{"id":27317,"date":"2021-05-23T04:15:19","date_gmt":"2021-05-23T07:15:19","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=27317"},"modified":"2023-02-26T00:59:52","modified_gmt":"2023-02-26T03:59:52","slug":"so-a-luta-popular-derrota-o-governo-genocida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/27317","title":{"rendered":"S\u00f3 a luta popular derrota o governo genocida!"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/scontent.ffln5-1.fna.fbcdn.net\/v\/t1.6435-9\/186308672_3934659459983918_1179641490489453237_n.jpg?_nc_cat=100&amp;ccb=1-3&amp;_nc_sid=8bfeb9&amp;_nc_ohc=TehLceCwkjEAX-tx2xm&amp;_nc_ht=scontent.ffln5-1.fna&amp;oh=f022a63b2c30205bd500008b724bb594&amp;oe=60CDEE04\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->\u00c9 preciso ir \u00e0s ruas para mudar a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as e derrotar o governo antipopular<\/p>\n<p>Edmilson Costa<\/p>\n<p>O Brasil est\u00e1 vivendo n\u00e3o s\u00f3 a mais complexa e dram\u00e1tica crise do \u00faltimo meio s\u00e9culo, mas principalmente est\u00e1 diante de uma cat\u00e1strofe que amea\u00e7a a grande maioria da popula\u00e7\u00e3o e o destino de v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es. \u00c9 bem verdade que esta n\u00e3o \u00e9 uma crise apenas do Brasil: est\u00e1 inscrita no \u00e2mbito da crise sist\u00eamica global. No entanto, em nosso pa\u00eds existe uma singularidade perversa que combina a crise econ\u00f4mica, social, pol\u00edtica e, especialmente, a mais grave crise sanit\u00e1ria de nossa hist\u00f3ria, combinada com um longo processo de regress\u00e3o econ\u00f4mica e social.<\/p>\n<p>Do ponto de vista econ\u00f4mico, temos uma economia estagnada h\u00e1 mais de seis anos, um desemprego que j\u00e1 atinge mais de 20 milh\u00f5es de trabalhadores (se contabilizarmos os desempregados oficiais mais os desalentados), mais de 30 milh\u00f5es na informalidade, 19 milh\u00f5es nas filas da fome, infla\u00e7\u00e3o de produtos b\u00e1sicos, al\u00e9m da mis\u00e9ria generalizada e da mendic\u00e2ncia que se pode ver diariamente nas ruas de todo o pa\u00eds. Al\u00e9m disso, a crise sanit\u00e1ria continua castigando a popula\u00e7\u00e3o: o Brasil j\u00e1 se aproxima dos 500 mil mortos pela pandemia e mais de 16 milh\u00f5es de contaminados.<\/p>\n<p>Enquanto isso, Bolsonaro segue zombando do genoc\u00eddio da popula\u00e7\u00e3o, incentivando as aglomera\u00e7\u00f5es, receitando cloroquina para a popula\u00e7\u00e3o, conspirando contra as liberdades democr\u00e1ticas e provocando a China, com o objetivo evidente de sabotar a vacina\u00e7\u00e3o e promover o caos, que \u00e9 o ambiente no qual imagina poder alcan\u00e7ar seus objetivos golpistas. Trata-se na verdade de um governo criminoso, respons\u00e1vel pela trag\u00e9dia que o povo brasileiro est\u00e1 vivendo, capataz dos interesses das classes dominantes e do imperialismo.<\/p>\n<p>No entanto, n\u00e3o podemos esquecer que as classes dominantes brasileiras s\u00e3o c\u00famplices da trag\u00e9dia do povo, tanto por serem respons\u00e1veis pela elei\u00e7\u00e3o desse genocida, mas tamb\u00e9m porque v\u00eam promovendo os ataques aos trabalhadores e trabalhadoras, as contrarreformas e as privatiza\u00e7\u00f5es. Essa mesma burguesia se aproveita do caos para continuar impondo sua agenda neoliberal, como a reforma administrativa, o assalto ao fundo p\u00fablico e ao patrim\u00f4nio nacional.<\/p>\n<p>\u00c9 importante atentarmos para o fato de que n\u00e3o devemos ter ilus\u00f5es sobre as diverg\u00eancias que eventualmente ocorrem no interior das classes dominantes. Esses pequenas contradi\u00e7\u00f5es representam apenas disputas de interesses entre as v\u00e1rias fra\u00e7\u00f5es da burguesia. Todos eles est\u00e3o unidos para retirar os direitos da classe trabalhadora, rebaixar os sal\u00e1rios, precarizar as condi\u00e7\u00f5es de trabalho, de forma a garantir e ampliar os lucros do capital e do imperialismo.<\/p>\n<p>Para compreendermos a dimens\u00e3o mais ampla da crise, vale salientar que n\u00f3s estamos vivendo uma verdadeira trag\u00e9dia social e que uma conjuntura dessa ordem n\u00e3o pode durar por muito tempo. Nenhuma sociedade pode naturalizar por um longo per\u00edodo 500 mil mortos, nem mesmo em tempos de guerra, at\u00e9 porque a trag\u00e9dia est\u00e1 atingindo a todos. In\u00fameras pessoas em nosso pa\u00eds perderam um parente, um amigo, um conhecido. A grande maioria da popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 vivendo um drama social, com desemprego, fome e mis\u00e9ria.<\/p>\n<p>\u00c9 importante observarmos ainda que o Brasil n\u00e3o \u00e9 um compartimento estanque em rela\u00e7\u00e3o ao mundo. Em v\u00e1rios pa\u00edses do continente, especialmente na Am\u00e9rica Latina, as massas desesperadas e enfurecidas contra o desastre neoliberal foram \u00e0s ruas em plena pandemia. \u00c9 o caso da Bol\u00edvia, do Haiti, do Paraguai, do Chile, da Col\u00f4mbia e at\u00e9 mesmo dos Estados Unidos, onde a juventude, os trabalhadores e as trabalhadoras foram \u00e0s ruas contra a barb\u00e1rie capitalista. Quem imaginar que o povo brasileiro vai suportar resignadamente essa trag\u00e9dia social pode estar quadradamente enganado.<\/p>\n<p>Ao longo da hist\u00f3ria, nenhuma sociedade deixou de lutar quando a crise chegou a um limite insuport\u00e1vel. E a crise brasileira est\u00e1 chegando ao limite do insuport\u00e1vel. Os mais de 20 milh\u00f5es de desempregados, os mais de 30 milh\u00f5es na informalidade e os 19 milh\u00f5es nas filas da fome n\u00e3o suportar\u00e3o calados por muito tempo, mesmo com as restri\u00e7\u00f5es da pandemia. N\u00e3o se trata de um exerc\u00edcio de futurologia, mas de uma situa\u00e7\u00e3o em que est\u00e1 faltando apenas a gota d&#8217;\u00e1gua para a indigna\u00e7\u00e3o contra essa trag\u00e9dia se expressar de maneira mais efetiva.<\/p>\n<p>Por isso, n\u00e3o faz mais sentido neste momento lutar apenas nas redes sociais ou fazer atos simb\u00f3licos. Essas formas de luta foram importantes num determinado per\u00edodo, cumpriram um papel de manter a chama acesa, mas a conjuntura atual requer uma mudan\u00e7a de t\u00e1tica, pois as classes dominantes e esse governo genocida continuam com seus ataques exatamente porque n\u00e3o t\u00eam ainda uma resposta popular que contribua para o in\u00edcio da mudan\u00e7a na correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as. E isso s\u00f3 pode acontecer com as manifesta\u00e7\u00f5es populares e a entrada em cena da trabalhadora, mediante paralisa\u00e7\u00f5es em defesa da vida.<\/p>\n<p>Importante ainda constatar o fato de que muitos companheiros, diante do resgate dos direitos pol\u00edticos do ex-presidente Lula, est\u00e3o deixando em segundo plano a luta social e jogando todas as fichas nas elei\u00e7\u00f5es de 2022, inclusive a maioria das centrais sindicais, que abandonaram o terreno da luta concreta para realizar a\u00e7\u00f5es, como no Primeiro de Maio, com os pr\u00f3prios inimigos de classe. N\u00e3o compreendem que priorizar o processo eleitoral agora \u00e9 abandonar os milh\u00f5es de brasileiros que enfrentam o desemprego, a fome e a mis\u00e9ria e se iludir em rela\u00e7\u00e3o aos verdadeiros objetivos dos nossos inimigos.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos ter ilus\u00f5es: j\u00e1 est\u00e1 claro que as diferen\u00e7as entre os setores fascistas das classes dominantes e a chamada direita tradicional s\u00e3o pontuais e todos eles se aproveitam do fato de que as massas ainda n\u00e3o est\u00e3o se movimentando para avan\u00e7ar em sua ofensiva contra os trabalhadores e a juventude. \u00c9 s\u00f3 observarmos o conjunto de contra-reformas, como a trabalhista e a previdenci\u00e1ria, os ataques aos direitos hist\u00f3ricos dos trabalhadores, o ataque ao meio ambiente e as privatiza\u00e7\u00f5es. Se aproveitam da pandemia para continuar passando a boiada, como disse um certo ministro.<\/p>\n<p>\u00c9 bom lembrar a todos, especialmente \u00e0queles que ainda n\u00e3o se convenceram, que a conjuntura est\u00e1 exigindo uma mudan\u00e7a de t\u00e1tica contra o governo e sua pol\u00edtica antipopular. At\u00e9 porque a maioria dos trabalhadores, especialmente os informais, justamente os mais pobres, j\u00e1 est\u00e3o nas ruas, espremidos nos trens, nos \u00f4nibus, nos metr\u00f4s para trabalhar e ganhar a vida. Poucos podem sobreviver ou fazer distanciamento social com essa migalha de aux\u00edlio emergencial, que n\u00e3o compra sequer meia cesta b\u00e1sica. Se os trabalhadores podem ir ao trabalho de segunda a sexta, \u00e9 justo que tamb\u00e9m possam protestar contra a barb\u00e1rie no s\u00e1bado ou no domingo.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, todos os que est\u00e3o comprometidos com o processo de transforma\u00e7\u00f5es sociais em nosso pa\u00eds n\u00e3o podem mais assistir as pessoas morrendo de tiro, de fome e do v\u00edrus sem nenhuma rea\u00e7\u00e3o organizada nas ruas. Ningu\u00e9m aguenta mais esse sufoco: \u00e9 preciso romper com a in\u00e9rcia e dar o primeiro passo, construindo as lutas organizadas, antes que as massas saiam \u00e0s ruas desesperadas sem nenhuma orienta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 bem verdade que, neste momento, em fun\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria pandemia, as manifesta\u00e7\u00f5es iniciais ser\u00e3o ainda modestas, como foi na campanha das Diretas J\u00e1, no Fora Collor e em outros grandes movimentos de massas, mas em algum momento n\u00e3o muito distante a indigna\u00e7\u00e3o latente que existe na maioria da popula\u00e7\u00e3o brasileira se transformar\u00e1 em grandes manifesta\u00e7\u00f5es de massa. Para evitar que essas manifesta\u00e7\u00f5es ocorram de maneira desesperada e sem dire\u00e7\u00e3o, \u00e9 fundamental que exista uma orienta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica consequente para evitar o que ocorreu em 2013, quando as manifesta\u00e7\u00f5es populares pegaram muitos de surpresa.<\/p>\n<p>Por isso, a hora de come\u00e7ar a construir o futuro \u00e9 agora. As massas v\u00e3o identificar aqueles que nos momentos mais dif\u00edceis romperam a in\u00e9rcia e se colocaram em defesa da vida e dos interesses populares. Aqueles que nos momentos mais dif\u00edceis se colocaram ao lado do povo, exerceram a solidariedade concreta e enfrentaram os poderosos ser\u00e3o reconhecidos no futuro. As manifesta\u00e7\u00f5es que ocorreram no dia 13 de maio contra o genoc\u00eddio da popula\u00e7\u00e3o preta e pobre das periferias demonstraram que h\u00e1 disposi\u00e7\u00e3o de luta em v\u00e1rios setores da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Portanto, \u00e9 fundamental trabalharmos no sentido de fortalecer as manifesta\u00e7\u00f5es do dia 29 de maio, que est\u00e1 sendo convocada por partidos pol\u00edticos, movimentos sociais e populares. Costurar a unidade dos setores classistas como condi\u00e7\u00e3o fundamental para impulsionar as lutas sociais mais amplas \u00e9 uma tarefa essencial neste momento. Esse governo n\u00e3o cair\u00e1 de podre, nem ser\u00e1 derrotado em negocia\u00e7\u00f5es de gabinetes ou alian\u00e7as com nossos inimigos de classe: pelo contr\u00e1rio, s\u00f3 o movimento de massas nas ruas e a luta dos trabalhadores, das trabalhadoras e da juventude tem a capacidade de reverter a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as e abrir a perspectiva de uma mudan\u00e7a de qualidade na luta de classes em nosso pa\u00eds.<\/p>\n<p>Portanto, todas as for\u00e7as classistas, especialmente a milit\u00e2ncia comunista, devem realizar o m\u00e1ximo de esfor\u00e7o de constru\u00e7\u00e3o unit\u00e1ria para transformar o dia 29 de maio no in\u00edcio de uma jornada de lutas nas ruas para derrotar esse governo e sua pol\u00edtica antipopular. Vacina no bra\u00e7o, comida no prato, emprego para todos e Fora Bolsonaro-Mour\u00e3o!<\/p>\n<p>Edmilson Costa \u00e9 Secret\u00e1rio-Geral do PCB<\/p>\n<p>Foto: ato do 13 de maio em Belo Horizonte<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/27317\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[7,383],"tags":[219],"class_list":["post-27317","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s8-brasil","category-pronunciamentos-da-secretaria-geral","tag-manchete"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-76B","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27317","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=27317"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27317\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=27317"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=27317"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=27317"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}