{"id":27271,"date":"2021-05-12T13:57:24","date_gmt":"2021-05-12T16:57:24","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=27271"},"modified":"2021-05-12T13:57:24","modified_gmt":"2021-05-12T16:57:24","slug":"nao-ao-acordo-de-livre-comercio-mercosul-ue","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/27271","title":{"rendered":"N\u00e3o ao Acordo de Livre Com\u00e9rcio Mercosul-UE!"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/lh3.googleusercontent.com\/pw\/ACtC-3fe1WJqpkygDQuUy-6C0ipsGSv47v3E9PKllkbkiWY2wsaR538eVydANDgox6xbODno7S3ckYe5wKBRqlZF8MdHo_rPBjekqwCxdtNSWKjVbF9akHLVOiI8xBimECbJOipihzhHCKLV6zQM3iuk-adb=w600-h401-no\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Maila Costa \u2013 militante do PCB de Caxias do Sul (RS)<\/p>\n<p>Menos de uma d\u00e9cada ap\u00f3s a cria\u00e7\u00e3o do Mercosul (1991), que integra Brasil, Paraguai, Argentina e Uruguai em uma \u00e1rea de livre com\u00e9rcio e circula\u00e7\u00e3o de pessoas, j\u00e1 se iniciavam os di\u00e1logos sobre um poss\u00edvel acordo comercial com a Uni\u00e3o Europeia. Entretanto, as negocia\u00e7\u00f5es n\u00e3o avan\u00e7aram, em parte, devido aos pa\u00edses do Mercosul terem tido seus governos neoliberais substitu\u00eddos por presidentes de esquerda, ainda que moderada, mas que priorizaram a integra\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>Com a ascens\u00e3o do neoliberalismo nos \u00faltimos anos, o documento voltou para a pauta e, em 2019, o Acordo de Livre Com\u00e9rcio Mercosul-UE foi assinado, depois de vinte anos de negocia\u00e7\u00f5es a portas fechadas, sem envolver as popula\u00e7\u00f5es potencialmente afetadas. No Brasil, o golpista Michel Temer foi o respons\u00e1vel por retomar as negocia\u00e7\u00f5es e o presidente genocida Jair Bolsonaro por assinar o acordo. Na Argentina, Mauricio Macri aquiesceu ao tratado. Os dois pa\u00edses representam 97% da economia do bloco. No momento, o documento est\u00e1 sendo revisado pelas duas partes e depois ser\u00e1 traduzido nas l\u00ednguas de todos os pa\u00edses envolvidos e apresentado ao Congresso para ratifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O acordo, que permitir\u00e1 a elimina\u00e7\u00e3o ou a redu\u00e7\u00e3o de tarifas de importa\u00e7\u00e3o de produtos comercializados entre os dois blocos, n\u00e3o \u00e9 uma boa not\u00edcia para a classe trabalhadora, principalmente para os trabalhadores do campo de ambos os lados do Atl\u00e2ntico. Ele \u00e9 uma amea\u00e7a social e ecol\u00f3gica que serve \u00e0s grandes transnacionais europeias e seus objetivos imperialistas de importa\u00e7\u00e3o de mat\u00e9rias primas baratas, privatiza\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os e amplia\u00e7\u00e3o de mercados para seus produtos industrializados. Em contrapartida, o tratado \u00e9 de interesse dos latifundi\u00e1rios do Mercosul, pois pode proporcionar lucros extraordin\u00e1rios atrav\u00e9s da intensifica\u00e7\u00e3o do modelo agroindustrial, intensivo e de monocultura, com arranjos neocoloniais, onde o bloco funcionaria como fornecedor de mat\u00e9rias primas agr\u00edcolas.<\/p>\n<p>Trata-se claramente de uma morte planejada do setor pecu\u00e1rio e agr\u00edcola na Europa \u00e0s custas da degrada\u00e7\u00e3o da natureza, desemprego, precariza\u00e7\u00e3o de postos de trabalho, viola\u00e7\u00e3o dos modos de vida dos povos tradicionais, abuso animal e desindustrializa\u00e7\u00e3o do nosso grupo ao mesmo tempo que do abandono dos produtores europeus. Isto em troca da abertura do mercado do Mercosul aos autom\u00f3veis, m\u00e1quinas, produtos qu\u00edmicos e medicamentos europeus, cujo principal benefici\u00e1rio seria a Alemanha, que segue exportando pesticidas que n\u00e3o s\u00e3o mais autorizados na Uni\u00e3o Europeia. Al\u00e9m disso, \u00e9 importante lembrar que montadoras j\u00e1 t\u00eam fechado suas plantas no Brasil.<\/p>\n<p>Para os capitalistas que manejam o agroneg\u00f3cio, o destino e as consequ\u00eancias da produ\u00e7\u00e3o de soja, milho ou carne pouco importam. A intensifica\u00e7\u00e3o deste modelo agr\u00edcola contribui para a devasta\u00e7\u00e3o de regi\u00f5es inteiras, como o Cerrado, que j\u00e1 teve mais de sua metade destru\u00edda em fun\u00e7\u00e3o do agroneg\u00f3cio, e a Amaz\u00f4nia, que est\u00e1 constantemente sob ataque. A produ\u00e7\u00e3o animal, um dos mercados centrais deste acordo, al\u00e9m dos danos ambientais, trabalhistas e desperd\u00edcio de recursos, \u00e9 respons\u00e1vel pela explora\u00e7\u00e3o, abuso e viola\u00e7\u00e3o de milh\u00f5es de animais sencientes que agonizam em fazendas, abatedouros, granjas e frigor\u00edficos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o apoio irrestrito ao modelo do agroneg\u00f3cio negligencia a manuten\u00e7\u00e3o das reservas p\u00fablicas de alimentos, transferindo ao capital uma quest\u00e3o estrat\u00e9gica do pa\u00eds e retirando dos povos seu direito \u00e0 soberania alimentar. Ao entregar para empresas estrangeiras este mercado, os governos renunciam a sua autonomia para fazer pol\u00edticas de combate \u00e0 fome, desigualdade e de desenvolvimento, de fato.<\/p>\n<p>Devido a suas in\u00fameras contradi\u00e7\u00f5es, alguns pa\u00edses europeus t\u00eam sido bastante cr\u00edticos ao tratado, sendo que uma declara\u00e7\u00e3o contra o acordo foi firmada por 43 organiza\u00e7\u00f5es de trabalhadores rurais de 14 pa\u00edses diferentes da Europa, al\u00e9m da Coordena\u00e7\u00e3o Europeia da Via Campesina. No Mercosul, os movimentos sociais, institutos de pesquisa e organiza\u00e7\u00f5es de trabalhadores do campo tamb\u00e9m rejeitam o acordo, sendo que, no Brasil, a Frente de Organiza\u00e7\u00f5es da Sociedade Civil Brasileira contra o Acordo de Livre Com\u00e9rcio Mercosul-Uni\u00e3o Europeia assinou um manifesto em oposi\u00e7\u00e3o ao tratado. Dentre os signat\u00e1rios est\u00e3o o MST, o MTST e a Via Campesina.<\/p>\n<p>O que todos esses movimentos destacam \u00e9 que a agricultura camponesa e dos povos tradicionais, se incentivada e apoiada, tem plenas condi\u00e7\u00f5es de oferecer alimentos em quantidade adequada e uma rica diversidade de cereais, leguminosas, oleaginosas e frutas, provenientes de pr\u00e1ticas agr\u00edcolas equilibradas e respeitosas com a natureza. Sendo assim, ao inv\u00e9s de acordos assim\u00e9tricos de livre com\u00e9rcio, devemos exigir a reforma agr\u00e1ria, a demarca\u00e7\u00e3o das terras ind\u00edgenas e quilombolas, subs\u00eddios para a produ\u00e7\u00e3o e o transporte local dos alimentos em feiras e mercados p\u00fablicos e fim dos subs\u00eddios a agrot\u00f3xicos e \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o de commodities. \u00c9 preciso ainda lutar pela retomada da industrializa\u00e7\u00e3o, com planejamento estatal e foco na produ\u00e7\u00e3o de setores estrat\u00e9gicos e na manuten\u00e7\u00e3o dos empregos, bem como pelo fim das privatiza\u00e7\u00f5es e da especula\u00e7\u00e3o financeira e imobili\u00e1ria.<\/p>\n<p>Rejeitamos esse acordo, que prev\u00ea consequ\u00eancias socioambientais desastrosas ao mesmo tempo em que retrocede nos n\u00edveis econ\u00f4micos e produtivos. A nossa refer\u00eancia \u00e9 a resposta \u00e0s necessidades dos povos e a coopera\u00e7\u00e3o mutuamente ben\u00e9fica entre eles. Se esperarmos o agroneg\u00f3cio, morreremos de fome!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/27271\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[7],"tags":[226],"class_list":["post-27271","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s8-brasil","tag-4b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-75R","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27271","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=27271"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27271\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=27271"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=27271"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=27271"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}