cear\u00e1. A CGU analisou oito contratos e detectou irregularidades em sete, referentes a quatro obras, dentre as quais duas do Programa de Acelera\u00e7\u00e3o do Crescimento (PAC).<\/p>\n<p>Uma delas \u00e9 a duplica\u00e7\u00e3o de uma ponte na BR-304, sobre o Rio Jaguaribe, no munic\u00edpio de Aracati, or\u00e7ada em R$ 30 milh\u00f5es. A obra foi iniciada pela Delta em 2002 e, por sete anos, as funda\u00e7\u00f5es permaneceram de molho nas \u00e1guas do rio, enquanto a travessia era feita pela ponte velha. A Delta, que desistiu de construir a ponte, alegou &#8220;eleva\u00e7\u00e3o dos custos que dificultaram a realiza\u00e7\u00e3o do projeto inicial previsto no edital&#8221;. Segundo Hage, o processo admistrativo disciplinar contra o ent\u00e3o superintendente regional do Dnit no Cear\u00e1 e outros seis servidores pode resultar em demiss\u00e3o. Na \u00faltima sexta-feira, o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal prop\u00f4s a\u00e7\u00e3o penal contra os servidores do Dnit no Cear\u00e1 e contra a Delta por forma\u00e7\u00e3o de quadrilha, lavagem de dinheiro, corrup\u00e7\u00e3o passiva e ativa com base nos resultados da Opera\u00e7\u00e3o M\u00e3o Dupla. Procurado para manifestar-se sobre a assinatura dos contratos, o Dnit informou, por meio da assessoria, que vai esperar a decis\u00e3o da Justi\u00e7a e da CGU para tomar medidas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Delta. &#8220;A empresa n\u00e3o \u00e9 considerada inid\u00f4nea ainda&#8221;, destacou a assessoria.<\/p>\n<p>O grande n\u00famero de contratos com \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos obtidos pela Delta se refletem em seu faturamento. Dados da C\u00e2mara Brasileira da Ind\u00fastria da Constru\u00e7\u00e3o (CBIC) mostram que at\u00e9 100% dos ganhos da construtora v\u00eam de contratos com o setor p\u00fablico. Entre as seis maiores empreiteiras do Brasil, a Delta \u00e9 a \u00fanica que se dedica quase exclusivamente \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de pontes, viadutos, estradas, t\u00faneis, aeroportos e projetos de saneamento. A construtora teria realizado obras para a iniciativa privada nos anos de 2007, 2008 e 2011, mas manteve um percentual acima de 97% de projetos destinados a prefeituras, estados e Uni\u00e3o. Os maiores percentuais de crescimento da Delta ocorreram em 2006\/2007 (67%) e em 2009\/2010 (51%).<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p>Pr\u00eamio no Tesouro Direto mingua com queda da Selic<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>Um investidor que decidiu comprar uma Nota do Tesouro Nacional s\u00e9rie B (NTN-B) com vencimento em 2015 na \u00faltima sexta-feira encontrou um ganho real dispon\u00edvel de 3,9% embutido nesse papel. Bem inferior aos 5,1% que eram oferecidos nos primeiros dias deste ano no sistema de negocia\u00e7\u00f5es Tesouro Direto. Quem conseguiu aproveitar aquela oportunidade obteve um rendimento bruto consider\u00e1vel, de 5,89%, at\u00e9 o dia 18 de abril. Nada mau se comparado \u00e0 varia\u00e7\u00e3o do Certificado de Dep\u00f3sito Interfinanceiro (CDI) no mesmo per\u00edodo, que foi de 2,9%.<\/p>\n<p>Pap\u00e9is com vencimentos mais longos chegaram a render ainda mais (veja tabela ao lado). A NTN-B Principal (que difere da outra porque n\u00e3o paga cupons peri\u00f3dicos ao investidor) 2035 oferecia nesse per\u00edodo ganho bruto de 13,29%, mais do que a varia\u00e7\u00e3o do \u00cdndice Bovespa, que foi de 11,02% no mesmo intervalo.<\/p>\n<p>Mas a m\u00e1 not\u00edcia \u00e9 que esse desempenho n\u00e3o dever\u00e1 se repetir. Com o ciclo de queda do juro b\u00e1sico da economia tendo se encerrado, na vis\u00e3o de alguns, ou estando perto do fim, como acreditam outros especialistas, as grandes oportunidades de ganhar com o chamado fechamento das taxas embutidas nos t\u00edtulos p\u00fablicos ficaram para tr\u00e1s.<\/p>\n<p>Nos t\u00edtulos de renda fixa, quando existe uma expectativa de redu\u00e7\u00e3o dos juros, as taxas oferecidas pelos pap\u00e9is prefixados (Letras do Tesouro Nacional &#8211; LTN) e por aqueles que remuneram com a varia\u00e7\u00e3o do IPCA mais um juro real (NTN-B) v\u00e3o caindo tamb\u00e9m. Mas o investidor que comprou os pap\u00e9is antes, a taxas mais altas, \u00e9 beneficiado porque o pre\u00e7o de face do t\u00edtulo (o valor que precisa ser pago por cada papel) aumenta &#8211; e quem decide vend\u00ea-los obt\u00e9m ganhos.<\/p>\n<p>Na sexta-feira passada, o site do Tesouro Direto informava que os juros pagos pelas LTNs eram de 8,94% (vencimento de 2014) e de 10,10% (para 2016), tamb\u00e9m bem inferiores ao que existiam no come\u00e7o do ano (veja gr\u00e1fico). &#8220;O pr\u00eamio nos pap\u00e9is curtos j\u00e1 estavam negativos, abaixo de 9%, em fun\u00e7\u00e3o do que j\u00e1 existia de expectativa para o corte da Selic&#8221;, observa Gilberto Poso, superintendente de gest\u00e3o de patrim\u00f4nio do HSBC. Para ele, as expectativas daqui para frente devem flutuar mais em fun\u00e7\u00e3o de atividade econ\u00f4mica e infla\u00e7\u00e3o. &#8220;E isso n\u00e3o \u00e9 de imediato, vamos ter de esperar um ou dois meses para o mercado vai fazer an\u00e1lises&#8221;, pondera.<\/p>\n<p>Isso significa que n\u00e3o \u00e9 esperado um movimento forte nas taxas no curto prazo, o que dever\u00e1 resultar n\u00e3o apenas em ganhos bem mais modestos daqui pra frente como pode gerar volatilidades no meio do caminho. &#8220;Ainda considero a NTN-B interessante para quem pensa em comprar para carregar at\u00e9 o vencimento. A condi\u00e7\u00e3o de taxa n\u00e3o \u00e9 fant\u00e1stica, mas \u00e9 razo\u00e1vel, tem um pouco mais de pr\u00eamio que a LTN, mas se levada at\u00e9 o vencimento&#8221;, diz ele, que prefere apostar nos pap\u00e9is com vencimento um pouco mais curtos do que nos muito longos.<\/p>\n<p>Para o executivo do HSBC, os n\u00edveis de ganhos dos prefixados, p\u00f3s-fixados e dos pap\u00e9is de infla\u00e7\u00e3o tendem a ficar mais semelhantes daqui pra frente, mas as NTN-Bs oferecem uma vantagem para quem est\u00e1 preocupado com a infla\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que naturalmente protege contra a varia\u00e7\u00e3o do IPCA, caso o \u00edndice de pre\u00e7os comece a ficar muito pressionado.<\/p>\n<p>&#8220;A avalia\u00e7\u00e3o principal que tem que fazer \u00e9 qual ser\u00e1 a postura do Banco Central? Ele vai manter postura ortodoxa quando a infla\u00e7\u00e3o pressionar? A pergunta de v\u00e1rios milh\u00f5es \u00e9: num novo cen\u00e1rio de infla\u00e7\u00e3o o BC volta a subir a taxa de juros?&#8221;, diz Poso.<\/p>\n<p>Ele conta, no entanto, que tem alertado muito os clientes sobre os ganhos futuros tanto de fundos quanto de pap\u00e9is atrelados \u00e0 infla\u00e7\u00e3o. &#8220;Sempre se diz que rentabilidade passada n\u00e3o garante rentabilidade futura, nesse caso pode-se dizer quase com certeza que o ganho passado n\u00e3o ser\u00e1 o ganho futuro&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Com a perspectiva de que o BC corte pelo menos mais uma vez a Selic, o investidor que comprou pap\u00e9is LTNs h\u00e1 um ou dois anos ainda pode esperar um pouco mais para vender, avalia Marcelo Pereira, s\u00f3cio da TAG Investimentos. &#8220;Com mercado prevendo mais uma redu\u00e7\u00e3o dos juros, esses pap\u00e9is ainda podem ter ainda uma valoriza\u00e7\u00e3o adicional&#8221;, afirma. &#8220;Mas para quem n\u00e3o tem o papel, eu n\u00e3o recomendo comprar agora, porque o potencial de ganho \u00e9 muito pequeno&#8221;.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o vale a pena comprar agora t\u00edtulos p\u00fablicos ligados \u00e0 infla\u00e7\u00e3o para quem pensa em ganhos no curto prazo, uma vez que o &#8220;cupom j\u00e1 caiu muito&#8221; nos \u00faltimos meses. &#8220;E a volatilidade desses pap\u00e9is deve aumentar daqui para frente, porque ningu\u00e9m sabe como o BC vai reagir se a infla\u00e7\u00e3o voltar a subir&#8221;, afirma Pereira, ressaltando que o BC est\u00e1 derrubando os juros mesmo com as expectativas para o IPCA este ano acima do centro da meta (4,5%).<\/p>\n<p>Pereira ressalta, contudo, que essa avalia\u00e7\u00e3o sobre as oportunidades com LTNs e NTN-Bs vale apenas para os investidores mais ariscos, que tentam lucrar comprando e vendendo os t\u00edtulos pelo Tesouro Direto. J\u00e1 quem busca formar uma reserva para a aposentadoria, por exemplo, pode comprar sem susto as NTN-Bs mais longas, com vencimento em 2035 e 2045. &#8220;No longo prazo, esses t\u00edtulos ainda garantem um juro real muito interessante&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Para Fausto Filho, analista de renda fixa da XP Gest\u00e3o Recursos, o movimento de forte valoriza\u00e7\u00e3o dos pap\u00e9is ligados \u00e0 infla\u00e7\u00e3o j\u00e1 ficou para tr\u00e1s. &#8220;Pode at\u00e9 haver mais um ganho adicional porque o mercado v\u00ea mais um corte da Selic, mas a &#8220;grande festa&#8221; da queda do juro real parece ter acabado&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>\u00c9 hora, portanto, de o investidor se acautelar. Daqui para frente, ganhos elevados em poucos meses com esses t\u00edtulos dependem da habilidade do gestor em explorar movimentos pontuais de pre\u00e7os. A aplica\u00e7\u00e3o em NTN-B vale, a partir de agora, mais como prote\u00e7\u00e3o contra um repique inflacion\u00e1rio que como alternativa para turbinar os rendimentos. &#8220;N\u00e3o vejo mais muito potencial de valoriza\u00e7\u00e3o, mas o papel continua valendo, porque o PIB vai voltar a crescer com mais for\u00e7a e pode haver uma alta da infla\u00e7\u00e3o&#8221;, diz Filho.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p>Desafios de gest\u00e3o levam a onda de fus\u00f5es e parcerias<\/p>\n<p>O Estado de S. Paulo<\/p>\n<p>A avers\u00e3o das cooperativas ao risco se explica pelas m\u00faltiplas hist\u00f3rias de associa\u00e7\u00f5es um dia pr\u00f3speras que, ap\u00f3s um passo em falso, tiveram de se unir a grupos maiores ou simplesmente fecharam as portas. S\u00f3 a Coamo j\u00e1 incorporou oito cooperativas ao longo de sua hist\u00f3ria. Atualmente, est\u00e1 em processo de adicionar a Coagel, de Goior\u00ea (PR), a seu portf\u00f3lio. Mas o maior alerta para o segmento atualmente \u00e9 a Corol, cooperativa dos agricultores da cidade de Rol\u00e2ndia (Norte do Paran\u00e1), que fechou uma parceria com a Cocamar, de Maring\u00e1, para n\u00e3o deixar os produtores sem pagamento.<\/p>\n<p>A ideia inicial da Cocamar era uma fus\u00e3o com a Corol &#8211; at\u00e9 porque as duas tinham um n\u00famero semelhante de produtores associados. No entanto, a uni\u00e3o integral ainda n\u00e3o saiu do papel por causa do endividamento da Corol &#8211; que, segundo fontes, \u00e9 superior a R$ 500 milh\u00f5es. Por isso, a Cocamar optou por uma parceria estrat\u00e9gica que exclui o parque industrial.<\/p>\n<p>A vantagem para a cooperativa de Maring\u00e1, conta o presidente Luiz Louren\u00e7o, \u00e9 a expans\u00e3o territorial &#8211; a \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o praticamente dobrou desde a assinatura do contrato, em 2010. A Cocamar j\u00e1 estampou sua marca nas lojas de insumos e pagou d\u00edvidas com os agricultores. Mas espera a renegocia\u00e7\u00e3o dos d\u00e9bitos da Corol antes de ir adiante com a fus\u00e3o. Segundo fontes de mercado, \u00e9 improv\u00e1vel que o neg\u00f3cio saia do papel no curto prazo.<\/p>\n<p>Diante do potencial de expans\u00e3o representado pela parceria, no entanto, Louren\u00e7o conta que a Cocamar vai priorizar os investimentos em armazenagem e assist\u00eancia t\u00e9cnica na \u00e1rea da Corol, o que dever\u00e1 frear temporariamente investimento em outras \u00e1reas, como o parque industrial. &#8220;Houve muitas cooperativas que fecharam as portas naquela \u00e1rea, ent\u00e3o h\u00e1 uma desconfian\u00e7a&#8221;, explica o executivo. At\u00e9 o momento, somente 20% dos produtores da \u00e1rea da Corol migraram para a Cocamar. &#8220;O espa\u00e7o para crescer \u00e9 enorme.&#8221;<\/p>\n<p>Escolhas. \u00c9 importante que a expans\u00e3o industrial considere bem as voca\u00e7\u00f5es de cada regi\u00e3o, segundo Louren\u00e7o. Para evitar escassez de mat\u00e9rias-primas, a Cocamar fabrica \u00f3leo de soja, caf\u00e9, n\u00e9ctar de frutas e bebidas \u00e0 base de soja. Cerca de 25% do faturamento de R$ 2,1 bilh\u00f5es da cooperativa v\u00eam dos produtos distribu\u00eddos no varejo.<\/p>\n<p>Com essas limita\u00e7\u00f5es em mente, a Cocamar ajustou algumas apostas. A exemplo da Coamo, desistiu da destilaria de \u00e1lcool. Em mar\u00e7o, a cooperativa saiu da industrializa\u00e7\u00e3o de suco de laranja ao vender sua f\u00e1brica \u00e0 multinacional Dreyfus. &#8220;A capacidade era pequena, de 8 milh\u00f5es de toneladas. Eles t\u00eam uma escala bem maior&#8221;, justifica Louren\u00e7o.<\/p>\n<p>Os produtores de laranja &#8211; cultura que a Cocamar introduziu ap\u00f3s a decad\u00eancia do caf\u00e9, nos anos 80 &#8211; continuar\u00e3o a receber assist\u00eancia t\u00e9cnica e comercial. &#8220;Negociamos o pre\u00e7o para tr\u00eas anos. Vamos faturar a laranja do produtor para a Dreyfus.&#8221;<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p>Ap\u00f3s colch\u00e3o anticrise, pa\u00edses t\u00eam como desafio medidas impopulares<\/p>\n<p>O Globo<\/p>\n<p>WASHINGTON. Garantido o aumento dos colch\u00f5es anticrise europeu e mundial, com mais de US$ 1 trilh\u00e3o, o pr\u00f3ximo grande passo dos principais atores da economia global \u00e9 fazer valer em casa o compromisso pol\u00edtico assumido no encontro de primavera do Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI) e do Banco Mundial, de avan\u00e7ar no processo de ajuste fiscal em sintonia fina com o resgate do crescimento internacional. Para isso, ter\u00e3o de demonstrar cacife para bancar reformas antipopulares nas legisla\u00e7\u00f5es de previd\u00eancia e mercado de trabalho, sanear o sistema financeiro e, no caso europeu, criar institui\u00e7\u00f5es de comando central, para supervis\u00e3o banc\u00e1ria e de metas fiscais, que arranham a no\u00e7\u00e3o de soberania.<\/p>\n<p>O objetivo \u00e9 aproveitar o tempo &#8220;comprado&#8221; pelos colch\u00f5es e por algumas medidas estruturais j\u00e1 tomadas para costurar planos de consolida\u00e7\u00e3o fiscal de m\u00e9dio e longo prazos. Para isso, a expans\u00e3o econ\u00f4mica e o aumento da competitividade s\u00e3o cruciais, porque sustentariam a redu\u00e7\u00e3o da d\u00edvida dos pa\u00edses e o manejo de or\u00e7amentos, restaurando a confian\u00e7a dos mercados.<\/p>\n<p>Nas palavras do presidente do comit\u00ea de ministros de Finan\u00e7as do FMI, Tharman Shanmugaratnam, de Cingapura, a janela de oportunidade para implementa\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica de equil\u00edbrio, entre aperto de cinto e est\u00edmulo, \u00e9 de dois a tr\u00eas anos.<\/p>\n<p>&#8211; Na sala de reuni\u00f5es, entre as economias ocidentais, havia uma inten\u00e7\u00e3o muito forte de atacar o cora\u00e7\u00e3o das quest\u00f5es de competitividade, poupan\u00e7a e reconstru\u00e7\u00e3o dos or\u00e7amentos das fam\u00edlias e dos governos &#8211; disse Tharman, advertindo ser &#8220;uma jornada desafiadora, com pol\u00edtica se cruzando com economia&#8221;<\/p>\n<p>No encerramento do encontro do \u00f3rg\u00e3o ministerial do FMI, s\u00e1bado \u00e0 tarde, os pa\u00edses demonstraram comprometimento com a consolida\u00e7\u00e3o fiscal.<\/p>\n<p>&#8211; \u00c9 uma tarefa importante que temos de cumprir, sem demora &#8211; disse Jun Azumi, ministro de Finan\u00e7as do Jap\u00e3o.<\/p>\n<p>Sobre mais est\u00edmulos \u00e0 economia global, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, revelou que h\u00e1 posi\u00e7\u00f5es divididas:<\/p>\n<p>&#8211; Principalmente os pa\u00edses europeus acham que basta continuar a chamada consolida\u00e7\u00e3o fiscal que a economia vai se ajustar. Por\u00e9m, o FMI mostrou um quadro preocupante de queda muito forte na demanda produzida pelos pa\u00edses europeus, e isso contagia o mundo, no sentido de que reduz o mercado para pa\u00edses emergentes, dificulta a recupera\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses europeus. Foi uma discuss\u00e3o intensa.<\/p>\n<p>Ontem, a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, disse que quer elevar o fundo para pa\u00edses pobres em US$ 17 bilh\u00f5es.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\nValor Econ\u00f4mico &#8211; Yu Yongding\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2723\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[106],"tags":[],"class_list":["post-2723","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c119-olhovivo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-HV","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2723","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2723"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2723\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2723"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2723"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2723"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}