{"id":279,"date":"2010-02-25T16:30:39","date_gmt":"2010-02-25T16:30:39","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=279"},"modified":"2010-02-25T16:30:39","modified_gmt":"2010-02-25T16:30:39","slug":"o-xadrez-mundial-do-petroleo-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/279","title":{"rendered":"O XADREZ MUNDIAL DO PETR\u00d3LEO: BRASIL"},"content":{"rendered":"\n<p>O nascimento do Brasil como uma entidade pol\u00edtica independente foi completamente diferente de seus vizinhos sul-americanos hispano-falantes. A independ\u00eancia do enorme pa\u00eds amaz\u00f4nico n\u00e3o foi uma ruptura sanguin\u00e1ria, mas uma jogada planejada e executada por uma aristocr\u00e1tica oligarquia que, desde ent\u00e3o e nos \u00faltimos 200 anos, continua a alimentar um projeto de crescimento territorial expansivo (agora transformado em um modelo de integra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica absorvente) como pode ser atestado por quase todas as na\u00e7\u00f5es sul-americanas, que desde o processo de independ\u00eancia at\u00e9 os dias de hoje, viram diminuir seu territ\u00f3rio frente ao Brasil.<\/p>\n<p>Este projeto de expans\u00e3o neo-imperialista foi estendido nas \u00faltimas d\u00e9cadas para a \u00c1frica, e agora ganha mais for\u00e7a com a alian\u00e7a dos BRIC (Brasil, R\u00fassia, \u00cdndia e China), pol\u00edtica geoestrat\u00e9gica que aposta na constru\u00e7\u00e3o de um mundo multipolar, onde Bras\u00edlia aspira ser protagonista de primeira ordem. Como pode ser observado, as doutrinas geopol\u00edticas de Jos\u00e9 Maria da Silva Paranhos J\u00fanior, Bar\u00e3o do Rio Branco, Golbery do Couto e Silva, Mario Travassos, Meira Mattos e Teresinha de Castro, que apontam para a expans\u00e3o do Brasil \u00e0 categoria de pot\u00eancia mundial, com a Am\u00e9rica do Sul como seu \u201clebensraun&#8221; ou espa\u00e7o vital, est\u00e3o mais vigentes do que nunca no Pal\u00e1cio do Planalto e Itamaraty.<\/p>\n<p>Historicamente as elites brasileiras v\u00eaem o seu pa\u00eds como uma grande pot\u00eancia regional, e at\u00e9 mesmo como um imp\u00e9rio emergente, e na verdade seu primeiro nome oficial era &#8220;Imp\u00e9rio do Brasil&#8221;. No entanto, uma das defici\u00eancias cr\u00f4nicas que impediu o pleno desenvolvimento do dito projeto tinha sido, at\u00e9 agora, a falta de fontes pr\u00f3prias de energia f\u00f3ssil. Os geo-estrategistas brasileiros sabem que o Brasil como pa\u00eds n\u00e3o tem o peso econ\u00f4mico e pol\u00edtico suficiente para transformar-se em uma pot\u00eancia mundial, por\u00e9m, a Am\u00e9rica do Sul, como unidade econ\u00f4mica e geopol\u00edtica, sim! Neste contexto, a energia tem uma ineg\u00e1vel import\u00e2ncia: a Unasul (Uni\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Sul-americanas) \u00e9 o \u00fanico bloco regional auto-suficiente em mat\u00e9ria energ\u00e9tica, e o Brasil tenta encabe\u00e7ar este bloco, agregando-lhe a sua tradicional condi\u00e7\u00e3o de gigante econ\u00f4mico da regi\u00e3o e sua nova condi\u00e7\u00e3o de pot\u00eancia energ\u00e9tica emergente.<\/p>\n<p>Com a descoberta dos gigantescos campos de petr\u00f3leo conhecidos como &#8220;pr\u00e9-sal&#8221;, localizados na plataforma continental dos estados do Rio de Janeiro, Paran\u00e1, S\u00e3o Paulo, Santa Catarina e Esp\u00edrito Santo, o antigo projeto da oligarquia brasileira tem um impulso novo e poderoso. Estes dep\u00f3sitos s\u00e3o compostos de um extenso horizonte geol\u00f3gico de 6.000 e 8.000 quil\u00f4metros quadrados localizado a pouco mais de 200 quil\u00f4metros da costa sul do Brasil, a profundidades superiores a 2.500 metros, e sob uma camada de sal de 700 a 2000 metros de espessura.<\/p>\n<p>O in\u00edcio da explora\u00e7\u00e3o comercial de petr\u00f3leo no Brasil data dos primeiros anos da d\u00e9cada de 1940. Em 1953, o Estado brasileiro criou a Petrobras, empresa estatal que, por lei, desde ent\u00e3o \u00e9 a propriet\u00e1ria das jazidas que se encontram no territ\u00f3rio desse pa\u00eds. A partir de 1984, gra\u00e7as \u00e0s descobertas dos campos gigantes de Albacora e Marlim em \u00e1guas profundas da Bacia de Campos, seguida nos anos posteriores pelas descobertas dos campos tamb\u00e9m gigantes de Marlim Sul, Marlim Leste, Albacora Leste, Barracuda-Caratinga e Roncador, a Petrobras aumentou significativamente os seus volumes de produ\u00e7\u00e3o, atingindo no ano de 1998 a cifra simb\u00f3lica de um milh\u00e3o de barris por dia, o que significou na \u00e9poca 58% do consumo de petr\u00f3leo no Brasil. Em 2002, a produ\u00e7\u00e3o no Brasil subiu para um milh\u00e3o e meio de barris\/dia (85% do consumo) e, desde 2005, o Brasil \u00e9 auto-suficiente no que tange ao consumo de hidrocarbonetos.<\/p>\n<p>Estes avan\u00e7os na explora\u00e7\u00e3o e desenvolvimento de campos de petr\u00f3leo e g\u00e1s t\u00eam sido not\u00e1veis, especialmente porque o continente brasileiro quase n\u00e3o possui \u00e1reas geol\u00f3gicas onde possam ser encontradas reservas de petr\u00f3leo em escala comercial, e quase todas as suas explora\u00e7\u00f5es se encontram offshore, ou seja, est\u00e3o localizadas no mar, onde a Petrobras tem se especializado desde o seu nascimento na prospec\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o de tais dep\u00f3sitos, sendo hoje a empresa l\u00edder mundial neste tipo de tecnologia em \u00e1guas rasas (at\u00e9 400 metros de profundidade), \u00e1guas profundas (400 a 2.200 metros de profundidade), e \u00e1guas ultra profundas (acima de 2.200 metros de profundidade).<\/p>\n<p><strong>O \u00eaxito da Petrobras<\/strong> A maioria das bacias terrestres do mundo j\u00e1 foram ou est\u00e3o sendo exploradas. A grande promessa do futuro petroleiro no mundo s\u00e3o as jazidas mar adentro e neste tipo de explora\u00e7\u00e3o, a Petrobras leva uma grande vantagem tecnol\u00f3gica e gerencial sobre a grande maioria das multinacionais do petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>Para se ter uma id\u00e9ia da evolu\u00e7\u00e3o da Petrobras no planejamento estrat\u00e9gico e desenvolvimento tecnol\u00f3gico de suas explora\u00e7\u00f5es e perfura\u00e7\u00f5es, temos que assinalar que a m\u00e9dia de seus po\u00e7os perfurados, bem sucedidos em termos de volume de produ\u00e7\u00e3o, foi de 39% em 2003, 50% em 2004, 55% em 2005, 49% em 2006 e 50% em 2007, enquanto a m\u00e9dia mundial de perfura\u00e7\u00f5es exitosas n\u00e3o chega a 25%, excluindo tamb\u00e9m o fato de que a grande maioria das descobertas brasileiras foram feitas em campos localizados em \u00e1guas profundas e ultra profundas, com enormes dificuldades t\u00e9cnicas.<\/p>\n<p>Entre 2003 e 2007, a Petrobras descobriu e come\u00e7ou a explorar as jazidas de Jubarte, Cachalote e Parque das Baleias, no norte da bacia de Santos; Golfinho e Canapu frente \u00e0 costa do Esp\u00edrito Santo, Piranema, em Sergipe-Alagoas, e o Campo de Manati, na bacia de Camamu-Almada. Por\u00e9m, foi no final de 2007 que o governo do presidente Luiz In\u00e1cio \u201cLula\u201d da Silva anunciou as grandes descobertas de jazidas conhecidas como &#8220;pr\u00e9-sal&#8221;: Tupi, Bem-te-vi, Carioca, Caramba e J\u00fapiter. Para se ter uma id\u00e9ia da magnitude desses dep\u00f3sitos, ainda n\u00e3o totalmente abalizados, temos que considerar o megacampo Carioca (oficialmente chamado de P\u00e3o de A\u00e7\u00facar), com uma reserva estimada na ordem dos 33.000 milh\u00f5es de barris de petr\u00f3leo, que o torna terceiro maior campo do mundo, superado apenas pela Ar\u00e1bia Saudita e Ghawar Burgan no Kuwait.<\/p>\n<p>O fato de a Petrobras ter conseguido superar com \u00eaxito os enormes desafios t\u00e9cnicos que envolvem a explora\u00e7\u00e3o dos dep\u00f3sitos do pr\u00e9-sal fez com que seu prest\u00edgio aumentasse de forma significativa no mundo petroleiro internacional, como evidenciado pelo seu favorecimento nos \u00faltimos tr\u00eas anos em licita\u00e7\u00f5es de 26 blocos geol\u00f3gicos em \u00e1guas profundas e ultra profundas no Golfo do M\u00e9xico e as concess\u00f5es nas \u00e1guas profundas do Mar Negro cedidas pelo governo da Turquia; tamb\u00e9m em 2009 a Petrobras foi a empresa selecionada pelo governo cubano, atrav\u00e9s de sua estatal de petr\u00f3leo Cupet, para explorar e desenvolver campos de petr\u00f3leo offshore em \u00e1guas profundas no reservat\u00f3rio conhecido como Hoya de La Dona, na zona econ\u00f4mica exclusiva da ilha do Caribe, no Golfo do M\u00e9xico.<\/p>\n<p>O crescimento e posicionamento da Petrobras n\u00e3o se limitam aos benef\u00edcios fornecidos pelo seu estatuto de l\u00edder mundial em prospec\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o em \u00e1guas profundas; nos \u00faltimos dez anos a Petrobras adquiriu concess\u00f5es importantes nos campos de Camisea, no Peru, comprou a empresa argentina Perez Compaq (Pecom) por 1.124 milh\u00f5es de d\u00f3lares. Com esta compra obteve o controle de 15% do mercado argentino de combust\u00edveis; e 10% dos lubrificantes, com a compra da companhia de petr\u00f3leo Santa F\u00e9; a Petrobras j\u00e1 \u00e9 a segunda maior companhia em volume de produ\u00e7\u00e3o na Argentina; tamb\u00e9m adquiriu os ativos do Royal Ducht Shell na Col\u00f4mbia, Paraguai e Uruguai, com vista a estender a esses pa\u00edses a rede de comercializa\u00e7\u00e3o de seus produtos.<\/p>\n<p>A Petrobras tem utilizado as tradicionais boas rela\u00e7\u00f5es dos governos brasileiros com as na\u00e7\u00f5es luso-falantes da \u00c1frica para obter contratos e concess\u00f5es de petr\u00f3leo em v\u00e1rias delas, como \u00e9 o caso de Angola, Mo\u00e7ambique, Guin\u00e9-Bissau e Cabo Verde, al\u00e9m das anglo e franco-falantes Nig\u00e9ria, N\u00edger, Mali, Senegal, Togo e Tanz\u00e2nia.<\/p>\n<p>Uma das caracter\u00edsticas hist\u00f3ricas da diplomacia brasileira e de suas geoestrat\u00e9gias t\u00eam sido a rever\u00eancia e a capacidade de c\u00e1lculo. Quando o presidente Lula lan\u00e7a sinos ao vento, anunciando que a descoberta dos campos do pr\u00e9-sal seria &#8220;quase como uma segunda independ\u00eancia&#8221;, ou afirmando que &#8220;o Brasil ser\u00e1 em 20 ou 30 anos, a maior pot\u00eancia energ\u00e9tica do planeta&#8221;, n\u00e3o est\u00e1 simplesmente expressando del\u00edrios ou ilus\u00f5es, est\u00e1 apontando para um plano cuidadosamente concebido, que visa levar o colosso da Amaz\u00f4nia \u00e0 categoria de uma grande pot\u00eancia mundial (n\u00e3o apenas em termos energ\u00e9ticos) em um curto espa\u00e7o de tempo.<\/p>\n<p>\u00c9 prov\u00e1vel que a ger\u00eancia da Petrobras conhe\u00e7a h\u00e1 algum tempo a magnitude das jazidas do pr\u00e9-sal, mas decidiu esperar para anunci\u00e1-los, seguindo instru\u00e7\u00f5es do governo e da diplomacia desse pa\u00eds, em um momento de pre\u00e7os elevados do petr\u00f3leo, como os que se tem conseguido ao longo dos \u00faltimos dois anos, para melhorar o seu cr\u00e9dito a n\u00edvel global e refor\u00e7ar a sua condi\u00e7\u00e3o como uma pot\u00eancia emergente dentro dos BRIC e do G-20.<\/p>\n<p>Desde agosto de 2002 at\u00e9 trinta de abril de 2008, as a\u00e7\u00f5es da Petrobras na bolsa de Nova York se valorizaram em 912%. O Brasil tem refor\u00e7ado a sua banca nacional para evitar ter de recorrer a monop\u00f3lios anglo-sax\u00f5es de Wall Street e a City londrina. Em janeiro deste ano, a Petrobras anunciou um plano q\u00fcinq\u00fcenal de investimentos (2009- 2013) de 174.000 milh\u00f5es de d\u00f3lares, isto apesar de queda dos pre\u00e7os do petr\u00f3leo e da crise do sistema econ\u00f4mico global, demonstrando que a sua estrat\u00e9gia n\u00e3o \u00e9 circunstancial. Desse montante, 104.000 milh\u00f5es destinam-se a trabalhos de explora\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o, afirmando claramente que os dirigentes brasileiros ainda esperam encontrar muito mais campos de petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>Que no meio de uma grave recess\u00e3o mundial a Petrobras possa adquirir linhas de cr\u00e9dito t\u00e3o gigantescas denota a sua posi\u00e7\u00e3o e for\u00e7a nos centros do poder financeiro global, e da proje\u00e7\u00e3o do Brasil como um grande produtor de energia nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas. \u00c9 prov\u00e1vel que os multimilion\u00e1rios recursos financeiros chineses estejam associados a esse processo de recapitaliza\u00e7\u00e3o da banca nacional e estatal brasileira, tendo como garantia, \u00e9 claro, as reservas de petr\u00f3leo do pr\u00e9- sal.<\/p>\n<p>Deve-se ter muito cuidado quando se fala da Petrobras como uma empresa nacional do Brasil.<\/p>\n<p>Como resultado das pol\u00edticas privatistas do furac\u00e3o neoliberal que varreu a Am\u00e9rica Latina no final dos anos 90 do s\u00e9culo passado, e que no Brasil teve como principais respons\u00e1veis Fernando Collor de Mello e Fernando Henrique Cardoso, a participa\u00e7\u00e3o do Estado brasileiro na Petrobras se fez minorit\u00e1ria. Atualmente, apenas controla 32,2% do total de a\u00e7\u00f5es, somado a 7,6% das a\u00e7\u00f5es de propriedade do Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES). Os 57% restantes pertencem a pequenos e grandes investidores que compraram suas a\u00e7\u00f5es negociadas em bolsas de valores em Nova York, Londres, S\u00e3o Paulo, Madri e Buenos Aires. Como exemplo, temos o mega-especulador George Soros, que det\u00e9m cerca de 37 milh\u00f5es de a\u00e7\u00f5es da Petrobras no valor de 900 milh\u00f5es de d\u00f3lares.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que o governo do Presidente Lula da Silva apresentou em setembro de 2009 um projeto de lei que tenta retomar o controle da Petrobras ao Estado brasileiro, especialmente os novos campos do pr\u00e9-sal, projeto que tem sido amplamente recusado no parlamento brasileiro por representantes das multinacionais e dos interesses olig\u00e1rquicos que ali det\u00e9m assentos. Diante dessa resist\u00eancia, o governo criou a Petrosal, uma empresa estatal que ter\u00e1 um representante com voz e voto no conselho diretivo de qualquer empresa a operar os dep\u00f3sitos de pr\u00e9-sal.<\/p>\n<p><strong>Uma coisa \u00e9 o governo, outra o poder<\/strong> Sobre o que foi dito acima, deve-se notar que no Brasil, como na maioria dos pa\u00edses latino-americanos, o atual governo n\u00e3o necessariamente det\u00e9m o verdadeiro poder; este continua nas m\u00e3os da oligarquia industrial e comercial paulista e carioca, dos latifundi\u00e1rios (brasileiros e estrangeiros) e dos representantes do grande capital transnacional financeiro e industrial com interesses no pa\u00eds. As discuss\u00f5es e as lutas pelo futuro do pr\u00e9-sal no congresso, e entre este e o atual governo do presidente Lula, n\u00e3o s\u00e3o sen\u00e3o express\u00f5es das contradi\u00e7\u00f5es entre os representantes de distintos interesses capitalistas nacionais e estrangeiros.<\/p>\n<p>\u00c9 not\u00f3ria a aus\u00eancia nas discuss\u00f5es sobre o futuro dos recursos do pr\u00e9-sal de representantes populares de base como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), dos sindicatos brasileiros, dos organizadores do F\u00f3rum Social de Porto Alegre, dos diferentes grupos ecologistas ou dos grupos crist\u00e3os de base. O Partido dos Trabalhadores (PT) h\u00e1 muito tempo deixou de ser um partido classista e desde que assumiu o governo mudou a forma, mas n\u00e3o a subst\u00e2ncia da pol\u00edtica em defesa dos interesses do grande capital nacional e internacional assentado no Brasil.<\/p>\n<p>\u00c9 paradigm\u00e1tico que a imprensa direitista europ\u00e9ia e estadunidense permanentemente se derretam em elogios para Lula e sua administra\u00e7\u00e3o, promovendo-o como um exemplo do que deve ser uma esquerda \u201cmoderna e respons\u00e1vel&#8221;, enquanto arrancam os cabelos, atacando o \u201cpopulismo radical\u201d de Ch\u00e1vez, e o &#8220;arcaico&#8221; indigenismo de Evo, e nacionalismo de Correa.<\/p>\n<p>O porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, PJ Crowley, declarou: &#8220;A li\u00e7\u00e3o do golpe militar contra Manuel Zelaya \u00e9 que se deve afastar da lideran\u00e7a atual da Venezuela; os pa\u00edses da regi\u00e3o devem seguir um modelo de governo e um l\u00edder que n\u00e3o seja Ch\u00e1vez.\u201d E voc\u00ea se pergunta: Qual poderia ser esse governo e l\u00edder modelo que os EUA prop\u00f5em? Uribe? Est\u00e1 muito desacreditado no mundo inteiro por seus esc\u00e2ndalos para e narco-pol\u00edticos. Calder\u00f3n? Ileg\u00edtimo, esp\u00fario, declarando uma guerra dentro de seu pr\u00f3prio pa\u00eds e, sobretudo, ins\u00edpido e sem carisma, est\u00e1 descartado. A resposta \u00e9 \u00f3bvia: Brasil e Lula! No entanto, n\u00e3o parece que as elites brasileiras aceitem um alinhamento e uma submiss\u00e3o incondicional \u00e0s oligarquias que controlam o poder nos EUA. Em 2002, a ONU rejeitou as tentativas de representa\u00e7\u00e3o dos EUA questionando a soberania do Brasil sobre as riquezas contidas na sua zona de explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica exclusiva, de 350 milhas n\u00e1uticas (dist\u00e2ncia em que se prolonga a plataforma continental desse pa\u00eds).<\/p>\n<p>Os EUA propuseram uma &#8220;internacionaliza\u00e7\u00e3o&#8221; dos oceanos e dos seus recursos minerais, mas esta proposta foi majoritariamente derrotada na assembl\u00e9ia geral da ONU naquele ano.<\/p>\n<p>A reativa\u00e7\u00e3o da Quarta Frota de guerra pelo governo estadunidense para operar no mar do Caribe e no Atl\u00e2ntico Sul desprende um forte cheiro de petr\u00f3leo. No momento em que os campos de petr\u00f3leo do mundo est\u00e3o se esgotando rapidamente (em julho de 2009 ultrapassou-se o z\u00eanite, que marcou o ponto onde as reservas de hidrocarbonetos do mundo come\u00e7aram a declinar de forma irrevers\u00edvel, a Teoria do Pico de Hubbert), e em que os pa\u00edses produtores pr\u00f3ximos e do Oriente M\u00e9dio se tornam cada vez mais inst\u00e1veis e convulsos, o Cintur\u00e3o do Orinoco\/Pr\u00e9-Sal ocupa uma import\u00e2ncia geoestrat\u00e9gica enorme.<\/p>\n<p>Na faixa do Orinoco h\u00e1 reservas recuper\u00e1veis superiores a 513.000 milh\u00f5es de barris, isto de acordo com n\u00fameros divulgados no in\u00edcio de 2010 pelo Servi\u00e7o Geol\u00f3gico dos EUA (USGS por sua sigla em Ingl\u00eas), e que vem confirmar as estimativas que h\u00e1 alguns anos v\u00eam fazendo as autoridades energ\u00e9ticas venezuelanas; a estas estimativas devem ser adicionados cerca de 80.000 milh\u00f5es de barris que a Venezuela tem como reservas convencionais, al\u00e9m de suas rec\u00e9m-descobertas reservas de g\u00e1s, o equivalente a 25.000 milh\u00f5es de barris de petr\u00f3leo. Se somarmos estes montantes com os mais de 100.000 milh\u00f5es de barris que o Brasil descobriu em sua bacia de pr\u00e9-sal, teremos no litoral atl\u00e2ntico da Am\u00e9rica do Sul as mais fabulosas reservas de petr\u00f3leo em todo o mundo: mais de 700.000 milh\u00f5es de euros em barris de petr\u00f3leo e g\u00e1s! A ativa\u00e7\u00e3o da Quarta Frota est\u00e1, sem d\u00favida, relacionada com a descoberta e explora\u00e7\u00e3o destes gigantescos campos, e a instala\u00e7\u00e3o de bases usamericanas na Col\u00f4mbia, Peru, Paraguai e nas Antilhas parece destinada a pressionar a retaguarda do Brasil e da Venezuela.<\/p>\n<p>A oligarquia brasileira e seus geo-estrategistas sabem que os campos de petr\u00f3leo na Faixa do Orinoco na Venezuela, as enormes reservas de l\u00edtio (o grande supercondutor e armazenador de energia do s\u00e9culo XXI) na Bol\u00edvia, seus dep\u00f3sitos de hidrocarbonetos (pr\u00e9-sal) e seus avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos e vantagens comparativas na produ\u00e7\u00e3o de biocombust\u00edveis far\u00e3o da Am\u00e9rica do Sul o principal p\u00f3lo energ\u00e9tico mundial nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas, e n\u00f3s sabemos que quem controla a energia controla o mundo. Por isso, n\u00e3o parece que desejem resignar essa possibilidade de poder e de dom\u00ednio global em benef\u00edcio exclusivo das tradicionais oligarquias norte &#8211; atl\u00e2nticas.<\/p>\n<p>A compra que o Brasil fez da Fran\u00e7a, em 2009, de uma pequena frota de submarinos (4 convencionais e um com propuls\u00e3o nuclear) parecia destinada a ser utilizada para proteger a riqueza do pr\u00e9-sal; mas proteg\u00ea-la de quem? Nenhum dos seus vizinhos sul- americanos t\u00eam nem os recursos nem o desejo de enfrentar o colosso da Amaz\u00f4nia que, no mais, tem feito da coopera\u00e7\u00e3o, a media\u00e7\u00e3o, o di\u00e1logo, o respeito ao direito internacional e a integra\u00e7\u00e3o suas bandeiras pol\u00edticas internacionais nos \u00faltimos anos 50.<\/p>\n<p>Algo importante, sem d\u00favida, em um cen\u00e1rio internacional caracterizado nos \u00faltimos 20 anos pela unipolaridade e pelo uso abusivo e criminoso da for\u00e7a.<\/p>\n<p>Nem a China nem a R\u00fassia pareceriam estar na lista de pot\u00eancias agressoras ou amea\u00e7as \u00e0 soberania brasileira sobre seus campos de hidrocarbonetos, uma vez que ainda agora s\u00e3o parceiros estrat\u00e9gicos nos BRICs. T\u00e3o pouco os europeus parecem ter a for\u00e7a ou desejo de constituir uma amea\u00e7a para uma na\u00e7\u00e3o que emerge fortemente no in\u00edcio deste s\u00e9culo e \u00e9 a guardi\u00e3 da maior reserva florestal e da biodiversidade do planeta.<\/p>\n<p>Isto deixa apenas como virtual amea\u00e7a o complexo industrial-militar-financeiro que det\u00e9m o poder nos EUA, que atrav\u00e9s de sua Doutrina Carter se atribui o direito de intervir militarmente em qualquer parte do mundo onde existam hidrocarbonetos para assegurar-se do fornecimento e controle, e que no mais h\u00e1 sido o \u00fanico governo que, atrav\u00e9s de sua frustrada tese da internacionaliza\u00e7\u00e3o da riqueza mineral dos oceanos (e tamb\u00e9m no seu momento, da Amaz\u00f4nia), tentou contestar a soberania brasileira sobre os recursos do pr\u00e9-sal.<\/p>\n<p>Este \u00faltimo fato explicaria por que, desde 2004, as for\u00e7as armadas brasileiras v\u00eam enviando tropas para a Rep\u00fablica do Vietnam, para estudar as suas t\u00e9cnicas e estrat\u00e9gias de combate na selva, contra um inimigo esmagadoramente superior em material e tecnologia b\u00e9lica. Apenas uma possibilidade de conflito com os EUA se encaixa neste tipo de prepara\u00e7\u00e3o. Ao rever a pol\u00edtica externa dos EUA nos \u00faltimos 100 anos pode-se concluir que n\u00e3o seria extraordin\u00e1ria em uma agress\u00e3o militar de rapina nesta \u00e1rea. Se o complexo militar-industrial-financeiro que ali exerce o poder tem sido capaz de cometer guerras genocidas em v\u00e1rias partes do mundo a fim de apoderar-se do petr\u00f3leo, n\u00e3o faz sentido supor que n\u00e3o estariam dispostos a faz\u00ea-lo em seu pr\u00f3prio continente.<\/p>\n<p>Entre os analistas latino-americanos, existe a discuss\u00e3o sobre o tipo de relacionamento que o Brasil sustentar\u00e1 com os EUA nos pr\u00f3ximos anos: Se ser\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o de subordina\u00e7\u00e3o, de coopera\u00e7\u00e3o interiimperialista ou de confronta\u00e7\u00e3o. Creio que nenhum dos tr\u00eas cen\u00e1rios se dar\u00e1 em estado puro. A oligarquia brasileira se subordinar\u00e1 e cooperar\u00e1 com as pol\u00edticas estadunidenses em tanto e quanto se ad\u00e9q\u00fcem aos seus interesses, finalidades e prop\u00f3sitos, que consistem em conter o avan\u00e7o pol\u00edtico das for\u00e7as progressistas na Am\u00e9rica do Sul, simbolizadas pela revolu\u00e7\u00e3o bolivariana do comandante Ch\u00e1vez na Venezuela, pela insurg\u00eancia ind\u00edgena de Evo Morales na Bol\u00edvia, pelo nacionalismo militante de Correa no Equador, e pelo aumento da popularidade de seus pr\u00f3prios movimentos sociais como os sem-terra e o F\u00f3rum de Porto Alegre.<\/p>\n<p>O veemente impulso integracionista do Comandante Ch\u00e1vez, n\u00e3o somente na economia, mas, sobretudo pol\u00edtico e socialmente, suscitou a rejei\u00e7\u00e3o e o alarme dos c\u00edrculos de poder brasileiros. Com seu sorriso caloroso e seu carisma como ar\u00edete, o governo do presidente Lula nada tem feito al\u00e9m de torpedear e paralisar a maioria das propostas integracionistas venezuelanas. O projeto do Gasoduto do Sul parece j\u00e1 estar morto e enterrado.<\/p>\n<p>Os acordos de integra\u00e7\u00e3o PDVSA-PETROBRAS nunca germinaram, e enfrentam cada vez mais obst\u00e1culos e resist\u00eancias da oposi\u00e7\u00e3o, como o caso da refinaria Abreu e Lima em Pernambuco, que foi originalmente concebida como um centro de integra\u00e7\u00e3o entre o sul venezuelano e o nordeste brasileiro, e hoje parece condenada a um simples contrato tecnocr\u00e1tico de fornecimento de mat\u00e9rias-primas por parte da Venezuela.<\/p>\n<p>A resist\u00eancia \u00e0 cria\u00e7\u00e3o do Banco do Sul pelo Brasil, que tem promovido o BNDES como fonte de financiamento para projetos da IIRSA (Iniciativa para a Integra\u00e7\u00e3o da Infra-estrutura Regional da Am\u00e9rica do Sul, proposta tamb\u00e9m concebida e orquestrada pelo Brasil em fun\u00e7\u00e3o de seus interesses e necessidades) nos pa\u00edses da regi\u00e3o. O Brasil aderiu por fim ao projeto do Banco do Sul, mas com a finalidade de monitor\u00e1-lo e control\u00e1-lo por dentro. A aprova\u00e7\u00e3o da admiss\u00e3o plena da Venezuela ao Mercosul foi estendida ao m\u00e1ximo pelo Senado brasileiro, e agora parece sofrer o mesmo tratamento no Senado paraguaio, onde os interesses da oligarquia brasileira est\u00e3o fortemente representados.<\/p>\n<p>Esta demora \u00e9 uma demonstra\u00e7\u00e3o de for\u00e7a frente \u00e0 Venezuela, por\u00e9m n\u00e3o significa uma rejei\u00e7\u00e3o ao seu mercado. O Brasil n\u00e3o pode dar-se ao luxo de recusar a entrada da Venezuela, porque seu projeto de pot\u00eancia mundial necessita um bloco sul-americano com a participa\u00e7\u00e3o da maior quantidade poss\u00edvel de pa\u00edses da regi\u00e3o. A Venezuela n\u00e3o \u00e9 apenas a quarta maior economia da Am\u00e9rica do Sul em tamanho, ela tem um peso e influ\u00eancia importante sobre outros pa\u00edses da regi\u00e3o, os quais o Brasil aspira incorporar ao seu bloco regional.<\/p>\n<p>Elites brasileiras n\u00e3o conceberam o Mercosul em fun\u00e7\u00e3o dos interesses dos povos dos pa\u00edses membros, mas de acordo com seus pr\u00f3prios interesses. Do ponto de vista da oligarquia brasileira, o Mercosul n\u00e3o tem sido, desde o in\u00edcio, integracionista, mas monopolista. Isto significa tamb\u00e9m resistir \u00e0s tentativas dos usamericanos de tomar de assalto os mercados da Am\u00e9rica do Sul atrav\u00e9s de tratados bilaterais de livre com\u00e9rcio que os EUA, frente ao fracasso da ALCA, tem promovido entre os pa\u00edses que est\u00e3o mais estreitamente alinhados sob sua dire\u00e7\u00e3o: Peru, Col\u00f4mbia, Chile, M\u00e9xico, e recentemente Uruguai.<\/p>\n<p>Os interesses das classes dominantes no Brasil (e em qualquer sociedade capitalista) nunca s\u00e3o uniformes. Apresentam conflitos e contradi\u00e7\u00f5es inerentes \u00e0 din\u00e2mica do capital; assim vemos que uma parte das classes dominantes no Brasil est\u00e1 alinhada com os interesses usamericanos em quest\u00f5es como os biocombust\u00edveis, a conten\u00e7\u00e3o dos movimentos sociais na Am\u00e9rica do Sul e a ocupa\u00e7\u00e3o militar do Haiti, enquanto a outra parte (aparentemente majorit\u00e1ria e mais poderosa) confronta os interesses estadunidenses na regi\u00e3o e projetam seu pr\u00f3prio roteiro em quest\u00f5es como o Mercosul frente \u00e0 ALCA, tentando ocupar espa\u00e7os na Mesoam\u00e9rica, como o apoio ao derrocado presidente Zelaya, a promo\u00e7\u00e3o da multipolaridade (BRIC), desafiando o d\u00f3lar como moeda de com\u00e9rcio internacional, etc.<\/p>\n<p>Se algo foi demonstrado pela hist\u00f3ria, e mais especificamente a hist\u00f3ria do capitalismo, \u00e9 que os imp\u00e9rios e os representantes do grande capital n\u00e3o cooperam entre si, competem! Geralmente de forma violenta. Elites imperiais do mundo anseiam por \u00e1gua doce, pela biodiversidade da Amaz\u00f4nia, o biocombust\u00edvel brasileiro e agora o petr\u00f3leo do pr\u00e9-sal, por\u00e9m a oligarquia deste pa\u00eds assume estas cartas como os seus trunfos no tabuleiro geopol\u00edtico mundial do s\u00e9culo XXI.<\/p>\n<p>Joel Sangronis Padr\u00f3n \u00e9 professor na Universidad Nacional Experimental Rafael Maria Baralt (UNERMB), Venezuela<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: ANNCOL-Brasil\n\n\n\n\nDomingo, 31 de janeiro de 2010 por CEPRID\nJoel Sangronis Padr\u00f3n\nCEPRID\n\u201cDeus \u00e9 Brasileiro!\u201d\nDitado popular brasileiro assumido como uma pol\u00edtica de estado pelos representantes da classe olig\u00e1rquica que sempre governou o pa\u00eds.\n\u201cPara o Brasil neste momento s\u00f3 h\u00e1 um caminho: Crescer ou perecer!\u201d (Golbery do Couto e Silva)\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/279\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[21],"tags":[],"class_list":["post-279","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c35-o-petroleo-tem-que-ser-nosso"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-4v","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/279","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=279"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/279\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=279"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=279"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=279"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}