{"id":2781,"date":"2012-05-02T20:25:18","date_gmt":"2012-05-02T20:25:18","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=2781"},"modified":"2012-05-02T20:25:18","modified_gmt":"2012-05-02T20:25:18","slug":"equador-aceita-indenizar-petrobras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2781","title":{"rendered":"Equador aceita indenizar Petrobras"},"content":{"rendered":"\n<p>QUITO. O Equador concordou, na \u00faltima segunda-feira, em pagar US$ 217 milh\u00f5es \u00e0\u00a0Petrobras pelos ativos que a companhia estatal brasileira desenvolveu quando operou um dos maiores blocos petrol\u00edferos do pa\u00eds andino. A Petrobras abandonou o Equador em 2010 devido a um desentendimento com o presidente equatoriano, Rafael Correa, nas negocia\u00e7\u00f5es para mudar o contrato de participa\u00e7\u00e3o de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os. Diante do impasse, a petrol\u00edfera brasileira decidiu encerrar sua opera\u00e7\u00e3o no bloco 18 na floresta equatoriana.<\/p>\n<p>Desde esta \u00e9poca, o governo equatoriano vinha negociando com a petrol\u00edfera o montante da liquida\u00e7\u00e3o que lhe correspondia, em meio a amea\u00e7as da Petrobras de entrar com um processo contra o Estado equatoriano.<\/p>\n<p>Campo passou para as m\u00e3os da Petroamazonas<\/p>\n<p>O ministro de Recursos Naturais N\u00e3o Renov\u00e1veis do Equador, Wilson P\u00e1stor, afirmou durante assinatura de acordos para explora\u00e7\u00e3o de tr\u00eas campos para a produ\u00e7\u00e3o de 15 mil barris di\u00e1rios, que o acordo pode ser concretizado ainda este m\u00eas.<\/p>\n<p>&#8211; Chegamos a um acordo sobre o montante e a forma de pagamento com a Petrobras que poder\u00e1\u00a0se concretizar nas pr\u00f3ximas semanas. Estamos falando de um total de US$ 217 milh\u00f5es a ser pago em duas quotas anuais &#8211; acrescentou o ministro, ao indicar que ainda falta acertar detalhes tribut\u00e1rios que n\u00e3o alterariam o acordo entre as partes.<\/p>\n<p>Durante a negocia\u00e7\u00e3o, o governo equatoriano ofereceu um montante menor \u00e0\u00a0petrol\u00edfera brasileira por seus ativos no pa\u00eds. O campo que era operado pela Petrobras passou para as m\u00e3os da estatal Petroamazonas.<\/p>\n<p>Com a renegocia\u00e7\u00e3o dos contratos, h\u00e1\u00a0dois anos, o Equador conseguiu aumentar sua renda petrol\u00edfera, garantir investimentos das empresas privadas e aumentar a produ\u00e7\u00e3o, segundo autoridades locais.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p>Bancos \u2018aproveitam\u2019\u00a0feriado e se calam sobre cr\u00edticas<\/p>\n<p>O Estado de S. Paulo<\/p>\n<p>A folga pelo Dia do Trabalho foi providencial para os principais executivos dos bancos de varejo do Pa\u00eds. Com o feriado, puderam se manter em sil\u00eancio ap\u00f3s as duras cr\u00edticas da presidente Dilma Rousseff ao setor em rede nacional de r\u00e1dio e televis\u00e3o. Desde que as declara\u00e7\u00f5es do presidente da Federa\u00e7\u00e3o Brasileira de Bancos (Febraban), Murilo Portugal, irritaram o governo, o cuidado com as palavras foi redobrado. Nada indica que o panorama mudar\u00e1. Como observou um interlocutor dos bancos, o discurso da presidente \u201cfoi mais do mesmo, mas em um tom mais alto\u201d. A tend\u00eancia \u00e9 de que a rea\u00e7\u00e3o dos bancos seja inversamente proporcional \u00e0s a\u00e7\u00f5es do governo: press\u00e3o p\u00fablica mais forte provocar\u00e1 mais retra\u00e7\u00e3o. O governo considera t\u00edmida a redu\u00e7\u00e3o dos juros promovida pelos bancos privados at\u00e9 agora. Por isso, aperta mais o cerco. Os bancos argumentam que os altos \u00edndices de inadimpl\u00eancia impedem quedas mais expressivas. Se fizerem isso, poder\u00e3o ter novas perdas logo \u00e0 frente. Em \u00faltima inst\u00e2ncia, est\u00e3o dizendo que a celebrada solidez do sistema financeiro nacional pode ser posta em risco.<\/p>\n<p>Quem tem raz\u00e3o? Declara\u00e7\u00f5es do presidente do Santander, Marcial Portela, na semana passada podem dar uma pista. O principal executivo do terceiro maior banco privado do Pa\u00eds disse que a inadimpl\u00eancia, aqui, \u00e9\u00a0maior do que em todos os outros lugares em que a institui\u00e7\u00e3o atua. Em compensa\u00e7\u00e3o, lembrou, o spread (diferen\u00e7a entre o que banco paga na capta\u00e7\u00e3o do dinheiro e o que cobra no empr\u00e9stimo) \u00e9\u00a0 o mais elevado do mundo. Pergunta inevit\u00e1vel: o spread \u00e9\u00a0alto porque a inadimpl\u00eancia \u00e9\u00a0alta ou a inadimpl\u00eancia \u00e9\u00a0alta porque o spread \u00e9\u00a0alto? Resposta de Portela: \u201cN\u00e3o sei o que vem primeiro.\u201d\u00a0A incerteza do executivo indica que os bancos podem n\u00e3o ter como fugir de novas redu\u00e7\u00f5es do juro. Do debate, por\u00e9m, eles v\u00e3o continuar fugindo.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p>Espanha prepara &#8220;banco podre&#8221; para salvar setor<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>Com o crescimento de seus preju\u00edzos com contratos de cr\u00e9dito imobili\u00e1rio, os bancos espanh\u00f3is iniciaram discuss\u00f5es sobre a cria\u00e7\u00e3o de uma institui\u00e7\u00e3o \u00e0\u00a0parte &#8211; um &#8220;bad bank&#8221; (banco podre) &#8211; para assumir esses ativos e atenuar as press\u00f5es enfrentadas pelo setor financeiro. O objetivo da nova organiza\u00e7\u00e3o ser\u00e1 reduzir a press\u00e3o financeira sobre os bancos e evitar a necessidade de lan\u00e7ar m\u00e3o de uma opera\u00e7\u00e3o de socorro financeiro do governo, mais onerosa, ou de um resgate internacional semelhante ao oferecido a Gr\u00e9cia, Portugal e Irlanda.<\/p>\n<p>A prem\u00eancia da quest\u00e3o foi posta em destaque pela ag\u00eancia de classifica\u00e7\u00e3o de risco Standard &amp; Poor&#8221;s, que rebaixou os t\u00edtulos de onze bancos espanh\u00f3is &#8211; entre os quais os do Santander, o maior da zona do euro em termos de capitaliza\u00e7\u00e3o de mercado. A S&amp;P atribuiu sua decis\u00e3o a preocupa\u00e7\u00f5es em torno dos efeitos do encolhimento da economia espanhola e advertiu que cinco outros bancos correm o risco de sofrer rebaixamento semelhante.<\/p>\n<p>Uma autoridade do Minist\u00e9rio da Economia disse na segunda-feira que o setor banc\u00e1rio espanhol est\u00e1\u00a0discutindo a cria\u00e7\u00e3o de uma organiza\u00e7\u00e3o privada que assumir\u00e1\u00a0os ativos podres dos bancos. Entre esses ativos est\u00e3o empr\u00e9stimos n\u00e3o quitados, como cr\u00e9ditos n\u00e3o honrados remanescentes da implos\u00e3o do mercado imobili\u00e1rio. A nova organiza\u00e7\u00e3o aliviar\u00e1\u00a0tamb\u00e9m os bancos do encargo de tentar vender im\u00f3veis arrestados e os permitir\u00e1\u00a0concentrar-se em fornecer cr\u00e9dito ao setor privado.<\/p>\n<p>A autoridade, que falou sob a condi\u00e7\u00e3o de manter seu nome em sigilo, em cumprimento \u00e0s regras do minist\u00e9rio, acrescentou que o governo n\u00e3o injetar\u00e1\u00a0qualquer volume de recursos dos contribuintes na cria\u00e7\u00e3o dessa organiza\u00e7\u00e3o, limitando-se a formular as regras de seu funcionamento. Os bancos poder\u00e3o transferir ativos podres para a nova institui\u00e7\u00e3o apenas se j\u00e1\u00a0tiverem reservado dinheiro para cobrir os preju\u00edzos causados por eles.<\/p>\n<p>N\u00e3o se sabe em que medida esse sistema ajudar\u00e1\u00a0os bancos do pa\u00eds, uma vez que muitos est\u00e3o sem recursos e precisar\u00e3o levantar capital para fazer as provis\u00f5es previstas. A Irlanda, que, a exemplo da Espanha, sofreu o colapso de seu mercado imobili\u00e1rio, criou um &#8220;banco podre&#8221; desse tipo em 2009. Usou, no entanto, dinheiro do contribuinte para comprar das institui\u00e7\u00f5es os ativos podres a pre\u00e7os reduzidos.<\/p>\n<p>Um fator que refor\u00e7ou as preocupa\u00e7\u00f5es em torno da Espanha foi o recente an\u00fancio do Instituto Nacional de Estat\u00edstica de que o pa\u00eds entrou oficialmente em recess\u00e3o no primeiro trimestre deste ano, quando a economia encolheu 0,3% comparativamente aos tr\u00eas meses anteriores. A contra\u00e7\u00e3o segue-se \u00e0\u00a0queda semelhante registrada no \u00faltimo trimestre do ano passado e conduz a Espanha \u00e0\u00a0sua segunda recess\u00e3o nos \u00faltimos tr\u00eas anos.<\/p>\n<p>O estouro, em 2008, de uma bolha imobili\u00e1ria que impulsionou a economia por mais de uma d\u00e9cada sobrecarregou os bancos, principalmente os bancos de poupan\u00e7a (conhecidos como &#8220;cajas&#8221;), com enormes volumes de empr\u00e9stimos n\u00e3o quitados. O Banco de Espa\u00f1a, o BC do pa\u00eds, diz que o setor ainda est\u00e1 curvado ao peso de cerca de \u20ac 175 bilh\u00f5es em ativos imobili\u00e1rios &#8220;problem\u00e1ticos&#8221;. H\u00e1 preocupa\u00e7\u00f5es de que, num momento em que a economia em encolhimento da Espanha cobra seu pre\u00e7o sobre os bancos, o governo, e possivelmente os bancos internacionais, sejam obrigados a intervir para salvar o setor.<\/p>\n<p>O governo j\u00e1\u00a0vem pressionando os bancos a fortalecer suas finan\u00e7as por meio de fus\u00f5es e lan\u00e7ou normas que exigem que os bancos fa\u00e7am reservas de um total estimado em \u20ac\u00a050 bilh\u00f5es a mais em provis\u00f5es at\u00e9\u00a0o fim de 2012 para cobrir seus ativos imobili\u00e1rios podres.<\/p>\n<p>No fim da semana passada, a S&amp;P rebaixou a classifica\u00e7\u00e3o de risco do pa\u00eds em duas marcas, de &#8220;A&#8221; para &#8220;BBB+&#8221;, atribuindo a medida ao agravamento do d\u00e9ficit p\u00fablico, a preocupa\u00e7\u00f5es em torno do sistema banc\u00e1rio e \u00e0s sombrias perspectivas da economia.<\/p>\n<p>No domingo, dezenas de milhares de pessoas sa\u00edram em passeata por toda a Espanha para protestar contra o pacote de reformas emergenciais e de medidas de austeridade. Mas, em discurso pronunciado naquele dia, o primeiro-ministro, Mariano Rajoy, disse que o governo continuar\u00e1 a promover reformas, semana por semana, sustentando que a gravidade da situa\u00e7\u00e3o exigia essa provid\u00eancia.<\/p>\n<p>O ministro da Economia da Espanha, Luis de Guindos, reuniu-se ontem com o comiss\u00e1rio antitruste da Uni\u00e3o Europeia, Joaqu\u00edn Almunia, em Bruxelas, segundo uma porta-voz do Minist\u00e9rio da Economia que pediu anonimato. Ela preferiu n\u00e3o dar detalhes sobre a pauta de discuss\u00f5es.<\/p>\n<p>Menos de tr\u00eas meses depois de enrijecer a legisla\u00e7\u00e3o a fim de obrigar os bancos a reconhecer preju\u00edzos mais profundos no setor imobili\u00e1rio, a Espanha procura novas maneiras de convencer os investidores de que os preju\u00edzos dos bancos n\u00e3o sobrecarregar\u00e3o as finan\u00e7as p\u00fablicas.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p>Fundos de hedge apostam contra pa\u00edses centrais da zona do euro<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>Os gestores de fundos de hedge tendem a constituir um grupo pouco prov\u00e1vel de partid\u00e1rios de Fran\u00e7ois Hollande, o candidato socialista \u00e0s elei\u00e7\u00f5es presidenciais francesas. Mas \u00e9 para a vit\u00f3ria potencial de Hollande no segundo turno das elei\u00e7\u00f5es francesas, marcado para o dia 6, e, com ela, uma significativa deteriora\u00e7\u00e3o do sentimento relativo \u00e0 percep\u00e7\u00e3o da capacidade financeira da Fran\u00e7a no mercado de b\u00f4nus, que muitos fundos de hedge est\u00e3o se preparando agora.<\/p>\n<p>Na verdade, suas apostas contra os b\u00f4nus de pa\u00edses &#8220;centrais&#8221; da zona do euro &#8211; n\u00e3o apenas Fran\u00e7a, mas Alemanha e tamb\u00e9m Holanda &#8211; representam um n\u00edvel novo, mais profundo, de mercado vendedor nas perspectivas da \u00e1rea da moeda \u00fanica.<\/p>\n<p>As opera\u00e7\u00f5es de renegocia\u00e7\u00e3o de longo prazo do Banco Central Europeu (BCE) constitu\u00edram uma enorme inje\u00e7\u00e3o de \u00e2nimo para os bancos e as bolsas no primeiro trimestre do ano e desencadearem uma maci\u00e7a recupera\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito. Mas seu impacto est\u00e1\u00a0agora sendo questionado por um n\u00famero crescente de fundos de hedge.<\/p>\n<p>&#8220;Os problemas mais profundos de balan\u00e7o de pagamentos da zona do euro continuam sem solu\u00e7\u00e3o e n\u00e3o podem ser resolvidos apenas por assist\u00eancia na \u00e1rea de liquidez&#8221;, observou Brevan Howard, o maior fundo de hedge macromundial, em sua mais recente carta aos investidores. Embora Brevan n\u00e3o esteja entre eles, um grupo de gestores de fundos de hedge, situado, supostamente, entre os investidores mais experientes que h\u00e1, est\u00e1 apostando diretamente que os problemas da Uni\u00e3o Europeia se tornaram t\u00e3o arraigados que v\u00e3o levar a uma crise muito mais grave nos pr\u00f3ximos meses do que a vivenciada pela zona do euro.<\/p>\n<p>Entre eles est\u00e1\u00a0John Paulson, um bilion\u00e1rio de fundo de hedge que goza da distin\u00e7\u00e3o de ter ao mesmo tempo ganhado e perdido mais dinheiro para seus clientes do que qualquer de seus colegas na hist\u00f3ria do setor.<\/p>\n<p>Em telefonema particular feito duas semanas atr\u00e1s, Paulson disse a seus investidores que previa um agravamento significativo na situa\u00e7\u00e3o da UE.<\/p>\n<p>Embora a Espanha deva ser o epicentro da crise, segundo suas previs\u00f5es, foi contra os pa\u00edses centrais, no entanto &#8211; mais notadamente a Alemanha &#8211; que Paulson posicionou sua carteira. A aposta de Paulson e de outros \u00e9 de que, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 periferia, onde se concentra boa parte dos problemas imediatos da zona do euro, s\u00e3o os pa\u00edses centrais da Europa os que det\u00eam pre\u00e7os a serem corrigidos.<\/p>\n<p>O rebaixamento da Espanha pela ag\u00eancia de classifica\u00e7\u00e3o de risco Standard &amp; Poor&#8221;s na semana passada, por exemplo, voltou a puxar os rendimentos dos b\u00f4nus espanh\u00f3is referenciais para n\u00edveis superiores a 6%, mas os &#8220;bunds&#8221; da Alemanha continuaram relativamente inabalados.<\/p>\n<p>Os fundos de hedge acham que uma situa\u00e7\u00e3o como essa \u00e9\u00a0insustent\u00e1vel e que, quando os problemas dos bancos espanh\u00f3is ficarem mais agudos &#8211; obrigando, possivelmente, a uma opera\u00e7\u00e3o de socorro financeiro completa para o governo espanhol -, os bunds ter\u00e3o apenas um caminho a seguir.<\/p>\n<p>Parte das atra\u00e7\u00f5es da transa\u00e7\u00e3o \u00e9\u00a0sua assimetria.<\/p>\n<p>&#8220;O problema na negocia\u00e7\u00e3o de pap\u00e9is soberanos da zona do euro nos \u00faltimos dois anos n\u00e3o foi que est\u00e1vamos errados, foi a volatilidade que houve no per\u00edodo&#8221;, diz o gestor de um dos maiores fundos de hedge macro do mundo.<\/p>\n<p>&#8220;Quando acontece uma coisa como as Opera\u00e7\u00f5es de Refinanciamento de Longo Prazo do BCE, conhecidas como LTROs, isso muda o sentimento do mercado. A atratividade de apostar contra os b\u00f4nus dos pa\u00edses centrais \u00e9 que eles s\u00e3o menos afetados por essas oscila\u00e7\u00f5es positivas de sentimento.&#8221;<\/p>\n<p>Com os rendimentos dos bunds &#8211; cuja varia\u00e7\u00e3o ocorre em sentido inverso ao dos pre\u00e7os &#8211; pr\u00f3ximos do recorde de baixa de todos os tempos, os administradores de fundos poder\u00e3o, por seu lado, fazer credit default swaps (CDS), uma forma de prote\u00e7\u00e3o contra a inadimpl\u00eancia, por um custo de manuten\u00e7\u00e3o de uma opera\u00e7\u00e3o desse tipo, conhecido como &#8220;carry&#8221; em ingl\u00eas, muito baixo.<\/p>\n<p>Uma aposta contra a Alemanha, por exemplo, custa apenas 86 pontos-base ao ano, com base nos pre\u00e7os atuais. Mesmo se os spreads dos CDS da Alemanha voltarem aos n\u00edveis em que se encontravam em dezembro de 2010 &#8211; de 121 pontos-base -, um fundo de hedge estaria em condi\u00e7\u00f5es de ganhar 40% sobre sua carteira.<\/p>\n<p>A julgar pelo n\u00edvel em que se encontram agora, os CDS espanh\u00f3is teriam de alcan\u00e7ar 660 pontos-base, uma alta de 188 pontos-base, para produzir o mesmo efeito.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, os b\u00f4nus espanh\u00f3is t\u00eam muita probabilidade de subir no caso de uma solu\u00e7\u00e3o, flutuante ou permanente, para as dificuldades do pa\u00eds. Poucos, comparativamente, preveem que os pre\u00e7os dos CDS da Alemanha caiam para um patamar significativamente mais baixo.<\/p>\n<p>O que ressalta esses temores para os pa\u00edses centrais da UE s\u00e3o dados do pr\u00f3prio BCE. Embora os empr\u00e9stimos destinados \u00e0s economias mais severamente atingidas &#8211; Gr\u00e9cia, Irlanda e Portugal &#8211; tenham permanecido relativamente est\u00e1veis, os dados mostram que o financiamento a tomadores espanh\u00f3is e italianos cresceu substancialmente, tanto quanto o cr\u00e9dito destinado aos pa\u00edses centrais.<\/p>\n<p>E esse aumento dos empr\u00e9stimos est\u00e1\u00a0aumentando as liga\u00e7\u00f5es entre os pa\u00edses supostamente mais seguros e os que re\u00fanem maior n\u00famero de problemas.<\/p>\n<p>&#8220;Os recursos [do BCE] ajudaram a financiar d\u00e9ficits acumulados dos balan\u00e7os de pagamentos dos pa\u00edses n\u00e3o classificados com AAA em rela\u00e7\u00e3o aos pa\u00edses classificados com AAA (Alemanha, Holanda, Finl\u00e2ndia e Luxemburgo)&#8221;, destacaram analistas do Deutsche Bank em nota a clientes dos fundos de hedge emitida h\u00e1 poucos dias.<\/p>\n<p>Mesmo assim, apesar de toda a certeza expressada por muitos gestores de fundos de hedge sobre os resultados desses desequil\u00edbrios, apostar neles continua envolvendo um alto risco.<\/p>\n<p>A aposta de Paulson nos bunds, feita no in\u00edcio do ano, n\u00e3o est\u00e1 se saindo especialmente bem. Fundos que t\u00eam posi\u00e7\u00f5es agressivamente vendidas em euro foram prejudicados pela capacidade de supera\u00e7\u00e3o da moeda, tal como aconteceu em 2011.<\/p>\n<p>&#8220;[Os fundos de hedge] foram atingidos muito fortemente na tentativa de jogar em fundamentos econ\u00f4micos da zona do euro no ano passado&#8221;, observa Ben Funk, diretor de pesquisa do fundo de hedge Liongate, que gere US$ 3 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p>O peso da inadimpl\u00eancia no spread<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>O brasileiro vem comprometendo mais e mais a sua renda e ampliando o n\u00edvel de endividamento. Essa combina\u00e7\u00e3o poderia ser assustadora para credores em geral, mas n\u00e3o\u00a0\u00e9. A inadimpl\u00eancia no cr\u00e9dito, embora em leve alta a partir do segundo semestre de 2011, \u00e9\u00a0cadente se comparada ao passado recente.<\/p>\n<p>H\u00e1\u00a0tr\u00eas anos, quando os empr\u00e9stimos foram incentivados pelo governo na estrat\u00e9gia contra os efeitos da crise financeira internacional, a taxa de inadimpl\u00eancia das fam\u00edlias superou 7%. Hoje, ronda 5,5%. Esse decl\u00ednio tem, por\u00e9m, uma peculiaridade. \u00c9\u00a0resultado, sobretudo, da queda vertiginosa da inadimpl\u00eancia nos bancos p\u00fablicos. De 2009 para c\u00e1, esse indicador recuou de at\u00e9\u00a04,4% para 2,7%. No sistema banc\u00e1rio privado, os maus pagadores mostraram maior resist\u00eancia. No mesmo per\u00edodo, a taxa de inadimpl\u00eancia deslizou do pico de 8,95% a cerca de 7,8%.<\/p>\n<p>A evolu\u00e7\u00e3o da inadimpl\u00eancia, apontada pelo Banco Central (BC) no Relat\u00f3rio de Estabilidade Financeira do segundo semestre de 2011, \u00e9\u00a0 apontada pelos bancos privados como limitadora para a redu\u00e7\u00e3o do spread banc\u00e1rio. H\u00e1\u00a0um m\u00eas, o governo trava um embate com as institui\u00e7\u00f5es privadas para for\u00e7ar a queda do spread, mas as discuss\u00f5es n\u00e3o terminam, inclusive, porque as estat\u00edsticas para essa taxa de juro s\u00e3o variadas. No balan\u00e7o mensal que o BC faz sobre o cr\u00e9dito, o spread m\u00e9dio em dezembro do ano passado era de 33,7%. No semestral Relat\u00f3rio de Estabilidade Financeira, que cita dados do Plano Cont\u00e1bil das Institui\u00e7\u00f5es do Sistema Financeiro Nacional (Cosif), o spread m\u00e9dio em dezembro era de 10,06%.<\/p>\n<p>Em 1999, quando mudou o paradigma da pol\u00edtica econ\u00f4mica brasileira &#8211; a partir da implementa\u00e7\u00e3o do regime de metas para infla\u00e7\u00e3o, ado\u00e7\u00e3o do c\u00e2mbio flutuante e meta para o super\u00e1vit prim\u00e1rio -, o spread banc\u00e1rio aproximava-se de 60%. A quebra da \u00e2ncora cambial tornou-se condi\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria para maior equil\u00edbrio das contas externas, livrando o pa\u00eds de uma das amarras do juro alto. Isto \u00e9, atrair capitais estrangeiros para financiar o balan\u00e7o de pagamentos. No segundo semestre de 1999, o d\u00e9ficit em transa\u00e7\u00f5es correntes acumulado em 12 meses superava 4,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Desde o segundo trimestre de 2010, esse d\u00e9ficit est\u00e1\u00a0em torno de 2% do PIB, ap\u00f3s um longo per\u00edodo bem abaixo dessa marca.<\/p>\n<p>A nova configura\u00e7\u00e3o das contas correntes e da pol\u00edtica fiscal n\u00e3o foi suficiente para levar a redu\u00e7\u00f5es maiores da taxa de juro &#8211; usada quase exclusivamente para manejo da pol\u00edtica monet\u00e1ria e combate \u00e0\u00a0 infla\u00e7\u00e3o at\u00e9\u00a0as medidas macroprudenciais que chegaram com for\u00e7a ap\u00f3s a crise de 2008\/2009. N\u00e3o\u00a0\u00e9\u00a0sem motivo que o juro brasileiro, embora declinante no tempo, tenha se mantido em dois d\u00edgitos at\u00e9 mar\u00e7o deste ano, quando foi cortado a 9,75% ao ano. Em abril, o Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom) reduziu a taxa Selic novamente, para 9%.<\/p>\n<p>A taxa b\u00e1sica bem pr\u00f3xima \u00e0\u00a0m\u00ednima hist\u00f3rica de 8,75% deveria &#8211; mas n\u00e3o garante &#8211; promover queda consistente dos juros do cr\u00e9dito ou do spread &#8211; diferen\u00e7a entre o custo de capta\u00e7\u00e3o e aplica\u00e7\u00e3o de recursos pelos bancos. Em 1999, o Departamento de Estudos e Pesquisas do BC (Depep), respons\u00e1vel pelo mapeamento do spread banc\u00e1rio e sob a chefia de Alexandre Tombini, j\u00e1 alertava que o patamar de taxas de juros b\u00e1sicas explica, &#8220;somente em parte, o elevado custo imputado aos tomadores finais&#8221;.<\/p>\n<p>O estudo do Depep, de 1999 submetido a uma releitura no in\u00edcio da d\u00e9cada de 2000, concluiu que a inadimpl\u00eancia \u00e9 o custo que mais onera o spread banc\u00e1rio. Em termos m\u00e9dios, cita o BC, a inadimpl\u00eancia significava 35% do spread no fim do primeiro semestre de 1999. Tamb\u00e9m importantes na composi\u00e7\u00e3o do spread, continua o estudo, s\u00e3o os valores de despesas administrativas (22%), impostos diretos (11%), o lucro l\u00edquido das institui\u00e7\u00f5es (18%) e os impostos indiretos, incluindo a CPMF, que representavam 14% do spread banc\u00e1rio.<\/p>\n<p>A releitura do spread banc\u00e1rio, feita em 2004 pelos economistas Ana Carla Abr\u00e3o Costa e M\u00e1rcio Nakane, do BC, com um elenco bem maior de institui\u00e7\u00f5es financeiras analisadas, apontou dois problemas fundamentais na decomposi\u00e7\u00e3o do spread banc\u00e1rio: o vi\u00e9s de sele\u00e7\u00e3o, fruto da utiliza\u00e7\u00e3o de uma amostra reduzida de bancos &#8211; todos privados &#8211; e a aloca\u00e7\u00e3o das despesas administrativas. A atualiza\u00e7\u00e3o desses c\u00e1lculos acrescentou o custo dos recolhimentos compuls\u00f3rios como parcela do spread, abandonando a ideia de independ\u00eancia entre mercados de capta\u00e7\u00e3o e empr\u00e9stimo, utilizada como justificativa te\u00f3rica para a exclus\u00e3o dessa componente na forma\u00e7\u00e3o do custo final dos empr\u00e9stimos banc\u00e1rios.<\/p>\n<p>O alvo de an\u00e1lise dos t\u00e9cnicos do BC, inicialmente de 17 institui\u00e7\u00f5es, avan\u00e7ou para 77 bancos em dezembro de 2003. A an\u00e1lise foi concentrada em opera\u00e7\u00f5es firmadas a taxas prefixadas e referente a dez modalidades de cr\u00e9dito para fam\u00edlias e empresas. Nessa releitura do spread, a decomposi\u00e7\u00e3o leva a inadimpl\u00eancia equivalente a 17,85% do total, custos administrativos (23,64%), custos tribut\u00e1rios expl\u00edcitos e impl\u00edcitos (27,35%). A margem l\u00edquida dos bancos &#8211; tamb\u00e9m denominada res\u00edduo do banco &#8211; responde por 31,17%.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p>1\u00ba\u00a0de Maio contra a austeridade na Europa<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>Milhares de trabalhadores protestaram ontem na Europa contra a pol\u00edtica de austeridade lan\u00e7ada para tentar conter a atual crise financeira. Sindicatos na Fran\u00e7a, Espanha, It\u00e1lia, Portugal e Gr\u00e9cia usaram as marchas tradicionais do Dia do Trabalho para expressar rep\u00fadio \u00e0\u00a0 pol\u00edtica de corte de gastos. Na Fran\u00e7a, os sindicatos organizaram 290 protestos pelo pa\u00eds (na foto, em Paris), reunindo 316 mil pessoas, um aumento expressivo em rela\u00e7\u00e3o aos 77 mil do ano passado. O presidente Nicolas Sarkozy, que tenta a reelei\u00e7\u00e3o no domingo, atraiu outros 100 mil ao que chamou de ato pelos &#8220;verdadeiros trabalhadores&#8221;, em oposi\u00e7\u00e3o ao da CGT, maior central sindical do pa\u00eds, que pediu a seus filiados que votem contra ele. Em Atenas, 5 mil marcharam com faixas de &#8220;Revolta J\u00e1&#8221; e &#8220;Taxem os Ricos&#8221;. Assim como a Fran\u00e7a, a Gr\u00e9cia ter\u00e1\u00a0elei\u00e7\u00f5es no pr\u00f3ximo domingo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\nO Globo\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2781\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[106],"tags":[],"class_list":["post-2781","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c119-olhovivo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-IR","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2781","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2781"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2781\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2781"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2781"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2781"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}