{"id":2747,"date":"2012-04-27T01:57:28","date_gmt":"2012-04-27T01:57:28","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=2747"},"modified":"2012-04-27T01:57:28","modified_gmt":"2012-04-27T01:57:28","slug":"com-reino-unido-sao-4-em-recessao-na-ue","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2747","title":{"rendered":"Com Reino Unido, s\u00e3o 4 em recess\u00e3o na UE"},"content":{"rendered":"\n<p>LONDRES, BERLIM e S\u00c3O PAULO. A entrada do Reino Unido &#8211; e da Espanha &#8211; em um novo ciclo de recess\u00e3o confirma o recrudescimento da crise na Uni\u00e3o Europeia, iniciado com o estresse financeiro em torno da renegocia\u00e7\u00e3o da d\u00edvida grega no fim de 2011. Portugal e It\u00e1lia, que como a Espanha enfrentam s\u00e9ria crise fiscal decorrente do excesso de endividamento do setor p\u00fablico, j\u00e1\u00a0est\u00e3o em recess\u00e3o t\u00e9cnica (dois trimestres seguidos com o PIB negativo) desde o ano passado, e o resultado do primeiro trimestre deve mostrar novas quedas na atividade.<\/p>\n<p>Ontem, o Escrit\u00f3rio Nacional de Estat\u00edsticas do Reino Unido anunciou ontem que seu Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e servi\u00e7os produzidos no pa\u00eds) recuou 0,2% no primeiro trimestre de 2012, configurando a segunda recess\u00e3o brit\u00e2nica desde a crise financeira. O resultado surpreendeu as proje\u00e7\u00f5es, que em m\u00e9dia apontavam para um crescimento de 0,1%. No \u00faltimo trimestre de 2011, a atividade do pa\u00eds j\u00e1\u00a0 havia recuado 0,3%<\/p>\n<p>Alemanha prev\u00ea\u00a0menos crescimento este ano<\/p>\n<p>A expectativa entre os economistas \u00e9\u00a0de que os indicadores negativos predominem neste per\u00edodo e s\u00f3\u00a0comecem a se estabilizar ao longo do segundo semestre, com alguma recupera\u00e7\u00e3o em grandes economias do bloco, como Alemanha e Fran\u00e7a. O Minist\u00e9rio da Economia da Alemanha anunciou ontem que sua economia vai crescer somente 0,7% este ano e s\u00f3\u00a0retomar\u00e1\u00a0um ritmo mais consistente de crescimento em 2013, quando dever\u00e1\u00a0ter expans\u00e3o de 1,6%. J\u00e1\u00a0as perspectivas para os pa\u00edses em pior situa\u00e7\u00e3o fiscal (It\u00e1lia, Espanha e Portugal, entre outros) \u00e9\u00a0de que fechem o ano com desempenho negativo do PIB.<\/p>\n<p>&#8211; Os dados de Espanha e Reino Unido mostram que estamos no auge da segunda fase da crise na regi\u00e3o, e que a recupera\u00e7\u00e3o da Europa vai ser muito longa &#8211; diz o economista Antonio Corr\u00eaa de Lacerda, da PUC de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>As proje\u00e7\u00f5es mais recentes do Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI) para os PIBs de It\u00e1lia, Portugal e Espanha apontam para quedas de 1,9%, 3,3% e 1,8% respectivamente este ano. Alemanha (0,6%) e Fran\u00e7a (0,5%) ainda ter\u00e3o alguma expans\u00e3o nas suas economias, mas no conjunto a economia da zona do euro deve encolher 0,3% em 2012, diz o FMI.<\/p>\n<p>&#8211; Todo o estresse financeiro do fim do ano passado agora se materializa na economia real. Os agentes gradualmente perdem a confian\u00e7a, ningu\u00e9m investe e as pessoas relutam em consumir, o que acaba derrubando a atividade &#8211; diz Raphael Martello, economista da consultoria Tend\u00eancias. &#8211; Essa primeira metade de 2012 vai ser ruim de maneira geral no bloco e as economias mais problem\u00e1ticas ser\u00e3o as que mais sofrer\u00e3o.<\/p>\n<p>As inje\u00e7\u00f5es de liquidez promovidas pelo Banco Central Europeu (BCE) no in\u00edcio do ano, diz Martello, ajudou a regular a liquidez no setor banc\u00e1rio da regi\u00e3o, mantendo o cr\u00e9dito fluindo. Isso n\u00e3o significa que se ver\u00e1 grande melhora no quadro econ\u00f4mico do bloco. Apenas estanca um pouco a queda na atividade.<\/p>\n<p>&#8211; Ao longo do segundo semestre devemos ter a Europa mais est\u00e1vel, mas com algum crescimento s\u00f3\u00a0em 2013 &#8211; diz o economista da Tend\u00eancias.<\/p>\n<p>Felipe Queiroz, analista da Austin Rating, por\u00e9m, v\u00ea limita\u00e7\u00f5es na capacidade do BCE estimular a economia do bloco.<\/p>\n<p>&#8211; Com a demanda retra\u00edda e os d\u00e9ficits muito elevados n\u00e3o h\u00e1\u00a0 como os governos estimularem suas economias. E a a\u00e7\u00e3o do BCE n\u00e3o\u00a0 \u00e9\u00a0garantia de est\u00edmulo porque, sem confian\u00e7a entre consumidores e agentes econ\u00f4micos, pode haver um &#8220;empo\u00e7amento&#8221; de recursos, como j\u00e1 aconteceu antes &#8211; afirma Queiroz.<\/p>\n<p>Lacerda, da PUC-SP, lembra que as pol\u00edticas de austeridade adotadas pelos pa\u00edses mais afetados, como cortar sal\u00e1rios, aposentadorias e investimentos, al\u00e9m de demiss\u00f5es em massa de funcion\u00e1rios p\u00fablicos, s\u00e3o &#8220;mecanismos autof\u00e1gicos&#8221;:<\/p>\n<p>&#8211; Essas a\u00e7\u00f5es ajudam a recuperar certa confian\u00e7a dos mercados, mas cobram seu pre\u00e7o do ponto de vista da atividade. \u00c9\u00a0uma situa\u00e7\u00e3o em que a Europa patina e \u00e9\u00a0dif\u00edcil isolar os pa\u00edses, o que torna a retomada mais complicada &#8211; diz Lacerda.<\/p>\n<p>Para analistas, crise n\u00e3o deve rachar zona do euro<\/p>\n<p>A continuidade do crescimento das economias emergentes, especialmente da China, combinada com a recupera\u00e7\u00e3o moderada dos Estados Unidos devem contribuir para a recupera\u00e7\u00e3o gradual da Europa, na avalia\u00e7\u00e3o de Martello, da Tend\u00eancias, com a demanda de exporta\u00e7\u00f5es da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8211; A Alemanha vai continuar crescendo, mas teremos v\u00e1rios anos de baixo crescimento no bloco, at\u00e9\u00a0que os pa\u00edses fa\u00e7am suas reformas para recuperar a estabilidade fiscal e a competitividade &#8211; prev\u00ea.<\/p>\n<p>Apesar da fragilidade de alguns membros e da complexidade do processo de supera\u00e7\u00e3o deste novo ciclo da crise na regi\u00e3o, os economistas acham pouco prov\u00e1vel que haja rupturas com a sa\u00edda de membros da zona do euro.<\/p>\n<p>&#8211; O pre\u00e7o de sair da zona do euro \u00e9\u00a0mais caro e o bloco deve permanecer, mesmo com essas dificuldades &#8211; diz Lacerda, da PUC-SP.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p>Bancos europeus repatriam recursos do Brasil<\/p>\n<p>O Estado de S. Paulo<\/p>\n<p>No final do ano, bancos de todo o mundo cortaram seus empr\u00e9stimos internacionais em quase US$ 800 bilh\u00f5es, numa demonstra\u00e7\u00e3o da incerteza que ronda a economia internacional, das d\u00favidas sobre a solv\u00eancia dos bancos e principalmente diante das d\u00favidas sobre a capacidade da Europa em superar a crise. Dados do Banco de Compensa\u00e7\u00f5es Internacionais (BIS, na sigla em ingl\u00eas) apontaram que dois ter\u00e7os dessa queda ocorreram na Europa.<\/p>\n<p>No caso do Brasil, bancos estrangeiros cortaram empr\u00e9stimos de US$ 5,1 bilh\u00f5es nesse per\u00edodo. O ano de 2011 terminou ainda assim com um saldo positivo de US$ 7,6 bilh\u00f5es extras em empr\u00e9stimos ao Pa\u00eds por causa dos resultados dos trimestres anteriores. Mesmo assim, o volume extra foi bem inferior aos US$ 19,5 bilh\u00f5es a mais em cr\u00e9ditos que o Brasil conseguiu em 2010.<\/p>\n<p>Mas tomando apenas as atividades dos bancos europeus no Brasil, os dados revelam o tamanho da crise na Europa. A redu\u00e7\u00e3o de todos os bancos europeus no Pa\u00eds chegou a U$ 55 bilh\u00f5es, com um total de empr\u00e9stimos em dezembro de US$ 361 bilh\u00f5es. Seis meses antes, os empr\u00e9stimos eram de US$ 416 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Grande parte desse fen\u00f4meno se explica por causa dos bancos espanh\u00f3is no Brasil. Em dificuldades na Espanha, as institui\u00e7\u00f5es repatriaram lucros de suas filiais no Pa\u00eds e cortaram empr\u00e9stimos no valor de US$ 24 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Segundo o BIS, por\u00e9m, o Brasil n\u00e3o foi o mais afetado. Os casos mais graves est\u00e3o justamente nos pa\u00edses ricos, principalmente na Europa. No total, os empr\u00e9stimos para essas economias foram reduzidos em US$ 626 bilh\u00f5es. A desconfian\u00e7a entre os bancos ainda \u00e9\u00a0elevada. No per\u00edodo avaliado, as institui\u00e7\u00f5es reduziram seus empr\u00e9stimos m\u00fatuos em quase US$ 500 bilh\u00f5es, num sinal de que tinham s\u00e9rias d\u00favidas sobre a solv\u00eancia de seus parceiros diante da crise da divida na Europa.<\/p>\n<p>Emergentes. Os pa\u00edses emergentes foram bastante afetados. A redu\u00e7\u00e3o de empr\u00e9stimos foi de US$ 77 bilh\u00f5es e grande parte dessa queda ocorreu na China. Juntas, as economias asi\u00e1ticas perderam US$ 67 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>J\u00e1\u00a0na Am\u00e9rica Latina, houve uma eleva\u00e7\u00e3o dos empr\u00e9stimos, em US$ 9,7 bilh\u00f5es, o \u00fanico continente no mundo a fugir da tend\u00eancia geral. Outra regi\u00e3o que se viu afetada foi a Europa do Leste, que perdeu U$ 14 bilh\u00f5es em empr\u00e9stimos estrangeiros.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p>Pessoas procuram emprego e desocupa\u00e7\u00e3o cresce em mar\u00e7o<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>Apesar da eleva\u00e7\u00e3o da taxa de desemprego em mar\u00e7o, o ano deve ser positivo para o emprego, na avalia\u00e7\u00e3o de economistas da Funda\u00e7\u00e3o Sistema Estadual de An\u00e1lise de Dados (Seade) e do Departamento Intersindical de Estat\u00edstica e Estudos Socioecon\u00f4micos (Dieese). A taxa, segundo eles, tem crescido devido ao aumento da popula\u00e7\u00e3o economicamente ativa (PEA). Animadas com a perspectiva econ\u00f4mica, mais pessoas entram no mercado.<\/p>\n<p>De acordo com a Pesquisa de Emprego e Desempenho (PED), realizada pelas duas entidades, a taxa de desemprego subiu para 10,8% &#8211; foi de 10,1% em fevereiro &#8211; em sete regi\u00f5es metropolitanas. &#8220;Os trabalhadores est\u00e3o otimistas e procuram emprego, e os empres\u00e1rios demitiram menos do que o normal para a \u00e9poca&#8221;, explicou Alexandre Loloian, do Seade.<\/p>\n<p>A terceira eleva\u00e7\u00e3o consecutiva da taxa n\u00e3o surpreendeu Ana Maria Belavenuto, do Dieese. &#8220;O desemprego em mar\u00e7o decorre de pequeno aumento de 0,4% na PEA, o que representou 84 mil pessoas a mais na compara\u00e7\u00e3o com fevereiro.&#8221; Nas sete regi\u00f5es metropolitanas, a PEA passou para 22,4 milh\u00f5es de pessoas. No mesmo per\u00edodo, 92 mil postos de trabalho foram eliminados (queda de 0,5%). O contingente de desempregados aumentou 175 mil, para 2,4 milh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n<p>O rendimento m\u00e9dio real dos ocupados cresceu 0,9% em fevereiro em rela\u00e7\u00e3o a janeiro e passou para R$ 1.459. Na compara\u00e7\u00e3o com igual per\u00edodo do ano passado ficou est\u00e1vel. O maior valor foi registrado no Distrito Federal (R$ 2.254) e o menor na regi\u00e3o metropolitana de Fortaleza (R$ 987).<\/p>\n<p>Na compara\u00e7\u00e3o com o mesmo m\u00eas do ano anterior, \u00e9\u00a0a primeira vez, desde junho de 2011, que o rendimento m\u00e9dio real dos ocupados n\u00e3o foi negativo. Em junho passado o rendimento tinha crescido 0,5% na compara\u00e7\u00e3o anual.<\/p>\n<p>O rendimento real dos assalariados ficou em R$ 1.516 em fevereiro e se manteve praticamente est\u00e1vel ante janeiro (R$ 1.513), mas caiu 0,4% frente a fevereiro de 2011, na m\u00e9dia das sete regi\u00f5es.<\/p>\n<p>A massa de rendimento dos ocupados cresceu 0,2% em fevereiro sobre janeiro, depois de cair 2,2% em janeiro frente a dezembro. A massa de rendimento dos assalariados caiu 0,6% em fevereiro, queda menos intensa que a de janeiro frente a dezembro (0,8%).<\/p>\n<p>Das 92 mil vagas fechadas no m\u00eas passado, a ind\u00fastria cortou 53 mil postos de trabalho, e a constru\u00e7\u00e3o civil 35 mil. O item outros, que inclui servi\u00e7os dom\u00e9sticos, fechou 47 mil vagas. Na dire\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria, o setor de servi\u00e7os abriu 23 mil vagas e com\u00e9rcio criou 20 mil.<\/p>\n<p>Em 12 meses, a ind\u00fastria \u00e9\u00a0o \u00fanico setor que apresentou saldo negativo no n\u00famero de vagas, com o fechamento de 59 mil postos de trabalho na compara\u00e7\u00e3o entre mar\u00e7o deste ano e mar\u00e7o de 2011. O setor de servi\u00e7os apresenta o melhor resultado na mesma compara\u00e7\u00e3o, com a cria\u00e7\u00e3o l\u00edquida de 380 mil vagas. No total, 602 mil vagas foram criadas nas sete regi\u00f5es em 12 meses.<\/p>\n<p>O fraco desempenho do emprego na constru\u00e7\u00e3o civil em mar\u00e7o, segundo Loloian, foi pontual. &#8220;O primeiro trimestre coincide com as chuvas, n\u00e3o \u00e9 um per\u00edodo favor\u00e1vel para a constru\u00e7\u00e3o civil. Mas esse foi um resultado muito pontual. Todas as indica\u00e7\u00f5es s\u00e3o de que o emprego no setor vai continuar crescendo.&#8221;<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p>Desindustrializa\u00e7\u00e3o e a ortodoxia<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico &#8211; Jos\u00e9\u00a0Luis Oreiro<\/p>\n<p>Recentemente alguns expoentes do pensamento ortodoxo ainda prevalecente no Brasil trouxeram \u00e0\u00a0baila a velha cantilena de que a injusti\u00e7a social reinante em nosso pa\u00eds\u00a0\u00e9\u00a0resultado das pol\u00edticas desenvolvimentistas em voga desde a era Vargas, que protegeram o setor industrial, atuando assim como catalizador de um processo injusto de redistribui\u00e7\u00e3o de renda da maioria da sociedade para alguns poucos setores privilegiados da economia brasileira. O governo da presidente Dilma Rousseff estaria, portanto, reeditando os erros do passado ao adotar medidas de prote\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria nacional, as quais s\u00f3 ir\u00e3o gerar inefici\u00eancia na aloca\u00e7\u00e3o de recursos e piora na distribui\u00e7\u00e3o de renda.<\/p>\n<p>Ainda segundo os representantes de nossa ortodoxia, a industrializa\u00e7\u00e3o s\u00f3\u00a0se justificaria com base na tese da &#8220;deteriora\u00e7\u00e3o secular dos termos de troca&#8221;, ou seja, num contexto em que os pre\u00e7os dos bens prim\u00e1rios apresentam uma tend\u00eancia secular de redu\u00e7\u00e3o comparativamente aos pre\u00e7os dos bens industriais. Como nos \u00faltimos anos os pre\u00e7os dos bens agr\u00edcolas t\u00eam aumentado relativamente aos pre\u00e7os dos bens industriais, ent\u00e3o a ind\u00fastria teria perdido a sua funcionalidade para o desenvolvimento de pa\u00edses como o Brasil.<\/p>\n<p>Por fim, os paladinos da ortodoxia argumentam que a desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial requerida para devolver a competitividade da ind\u00fastria brasileira, se fact\u00edvel, levaria a uma redu\u00e7\u00e3o permanente do sal\u00e1rio real dos trabalhadores, sendo assim incompat\u00edvel com os interesses das classes trabalhadora.<\/p>\n<p>Essa argumenta\u00e7\u00e3o da ortodoxia \u00e9\u00a0falaciosa, pois se baseia em premissas incorretas e\/ou em interpreta\u00e7\u00f5es equivocadas a respeito dos fundamentos do pensamento desenvolvimentista.<\/p>\n<p>Primeiramente, devemos ressaltar que atribuir \u00e0\u00a0industrializa\u00e7\u00e3o a culpa pela p\u00e9ssima distribui\u00e7\u00e3o de renda prevalecente em nosso pa\u00eds\u00a0\u00e9, no m\u00ednimo, desconhecer a hist\u00f3ria do Brasil. Para vergonha de todos os brasileiros, nosso pa\u00eds foi o \u00faltimo lugar do mundo a acabar com a escravid\u00e3o, ao final do s\u00e9culo XIX, e isso por uma iniciativa pessoal do imperador D. Pedro II e de sua filha, a princesa Isabel (o que lhes custou o fim da monarquia). Al\u00e9m disso, a estrutura fundi\u00e1ria prevalecente no Brasil, definida desde os tempos das capitanias heredit\u00e1rias, era (e ainda \u00e9) altamente concentrada.<\/p>\n<p>Num contexto em que a propriedade era concentrada nas m\u00e3os de poucos e onde at\u00e9\u00a0quase o final do s\u00e9culo XIX a esmagadora maioria da for\u00e7a de trabalho n\u00e3o recebia qualquer tipo de remunera\u00e7\u00e3o, n\u00e3o\u00a0 \u00e9\u00a0de estranhar que a distribui\u00e7\u00e3o de renda seja altamente concentrada na forma de rendimentos de propriedade (lucros, alugu\u00e9is, renda da terra) e, portanto, nas m\u00e3os de uma pequena minoria da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ainda que desconsideremos as causas hist\u00f3ricas da concentra\u00e7\u00e3o de renda no Brasil, deve-se ter em conta que nas fases iniciais do processo de desenvolvimento econ\u00f4mico, quando a m\u00e3o de obra \u00e9\u00a0transferida dos setores de baixa produtividade (agricultura e minera\u00e7\u00e3o) para os setores de alta produtividade (ind\u00fastria), os sal\u00e1rios reais tender\u00e3o a crescer abaixo da produtividade do trabalho devido ao excesso estrutural de for\u00e7a de trabalho.<\/p>\n<p>Nessas fases iniciais do processo de desenvolvimento, a participa\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios na renda tende a permanecer estagnada ou a cair, o que gera uma tend\u00eancia a concentra\u00e7\u00e3o da distribui\u00e7\u00e3o pessoal da renda. Essa tend\u00eancia \u00e0\u00a0concentra\u00e7\u00e3o de renda ser\u00e1\u00a0revertida quando a economia alcan\u00e7ar o chamado &#8220;ponto de Lewis&#8221;, ou seja, quando o &#8220;ex\u00e9rcito industrial de reserva&#8221; for esgotado devido ao desenvolvimento das for\u00e7as produtivas do capitalismo industrial. Isso requer o t\u00e9rmino do processo de migra\u00e7\u00e3o rural-urbano e a absor\u00e7\u00e3o da m\u00e3o de obra existente pelos setores modernos da economia.<\/p>\n<p>Em segundo lugar, a defesa da industrializa\u00e7\u00e3o n\u00e3o depende unicamente da validade da &#8220;tend\u00eancia a deteriora\u00e7\u00e3o dos termos de troca&#8221;. Com efeito, a ind\u00fastria \u00e9\u00a0o motor de crescimento de longo-prazo das economias capitalistas por ser a fonte das economias est\u00e1ticas e din\u00e2micas de escala, o setor que possui os maiores encadeamentos para frente e para tr\u00e1s na cadeia produtiva e ser a fonte ou o principal difusor do progresso t\u00e9cnico para o restante da economia. Nesse contexto, abrir m\u00e3o da ind\u00fastria significa condenar o pa\u00eds a um crescimento med\u00edocre, se tanto, no longo prazo.<\/p>\n<p>Em terceiro lugar, \u00e9\u00a0verdade que a desvaloriza\u00e7\u00e3o da taxa real de c\u00e2mbio produz uma redu\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio real, mas essa redu\u00e7\u00e3o \u00e9\u00a0apenas de car\u00e1ter tempor\u00e1rio. Isso porque se a desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial for bem-sucedida, ela ser\u00e1\u00a0capaz de, a m\u00e9dio e longo prazo, restaurar a din\u00e2mica da economia, acelerando o crescimento do produto e da produtividade do trabalho. Se o ponto de Lewis tiver sido alcan\u00e7ado isso permitir\u00e1\u00a0um crescimento mais r\u00e1pido dos sal\u00e1rios reais, fazendo com que, num intervalo curto de tempo, os trabalhadores mais do que compensem as perdas salariais.<\/p>\n<p>Por fim, a desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial n\u00e3o requer unicamente um aumento do super\u00e1vit prim\u00e1rio como afirmam os expoentes de nossa ortodoxia. Como boa parte da aprecia\u00e7\u00e3o cambial brasileira deve-se \u00e0\u00a0doen\u00e7a holandesa, a introdu\u00e7\u00e3o de um imposto sobre a exporta\u00e7\u00e3o de commodities, \u00e0\u00a0semelhan\u00e7a do que a Austr\u00e1lia fez recentemente, atuaria de forma decisiva na elimina\u00e7\u00e3o da sobrevaloriza\u00e7\u00e3o cambial.<\/p>\n<p>Jos\u00e9\u00a0Luis Oreiro \u00e9 professor do departamento de economia da Universidade de Bras\u00edlia<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p>A YPF e o Brasil<\/p>\n<p>Correio Braziliense<\/p>\n<p>Pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre-FGV) e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)<\/p>\n<p>A estatiza\u00e7\u00e3o da Yacimientos Petrol\u00edferos Fiscales (YPF), a maior empresa da Argentina, foi destaque na imprensa internacional nos \u00faltimos dias. A maioria das an\u00e1lises focou nos custos que essa iniciativa vai trazer para o pa\u00eds, ao enfraquecer ainda mais o seu j\u00e1 baixo n\u00edvel de seguran\u00e7a jur\u00eddica. Nenhum investimento est\u00e1 seguro, de forma que qualquer empres\u00e1rio vai pensar duas vezes antes de levar seu capital para a Argentina.<\/p>\n<p>V\u00e1rios analistas foram, por\u00e9m, al\u00e9m dessa constata\u00e7\u00e3o. Alguns especularam sobre o que esse movimento revela sobre a situa\u00e7\u00e3o mais ampla do pa\u00eds. H\u00e1\u00a0quem argumente, por exemplo, que o objetivo principal do governo foi apoderar-se do lucro gerado pela YPF, em torno de US$ 1,2 bilh\u00e3o ao ano. Seria, portanto, mais um passo em um caminho que tamb\u00e9m incluiu a sobretaxa\u00e7\u00e3o das exporta\u00e7\u00f5es agr\u00edcolas, a estatiza\u00e7\u00e3o dos fundos de pens\u00e3o, a proibi\u00e7\u00e3o de repatria\u00e7\u00e3o de lucros das mineradoras e a apropria\u00e7\u00e3o das reservas internacionais at\u00e9\u00a0ent\u00e3o guardadas no Banco Central, para ficar nos epis\u00f3dios mais rumorosos.<\/p>\n<p>Quem se alinha com essa vis\u00e3o considera que a din\u00e2mica econ\u00f4mica argentina \u00e9\u00a0insustent\u00e1vel, caminhando para uma crise cambial, mesmo que esta n\u00e3o seja iminente. Medidas como a expropria\u00e7\u00e3o da YPF serviriam apenas para dar sobrevida a um modelo econ\u00f4mico fadado ao fracasso. As semelhan\u00e7as com o modelo chavista, mesmo que involunt\u00e1rias, v\u00e3o ficando mais evidentes.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m se enfatizou o gradativo isolamento internacional do pa\u00eds. Esse come\u00e7ou com o calote da d\u00edvida externa, at\u00e9\u00a0certo ponto inevit\u00e1vel, continuando com o crescente protecionismo e o rompimento de contratos, que tornaram a Argentina campe\u00e3\u00a0de reclama\u00e7\u00f5es em conselhos de arbitragem internacional e na Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio. A expropria\u00e7\u00e3o da YPF vai aumentar o isolamento diplom\u00e1tico do pa\u00eds, reduzir os graus de liberdade da pol\u00edtica econ\u00f4mica e refor\u00e7ar o seu car\u00e1ter nacionalista e estatizante.<\/p>\n<p>Outras mat\u00e9rias situaram a estatiza\u00e7\u00e3o no contexto hist\u00f3rico, lembrando que essa n\u00e3o foi a primeira vez, nem ser\u00e1\u00a0a \u00faltima, que uma empresa multinacional \u00e9\u00a0estatizada. John Gapper chama a decis\u00e3o de Cristina Kichner de \u00f3bvia, mas tamb\u00e9m de &#8220;est\u00fapida&#8221;, j\u00e1 que agora vai caber ao governo argentino arranjar dinheiro para bancar os investimentos necess\u00e1rios para desenvolver o setor de energia do pa\u00eds (Financial Times, 18\/4). Eduardo Lora observou que a Am\u00e9rica Latina vive ciclos recorrentes de estatiza\u00e7\u00f5es e privatiza\u00e7\u00f5es (Valor, 20\/4): estatiza-se quando os pre\u00e7os dos recursos naturais est\u00e3o altos e a expropria\u00e7\u00e3o d\u00e1 ao governo recursos para fazer favores pol\u00edticos; privatiza-se quando a efici\u00eancia e o investimento dessas empresas caem e essas viram um dreno para as contas p\u00fablicas.<\/p>\n<p>Algo surpreendentemente, por\u00e9m, pouco se discutiu sobre as implica\u00e7\u00f5es desse acontecimento para o Brasil. H\u00e1, a meu ver, tr\u00eas que merecem aten\u00e7\u00e3o. Primeiro, a tend\u00eancia \u00e9\u00a0que a pol\u00edtica econ\u00f4mica argentina avance em um grau crescente de radicalismo, na tentativa de lidar com seus desequil\u00edbrios intr\u00ednsecos. N\u00e3o se deve descartar que as empresas brasileiras com investimentos no pa\u00eds tamb\u00e9m sejam alvo de expropria\u00e7\u00f5es. Tanto o setor privado como o governo brasileiro deveriam ter planos contingentes para responder a isso, idealmente de forma mais eficaz do que vem ocorrendo na esfera comercial.<\/p>\n<p>Segundo, n\u00e3o\u00a0\u00e9\u00a0claro como a expropria\u00e7\u00e3o da YPF vai afetar a vis\u00e3o que os investidores estrangeiros t\u00eam do Brasil. De um lado, o Brasil vai se tornar, em termos comparativos, um destino mais atraente para os investimentos estrangeiros na regi\u00e3o. De outro, h\u00e1\u00a0o risco de que as pessoas comecem a se perguntar se algo parecido n\u00e3o pode vir a ocorrer no Brasil futuramente. Afinal de contas, quando a Repsol comprou a YPF nos anos 1990, a Argentina tamb\u00e9m era vista como um pa\u00eds ideal para as multinacionais investirem. Para evitar esse risco, temos de fortalecer cada vez mais as institui\u00e7\u00f5es que garantem a seguran\u00e7a jur\u00eddica no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Terceiro, devemos aprender com o que acontece na Argentina. O governo argentino vem h\u00e1\u00a0anos controlando os pre\u00e7os em baixos patamares. No curto prazo, isso rendeu dividendos pol\u00edticos, mas com o tempo a oferta diminuiu, pela falta de novos investimentos. N\u00e3o d\u00e1\u00a0para controlar pre\u00e7os e quantidades ao mesmo tempo. Tamb\u00e9m por aqui esse fato n\u00e3o parece ser bem compreendido. Infelizmente, tamb\u00e9m no Brasil n\u00e3o se nota um completo entendimento dos preju\u00edzos que v\u00e3o advir do crescente intervencionismo na economia.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p>Lula vai a Dilma e acerta discurso \u00fanico para CPI<\/p>\n<p>O Globo<\/p>\n<p>No primeiro dia de funcionamento da CPI mista do caso Cachoeira, o ex-presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva passou quatro horas reunido com a presidente Dilma Rousseff e alguns ministros, no Pal\u00e1cio da Alvorada, para defender sua posi\u00e7\u00e3o favor\u00e1vel \u00e0\u00a0investiga\u00e7\u00e3o e unificar o discurso do PT e do governo no Congresso. Nas conversas de ontem, Lula repetiu sua tese de que a investiga\u00e7\u00e3o ser\u00e1\u00a0a oportunidade de atacar os opositores do governo que est\u00e3o sob suspeita, ainda que isso represente eventuais perdas no pr\u00f3prio PT.<\/p>\n<p>Paralelamente \u00e0\u00a0reuni\u00e3o de Lula com Dilma, o presidente do PT, Rui Falc\u00e3o, teve reuni\u00f5es com o governador do DF, Agnelo Queiroz (PT), um dos alvos da oposi\u00e7\u00e3o na CPI Mista, e, depois, com parlamentares do partido que integram a comiss\u00e3o, tamb\u00e9m para unificar o discurso. Falc\u00e3o negou que o PT n\u00e3o esteja apoiando Agnelo, mas, nos bastidores, j\u00e1 se fez o c\u00e1lculo: se Agnelo tiver problemas com Cachoeira, n\u00e3o ter\u00e1 como ser preservado.<\/p>\n<p>\u00c0 noite, no Congresso, os l\u00edderes petistas foram orientados pelo Pal\u00e1cio do Planalto a ter sobriedade e conter os arroubos na CPI, mantendo o foco j\u00e1 estabelecido. Delimitar, por exemplo, a investiga\u00e7\u00e3o a contratos da Delta que j\u00e1 est\u00e3o sob suspeitas.<\/p>\n<p>O ministro da Secretaria Geral, Gilberto Carvalho, que esteve no almo\u00e7o e \u00e9\u00a0considerado um interlocutor de Lula no Planalto, j\u00e1\u00a0 estaria trabalhando para convencer o ex-presidente a se acalmar e &#8220;tirar a faca dos dentes&#8221;.<\/p>\n<p>Um dos maiores temores do governo e do PT \u00e9\u00a0em rela\u00e7\u00e3o ao magoado ex-diretor do Dnit Luiz Antonio Pagot, que pode comprometer o governo, ao escancarar detalhes de contratos do Minist\u00e9rio dos Transportes com a construtora Delta. Foi diante de argumentos como esses que Lula estaria moderando o tom beligerante em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 CPI.<\/p>\n<p>Diverg\u00eancia sobre relator<\/p>\n<p>Outra suposta diverg\u00eancia entre Lula e Dilma foi na escolha do relator da CPI. Enquanto Lula brigou pela indica\u00e7\u00e3o do ex-l\u00edder C\u00e2ndido Vaccarezza (PT-SP), considerado incendi\u00e1rio, Dilma queria o l\u00edder do PT na C\u00e2mara Paulo Teixeira (PT-SP). Com o impasse, a escolha recaiu sobre o mineiro Odair Cunha.<\/p>\n<p>&#8211; A conclus\u00e3o hoje \u00e9\u00a0que a escolha do Odair Cunha para relator da CPI foi a melhor, justamente por causa da sua sobriedade &#8211; disse um dos participantes da reuni\u00e3o no Alvorada.<\/p>\n<p>Oficialmente, Lula foi a Bras\u00edlia para participar do lan\u00e7amento do document\u00e1rio &#8220;Pela primeira vez&#8221;, de Ricardo Stuckert, fot\u00f3grafo oficial dos seus dois mandatos. O filme conta a passagem do poder dele para Dilma. O lan\u00e7amento ontem, no Museu da Rep\u00fablica, foi muito concorrido com a presen\u00e7a de cerca de 20 ministros, al\u00e9m de ex- ministros como Jos\u00e9 Dirceu, M\u00e1rcio Thomaz Bastos e Franklin Martins &#8211; este \u00faltimo participou do almo\u00e7o no Alvorada.<\/p>\n<p>Na chegada para ver o filme, Lula e Dilma evitaram falar com a imprensa. Questionado se os dois haviam &#8220;acertado os ponteiros&#8221; na reuni\u00e3o que tiveram mais cedo, Lula afirmou:<\/p>\n<p>&#8211; Nosso rel\u00f3gio \u00e9\u00a0su\u00ed\u00e7o. Jamais ele vai ter que atrasar nem adiantar. N\u00f3s nunca temos que acertar ponteiros.<\/p>\n<p>Dilma desconversou ao ser questionada sobre o almo\u00e7o que reuniu no Alvorada, al\u00e9m de Lula e Gilberto Carvalho, os ministros Guido Mantega (Fazenda) e Mercadante (Ci\u00eancia e Tecnologia). Em parte da reuni\u00e3o, Lula e Dilma falaram a s\u00f3s.<\/p>\n<p>&#8211; Foi \u00f3timo, a comida estava \u00f3tima &#8211; disse Dilma.<\/p>\n<p>O ex-presidente foi a Bras\u00edlia em jato fretado pelo Instituto Lula. O aluguel estimado \u00e9\u00a0de cerca de R$ 30 mil.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p>Caixa reduz juros para financiamento habitacional<\/p>\n<p>O Estado de S. Paulo<\/p>\n<p>A Caixa Econ\u00f4mica Federal anunciou ontem a terceira rodada de redu\u00e7\u00e3o dos juros em menos de um m\u00eas, dessa vez para a contrata\u00e7\u00e3o de financiamentos habitacionais. A mudan\u00e7a beneficiar\u00e1, por\u00e9m, apenas as pessoas que fizerem empr\u00e9stimos a partir de 4 de maio. Financiamentos assinados antes dessa data n\u00e3o ser\u00e3o contemplados. Quem j\u00e1\u00a0fechou neg\u00f3cio, mesmo que h\u00e1\u00a0pouco tempo, tamb\u00e9m n\u00e3o poder\u00e1\u00a0renegociar a taxa.<\/p>\n<p>A queda dos juros para os im\u00f3veis vai depender do grau de relacionamento que as pessoas pretendem ter com o banco. Se o interessado em comprar um im\u00f3vel de at\u00e9\u00a0R$ 500 mil, por exemplo, n\u00e3o quiser abrir uma conta, o juro do financiamento ficar\u00e1\u00a010% mais barato. Mas, se a pessoa aceitar abrir uma conta e ainda passar a receber o sal\u00e1rio na institui\u00e7\u00e3o, o empr\u00e9stimo ficar\u00e1\u00a021% mais barato.<\/p>\n<p>A redu\u00e7\u00e3o na taxa segue a dire\u00e7\u00e3o iniciada este m\u00eas pelo tamb\u00e9m estatal Banco do Brasil, seguindo uma orienta\u00e7\u00e3o do governo, e que j\u00e1\u00a0atingiu segmentos como cheque especial e financiamento para autom\u00f3veis. Os bancos privados tamb\u00e9m j\u00e1\u00a0anunciaram quedas em v\u00e1rias taxas, mas, para analistas, teriam menos f\u00f4lego para fazer o mesmo com o cr\u00e9dito habitacional, onde a margem \u00e9\u00a0menor.<\/p>\n<p>Mudan\u00e7a. Para im\u00f3veis dentro do Sistema Financeiro da Habita\u00e7\u00e3o (SFH), de at\u00e9\u00a0R$ 500 mil, as taxas efetivas cobradas pela Caixa hoje s\u00e3o de 10% ao ano para o p\u00fablico geral e 8,9% para clientes com &#8220;relacionamento&#8221;. Essas taxas caem agora para 9% e 8,4% ao ano, respectivamente. Haver\u00e1\u00a0ainda taxa de 7,9% ao ano para clientes que passem a receber seu sal\u00e1rio pelo banco.<\/p>\n<p>Para im\u00f3veis acima de R$ 500 mil, os juros hoje s\u00e3o de 11% ao ano para o p\u00fablico geral e 10,5% para cliente com relacionamento. Essas taxas caem para 10% e 9,2%, respectivamente. Quem recebe sal\u00e1rio no banco paga 9%.<\/p>\n<p>Segundo c\u00e1lculos da Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Executivos de Finan\u00e7as e Contabilidade (Anefac), num empr\u00e9stimo de R$ 500 mil com taxas de 11% ao ano, o consumidor pagaria, durante dez anos, 120 parcelas mensais de R$ 6.729,96. Se a taxa cair para 10%, o ganho total seria de R$ 27 mil &#8211; a parcela mensal cairia para R$ 6.497,28, uma economia de R$ 232 ao m\u00eas.<\/p>\n<p>FGTS. A Caixa tamb\u00e9m vai reduzir a taxa m\u00e1xima para financiamento de im\u00f3veis de at\u00e9\u00a0R$ 170 mil, que s\u00e3o bancados com recursos do FGTS. O juro cai de um teto de 8,47% para 7,9% ao ano, para clientes que recebem sal\u00e1rios no banco. Se o cliente for cotista do FGTS, a taxa ser\u00e1\u00a0de 7,4% ao ano. A queda dos juros come\u00e7a a valer no mesmo dia em que a Caixa d\u00e1\u00a0in\u00edcio ao 8.\u00ba\u00a0feir\u00e3o de im\u00f3veis, que vai at\u00e9\u00a010 de junho. Ser\u00e3o oferecidos mais de 430 mil im\u00f3veis em 13 cidades.<\/p>\n<p>Embora a redu\u00e7\u00e3o dos juros seja uma determina\u00e7\u00e3o do governo, a Caixa tamb\u00e9m diz que se trata de estrat\u00e9gia empresarial e que o aumento de volume de empr\u00e9stimos vai compensar a redu\u00e7\u00e3o dos juros.<\/p>\n<p>Segundo o vice-presidente de Governo e Habita\u00e7\u00e3o da Caixa, Jos\u00e9\u00a0 Urbano Duarte, o banco deve rever a previs\u00e3o de contrata\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito habitacional neste ano de R$ 90 bilh\u00f5es para at\u00e9\u00a0R$ 100 bilh\u00f5es. No ano passado, foram R$ 80 bilh\u00f5es. Neste in\u00edcio de ano, j\u00e1\u00a0 houve um aumento de 43% nessas opera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Urbano Duarte diz ainda que a taxa de inadimpl\u00eancia \u00e9\u00a0de apenas 1,7% nos financiamentos habitacionais e de 5% nos outros empr\u00e9stimos, bem abaixo dos 7,4% da m\u00e9dia do mercado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\nO Globo\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2747\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[106],"tags":[],"class_list":["post-2747","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c119-olhovivo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-Ij","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2747","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2747"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2747\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2747"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2747"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2747"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}