{"id":2796,"date":"2012-05-04T14:06:56","date_gmt":"2012-05-04T14:06:56","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=2796"},"modified":"2012-05-04T14:06:56","modified_gmt":"2012-05-04T14:06:56","slug":"joao-massena-e-homenageado-com-medalha-dinarco-reis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2796","title":{"rendered":"Jo\u00e3o Massena \u00e9 homenageado com Medalha Dinarco Reis"},"content":{"rendered":"\n<p>A entrega da medalha ocorreu durante o Ato P\u00fablico que celebrou os 90 anos de PCB, em 23 de mar\u00e7o deste ano, na Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Imprensa (ABI).<\/p>\n<p>Recebeu a homenagem sua neta, Joana Massena, cujo nome \u00e9 uma homenagem ao camarada cujos restos mortais est\u00e3o em local ainda desconhecido.<\/p>\n<p>Joana fez uso da palavra e emocionou o p\u00fablico presente ao afirmar que\u00a0<strong><em>&#8220;n\u00e3o tive aquele av\u00f4 dos almo\u00e7os de domingo; mas meu outro av\u00f4, tamb\u00e9m comunista, me disse que isso aconteceu porque o Jo\u00e3o foi av\u00f4 de todas crian\u00e7as do mundo&#8221;.<\/em><\/strong><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>JO\u00c3O MASSENA<\/strong><\/p>\n<p>Jo\u00e3o Massena Melo nasceu em 18 de agosto de 1919, em Palmares, Pernambuco, filho de Sebasti\u00e3o Massena Melo e Ol\u00edmpia Melo Maciel. Oper\u00e1rio tecel\u00e3o da F\u00e1brica de Tecidos Nova Am\u00e9rica e, posteriormente, oper\u00e1rio metal\u00fargico, era casado e tinha tr\u00eas filhos quando desapareceu em 1974, ent\u00e3o aos 55 anos.<\/p>\n<p>Integrou o Comit\u00ea Central do Partido Comunista Brasileiro (PCB), partido pelo qual come\u00e7ou a militar e por cuja legenda foi eleito vereador no antigo Distrito Federal, em 1945. Seu mandato foi extinto em 1948, com o fechamento do Partido e sua cassa\u00e7\u00e3o. Em 1962, foi eleito Deputado Estadual pelo antigo Estado da Guanabara pela legenda do Partido Social Trabalhista (PST). Teve novamente seu mandato cassado, de acordo com o artigo 10 do Ato Institucional n\u00b0 1, de 9 de abril de 1964, decretado pela ditadura. A partir da\u00ed, usou os codinomes de Jo\u00e3o Augusto, Jacinto e M\u00e1rio.<\/p>\n<p>Foi condenado pelo Conselho Permanente de Justi\u00e7a Militar a cinco anos de reclus\u00e3o, em 7 de julho de 1966. Preso, em 1970, por agentes da 2\u00aa Auditoria da Marinha, foi brutalmente torturado. Toda sua fam\u00edlia foi presa e levada para a Ilha das Flores. Sua casa foi saqueada. Posto em liberdade em fevereiro de 73, foi novamente preso na cidade de S\u00e3o Paulo, no dia 3 de abril de 1974.<\/p>\n<p>Trechos do livro \u201cDesaparecidos Pol\u00edticos\u201d, de Reinaldo Cabral e Ronaldo Lapa, nos esclarecem que \u201cMassena permaneceu preso durante dois anos e sete meses apenas com a pris\u00e3o preventiva decretada. Mas nesse per\u00edodo n\u00e3o puderam desaparec\u00ea-lo, no dizer de sua mulher, afinal ele fora preso com testemunhas. Massena foi solto em fevereiro de 1973.\u201d<\/p>\n<p>\u201cA liberta\u00e7\u00e3o de Massena, para sua mulher, foi uma verdadeira armadilha. Eles &#8211; os organismos de repress\u00e3o &#8211; ficaram \u00e0 espreita e, na primeira oportunidade, apanharam o ex-deputado. Massena escreveu sua \u00faltima carta para a fam\u00edlia. Marcava um encontro com sua mulher, que seria realizado num fim de semana, entre os dias 5 e 6 de abril. Ela foi ao encontro, esperou todo o fim de semana, mas Massena n\u00e3o apareceu. Ent\u00e3o julgou que alguma coisa acontecera, mas ainda n\u00e3o colocara a pris\u00e3o dele como uma possibilidade. No dia 20 de abril, o homem na casa de quem Massena se hospedara em S\u00e3o Paulo lhe informou que Massena saiu de casa dia 3 ou 4 de manh\u00e3, \u2018apenas com a roupa do corpo, dizendo que voltaria para o almo\u00e7o e n\u00e3o voltou&#8217;.&#8221;<\/p>\n<p>Sua fam\u00edlia, ent\u00e3o, passou a desenvolver intensa busca, seguindo o mesmo ritual das outras fam\u00edlias de desaparecidos: foi a S\u00e3o Paulo e buscou os conhecidos \u00f3rg\u00e3os de repress\u00e3o, foi a hospitais de emerg\u00eancia, cemit\u00e9rios, Instituto M\u00e9dico Legal. Ningu\u00e9m sabia do seu paradeiro. Em documentos referentes a Jo\u00e3o Massena arquivados no antigo DOPS de S\u00e3o Paulo, foram encontradas as seguintes anota\u00e7\u00f5es: \u201cEm 24 de junho de 1974, sua filha Alice Massena Melo solicitou ao Presidente da Rep\u00fablica, General Ernesto Geisel, provid\u00eancias no sentido de localizar seu pai\u201d.<\/p>\n<p>A fam\u00edlia impetrou um habeas corpus no STM, que foi negado sob a alega\u00e7\u00e3o de que Massena n\u00e3o se encontrava preso em nenhuma depend\u00eancia militar. Seu julgamento, uma farsa devido ao desaparecimento, s\u00f3 ocorreu em 20 de setembro de 1978.<\/p>\n<p>Mat\u00e9ria da Folha de S\u00e3o Paulo publicada no dia seguinte, 21, com o t\u00edtulo &#8220;Auditoria da Marinha absolve acusados do PC&#8221;, afirma que &#8220;O Conselho Permanente de Justi\u00e7a absolve, por prescri\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o penal, Luiz Carlos Prestes, Marco Ant\u00f4nio Tavares Coelho, Dimas de Assun\u00e7\u00e3o Perrim, Jo\u00e3o Massena Melo, Elson Costa, Orlando Rosa, David Capistrano, Luiz In\u00e1cio Maranh\u00e3o Filho, Hiran de Lima, Itair Jos\u00e9 Veloso, Jaime Amorim, entre outros&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: PCB\n\n\n\n\n\n\n\n\nUm dos 11 membros do Comit\u00ea Central do PCB desaparecidos pela ditadura militar nos idos de 1974 e 1975, Jo\u00e3o Massena foi homenageado\u00a0in memorian pelo Partido com a Medalha Dinarco Reis.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2796\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[46],"tags":[],"class_list":["post-2796","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c56-memoria"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-J6","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2796","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2796"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2796\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2796"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2796"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2796"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}