{"id":27844,"date":"2021-09-17T14:03:00","date_gmt":"2021-09-17T17:03:00","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=27844"},"modified":"2021-09-17T14:03:00","modified_gmt":"2021-09-17T17:03:00","slug":"friedrich-engels-afeganistao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/27844","title":{"rendered":"Friedrich Engels: Afeganist\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.odiario.info\/b2-img\/Engels.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->ODIARIO.INFO<\/p>\n<p>Publica-se este artigo de Engels com mais de s\u00e9culo e meio n\u00e3o como curiosidade mas como contributo de um dos fundadores do marxismo para a an\u00e1lise de uma das mais conflituosas zonas do mundo. Uma das zonas do mundo em que a interven\u00e7\u00e3o de sucessivas pot\u00eancias imperialistas tem provocado mais trag\u00e9dias. Em que essa interven\u00e7\u00e3o tem ajudado a condenar os povos a infind\u00e1veis confrontos, \u00e0 divis\u00e3o, \u00e0 domina\u00e7\u00e3o, ao atraso. Engels refere aqui um insucesso brit\u00e2nico. Sabemos hoje que \u00e9 apenas mais um, numa zona em que as aventuras imperialistas t\u00eam sistematicamente acabado mal.<\/p>\n<p>Afeganist\u00e3o [ 1 ]<\/p>\n<p>________________________________________<\/p>\n<p>Escrito em Julho e nos primeiros 10 dias de Agosto de 1857; publicado pela primeira vez em The New American Cyclopaedia, vol. I, 1858<br \/>\n________________________________________<\/p>\n<p>Afeganist\u00e3o, um extenso pa\u00eds da \u00c1sia, a noroeste da \u00cdndia. Situa-se entre a P\u00e9rsia e as \u00cdndias e, na outra direc\u00e7\u00e3o, entre o Hindu Kush e o Oceano \u00cdndico. Anteriormente inclu\u00eda as prov\u00edncias persas de Khorassan e Kohistan, juntamente com Herat, Beluchistan, Caxemira e Sinde, e uma parte consider\u00e1vel do Punjab. Nos seus limites atuais, provavelmente n\u00e3o h\u00e1 mais de 4.000.000 de habitantes. A superf\u00edcie do Afeganist\u00e3o \u00e9 muito irregular \u2013 elevados planaltos, vastas montanhas, vales profundos e ravinas. Como todos os pa\u00edses tropicais montanhosos, apresenta todas as variedades de clima. No Hindu Kush, a neve cai todo o ano nos picos elevados, enquanto nos vales o term\u00f4metro chega aos 45\u00b0. O calor \u00e9 maior nas regi\u00f5es leste do que nas oeste, mas o clima \u00e9 geralmente mais frio do que na \u00cdndia; e embora as altern\u00e2ncias de temperatura entre ver\u00e3o e inverno, ou dia e noite, sejam muito grandes, o pa\u00eds \u00e9 geralmente saud\u00e1vel. As principais doen\u00e7as s\u00e3o febres, catarros e oftalmia. Ocasionalmente, a var\u00edola \u00e9 destrutiva. O solo \u00e9 de exuberante fertilidade. As tamareiras florescem nos o\u00e1sis dos desertos arenosos; a cana-de-a\u00e7\u00facar e o algod\u00e3o nos quentes vales; e frutas e vegetais europeus crescem abundantemente nos terra\u00e7os nas encostas das colinas at\u00e9 um n\u00edvel de 6.000 ou 7.000 p\u00e9s. As montanhas s\u00e3o revestidas de nobres florestas, frequentadas por ursos, lobos e raposas, enquanto o le\u00e3o, o leopardo e o tigre s\u00e3o encontrados em distritos compat\u00edveis com os seus h\u00e1bitos. Os animais \u00fateis \u00e0 humanidade n\u00e3o faltam. Existe uma grande variedade de ovelhas da ra\u00e7a Persa ou da ra\u00e7a de cauda larga. Os cavalos s\u00e3o de bom tamanho e sangue. O camelo e o asno s\u00e3o usados como bestas de carga, e podem se encontrar cabras, c\u00e3es e gatos em grande n\u00famero. Ao lado do Hindu Kush, que \u00e9 uma continua\u00e7\u00e3o dos Himalaias, existe uma cadeia de montanhas chamada montanha Solyman, no sudoeste; e entre o Afeganist\u00e3o e Balkh, existe uma cadeia conhecida como cordilheira Paropamisana, acerca da qual entretanto muito pouca informa\u00e7\u00e3o chegou \u00e0 Europa.<\/p>\n<p>Os rios s\u00e3o poucos; o Helmand e o Kabul s\u00e3o os mais importantes. Estes surgem no Hindu Kush, o Kabul confluindo no Indo perto de Attock; o Helmand correndo para oeste atrav\u00e9s do distrito de Seiestan e desembocando no lago de Zurrah. O Helmand tem a particularidade de transbordar anualmente as suas margens como o Nilo, trazendo fertilidade ao solo que, al\u00e9m do limite da inunda\u00e7\u00e3o, \u00e9 deserto arenoso. As principais cidades do Afeganist\u00e3o s\u00e3o Cabul, a capital, Ghuznee, Peshawar e Kandahar. Cabul \u00e9 uma bela cidade, lat. 34 \u00b0 10 &#8216;N. long. 60 \u00b0 43 &#8216;E., no rio do mesmo nome. As constru\u00e7\u00f5es s\u00e3o de madeira, limpas e c\u00f3modas, e sendo a cidade rodeada de belos jardins tem um aspecto muito agrad\u00e1vel. \u00c9 rodeada de aldeias e est\u00e1 no meio de uma grande plan\u00edcie envolvida por colinas baixas. O t\u00famulo do imperador Baber \u00e9 o seu principal monumento. Peshawar \u00e9 uma cidade grande, com uma popula\u00e7\u00e3o estimada em 100.000 habitantes. Ghuznee, uma cidade de antigo renome, que j\u00e1 foi a capital do grande sult\u00e3o Mahmoud, decaiu do seu grande estatuto e \u00e9 agora um lugar pobre. Perto dela est\u00e1 o t\u00famulo de Mahmoud. Kandahar foi fundada t\u00e3o recentemente como 1754. Situa-se no local de uma antiga cidade. Foi durante alguns anos a capital; mas em 1774 a sede do governo foi deslocada para Cabul. Acredita-se que contenha 100.000 habitantes. Perto da cidade fica o t\u00famulo de Shah Ahmed, o fundador da cidade, um asilo t\u00e3o sagrado que nem mesmo o rei pode remover um criminoso que se tenha refugiado no interior dos seus muros.<\/p>\n<p>A posi\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica do Afeganist\u00e3o e o car\u00e1cter peculiar do povo conferem ao pa\u00eds uma import\u00e2ncia pol\u00edtica que dificilmente pode ser sobrestimada nos assuntos da \u00c1sia Central. O governo \u00e9 uma monarquia, mas a autoridade do rei sobre os seus agitados e turbulentos s\u00fabditos \u00e9 pessoal e muito incerta. O reino est\u00e1 dividido em prov\u00edncias, cada uma supervisionada por um representante do soberano, que arrecada a receita e a remete \u00e0 capital.<\/p>\n<p>Os afeg\u00e3os s\u00e3o uma ra\u00e7a corajosa, resistente e independente; desempenham apenas ocupa\u00e7\u00f5es pastorais ou agr\u00edcolas, evitando a troca e o com\u00e9rcio, que desdenhosamente atribuem aos hindus e a outros habitantes das cidades. Para eles, a guerra \u00e9 uma emo\u00e7\u00e3o e um al\u00edvio da mon\u00f3tona ocupa\u00e7\u00e3o em atividades industriosas.<\/p>\n<p>Os afeg\u00e3os est\u00e3o divididos em cl\u00e3s [2 ], sobre os quais os v\u00e1rios chefes exercem uma esp\u00e9cie de supremacia feudal. O seu indom\u00e1vel \u00f3dio pela submiss\u00e3o a regras e o seu amor pela independ\u00eancia individual, s\u00f3 por si, impedem que se tornem numa na\u00e7\u00e3o poderosa; mas essa mesma irregularidade e incerteza de ac\u00e7\u00e3o torna-os vizinhos perigosos, suscept\u00edveis de serem impelidos pelos ventos do capricho ou agitados por intrigantes pol\u00edticos, que habilmente excitam as suas paix\u00f5es. As duas tribos principais s\u00e3o os Dooranees e Ghilgies, que est\u00e3o sempre em conflito uns com os outros. Os Dooranee s\u00e3o os mais poderosos; e em virtude de sua supremacia, seu ameer ou c\u00e3 consagrou-se a si pr\u00f3prio rei do Afeganist\u00e3o. Tem um rendimento de cerca de \u00a310.000.000. A sua autoridade \u00e9 suprema apenas na sua tribo. Os contingentes militares s\u00e3o principalmente fornecidos pelos Dooranee; o resto do ex\u00e9rcito \u00e9 fornecido por outros cl\u00e3s ou por aventureiros militares que se alistam no servi\u00e7o na esperan\u00e7a de pagamento ou de saque. A justi\u00e7a nas cidades \u00e9 administrada por cadis, mas os afeg\u00e3os raramente recorrem \u00e0 lei. Os seus c\u00e3s t\u00eam direito de puni\u00e7\u00e3o mesmo at\u00e9 ao limite de vida ou morte. A vingan\u00e7a de sangue \u00e9 um dever familiar; no entanto, s\u00e3o considerados um povo liberal e generoso quando n\u00e3o provocado, e os direitos de hospitalidade s\u00e3o t\u00e3o sagrados que um inimigo mortal que coma o p\u00e3o e o sal, mesmo que obtidos por estratagema, torna-se sagrado face \u00e0 vingan\u00e7a, e pode at\u00e9 reivindicar a prote\u00e7\u00e3o do seu anfitri\u00e3o contra qualquer outra amea\u00e7a. Na religi\u00e3o s\u00e3o mu\u00e7ulmanos e da seita Soonee; mas n\u00e3o s\u00e3o fan\u00e1ticos, e as alian\u00e7as entre Sheeahs e Soonees [3 ] n\u00e3o s\u00e3o de nenhuma forma incomuns.<\/p>\n<p>O Afeganist\u00e3o foi alternadamente submetido ao dom\u00ednio mogul [4 ] e persa. Antes do advento dos brit\u00e2nicos nas costas da \u00cdndia, as invas\u00f5es estrangeiras que varreram as plan\u00edcies do Hindust\u00e3o procederam sempre do Afeganist\u00e3o. O sult\u00e3o Mahmoud, o Grande, Gengis Khan, Tamerl\u00e3o e Nadir Shah, todos tomaram esse caminho. Em 1747, ap\u00f3s a morte de Nadir, Shah Ahmed, que havia aprendido a arte da guerra com aquele aventureiro militar, decidiu livrar-se do jugo persa. Sob ele, o Afeganist\u00e3o atingiu o seu ponto mais alto de grandeza e prosperidade nos tempos modernos. Pertencia \u00e0 fam\u00edlia dos Suddosis, e o seu primeiro acto foi apoderar-se da riqueza que o seu falecido chefe havia saqueado na \u00cdndia. Em 1748, conseguiu expulsar o governador Mogul de Cabul e Peshawar e, cruzando o Indo, rapidamente ocupou o Punjab. O seu reino estendeu-se de Khorassan a Deli, e at\u00e9 mesmo cruzou armas com os poderes Marata. [5 ] Esses grandes empreendimentos, entretanto, n\u00e3o o impediram de cultivar algumas das artes da paz, e era conhecido favoravelmente como poeta e historiador. Morreu em 1772 e deixou a coroa ao seu filho Timour que, no entanto, n\u00e3o estava \u00e0 altura do pesado encargo. Abandonou a cidade de Kandahar, que havia sido fundada por seu pai e se tinha, em poucos anos, tornado uma cidade rica e populosa, e deslocou de novo para Cabul a sede do governo.<\/p>\n<p>Durante o seu reinado as dissens\u00f5es internas das tribos, que haviam sido reprimidas pela m\u00e3o firme de Shah Ahmed, foram reavivadas. Em 1793, Timour morreu e Siman sucedeu-lhe. Este pr\u00edncipe concebeu a ideia de consolidar o poder mu\u00e7ulmano da \u00cdndia, e este plano, que poderia ter colocado seriamente em perigo as possess\u00f5es brit\u00e2nicas, foi considerado t\u00e3o importante que Sir John Malcolm foi enviado para a fronteira para manter os afeg\u00e3os sob controlo, no caso de empreenderem qualquer iniciativa, e foram ao mesmo tempo iniciadas negocia\u00e7\u00f5es com a P\u00e9rsia, com cuja assist\u00eancia os afeg\u00e3os poderiam ser colocados entre dois fogos. Estas precau\u00e7\u00f5es eram, entretanto, desnecess\u00e1rias; Siman Shah estava mais do que suficientemente ocupado por conspira\u00e7\u00f5es e dist\u00farbios internos, e os seus grandes planos foram cortados \u00e0 nascen\u00e7a. O irm\u00e3o do rei, Mahmoud, lan\u00e7ou-se sobre Herat com o projecto de erigir um principado independente, mas falhando na sua tentativa fugiu para a P\u00e9rsia. Siman Shah f\u00f4ra ajudado a alcan\u00e7ar o trono pela fam\u00edlia Bairukshee, \u00e0 frente da qual estava Sheir Afras Khan. A nomea\u00e7\u00e3o por Siman de um vizir impopular suscitou a raiva dos seus antigos apoiantes, que organizaram uma conspira\u00e7\u00e3o que foi descoberta, e Sheir Afras foi executado. Mahmoud foi ent\u00e3o chamado pelos conspiradores, Siman foi aprisionado e foram-lhe arrancados os olhos. Em oposi\u00e7\u00e3o a Mahmoud, que era apoiado pelos dooranees, Shah Soojah foi apresentado pelos Ghilgies e ocupou o trono por algum tempo; mas foi finalmente derrotado, principalmente pela trai\u00e7\u00e3o dos seus pr\u00f3prios apoiantes, e foi for\u00e7ado a refugiar-se entre os sikhs. [6 ]<\/p>\n<p>Em 1809, Napole\u00e3o enviou o general Gardane \u00e0 P\u00e9rsia na esperan\u00e7a de induzir o x\u00e1 [Fath Ali] a invadir a \u00cdndia, e o governo indiano enviou um representante [Mountstuart Elphinstone] \u00e0 corte do x\u00e1 Soojah para criar uma oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 P\u00e9rsia. Nesta \u00e9poca, Runjeet Singh cresceu em poder e fama. Era um chefe sikh e, gra\u00e7as ao seu g\u00e9nio, tornou o seu pa\u00eds independente dos afeg\u00e3os e ergueu um reino no Punjab, granjeando para si o t\u00edtulo de Maharajah (raj\u00e1-chefe) e o respeito do governo anglo-indiano. O usurpador Mahmoud, entretanto, n\u00e3o estava destinado a desfrutar do seu triunfo por muito tempo. Futteh Khan, o seu vizir, que alternadamente flutuara entre Mahmoud e Shah Soojah, conforme a ambi\u00e7\u00e3o ou interesse tempor\u00e1rio vislumbrado, foi detido pelo filho do rei, Kamran, os olhos arrancados e depois cruelmente executado. A poderosa fam\u00edlia do vizir assassinado jurou vingar a sua morte. Recorreram novamente ao fantoche Shah Soojah e Mahmoud foi expulso. Como Shah Soojah provocara queixas, entretanto, foi depois deposto, e outro irm\u00e3o coroado em seu lugar. Mahmoud fugiu para Herat, que manteve na sua posse e em 1829, com a sua morte, o seu filho Kamran sucedeu-lhe no governo daquele distrito. A fam\u00edlia Bairukshee, tendo agora alcan\u00e7ado o poder principal, dividiu o territ\u00f3rio entre os seus membros, mas seguindo o uso nacional entrou em disputas, e apenas se uniam na presen\u00e7a de um inimigo comum. Um dos irm\u00e3os, Mohammed Khan, ocupou a cidade de Peshawar, pela qual pagava tributo a Runjeet Singh; outro assumiu Ghuznee; um terceiro Kandahar; enquanto em Cabul dominava Dost Mohammed, o mais poderoso da fam\u00edlia.<\/p>\n<p>O capit\u00e3o Alexander Burnes foi enviado como embaixador a este pr\u00edncipe em 1835, quando a R\u00fassia e a Inglaterra intrigavam uns contra os outros na P\u00e9rsia e na \u00c1sia Central. Ofereceu uma alian\u00e7a que o Dost estava mais do que ansioso em aceitar; mas o governo anglo-indiano exigia dele tudo, embora n\u00e3o oferecesse absolutamente nada em troca. Nesse \u00ednterim, em 1838, os persas, com ajuda e conselho russo, sitiaram Herat, a chave para o Afeganist\u00e3o e a \u00cdndia [7 ]; um agente persa e russo chegou a Cabul, e o Dost, face \u00e0 constante recusa de qualquer compromisso positivo por parte dos brit\u00e2nicos foi, finalmente, efectivamente compelido a receber propostas das outras partes. Burnes foi-se embora, e Lord Auckland, ent\u00e3o governador-geral da \u00cdndia, influenciado pelo seu secret\u00e1rio W. McNaghten, decidiu punir Dost Mohammed pelo que ele pr\u00f3prio o obrigara a fazer. Resolveu destron\u00e1-lo e instalar no seu lugar Shah Soojah, agora um pensionista do governo indiano. Foi conclu\u00eddo um tratado com Shah Soojah e com os Sikhs; o x\u00e1 come\u00e7ou a reunir um ex\u00e9rcito, pago e comandado pelos brit\u00e2nicos, e uma for\u00e7a anglo-indiana foi concentrada no Sutlej. McNaghten, secundado por Burnes, acompanharia a expedi\u00e7\u00e3o na qualidade de enviado ao Afeganist\u00e3o. Nesse \u00ednterim, os persas tinham levantado o cerco de Herat e, portanto, a \u00fanica raz\u00e3o v\u00e1lida para a interfer\u00eancia no Afeganist\u00e3o fora removida, mas, ainda assim, em Dezembro de 1838, o ex\u00e9rcito marchou para Sinde, pa\u00eds que foi coagido \u00e0 submiss\u00e3o, e ao pagamento de uma contribui\u00e7\u00e3o em benef\u00edcio dos Sikhs e Shah Soojah. [8 ]<\/p>\n<p>20 de Fevereiro de 1839. O ex\u00e9rcito brit\u00e2nico ultrapassou o Indo. Consistia em cerca de 12.000 homens, com mais de 40.000 ajudantes de acampamento, al\u00e9m dos novos alistados do x\u00e1. O Passo de Bolan foi atravessado em Mar\u00e7o; come\u00e7ou a ser sentida a falta de provis\u00f5es e forragem; os camelos ca\u00edram \u00e0s centenas e grande parte da bagagem perdeu-se.<\/p>\n<p>Em 7 de Abril. O ex\u00e9rcito entrou no Vale de Khojak, atravessou-o sem resist\u00eancia e, em 25 de Abril, entrou em Kandahar, que os pr\u00edncipes afeg\u00e3os, irm\u00e3os de Dost Mohammed, haviam abandonado. Ap\u00f3s um descanso de dois meses, Sir John Keane, o comandante, avan\u00e7ou com o corpo principal do ex\u00e9rcito em dire\u00e7\u00e3o ao norte, deixando uma brigada, comandada por Nott, em Kandahar. Ghuznee, a inexpugn\u00e1vel fortaleza do Afeganist\u00e3o, foi tomada em 22 de Julho, tendo um desertor trazido informa\u00e7\u00e3o de que a porta de Cabul era a \u00fanica que n\u00e3o havia sido emparedada; foi desse modo destru\u00eddo, e a pra\u00e7a foi ent\u00e3o invadida. Ap\u00f3s este desastre o ex\u00e9rcito que Dost Mohammed havia reunido debandou de imediato, e Cabul abriu tamb\u00e9m as suas portas.<\/p>\n<p>6 de Agosto. Shah Soojah foi devidamente instalado, mas a verdadeira direc\u00e7\u00e3o do governo permaneceu nas m\u00e3os de McNaghten, que tamb\u00e9m utilizou o tesouro indiano para pagar todas as despesas de Shah Soojah.<\/p>\n<p>A conquista do Afeganist\u00e3o parecia conclu\u00edda, e uma parte consider\u00e1vel das tropas foi feita regressar. Mas os afeg\u00e3os n\u00e3o estavam de nenhum modo satisfeitos com serem governados pelos Feringhee Kaffirs (infi\u00e9is europeus), e durante todo o ano de 1840 e de 1841, a insurrei\u00e7\u00e3o seguiu-se a insurrei\u00e7\u00e3o em todo o lado do pa\u00eds. As tropas anglo-indianas tinham de estar em constante movimento. No entanto, McNaghten declarou que este era o estado normal da sociedade afeg\u00e3 e escreveu para casa que tudo ia bem e que o poder de Shah Soojah estava a criar ra\u00edzes. Foram em v\u00e3o as advert\u00eancias de oficiais militares e outros agentes pol\u00edticos. Dost Mohammed rendera-se aos brit\u00e2nicos em Outubro de 1840 e foi enviado para a \u00cdndia; todas as insurrei\u00e7\u00f5es durante o ver\u00e3o de 41 foram reprimidas com sucesso e, em Outubro, McNaghten, nomeado governador de Bombaim, pretendia partir com outro corpo de tropas para a \u00cdndia. Mas ent\u00e3o estourou a tempestade.<\/p>\n<p>A ocupa\u00e7\u00e3o do Afeganist\u00e3o custou ao tesouro indiano \u00a3 1.250.000 por ano: 16.000 soldados, anglo-indianos e de Shah Soojah, tiveram de ser pagos no Afeganist\u00e3o; 3.000 outros estavam em Sinde e no Vale de Bolan; os luxos reais de Shah Soojah, os sal\u00e1rios dos seus funcion\u00e1rios e todas as despesas da sua corte e governo eram pagos pelo tesouro indiano e, finalmente, os chefes afeg\u00e3os eram subsidiados, ou melhor, subornados, a partir da mesma fonte, a fim de os manter sossegados. McNaghten foi informado da impossibilidade de prosseguir com este ritmo de despesa. Tentou conten\u00e7\u00e3o, mas a \u00fanica forma poss\u00edvel de a aplicar era cortar as propinas dos chefes. No mesmo dia em que o tentou, os chefes formaram uma conspira\u00e7\u00e3o para o exterm\u00ednio dos brit\u00e2nicos e, portanto, foi o pr\u00f3prio McNaghten o meio de promover a concentra\u00e7\u00e3o dessas for\u00e7as insurrecionais, que at\u00e9 ent\u00e3o haviam lutado individualmente contra os invasores, e sem unidade ou concerta\u00e7\u00e3o; embora seja certo tamb\u00e9m que, por esta altura, o \u00f3dio entre os afeg\u00e3os \u00e0 domina\u00e7\u00e3o brit\u00e2nica havia atingido o ponto mais alto.<\/p>\n<p>Os ingleses em Cabul eram comandados pelo general Elphinstone, um velho obstinado, irresoluto e completamente incapaz, cujas ordens constantemente se contradiziam. As tropas ocupavam uma esp\u00e9cie de acampamento fortificado, que era t\u00e3o extenso que a guarni\u00e7\u00e3o mal dava para guarnecer as muralhas, quanto mais para destacar corpos para atuar no terreno. As obras eram t\u00e3o imperfeitas que a vala e o parapeito podiam ser ultrapassados a cavalo. Como se isso n\u00e3o bastasse, o acampamento era dominado pelos relevos vizinhos quase dentro do alcance dos mosquetes, e para coroar o absurdo da organiza\u00e7\u00e3o, todas as provis\u00f5es e abastecimentos m\u00e9dicos estavam em dois fortes destacados a alguma dist\u00e2ncia do acampamento, al\u00e9m disso separados dele por jardins murados e por outro pequeno forte n\u00e3o ocupado pelos ingleses. A cidadela ou Bala Hissar de Cabul teria oferecido fortes e espl\u00eandidos aquartelamentos de inverno a todo o ex\u00e9rcito, mas para agradar a Shah Soojah n\u00e3o fora ocupada.<\/p>\n<p>2 de Novembro de 1841, a insurrei\u00e7\u00e3o estalou. A casa de Alexander Burnes, na cidade, foi atacada e ele pr\u00f3prio assassinado. O general brit\u00e2nico nada fez e a insurrei\u00e7\u00e3o fortaleceu-se com a impunidade. Elphinstone, totalmente desamparado, \u00e0 merc\u00ea de todo tipo de conselhos contradit\u00f3rios, rapidamente meteu tudo naquela confus\u00e3o que Napole\u00e3o [Bonaparte] descrevia com as tr\u00eas palavras, ordre, contre-ordre, disordre. O Bala Hissar estava, mesmo ent\u00e3o, desocupado. Foram enviadas algumas companhias contra os milhares de insurgentes e, claro, foram derrotadas. Isto encorajou ainda mais os afeg\u00e3os.<\/p>\n<p>3 de Novembro, os fortes pr\u00f3ximos do acampamento foram ocupados. No dia 9, o forte do comissariado (guarnecido por apenas 80 homens) foi tomado pelos afeg\u00e3os, e os brit\u00e2nicos foram assim reduzidos \u00e0 fome. No dia 5, Elphinstone j\u00e1 falava em procurar uma passagem livre para fora do pa\u00eds. Na verdade, em meados de Novembro, a sua irresolu\u00e7\u00e3o e incapacidade haviam desmoralizado tanto as tropas que nem os europeus nem os Sipaios [ 9 ] estavam j\u00e1 em condi\u00e7\u00f5es de enfrentar os afeg\u00e3os em campo aberto. Come\u00e7aram ent\u00e3o as negocia\u00e7\u00f5es. Enquanto elas decorriam, McNaghten foi assassinado numa confer\u00eancia com chefes afeg\u00e3os. A neve come\u00e7ou a cobrir o terreno, as provis\u00f5es eram escassas. Por fim, 1\u00ba de Janeiro, foi conclu\u00edda uma capitula\u00e7\u00e3o. Todo o dinheiro, \u00a3 190.000, seria entregue aos afeg\u00e3os, e seriam assinadas cr\u00e9ditos de mais \u00a3 140.000. Toda a artilharia e muni\u00e7\u00f5es, excepto 6 canh\u00f5es de seis libras e 3 canh\u00f5es de montanha, deveria ficar. Todo o Afeganist\u00e3o deveria ser evacuado. Os chefes, por outro lado, prometiam um salvo-conduto, provis\u00f5es e gado para transporte de bagagem.<\/p>\n<p>5 de Janeiro, os brit\u00e2nicos marcharam embora, 4.500 combatentes e 12.000 auxiliares de campo. Uma marcha foi suficiente para dissolver o \u00faltimo resqu\u00edcio de ordem e misturar soldados e auxiliares de campo numa confus\u00e3o desesperante, tornando imposs\u00edvel qualquer resist\u00eancia. O frio, a neve e a falta de provis\u00f5es agiram como na retirada de Napole\u00e3o de Moscou [em 1812]. Mas, em vez de cossacos mantendo uma dist\u00e2ncia respeitosa, os brit\u00e2nicos foram perseguidos por enfurecidos atiradores afeg\u00e3os, armados com espingardas de pederneira de longo alcance, ocupando todas as posi\u00e7\u00f5es dominantes. Os chefes que tinham assinado a capitula\u00e7\u00e3o n\u00e3o podiam nem queriam conter as tribos das montanhas. O Passo de Koord-Kabul tornou-se o t\u00famulo de quase todo o ex\u00e9rcito, e o pequeno remanescente, menos de 200 europeus, caiu na entrada da passagem de Jugduluk. Apenas um homem, Dr. Brydon, chegou a Jalalabad para contar a hist\u00f3ria. Muitos oficiais, contudo, haviam sido capturados pelos afeg\u00e3os e mantidos em cativeiro, Jalalabad foi tomada pela brigada de Sale. Foi-lhe exigida a capitula\u00e7\u00e3o, mas recusou-se a evacuar a cidade, e o mesmo fez Nott em Kandahar. Ghuznee havia ca\u00eddo; n\u00e3o havia um \u00fanico homem no local que entendesse fosse o que fosse sobre artilharia, e os Sipaios da guarni\u00e7\u00e3o haviam sucumbido ao clima.<\/p>\n<p>Entretanto, as autoridades brit\u00e2nicas na fronteira, \u00e0s primeiras not\u00edcias do desastre de Cabul, tinham concentrado em Peshawar as tropas destinadas \u00e0 rendi\u00e7\u00e3o dos regimentos no Afeganist\u00e3o. Mas faltava transporte e os Sipaios adoeciam em grande n\u00famero. O general Pollock assumiu o comando em Fevereiro e, no final de Mar\u00e7o de 1842, recebeu mais refor\u00e7os. For\u00e7ou ent\u00e3o o Passo de Khyber e avan\u00e7ou para socorrer Sale em Jalalabad; aqui, Sale havia alguns dias antes derrotado completamente a investida do ex\u00e9rcito afeg\u00e3o. Lord Ellenborough, agora governador-geral da \u00cdndia, ordenou que as tropas recuassem; mas tanto Nott como Pollock encontraram uma boa desculpa na falta de transporte. Por fim, no in\u00edcio de Julho, a opini\u00e3o p\u00fablica na \u00cdndia for\u00e7ou Lord Ellenborough a fazer alguma coisa pela recupera\u00e7\u00e3o da honra nacional e do prest\u00edgio do ex\u00e9rcito brit\u00e2nico; consequentemente, autorizou um avan\u00e7o sobre Cabul, tanto a partir de Kandahar como de Jalalabad.<\/p>\n<p>Por altura de meados de Agosto, Pollock e Nott haviam chegado a um entendimento a respeito das ac\u00e7\u00f5es a empreender e, em 20 de Agosto, Pollock avan\u00e7ou para Cabul, chegou a Gundamuck e derrotou um corpo de afeg\u00e3os no dia 23, tomou o Passo de Jugduluk em 8 de Setembro, derrotou a for\u00e7a conjunta do inimigo no dia 13 em Tezeen, e no dia 15 acampou junto \u00e0s muralhas de Cabul. Entretanto, Nott tinha evacuado Kandahar em 7 de Agosto e marchou com todas as suas for\u00e7as em direc\u00e7\u00e3o a Ghuznee. Ap\u00f3s alguns combates menores, derrotou um grande corpo de afeg\u00e3os, a 30 de Agosto tomou posse de Ghuznee, que havia sido abandonada pelo inimigo, a 6 de Setembro, destruiu as obras de defesa e a cidade, derrotou novamente os afeg\u00e3os na forte posi\u00e7\u00e3o de Alydan e, em 17 de Setembro, chegou pr\u00f3ximo de Cabul, onde Pollock estabeleceu de imediato comunica\u00e7\u00e3o com ele. Shah Soojah havia, muito antes, sido assassinado por alguns dos chefes, e desde ent\u00e3o nenhum governo regular existira no Afeganist\u00e3o; nominalmente era rei Futteh Jung, seu filho. Pollock despachou um corpo de cavalaria em persegui\u00e7\u00e3o dos prisioneiros de Cabul, mas estes tinham conseguido subornar a sua guarda e fizeram-lhe frente no caminho. Como vingan\u00e7a foi destru\u00eddo o bazar de Cabul, ocasi\u00e3o em que os soldados saquearam parte da cidade e massacraram muitos habitantes.<\/p>\n<p>12 de Outubro, os brit\u00e2nicos deixaram Cabul e marcharam para a \u00cdndia via Jalalabad e Peshawar. Futteh Jung, desesperado perante a sua posi\u00e7\u00e3o, seguiu-os. Dost Mohammed foi libertado do cativeiro e regressou ao seu reino. Assim terminou a tentativa dos brit\u00e2nicos de instalar no Afeganist\u00e3o um pr\u00edncipe fabricado por eles.<\/p>\n<p>Notas:<\/p>\n<p>1 Que Engels queria escrever um artigo sobre o Afeganist\u00e3o (com \u00eanfase na guerra anglo-afeg\u00e3 de 1838-42) \u00e9 evidenciado pelo facto de incluir este t\u00f3pico na lista provis\u00f3ria de artigos da The New American Cyclopaedia na sua carta a Marx de 28 de Maio de 1857. Em 11 de Julho de 1857, por\u00e9m, Engels informou Marx que o artigo n\u00e3o estaria pronto em 14 de Julho, conforme combinado. Trabalhar nele demorara aparentemente mais do que o esperado. Marx recebeu-o em 11 de Agosto e, como pode ser visto na anota\u00e7\u00e3o no seu caderno nesta data, enviou-o para Nova York. Numa carta a Marx de 2 de Setembro de 1857, Charles Dana acusou o recebimento de &#8220;Invas\u00e3o do Afeganist\u00e3o&#8221;. Quando trabalhou neste artigo, Engels usou a History of the War in Afghanistan Vols. I-II, Londres, 1851, de J. W. Kaye (v. este volume, pp. 379-90).<\/p>\n<p>2 Engels usa o termo \u201ccl\u00e3\u201d, muito difundido na Europa Ocidental, para designar heli (grupos tribais) em que as tribos afeg\u00e3s se dividiam.<\/p>\n<p>3 Soonees (sunitas) e Sheeahs (xiitas) &#8211; membros das duas principais seitas mu\u00e7ulmanas que surgiram no s\u00e9culo VII como resultado de conflitos entre os sucessores de Maom\u00e9, fundador do Isl\u00e3o.<\/p>\n<p>4 Os Moguls &#8211; invasores de ascend\u00eancia turca, que vieram para a \u00cdndia da zona da \u00c1sia Central no in\u00edcio do s\u00e9culo XVI e em 1526 fundaram o Imp\u00e9rio dos Grandes Moguls (em homenagem \u00e0 dinastia governante do Imp\u00e9rio) no norte da \u00cdndia. Os contempor\u00e2neos consideravam-nos descendentes directos dos guerreiros mong\u00f3is de Gengis Khan, da\u00ed o nome \u201cMoguls\u201d. Em meados do s\u00e9culo XVII, o Imp\u00e9rio Mogul inclu\u00eda a maior parte da \u00cdndia e parte do Afeganist\u00e3o. Mais tarde, por\u00e9m, o Imp\u00e9rio come\u00e7ou a declinar devido a rebeli\u00f5es camponesas, \u00e0 crescente resist\u00eancia do povo indiano aos conquistadores maometanos e \u00e0s crescentes tend\u00eancias separatistas. Na primeira metade do s\u00e9culo XVIII, o Imp\u00e9rio dos Grandes Moguls praticamente deixou de existir.<\/p>\n<p>5 Os Maratas (Marathas) &#8211; um grupo \u00e9tnico que vivia no Noroeste de Deccan. Em meados do s\u00e9culo XVII, iniciaram uma luta armada contra o Imp\u00e9rio dos Grandes Moguls, contribuindo assim para o seu decl\u00ednio. No decorrer da luta os Maratas formaram um estado independente pr\u00f3prio, cujos governantes em breve embarcaram em guerras de conquista. No final do s\u00e9culo XVII, o seu estado foi enfraquecido por lutas feudais internas, mas no in\u00edcio do s\u00e9culo XVIII uma poderosa confedera\u00e7\u00e3o de principados Maratas foi formada sob um governador supremo, o Peshwa. Em 1761, sofreram uma derrota esmagadora \u00e0s m\u00e3os dos afeg\u00e3os na luta pela supremacia na \u00cdndia. Enfraquecidos por esta luta e contenda feudal interna, os principados de Marata ca\u00edram presa da Companhia das \u00cdndias Orientais e foram subjugados por ela em resultado da guerra Anglo-Marata de 1803-05.<\/p>\n<p>6 Os Sikhs &#8211; uma seita religiosa que apareceu no Punjab (noroeste da \u00cdndia) no s\u00e9culo XVI. A sua cren\u00e7a na igualdade tornou-se a ideologia dos camponeses e das camadas urbanas mais baixas na sua luta contra o Imp\u00e9rio dos Grandes Moguls e os invasores afeg\u00e3os no final do s\u00e9culo XVII. Posteriormente, emergiu entre os sikhs uma aristocracia local e os seus representantes chefiaram os principados sikhs. No in\u00edcio do s\u00e9culo XIX, esses principados uniram-se sob Ranjit Singh, cujo estado sikh inclu\u00eda o Punjab e algumas regi\u00f5es vizinhas. As autoridades brit\u00e2nicas na \u00cdndia provocaram um conflito armado com os sikhs em 1845 e em 1846 conseguiram converter em vassalo o estado sikh. Os sikhs revoltaram-se em 1848, mas foram subjugados em 1849.<\/p>\n<p>7 O cerco de Herat pelos persas durou de Novembro de 1837 a Agosto de 1838. Com a inten\u00e7\u00e3o de aumentar a influ\u00eancia da Gr\u00e3-Bretanha no Afeganist\u00e3o e de enfraquecer a da R\u00fassia na P\u00e9rsia, o governo brit\u00e2nico declarou que as a\u00e7\u00f5es do X\u00e1 eram hostis \u00e0 Gr\u00e3-Bretanha e exigiu que levantasse o cerco. Amea\u00e7ando-o com a guerra, enviou um esquadr\u00e3o ao Golfo P\u00e9rsico em 1838. O X\u00e1 foi for\u00e7ado a submeter-se e a aceitar um tratado comercial unilateral com a Gr\u00e3-Bretanha. Marx descreveu o cerco de Herat no seu artigo \u201cA Guerra contra a P\u00e9rsia\u201d.<\/p>\n<p>8 Durante a guerra Anglo-Afeg\u00e3, a Companhia das \u00cdndias Orientais recorreu a amea\u00e7as e viol\u00eancia para obter o consentimento dos governantes feudais de Sind, uma regi\u00e3o no noroeste da \u00cdndia (agora no Paquist\u00e3o) fronteiri\u00e7a com o Afeganist\u00e3o, para a passagem de tropas brit\u00e2nicas atrav\u00e9s do seu territ\u00f3rio. Aproveitando-se disso, os brit\u00e2nicos exigiram em 1843 que os pr\u00edncipes feudais locais se proclamassem vassalos da Companhia. Depois de esmagar as tribos rebeldes Baluchi (nativos do Sind), declararam a anexa\u00e7\u00e3o de toda a regi\u00e3o \u00e0 \u00cdndia brit\u00e2nica.<\/p>\n<p>9 Sipaios &#8211; tropas mercen\u00e1rias do ex\u00e9rcito brit\u00e2nico-indiano recrutadas entre a popula\u00e7\u00e3o indiana e servindo sob o comando de oficiais brit\u00e2nicos. Foram usadas pelos brit\u00e2nicos para subjugar a \u00cdndia e para travar as guerras de conquista contra o Afeganist\u00e3o, Birm\u00e2nia e outros estados vizinhos. No entanto, os Sipaios partilhavam o descontentamento geral do povo indiano com o regime colonial e participaram na insurrei\u00e7\u00e3o de liberta\u00e7\u00e3o nacional na \u00cdndia em 1857-59.<\/p>\n<p>A vers\u00e3o inglesa deste texto encontra-se em: https:\/\/www.marxists.org\/archive\/marx\/works\/1857\/afghanistan\/index.htm<\/p>\n<p>As notas s\u00e3o igualmente deste site<\/p>\n<p>https:\/\/www.odiario.info\/afeganistao\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/27844\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[374],"tags":[233],"class_list":["post-27844","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-afeganistao","tag-6a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-7f6","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27844","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=27844"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27844\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=27844"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=27844"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=27844"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}