{"id":27236,"date":"2021-05-05T23:06:40","date_gmt":"2021-05-06T02:06:40","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=27236"},"modified":"2021-05-05T23:06:40","modified_gmt":"2021-05-06T02:06:40","slug":"a-emancipacao-e-sempre-universal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/27236","title":{"rendered":"A emancipa\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre universal"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.abrilabril.pt\/sites\/default\/files\/styles\/node_aberto_vp768\/public\/assets\/img\/14003.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Entrevista com Asad Haider<\/p>\n<p>AbrilAbril<\/p>\n<p>Por Nuno Ramos de Almeida<\/p>\n<p>\u00c9 filho de imigrantes paquistaneses e nasceu nos Estados Unidos. \u00c9 doutor pela Universidade da Calif\u00f3rnia e foi um dos criadores da revista Viewpoint Magazine. Nesta entrevista ao AbrilAbril fala sobre a import\u00e2ncia da luta antirracista e do combate contra o capitalismo.<\/p>\n<p>Asad Haider \u00e9 autor do livro Mistaken Identities, Race and Class in the Age of Trump (Armadilha da Identidade, Ra\u00e7a e Classe nos Dias de Hoje na edi\u00e7\u00e3o brasileira). Para este intelectual dos EUA, a identidade \u00e9 fruto de uma hist\u00f3ria que s\u00f3 pode ser compreendida caso mergulhemos nas rela\u00e7\u00f5es sociais concretas que a definem. Em termos pol\u00edticos, a pol\u00edtica que \u00e9 s\u00f3 identit\u00e1ria acaba tendo como efeito a reafirma\u00e7\u00e3o das subjetividades coloniais e n\u00e3o uma mudan\u00e7a estrutural efetiva. \u00abOra um negro \u00e9 um negro por causa do racismo, e n\u00e3o porque a sua negritude n\u00e3o seja reconhecida e valorizada; da mesma forma, um branco tamb\u00e9m \u00e9 um branco por causa do racismo e n\u00e3o devido \u00e0 sua &#8220;brancura&#8221;. E n\u00e3o h\u00e1 racismo sem estruturas pol\u00edticas e econ\u00f4micas que sustentem o processo cont\u00ednuo de transforma\u00e7\u00e3o de indiv\u00edduos em &#8220;negros&#8221; e &#8220;brancos&#8221;\u00bb, como defende S\u00edlvio Luiz de Almeida, no pref\u00e1cio da edi\u00e7\u00e3o brasileira do livro de Haider.<\/p>\n<p>Consegue-se fazer pol\u00edtica tendo em conta as identidades, sem ser pol\u00edtica identit\u00e1ria?<\/p>\n<p>Considero a identidade como algo imagin\u00e1rio, mas n\u00e3o uma ilus\u00e3o. Nunca poderemos ser id\u00eanticos a n\u00f3s pr\u00f3prios, como Stuart Hall disse, seremos sempre constitu\u00eddos por uma multiplicidade de coisas diferentes. Ou, nos termos de Judith Butler, estamos sempre a atuar \u00abquem somos\u00bb, e essa atua\u00e7\u00e3o nunca \u00e9 realmente completa. Mas a identidade \u00e9 \u00abreal\u00bb no sentido de que \u00e9 um efeito destas rela\u00e7\u00f5es que temos com os outros e com a sociedade de que nunca estamos plenamente conscientes e que n\u00e3o conseguimos totalmente controlar. Assim, nunca nos livraremos da identidade, da sensa\u00e7\u00e3o de que existe algo que nos une num eu coerente e est\u00e1vel.<\/p>\n<p>At\u00e9 certo ponto, isto significa que haver\u00e1 sempre identidades na pol\u00edtica. Mas n\u00e3o podemos apenas estar satisfeitos com essa situa\u00e7\u00e3o, porque temos de p\u00f4r constantemente em causa as nossas identidades se quisermos ser capazes de trabalhar juntos atrav\u00e9s das diferen\u00e7as e de nos comprometermos coletivamente com um projeto pol\u00edtico. Se a identidade leva a uma exig\u00eancia de reconhecimento por parte de outros, ou a um desejo de pertencer a um grupo que \u00e9 supostamente o \u00abmesmo\u00bb que n\u00f3s, ent\u00e3o isto n\u00e3o \u00e9 pol\u00edtica. Se estamos interessados numa pol\u00edtica de emancipa\u00e7\u00e3o, esta \u00e9 uma pol\u00edtica que \u00e9 para todos, e n\u00e3o apenas para mim.<\/p>\n<p>Assim, embora nunca nos vejamos livres da identidade, n\u00e3o podemos basear a pol\u00edtica nela: n\u00e3o pode ser o fundamento da pol\u00edtica. Mesmo reconhecendo que a identidade persistir\u00e1, temos de olhar para uma pol\u00edtica para todos que v\u00e1 para al\u00e9m das nossas identidades, e temos de trabalhar em conjunto para gerar conhecimento coletivamente, em vez de fazer tudo conectado com a experi\u00eancia individual.<\/p>\n<p>Quais s\u00e3o as rela\u00e7\u00f5es existentes entre capitalismo, racismo e patriarcado?<\/p>\n<p>Este tipo de pergunta n\u00e3o pode ser respondida em abstrato e geralmente, quando as pessoas d\u00e3o respostas, est\u00e3o respondendo a uma pergunta diferente, que \u00e9 algo como: os anticapitalistas devem tamb\u00e9m dar prioridade \u00e0s lutas antirracistas? Dever\u00e3o os socialistas ser tamb\u00e9m feministas? Estas quest\u00f5es, colocadas diretamente, n\u00e3o s\u00e3o muito dif\u00edceis, embora sejam muito gerais. Se acreditamos na emancipa\u00e7\u00e3o universal, ent\u00e3o devemos opor-nos a qualquer forma de domina\u00e7\u00e3o, seja ela de classe, de ra\u00e7a ou de sexo. Mas isto n\u00e3o significa que tenha de haver alguma liga\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria entre as tr\u00eas categorias abstratas. H\u00e1 dois problemas com esta abordagem. Em primeiro lugar, \u00e9 uma tentativa de garantir a corre\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria pol\u00edtica, baseando-a na an\u00e1lise social. Na realidade, a pol\u00edtica emancipat\u00f3ria tem de ser defendida afirmativamente \u2013 um princ\u00edpio absolutamente igualit\u00e1rio e aut\u00f4nomo para a organiza\u00e7\u00e3o da vida humana. Isto nunca pode ser derivado da sociedade que j\u00e1 existe, deve ser formulado de forma independente, e ent\u00e3o a an\u00e1lise social dir-nos-\u00e1 como isto est\u00e1 relacionado com a situa\u00e7\u00e3o existente. O segundo problema \u00e9 que esta n\u00e3o \u00e9 uma an\u00e1lise social materialista porque n\u00e3o passa do abstrato para o concreto. N\u00e3o h\u00e1 nada de errado em come\u00e7ar com abstra\u00e7\u00f5es, mas n\u00e3o podemos assumir que s\u00e3o as ess\u00eancias das coisas, j\u00e1 escondidas na realidade por detr\u00e1s das apar\u00eancias. Na realidade, s\u00e3o conceitos que constru\u00edmos para compreender um todo social complexo. A escravatura das planta\u00e7\u00f5es foi um fen\u00f4meno com muitos aspectos diferentes, mas n\u00e3o se pode dizer que existe aqui uma parte da planta\u00e7\u00e3o que \u00e9 racial e outra parte que \u00e9 econ\u00f4mica. S\u00f3 podemos fazer esta distin\u00e7\u00e3o de forma anal\u00edtica. Assim, em vez de fazer teorias gerais sobre abstra\u00e7\u00f5es, temos de identificar uma situa\u00e7\u00e3o concreta e espec\u00edfica e utilizar conceitos para a compreender, mas em vez de simplificar estes conceitos, devemos torn\u00e1-los mais complexos, compreendendo todas as determina\u00e7\u00f5es que os constituem, e compreendendo a sua conting\u00eancia, como estes fen\u00f3menos podem ser diferentes em diferentes lugares e em diferentes momentos hist\u00f3ricos.<\/p>\n<p>O antirracismo e o feminismo podem ser vistos como formas de luta de classes ou esta \u00e9 limitada \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o entre a classe trabalhadora e a burguesia?<\/p>\n<p>N\u00e3o creio que a pol\u00edtica emancipat\u00f3ria deva mostrar que tudo tem que ver com a luta de classes para que seja uma luta pol\u00edtica que valha a pena travar. N\u00e3o h\u00e1 nada na sociedade de classes que n\u00e3o esteja relacionado com a luta de classes, mas n\u00e3o \u00e9 preciso mostrar que est\u00e1 relacionado com a luta de classes para se opor \u00e0s pr\u00e1ticas racistas da pol\u00edcia, ou para defender o direito das mulheres ao aborto. Como mencionei anteriormente, a oposi\u00e7\u00e3o ao capitalismo \u00e9 baseada numa afirma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica subjacente que se op\u00f5e a qualquer forma de domina\u00e7\u00e3o. Aqueles que est\u00e3o empenhados em pol\u00edticas emancipat\u00f3rias devem ser contra a domina\u00e7\u00e3o racial e sexual, e devem estar envolvidos na luta de classes. A partir da\u00ed, temos de determinar que tipos de lutas, programas e estrat\u00e9gias, ir\u00e3o perseguir mais eficazmente os nossos objetivos; n\u00e3o devemos partir da premissa de que cada opress\u00e3o \u00e9 igualmente importante e que devemos abordar todas as quest\u00f5es de uma s\u00f3 vez, e assim por diante. Temos de determinar estrategicamente o que faz avan\u00e7ar e sustenta a luta coletiva, e isto envolver\u00e1 passos em que as decis\u00f5es sobre prioridades t\u00eam de ser tomadas.<\/p>\n<p>O racismo pode ser visto como uma estrat\u00e9gia para dividir os oprimidos, mas ser\u00e1 que existem formas de antirracismo que tamb\u00e9m dividem os oprimidos?<\/p>\n<p>Isto depende do que se entende por antirracismo. Se o quisermos dizer de uma forma simples, cotidiana, para sermos contra o racismo, n\u00e3o h\u00e1 nada que divida nisto. \u00c9 uma posi\u00e7\u00e3o b\u00e1sica da dec\u00eancia humana que a maioria das pessoas partilha e n\u00e3o h\u00e1 maneira de considerarmos que isto seja divisionista. Se nos referimos a um conjunto mais espec\u00edfico de ideologias ou pr\u00e1ticas, pode ser diferente. Se antirracismo significa que acreditamos que a desigualdade deve ser proporcional \u00e0 demografia racial \u2013 ou seja, que a percentagem de milion\u00e1rios negros deve ser igual \u00e0 sua cota-parte da popula\u00e7\u00e3o, e que a percentagem de pessoas na pobreza tamb\u00e9m deve ser racialmente proporcional, e assim por diante, isto introduz divis\u00f5es entre os oprimidos, implicando falsamente que os pobres negros e os milion\u00e1rios negros partilham um interesse que os coloca contra os pobres brancos. Se antirracismo significa policiar a linguagem uns dos outros, denunciar as pessoas porque n\u00e3o usam a terminologia certa, tentar fazer com que os brancos se sintam culpados, ent\u00e3o isto tamb\u00e9m divide os oprimidos. Ningu\u00e9m \u00e9 \u00abpuro\u00bb e virtuoso, todos est\u00e3o aprendendo, e os processos pol\u00edticos deveriam permitir \u00e0s pessoas trabalhar atrav\u00e9s dessas contradi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Como \u00e9 que a luta pelos direitos civis nos Estados Unidos se transformou de uma luta social em um combate em rela\u00e7\u00e3o aos direitos individuais?<\/p>\n<p>A luta pelos direitos civis nos Estados Unidos foi uma luta pela emancipa\u00e7\u00e3o universal. Adotou uma linguagem muito espec\u00edfica e um conjunto espec\u00edfico de objetivos adequados \u00e0 sua situa\u00e7\u00e3o: a segrega\u00e7\u00e3o legal. Quando obrigou o Estado a introduzir novas leis, a situa\u00e7\u00e3o mudou. Houve ent\u00e3o uma crise para o movimento, e seguiram-se muitas abordagens diferentes, desde a milit\u00e2ncia do poder negro at\u00e9 aos presidentes de c\u00e2mara negros e ao capitalismo negro. A quest\u00e3o dos direitos individuais ganhou realce p\u00fablico quando este movimento chegou ao fim, como acontece em todas as sequ\u00eancias pol\u00edticas. Ent\u00e3o a situa\u00e7\u00e3o muda, e uma nova sequ\u00eancia pol\u00edtica tem de come\u00e7ar. A luta pelos direitos civis continua a ser um ponto fundamental na hist\u00f3ria global da pol\u00edtica emancipat\u00f3ria.<\/p>\n<p>O movimento negro n\u00e3o foi a grande express\u00e3o da luta de classes nos EUA?<\/p>\n<p>W.E.B. Du Bois [soci\u00f3logo, historiador e activista nos EUA] disse que a grande trag\u00e9dia dos Estados Unidos era que os dois movimentos de trabalhadores, o movimento oper\u00e1rio dos assalariados brancos e o movimento abolicionista, nunca conseguiram se unir. O movimento de aboli\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o era um movimento oper\u00e1rio, o movimento dos trabalhadores submetidos ao trabalho for\u00e7ado. Era parte da luta de classes. E o movimento dos direitos civis era tamb\u00e9m parte da luta de classes, como disseram claramente as pessoas envolvidas, mas penso que podemos querer distinguir entre a luta de classes e a luta de massas. A luta de classes \u00e9 fundamental, mas n\u00e3o explica necessariamente tudo. Queremos uma sociedade sem classes, mas isto s\u00f3 pode ser feito com base numa intelig\u00eancia de massas, igualdade e a\u00e7\u00e3o com as massas, que n\u00e3o pode ser definida apenas em termos de classe. Na hist\u00f3ria do marxismo, a categoria das massas expressa o fato de a luta n\u00e3o ter sido apenas a do proletariado, mas tamb\u00e9m a dos camponeses e dos povos colonizados. O movimento negro era um movimento de massas, e temos de manter a ideia de massas que podem agir e mudar a realidade.<\/p>\n<p>O seu livro faz uma cr\u00edtica \u00e0 ideia de \u00abnegritude\u00bb, mas esta n\u00e3o pode ser vista como uma pol\u00edtica que, antes de construir pontes com outros setores sociais, tem a necessidade de valorizar um grupo social?<\/p>\n<p>O que critico no meu livro \u00e9 qualquer forma de excepcionalismo sobre categorias de identidade. Os movimentos negros hist\u00f3ricos ligaram as suas lutas \u00e0s lutas globais contra o imperialismo e a explora\u00e7\u00e3o. Eles sabiam que n\u00e3o fazer essas liga\u00e7\u00f5es era suicida, mas tamb\u00e9m que era incompat\u00edvel com a sua afirma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de emancipa\u00e7\u00e3o universal. Isto n\u00e3o significa que n\u00e3o haja lugar para a autonomia. Em certas situa\u00e7\u00f5es, pode ser l\u00f3gico que os negros ou qualquer outro grupo se organize de forma independente, para contrariar as hierarquias que s\u00e3o produzidas na pol\u00edtica. Se todos os l\u00edderes de uma organiza\u00e7\u00e3o s\u00e3o brancos, faz sentido ter uma organiza\u00e7\u00e3o negra. E certamente, muitas pessoas tomar\u00e3o consci\u00eancia da pol\u00edtica atrav\u00e9s de uma consci\u00eancia da sua experi\u00eancia de racismo. Mas a passagem para a pol\u00edtica leva-nos sempre para fora de n\u00f3s pr\u00f3prios.<\/p>\n<p>Nas novas lutas de identidade, n\u00e3o haver\u00e1 uma sobrevaloriza\u00e7\u00e3o das caracter\u00edsticas do discurso e da linguagem na luta antirracista e antimachista? No sentido de considerar que esta cristaliza uma determinada opress\u00e3o?<\/p>\n<p>Sim, a pol\u00edtica de identidade transforma problemas concretos de organiza\u00e7\u00e3o e pr\u00e1ticos em problemas de discurso puro, ou poder\u00edamos dizer \u00abetiqueta\u00bb. \u00c9 suposto usar as palavras certas, fazer confiss\u00f5es, expressar a nossa culpa, mas n\u00e3o se faz nada para mudar a estrutura social. De fato, torna imposs\u00edvel mudar a estrutura social, porque estas formas de falar s\u00e3o fundamentalmente desprovidas de poder. Fazem-nos odiar e desconfiar uns dos outros, sentir medo e culpa, e impedem-nos de perguntar como podemos fazer mudan\u00e7as materiais. Se um grupo \u00e9 constitu\u00eddo principalmente por brancos, que medidas podem ser tomadas para mudar isto? Os brancos sentirem-se culpados por si pr\u00f3prios n\u00e3o muda absolutamente nada. S\u00f3 a atividade pr\u00e1tica, pol\u00edtica e organizada pode mudar esta situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para derrotar o capitalismo, o racismo e o patriarcado, n\u00e3o ser\u00e1 necess\u00e1rio ter uma pr\u00e1tica pol\u00edtica e uma ideologia que v\u00e1 para al\u00e9m dos particularismos e que tenha a ambi\u00e7\u00e3o de ser universal?<\/p>\n<p>O universal \u00e9 uma categoria muito provocadora em alguns aspectos. Muitas pessoas salientam que as pot\u00eancias coloniais afirmavam ser universais, e este universalismo fazia parte da ideologia da domina\u00e7\u00e3o europeia. N\u00e3o \u00e9 surpreendente que, depois dessa hist\u00f3ria, sejamos c\u00e9ticos quanto a esta palavra. No entanto, ao mesmo tempo, n\u00e3o podemos passar sem universais. O princ\u00edpio das revoltas dos escravos, como a que ocorreu no Haiti contra o suposto universalismo da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa, n\u00e3o \u00e9 que algumas pessoas possam ser escravas, mas n\u00f3s n\u00e3o o possamos ser; \u00e9 que ningu\u00e9m deve ser escravo. Prefiro agora n\u00e3o enfatizar a palavra \u00abuniversal\u00bb, mas sim a palavra \u00abemancipa\u00e7\u00e3o\u00bb. A emancipa\u00e7\u00e3o \u00e9 inerentemente universal, porque deve ser aplicada a todos. \u00c9 tudo o que queremos dizer quando dizemos \u00abuniversal\u00bb. Se \u00e9 apenas emancipa\u00e7\u00e3o para alguns, \u00e9 uma falsa emancipa\u00e7\u00e3o. Devemos manter um compromisso com a emancipa\u00e7\u00e3o hoje, e isto significa que deve ser poss\u00edvel para todos assumir a luta, visando alcan\u00e7ar uma sociedade que seja para todos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/27236\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[165],"tags":[226],"class_list":["post-27236","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-eua","tag-4b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-75i","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27236","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=27236"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27236\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=27236"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=27236"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=27236"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}