{"id":27670,"date":"2021-08-07T00:02:33","date_gmt":"2021-08-07T03:02:33","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=27670"},"modified":"2021-08-07T00:02:33","modified_gmt":"2021-08-07T03:02:33","slug":"as-pegadas-do-pegasus-na-espionagem-global","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/27670","title":{"rendered":"As pegadas do Pegasus na espionagem global"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/forbiddenstories.org\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Phone-1-1024x576.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Cr\u00e9ditos \/ The Pegasus Project<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Goul\u00e3o<\/p>\n<p>ABRIL ABRIL<\/p>\n<p>A sociedade de vigil\u00e2ncia avan\u00e7a a todo o vapor num ambiente sem regulamenta\u00e7\u00f5es nacionais ou internacionais porque, nesta mat\u00e9ria, o direito \u00e9 sempre muito mais lento que a capacidade de explos\u00e3o tecnol\u00f3gica. Al\u00e9m disso, como facilmente se percebe atrav\u00e9s das situa\u00e7\u00f5es aproveitadas na esteira do combate \u00e0 Covid-19, as elites governantes mundiais convivem muito bem com esta discrep\u00e2ncia entre as leis e o desenvolvimento da tecnologia, da mesma maneira que v\u00e3o violando os direitos humanos enquanto juram que os defendem.<\/p>\n<p>O mais recente exemplo identificado de assalto \u00e0 privacidade dos cidad\u00e3os \u00e9 o software Pegasus, de produ\u00e7\u00e3o israelense: aspira tudo o que est\u00e1 contido nos smartphones individuais, desde as conversas aos contatos, mensagens e o mais que exista nos discos r\u00edgidos dos aparelhos. Para entrar em funcionamento n\u00e3o \u00e9 preciso que o titular do aparelho fa\u00e7a alguma coisa porque ele penetra, sorrateiro, e cumpre a sua miss\u00e3o como qualquer v\u00edrus (1).<\/p>\n<p>Pegasus \u00e9 obra de agentes da unidade 8200 dos servi\u00e7os de espionagem militar israelense e de elementos do Mossad, que se transferiram das suas fun\u00e7\u00f5es p\u00fablicas para a propriedade de uma empresa privada chamada Grupo NSO, a quem cabe negociar as vendas com governos estrangeiros, mas tem na retaguarda o aparelho de Estado sionista.<\/p>\n<p>O assunto do software Pegasus tornou-se notado por a\u00e7\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o-governamental francesa Forbidden Stories em colabora\u00e7\u00e3o com a Anistia Internacional e uma cadeia de jornais corporativos ditos \u00abde refer\u00eancia\u00bb. Uma notoriedade que representa uma relativa exce\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 quase ignorada mir\u00edade global de m\u00e9todos de espionagem eletr\u00f4nica que os governos e ag\u00eancias p\u00fablicas ou entidades privadas multinacionais manipulam para fiscalizar as atividades e as opini\u00f5es das pessoas ou para montar bases de neg\u00f3cios de modo a explorar a sua boa f\u00e9.<\/p>\n<p>Como se sabe, entidades do tipo das que trouxeram a lume o caso do Pegasus funcionam com indigna\u00e7\u00e3o de geometria vari\u00e1vel e, regra geral, n\u00e3o se incomodam com o fen\u00f4meno da espionagem generalizada, mas sim com casos especiais que, de alguma maneira, digam respeito aos interesses que servem e ao mesmo tempo as sustentam. Esta situa\u00e7\u00e3o tornou-se particular porque entre alguns dos 50 mil n\u00fameros de telefone identificados como estando atacados pelo Pegasus figuram v\u00edtimas de governos com reputa\u00e7\u00e3o duvidosa \u2013 jornalistas, ativistas de direitos humanos, juristas, opositores pol\u00edticos e at\u00e9 agentes governamentais.<\/p>\n<p>Por exemplo, os n\u00fameros identificados permitiram seguir pistas que levaram aos assassinatos do jornalista e espi\u00e3o Jamal Khashoggi pela Ar\u00e1bia Saudita, do jornalista de investiga\u00e7\u00e3o Javier Valdez C\u00e1rdenas por cart\u00e9is da droga protegidos pelo ent\u00e3o governo mexicano do presidente Pe\u00f1a Nieto, \u00e0 contamina\u00e7\u00e3o dos celulares de pelo menos 1400 clientes do WhatsApp e at\u00e9, imagine-se, \u00e0 espionagem do presidente franc\u00eas Emmanuel Macron pelos seus amigos do regime de Marrocos.<\/p>\n<p>Nada que seja muito original porque j\u00e1 Barack Obama espionara a amiga chanceler alem\u00e3 Angela Merkel e a n\u00e3o t\u00e3o amiga presidente brasileira Dilma Rousseff. E f\u00ea-lo sem a ajuda do Pegasus mas recorrendo \u00e0 Ag\u00eancia de Seguran\u00e7a Nacional (NSA), ao que parece agora incomodada porque o malware israelita desafia o seu pretendido monop\u00f3lio da espionagem internacional. Argumenta a NSA que o Pegasus est\u00e1 sendo vendido a pretensos inimigos dos Estados Unidos, esquecendo-se que neg\u00f3cio \u00e9 neg\u00f3cio e o dinheiro n\u00e3o tem cor, mesmo que o pr\u00f3prio Grupo NSO jure o contr\u00e1rio.<\/p>\n<p>Garante a empresa israelense que \u00abvende as suas tecnologias exclusivamente \u00e0s ag\u00eancias de aplica\u00e7\u00e3o da lei e de intelig\u00eancia com o \u00fanico prop\u00f3sito de salvar vidas atrav\u00e9s da preven\u00e7\u00e3o de atos de crime e de terror\u00bb.<\/p>\n<p>Por outro lado, os ex-agentes da espionagem militar israelense asseguram que depois de vendido \u00abn\u00e3o operam o sistema e n\u00e3o t\u00eam acesso aos dados\u00bb. Como podem ent\u00e3o prometer que o Pegasus apenas \u00e9 utilizado contra o crime e o terrorismo? Na verdade poderiam: um engenheiro de seguran\u00e7a cibern\u00e9tica da comunidade de intelig\u00eancia dos Estados Unidos, citado pelo ex-agente da CIA Philip Giraldi, explicou que o Pegasus foi criado com uma \u00abporta dos fundos\u00bb atrav\u00e9s do qual os servi\u00e7os de espionagem israelenses t\u00eam acesso aos dados recolhidos pelo sistema, onde quer que ele atue depois de vendido.<\/p>\n<p>Mais disse o mesmo engenheiro cibern\u00e9tico: que o Pegasus \u00e9 \u00abuma ferramenta que pode ser usada para espionar quase toda a popula\u00e7\u00e3o mundial\u00bb.<\/p>\n<p>N\u00e3o surpreende, portanto, que a investiga\u00e7\u00e3o da Forbidden Stories mais a Anistia Internacional e o cons\u00f3rcio de jornais esteja feita por defeito. Ser\u00edamos muito ing\u00eanuos se acredit\u00e1ssemos que a escala de atua\u00e7\u00e3o do Pegasus se limita a 50 mil n\u00fameros de telefone, tanto mais que, segundo v\u00e1rias fontes, o neg\u00f3cio rende sete a oito milh\u00f5es de d\u00f3lares por cada 50 celulares infectados.<\/p>\n<p>N\u00e3o, o Pegasus n\u00e3o \u00e9 vendido apenas a governos pouco confi\u00e1veis nem o cliente Narandra Modi, o presidente indiano, se limita a us\u00e1-lo para espionar apenas o principal dirigente da oposi\u00e7\u00e3o, Raoul Gandhi.<\/p>\n<p>Jogo de mentiras<\/p>\n<p>Em torno do Pegasus, como da espionagem em geral, existe um imenso jogo de mentiras para confundir a opini\u00e3o p\u00fablica e convenc\u00ea-la de que a espionagem indiscriminada \u00e9 feita para sua seguran\u00e7a. Ainda recentemente, por sinal numa situa\u00e7\u00e3o em que o recurso ao pr\u00f3prio Pegasus foi admitido, numerosos governos tentaram convencer os seus cidad\u00e3os de que o rastreio de telem\u00f3veis era necess\u00e1rio para combater a pandemia de Covid-19. E logo nessa altura foi admitido que Israel tira proveito da comercializa\u00e7\u00e3o da sua ind\u00fastria de telecomunica\u00e7\u00f5es para ter acesso, por via das suas empresas privadas, a informa\u00e7\u00f5es recolhidas nos pa\u00edses compradores dos sistemas.<\/p>\n<p>Pegasus, ali\u00e1s, n\u00e3o \u00e9 caso \u00fanico.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos dias soube-se igualmente, s\u00f3 que com menos destaque, que est\u00e1 no mercado uma outra empresa de software israelense de espionagem denominada Candiru. Desenvolveu e vende capacidades para infectar telefones celulares, tablets, computadores pessoais e contas na nuvem, segundo os investigadores da organiza\u00e7\u00e3o Citizen Lab, do Canad\u00e1. Esta entidade j\u00e1 anteriormente publicara relat\u00f3rios sobre as atividades de espionagem do Grupo NSO, do Google e da Microsoft. O mundo da espionagem dos sistemas de telecomunica\u00e7\u00f5es, inform\u00e1tica e das redes sociais \u00e9, certamente, transnacional, o mais favor\u00e1vel, universal e eficaz desde que existe espionagem. E quando a atividade se desenvolve na aus\u00eancia, em grande parte deliberada, de normas de regulamenta\u00e7\u00e3o, a situa\u00e7\u00e3o atinge contornos paradis\u00edacos nas sociedades governadas por mecanismos de vigil\u00e2ncia \u2013 isto \u00e9, todas.<\/p>\n<p>David Kay, ex-relator especial da ONU para promo\u00e7\u00e3o e protec\u00e7\u00e3o do direito \u00e0 liberdade de express\u00e3o e de opini\u00e3o pediu uma morat\u00f3ria na venda de softwares de espionagem porque se trata de \u00abuma ind\u00fastria fora de controle, irrespons\u00e1vel e irrestrita no fornecimento aos governos, a custos relativamente baixos, de ferramentas de espionagem que apenas os servi\u00e7os de intelig\u00eancia dos Estados mais avan\u00e7ados eram capazes de usar anteriormente\u00bb.<\/p>\n<p>Palavras que o vento leva com toda a naturalidade.<\/p>\n<p>Por outro lado prevalecem afirma\u00e7\u00f5es como as proferidas pelo Grupo NSO, que se apresenta \u00abcomo um criador de tecnologia que ajuda ag\u00eancias internacionais a prevenir e a investigar o terrorismo e o crime, de modo a salvar milhares de vidas em todo o mundo\u00bb.<\/p>\n<p>O presidente do WhatsApp, n\u00e3o considera, contudo, que as pr\u00e1ticas da empresa israelense sejam t\u00e3o merit\u00f3rias, sobretudo depois de infectarem os celulares de pelo menos 1400 clientes da rede: \u00abo spyware perigoso da NSO \u00e9 usado para cometer horr\u00edveis abusos de direitos humanos em todo o mundo, pelo que deve ser barrado\u00bb.<\/p>\n<p>Esta situa\u00e7\u00e3o levou o Facebook, propriet\u00e1rio de WhatsApp, a iniciar um processo contra o Grupo NSO por ter usado servidores nos Estados Unidos para infectar com o seu software malicioso os smartphones de advogados, jornalistas, defensores dos direitos humanos, cr\u00edticos de Israel e funcion\u00e1rios governamentais.<\/p>\n<p>O Grupo NSO argumenta que isso n\u00e3o acontece porque o seu software n\u00e3o pode ser usado com n\u00fameros telef\u00f4nicos dos Estados Unidos. Ao que Edward Snowden, que sabe do que fala depois da sua vast\u00edssima experi\u00eancia na NSA, respondeu que se trata de \u00abuma mentira descarada\u00bb pois, nesta mat\u00e9ria, \u00abo telefone celular de Macron \u00e9 igual ao de Biden\u00bb.<\/p>\n<p>Uma quest\u00e3o de imagem<\/p>\n<p>N\u00e3o nos deixemos levar, por\u00e9m, por esta faceta de uma guerra entre entidades dos Estados Unidos e Israel que \u00e9 apenas mais um elemento, principalmente de base concorrencial, da situa\u00e7\u00e3o desencadeada pela exposi\u00e7\u00e3o p\u00fablica de atividades do software Pegasus do Grupo NSO.<\/p>\n<p>Uma faceta que revela como amigos, amigos, espionagens \u00e0 parte. O General Counting Office dos Estados Unidos reconhece que \u00abIsrael conduz as opera\u00e7\u00f5es de espionagem contra os Estados Unidos mais agressivas do que qualquer outro dos seus aliados\u00bb. Isto acontece entre aliados, imaginem. Por aqui podemos deduzir o potencial impacto global de softwares \u00e0 solta como o Pegasus.<\/p>\n<p>No fundo, como vai se perceber, \u00e0s questi\u00fanculas da espionagem entre amigos sobrep\u00f5e-se o interesse geral de montar uma sociedade de vigil\u00e2ncia da qual os poderes e interesses dominantes extraiam as suas vantagens espec\u00edficas. E as v\u00edtimas ser\u00e3o sempre os cidad\u00e3os, a esmagadora maioria dos quais ignora em absoluto a devassa da sua privacidade.<\/p>\n<p>O Grupo NSO recrutou em 2019 quatro conselheiros para lhe tratarem da imagem, sobretudo quanto aos \u00ababusos em mat\u00e9ria de direitos humanos\u00bb. Trata-se, segundo os pr\u00f3prios agentes da espionagem israelense, de \u00abaconselhar a empresa a defender os direitos humanos e a privacidade\u00bb.<\/p>\n<p>Para o efeito foram ent\u00e3o contratados, como se pode ver nos materiais oficiais da empresa israelense: G\u00e9rard Araud, ex-embaixador franc\u00eas em Israel, nos Estados Unidos e na ONU; Tom Ridge, ex-secret\u00e1rio de Estado de Seguran\u00e7a Interna na administra\u00e7\u00e3o de George W. Bush; Juliette Kayyen, ex-secret\u00e1ria adjunta dos Assuntos Governamentais nas gest\u00f5es de Barack Obama; e Anita Dunn, que j\u00e1 fez parte da estrutura de conselheiros de Joseph Biden e que no Grupo NSO vai tratar \u00abda assessoria de rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas para melhorar a imagem da empresa\u00bb.<\/p>\n<p>Como se percebe, o problema n\u00e3o \u00e9 o software Pegasus ter capacidade \u00abpara espionar quase toda a popula\u00e7\u00e3o do mundo\u00bb e violar direitos fundamentais; nem sequer s\u00e3o graves as guerras de alecrim e manjerona sobre espionagem entre aliados. A quest\u00e3o \u00e9 apenas de imagem; isto \u00e9, espionar as pessoas em escala global e sem regras, fazendo parecer que se trata de uma atividade inocente, at\u00e9 capaz de cuidar da nossa seguran\u00e7a atrav\u00e9s do combate ao crime e ao terrorismo. Por sinal conduzida, na sua ess\u00eancia, por Estados patrocinadores do terrorismo, como est\u00e1 sobejamente comprovado.<\/p>\n<p>Em suma, com a NSA, o Pegasus e certamente muitos outros instrumentos, somos todos espiados, mas devemos estar agradecidos.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Goul\u00e3o, exclusivo O Lado Oculto\/AbrilAbril<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/27670\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[233],"class_list":["post-27670","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo","tag-6a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-7ci","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27670","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=27670"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27670\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=27670"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=27670"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=27670"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}