{"id":27471,"date":"2021-06-29T00:26:52","date_gmt":"2021-06-29T03:26:52","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=27471"},"modified":"2021-06-29T00:26:52","modified_gmt":"2021-06-29T03:26:52","slug":"covid-e-multinacionais-farmaceuticas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/27471","title":{"rendered":"Covid e multinacionais farmac\u00eauticas"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ibcdn.canaltech.com.br\/0cUZxfDjiOpT7-AdKGO6n-w7lpo%3D\/1400x788\/smart\/i434123.jpeg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->\u00c1ngeles Maestro *<\/p>\n<p>Num cen\u00e1rio de profunda crise geral, de hegemonia capitalista na luta de classes e quando o espa\u00e7o para as reformas j\u00e1 se esgotou h\u00e1 muito tempo, constata-se que, apesar de a pandemia ter revelado as dram\u00e1ticas insufici\u00eancias da sa\u00fade p\u00fablica, os recursos p\u00fablicos t\u00eam sido exclusivamente destinados \u00e0s companhias privadas. [\u2026] O tr\u00e1gico paradoxo \u00e9 que foram precisamente as d\u00favidas das pr\u00f3prias multinacionais farmac\u00eauticas sobre a seguran\u00e7a dos seus f\u00e1rmacos que levaram ao escandaloso acordo destas empresas com a UE. S\u00e3o os respectivos governos, com dinheiro p\u00fablico, que pagar\u00e3o as indemniza\u00e7\u00f5es por efeitos adversos das vacinas.<\/p>\n<p>O desenvolvimento da pandemia de Covid 19 caracterizou-se, do ponto de vista midi\u00e1tico, por uma estrat\u00e9gia destinada a gerar confus\u00e3o, medo e impot\u00eancia. O procedimento \u00e9 o de um avassalador bombardeamento de not\u00edcias sem o mais elementar rigor cient\u00edfico \u2013 por exemplo, usam-se n\u00fameros absolutos e n\u00e3o taxas (rela\u00e7\u00e3o entre o n\u00famero de casos e a popula\u00e7\u00e3o) para avaliar a incid\u00eancia, de modo que qualquer compara\u00e7\u00e3o \u00e9 absurda \u2013 e por um encobrimento sistem\u00e1tico de informa\u00e7\u00f5es que suscitem algumas d\u00favidas sobre a vers\u00e3o oficial, incluindo as provenientes das fontes mais conceituadas.<\/p>\n<p>Este trabalho pretende contribuir para a an\u00e1lise de um fen\u00f4meno muito complexo e atravessado por interesses poderos\u00edssimos, que mostra a estrita submiss\u00e3o das decis\u00f5es pol\u00edticas aos interesses do grande capital, em detrimento da te\u00f3rica prioridade de salvaguardar a vida e a sa\u00fade das suas popula\u00e7\u00f5es. A gest\u00e3o da compra de vacinas, tanto pela Comiss\u00e3o Europeia como pelo governo espanhol, \u00e9 um exemplo paradigm\u00e1tico da submiss\u00e3o dos objetivos da sa\u00fade ao neg\u00f3cio privado.<\/p>\n<p>Desaparecimento das farmac\u00eauticas p\u00fablicas e financiamento pelo Estado das multinacionais<\/p>\n<p>Nos pa\u00edses capitalistas, a produ\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o de medicamentos concentrou-se em grandes monop\u00f3lios, enquanto as empresas farmac\u00eauticas p\u00fablicas desapareceram. Tudo isso apesar de, historicamente, a OMS \u2013 e a mais elementar l\u00f3gica sanit\u00e1ria \u2013 ter recomendado a cria\u00e7\u00e3o em cada pa\u00eds de ind\u00fastrias p\u00fablicas produtoras dos medicamentos essenciais, entre as quais as vacinas e os hemoderivados ocupam os primeiros lugares. A atual pandemia de Covid 19 revelou a realidade: nenhum pa\u00eds da UE produziu at\u00e9 agora qualquer vacina em laborat\u00f3rios p\u00fablicos [1].<\/p>\n<p>Na Espanha, em cada 100 euros de gastos p\u00fablicos com a sa\u00fade, 29,6 s\u00e3o investidos em medicamentos, cerca de 30.000 milh\u00f5es de euros por ano. As multinacionais farmac\u00eauticas controlam o financiamento e a prescri\u00e7\u00e3o de f\u00e1rmacos. Muitas vezes, fazem-no por meio de suborno direto de m\u00e9dicos e, em geral, influenciando de forma decisiva os planos de estudos de medicina, administrando as fontes para incluir no Registo novos f\u00e1rmacos que n\u00e3o o s\u00e3o [2], financiando todos os congressos de especialidades m\u00e9dicas, pondo ao seu servi\u00e7o a investiga\u00e7\u00e3o p\u00fablica e, at\u00e9 mesmo, patrocinando associa\u00e7\u00f5es de pessoas doentes.<\/p>\n<p>O neg\u00f3cio do s\u00e9culo: financiamento p\u00fablico antecipado e isen\u00e7\u00e3o de responsabilidade<br \/>\nUma das consequ\u00eancias da pandemia \u00e9 o colossal neg\u00f3cio para as multinacionais farmac\u00eauticas, calculado, na UE e por agora, em 50 bilh\u00f5es de euros, derivados da compra pelos Estados de milh\u00f5es de doses de vacinas [3]. Gigantes empresariais como a GKS, a Pfizer ou a AstraZeneka, que, como veremos mais adiante, encabe\u00e7am as listas de san\u00e7\u00f5es por pr\u00e1ticas criminosas e que exibem anualmente margens de lucros muito superiores \u00e0s do sistema financeiro, sequer tiveram de arriscar investimentos pr\u00f3prios. Com dinheiros p\u00fablicos dos Estados da UE, entre estes, do espanhol, foram atribu\u00eddos antecipadamente, em agosto de 2020, 2 bilh\u00f5es de euros para a compra de milh\u00f5es de doses da vacina [4]. E fizeram-no antes de a validade, efic\u00e1cia e seguran\u00e7a dos seus produtos terem sido comprovadas.<\/p>\n<p>Todas as grandes farmac\u00eauticas obtiveram dos governos da UE que fossem eles a pagar as indeniza\u00e7\u00f5es por poss\u00edveis efeitos secund\u00e1rios das vacinas. Al\u00e9m disso, est\u00e3o tratando de conseguir se isentar totalmente da responsabilidade civil pelas consequ\u00eancias produzidas pelos seus medicamentos.<\/p>\n<p>Os interesses econ\u00f4micos que controlam as decis\u00f5es pol\u00edticas<br \/>\nEm agosto de 2010, um dia ap\u00f3s declarar o fim da epidemia da gripe A, a OMS divulgou que os membros de seu Comit\u00ea de Especialistas haviam sido subornados pelas multinacionais farmac\u00eauticas fabricantes de vacinas e antivirais, como o Tamiflu e a Relenza (La Roche e GlaxoSmithkline, respetivamente). A OMS foi acusada de ter gerado uma situa\u00e7\u00e3o injustificada de alarme, que levou muitos pa\u00edses \u00e0 compra massiva de vacinas e medicamentos como os mencionados. Durante todo esse tempo, manteve em segredo os nomes de seu comit\u00ea de especialistas, sob o pretexto de \u201cevitar press\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>Desde a d\u00e9cada de 1990, o financiamento \u00e0 OMS por parte dos Estados membros t\u00eam diminu\u00eddo, enquanto aumentava o financiamento dos privados. Grandes fortunas como a de Bill Gates e de multinacionais farmac\u00eauticas contribuem com 90% do or\u00e7amento da OMS.<\/p>\n<p>O magnata norte-americano \u00e9 acionista de uma dezena de empresas farmac\u00eauticas, incluindo a Pfizer e a AstraZeneca. A Funda\u00e7\u00e3o AstraZeneca em Espanha tem na sua folha de pagamentos, como assessores, diretores de hospitais e institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas de investiga\u00e7\u00e3o [5].<\/p>\n<p>A evid\u00eancia dos v\u00ednculos entre as grandes farmac\u00eauticas com o poder econ\u00f4mico e pol\u00edtico \u00e9 avassaladora:<\/p>\n<p>O principal propriet\u00e1rio da Pfizer \u00e9 o fundo de investimentos Black Rock, o maior do mundo em gest\u00e3o de ativos: 5,1 bilh\u00f5es de d\u00f3lares em 2016, segundo a companhia. A Black Rock tem 9 bilh\u00f5es de d\u00f3lares investidos na banca espanhola e 12 bilh\u00f5es no IBEX [6]. Al\u00e9m disso, em associa\u00e7\u00e3o com a Naturgy (anteriormente, Gas Natural &#8211; Fenosa), a Black Rock participa com 49% no gasoduto Arg\u00e9lia-Espanha , Medgaz.<\/p>\n<p>Em 11 de dezembro de 2020, o presidente dos EUA, Donald Trump, fez um ultimato a Stephen Hahn, diretor do FDA, para autorizar a vacina naquele mesmo dia ou para procurar outro emprego. A amea\u00e7a surtiu efeito, a vacina da Pfizer recebeu a autoriza\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia no dia seguinte e o gigante Walmart anunciou a sua disposi\u00e7\u00e3o de distribuir a vacina em 5.000 estabelecimentos dos EUA.<\/p>\n<p>A Ag\u00eancia Europeia de Medicamentos (EMA) facilitou a autoriza\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia da Pfizer em tempo recorde e, no dia 27 de dezembro, come\u00e7ou a ser inoculada nos pa\u00edses da UE. A EMA tamb\u00e9m recebe 90% dos seus fundos das grandes empresas farmac\u00eauticas.<\/p>\n<p>A EMA, Ag\u00eancia Europeia de Medicamentos, tamb\u00e9m facilitou a autoriza\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia da Pfizer em tempo recorde e, no dia 27 de dezembro, come\u00e7ou a ser inoculada nos pa\u00edses da UE. A EMA tamb\u00e9m recebe 90% dos seus fundos das grandes empresas farmac\u00eauticas. A sua nova diretora \u00e9 fiel vassala da ind\u00fastria farmac\u00eautica. Conforme publica a OMS na sua biografia, ela vem da ind\u00fastria irlandesa de medicamentos e trabalhou como Gerente de Assuntos Cient\u00edficos e de Regula\u00e7\u00e3o, em Bruxelas, para a EFPIA (Associa\u00e7\u00e3o da Ind\u00fastria Farmac\u00eautica Europeia), loby do setor farmac\u00eautico na UE. Foi eleita como diretora da EMA em plena pandemia, em julho de 2020.<\/p>\n<p>Na Espanha, a penetra\u00e7\u00e3o das multinacionais farmac\u00eauticas nas inst\u00e2ncias pol\u00edticas tem sido uma constante, cuja descri\u00e7\u00e3o ultrapassa os limites deste trabalho. Vale lembrar que desde o primeiro governo do PSOE, em 1982, todos os ministros e ministras da sa\u00fade o foram com o benepl\u00e1cito da ind\u00fastria farmac\u00eautica. O primeiro a n\u00e3o ter a sua aprova\u00e7\u00e3o foi Ciriaco de Vicente, um homem honrado, e isto fez com que Felipe Gonz\u00e1lez designasse outro candidato, Ernest Lluch.<\/p>\n<p>O aval das farmac\u00eauticas para altos cargos do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade e das Secretarias das Comunidades Aut\u00f3nomas, incluindo o ex-ministro Bernat Soria, tem sido uma constante [7]. Em plena pandemia, o Ministro da Sa\u00fade do PSOE participou num importante evento com a multinacional farmac\u00eautica Roche \u2013 grande protagonista do esc\u00e2ndalo da Gripe A e do Tamif\u00fa \u2013 patrocinado pelo jornal El Pa\u00eds, para projetar a \u201csa\u00fade do futuro\u201d, com base no esquema de \u201ccolabora\u00e7\u00e3o p\u00fablico-privada\u201d preconizado pela ind\u00fastria farmac\u00eautica.<\/p>\n<p>A tentativa de eliminar do Registo os medicamentos ineficazes e inseguros \u2013 a Espanha tem quase cinco vezes mais medicamentos registados do que outros pa\u00edses da UE \u2013 envolveu uma viagem a Madrid de Henry Kissinger, conselheiro da companhia norte-americana Sharp and Dome (MSD), numa visita privada para \u201ccuidar dos interesses da sua empresa\u201d. Conseguiu o seu objetivo: o assunto saldou-se com a demiss\u00e3o do Diretor Geral da Farm\u00e1cia, F\u00e9lix Lobo.<\/p>\n<p>Esses inconvenientes resolveram-se com a cria\u00e7\u00e3o da Ag\u00eancia Espanhola do Medicamento, que foi inicialmente um organismo aut\u00f3nomo e, depois, uma ag\u00eancia estatal encarregada, de fato, das decis\u00f5es pol\u00edticas nessa \u00e1rea. Conseguia-se assim colocar a pol\u00edtica do medicamento fora das estruturas ministeriais e torn\u00e1-la muito mais control\u00e1vel pelas multinacionais farmac\u00eauticas. Joan Ram\u00f3n Laporte [8], a mais alta autoridade cient\u00edfica em mat\u00e9ria do medicamento no Estado espanhol, afirmou recentemente : \u201cAs Ag\u00eancias do Medicamento foram uma inven\u00e7\u00e3o do capitalismo neoliberal dos anos 1990\u201d.<\/p>\n<p>A armadilha da COVAX<br \/>\nA COVAX, apresentada no F\u00f3rum Mundial de Davos, em 2017, como uma colabora\u00e7\u00e3o mundial para acelerar o desenvolvimento de tratamentos, testes e vacinas contra a Covid-19, \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o fundada pela Global Alliance for Vaccines and Inmunizations [Alian\u00e7a Global para Vacinas e Imuniza\u00e7\u00f5es] (GAVI) e pela Coalition for Epidemic Preparedness Innovations [Coliga\u00e7\u00e3o para a Prontid\u00e3o e Inova\u00e7\u00e3o nas Epidemias] (CEPI), ambas projetadas, criadas e financiadas pela Funda\u00e7\u00e3o Bill e Melinda Gates.<\/p>\n<p>Apresenta-se como uma institui\u00e7\u00e3o \u201cp\u00fablico-privada\u201d que, como todas as que usam este eufemismo t\u00e3o em voga, utiliza financiamento p\u00fablico, dos governos, para benef\u00edcio privado. Atua como banco comercial para a compra de vacinas a multinacionais farmac\u00eauticas. Utiliza o disfarce p\u00fablico e ben\u00e9fico de servir para garantir o acesso equitativo \u00e0s vacinas, quando, na realidade, o seu objetivo \u00e9 o de moldar a ind\u00fastria mundial de fabrica\u00e7\u00e3o de vacinas e o mercado de consumo de vacinas nos pa\u00edses pobres [9].<\/p>\n<p>A cria\u00e7\u00e3o da COVAX obedece a tr\u00eas objetivos fundamentais: proteger as patentes, evitar ao m\u00e1ximo a distribui\u00e7\u00e3o de vacinas procedentes de institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas de pa\u00edses como a China, a R\u00fassia e Cuba, e evitar que as vacinas sejam produzidas diretamente por pa\u00edses com capacidade para faz\u00ea-lo, como a \u00c1frica do Sul, a \u00cdndia ou o Brasil [10].<\/p>\n<p>O que sabemos e, sobretudo, o que n\u00e3o sabemos sobre as vacinas que est\u00e3o sendo utilizadas na UE<br \/>\nA autoriza\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia recebida por todas as vacinas contra a Covid 19 n\u00e3o \u00e9 uma aprova\u00e7\u00e3o como a que recebe qualquer outro medicamento, mas \u00e9 usada quando os f\u00e1rmacos em quest\u00e3o n\u00e3o apresentaram a documenta\u00e7\u00e3o exigida. A decis\u00e3o excecional de permitir o seu uso \u00e9 tomada em fun\u00e7\u00e3o de uma grave situa\u00e7\u00e3o de alarme que justificar\u00e1 assumir os riscos inerentes ao n\u00e3o cumprimento dos protocolos e controles exigidos antes de permitir o uso de qualquer medicamento.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s os momentos de choque, confus\u00e3o e, at\u00e9, de p\u00e2nico, em grande parte induzidos pelos m\u00e9dia, \u00e9 de notar que a taxa m\u00e9dia de letalidade em Espanha, no pico da epidemia (maio de 2020), era muito baixa: 0,8% (uma das mais baixas na Europa), concentrada nos mais idosos \u2013, 95% tinham mais de 65 anos. Comparar esta letalidade com a taxa de letalidade da difteria, que era de 20% em crian\u00e7as menores de 5 anos, ajuda a relativizar adequadamente a situa\u00e7\u00e3o e a colocar a quest\u00e3o de se, em tais circunst\u00e2ncias, \u00e9 razo\u00e1vel prescindir dos protocolos de seguran\u00e7a e ignorar os requisitos estabelecidos, precisamente quando se trata de administrar novos f\u00e1rmacos a centenas de milh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n<p>No momento em que se escreve este artigo n\u00e3o houve not\u00edcias de que alguma das empresas fabricantes das vacinas que est\u00e3o sendo usadas na UE esteja seguindo os protocolos exigidos para a autoriza\u00e7\u00e3o definitiva, apesar das muitas milh\u00f5es de pessoas que j\u00e1 foram inoculadas.<\/p>\n<p>A lei de patentes e, portanto, a oculta\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es sobre a composi\u00e7\u00e3o exata do f\u00e1rmaco, torna imposs\u00edvel avaliar, por contraste, a efic\u00e1cia e os riscos das novas vacinas. O obscurantismo dos acordos da UE com as multinacionais farmac\u00eauticas para a compra de vacinas, que anteriormente havia financiado, foi repetidamente denunciado no Parlamento Europeu. Nem mesmo os eurodeputados puderam ter acesso \u00e0 documenta\u00e7\u00e3o completa dos contratos em que foram investidos mais de 2 bilh\u00f5es de dinheiro p\u00fablico.<\/p>\n<p>As informa\u00e7\u00f5es dadas pelo Departamento de Sa\u00fade do Reino Unido aos profissionais da sa\u00fade, a partir de dados da pr\u00f3pria empresa, acerca da vacina da Pfizer-BioNtech, ilustram bem a aus\u00eancia de verifica\u00e7\u00e3o de aspectos muito relevantes sobre a seguran\u00e7a e efic\u00e1cia da mesma, mas, apesar disso, est\u00e1 se procedendo a vacina\u00e7\u00e3o de milh\u00f5es de pessoas [11]. Desse relat\u00f3rio brit\u00e2nico, a Coordenadora Antiprivatiza\u00e7\u00e3o da Sa\u00fade (CAS) destaca o seguinte:<\/p>\n<p>A efic\u00e1cia desta vacina \u00e9 muito pequena em compara\u00e7\u00e3o com os n\u00edveis de prote\u00e7\u00e3o de vacinas anteriores [12]. A vacina da Pfizer preveniria apenas um caso leve a moderado por cada 119 pessoas vacinadas; ou seja, os outros 118 ver-se-iam submetidos aos efeitos secund\u00e1rios sem obter qualquer benef\u00edcio.<br \/>\nA prote\u00e7\u00e3o conferida refere-se apenas a casos leves ou moderados. N\u00e3o h\u00e1 dados sobre a efic\u00e1cia na preven\u00e7\u00e3o de casos graves(hospitaliza\u00e7\u00f5es, internamentos em UCI), ou sobre a mortalidade. Afirmar que a vacina previne mortes carece totalmente de fundamento. Al\u00e9m disso, os testes n\u00e3o est\u00e3o concebidos para avaliar a sua efic\u00e1cia na preven\u00e7\u00e3o de casos graves ou mortais.<br \/>\nOs dados sobre toxicidade reprodutiva em animais n\u00e3o foram conclu\u00eddos.<br \/>\nN\u00e3o se conhecem os efeitos em menores de 18 anos, nem em maiores de 65, apesar de se ter informado que a vacina\u00e7\u00e3o no Estado espanhol come\u00e7ar\u00e1 por esta \u00faltima faixa et\u00e1ria.<br \/>\nEst\u00e1 exclu\u00edda a vacina\u00e7\u00e3o durante a gravidez e a lacta\u00e7\u00e3o e, tamb\u00e9m, em pessoas com tratamento com imunossupressores. A contraindica\u00e7\u00e3o em pessoas tratadas com anticoagulantes \u00e9 atualmente controversa.<br \/>\nDesconhece-se o per\u00edodo de imunidade conferido pela vacina.<br \/>\nN\u00e3o h\u00e1 dados sobre se existem danos na fertilidade.<br \/>\nN\u00e3o h\u00e1 dados sobre a capacidade de transmiss\u00e3o da doen\u00e7a das pessoas vacinadas. N\u00e3o h\u00e1 qualquer dado que nos permita concluir que a vacina\u00e7\u00e3o em massa acabar\u00e1 com a pandemia e se, portanto, se pode prescindir das medidas de preven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>6- Farmacovigil\u00e2ncia. O lobo guardando o rebanho<\/p>\n<p>Perante a vacina\u00e7\u00e3o em massa de pessoas saud\u00e1veis e pessoas com v\u00e1rias patologias e tratamentos, a l\u00f3gica mais elementar, a prud\u00eancia mais b\u00e1sica e os princ\u00edpios deontol\u00f3gicos mais essenciais exigiriam o m\u00e1ximo refor\u00e7o de todos os mecanismos de farmacovigil\u00e2ncia e de gest\u00e3o de riscos.<\/p>\n<p>Quem recebe a vacina tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 alertado sobre os sintomas graves que podem surgir e o que fazer nesse caso. Ou seja, n\u00e3o h\u00e1 uma coleta sistem\u00e1tica de dados, n\u00e3o h\u00e1 um protocolo, ou um registo geral.<\/p>\n<p>Por isso, como aponta Joan Ram\u00f3n Laporte, quando a EMA come\u00e7a a falar sobre a exist\u00eancia de tromboses em localiza\u00e7\u00f5es at\u00edpicas, que poderiam ser causadas pela vacina Astra Zeneca, entra em contradi\u00e7\u00f5es com os seus pr\u00f3prios dados e, sobretudo, n\u00e3o mostra a tabela de recolhimento de dados imperativa em todos os sistemas de farmacovigil\u00e2ncia. Laporte arrisca que a causa poderia ser a enorme subdota\u00e7\u00e3o de meios dos Centros de farmacovigil\u00e2ncia, em resultado dos cortes dos \u00faltimos anos, mas, acima de tudo e intimamente vinculada aos cortes, \u00e0 normativa da UE sobre farmacovigil\u00e2ncia, que confere uma fun\u00e7\u00e3o muito destacada neste dom\u00ednio precisamente \u00e0 ind\u00fastria farmac\u00eautica. Segundo o normativo em vigor, as fontes de informa\u00e7\u00e3o s\u00e3o de dois tipos: uma recebe as notifica\u00e7\u00f5es espont\u00e2neas do pessoal m\u00e9dico \u2013 com uma subnotifica\u00e7\u00e3o importante e que n\u00e3o permite uma quantifica\u00e7\u00e3o exata; e a outra engloba os sistemas de gest\u00e3o de riscos, cuja responsabilidade cabe \u00e0 pr\u00f3pria ind\u00fastria do medicamento.<\/p>\n<p>Pelo seu significado especial, reproduzo a seguir as palavras de Joan Ram\u00f3n Laporte, numa recente entrevista: \u201cOs sistemas de gest\u00e3o de risco (s\u00e3o) uma s\u00e9rie de estudos realizados com os primeiros consumidores de um novo medicamento para ver o que acontece e se funcionam da mesma forma que no ensaio cl\u00ednico. Estes planos s\u00e3o confiados \u00e0s pr\u00f3prias farmac\u00eauticas e, isto \u00e9 p\u00f4r o lobo a guardar o rebanho! Mas disto n\u00e3o se fala. Relativamente aos sinais de trombose, a AstraZeneca n\u00e3o forneceu nenhum dado, tudo o que se sabe \u00e9 atrav\u00e9s da notifica\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea. Al\u00e9m disso, se se for \u00e0 rede da EMA e se consultar o documento oficial de autoriza\u00e7\u00e3o de todas as vacinas contra a Covid, fica claro que o plano de monitoramento da seguran\u00e7a das vacinas est\u00e1 nas m\u00e3os de cada empresa, mas n\u00e3o h\u00e1 uma lista dos estudos que cada uma far\u00e1, nem protocolos: \u00e9 algo secreto e opaco\u201d. O seguinte ilustra a situa\u00e7\u00e3o com um exemplo: \u201cEstes estudos pressup\u00f5em um enorme movimento de dinheiro. Um relat\u00f3rio alem\u00e3o dizia que, em cinco anos, as empresas farmac\u00eauticas pagar\u00e3o mais de 200 milh\u00f5es de euros a m\u00e9dicos para participarem nestes estudos, sem produzirem um \u00fanico resultado para o sistema alem\u00e3o de farmacovigil\u00e2ncia. Usam a farmacovigil\u00e2ncia para promover a prescri\u00e7\u00e3o do medicamento! Pagam a cada m\u00e9dico participante o que subscrevem para cada paciente! A EMA sabe disso perfeitamente e n\u00e3o faz nada\u201d.<\/p>\n<p>Pr\u00e1ticas criminosas e mafiosas<br \/>\nA revista JAMA (Journal of the American Medical Association [Revista da Associa\u00e7\u00e3o M\u00e9dica Americana]) publicou em novembro de 2020 um artigo intitulado \u201cSan\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas impostas a grandes empresas farmac\u00eauticas por atividades ilegais\u201d. O estudo refere-se apenas aos EUA e inclui as san\u00e7\u00f5es impostas por este pa\u00eds, entre 2003 e 2016, a 22 multinacionais farmac\u00eauticas que produzem medicamentos para o tratamento, testes ou vacinas para a Covid 19. A GlaxoSmithKline (GSK) ocupa o primeiro lugar com multas no valor de 9.775 milh\u00f5es de d\u00f3lares, a Pfizer o segundo, com san\u00e7\u00f5es de 2.910 milh\u00f5es de d\u00f3lares, a Johnson e Johnson o terceiro, com 2.668 milh\u00f5es e a AstraZeneka o d\u00e9cimo primeiro, com 1.172. As multas costumam representar 10% dos benef\u00edcios obtidos pelo ato sancionado. O pagamento de multas \u00e9 considerado como mais uma despesa na comercializa\u00e7\u00e3o de um f\u00e1rmaco.<\/p>\n<p>Os crimes de que foram acusadas s\u00e3o: promo\u00e7\u00e3o ilegal (recomendar f\u00e1rmacos para indica\u00e7\u00f5es n\u00e3o aprovadas), interpreta\u00e7\u00e3o falsificada dos resultados das investiga\u00e7\u00f5es, oculta\u00e7\u00e3o de dados e danos e subornos com comiss\u00f5es a pessoal m\u00e9dico e pol\u00edticos para a obten\u00e7\u00e3o de contratos, entre outros. Todas elas obtiveram contratos milion\u00e1rios com a Comiss\u00e3o Europeia, incluindo a GSK que, associada \u00e0 francesa Sanofi, conseguiu vender \u00e0 Comiss\u00e3o Europeia 300 milh\u00f5es de doses da sua vacina que, supostamente, estar\u00e3o dispon\u00edveis em meados deste ano.<\/p>\n<p>A publica\u00e7\u00e3o de relat\u00f3rios e resultados de investiga\u00e7\u00f5es farmacol\u00f3gicas nas mais conceituadas revistas cient\u00edficas \u00e9 financiada pela ind\u00fastria farmac\u00eautica, que os utiliza como instrumento de propaganda, como tem sido reconhecido pelos diretores dessas publica\u00e7\u00f5es [13].<\/p>\n<p>O contrato do s\u00e9culo. A UE negocia a compra \u00e0 PfizerBioNtech de 1.800 milh\u00f5es de doses<br \/>\nNo passado dia 14 de abril, a presidente da Comiss\u00e3o Europeia, \u00darsula von der Leyen, confirmou que a UE estava negociando com a PfizerBioNtech a compra de 1.800 milh\u00f5es de doses adicionais da sua vacina, enquanto se anunciava o aumento do pre\u00e7o de cada dose para 23 d\u00f3lares. No total, a UE pagar\u00e1 a fabulosa quantia 41.400 milh\u00f5es de euros de dinheiros p\u00fablicos por um n\u00famero de doses que multiplica por quatro a atual popula\u00e7\u00e3o da UE-27, 446 milh\u00f5es de pessoas. Este desequil\u00edbrio justifica-se pela chegada de novas \u201condas\u201d, que v\u00e3o exigir tr\u00eas ou quatro novas doses da vacina at\u00e9 2023.<\/p>\n<p>O cen\u00e1rio montado com os descumprimentos e os efeitos adversos da AstraZeneka tem servido para justificar que a vacina da PfizerBioNtech se torne \u201ca coluna vertebral da vacina\u00e7\u00e3o europeia\u201d. A presidente da Comiss\u00e3o Europeia aproveitou para elogiar \u201co compromisso, a confian\u00e7a e a reatividade da Pfizer-BioNTech\u201d. Estes elogios n\u00e3o s\u00e3o apenas gratuitos, pois tamb\u00e9m pretendem encobrir que a multinacional farmac\u00eautica ocupa o infame segundo lugar nas condena\u00e7\u00f5es por crimes de promo\u00e7\u00e3o de medicamentos para indica\u00e7\u00f5es n\u00e3o aprovadas, oculta\u00e7\u00e3o de resultados adversos e, principalmente, no caso que nos ocupa, subornos de funcion\u00e1rios para a obten\u00e7\u00e3o de contratos [14].<\/p>\n<p>\u00c9 muito interessante acessar a apari\u00e7\u00e3o p\u00fablica do Procurador-geral associado dos EUA, Thomas Perrelli, anunciando a hist\u00f3rica condena\u00e7\u00e3o da multinacional farmac\u00eautica. A Pfizer-BioNtech aceitou a sua culpa pela promo\u00e7\u00e3o de f\u00e1rmacos para usos n\u00e3o aprovados e pagou 2.300 milh\u00f5es de d\u00f3lares [15]. Poderia algu\u00e9m assegurar que o fabuloso contrato obtido pela Pfizer-BioNtech com a UE \u00e9 estranho a estas pr\u00e1ticas t\u00e3o habituais e documentadas da multinacional farmac\u00eautica?<\/p>\n<p>Ainda que a \u201cestrat\u00e9gia de choque\u201d esteja possibilitando que se esque\u00e7a o mais elementar, \u00e9 preciso recordar \u2013 ainda mais perante um contrato destas dimens\u00f5es, com prazos temporais t\u00e3o largos e que prev\u00ea inocula\u00e7\u00f5es repetidas a milh\u00f5es de pessoas \u2013, que se trata de um f\u00e1rmaco n\u00e3o aprovado. Apesar de se passarem meses e se realizarem vacina\u00e7\u00f5es massivas, este fato transcendental n\u00e3o \u00e9 mencionado, nem se estabelecem prazos para acabarem os estudos necess\u00e1rios \u00e0 sua aprova\u00e7\u00e3o definitiva.<\/p>\n<p>Conclus\u00f5es<\/p>\n<p>1 \u2013 O objetivo priorit\u00e1rio da obten\u00e7\u00e3o crescente de lucros, inerente \u00e0s empresas privadas, \u00e9 estritamente oposto ao objetivo da sa\u00fade p\u00fablica: melhorar o estado de sa\u00fade de toda a popula\u00e7\u00e3o. O capital, para se desenvolver, precisa minar e enfraquecer o sistema p\u00fablico: quanto mais e melhor sa\u00fade p\u00fablica, menos espa\u00e7o para neg\u00f3cios privados, e vice-versa. Exatamente o mesmo que acontece com os parasitas no que diz respeito ao organismo cujos recursos utilizam para viver e cuja devasta\u00e7\u00e3o \u00e9 inerente ao seu desenvolvimento.<\/p>\n<p>2 \u2013 Num cen\u00e1rio de profunda crise geral, de hegemonia capitalista na luta de classes e quando o espa\u00e7o para as reformas j\u00e1 se esgotou h\u00e1 muito tempo, constata-se que, apesar de a pandemia ter revelado as dram\u00e1ticas insufici\u00eancias da sa\u00fade p\u00fablica, os recursos p\u00fablicos t\u00eam sido exclusivamente destinados \u00e0s companhias privadas. As medidas gerais de sa\u00fade p\u00fablica, tanto sociais como sanit\u00e1rias, foram ignoradas.<\/p>\n<p>3 \u2013 Os m\u00faltiplos antecedentes de corrup\u00e7\u00e3o, tanto de peritos da OMS e das diferentes Ag\u00eancias do Medicamento, quanto de pol\u00edticos, por parte das grandes empresas farmac\u00eauticas, juntamente com os fabulosos lucros que se est\u00e3o a gerar, permitem suspeitar que se construiu um sinistro cen\u00e1rio \u201cinformativo\u201d de medo na popula\u00e7\u00e3o, para tentar justificar multimilion\u00e1rios investimentos, com dinheiros p\u00fablicos, em vacinas produzidas pelas grandes multinacionais farmac\u00eauticas.<\/p>\n<p>4 \u2013 A servi\u00e7o deste descomunal neg\u00f3cio deve colocar-se o fato de se terem obtido autoriza\u00e7\u00f5es de emerg\u00eancia, sem garantir os n\u00edveis de seguran\u00e7a e efic\u00e1cia exigidos a este tipo de medicamentos de uso massivo em pessoas saud\u00e1veis. Al\u00e9m disso, no processo de vacina\u00e7\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 not\u00edcias da exist\u00eancia de protocolos de farmacovigil\u00e2ncia, de car\u00e1cter geral e sistem\u00e1tico, que permitam conhecer com rigor os efeitos adversos que as novas vacinas est\u00e3o a produzir.<\/p>\n<p>5 \u2013 A avalia\u00e7\u00e3o da seguran\u00e7a e efic\u00e1cia de um medicamento tem os seus ritmos e as suas formas. N\u00e3o os respeitar acarreta riscos, principalmente quando vai ser administrado a milh\u00f5es de pessoas saud\u00e1veis. O princ\u00edpio hipocr\u00e1tico primum non nocere [primeiro (que tudo) n\u00e3o prejudicar], que deve guiar a pr\u00e1tica m\u00e9dica, sucumbiu perante os neg\u00f3cios multimilion\u00e1rios. O tr\u00e1gico paradoxo \u00e9 que foram precisamente as d\u00favidas das pr\u00f3prias multinacionais farmac\u00eauticas sobre a seguran\u00e7a dos seus f\u00e1rmacos que levaram ao escandaloso acordo destas empresas com a UE. S\u00e3o os respectivos governos, com dinheiro p\u00fablico, que pagar\u00e3o as indemniza\u00e7\u00f5es por efeitos adversos das vacinas.<\/p>\n<p>6 \u2013 O controle das decis\u00f5es pol\u00edticas por parte das multinacionais farmac\u00eauticas revela-se nitidamente quando os governos esgrimem o \u201calarme\u201d e a \u201cemerg\u00eancia\u201d como raz\u00f5es para a ado\u00e7\u00e3o de decis\u00f5es que ultrapassam os limites da prud\u00eancia. Ao mesmo tempo, ignoram-se as descobertas realizadas por organismos p\u00fablicos dos pr\u00f3prios pa\u00edses da UE, ou sabotam-se acordos com pa\u00edses como a R\u00fassia ou Cuba, com uma longa e comprovada tradi\u00e7\u00e3o das suas institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas em biotecnologia e na descoberta de vacinas.<\/p>\n<p>7 \u2013 Num mundo em que as evid\u00eancias cient\u00edficas se subordinam \u00e0 esmagadora l\u00f3gica do lucro, a produ\u00e7\u00e3o de medicamentos pelas institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas \u00e9 a \u00fanica garantia de poder subtrair t\u00e3o precioso bem \u00e0 a\u00e7\u00e3o de m\u00e1fias internacionais de enorme capacidade de corrup\u00e7\u00e3o, de chantagem e at\u00e9 de crime, como os descritos por John le Carr\u00e9 na sua novela O Fiel Jardineiro.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma incompatibilidade essencial entre o neg\u00f3cio privado e a sa\u00fade p\u00fablica. Nestes meses, e o mais duro ainda est\u00e1 por vir, tornou-se inocult\u00e1vel a depreda\u00e7\u00e3o de vidas humanas que o capitalismo produz. A aposta na vida e a coloca\u00e7\u00e3o do ser humano como prioridade social exigem a destrui\u00e7\u00e3o do capitalismo.<\/p>\n<p>Notas<\/p>\n<p>Investigadores da Universidade de Helsinque t\u00eam, h\u00e1 meses, uma vacina contra a Covid, usada por spray nasal, que impede a entrada e replica\u00e7\u00e3o do v\u00edrus, pode conservar-se a temperatura ambiente e est\u00e1 livre de patentes. A equipe necessita de 50 milh\u00f5es de euros para realizar a Fase III, um montante rid\u00edculo em rela\u00e7\u00e3o ao que est\u00e1 sendo investido em vacinas, verba que n\u00e3o conseguiu at\u00e9 a presente data \u2013 https:\/\/kaosenlared.net\/finlandia-tiene-una-vacuna-para-la-covid-desde-hace-nueve-meses-y-opto-por-la-big-pharma\/. Algo semelhante acontece na Espanha com a vacina , tamb\u00e9m nasal, sobre a qual trabalha uma equipe do CSIC, com cientistas com contratos prec\u00e1rios e investigadores reformados que trabalham de gra\u00e7a \u2013 https:\/\/www.eldiario.es\/sociedad\/retrasar-edad-jubilacion-buscar-vacuna-coronavirus-facil-seria-dejarlo-siento-obligacion-moral_1_6462532.html.<br \/>\nO n\u00famero de medicamentos autorizados e comercializados em Espanha, 13.335, \u00e9 mais de dez vezes superior ao de pa\u00edses como a Noruega e mais de tr\u00eas vezes do que na Fran\u00e7a. Este fato n\u00e3o significa melhores recursos para os tratamentos, mas sim um alto grau de controle do Registo por parte das empresas. As palavras de Joan Ram\u00f3n Laporte, diretor da Ag\u00eancia Catal\u00e3 do Medicamento s\u00e3o conclusivas: A Espanha financia todos os medicamentos que a ind\u00fastria lhe prop\u00f5e \u2013 https:\/\/www.elperiodico.com\/es\/health\/20151220\/laporteespana-financia-todos-los-medicamentos-que-le-propone-la-industria-4760501.<br \/>\nA utiliza\u00e7\u00e3o da propaganda pelos grandes executivos da Pfizer ou da Moderna sobre supostos sucessos das suas vacinas como meio de conseguir aumentos das cota\u00e7\u00f5es em bolsa, para, depois, venderem as suas a\u00e7\u00f5es d\u00e1 uma ideia das gigantescas expectativas de neg\u00f3cio e da falta de escr\u00fapulos com que este neg\u00f3cio se desenvolve.<br \/>\nA Espanha aderiu ao Acordo de Compra Antecipada de Vacinas da EU \u2013 boe.es<br \/>\nA sua Diretora \u00e9 a ex-Secret\u00e1ria de Estado da Investiga\u00e7\u00e3o, com Mariano Rajoy. S\u00e3o tamb\u00e9m membros o Diretor da funda\u00e7\u00e3o p\u00fablica de Medicina Gen\u00f3mica do Servi\u00e7o de Sa\u00fade da Galiza, do Centro Nacional de determina\u00e7\u00e3o do gen\u00f3tipo do ISCIII e membro da Ag\u00eancia Europeia de Medicamentos, a Subdiretora-geral de Bio\u00e9tica da Comunidade de Madrid, um membro do comit\u00e9 de peritos em pol\u00edtica do medicamento da OMS e a diretora de ensaios cl\u00ednicos do Hospital de Granada. No Comit\u00e9 cient\u00edfico da Funda\u00e7\u00e3o AstraZeneca est\u00e1 o Diretor do Instituto Respirat\u00f3rio do Hospital Cl\u00ednica de Barcelona, o Chefe do Servi\u00e7o de Oncologia do Hospital 12 de outubro, o Diretor do Instituto de Investiga\u00e7\u00e3o de Barcelona e o Chefe do Servi\u00e7o de Cardiologia do Hospital Ram\u00f3n y Cajal \u2013 hojasdebate.es<br \/>\nA BlackRock \u00e9 a maior acionista dos dois grandes bancos espanh\u00f3is, Santander (5,38%) e BBVA (5,917%), Caixabanco (3,003%), Banco de Sabadell (4,994%) e Bankinter (3,694%). Tamb\u00e9m possui participa\u00e7\u00f5es em grandes empresas multinacionais espanholas, como, por exemplo: Telef\u00f3nica (3,883%), Repsol (3,25%), ACS (3,2%), OHL, Gamesa (9%), IAG (6,2%), Euskaltel (3,59%), T\u00e9cnicas Reunidas (3,055%) \u2013 https:\/\/es.wikipedia.org\/wiki\/BlackRock#Espa%C3%B1a.<br \/>\nOs dados podem ser consultados aqui: dsalud.com.<br \/>\nJoan Ram\u00f3n Laporte \u00e9 catedr\u00e1tico de Farmacologia da Universidade de Barcelona e Diretor do Instituto Catal\u00e3o de Farmacologia, organismo que colabora com a OMS.<br \/>\nCOVAX, um organismo mundial com m\u00faltiplas partes interessadas, que pode representar riscos sanit\u00e1rios e pol\u00edticos para os pa\u00edses em desenvolvimento e o multilateralismo \u2013 Amigos da Terra Internacional (foei.org).<br \/>\nCOVAX: a armadilha (alainet.org).<br \/>\nA informa\u00e7\u00e3o cient\u00edfica fornecida pelo Governo brit\u00e2nico pode consultar-se aqui: assets.publishing.service.gov.uk.<br \/>\nA vacina contra a poliomielite confere um n\u00edvel de prote\u00e7\u00e3o entre 99 e 100% at\u00e9 25 anos, ap\u00f3s a quarta dose. vacunas.org.<br \/>\n13.Gotzsche, C. Peter (2014) Medicamentos que matam e crime organizado. O autor, m\u00e9dico, bi\u00f3logo e qu\u00edmico, que trabalhou para a ind\u00fastria farmac\u00eautica, reflete neste demolidor trabalho a engrenagem criminosa das multinacionais farmac\u00eauticas.<\/p>\n<p>Ibid. nota 13.<br \/>\nPfizer Medical Fraud Settlement | C-SPAN.org (c-span.org).<br \/>\n* \u00c1ngeles Maestro: M\u00e9dica, T\u00e9cnica Superior de Sa\u00fade P\u00fablica e ex-deputada, porta-voz da Sa\u00fade no Congresso<\/p>\n<p>Fonte: https:\/\/www.elsaltodiario.com\/industria-farmaceutica\/la-covid-los-gobiernos-de-la-ue-y-las-multinacionales-farmaceuticas, publicado e acessado em 2021\/05\/31<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o do castelhano de PAT<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/27471\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[197],"tags":[227],"class_list":["post-27471","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-saude","tag-5a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-795","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27471","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=27471"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27471\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=27471"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=27471"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=27471"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}