{"id":27921,"date":"2021-10-08T23:41:44","date_gmt":"2021-10-09T02:41:44","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=27921"},"modified":"2021-10-08T23:41:44","modified_gmt":"2021-10-09T02:41:44","slug":"a-fraude-da-guerra-contra-o-terrorismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/27921","title":{"rendered":"A fraude da \u00abguerra contra o terrorismo\u00bb"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/midias.jb.com.br\/_midias\/jpg\/2021\/04\/03\/17261371-591424.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Uma viatura militar norte-americana na prov\u00edncia de Hasaka (Nordeste da S\u00edria), em Novembro de 2018 Cr\u00e9ditos \/ PressTV<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Goul\u00e3o<\/p>\n<p>ABRIL ABRIL<\/p>\n<p>A \u00abguerra contra o terrorismo\u00bb foi declarada em 2001 pelo ent\u00e3o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, juntamente com a OTAN, a Uni\u00e3o Europeia e outras institui\u00e7\u00f5es internacionais satelitizadas por Washington, alegadamente na sequ\u00eancia dos ainda muito mal explicados atentados de 11 de setembro do mesmo ano; sabe-se hoje que alguns dos conflitos abertos a partir da\u00ed, designadamente as invas\u00f5es do Afeganist\u00e3o e do Iraque, estavam programados antes da cat\u00e1strofe de Nova Iorque, pelo que esta foi um pretexto mas n\u00e3o a causa.<\/p>\n<p>Em 20 anos dessa opera\u00e7\u00e3o multifacetada e transnacional, que entretanto em 2014 o presidente Barack Obama rebatizou como \u00abguerras ultramarinas de conting\u00eancia\u00bb, o terrorismo, sobretudo o de fachada \u00abisl\u00e2mica\u00bb, n\u00e3o apenas se enraizou e organizou como alastrou atrav\u00e9s do planeta, com especial incid\u00eancia na \u00c1frica, mas tamb\u00e9m no C\u00e1ucaso, na \u00c1sia Central e outras regi\u00f5es asi\u00e1ticas como a prov\u00edncia chinesa do Xijiang. Al\u00e9m do Afeganist\u00e3o e do M\u00e9dio Oriente, onde o fen\u00f4meno nasceu.<\/p>\n<p>Em suma, a \u00abguerra contra o terrorismo\u00bb agravou o fen\u00f4meno que prometeu combater. Nasceu como uma fraude.<\/p>\n<p>N\u00e3o se inclui no conceito de terrorismo contra o qual ter\u00e1 sido declarada a \u00abguerra\u00bb a manifesta\u00e7\u00e3o de terror mais determinante para a desordem mundial em que vivemos e cujas pr\u00e1ticas e designa\u00e7\u00e3o v\u00eam sendo silenciadas ou mesmo abolidas pelas centrais midi\u00e1ticas internacionais: o terrorismo de Estado.<\/p>\n<p>Esta forma de viol\u00eancia, institucionalizada com a cobertura de entidades que deveriam zelar pela paz e o direito internacional, como por exemplo a ONU, acaba por ser respons\u00e1vel pelo terrorismo com outras chancelas, entre elas a \u00abisl\u00e2mica\u00bb, com as quais \u00e9 frequentemente conivente, utilizando-as consoante os seus objetivos e as regi\u00f5es a controlar.<\/p>\n<p>Uma hist\u00f3ria factual<br \/>\nQuando se iniciou a \u00abguerra contra o terrorismo\u00bb, entendida praticamente como uma guerra contra a al-Qaeda \u2013 considerada, sem provas, como respons\u00e1vel pelos atentados de 11 de setembro \u2013 o terrorismo de fachada \u00abisl\u00e2mica\u00bb manifestava-se essencialmente no Afeganist\u00e3o, nos B\u00e1lc\u00e3s \u2013 aqui em alian\u00e7a com a OTAN na opera\u00e7\u00e3o de destrui\u00e7\u00e3o da Iugosl\u00e1via \u2013 em bolsas de oposi\u00e7\u00e3o em alguns dos mais poderosos pa\u00edses do Oriente M\u00e9dio e tamb\u00e9m na Palestina: o Hamas (bra\u00e7o da Irmandade Mu\u00e7ulmana eg\u00edpcia) \u00e9 um movimento que come\u00e7ou por ser reativado por Israel (contra a OLP) durante a primeiro Intifada, a chamada \u00abrevolta das pedras\u00bb, em 1988.<\/p>\n<p>A generalidade dos grupos fundamentalistas isl\u00e2micos atuando \u00e0 \u00e9poca tinham declaradamente o dedo das principais pot\u00eancias ocidentais em colabora\u00e7\u00e3o com as petroditaduras terroristas do Golfo, sobretudo a Ar\u00e1bia Saudita, os Emirados \u00c1rabes Unidos e o Qatar.<\/p>\n<p>Tudo leva a crer, pela evolu\u00e7\u00e3o das circunst\u00e2ncias ao longo das \u00faltimas duas d\u00e9cadas, que essas liga\u00e7\u00f5es n\u00e3o foram cortadas, ainda que possam ter adquirido outras formas de atua\u00e7\u00e3o onde, contudo, a viol\u00eancia e a crueldade continuaram sempre presentes.<\/p>\n<p>Os Estados Unidos e o Reino Unido nunca esconderam a participa\u00e7\u00e3o na g\u00eanese da vers\u00e3o atual do terrorismo isl\u00e2mico, nos anos oitenta do s\u00e9culo passado, reativando antigos instrumentos usados por Londres durante o Imp\u00e9rio Brit\u00e2nico, como o salafismo no Afeganist\u00e3o e a Irmandade Mu\u00e7ulmana no Egito. A Irmandade Mu\u00e7ulmana, como movimento pol\u00edtico-religioso enraizado atrav\u00e9s do mundo isl\u00e2mico, deve considerar-se a entidade da qual emanaram todas as variantes terroristas \u00abisl\u00e2micas\u00bb de \u00edndole sunita em atua\u00e7\u00e3o \u2013 embora esses grupos possam considerar-se, essencialmente e cada vez mais, organiza\u00e7\u00f5es mercen\u00e1rias.<\/p>\n<p>Nem a hist\u00f3ria oficial servida pelos meios corporativos consegue esconder que os Estados Unidos, o Reino Unido e a Ar\u00e1bia Saudita criaram os mujahidines no Afeganist\u00e3o, grupos com pr\u00e1ticas medievais cuja principal miss\u00e3o era combater o apoio militar sovi\u00e9tico \u00e0 Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Afeganist\u00e3o, a forma de governo que at\u00e9 hoje mais fez pelo pa\u00eds, incluindo o reconhecimento dos direitos das mulheres.<\/p>\n<p>Dos mujahidines, considerados no Ocidente como \u00abcombatentes da liberdade\u00bb e recebidos como tal pelo presidente norte-americano Ronald Reagan na Casa Branca, emanou o universo de grupos terroristas \u00abisl\u00e2micos\u00bb que atuam hoje do Afeganist\u00e3o e do Kosovo, onde governam, a Cabo Delgado em Mo\u00e7ambique, atravessando o Oriente M\u00e9dio, parte da Europa, da \u00c1sia e da \u00c1frica.<\/p>\n<p>A partir dos mujahidines afeg\u00e3os formou-se a al-Qaeda (a \u00abrede\u00bb de mercen\u00e1rios) sob a gest\u00e3o direta de Osama bin Laden, oriundo de uma das principais fam\u00edlias de magnatas da Ar\u00e1bia Saudita e com liga\u00e7\u00f5es de parentesco com a casa real, que cumpriu a miss\u00e3o sob o comando da CIA e a colabora\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os secretos brit\u00e2nicos, sauditas e paquistaneses.<\/p>\n<p>Estes s\u00e3o, como se disse, elementos factuais de uma hist\u00f3ria que n\u00e3o \u00e9 negada pelos pr\u00f3prios instrumentos de propaganda ocidental que gerem o universo midi\u00e1tico, formando a opini\u00e3o da grande maioria das popula\u00e7\u00f5es do planeta.<\/p>\n<p>Liga\u00e7\u00f5es que n\u00e3o se desfazem<br \/>\nObservando a realidade internacional hoje existente, a \u00abguerra contra o terrorismo\u00bb nasceu como um combate ficcionado entre os criadores e as criaturas. As pot\u00eancias ocidentais, com os Estados Unidos, o Reino Unido e a Uni\u00e3o Europeia \u00e0 cabe\u00e7a, propuseram-se assim a exterminar, para consumo da opini\u00e3o p\u00fablica, a rede terrorista a que tinham dado origem, invocando alegadamente a sua responsabilidade pelos atentados de 11 de setembro de 2001.<\/p>\n<p>Inicia-se assim uma longa e tr\u00e1gica hist\u00f3ria, assente em raz\u00f5es falsas, na qual se sucedem epis\u00f3dios que seriam estranhos se n\u00e3o se suspeitasse \u2013 e rapidamente confirmasse \u2013 que nunca foi inten\u00e7\u00e3o de Washington e seus sat\u00e9lites erradicar a teia terrorista \u00abisl\u00e2mica\u00bb, mas sim adapt\u00e1-la e utiliz\u00e1-la para provocar guerras, interven\u00e7\u00f5es pol\u00edtico-militares, destrui\u00e7\u00e3o de Estados independentes, opera\u00e7\u00f5es de rapina de recursos naturais, guerras civis, golpes de Estado.<\/p>\n<p>A al-Qaeda e os seus v\u00e1rios ramos regionais, a al-Nusra, o Isis, Daesh ou Estado Isl\u00e2mico, o Hayat Tharir al-Sham, os Talib\u00e3 s\u00e3o designa\u00e7\u00f5es de grupos terroristas \u00abisl\u00e2micos\u00bb, \u00abradicais\u00bb ou \u00abmoderados\u00bb conforme as conveni\u00eancias sem\u00e2nticas, os quais, apesar das diverg\u00eancias pontuais assentes sobretudo em quest\u00f5es pessoais, tribais, de influ\u00eancia regional e de escolas religiosas, em \u00faltima an\u00e1lise n\u00e3o contrariam ou servem mesmo aos interesses ocidentais. Os casos do Iraque, da S\u00edria, da L\u00edbia, do I\u00eamen, da Som\u00e1lia, do Sud\u00e3o, dos B\u00e1lc\u00e3s, da \u00c1frica Central, da prov\u00edncia chinesa do Xijiang n\u00e3o necessitam de explica\u00e7\u00f5es muito profundas para se perceber que a guerra entre os criadores e as criaturas serviu muito bem a ambos os lados durante os \u00faltimos 20 anos.<\/p>\n<p>De exemplo em exemplo<br \/>\nVale a pena, apesar disso, repescar alguns exemplos que ilustram cumplicidades que parecem ser estranhas apenas para quem \u00e9 cr\u00e9dulo, ing\u00eanuo ou est\u00e1 plenamente \u00e0 merc\u00ea da propaganda midi\u00e1tica.<\/p>\n<p>Abu-Bakr al-Baghdadi foi um dos fundadores do Estado Isl\u00e2mico, Isis ou Daesh, uma obra que concretizou depois de ter sa\u00eddo de uma pris\u00e3o norte-americana no Iraque. Pouco tempo depois a sua imagem foi captada numa reuni\u00e3o secreta ilegal realizada em territ\u00f3rio s\u00edrio entre chefes terroristas e o senador fascista norte-americano John McCain, sempre muito bem relacionado com a Casa Branca independentemente do presidente. O Isis surgiu praticamente do nada em 2014; com uma surpreendente din\u00e2mica arrasadora, atravessou o Iraque quase sem oposi\u00e7\u00e3o do novo ex\u00e9rcito deste pa\u00eds, cuja forma\u00e7\u00e3o custara centenas de milh\u00f5es de d\u00f3lares aos contribuintes norte-americanos, praticando inenarr\u00e1veis massacres de dezenas de milhares de pessoas a partir de uma espalhafatosa frota de centenas de pickups Toyota novinhas em folha e s\u00f3 se detendo quase \u00e0s portas de Bagd\u00e1. Na S\u00edria, o Isis conseguiu controlar uma vasta regi\u00e3o onde se situam os principais recursos petrol\u00edferos do pa\u00eds, com a capital em Raqqa. Quando o ex\u00e9rcito regular s\u00edrio, com apoio russo, libertou Raqqa, muitos dos mercen\u00e1rios do Isis e respectivas fam\u00edlias foram salvos e evacuados em opera\u00e7\u00f5es supervisionadas pela CIA, deslocados sobretudo para o Afeganist\u00e3o.<\/p>\n<p>Em 2019, a seguir \u00e0 derrota na S\u00edria, quando o Isis perdeu peso operacional na guerra internacional movida contra o pa\u00eds, um grupo de for\u00e7as especiais dos Estados Unidos liquidou al-Baghdadi. A lei do sil\u00eancio continua a ser o melhor rem\u00e9dio contra aliados cuja imagem pode ser inc\u00f4moda, principalmente quando estes deixam de ser \u00fateis.<\/p>\n<p>Que Osama bin Laden foi criado como dirigente terrorista pela CIA e entidades cong\u00eaneres ningu\u00e9m duvida. Por\u00e9m, ningu\u00e9m poder\u00e1 dizer quando terminou a liga\u00e7\u00e3o entre criadores e criatura, se \u00e9 que isso alguma vez aconteceu. J\u00e1 muito depois da sa\u00edda sovi\u00e9tica do Afeganist\u00e3o, o chefe da al-Qaeda foi visto em Sarajevo em 1998, onde foi garantir o apoio dos seus mercen\u00e1rios aos mu\u00e7ulmanos da B\u00f3snia e Herzegovina e ao seu chefe, Alija Izetbegovic. Isto \u00e9, integrou-se na estrat\u00e9gia da OTAN de destrui\u00e7\u00e3o da Iugosl\u00e1via, na qual o territ\u00f3rio b\u00f3snio foi transformado num protetorado da pr\u00f3pria Alian\u00e7a Atl\u00e2ntica.<\/p>\n<p>Tr\u00eas anos depois, precisamente dois meses antes do 11 de setembro de 2001, Bin Laden esteve em tratamento renal num hospital do Dubai. Nessa ocasi\u00e3o, segundo o jornal franc\u00eas Le Figaro, citando fontes da intelig\u00eancia francesa, o dirigente da al-Qaeda recebeu uma visita de cortesia do chefe de antena da CIA e um acompanhante, al\u00e9m do respons\u00e1vel pelos servi\u00e7os secretos da Ar\u00e1bia Saudita, muito bem relacionado simultaneamente com a al-Qaeda e os Talib\u00e3.<\/p>\n<p>N\u00e3o menos relevante \u00e9 o caso do expoente terrorista Abdelhakim Belhadj, figura que mereceu a confian\u00e7a da OTAN na opera\u00e7\u00e3o de destrui\u00e7\u00e3o da L\u00edbia, apesar de v\u00e1rios trabalhos de investiga\u00e7\u00e3o o terem dado como um dos respons\u00e1veis pelo sangrento ataque de Madri em 11 de mar\u00e7o de 2004, que provocou 193 mortos.<\/p>\n<p>Belhadj esteve ao lado de Bin Laden no Afeganist\u00e3o, fundou o Grupo Isl\u00e2mico Combatente que lutou contra Khadaffi na L\u00edbia, passou por uma pris\u00e3o clandestina da CIA na Tail\u00e2ndia e apareceu depois em lugar de destaque entre os terroristas que, aliados \u00e0 OTAN, assassinaram Khadaffi e destru\u00edram a L\u00edbia em 2011. A OTAN nomeou Belhadj como comandante militar de Tr\u00edpoli a seguir \u00e0 tomada desta cidade, cargo de onde partiu pouco tempo depois para a S\u00edria, onde dirigiu o recrutamento de mercen\u00e1rios para o Ex\u00e9rcito Livre da S\u00edria, o grupo dos chamados \u00abmoderados\u00bb que participou no desencadeamento da guerra contra Damasco com apoio dos Estados Unidos, OTAN e Uni\u00e3o Europeia. Os \u00abmoderados\u00bb, na pr\u00e1tica, s\u00e3o um mito propagand\u00edstico, nunca funcionaram com autonomia: atuaram sempre, como ainda hoje acontece, sob a cobertura operacional da al-Qaeda e do Estado Isl\u00e2mico.<\/p>\n<p>A guerra e destrui\u00e7\u00e3o da L\u00edbia fomentaram o desenvolvimento de agrupamentos de mercen\u00e1rios que, sob as chancelas da al-Qaeda e do Estado Isl\u00e2mico no Magrebe \u2013 com a m\u00e3o de Belhadj \u2013 estenderam o terror \u00e0 \u00c1frica Central, designadamente ao N\u00edger, ao Mali e ao Burkina Faso, detentores de recursos naturais que o colonialismo ocidental n\u00e3o quer partilhar com mais ningu\u00e9m. Chegaram mesmo bastante mais a sul, \u00e0 regi\u00e3o petrol\u00edfera de Cabo Delgado, Mo\u00e7ambique. Como resposta ao alastramento africano do terrorismo com a marca do Isis, a Uni\u00e3o Europeia e a OTAN fizeram deslocar tropas para algumas das zonas atingidas, afinal para combater alegadamente os terroristas que criaram, mas sobretudo para policiar e garantir a explora\u00e7\u00e3o das regi\u00f5es mais ricas desses pa\u00edses e das suas vizinhan\u00e7as.<\/p>\n<p>Abdelhakim Belhadj foi premiado pelo senador John McCain em nome dos Estados Unidos, recebeu um milh\u00e3o de libras do Reino Unido como \u00abrepara\u00e7\u00e3o\u00bb dos tempos em que esteve preso e foi eleito deputado l\u00edbio. V\u00e1rias fontes o d\u00e3o atualmente como chefe do Estado Isl\u00e2mico no Magrebe. A Interpol continua sem dar andamento ao mandado de captura contra Belhadj que tem em seu poder.<\/p>\n<p>O caso de Idlib<br \/>\nNuma situa\u00e7\u00e3o de flagrante atualidade, os Estados Unidos, a OTAN e a Uni\u00e3o Europeia apoiam abertamente o terrorista Abu Muhammad al-Julani, chefe do Hayat Tharir al-Sham, a designa\u00e7\u00e3o mais recente do ramo da al-Qaeda na S\u00edria e que dirige a ocupa\u00e7\u00e3o da prov\u00edncia de Idlib, neste pa\u00eds. Os grupos terroristas \u00e0s ordens de al-Julani contam com a ajuda militar da Turquia, em tropas, e dos Estados Unidos, no fornecimento de armas, transferidas da S\u00e9rvia, da Rom\u00eania e da Bulg\u00e1ria, como testemunhou a jornalista de investiga\u00e7\u00e3o b\u00falgara Dilyana Gaytandzhieva, com base em numerosos documentos das empresas norte-americanas que participam neste tr\u00e1fico.<\/p>\n<p>Idlib \u00e9 o \u00faltimo basti\u00e3o terrorista na S\u00edria, uma zona que Washington e Bruxelas ambicionam transformar em base para reativarem os seus objetivos de derrubar o governo de Damasco e desmantelar o pa\u00eds \u2013 a exemplo do que aconteceu no Iraque, na L\u00edbia e tamb\u00e9m no I\u00eamen, sem contar com a Som\u00e1lia e o Sud\u00e3o.<\/p>\n<p>De acordo com uma opera\u00e7\u00e3o de propaganda montada em Washington, e na qual foi utilizada a esta\u00e7\u00e3o de televis\u00e3o p\u00fablica dos Estados Unidos PBS, a organiza\u00e7\u00e3o de al-Julani ter\u00e1 rompido com a al-Qaeda. O chefe terrorista foi entrevistado pela PBS para declarar a sua fidelidade a Washington e a conten\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia, mas a situa\u00e7\u00e3o no terreno permanece imut\u00e1vel, gerida sob o clima de terror pr\u00f3prio da al-Qaeda. A ruptura de al-Julani com a organiza\u00e7\u00e3o fundada por Bin Laden n\u00e3o \u00e9 para ser levada a s\u00e9rio.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil deduzir destes fatos e de muitos outros que tornariam este texto quilom\u00e9trico, por exemplo o acolhimento e treino de mercen\u00e1rios do Isis em bases militares ilegais instaladas pelos Estados Unidos na S\u00edria, que o terrorismo, sobretudo o de chancela \u00abisl\u00e2mica\u00bb, se enraizou e ampliou ao cabo de 20 anos de \u00abguerra contra o terrorismo\u00bb e o seu terr\u00edvel cortejo de milh\u00f5es de v\u00edtimas entre mortos, feridos, desalojados e refugiados. Os monstros entretanto criados funcionam como ativos de opera\u00e7\u00f5es clandestinas a servi\u00e7o de grandes pot\u00eancias. E os que dizem combater o terrorismo n\u00e3o t\u00eam vergonha em recorrer aos seus pr\u00e9stimos quando \u00e9 imposs\u00edvel assumir perante a opini\u00e3o p\u00fablica a pr\u00e1tica de atrocidades que contradizem lamentavelmente os discursos sobre direitos humanos, democracia, liberta\u00e7\u00e3o dos povos e objetivos humanit\u00e1rios.<\/p>\n<p>Em vez de erradicar o terrorismo, a guerra alegadamente desencadeada contra este fen\u00f4meno destruiu Estados fortes e independentes, ampliou os focos de instabilidade um pouco por todo o mundo, espalhou ainda mais fome e aprofundou as desigualdades, alargou o poder imperial e colonial no controle das fontes dos mais importantes recursos naturais \u2013 com as consequ\u00eancias tr\u00e1gicas que se percebem para o estado do planeta.<\/p>\n<p>A \u00abguerra contra o terrorismo\u00bb n\u00e3o \u00e9 apenas uma fraude; \u00e9 um crime contra os valores que a \u00abciviliza\u00e7\u00e3o ocidental\u00bb apregoa, uma opera\u00e7\u00e3o expansionista que eleva os lucros da ind\u00fastria transnacional de guerra e dos grandes potentados econ\u00f4micos e financeiros mundiais.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Goul\u00e3o, exclusivo O Lado Oculto\/AbrilAbril<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/27921\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[234],"class_list":["post-27921","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo","tag-6b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-7gl","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27921","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=27921"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27921\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=27921"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=27921"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=27921"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}