{"id":27262,"date":"2021-05-10T00:11:23","date_gmt":"2021-05-10T03:11:23","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=27262"},"modified":"2021-05-11T20:42:47","modified_gmt":"2021-05-11T23:42:47","slug":"3b","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/27262","title":{"rendered":"Pandemia, fome e organiza\u00e7\u00e3o popular"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\"  alt=\"imagem\"  src=\"https:\/\/i0.wp.com\/revistaopera.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/pera-5-218x150.jpeg\"\/><!--more-->A esquerda revolucion\u00e1ria faltou ao encontro?<\/p>\n<p>Em um cen\u00e1rio tr\u00e1gico, desolador e brutal, \u00e9 necess\u00e1rio organizar uma pol\u00edtica nacional de solidariedade e combate \u00e0 fome.<\/p>\n<p>Por Jones Manoel | Revista Opera<\/p>\n<p>Qualquer pessoa que em algum momento da sua vida participou de uma assembleia sindical, estudantil ou comunit\u00e1ria, um debate sobre os rumos das esquerdas ou mesmo em um dos intermin\u00e1veis \u201cdi\u00e1logos\u201d virtuais sobre pol\u00edtica, j\u00e1 ouviu a express\u00e3o \u201cprecisamos voltar a fazer trabalho de base\u201d. Se fosse um time de futebol, o trabalho de base seria o mais popular da esquerda brasileira. Todo mundo concorda que estamos falhando no trabalho de base; todos concordam que precisamos refor\u00e7ar o trabalho de base. <\/p>\n<p>O problema \u00e9 que, via de regra, essa frase ecoa vazia na estante das abstra\u00e7\u00f5es. No geral, depois do \u201cprecisamos fazer trabalho de base\u201d, v\u00eam outras frases gen\u00e9ricas como \u201cprecisamos ir nas favelas\u201d ou \u201ctemos que dialogar com o povo\u201d. Eu tamb\u00e9m concordo que precisamos fazer trabalho de base, mas pretendo, neste escrito, falar concretamente de um tipo de trabalho de base, visando um resultado espec\u00edfico, como parte de uma estrat\u00e9gia pol\u00edtica bem definida \u2013 ou seja: sobre como, para efetivar um bom trabalho de base, n\u00e3o baste o trabalho nas bases.<\/p>\n<p>Primeiro, precisamos definir esse conceito de trabalho de base \u2013 um conceito amplamente utilizado pela milit\u00e2ncia de esquerda brasileira, mas pouco definido. N\u00e3o \u00e9 o caso de \u201creinventar\u201d a roda, mas de precisar o bom-senso que j\u00e1 mais ou menos estabelecido no senso comum: compreendemos o trabalho de base como toda a\u00e7\u00e3o organizativa, pol\u00edtica, comunicacional e cultural que visa potencializar (ou mesmo iniciar) a organiza\u00e7\u00e3o de determinado segmento da sociedade (no caso dos comunistas, as fra\u00e7\u00f5es do proletariado s\u00e3o entendidas como segmentos priorit\u00e1rios, estrat\u00e9gicos, por se tratar da classe oprimida basilar da sociedade capitalista, mas o mesmo vale para segmentos do campesinato, da pequena burguesia empobrecida das cidades, etc.), elevando nesse processo seu n\u00edvel de consci\u00eancia, a partir de sua realidade de estudo, trabalho, moradia ou de alguma demanda espec\u00edfica por pol\u00edticas p\u00fablicas (como creches, postos de sa\u00fade, melhora na ilumina\u00e7\u00e3o, obras para conter alagamentos e desabamento de morros etc.).<\/p>\n<p>Contudo, isso basta? \u00c9 evidente que n\u00e3o: falta ainda preencher esta forma de atua\u00e7\u00e3o de conte\u00fado, determin\u00e1-la. Essa a\u00e7\u00e3o pode estar conectada apenas a uma iniciativa local ou ser parte de uma estrat\u00e9gia e programa pol\u00edtico nacional; pode ter por finalidade \u00faltima uma pol\u00edtica revolucion\u00e1ria ou reformista; pode basear-se na independ\u00eancia de classe do proletariado ou estar ligada a iniciativas assistencialistas empresariais; pode, ainda, ser uma iniciativa digna do nome \u201ctrabalho de base\u201d, que aprofunda os la\u00e7os entre seus agentes e as camadas sociais que se pretende organizar e educar, produzindo um saldo org\u00e2nico efetivo, ou  pode ser apenas uma a\u00e7\u00e3o espor\u00e1dica, que n\u00e3o vai al\u00e9m da entrega de panfletos aos ventos, que busca estabelecer uma comunica\u00e7\u00e3o ampla com as massas sem, contudo, aprofundar um verdadeiro trabalho organizativo entre as massas. E aqui come\u00e7a o problema: muitas vezes \u00e9 essa forma ef\u00eamera e perform\u00e1tica de trabalho entre as massas que se tem em mente quando se fala no \u201ctrabalho de base\u201d. A cria\u00e7\u00e3o de conex\u00f5es nas comunidades, o lento e invis\u00edvel trabalho de conhecer pessoas, seus nomes e hist\u00f3rias, de criar confian\u00e7a e condi\u00e7\u00f5es para uma comunica\u00e7\u00e3o e uma organiza\u00e7\u00e3o cada vez mais efetivas\u2026 tudo isso parece ser muito menos animador do que a promo\u00e7\u00e3o de uma ou outra iniciativa pontual de agita\u00e7\u00e3o ou propaganda. <\/p>\n<p>Essa concep\u00e7\u00e3o de \u201ctrabalho de base\u201d pode at\u00e9 bastar para as organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas que apenas desejam, de dois em dois anos, obter alguns votos \u2013 e aquelas que atuam nas comunidades principalmente atrav\u00e9s do assistencialismo, da libera\u00e7\u00e3o de uma ou outra emenda parlamentar para uma demanda pontual, etc. Mas, para os revolucion\u00e1rios e as revolucion\u00e1rias do Brasil, isso \u00e9 totalmente insuficiente. Precisamos de muito mais, no que defendemos a necessidade da Revolu\u00e7\u00e3o Brasileira \u2013 isto \u00e9, da constru\u00e7\u00e3o do socialismo e do poder popular no Brasil, algo que s\u00f3 poder\u00e1 ser alcan\u00e7ada pela destrui\u00e7\u00e3o do Estado burgu\u00eas, atrav\u00e9s da mais vigorosa a\u00e7\u00e3o das classes exploradas numa Frente Anticapitalista e Anti-imperialista. Essa estrat\u00e9gia pol\u00edtica, por defini\u00e7\u00e3o, caso queira se viabilizar historicamente, tem na classe trabalhadora a sua principal deposit\u00e1ria. E um programa revolucion\u00e1rio socialista, para que tenha sucesso, precisa conquistar os setores mais avan\u00e7ados e organizados desta classe, e arrastar consigo, com n\u00edveis variados de engajamento pol\u00edtico, as massas populares pobres, exploradas e oprimidas.<\/p>\n<p>Enquanto um programa revolucion\u00e1rio deste tipo esteja restrito ou majoritariamente referenciado pelas camadas m\u00e9dias, especialmente seus setores mais intelectualizados, ele pode ser considerado apenas como um programa potencialmente prolet\u00e1rio. \u00c9 prolet\u00e1rio nas suas inten\u00e7\u00f5es, mas que s\u00f3 concretiza realmente seu car\u00e1ter prolet\u00e1rio \u2013 e revolucion\u00e1rio \u2013 quando os produtores de toda riqueza reconhecem e guiam sua a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica por esse programa.  \u00c9 esse, inclusive, o sentido da frase de Marx de que cada passo do movimento real \u00e9 mais importante que meia d\u00fazia de programas. Essa frase n\u00e3o expressa um desprezo pelo debate program\u00e1tico, mas uma lembran\u00e7a de que o programa socialista n\u00e3o pode andar separado do movimento real da classe trabalhadora. <\/p>\n<p>Nesse sentido, o trabalho de base que defendemos \u00e9 um meio, uma media\u00e7\u00e3o, para organizar a classe trabalhadora e potencializar a influ\u00eancia do programa revolucion\u00e1rio no seu seio; as lutas imediatas por reformas, melhorias e pol\u00edticas p\u00fablicas s\u00e3o um meio \u2013 e n\u00e3o um fim \u2013 para fortalecer a base de massas da estrat\u00e9gia revolucion\u00e1ria. Sem entrar em movimento, o povo trabalhador n\u00e3o pode sentir as correntes que o prendem. E a massa do povo trabalhador n\u00e3o come\u00e7ar\u00e1 a se mover sob o impulso de abstra\u00e7\u00f5es conceituais como o fim da aliena\u00e7\u00e3o humana e do trabalho estranhado, ou porque foi convencido da ontonegatividade da pol\u00edtica. A luta da massa come\u00e7a a partir dos problemas imediatos e nada imateriais da paz, da terra, do trabalho, da moradia etc, e s\u00f3 da\u00ed pode mover-se em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 luta pelo poder e por uma nova concep\u00e7\u00e3o de mundo.<\/p>\n<p>A passagem das formas de luta por objetivos mais imediatos \u2013 ou, nos termos de L\u00eanin, a luta econ\u00f4mico-corporativa \u2013 para a luta com objetivos (e meios) revolucion\u00e1rios \u00e9 um processo tendencialmente lento, demorado, sujeito a avan\u00e7os e recuos. E para que sejam poss\u00edveis esses avan\u00e7os, \u00e9 preciso que os revolucion\u00e1rios fa\u00e7am parte do povo trabalhador, educando-o e sendo por ele educado, forjando consci\u00eancia revolucion\u00e1ria na luta pol\u00edtica real (de novo, nos dizeres de L\u00eanin: \u201cse fundindo, at\u00e9 certo ponto, com as massas\u201d).<\/p>\n<p>N\u00e3o passa de um pensamento pequeno-burgu\u00eas, t\u00edpico das camadas m\u00e9dias intelectualizadas, imaginar que o sucesso da revolu\u00e7\u00e3o depende da cria\u00e7\u00e3o de um marxismo puro, o mais \u201crefinado\u201d poss\u00edvel, forjado entre uma defesa e outra de disserta\u00e7\u00f5es e teses de doutorado, e um dia, quando todas as alternativas reformistas \u201cfalharem\u201d, o proletariado, finalmente, vai \u201centender\u201d ou \u201cver\u201d que s\u00f3 a revolu\u00e7\u00e3o \u00e9 o caminho e buscar esse marxismo puro deixando em incubadora at\u00e9 o grande dia. Isso \u00e9 qualquer coisa, menos o marxismo de Marx, Engels, L\u00eanin e toda tradi\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria. <\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos as esquerdas revolucion\u00e1rias, em particular os comunistas, t\u00eam avan\u00e7ado em penetra\u00e7\u00e3o social, mas num ritmo muito lento para as necessidades da tomada do poder. Esse avan\u00e7o, nesse momento, ainda se concentra em funcion\u00e1rios p\u00fablicos, na juventude, nos setores profissionalmente intelectualizados da sociedade e ligados \u00e0 cultura, e entre os trabalhadores de melhor n\u00edvel salarial e de instru\u00e7\u00e3o. Os setores ultra-precarizados da classe trabalhadora, aqueles que sobrevivem nas favelas, morros e alagados, ainda s\u00e3o pouco tocados pela propaga\u00e7\u00e3o e a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica das esquerdas radicais \u2013 embora, na \u00faltima d\u00e9cada, tenha crescido a olhos vistos o n\u00famero de jovens dessas camadas que se inserem no movimento revolucion\u00e1rio, n\u00e3o apenas como militantes pr\u00e1ticos, mas tamb\u00e9m como intelectuais org\u00e2nicos.<\/p>\n<p>As dificuldades para potencializar o trabalho pol\u00edtico nesses setores s\u00e3o m\u00faltiplas. De novo, s\u00f3 um pensamento abstrato e pequeno-burgu\u00eas vai resumir tudo a uma quest\u00e3o de \u201cvontade\u201d. Gosto sempre de contar o exemplo de quando tentei ser presidente da associa\u00e7\u00e3o de moradores da minha favela. Mesmo sendo nascido e criado no local \u2013 prata da casa, como diz o ditado -, fui amea\u00e7ado e sofri v\u00e1rias press\u00f5es pol\u00edticas, ao ponto de desistir de fazer a disputa. Se eu n\u00e3o consegui furar essa barreira, imagine algu\u00e9m de fora da favela. <\/p>\n<p>A pandemia, por\u00e9m, abriu uma janela hist\u00f3rica como um derivado n\u00e3o esperado da a\u00e7\u00e3o de exterm\u00ednio da burguesia. Como sabemos, o governo liberal-fascista de Bolsonaro, aplicando o receitu\u00e1rio aprovado pela maioria das fra\u00e7\u00f5es da burguesia, opera uma pol\u00edtica de morte e de fome que coloca na situa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a alimentar metade dos lares brasileiros, e 20 milh\u00f5es de trabalhadores em situa\u00e7\u00e3o de fome total. <\/p>\n<p>A tend\u00eancia, dada a n\u00e3o renova\u00e7\u00e3o do aux\u00edlio emergencial de 600 reais para 2021, \u00e9 que a fome cres\u00e7a ainda mais nesse ano. Ali\u00e1s, crescer n\u00e3o \u00e9 a palavra correta: teremos uma explos\u00e3o de fome no Brasil, uma verdadeira crise humanit\u00e1ria. Esse cen\u00e1rio tr\u00e1gico, desolador e brutal, apresenta uma necessidade: a\u00e7\u00f5es coletivas de solidariedade como forma de combater e mitigar a fome em paralelo \u00e0 cobran\u00e7a pela volta do aux\u00edlio emergencial no valor de um sal\u00e1rio m\u00ednimo, redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho sem redu\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rios, programa governamental de gera\u00e7\u00e3o de emprego e fortalecimento das pol\u00edticas de assist\u00eancia social (como bandeiras do dia a dia conectadas com outras maiores, como a revoga\u00e7\u00e3o do teto de gastos, \u201cautonomia\u201d do Banco Central, revers\u00e3o das privatiza\u00e7\u00f5es, etc). <\/p>\n<p>Nessa situa\u00e7\u00e3o de fome, algumas tend\u00eancias se apresentam. Em primeiro lugar, facilita-se a aceita\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es de solidariedade das organiza\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias. Hoje \u00e9 muito mais f\u00e1cil entrar numa favela ou morro do que antes. A chance de recha\u00e7o \u00e9 bem menor \u2013 o que n\u00e3o diminui a necessidade de a\u00e7\u00f5es planejadas, bem pensadas e com \u00f3timo conhecimento territorial. <\/p>\n<p>Em segundo lugar, a nossa classe trabalhadora (por uma s\u00e9rie de motivos, como sua matriz cultural cat\u00f3lica) nutre forte sentimento de gratid\u00e3o, n\u00e3o se esquece com facilidade de quem, em momentos de dificuldade extrema, lhe estendeu a m\u00e3o. As a\u00e7\u00f5es de solidariedade na luta contra a fome s\u00e3o uma oportunidade de estabelecer uma ponte para diversas outras a\u00e7\u00f5es de trabalho pol\u00edtico a longo prazo. Deixar\u00edamos de ser \u201caquele povo que s\u00f3 pensa em pol\u00edtica\u201d para virar \u201co povo que ajudou as fam\u00edlias quando elas passavam fome\u201d \u2013 desse modo, ser\u00e1 infinitamente mais f\u00e1cil, num segundo momento, explicar que tamb\u00e9m essa \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica! As possibilidades de forjar v\u00ednculos de reconhecimento, respeito, simpatia e boa vontade, indispens\u00e1veis num trabalho de base duradouro, s\u00e3o gigantescas.<\/p>\n<p>Em terceiro lugar, mas de forma alguma menos importante, temos uma obriga\u00e7\u00e3o \u00e9tica, moral e pol\u00edtica, como revolucion\u00e1rios, de fazer o m\u00e1ximo para garantir a sobreviv\u00eancia f\u00edsica de nossa classe. As organiza\u00e7\u00f5es da esquerda revolucion\u00e1ria t\u00eam um bom percentual de professores universit\u00e1rios, funcion\u00e1rios p\u00fablicos de sal\u00e1rios m\u00e9dios e altos e profissionais liberais com uma renda pr\u00f3xima do que chamamos de \u201cclasse m\u00e9dia\u201d. T\u00eam capacidade, a partir de uma disciplina de cotiza\u00e7\u00e3o financeira, de financiar atividades de solidariedade e combate \u00e0 fome e tocar campanhas de arrecada\u00e7\u00e3o de alimentos e fundos para essa finalidade.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que entidades empresariais de diversos estados v\u00eam promovendo a\u00e7\u00f5es demag\u00f3gicas de doa\u00e7\u00f5es de cestas b\u00e1sicas e, como contraponto, exigindo liberaliza\u00e7\u00e3o irrestrita de todas as atividades (como se n\u00e3o existisse mais pandemia). Grandes bancos, grupos de m\u00eddias e grupos monopolistas, como forma de melhorar sua imagem p\u00fablica, tamb\u00e9m come\u00e7aram campanhas demag\u00f3gicas de solidariedade. <\/p>\n<p>H\u00e1 uma percep\u00e7\u00e3o generalizada de que quem fizer mais agora, ter\u00e1 possibilidades de conquistar bases sociais para seu projeto pol\u00edtico de momento ou de longo prazo. No caso da esquerda revolucion\u00e1ria, n\u00e3o se tratam de a\u00e7\u00f5es demag\u00f3gicas e de sabotagem \u00e0 quarentena, mas de uma genu\u00edna solidariedade de classe, calcada numa \u00e9tica comunista e uma vis\u00e3o estrat\u00e9gica de poder: a solidariedade pode e deve ser pensada tamb\u00e9m como um meio de aprofundar a influ\u00eancia de massas \u2013 e esse realismo pol\u00edtico, friso, n\u00e3o nega a dimens\u00e3o solid\u00e1ria e \u00e9tica da a\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Muito vem sendo feito? Sim, o MST j\u00e1 doou toneladas e mais toneladas de alimentos. O MTST vem investindo na cria\u00e7\u00e3o de cozinhas solid\u00e1rias por v\u00e1rias cidades do Brasil. Militantes do PCB nas capitais e interiores de S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro, Foz do Igua\u00e7u, Cear\u00e1 e tantos outros lugares v\u00eam se empenhando muito. Mas, como leninistas, dever\u00edamos saber da necessidade de uma pol\u00edtica nacional, coordenada, planejada, operada de forma estrat\u00e9gica.<\/p>\n<p>Diria mais: esse \u00e9 o momento para uma organiza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria n\u00e3o s\u00f3 tocar uma pol\u00edtica nacional de solidariedade e combate \u00e0 fome, mas tamb\u00e9m de colocar-se, na sua agita\u00e7\u00e3o e propaganda, como o sujeito pol\u00edtico por excel\u00eancia inimigo da fome. Como o maior defensor da volta do aux\u00edlio emergencial no valor de um sal\u00e1rio m\u00ednimo, do emprego e das condi\u00e7\u00f5es de vida da classe trabalhadora, em paralelo com a vacina\u00e7\u00e3o. Comida, vacina e emprego \u00e9 o nosso \u201cp\u00e3o, paz e terra\u201d \u2013 a famosa palavra de ordem bolchevique que foi cumprida com a Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro. <\/p>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil entender a falta de uma pol\u00edtica nacional, centralizada, planejada e totalmente voltada para essa iniciativa. E n\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 falta de dinheiro. Quando quiseram, organiza\u00e7\u00f5es pequenas e com poucos recursos conseguiram criar e legalizar um partido pol\u00edtico; conseguem realizar iniciativas pol\u00edticas de escala nacional, como a tiragem de delegados e as caravanas para Congresso da UNE; conseguiram no ano passado, em escala nacional, disputar elei\u00e7\u00f5es em mais de 2 mil munic\u00edpios. <\/p>\n<p>Evidentemente, algumas organiza\u00e7\u00f5es t\u00eam mais condi\u00e7\u00f5es que outras. PT, PCdoB, PDT e PSOL t\u00eam infinitamente mais recursos (em especial o primeiro) que as organiza\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias e comunistas. Mas pouco dinheiro e estrutura explica a pequena escala de uma pol\u00edtica nacional, e n\u00e3o a sua aus\u00eancia. <\/p>\n<p>Aprendi com L\u00eanin a nunca reclamar do povo trabalhador e sempre olhar para nossos problemas enquanto vanguarda pol\u00edtica: \u00e9 sobre a vanguarda, e n\u00e3o sobre a massa, que devem cair as responsabilidades pol\u00edticas e hist\u00f3ricas! \u00c9 c\u00f4modo lamentar a despolitiza\u00e7\u00e3o do povo trabalhador e se queixar, por exemplo, do poder e influ\u00eancia das igrejas evang\u00e9licas neopentecostais, e, num momento como esse, n\u00e3o agirmos como leninistas, deixando as bases operar uma pol\u00edtica artesanal \u2013 ou n\u00e3o operar. <\/p>\n<p>O cavalo passa encilhado na nossa frente. Seu Z\u00e9 e Dona Maria podem terminar o ano lembrando que foi aquele povo de camisa vermelha que usa a foice e o martelo que ajudou a salvar sua vida \u2013 ou ent\u00e3o reclamando do isolamento social e dizendo que o presidente Bolsonaro foi o \u00fanico que queria tudo aberto para ter emprego\u2026 A nossa a\u00e7\u00e3o e omiss\u00e3o ter\u00e1 papel central nessa percep\u00e7\u00e3o de Seu Z\u00e9 e Dona Maria. N\u00e3o \u00e9 tempo para erros, pol\u00edtica artesanal e vacila\u00e7\u00e3o. \u00c9 tempo de a\u00e7\u00e3o e de construir hoje o futuro!<\/p>\n<p>Jones Manoel \u00e9 historiador, mestre em Servi\u00e7o Social, educador popular e militante do PCB.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/27262\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[7,1],"tags":[224],"class_list":["post-27262","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s8-brasil","category-geral","tag-3b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/s659gw-3b","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27262","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=27262"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27262\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=27262"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=27262"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=27262"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}