{"id":27780,"date":"2021-08-31T01:15:43","date_gmt":"2021-08-31T04:15:43","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=27780"},"modified":"2021-08-31T01:15:43","modified_gmt":"2021-08-31T04:15:43","slug":"primavera-indigena-basta-de-etnocidio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/27780","title":{"rendered":"Primavera Ind\u00edgena: basta de etnoc\u00eddio!"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cimi.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/photo1630066015-1-scaled.jpeg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Foto: @cicerone.bezerra<\/p>\n<p>DOCUMENTO FINAL DO ACAMPAMENTO LUTA PELA VIDA PRIMAVERA IND\u00cdGENA:<br \/>\nmobiliza\u00e7\u00e3o permanente pela vida e democracia<\/p>\n<p>Em mem\u00f3ria dos nossos ancestrais, que entregaram as suas vidas para existirmos. Dos encantados que nos trouxeram at\u00e9 aqui para dar continuidade \u00e0s suas lutas em defesa dos nossos corpos, terras e territ\u00f3rios, a nossa identidade e culturas diferenciadas, dizemos \u00e0 sociedade brasileira e internacional que estamos em mobiliza\u00e7\u00e3o<br \/>\npermanente em defesa da VIDA e da DEMOCRACIA.<\/p>\n<p>A nossa luta n\u00e3o \u00e9 apenas para preservar a vida dos nossos povos mas da humanidade inteira, hoje gravemente amea\u00e7ada pela pol\u00edtica de exterm\u00ednio e devasta\u00e7\u00e3o da M\u00e3e Natureza promovida pelas elites econ\u00f4micas \u2013 que herdaram a gan\u00e2ncia do poder colonial, mercantilista e feudal expansionista \u2013 e de governantes como o genocida Jair Bolsonaro.<\/p>\n<p>A Articula\u00e7\u00e3o dos Povos Ind\u00edgenas do Brasil (Apib) deu in\u00edcio ao acampamento Luta pela Vida, em Bras\u00edlia, no dia 22 de agosto e refor\u00e7a nesta carta que seguiremos mobilizados at\u00e9 o dia 2 de setembro de 2021 para lutarmos por nossos direitos. Hoje, essa \u00e9 a maior mobiliza\u00e7\u00e3o na hist\u00f3ria dos povos origin\u00e1rios, na Capital Federal, e refor\u00e7a nosso grito:<\/p>\n<p>Nossa hist\u00f3ria n\u00e3o come\u00e7a, em 1988!<\/p>\n<p>Mesmo colocando nossas vidas em risco, no contexto ainda gravemente perigoso da Covid-19, estamos aqui para dizer aos invasores dos nossos territ\u00f3rios que n\u00e3o passar\u00e3o, mesmo diante dos intensos ataques aos nossos direitos fundamentais assegurados pela Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988.<\/p>\n<p>Ocupamos as redes, as ruas, as aldeias e Bras\u00edlia para lutarmos pela democracia, contra a agenda racista e anti-ind\u00edgena que est\u00e1 em curso no Governo Federal e no Congresso Nacional e para acompanhar o julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF), que vai definir o futuro dos nossos povos.<\/p>\n<p>Durante o m\u00eas de junho de 2021, realizamos o Levante pela Terra, dando inicio \u00e0s nossas primeiras atividades presenciais, em Bras\u00edlia, para enfrentarmos o agravamento das viol\u00eancias contra as vidas ind\u00edgenas. A partir de ent\u00e3o, come\u00e7amos um novo ciclo de jornada de lutas, que desde marco de 2020, aconteceram de forma virtual e dentro dos nossos territ\u00f3rios, devido \u00e0 pandemia.<\/p>\n<p>Por enfrentarmos muitos v\u00edrus, incluindo a pol\u00edtica genocida de Bolsonaro, come\u00e7amos a nossa \u2018Primavera Ind\u00edgena\u2019 que pretende ocupar Bras\u00edlia de forma constante, em 2021, al\u00e9m de seguirmos nas redes sociais e nos territ\u00f3rios mobilizados.<\/p>\n<p>Afirmamos que de 7 a 11 de setembro as mulheres ind\u00edgenas estar\u00e3o na linha de frente para enterrar de vez a tese do Marco Temporal, durante a 2\u00aa marcha das mulheres ind\u00edgenas: as origin\u00e1rias reflorestando mentes para a cura da Terra.<\/p>\n<p>No dia 26, o STF iniciou o julgamento que vai definir as demarca\u00e7\u00f5es de Terras Ind\u00edgenas (TIs). Sem previs\u00e3o de t\u00e9rmino, os povos ind\u00edgenas seguem mobilizados para acompanhar o desfecho das vota\u00e7\u00f5es dos ministros e ministras do Supremo.<\/p>\n<p>Lutaremos at\u00e9 o fim para manter o nosso direito origin\u00e1rio \u00e0s terras que tradicionalmente ocupamos e protegemos. Fazendo parte deste pa\u00eds, mantendo a nossa condi\u00e7\u00e3o de povos culturalmente diferenciados, mesmo que autoridades p\u00fablicas e corpora\u00e7\u00f5es privadas nos considerem empecilhos ao desenvolvimento.<br \/>\nDesenvolvimento esse, que desde os prim\u00f3rdios da invas\u00e3o europeia \u00e9 devastador, etnocida, genocida e ecocida e que nos tempos atuais encontrou, e n\u00e3o por acaso, nesse desgoverno, um prot\u00f3tipo para perpetuar o seu projeto de domina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Somos filhos da Terra! E a Terra n\u00e3o \u00e9 Nossa, somos n\u00f3s que fazemos parte dela. \u00c9 o \u00fatero que nos gera e o colo que nos acolhe. Por isso damos a Vida por Ela. Na nossa tradi\u00e7\u00e3o nunca houve essa hist\u00f3ria de regulamentar quem \u00e9 ou n\u00e3o \u00e9 dono da terra, pois a nossa rela\u00e7\u00e3o com ela nunca foi de propriedade . A nossa posse \u00e9 coletiva tal qual \u00e9 o usufruto. \u00c9 esse o fundamento basilar da nossa exist\u00eancia, que a ignor\u00e2ncia da cultura da dita civiliza\u00e7\u00e3o ocidental n\u00e3o entende, mesmo ap\u00f3s 521 anos.<\/p>\n<p>Essa contradi\u00e7\u00e3o est\u00e1 na base das disputas que os herdeiros ou descendentes dos invasores insistem em manter conosco. Disputam incansavelmente os nossos territ\u00f3rios sem tr\u00e9gua, tanto durante as distintas fases da forma\u00e7\u00e3o e configura\u00e7\u00e3o do Estado Nacional Brasileiro quanto nos dias de hoje!<\/p>\n<p>As elites neocoloniais, tamb\u00e9m promotoras e benefici\u00e1rias da ditadura militar, tomaram conta da maior parte do atual Congresso Nacional e permanecem defendendo a continuidade de seu controle hegem\u00f4nico, de dom\u00ednio de corpos, terras e territ\u00f3rios e n\u00e3o apenas dos povos ind\u00edgenas. Pretendem nos fazer crer que v\u00e3o desenvolver o Brasil, quando, na verdade, est\u00e3o promovendo um Projeto de Morte da M\u00e3e Natureza \u2013 das florestas, dos rios, da biodiversidade \u2013 e de povos e culturas detentores de sabedorias milenarmente acumuladas, na contram\u00e3o de pesquisas cient\u00edficas. Segundo os dados mais recentes do Painel de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas da ONU, h\u00e1 um incontest\u00e1vel aumento da temperatura do planeta, de enchentes, dentre outros desastres ambientais,<br \/>\nprovocados obviamente por esse modelo de desenvolvimento.<\/p>\n<p>Por conta de tudo isso \u00e9 que dizemos N\u00c3O a toda e qualquer iniciativa que venha ignorar a nossa hist\u00f3rica e estrat\u00e9gica prote\u00e7\u00e3o da vida, da humanidade e do planeta. Tamb\u00e9m dizemos N\u00c3O a todos aqueles que se prop\u00f5e violar os nossos direitos por meio de centenas de medidas administrativas, jur\u00eddicas, legislativas e a\u00e7\u00f5es judiciais.<br \/>\nA nossa hist\u00f3ria n\u00e3o come\u00e7ou em 1988, e as nossas lutas s\u00e3o seculares, isto \u00e9, persistem desde que os portugueses e sucessivos invasores europeus aportaram nestas terras para se apossar dos nossos territ\u00f3rios e suas riquezas. Por isso continuaremos resistindo, reivindicando respeito pelo nosso modo de ver, ser, pensar, sentir e agir no mundo.<\/p>\n<p>Sob a \u00e9gide do texto Constitucional, confiamos que a Suprema Corte ir\u00e1 sacramentar o nosso direito origin\u00e1rio \u00e0 terra, que independe de uma data espec\u00edfica de comprova\u00e7\u00e3o da ocupa\u00e7\u00e3o, conforme defendem os invasores. Por meio da tese do \u201cmarco temporal\u201d, os atuais colonizadores querem ignorar que j\u00e1 est\u00e1vamos aqui quando seus ascendentes dizimaram muitos dos nossos ancestrais, erguendo sobre os seus cad\u00e1veres o atual<br \/>\nEstado nacional.<\/p>\n<p>Amparados por nossa ancestralidade e pelo poder dos nossos povos, da nossa espiritualidade e da for\u00e7a dos nossos encantados que prezam pelo Bem Viver, nosso e da humanidade, dizemos n\u00e3o ao Marco Temporal! E conclamamos a sociedade nacional e internacional, em especial \u00e0s distintas organiza\u00e7\u00f5es e movimentos sociais que estiveram sempre conosco, e sobretudo \u00e0s nossas bases, povos e organiza\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas para que continuemos vigilantes e mobilizados na defesa dos nossos direitos.<\/p>\n<p>Bras\u00edlia \u2013 DF, 28 de agosto de 2021.<\/p>\n<p>Acampamento Luta pela Vida Articula\u00e7\u00e3o dos Povos Ind\u00edgenas do Brasil \u2013 APIB<br \/>\nMobiliza\u00e7\u00e3o Nacional Ind\u00edgena \u2013 MNI<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/27780\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[163],"tags":[223],"class_list":["post-27780","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-movimento-indigena","tag-3a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-7e4","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27780","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=27780"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27780\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=27780"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=27780"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=27780"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}