{"id":274,"date":"2010-01-30T02:19:19","date_gmt":"2010-01-30T02:19:19","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=274"},"modified":"2010-01-30T02:19:19","modified_gmt":"2010-01-30T02:19:19","slug":"carta-aberta-assinada-pelo-pcb-a-representacao-do-egito-no-rio-de-janeiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/274","title":{"rendered":"CARTA ABERTA, ASSINADA PELO PCB, \u00c0 REPRESENTA\u00c7\u00c3O DO EGITO NO RIO DE JANEIRO"},"content":{"rendered":"\n<p>Para n\u00f3s, \u00e9 incompreens\u00edvel que um pa\u00eds como o Egito que, em um passado recente, defendeu este povo espoliado com tanta bravura e hero\u00edsmo se mostre agora indiferente ao amargo destino que est\u00e1 sendo trilhado pelos seus irm\u00e3os palestinos. Uma situa\u00e7\u00e3o t\u00e3o dram\u00e1tica que se transformou na principal cena do mundo. N\u00e3o h\u00e1, Senhor presidente, entre os povos conscientes de todos os pa\u00edses, uma pessoa que n\u00e3o expresse sua preocupa\u00e7\u00e3o com os palestinos e seu mais veemente rep\u00fadio ao Estado de Israel que vem praticando um verdadeiro genoc\u00eddio em uma popula\u00e7\u00e3o indefesa. Um rep\u00fadio que acabar\u00e1 por se estender para todos os governos apoiadores e c\u00famplices do Apartheid que est\u00e1 sendo praticado sobre o povo \u00e1rabe palestino por um Estado racista, assim definido pela pr\u00f3pria ONU que, em sua resolu\u00e7\u00e3o 5.151 G (XXVIII), de 14 de dezembro de 1973, condenou, entre outras coisas, a alian\u00e7a entre o racismo sul-africano e o sionismo, declarando tamb\u00e9m o sionismo como uma forma de racismo e discrimina\u00e7\u00e3o racial, no texto aprovado em 10\/11\/95.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio descrever todos os horrores praticados pelas for\u00e7as armadas israelense durante os 21 dias de ininterrupto massacre, com a utiliza\u00e7\u00e3o de armas proibidas pelas Leis Internacionais, cometendo os mais hediondos crimes de guerra e crimes contra a humanidade, como ficou constatado no relat\u00f3rio do juiz sul-africano, Richard Goldstone, posteriormente endossado pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU, porque esses fatos s\u00e3o conhecidos pela opini\u00e3o p\u00fablica de todo o planeta.<\/p>\n<p>H\u00e1 que se observar que ao se defenderem com seus pr\u00f3prios corpos, utilizando objetos que lhes vem \u00e0 m\u00e3o como paus e pedras e com rudimentares armamentos, o povo palestino est\u00e1 defendendo os valores fundamentais da humanidade, est\u00e1 defendendo o mais elementar dos direitos, que \u00e9 a vida. Negar-lhes socorro, equivale a endossar a aniquila\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria humanidade, a destrui\u00e7\u00e3o dos valores t\u00e3o arduamente constru\u00eddos em s\u00e9culos de luta por um mundo mais fraterno e humano.<\/p>\n<p>\u00c9 humanamente inaceit\u00e1vel que o Egito tenha negado socorro, fechando sua fronteira com Gaza, em um dos momentos mais dram\u00e1ticos da vida desse povo, mantendo-a fechada quando eles mais necessitam de acesso a medicamentos, tratamento m\u00e9dico, equipamentos hospitalares, alimenta\u00e7\u00e3o e demais itens necess\u00e1rio \u00e0 sua sobreviv\u00eancia e \u00e0 reconstru\u00e7\u00e3o de seus lares e de suas vidas. Isso significa uma grave viola\u00e7\u00e3o da Quarta Conven\u00e7\u00e3o de Genebra, da qual o Egito foi um dos primeiros pa\u00edses a assinar, em agosto de 1949, ratificando o tratado em 1952. O artigo 59 da Conven\u00e7\u00e3o prev\u00ea que: &#8230;&#8221;Se a totalidade ou parte da popula\u00e7\u00e3o de um territ\u00f3rio ocupado \u00e9 inadequadamente assistida pela pot\u00eancia ocupante, outro pa\u00eds dever\u00e1 estabelecer planos de socorro, em nome da referida, a esta popula\u00e7\u00e3o por todos os meios \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o.&#8221; O artigo 147 prev\u00ea que \u00e9 uma viola\u00e7\u00e3o grave da citada Conven\u00e7\u00e3o &#8220;agir deliberadamente causando grande sofrimento ou les\u00f5es ao corpo, a sa\u00fade ou mortes.&#8221;<\/p>\n<p>O cerco israelense-eg\u00edpcio tem criado os n\u00edveis mais terr\u00edveis de pobreza, priva\u00e7\u00e3o e de mis\u00e9ria \u00e0 popula\u00e7\u00e3o de Gaza, cuja linha da vida s\u00e3o os t\u00faneis sob a fronteira com o este pa\u00eds. E agora, para manter Gaza encurralada, o governo de V. Ex.\u00aa , contrariando todas as leis internacionais, ignorando todos os princ\u00edpios humanit\u00e1rios da Carta das Na\u00e7\u00f5es Unidas e os c\u00f3digos de conduta e da dec\u00eancia, colaborando para o exterm\u00ednio de um enorme contingente de pessoas, est\u00e1 construindo um muro de a\u00e7o refor\u00e7ado na fronteira de Rafah\/Gaza que j\u00e1 est\u00e1 sendo chamado de &#8220;Muro da Vergonha&#8221; porque, de fato, essa iniciativa est\u00e1 causando um enorme constrangimento em todos os povos \u00e1rabes e despertando uma grande indigna\u00e7\u00e3o nos povos em todo o mundo.<\/p>\n<p>Ao declarar -se imune \u00e0s cr\u00edticas e aos protestos contra esses atos de grande covardia, o governo de V. Ex.\u00aa est\u00e1 deixando sinalizar que os \u00fanicos aliados que lhe interessa s\u00e3o aqueles que podem fornecer dinheiro e armas para que este pa\u00eds os ajude a aniquilar parte do povo \u00e1rabe do qual V. Ex.\u00aa faz parte. Mas ainda \u00e9 tempo de ouvir as vozes de seu pr\u00f3prio povo que clama pela liberdade de Gaza e de toda a Palestina, recuperando, assim, a dignidade inerente aos dirigentes m\u00e1ximos de todas as na\u00e7\u00f5es que, pela posi\u00e7\u00e3o que ocupam, devem ser um exemplo a ser seguido. Estamos conscientes de que, apesar da dureza de nossas palavras, n\u00e3o estamos ofendendo o seu governo, pois ofendidos estamos todos n\u00f3s diante de tamanha crueldade para com nossos semelhantes.<\/p>\n<p>N\u00f3s, brasileiros, sempre defendemos um tratamento fraterno para com as pessoas oriundas de outros pa\u00edses. Em contrapartida, defendemos a reciprocidade. Por isso, ficamos profundamente indignados com a agress\u00e3o da pol\u00edcia eg\u00edpcia ao companheiro Raimundo Nilo Mendes, nosso representante na Marcha da Liberdade para Gaza. Trata-se de um cidad\u00e3o brasileiro, um trabalhador e assessor da diretoria do Sindicato dos Petroleiros que, por um dever de consci\u00eancia, deslocou-se do nosso pa\u00eds para o Egito na tentativa de ajudar a amenizar o sofrimento do povo palestino, acreditando que estava indo para um pa\u00eds amigo e que isso seria fundamental para que chegasse a seu destino e cumprisse sua miss\u00e3o pol\u00edtica e humanit\u00e1ria, numa manifesta\u00e7\u00e3o pac\u00edfica. A pris\u00e3o de um brasileiro e apreens\u00e3o de seus documentos pela pol\u00edcia eg\u00edpcia, sem nenhuma acusa\u00e7\u00e3o formal e sem que o mesmo tenha praticado nenhum ato ilegal, infringe os princ\u00edpios do direito civil internacional. Expressamos tamb\u00e9m nossa indigna\u00e7\u00e3o com a agress\u00e3o policial contra os manifestantes de 47 pa\u00edses volunt\u00e1rios da Marcha da Liberdade para Gaza e do comboio de ajuda &#8220;Viva Palestina&#8221; <\/p>\n<p>Sob a lei internacional, nem Israel nem o Egito tinham o direito de parar o comboio de ajuda humanit\u00e1ria &#8221; Viva Palestina&#8221; e os volunt\u00e1rios da &#8220;Marcha Mundial pela Liberdade de Gaza&#8221;, nem impedirem a passagem livre de suas remessas.<\/p>\n<p>&#8220;Como pot\u00eancia ocupante, Israel tem a responsabilidade prim\u00e1ria com bem-estar do povo palestino. Dado a negativa de Israel em cumprir com o Direito Internacional, o cumprimento por parte do Egito \u00e9 ainda mais vital, e nos termos do Direito Internacional DEVE o Egito permitir a passagem e garantir a seguran\u00e7a dos ativistas &#8221; declara\u00e7\u00e3o do presidente da NLG(National Lawyers Guild* ), David Gespass.&#8221; Importante assinalar que a &#8220;cumplicidade na pr\u00e1tica de um crime de guerra ou crime contra a humanidade \u00e9 um crime sob a lei internacional&#8221;. &#8211; princ\u00edpio VII do Tribunal de Nuremberg.<\/p>\n<p>Atrav\u00e9s desta carta, em nome do povo brasileiro, respaldados pela Quarta Conven\u00e7\u00e3o de Genebra, solicitamos \u00e0 V. Ex.\u00aa a libera\u00e7\u00e3o da fronteira de Rafah para que os habitantes de Gaza possam ter um m\u00ednimo de al\u00edvio em seu insuport\u00e1vel sofrimento e que pare imediatamente a constru\u00e7\u00e3o do Muro de A\u00e7o que, como as demais armas israelenses que atingiram e continuam a atingir a popula\u00e7\u00e3o de Gaza, ser\u00e1 mais uma via da morte para os palestinos. A paralisa\u00e7\u00e3o das obras do Muro e a demoli\u00e7\u00e3o do que foi constru\u00eddo em muito engrandecer\u00e3o o governo eg\u00edpcio perante a todos os povos do mundo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: coletivotrinca.wordpress.com\n\n\n\n\nSolidariedade ao Povo Palestino Excelent\u00edssimo Senhor Presidente da Rep\u00fablica \u00c1rabe do Egito Hosni Mubarack\nRio de Janeiro, 21 de janeiro de 2010.\nN\u00f3s, brasileiros, signat\u00e1rios desta carta, abaixo assinados, lideran\u00e7as pol\u00edticas, sindicais, intelectuais, parlamentares, partidos pol\u00edticos e entidades representativas de diversos setores da sociedade civil brasileira, estamos profundamente chocados e apreensivos com o drama vivido pelos nossos irm\u00e3os que vivem nos territ\u00f3rios ocupados da Palestina, especialmente em Gaza de onde nos chegam diariamente as mais terr\u00edveis not\u00edcias sobre o aprofundamento da desumana agress\u00e3o do Estado de Israel sobre uma popula\u00e7\u00e3o desprotegida, profundamente ferida, cujas vidas vem sendo usurpadas dia ap\u00f3s dia com a imposi\u00e7\u00e3o de um bloqueio cruel que, na pr\u00e1tica, os impede de retomarem suas vidas ap\u00f3s os bombardeios levado a cabo pelo ex\u00e9rcito israelense no final de 2008 e in\u00edcio de 2009.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/274\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[78],"tags":[],"class_list":["post-274","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c91-solidariedade-a-palestina"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-4q","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/274","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=274"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/274\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=274"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=274"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=274"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}