{"id":277,"date":"2010-02-25T14:05:48","date_gmt":"2010-02-25T14:05:48","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=277"},"modified":"2010-02-25T14:05:48","modified_gmt":"2010-02-25T14:05:48","slug":"descoberta-do-maior-cemiterio-clandestino-do-continente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/277","title":{"rendered":"Descoberta do maior cemit\u00e9rio clandestino do continente:"},"content":{"rendered":"\n<p>Foi descoberto, na Col\u00f4mbia, o maior cemit\u00e9rio clandestino da hist\u00f3ria recente da Am\u00e9rica. A vala comum cont\u00e9m os restos de, pelo menos, 2.000 pessoas e est\u00e1 situada em La Macarena, munic\u00edpio de Meta. V\u00e1rios populares j\u00e1 haviam alertado em in\u00fameras ocasi\u00f5es, em 2009, o que foi em v\u00e3o, pois a Justi\u00e7a n\u00e3o procedia com as investiga\u00e7\u00f5es. Foi gra\u00e7as \u00e0 perseveran\u00e7a dos familiares dos desaparecidos e a visita de uma delega\u00e7\u00e3o brit\u00e2nica (sindicalistas e parlamentares brit\u00e2nicos) que investigava a situa\u00e7\u00e3o dos direitos humanos na Col\u00f4mbia, em dezembro de 2009, que se conseguiu descobrir este horrendo crime perpetuado por agentes militares e paramilitares de um Estado que os garante a impunidade. Um Estado que usa o terror e os massacres para viabilizar o saque multinacional, desaparecendo e reprimindo todos aqueles que ousam reivindicar seus direitos.<\/p>\n<p>Trata-se da maior vala comum do continente: <strong>desde 2005 o ex\u00e9rcito, cujas for\u00e7as de elite est\u00e3o divididas por todo o territ\u00f3rio, est\u00e1 enterrando ali centenas e milhares de pessoas como indigentes<\/strong>. Para encontrar um cemit\u00e9rio desta magnitude \u00e9 necess\u00e1rio nos remetermos \u00e0 barb\u00e1rie nazista. Sua amplitude deixa claro que a macabra pr\u00e1tica do seq\u00fcestro e do desaparecimento for\u00e7ado exercido pelo ex\u00e9rcito e seu bra\u00e7o paramilitar \u00e9 ainda mais horrenda que o que j\u00e1 conhecemos. Sem d\u00favida, o car\u00e1ter genocida do Estado colombiano exige uma mobiliza\u00e7\u00e3o de solidariedade urgente e que os criminosos agentes do Estado e das multinacionais paguem por seus crimes de lesa humanidade.<\/p>\n<p>Jairo Ram\u00edrez, jurista, secret\u00e1rio do Comit\u00ea Permanente pela Defesa dos Direitos Humanos na Col\u00f4mbia, que acompanhou a delega\u00e7\u00e3o brit\u00e2nica ao lugar, ao descobrir a grandeza da vala comum, testemunhou: \u201cO que vimos foi assustador (&#8230;). Uma infinidade de corpos e, na superf\u00edcie, centenas de placas de madeira, de cor branca, com a inscri\u00e7\u00e3o NN e com datas de 2005 at\u00e9 hoje\u201d.<\/p>\n<p>Ram\u00edrez completa: &#8220;O comandante do ex\u00e9rcito nos disse que eram guerrilheiros que tombaram em combate, por\u00e9m as pessoas da regi\u00e3o nos falaram da multid\u00e3o de l\u00edderes sociais, camponeses e lideran\u00e7as comunit\u00e1rias que desapareceram sem deixar rastro\u201d.<\/p>\n<p>O horror de La Macarena faz lembrar \u00e0 Col\u00f4mbia e ao mundo a quantidade assustadora de cemit\u00e9rios clandestinos e valas comuns, cujas coordenadas foram obtidas nos anos e meses recentes, depois das audi\u00eancias de paramilitares que, escondendo-se atr\u00e1s da \u201cLei de Justi\u00e7a e Paz\u201d, confessam seus crimes e d\u00e3o informa\u00e7\u00f5es sobre cemit\u00e9rios clandestinos e outros detalhes da guerra suja do Estado.<\/p>\n<p><strong>O paramilitarismo \u00e9 uma estrat\u00e9gia estatal, financiado pelo Estado e as multinacionais<\/strong><\/p>\n<p>Nestas audi\u00eancias, os paramilitares v\u00eam deixando claro (caso ainda haja alguma d\u00favida) que \u00e9 uma estrat\u00e9gia da guerra suja do Estado e que recebem financiamento de multinacionais e oligarquias. Por\u00e9m, ao fornecerem tantos detalhes e denunciarem que sua forma\u00e7\u00e3o, armamento, implementa\u00e7\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o \u00e9 referendada pelo Estado colombiano, v\u00e1rios deles s\u00e3o extraditados para os Estados Unidos.<\/p>\n<p>Assim, imp\u00f5em-se o sil\u00eancio sobre os respons\u00e1veis estatais e multinacionais dos massacres, evitando que as fam\u00edlias tradicionais das grandes oligarquias e as corpora\u00e7\u00f5es sejam apontadas como financiadores e criadores desse cruel fen\u00f4meno. Apesar de silenciados, as informa\u00e7\u00f5es apresentadas pelos paramilitares extraditados confirmam a evid\u00eancia: o paramilitarismo \u00e9 uma ferramenta do Estado colombiano, criada por ele e que segue recomenda\u00e7\u00e3o da CIA, com instrutores norte-americanos e do Mossad, tendo seus massacres financiados pelo pr\u00f3prio Estado, os latifundi\u00e1rios e as multinacionais (Repsol, BP.<\/p>\n<p>OXY, Chiquita&#8230; entre outras) (1). A raz\u00e3o da cria\u00e7\u00e3o do paramilitarismo \u00e9 a neutraliza\u00e7\u00e3o da reivindica\u00e7\u00e3o social, em todas as suas express\u00f5es. Por isso, a Col\u00f4mbia \u00e9 o lugar mais perigoso do mundo para exercer a atividade sindical; por isso, os estudantes s\u00e3o assassinados, inclusive nas universidades; por isso, s\u00e3o assassinados os l\u00edderes camponeses; por isso, s\u00e3o desaparecidas dezenas de milhares de pessoas pelas m\u00e3os dos paramilitares. O intuito \u00e9 calar as reivindica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A lei da \u201cJusti\u00e7a e Paz\u201d foi editada pelo Estado, desenhada pelo presidente Uribe, para que seus paramilitares conquistassem a impunidade ou condena\u00e7\u00f5es pequenas em compara\u00e7\u00e3o com a crueldade e amplitude de seus crimes. Dessa maneira, centenas de chefes paramilitares, autores de milhares de assassinatos, conseguem livrar-se, quase sempre, da pris\u00e3o, em troca de algumas informa\u00e7\u00f5es sobre cemit\u00e9rios clandestinos e valas comuns, afirmando estarem \u201carrependidos\u201d.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, as grandes empresas, sejam elas nacionais ou multinacionais, acumulam ainda mais capital gra\u00e7as aos massacres, seguindo intocadas.<\/p>\n<p>A impunidade das multinacionais \u00e9 total: n\u00e3o obstante, o Tribunal Permanente dos Povos declarou culpadas v\u00e1rias multinacionais (1) e suas filiais. S\u00e3o culpadas de fomentar o paramilistarismo e pr\u00e1ticas genocidas na Col\u00f4mbia: \u201cPor sua participa\u00e7\u00e3o como autoras, c\u00famplices ou instigadoras, no encargo de pr\u00e1ticas genocidas, em suas diferentes modalidades: matan\u00e7a de membros de grupos; les\u00e3o grave \u00e0 integridade f\u00edsica ou mental dos membros do grupo; e submiss\u00e3o intencional do grupo a condi\u00e7\u00f5es de exist\u00eancia que venha a acarretar sua destrui\u00e7\u00e3o f\u00edsica, total ou parcial. Estas pr\u00e1ticas se fizeram concretas no processo de extin\u00e7\u00e3o de 28 comunidades ind\u00edgenas, no processo de aniquila\u00e7\u00e3o do movimento sindical colombiano e no exterm\u00ednio do grupo pol\u00edtico Uni\u00f3n Patri\u00f3tica (&#8230;). Por sua participa\u00e7\u00e3o (&#8230;) na efetiva\u00e7\u00e3o de crimes de lesa humanidade, como: assassinato; exterm\u00ednio; deporta\u00e7\u00e3o ou traslado for\u00e7ado de populares; encarceramento; tortura; viola\u00e7\u00e3o; persegui\u00e7\u00e3o de um grupo ou coletividade com identidade pr\u00f3pria fundada em motivos pol\u00edticos e \u00e9tnicos, em conex\u00e3o com outros crimes mencionados, e desaparecimento for\u00e7ado de pessoas\u201d.<\/p>\n<p><strong>Impunidade para grandes capitalistas,    multinacionais e oligarquia: extraditar sepulta a verdade<\/strong><\/p>\n<p>O caso dos paramilitares Mancuso (2) e Hebert Veloza (3), por exemplo. Eles ser\u00e3o julgados nos Estados Unidos por narcotr\u00e1fico e n\u00e3o poder\u00e3o ser julgados por crimes de lesa humanidade na Col\u00f4mbia. Com a sa\u00edda destes assassinos da Col\u00f4mbia, muitas v\u00edtimas ficar\u00e3o sem conhecer o paradeiro de seus desaparecidos, pois numa primeira audi\u00eancia, estes chefes paramilitares, geralmente, d\u00e3o uma ou outra informa\u00e7\u00e3o sobre as sepulturas. Em casos como o de Veloza, que admitiu 3000 assassinatos pelo menos, ainda existem muitos detalhes a serem revelados sobre o paradeiro das v\u00edtimas. E o mais importante: a falta do esclarecimento do todo, somada ao fato de que a extradi\u00e7\u00e3o impede a apreens\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es, gera a subtra\u00e7\u00e3o ainda maior da verdade. Ou seja, o Estado busca evitar a todo custo que se tenha acesso aos nomes dos autores intelectuais dos crimes.<\/p>\n<p>Hebert Veloza declarou, acerca das atividades por ele desenvolvidas entre 1994 e 20036: \u201cCalculo que meus grupos assassinaram aproximadamente 3 mil pessoas ou mais. Muitos deles eram atirados ao (rio) Cauca&#8221;, respondendo \u00e0 pergunta de quantas pessoas havia matado.<\/p>\n<p><strong>A dissuas\u00e3o pelo terror: dissuadir a reivindica\u00e7\u00e3o e esvaziar extensos territ\u00f3rios<\/strong><\/p>\n<p>Veloza, tamb\u00e9m conhecido como HH, um dos mais cru\u00e9is chefes do grupo paramilitar Autodefensas Unidas de Colombia (AUC); disse ter utilizado a &#8220;decapita\u00e7\u00e3o&#8221; para aterrorizar as comunidades. &#8220;Quando chegamos a Urab\u00e1, decapitamos muita gente. Era uma estrat\u00e9gia para promover o terror\u201d. \u00c9 uma estrat\u00e9gia de \u201cdissuadir pelo terror\u2019: est\u00e1 teorizada nos manuais de contra- insurg\u00eancia do Estado (cortesia dos EUA) e consiste em difundir um intenso p\u00e2nico atrav\u00e9s das torturas e desmembramentos p\u00fablicos para alcan\u00e7ar a paralisia dos sobreviventes&#8230; Se busca calar as reivindica\u00e7\u00f5es sociais, econ\u00f4micas, ecol\u00f3gicas; se busca \u201cdissuadir pelo terror\u201d a reivindica\u00e7\u00e3o e dispersar assim popula\u00e7\u00f5es inteiras.<\/p>\n<p>Sempre que o governo fala de \u201cdi\u00e1logo\u201d com os paramilitares, tendo em vista a sua \u201cdesmobiliza\u00e7\u00e3o\u201d, as v\u00edtimas qualificam estes \u201cdi\u00e1logos\u201d como \u201cmon\u00f3logos\u201d, pois o paramilitarismo \u00e9 uma estrat\u00e9gia do pr\u00f3prio Estado.<\/p>\n<p><strong>Massacrar com ostenta\u00e7\u00e3o e encobrir os benefici\u00e1rios de tanta morte<\/strong><\/p>\n<p>Para os \u201cautores intelectuais\u201d destes crimes, a extradi\u00e7\u00e3o dos paramilitares \u00e9 a salva\u00e7\u00e3o para que n\u00e3o se conhe\u00e7a a verdade plena. Mandam os paramilitares aos Estados Unidos com o intuito de que estes sejam julgados por delitos menores que os genoc\u00eddios que cometeram. Assim, se esconde a verdade, se calam os nomes, os sobrenomes da oligarquia, dos empres\u00e1rios, dos gerentes e agentes de multinacionais, dos congressistas, ministros e at\u00e9&#8230; os nomes de algum presidente&#8230;<\/p>\n<p>\u201cEm Urab\u00e1, quando come\u00e7amos, deix\u00e1vamos os corpos no mesmo lugar onde as pessoas eram mortas\u201d, relatou Veloza. \u201cDepois de um tempo, o poder p\u00fablico come\u00e7ou a pressionar e (disseram) que nos deixariam continuar trabalhando, por\u00e9m, ter\u00edamos que desaparecer com as pessoas. Assim, come\u00e7aram a surgir as valas comuns\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>E assim se expressou Veloza, referindo-se ao ex\u00e9rcito oficial da Col\u00f4mbia: \u201cN\u00f3s \u00e9ramos ilegais e <strong>s\u00e3o mais culpados eles do que n\u00f3s. Porque eles representam o Estado e s\u00e3o obrigados a proteger essas comunidades e utilizavam os nossos servi\u00e7os<\/strong> para combater a guerrilha. N\u00f3s cometemos muitos homic\u00eddios e temos que responder, por\u00e9m, eles tamb\u00e9m devem responder&#8230;\u201d &#8220;Assassin\u00e1vamos pessoas todos os dias, em todos os munic\u00edpios de Urab\u00e1\u201d, continuou. Foi nos estados de C\u00f3rdoba e Urab\u00e1 que se formaram as AUC, em 1998, sob o apoio do Estado colombiano. Acabaram totalmente com a popula\u00e7\u00e3o em numerosas comunidades suspeitas de serem simpatizantes ou familiares dos guerrilheiros. Tamb\u00e9m se orientaram os paramilitares para acabar com os sindicalistas e ecologistas, com o objetivo de facilitar a implanta\u00e7\u00e3o de um modelo de \u201cdesenvolvimento\u201d econ\u00f4mico que necessitava de grandes e r\u00e1pidos deslocamentos populacionais.<\/p>\n<p>John Jairo Renter\u00eda, tamb\u00e9m conhecido como Bet\u00fan, foi um dos \u00faltimos paramilitares a dar declara\u00e7\u00f5es. Revelou, na presen\u00e7a do magistrado e dos familiares das v\u00edtimas, que ele e seus paramilitares enterraram \u201cao menos 800 pessoas\u201d na propriedade rural de Villa Sandra, em Puerto As\u00eds, Putumayo.<\/p>\n<p>Declarou a metodologia aplicada: \u201cT\u00ednhamos que desmembrar as pessoas. Todos nas Autodefensas t\u00ednhamos que aprender isso e, muitas vezes, fazer isso com as pessoas vivas\u201d.<\/p>\n<p><strong>O movimento de v\u00edtimas de crimes de Estado na Col\u00f4mbia estima em mais de 50.000 os desaparecimentos causados pelos paramilitares do Estado ou por agentes policiais e militares<\/strong>. O pr\u00f3prio Minist\u00e9rio P\u00fablico da Col\u00f4mbia reconhece 25.000 \u201cdesaparecidos\u201d. Os familiares dos desaparecidos rodam o pa\u00eds a cada descoberta de cemit\u00e9rio clandestino, numa busca dif\u00edcil e dolorosa.<\/p>\n<p><strong>Lan\u00e7ar as v\u00edtimas aos jacar\u00e9s: o horror do total desaparecimento<\/strong><\/p>\n<p>Existem cemit\u00e9rios clandestinos enormes na Col\u00f4mbia. Sabe-se, tamb\u00e9m, por outras declara\u00e7\u00f5es de paramilitares e de v\u00edtimas sobreviventes, que os paramilitares teriam propriedades no campo com criadouros de crocodilos para desaparecerem com suas v\u00edtimas (\u00e0s vezes, deixavam sobreviventes para que contassem o que viram nos locais de tortura). Em San Onofre, Sucre, num s\u00edtio conhecido como \u201cEl Palmar\u201d, o chefe paramilitar \u201cRodrigo Cadena\u201d lan\u00e7ava os cad\u00e1veres das v\u00edtimas, e at\u00e9 com vida, aos jacar\u00e9s que viviam na represa (4).<\/p>\n<p>Assim, os torturados eram lan\u00e7ados nos criadouros de jacar\u00e9s. Muitas pessoas desapareceram totalmente, comidas pelos jacar\u00e9s, ou lan\u00e7adas nos rios, no mar ou em fornos cremat\u00f3rios.<\/p>\n<p>O Governo n\u00e3o demonstra vontade pol\u00edtica de investigar a fundo e n\u00e3o permitir\u00e1 que apare\u00e7am algumas valas comuns. Al\u00e9m disso, retardam as identifica\u00e7\u00f5es, provas qu\u00edmicas e provas de DNA.<\/p>\n<p>Quantos cemit\u00e9rios clandestinos se podem encontrar? A localiza\u00e7\u00e3o das valas comuns \u00e9 dada por paramilitares que desejam diminuir em at\u00e9 um quarto a sua condena\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, muitos seres humanos foram completamente eliminados&#8230;<\/p>\n<p>Salvatore Mancuso, por exemplo, confessou que, para evitar que encontrassem o corpo do l\u00edder ind\u00edgena Kimi Pern\u00eda, o retiraram da vala e o jogaram no rio Sin\u00fa.<\/p>\n<p>Outros paramilitares contam que o pr\u00f3prio Mancuso, para esconder seus crimes, mandou revolver a terra de um s\u00edtio em Ralito, em que seu grupo havia enterrado cad\u00e1veres. Agora, as \u00c1guilas Negras, herdeiras dos paramilitares, est\u00e3o desenterrando e lan\u00e7ando nos rios o conte\u00fado de v\u00e1rias valas, dizem os investigadores.<\/p>\n<p><strong>Os cursos para implantar o terror<\/strong><\/p>\n<p>Os testemunhos de paramilitares e os resultados das equipes forenses permitem concluir que as Autodefensas Unidas de Colombia n\u00e3o s\u00f3 criaram um m\u00e9todo de esquartejar seres humanos, como chegaram ao extremo de ministrar \u201ccursos\u201d, utilizando pessoas vivas que eram levadas at\u00e9 seus campos de treinamento.<\/p>\n<p>Francisco Villalba, o paramilitar que dirigiu no territ\u00f3rio a barb\u00e1rie de Aro (Antioquia), em que se torturaram e massacraram 15 pessoas durante 5 dias, revela detalhes desses \u201ccursos\u201d: \u201cLev\u00e1vamos as pessoas em caminh\u00f5es, vivas, amarradas (&#8230;). Se repartiam entre grupos de at\u00e9 cinco (&#8230;) as instru\u00e7\u00f5es eram retirar o bra\u00e7o, a cabe\u00e7a&#8230; desarticul\u00e1-las vivas\u201d.<\/p>\n<p>Os \u201ccursos de esquartejamento\u201d serviam para adestrar os paramilitares em sua fun\u00e7\u00e3o mais espec\u00edfica: infundir o terror na popula\u00e7\u00e3o para, assim, conseguir \u201cdissuadir pelo terror\u201d e dispersar os sobreviventes que presenciaram os massacres. Assim, o grande capital conseguiu retirar mais de 4 milh\u00f5es de pessoas de suas terras.<\/p>\n<p>O paramilitar Villalba contou \u00e0 Justi\u00e7a desde a sua inicia\u00e7\u00e3o at\u00e9 seus massacres: \u201cEm meados de 1994, mandaram-me a um curso no s\u00edtio La 35, em El Tomate, Antioquia, onde ficava o campo de treinamento\u201d. Disse que as instru\u00e7\u00f5es eram recebidas diretamente dos altos comandos, como \u2018Doble Cero\u2019 (Carlos Garc\u00eda).<\/p>\n<p>Villalba conta que para a aprendizagem do esquartejamento usavam campesinos, pessoas que capturavam em povoados vizinhos: \u201cFaziam com que essas pessoas entrassem nos ve\u00edculos, amarravam-lhes as m\u00e3os e as levavam para um quarto.<\/p>\n<p>Ali, permaneciam presas por v\u00e1rios dias, \u00e0 espera do in\u00edcio do treinamento\u201d.<\/p>\n<p>Dividiam os grupos de seq\u00fcestrados entre os grupos de paramilitares \u201ce, a\u00ed, esquartejavam\u201d, disse Villalba no interrogat\u00f3rio. \u201cO instrutor dizia a um: \u2018Voc\u00ea venha para c\u00e1 e fulano para l\u00e1. Mantenha a seguran\u00e7a do esquartejamento\u2019.<\/p>\n<p>Sempre que se tomava um povoado ou que se ia esquartejar algu\u00e9m, era necess\u00e1rio oferecer seguran\u00e7a \u00e0queles que estavam realizando o trabalho\u201d&#8230; Dos quartos onde estavam presos, mulheres e homens eram retirados apenas com roupas \u00edntimas. Com as m\u00e3os atadas, eram levados ao s\u00edtio onde o instrutor esperava para iniciar o \u201ccurso\u201d: \u201cAs instru\u00e7\u00f5es eram para ensinar a arrancar o bra\u00e7o, a cabe\u00e7a, esquartej\u00e1-los vivos. Eles sa\u00edam chorando e pediam que n\u00e3o os fizessem nada, que tinham filhos\u201d. Villalba descreve: \u201cAs pessoas eram abertas do peito at\u00e9 a barriga para que se retirasse as tripas, o despojo. Depois, retirava-se as pernas, bra\u00e7os e cabe\u00e7a. Isso era feito com machado ou fac\u00e3o. O resto, o despojo, com as m\u00e3os. N\u00f3s, que est\u00e1vamos em treinamento, retir\u00e1vamos os intestinos\u201d.<\/p>\n<p>O treinamento existia, segundo ele, para \u201cprovar a coragem e aprender como fazer desaparecer uma pessoa\u201d. Est\u00e1 claro que os esquartejamentos t\u00eam a fun\u00e7\u00e3o clara de aterrorizar ao serem praticados na frente de popula\u00e7\u00f5es inteiras.<\/p>\n<p>\u201cMandaram retirar o bra\u00e7o de uma mo\u00e7a. Ela pedia que n\u00e3o o fizesse, pois tinha filhos\u201d. Os corpos eram sepultados no s\u00edtio \u201cLa 35\u201d, onde, calcula-se, enterraram em valas mais de 400 pessoas. (5)<\/p>\n<p><strong>Diante do desprezo do Estado, as m\u00e3es da Candelaria escavam elas mesmas<\/strong><\/p>\n<p>A magistratura \u00e9 extremamente lenta na descoberta das valas comuns. Existem mais de 4200 informa\u00e7\u00f5es sobre esses cemit\u00e9rios clandestinos e n\u00e3o foram feitas mais de trezentas buscas. Enquanto isso, os testes com os restos humanos, a prova de DNA t\u00eam sido feitos com morosidade, comprovando o esc\u00e1rnio que o Estado professa aos parentes e \u00e0s v\u00edtimas. Desprezo de um Estado que alega \u201cfalta de recursos\u201d, enquanto endivida o pa\u00eds para pagar os gastos militares e paramilitares. Por isso, desde come\u00e7os de 2007, uma delega\u00e7\u00e3o das \u201cMadres de la Candelaria\u201d reuniu-se na cadeia com o chefe paramilitar Diego Fernando Murillo, o \u201cDon Berna\u201d, e com outros chefes paramilitares (hoje extraditados nos Estados Unidos) e estes as aproximaram da localiza\u00e7\u00e3o dos cemit\u00e9rios da Comuna 13, de Medell\u00edn. Ent\u00e3o, v\u00e1rios familiares decidiram armarem-se de picaretas e p\u00e1s para desenterrar seus entes queridos. \u201cN\u00e3o pretendemos recome\u00e7ar o trabalho da Justi\u00e7a (&#8230;). N\u00f3s, de acordo com que nos disseram estes senhores (assassinos), vamos por nossa conta e com nossas p\u00e1s (pelos bairros da Comuna 13) para ver o que encontramos. Muitas vezes eles n\u00e3o querem ou n\u00e3o possui nenhuma serventia confessar onde est\u00e1 \u2018x\u2019 ou \u2018y\u2019, e n\u00e3o conv\u00e9m que digam isso na frente dos ju\u00edzes. Ent\u00e3o, n\u00f3s dizemos a eles: \u2018Fiquem tranq\u00fcilos, digam-nos onde est\u00e3o nossos filhos e vamos. E n\u00f3s, caladinhas, os buscamos\u201d.<\/p>\n<p>A comiss\u00e3o brit\u00e2nica que visitou a Col\u00f4mbia escutou m\u00faltiplos testemunhos acerca das viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos e sindicais, acerca de execu\u00e7\u00f5es extrajudiciais, deslocamentos e fugas for\u00e7adas, desaparecimentos, criminaliza\u00e7\u00e3o da oposi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, montagens judiciais, roubo de terra dos camponeses para benef\u00edcio das corpora\u00e7\u00f5es multinacionais.<\/p>\n<p>A comiss\u00e3o declarou em suas conclus\u00f5es finais que: <strong>\u201cDepois de ter escutado tais testemunhos, cremos que o ex\u00e9rcito colombiano \u00e9 respons\u00e1vel pela maioria das viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos contra a sociedade civil\u201d<\/strong>, e tamb\u00e9m que: &#8220;A atividade paramilitar persiste, especialmente nas regi\u00f5es rurais e existem evid\u00eancias de que se permanecem os v\u00ednculos entre os paramilitares e o ex\u00e9rcito\u201d.<\/p>\n<p><strong>Terrorismo de Estado na Col\u00f4mbia: <\/strong><\/p>\n<p>*Ao menos <strong>50.000 pessoas desaparecidas<\/strong> (seq\u00fcestradas e torturadas) pelo terrorismo de Estado, baseada na l\u00f3gica de \u201cdissuadir a reivindica\u00e7\u00e3o pelo terror\u201d (o Estado objetiva que o terror perdure ao desaparecer com o corpo, pois prolonga a ang\u00fastia dos sobreviventes); *A elimina\u00e7\u00e3o f\u00edsica de todo um partido pol\u00edtico, a Uni\u00f3n Patri\u00f3tica (UP): mais de <strong>5.000 pessoas da UP assassinadas pelo Estado<\/strong>;<\/p>\n<p>*<strong>Mais de 4 milh\u00f5es de pessoas retiradas de suas terras<\/strong> mediante os massacres dos militares e paramilitares dentro da estrat\u00e9gia estatal da \u201cterra arrasada\u201d, para esvaziar o campo populacional e oferecer, assim, \u00e0s multinacionais os terrenos de alto interesse econ\u00f4mico, desprovidos de reivindica\u00e7\u00f5es e habitantes;<\/p>\n<p>*<strong>6 milh\u00f5es de hectares de terra<\/strong> roubados das v\u00edtimas e dos habitantes expulsos, sendo ofertadas \u00e0s multinacionais, aos grandes latif\u00fandios e aos novos grupos paramilitares. Agora, o esc\u00e2ndalo da \u201cterra de entrada segura\u201d, vem consolidando este roubo das v\u00edtimas (6);<\/p>\n<p>*<strong>Mais de 4.200 valas comuns<\/strong> (denunciadas) com milhares de cad\u00e1veres de colombianos massacrados pelo paramilitarismo do Estado colombiano. Os paramilitares v\u00eam dando algumas coordenadas desses cemit\u00e9rios clandestinos, para possibilitar a aceita\u00e7\u00e3o da \u201cLei de Justi\u00e7a e Paz\u201d, editada sob a dire\u00e7\u00e3o de seu padrinho Uribe, com o objetivo de conseguir a impunidade caso mostrem \u201carrependimento\u201d. Lei que legaliza as terras usurpadas. J\u00e1 em abril de 2007, quando se cumpria o primeiro ano de busca de valas comuns, a Justi\u00e7a recebeu 3710 den\u00fancias de s\u00edtios onde ach\u00e1-las, por\u00e9m n\u00e3o foi poss\u00edvel explorar a maioria, segundo o Estado, por \u201cfalta de recursos\u201d&#8230;;<\/p>\n<p>*<strong>Milhares de cad\u00e1veres<\/strong> v\u00eam sendo descobertos nos cemit\u00e9rios clandestinos, por\u00e9m o Estado j\u00e1 anunciou aos familiares das v\u00edtimas que n\u00e3o poder\u00e1 arcar com as an\u00e1lises de DNA de todos os corpos por \u201cfalta de recursos\u201d&#8230; Por\u00e9m, para pagar aos assassinos e torturadores se tem o dinheiro.<\/p>\n<p>*<strong>2.649 sindicalistas assassinados<\/strong>;<\/p>\n<p>*Milhares de <strong>execu\u00e7\u00f5es extrajudiciais<\/strong>, entre elas o esc\u00e2ndalo dos <strong>\u201cfalsos positivos\u201d<\/strong>. Os militares raptam rapazes e mo\u00e7as, os disfar\u00e7am de guerrilheiros e os assassinam, apresentando os cad\u00e1veres aos profissionais da comunica\u00e7\u00e3o, que se encarregam de terminar as montagens midi\u00e1ticas. Na Col\u00f4mbia, os meios de comunica\u00e7\u00e3o de massa n\u00e3o investigam e d\u00e3o por certo o que lhes dizem suas fontes militares. \u00c9 isto que fazem os militares para \u201cmostrar resultados\u201d em sua guerra anti-insurgente e tamb\u00e9m assassinar os civis que incomodam. A midiatiza\u00e7\u00e3o dos mortos que s\u00e3o supostos guerrilheiros na Col\u00f4mbia \u00e9 absolutamente macabra: mostram corpos alinhados, semi-nus, sendo movimentados pelas botas dos militares&#8230; Desta forma, se molda a opini\u00e3o p\u00fablica de desumaniza\u00e7\u00e3o dos guerrilheiros;<\/p>\n<p>*Mais de <strong>7.500 presos pol\u00edticos<\/strong>, muitos deles v\u00edtimas de <strong>montagens judiciais<\/strong> contra militantes sociais;<\/p>\n<p>*Centenas de <strong>auto-atentados (7)<\/strong>, outro tipo de \u201cfalsos positivos\u201d por parte das for\u00e7as policiais e militares. Estas for\u00e7as v\u00eam colocando bombas em plena Bogot\u00e1 para criar a base de uma montagem midi\u00e1tica de desprest\u00edgio das FARC. Um dos mais grosseiros auto-atentados ocorreu ao norte de Bogot\u00e1, pr\u00f3ximo da Escola Militar Jos\u00e9 Mar\u00eda C\u00f3rdoba. Perto de um caminh\u00e3o militar, estourou um caminh\u00e3o- bomba, deixando um reciclador morto e dez soldados feridos. Militares est\u00e3o sendo \u201cinvestigados\u201d pelos auto-atentados&#8230; Investigados como \u201cpessoas individuais\u201d, n\u00e3o como parte de uma estrat\u00e9gia estatal&#8230;<\/p>\n<p>A viol\u00eancia promovida pelo grande capital, em sua \u00e2nsia por n\u00e3o perder a Col\u00f4mbia, o valioso \u201carmaz\u00e9m de recursos\u201d, vem sendo implantada e mantida nesse engendro que \u00e9 hoje o Estado colombiano.<\/p>\n<p>Esse Estado criminal n\u00e3o existiria sem a \u201cajuda\u201d descomunal dos EUA e da Uni\u00e3o Europ\u00e9ia, sem o endividamento do povo colombiano para financiar os gastos militares, sem sua estrat\u00e9gia paramilitar de terrorismo de Estado, sem seus apoios militares e midi\u00e1ticos. Sem isso, o Estado colombiano n\u00e3o poderia perpetuar tanta barb\u00e1rie e o povo colombiano teria conquistado sua verdadeira independ\u00eancia, sua emancipa\u00e7\u00e3o de tanta cobi\u00e7a, morte e dor.<\/p>\n<p>__________________<\/p>\n<p>NOTAS:<\/p>\n<p>(1) http:\/\/www.colectivodeabogados.org\/DICTAMEN-FINAL-AUDIENCIA-TRIBUNAL<\/p>\n<p>As seguintes empresas e suas filiais foram declaradas culpadas de fomentar o paramilitarismo e pr\u00e1ticas genocidas na Col\u00f4mbia: Coca Cola, Nestl\u00e9, Chiquita Brands, Drummond, Cemex, Holcim, Muriel Mining Corporation, Glencore-Xtrata, Anglo American, Bhp Billington, Anglo Gold Ashanti, Kedhada, Smurfit Kapa \u2013 Cart\u00f3n de Colombia, Pizano S.A. y su filial Maderas del Dari\u00e9n, Urapalma S.A., Monsanto, Dyncorp, Multifruit S.A. filial de la transnaciona Del Monte, Occidental Petroleum Corporation, British Petroleum, Repsol YPF, Uni\u00f3n Fenosa, Endesa, Aguas de Barcelona, Telef\u00f3nica, Canal Isabel II, Canal de Suez, Ecopetrol, Petrominerales, Gran Tierra Energy, Brisa S.A., Empresas P\u00fablicas de Medell\u00edn, B2 Gold \u2013 cobre y oro de Colombia S.A.<\/p>\n<p>(2) http:\/\/www.elespect ador.com\/noticias\/judicial\/articulo91305-mancuso-dice-fuerza-publica-le-ayudo-masacre-del-aro Audi\u00eancia de Mancuso e Rito alejo del R\u00edo, coordenadores de paramilitares: http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=3WlH5RpofaU<\/p>\n<p>(3) &#8216;H.H&#8217; revela v\u00ednculos da AUC com Byron Carvajal e Rito Alejo del R\u00edo: http:\/\/www.elespectador.com\/noticias\/judicial\/ articulo116951-alias-hh-revela-vinculos-de-auc-byron-carvajal-y-rito-alejo-del-rio HH confessa mais de 3000 assassinatos. Ser\u00e1 extraditado para calar os nomes dos autores intelectuais: http:\/\/www.kaosenlared.net\/noticia\/paramilitar-confiesa-mas-3000-asesinatos sera-extraditado-para-callar-<\/p>\n<p>(4) http:\/\/www.colectivodeabogados.org\/UN-CAMPO-DE-CONCENTRACION-Y<\/p>\n<p>http:\/\/www.cambio.com.co\/paiscambio\/831\/ARTICULO-WEB-NOTA_INTERIOR_CAMBIO-5346135.html<\/p>\n<p>(5) http:\/\/www.eltiempo .com\/archivo\/ documento\/ CMS-3525024<\/p>\n<p>(6) Sobre \u201centrada segura no campo\u201d: http:\/\/www.kaosenlared.net\/noticia\/democracia-colombia-bases-militares-usa-neocolonialismo-expolio<\/p>\n<p>(7) Auto-atentados: http:\/\/www.kaosenlared.net\/noticia\/video-piedad-cordoba-denuncia-analiza-colombia-ocultada-medios-desinfo http:\/\/www.kaosenla red.net\/noticia\/video-autoatentados-macabra-estrategia-terrorismo-estado-para-montajes<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Maria Fernanda Magalh\u00e3es Scelza<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: www.kaosenlared.net\n\n\n\n\nCol\u00f4mbia, no paroxismo do terror, clama solidariedade\nParamilitarismo como estrat\u00e9gia estatal. Paramilitar Villaba: \u201cFizeram-me tirar o bra\u00e7o de uma menina, pedia que n\u00e3o o fizesse, tinha filhos\u201d. HH: \u201cdecapitamos (&#8230;) uma estrat\u00e9gia para promover o terror\u201d.\nAzalea Robles\nwww.kaosenlared.net\/noticia\/destapan-mayor-fosa-comun-continente-colombia-paroxismo-horror-clama-s-2\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/277\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[34],"tags":[],"class_list":["post-277","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c39-colombia"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-4t","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/277","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=277"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/277\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=277"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=277"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=277"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}