{"id":27830,"date":"2021-09-13T03:52:55","date_gmt":"2021-09-13T06:52:55","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=27830"},"modified":"2021-09-13T03:52:55","modified_gmt":"2021-09-13T06:52:55","slug":"mulheres-comunistas-na-luta-contra-ditaduras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/27830","title":{"rendered":"Mulheres comunistas na luta contra ditaduras"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/lh3.googleusercontent.com\/pw\/AM-JKLXMIgs3na60FSP38_xrNQkvWerUANMzwWQ6SW5VO2IRzJ-jt5MolQ9UEQYVMn70XmvHh9wFTkMTz7ygq8jdoGwrpvVFhvwGnxrIqmTyFwEVNB1AjfX6oGmP4S6w5RW8aCUPm9jmFJiPnbKIKIxdVvAN=s838-no\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Coletivo Feminista Classista Ana Montenegro &#8211; Porto Alegre<\/p>\n<p>NEIDE ALVES DOS SANTOS &#8211; Brasil<\/p>\n<p>Neide Alves dos Santos nasceu em 12 de setembro de 1944, na cidade do Rio de Janeiro. Vinha de fam\u00edlia sem hist\u00f3rico pol\u00edtico e pertenceu \u00e0 se\u00e7\u00e3o de agita\u00e7\u00e3o e propaganda do PCB, atuando no jornal Voz Oper\u00e1ria.<\/p>\n<p>Foi vista pela fam\u00edlia pela \u00faltima vez no Natal de 1975. Segundo a vers\u00e3o oficial, em 7 de janeiro de 1976, Neide cometeu suic\u00eddio ateando fogo no pr\u00f3prio corpo. Na realidade, a comunista foi assassinada durante a &#8220;Opera\u00e7\u00e3o Radar&#8221;, grande ofensiva do Ex\u00e9rcito para dizimar a dire\u00e7\u00e3o do PCB. Um ano antes da morte, Neide j\u00e1 havia sido presa e torturada duas vezes. Foi assassinada aos 32 anos, deixando uma filha de 14.<\/p>\n<p>O laudo que atestou a causa da sua morte foi assinado pelo legista P\u00e9rsio Jos\u00e9 Ribeiro Carneiro, que assinou outros laudos de militantes assassinados pela ditadura. A fam\u00edlia n\u00e3o conseguiu que seu nome entrasse em listas de desaparecidos ou mortos, indeferida pelo relator do Minist\u00e9rio P\u00fablico na \u00e9poca, Paulo Gustavo Gonet Branco.<br \/>\nSomente em 1997 o caso foi apurado devidamente. Encontraram-se evid\u00eancias que comprovaram que a morte de Neide foi ocultada pelos agentes do poder p\u00fablico por motiva\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. A sua morte tamb\u00e9m aconteceu entre dois acontecimentos pol\u00edticos relevantes ligados ao Partido Comunista: a morte de Vladimir Herzog e a morte de Manoel Fiel Filho.<\/p>\n<p>O laudo da necr\u00f3psia foi marcado com um &#8220;T&#8221;, sinal que identificava os militantes da luta armada. Na apura\u00e7\u00e3o do caso, surgiram mais provas: um registro de relato enviado ao Dops com todos os detalhes da sua milit\u00e2ncia; um telex de um delegado informando que estava atendendo Neide no hospital e que ela portava um caderno que dizia que ela era do PCB; e, mais tarde, outro registro de falecimento no mesmo hospital. Al\u00e9m disso, na ocasi\u00e3o do sepultamento, o caix\u00e3o estava lacrado, enxergando-se somente seus cabelos.<\/p>\n<p>Neide foi vigiada at\u00e9 ser sepultada, e a sua fam\u00edlia, inclusive a filha, por um longo tempo depois.<\/p>\n<p>NIBIA SABALSAGARAY &#8211; Uruguai<\/p>\n<p>Militante comunista, estudante de literatura e professora, Nibia Sabalsagaray tinha 24 anos quando foi presa por um grupo de homens armados, na cidade de Col\u00f4nia, e encaminhada ao Batalh\u00e3o de Engenheiros n\u00ba 5, retornando de l\u00e1, no mesmo dia, 29 de junho de 1974, sem vida.<\/p>\n<p>A fam\u00edlia foi informada que sua morte se tratava de um suic\u00eddio e que estava expressamente proibida a abertura de seu caix\u00e3o. Desconfiando da vers\u00e3o, alguns colegas do curso de Medicina decidiram descumprir a ordem e encontraram diversas marcas de tortura no corpo, inclusive no pesco\u00e7o, que n\u00e3o correspondia a uma les\u00e3o que Nibia pudesse ter feito em si mesma.<\/p>\n<p>Em 8 de setembro de 2004, a irm\u00e3 Estela entrou com uma a\u00e7\u00e3o judicial pedindo a investiga\u00e7\u00e3o das circunst\u00e2ncias que levaram Nibia \u00e0 morte. No ano seguinte, seu assassinato foi retirado da Lei de Caducidade, aprovada em 1986, ap\u00f3s o fim da ditadura, que impediu por 15 anos que casos de viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos praticados por militares e policiais fossem julgados.<\/p>\n<p>Em 19 de outubro de 2009, a Suprema Corte de Justi\u00e7a do Uruguai declarou inconstitucional a aplica\u00e7\u00e3o da lei em seu caso. J\u00e1 em 8 de novembro de 2010, s\u00e3o processados pelo juiz Rolando Vomero o general Miguel Dalmao e o coronel Jos\u00e9 Chialanza como co-autores do homic\u00eddio.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria de Nibia, como tantas outras, evidencia que a viol\u00eancia sofrida pelas mulheres durante os per\u00edodos ditatoriais tamb\u00e9m est\u00e1 marcada pelo g\u00eanero. Contar as suas narrativas \u00e9 tornar p\u00fablicas as atrocidades cometidas, que ainda insistem em ser silenciadas ou mesmo exaltadas por quem ainda defende as ditaduras militar e\/ou burguesa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/27830\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[22],"tags":[223],"class_list":["post-27830","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c3-coletivo-ana-montenegro","tag-3a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-7eS","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27830","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=27830"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27830\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=27830"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=27830"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=27830"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}