{"id":27432,"date":"2021-06-18T01:05:22","date_gmt":"2021-06-18T04:05:22","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=27432"},"modified":"2021-06-26T14:11:31","modified_gmt":"2021-06-26T17:11:31","slug":"educacao-pandemia-e-mundo-do-trabalho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/27432","title":{"rendered":"Educa\u00e7\u00e3o, pandemia e mundo do trabalho"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/miro.medium.com\/max\/2160\/1*kU2cF141z5_-ZxDpHJ5aFA.jpeg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Os profissionais da educa\u00e7\u00e3o, a era digital, a pandemia e o mundo do trabalho<\/p>\n<p>Por Daiana Aguiar, professora, militante do PCB e do Coletivo Feminista Classista Ana Montenegro<\/p>\n<p>O que vimos com a pandemia foi o arrocho da explora\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora. Com ela, tivemos que nos adaptar de maneira a tornar o uso das m\u00eddias digitais mais diversos e abrangentes. Mas este uso excessivo fez com que o trabalho fosse t\u00e3o presente e constante em nossas vidas, que um dos grandes desafios para este trabalhador conectado 24 horas fosse justamente o oposto: se desconectar e ter tempo para desenvolver suas tarefas de cunho pessoal e ter tempo para o \u00f3cio criativo. E com a classe dos professores isso n\u00e3o podia ser diferente.<\/p>\n<p>Quando falamos de trabalho, n\u00e3o podemos esquecer o quanto o mesmo est\u00e1 relacionado ao sistema socioecon\u00f4mico vigente, no caso atual: o capitalismo. Para que uma sociedade de classes funcione, \u00e9 necess\u00e1rio que esta explora\u00e7\u00e3o aconte\u00e7a e em demandas e n\u00edveis elevados. Para isso contamos, tamb\u00e9m, com aparelhos ideol\u00f3gicos burgueses e o Estado garantindo que o sistema se reproduza, mesmo que seja necess\u00e1rio precarizar profundamente o trabalho e esgotar com vidas humanas atrav\u00e9s de um genoc\u00eddio.<\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio da pandemia, professores e professoras est\u00e3o a cada dia aprendendo e se adaptando ao uso dessas novas m\u00eddias digitais para remodelar suas metodologias educacionais, a fim de manter o aluno, mesmo que a dist\u00e2ncia, pr\u00f3ximo da vontade de aprender e produzir conhecimento. Vale ressaltar que diversas vezes estes profissionais utilizam do seu pr\u00f3prio sal\u00e1rio para comprar equipamentos eletr\u00f4nicos que os ajudem a melhorar suas aulas. De maneira geral, toda a responsabilidade de fazer o trabalho educacional acontecer est\u00e1 na m\u00e3o do professor, numa cartada final para que seja realizada a uberiza\u00e7\u00e3o do ensino ou a precariza\u00e7\u00e3o do trabalho docente.<\/p>\n<p>Precisamos fazer aqui um recorte de g\u00eanero, falando das professoras, mulheres, m\u00e3es, filhas, av\u00f3s. Elas representam 80% dos profissionais da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica do pa\u00eds, uma profiss\u00e3o que culturalmente \u00e9 entendida como algo relacionado ao cuidado que nossa sociedade n\u00e3o afirma, mas para o capitalismo n\u00e3o passa de trabalho n\u00e3o remunerado.<\/p>\n<p>Se, de um lado, a tecnologia entrou em v\u00e1rias esferas das nossas vidas, \u00e9 vendida como um produto que tem como objetivo facilitar e otimizar o nosso tempo, do outro ainda existe algo que explora as mulheres em n\u00edveis altos e faz com que elas realizem o trabalho que mant\u00e9m a capacidade de os demais trabalhadores reproduzirem o capital e, mesmo com a era digital, n\u00e3o as tem deixado: o trabalho dom\u00e9stico. N\u00e3o deixando de lembrar que isto as acompanha desde a divis\u00e3o sexual do trabalho, antes mesmo do surgimento da sociedade capitalista.<\/p>\n<p>As professoras tiveram a carga hor\u00e1ria triplicada durante esse per\u00edodo que estamos vivenciando: trabalhar, cuidar da casa, da prole, de idosos, pessoas doentes, gerenciar o lar e a vida dos que vivem com ela. Escutei v\u00e1rios relatos de colegas professoras contando sobre se sentirem ansiosas e cansadas com a quantidade de tarefas que tinham para fazer durante o dia, tendo que conviver com a escola dentro de suas casas, sem hor\u00e1rio para in\u00edcio ou fim da atividade do trabalho remunerado. Vi colegas assistindo \u00e0s reuni\u00f5es de planejamento com os seus beb\u00eas no colo, com seus filhos brincando pr\u00f3ximos a elas, sendo por elas alimentados, dobrando roupas, lavando lou\u00e7as\u2026 era algo comum de se ver. Isso, somando-se ao sentimento de luto constante, contribuiu para um adoecimento mental desses profissionais, em larga escala.<\/p>\n<p>Os professores e as professoras se mant\u00eam trabalhando firmemente durante a pandemia, mesmo com seus direitos atacados no acirramento do capital \u2014 algo vivenciado por toda a classe trabalhadora, como a reforma da previd\u00eancia e outros desmontes que a sociedade vem enfrentando.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos permitir que vidas sejam colocadas abaixo do lucro, uma vida humana n\u00e3o pode ser menos importante que o desenvolvimento tecnol\u00f3gico. Precisamos fazer o levante popular e reivindicar o direito ao p\u00e3o, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, sonhos \u2026 o direito \u00e0 vida digna! Como disse Karl Marx no Manifesto do Partido Comunista: \u201cOs trabalhadores n\u00e3o t\u00eam nada a perder em uma revolu\u00e7\u00e3o comunista, a n\u00e3o ser suas correntes\u201d.<\/p>\n<p>Lutar, criar, poder popular!<\/p>\n<p>Feminismo classista, futuro socialista!<\/p>\n<p><a class=\"m-story\" href=\"https:\/\/medium.com\/opoderpopularce\/profissionais-da-educa%C3%A7%C3%A3o-era-digital-pandemia-e-o-mundo-do-trabalho-b12ffaf7ff10\" target=\"_blank\" data-width=\"747\" data-border=\"1\" data-collapsed=\"\">Ver no Medium.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/27432\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[22,20],"tags":[226],"class_list":["post-27432","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c3-coletivo-ana-montenegro","category-c1-popular","tag-4b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-78s","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27432","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=27432"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27432\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=27432"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=27432"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=27432"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}