{"id":2797,"date":"2012-05-04T14:13:41","date_gmt":"2012-05-04T14:13:41","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=2797"},"modified":"2012-05-04T14:13:41","modified_gmt":"2012-05-04T14:13:41","slug":"todo-um-povo-em-marcha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2797","title":{"rendered":"Todo um povo em Marcha!"},"content":{"rendered":"\n<p>Entre os dias 21 e 23 de abril de 2012, a Uni\u00e3o da Juventude Comunista (UJC) esteve presente no lan\u00e7amento do Movimento Pol\u00edtico e Social Marcha Patri\u00f3tica, em Bogot\u00e1, na Col\u00f4mbia, e na constitui\u00e7\u00e3o de seu Conselho Patri\u00f3tico Nacional. Tivemos a honra de acompanhar e participar da aglutina\u00e7\u00e3o de diversos grupos, setores, movimentos e organiza\u00e7\u00f5es que sofrem com a guerra e o terror impulsionados pelo pr\u00f3prio Estado colombiano, em articula\u00e7\u00e3o com as demandas do imperialismo. Camponeses, trabalhadores urbanos, afrodescendentes, mulheres, intelectuais, artistas e estudantes foram os perfis dos mais de 4 mil delegados que discutiram a mobiliza\u00e7\u00e3o e a organiza\u00e7\u00e3o do povo colombiano no intuito da solu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica para o conflito armado e as necess\u00e1rias mudan\u00e7as estruturais na Col\u00f4mbia.<\/p>\n<p>As diversas organiza\u00e7\u00f5es, movimentos e entidades que comp\u00f5em a Marcha Patri\u00f3tica identificam as perversas contradi\u00e7\u00f5es ora em curso no contexto pol\u00edtico e social colombiano, que apresentaestruturas regidas pela intensa acumula\u00e7\u00e3o de riquezas no pa\u00eds \u2013 com grande abund\u00e2ncia em recursos naturais, petr\u00f3leo e ind\u00fastria, al\u00e9m dos vultosos volumes de dinheiro movimentados pelonarcotr\u00e1fico \u2013 em contraste com a extrema desigualdade social, desemprego, altos \u00edndices de mis\u00e9ria nas cidades e pauperismo no campo, al\u00e9m da viol\u00eancia contra milhares de camponeses, ind\u00edgenas eafrodescendentes.<\/p>\n<p>Para manter esta intensa acumula\u00e7\u00e3o a servi\u00e7o dos altos lucros das transnacionais e para garantir a \u201cseguran\u00e7a\u201d para os investimentos internacionais, o Estado Colombiano apresenta a face mais perversa poss\u00edvel, a face do terrorismo e da guerra declarada contra todas as formas de resist\u00eancia do povo. Segundo o jornal VOZ, vinculado ao Partido Comunista Colombiano, cerca de pouco mais de 80% dos funcion\u00e1rios p\u00fablicos s\u00e3o militares e aproximadamente 6,5% do PIB \u00e9 destinado a gastos com a guerra. Em 40 anos de conflito armado somam-se mais de 61 mil desaparecidos pol\u00edticos na Col\u00f4mbia, n\u00fameros alarmantes mesmo na hist\u00f3ria de um continente como a Am\u00e9rica Latina, onde a forma pol\u00edtica do Estado burgu\u00eas assumiu in\u00fameras faces autocr\u00e1ticas, isso sem contar com a exist\u00eancia de mais de 8 mil presos pol\u00edticos atualmente no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Neste cen\u00e1rio, como narra sua can\u00e7\u00e3o oficial, a Marcha Patri\u00f3tica segue marchando no sentido de enfatizar a necessidade da solu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica na Col\u00f4mbia em busca da paz com amplas modifica\u00e7\u00f5es estruturais na sociedade. Esta pauta unifica os diversos movimentos, como, por exemplo, a MANE (Mesa Ampla Nacional Estudantil), entidade que identifica que a reforma privatista proposta pelo governo Santos est\u00e1 atrelada \u00e0 pr\u00f3pria manuten\u00e7\u00e3o da guerra em sintonia com os interesses olig\u00e1rquicos e do imperialismo. Do mesmo modo, os movimentos campesinos \u2013 uma das maiores v\u00edtimas sociais e pol\u00edticas da guerra que assola o pa\u00eds \u2013 compreendem que a exist\u00eancia de milhares de despossu\u00eddos (ou \u201cdesplazados\u201d, como s\u00e3o conhecidos na Col\u00f4mbia) s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel a partir da necessidade de acumula\u00e7\u00e3o e expans\u00e3o de capital pelas multinacionais instaladas no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Assim, al\u00e9m de unificar as diversas pautas de luta dos diferentes movimentos que a comp\u00f5em, a Marcha Patri\u00f3tica se prop\u00f5e a organizar atrav\u00e9s da constitui\u00e7\u00e3o do poder popular, e \u00e9 por isso que em cada regi\u00e3o, posto de trabalho e produ\u00e7\u00e3o, associa\u00e7\u00f5es culturais, escolas e universidades se estabelecem os Conselhos Patri\u00f3ticos, com o objetivo de debater e preparar cada vez mais a popula\u00e7\u00e3o para a segunda e definitiva independ\u00eancia da Col\u00f4mbia.<\/p>\n<p>Apesar de recente este movimento pol\u00edtico e social j\u00e1 sofre forte repress\u00e3o e estigmatiza\u00e7\u00e3o por parte do Estado Colombiano e dos grandes monop\u00f3lios midi\u00e1ticos: desaparecimentos de militantes, amea\u00e7as de grupos paramilitares, al\u00e9m de not\u00edcias e coberturas da m\u00eddia que beiram o rid\u00edculo na tentativa de criminalizar o movimento ao reduzi-lo como uma mera interven\u00e7\u00e3o das FARCnas cidades [1]. Neste momento que escrevo, inclusive, recebemos a triste not\u00edcia do assassinato do chefe da seguran\u00e7a do camarada editor do Jornal VOZ, Carlos Lozano.<\/p>\n<p>No que tange ao programa e aos anseios dos movimentos e organiza\u00e7\u00f5es populares reunidos na Marcha Patri\u00f3tica, observamos que hoje estes convergem com a pr\u00f3pria proposta de busca pela solu\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-social do conflito elaborada pelas FARC [2]. Para ilustrar esta importante converg\u00eancia estrat\u00e9gica, selecionamos um pequeno fragmento de um dos comunicados pol\u00edticos das FARC:<\/p>\n<p>\u201cCada vez que as FARC-EP falam de paz, de solu\u00e7\u00f5es pol\u00edticas para o confronto, da necessidade de conversar para obter uma sa\u00edda civilizada para os graves problemas sociais e pol\u00edticos que originam o conflito armado na Col\u00f4mbia, o coro dos apaixonados pela guerra se levanta inflamado, desqualificando os nossos prop\u00f3sitos de reconcilia\u00e7\u00e3o. De imediato, recaem sobre n\u00f3s as mais perversas inten\u00e7\u00f5es, apenas com o intuito de insistir que a \u00fanica coisa que nos cabe \u00e9 o exterm\u00ednio. Em geral, esses apaixonados nunca v\u00e3o \u00e0 guerra e nem permitem a ida de seus filhos.\u201d [3]<\/p>\n<p>Deixando de lado os preconceitos, compreendemos a insurg\u00eancia armada enquanto um produto do complexo processo social violento, desigual e explorat\u00f3rio que assola todo o campo colombiano. Ou seja, as insurg\u00eancias armadas como as FARC, al\u00e9m de organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, s\u00e3o fruto das pr\u00f3prias contradi\u00e7\u00f5es e demandas das lutas sociais colombianas. Por isso, constatamos que aconverg\u00eancia estrat\u00e9gica entre os diversos movimentos e organiza\u00e7\u00f5es populares colombianas, em suas distintas formas de luta, se centra na tentativa de constru\u00e7\u00e3o da paz a partir das lutas sociais, ou seja, a busca por uma paz com justi\u00e7a social. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que tais movimenta\u00e7\u00f5es t\u00eam o potencial de universalizarem o verdadeiro inimigo da maioria da popula\u00e7\u00e3o colombiana: a guerra a servi\u00e7o das classes dominantes colombianas em alian\u00e7a com o imperialismo.<\/p>\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o unit\u00e1ria das diversas express\u00f5es dos trabalhadores e trabalhadoras colombianas faz ressurgir a esperan\u00e7a na intensifica\u00e7\u00e3o das lutas anticapitalistas e conseq\u00fcentemente antiimperialistas em nosso continente. No atual quadro de hegemonia do capitalismo, mesmo em sua crise, apenas a articula\u00e7\u00e3o e a organiza\u00e7\u00e3o das lutas dos trabalhadores e as suas distintas express\u00f5es pol\u00edticas e revolucion\u00e1rias podem transformar qualitativamente a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as na Am\u00e9rica Latina e no mundo. Neste quesito, a Marcha Patri\u00f3tica se configura como um importante exemplo de articula\u00e7\u00e3o massiva e constru\u00e7\u00e3o de poder popular. Contudo, s\u00f3 poder\u00e1 avan\u00e7ar com seguran\u00e7a se tamb\u00e9m contar com outras \u201cmarchas\u201d de solidariedade internacional pelo mundo \u2013 e \u00e9 neste sentido que a UJC se faz presente na constru\u00e7\u00e3o da Agenda Col\u00f4mbia-Brasil, movimento que busca ampliar a divulga\u00e7\u00e3o sobre a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica em que se encontra o povo colombiano em suas m\u00faltiplas formas de resist\u00eancia e a viol\u00eancia que vem sofrendo neste processo.<\/p>\n<p>Como bem formula e sintetiza uma querida companheira, \u00e9 nosso dever construir \u201cToda solidariedade ao povo que luta e resiste! Que avan\u00e7a na transforma\u00e7\u00e3o radical das bases sociais, econ\u00f4micas e pol\u00edticas que possibilitam a viol\u00eancia! Que deseja a paz, a justi\u00e7a social, a emancipa\u00e7\u00e3o humana, com for\u00e7a, ternura, dureza e afeto!\u201d. E \u00e9 com estas belas palavras e princ\u00edpios que a UJC continuar\u00e1 divulgando, lutando e ampliando ao m\u00e1ximo a Marcha de solidariedade ao povo colombiano!<\/p>\n<p>*Luis Fernandes \u00e9 da Coordena\u00e7\u00e3o Nacional da UJC (Uni\u00e3o da Juventude Comunista)<\/p>\n<hr \/>\n<p>[1] \u00c9 imposs\u00edvel n\u00e3o compararmos o nascimento da Marcha Patri\u00f3tica e as estigmatiza\u00e7\u00f5es que esta vem sofrendo com o ocorrido \u00e0 Uni\u00e3o Patri\u00f3tica (UP) nos anos 90, movimento que sofreu forte exterm\u00ednio dos grupos paramilitares ligados ao narcotr\u00e1fico. Calcula-se\u00a0 mais de 5.000 assassinatos neste per\u00edodo.<\/p>\n<p>[2] \u00c9 importante ressaltar que, apesar da vis\u00edvel converg\u00eancia, as FARC n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es concretas de participarem da Marcha Patri\u00f3tica,segundo os pr\u00f3prios organizadores da Marcha em in\u00fameras entrevistas.<\/p>\n<p>[3] An\u00fancio das FARC sobre a liberta\u00e7\u00e3o de todos os prisioneiros de guerra. Secretariado das FARC, Montanhas da Col\u00f4mbia, 26 de Fevereiro de 2012.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: PCB\n\n\n\n\n\n\n\n\nA experi\u00eancia da Uni\u00e3o da Juventude Comunista na Marcha Patri\u00f3tica Colombiana.\nLuis Fernandes*\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2797\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[27],"tags":[],"class_list":["post-2797","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c27-ujc"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-J7","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2797","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2797"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2797\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2797"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2797"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2797"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}