{"id":27580,"date":"2021-07-20T00:57:30","date_gmt":"2021-07-20T03:57:30","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=27580"},"modified":"2021-07-20T00:57:30","modified_gmt":"2021-07-20T03:57:30","slug":"cuba-o-bloqueio-e-a-crise","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/27580","title":{"rendered":"Cuba, o bloqueio e a crise"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\"  alt=\"imagem\"  src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pbs.twimg.com\/media\/E6g8drcXMAsaDyI.jpg\"\/><!--more-->por Atilio A. Boron <\/p>\n<p>Nos \u00faltimos dias vimos o suspeito assassinato do presidente do Haiti, com um modus operandi que tem a marca da CIA. Tamb\u00e9m o brutal ataque de paramilitares e narcos colombianos, equipados com armas de guerra, na Cota 905 nos arredores de Caracas e disparando indiscriminadamente contra popula\u00e7\u00f5es surpreendidas pela agress\u00e3o ins\u00f3lita e inesperada. A ofensiva contra a Nicar\u00e1gua foi adquirindo for\u00e7a \u00e0 medida que as pesquisas de opini\u00e3o antecipavam uma rotunda vit\u00f3ria do sandinismo nas pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es presidenciais.<\/p>\n<p>E agora Cuba, submetida h\u00e1 sessenta anos a uma campanha de agress\u00f5es de todo tipo que, obviamente, n\u00e3o podia deixar de ter impactos profundos sobre a vida econ\u00f4mica cubana. Imaginemos o que teria ocorrido em qualquer outro pa\u00eds que tivesse sido submetido a um cerco t\u00e3o brutal durante tanto tempo. Diz-se facilmente, mas n\u00e3o h\u00e1 antecedentes na hist\u00f3ria universal de uma na\u00e7\u00e3o que tenha sido agredida incessantemente por outro ao longo de sessenta anos! Tenho a convic\u00e7\u00e3o de que nem sequer os Estados Unidos teriam resistido a esse ataque durante tanto tempo. Certamente teriam implodido pior que a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, numa orgia de sangue impulsionada pelo gigantesco arsenal de armas de fogo em m\u00e3os da popula\u00e7\u00e3o civil. Para n\u00e3o falar do que teria ocorrido na Argentina, Brasil, M\u00e9xico ou Col\u00f4mbia se houvessem sofrido os ataques que Cuba vem padecendo.<\/p>\n<p>O que Washington tem feito chama-se genoc\u00eddio porque o bloqueio, condenado quase com absoluta unanimidade pela comunidade internacional, provoca enormes sofrimentos na popula\u00e7\u00e3o. Essas pol\u00edticas matam, enfermam, provocam fome e priva\u00e7\u00f5es indiz\u00edveis. S\u00e3o, em poucas palavras, um crime de lesa humanidade. Os Estados Unidos foram preparando o terreno para o assalto atual ao longo dos \u00faltimos anos, com um bombardeio sistem\u00e1tico, multimilion\u00e1rio, comprando vontades fracas ou ambiciosas, apelando \u00e0s redes sociais e seu algoritmos fat\u00eddicos, \u00e0s &#8220;fake news&#8221; e ao coro formado pelos pe\u00f5es de seus politiqueiros baratos e agentes p\u00e9rfidos de propaganda disfar\u00e7ados de &#8220;jornalistas s\u00e9rios e independentes&#8221;. Com uma maldade incomensur\u00e1vel, Washington intensificou as medidas do bloqueio quando estalou a pandemia, gesto que \u00e9 suficiente para desnudar a inf\u00e2mia moral do imp\u00e9rio, sua verdadeira natureza.<\/p>\n<p>Alguns protestos atuais s\u00e3o compreens\u00edveis. Outros, provavelmente a maioria, s\u00e3o produto do dinheiro e da enorme campanha de desestabiliza\u00e7\u00e3o urdida pela Casa Branca. Apesar de terem uma magnitude muit\u00edssimo menor do que diz a corrupta imprensa hegem\u00f4nica, os dirigentes da Revolu\u00e7\u00e3o os tomaram em conta e explicaram a raz\u00e3o desses padecimentos que mobilizaram nas ruas umas poucas centenas de cubanas e cubanos.<\/p>\n<p>\u00c9 indubit\u00e1vel que houve erros de gest\u00e3o macroecon\u00f4mica ou que as medidas recentes da unifica\u00e7\u00e3o cambial foram inoportunas, talvez tardias, ou que os pre\u00e7os relativos se desenquadraram consideravelmente. Mas seria absolutamente incorreto tentar explicar esses problemas e a rea\u00e7\u00e3o de alguns setores sociais perante eles sem levar em conta os efeitos perturbadores de um bloqueio que se estende por seis d\u00e9cadas. Vi e ouvi nestes dias sisudos analistas falarem dos problemas da economia cubana sem pronunciar nem uma \u00fanica vez a palavra &#8220;bloqueio&#8221;. A ansiedade deles para receber a palmadinha afetuosa do Tio Sam \u00e9 t\u00e3o grande que os leva a esquivarem-se totalmente do papel fundamental desempenhado pelo imperialismo no (mau) funcionamento da economia cubana.<\/p>\n<p>Restri\u00e7\u00f5es para importar e exportar, para adquirir alimentos, medicamentos, insumos m\u00e9dicos, sobressalentes para o transporte ou a energia el\u00e9trica, ou tendo de pagar fretes extravagantes pelos bens que entram ou saem da ilha, com bancos e agentes comerciais renitentes em fazer neg\u00f3cios com Cuba devido \u00e0s san\u00e7\u00f5es que o brutal Golias do Norte promete \u00e0queles que violem o bloqueio. Se sob essas condi\u00e7\u00f5es a Revolu\u00e7\u00e3o Cubana foi o \u00fanico pa\u00eds da regi\u00e3o com capacidade para produzir suas pr\u00f3prias vacinas para combater a Covid-19 (para vergonha da Argentina, Brasil, Chile ou M\u00e9xico) e se durante todas estas d\u00e9cadas p\u00f4de garantir acesso universal e gratuito a elevados padr\u00f5es de aten\u00e7\u00e3o m\u00e9dica, educa\u00e7\u00e3o, seguran\u00e7a social, desporto, m\u00fasica e cultura \u00e9 porque a Revolu\u00e7\u00e3o teve um \u00eaxito tremendo. Do contr\u00e1rio, nada disto teria sido conseguido.<\/p>\n<p>Portanto, aqueles que se erigem em ju\u00edzes de Cuba e nas suas explica\u00e7\u00f5es n\u00e3o levam em conta o papel decisivo, inescap\u00e1vel, que nos seus presentes infort\u00fanios desempenhou a obsess\u00e3o estadunidense por apoderar-se dessa ilha n\u00e3o merecem mais considera\u00e7\u00e3o do que poderia ter um comentarista que, ao falar da Segunda Guerra Mundial e seus estragos, esquecesse de mencionar a palavra &#8220;Hitler&#8221;. Como qualificar\u00edamos esse personagem? Como um imoral, um charlat\u00e3o a soldo, neste caso do imp\u00e9rio, que reproduz, com ares de &#8220;objetividade cient\u00edfica&#8221;, o discurso legitimador de um genoc\u00eddio.<\/p>\n<p>Ao longo da hist\u00f3ria, Cuba \u2013 a p\u00e1tria de Mart\u00ed e Fidel, de Camilo e do Che \u2013 deu amplas mostras de patriotismo. Poder\u00e1 a sua gente reclamar com for\u00e7a pelos problemas atuais, mas da\u00ed a se p\u00f4r de joelhos para ser submetida ao jugo dos herdeiros dos marines que urinaram na est\u00e1tua do Ap\u00f3stolo no Parque Central, ou da oligarquia que s\u00f3 ambiciona devolver Cuba \u00e0 sua condi\u00e7\u00e3o colonial, ou ainda dos blogueiros e &#8220;influencers&#8221; dispostos a lan\u00e7ar a sua dignidade nacional aos c\u00e3es por um punhado de d\u00f3lares, h\u00e1 um passo enorme. E o povo cubano jamais o dar\u00e1, ainda que tenha de morrer na tentativa. <\/p>\n<p>13\/Julho\/2021<br \/>\nVer tamb\u00e9m:<br \/>\nEs posible derrotar la estrategia de Guerra no convencional (+Video)<\/p>\n<p>O original encontra-se em www.pagina12.com.ar\/354370-cuba-el-bloqueo-y-la-crisis<\/p>\n<p>Este artigo encontra-se em https:\/\/resistir.info\/ .<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/27580\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[77],"tags":[219],"class_list":["post-27580","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c90-solidariedade-a-cuba","tag-manchete"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-7aQ","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27580","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=27580"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27580\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=27580"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=27580"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=27580"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}