{"id":2798,"date":"2012-05-04T19:26:46","date_gmt":"2012-05-04T19:26:46","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=2798"},"modified":"2012-05-04T19:26:46","modified_gmt":"2012-05-04T19:26:46","slug":"poupanca-muda-e-juros-real-cai-a-245-o-menor-desde-o-plano-real","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2798","title":{"rendered":"Poupan\u00e7a muda e juros real cai a 2,45%, o menor desde o Plano Real"},"content":{"rendered":"\n<p>A partir de hoje a remunera\u00e7\u00e3o da caderneta de poupan\u00e7a obedecer\u00e1 a um gatilho: sempre que a taxa b\u00e1sica de juros (Selic) for igual ou menor do que 8,5% ao ano, os novos dep\u00f3sitos da poupan\u00e7a ser\u00e3o corrigidos por 70% da Selic. As aplica\u00e7\u00f5es j\u00e1 existentes permanecem com a regra atual de rentabilidade: juros fixos de 0,5% ao m\u00eas (6,17% ao ano) mais a varia\u00e7\u00e3o da Taxa de Refer\u00eancia (TR). A TR, com Selic em 8,5% ao ano, cai para zero. O incentivo fiscal da isen\u00e7\u00e3o do Imposto de Renda permanecer\u00e1.<\/p>\n<p>Quando a taxa Selic for superior a 8,5% ao ano &#8211; hoje ela \u00e9 de 9% ao ano &#8211; a caderneta de poupan\u00e7a volta a ter a rentabilidade usual (juros de 6,17% ao ano mais a TR). Assim, a nova regra s\u00f3 entrar\u00e1 em vigor se o Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom) cortar a taxa Selic para 8,5%, o que poder\u00e1 ocorrer j\u00e1 na reuni\u00e3o do fim deste m\u00eas.<\/p>\n<p>Dessa forma, a regra de remunera\u00e7\u00e3o da poupan\u00e7a deixa de ser uma trava para a queda da taxa de juros no pa\u00eds. Os atuais depositantes ficam com uma pequena vantagem em rela\u00e7\u00e3o aos novos no caso do gatilho ser acionado, o que foi feito para evitar futuras demandas judiciais. Para as novas cadernetas, a remunera\u00e7\u00e3o ser\u00e1 calculada com base na Selic em vigor no dia do dep\u00f3sito.<\/p>\n<p>A medida, engenhosa, foi anunciada no in\u00edcio da noite pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, ap\u00f3s seguidas reuni\u00f5es da presidente Dilma Rousseff com o Conselho Pol\u00edtico, com os dirigentes das centrais sindicais e com um grupo de empres\u00e1rios ao longo de toda a tarde, no Pal\u00e1cio do Planalto. Dilma procurou se cercar de um amplo apoio pol\u00edtico para mexer num tema t\u00e3o delicado para o poupador brasileiro.<\/p>\n<p>Os planos originais do Pal\u00e1cio do Planalto eram um pouco diferentes. Imaginava-se poder alterar a rentabilidade da poupan\u00e7a s\u00f3 ap\u00f3s as elei\u00e7\u00f5es municipais de outubro. O cen\u00e1rio externo, que voltou a piorar, a demora na rea\u00e7\u00e3o da atividade econ\u00f4mica dom\u00e9stica e os sinais da \u00faltima ata do Copom, de que os juros podem cair mais, justificam a antecipa\u00e7\u00e3o da medida. Quem alimentava a expectativa de que a economia brasileira cresceria cerca de 1% no primeiro trimestre agora espera crescimento de apenas 0,5%.<\/p>\n<p>Dos parlamentares da base aliada do governo, Dilma teve garantia de apoio \u00e0 aprova\u00e7\u00e3o da medida provis\u00f3ria, publicada em edi\u00e7\u00e3o extraordin\u00e1ria do Di\u00e1rio Oficial.<\/p>\n<p>O l\u00edder do PMDB na C\u00e2mara, deputado Henrique Eduardo Alves (RN), disse que a presidente &#8220;garantiu todos os diretos de todos os poupadores&#8221;. Aos pol\u00edticos, Dilma disse: &#8220;N\u00e3o estou aqui para vender facilidades. \u00c9 um passo que tem que ser dado&#8221;, segundo relatou Alves, que concluiu: &#8220;A presidente estava muito determinada, convencida e convincente&#8221;. Na reuni\u00e3o do Conselho Pol\u00edtico, ela se referiu a &#8220;tr\u00eas amarras&#8221; que precisam ser trabalhadas: a redu\u00e7\u00e3o dos juros para empresas e consumidores; a valoriza\u00e7\u00e3o cambial; e a diminui\u00e7\u00e3o de impostos, prosseguiu o l\u00edder do PMDB. Os mesmos problemas que ela ressaltou em discurso da presidente na posse do ministro do Trabalho, Brizola Neto.<\/p>\n<p>Os dirigentes sindicais tamb\u00e9m deixaram a reuni\u00e3o com declara\u00e7\u00f5es de apoio a Dilma. O presidente da For\u00e7a Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), assegurou que as centrais v\u00e3o sustentar as mudan\u00e7as propostas. &#8220;Achamos que n\u00e3o mexer nas atuais poupan\u00e7as significa uma coisa positiva&#8221;, disse ele. &#8220;Somos n\u00f3s, as centrais, que podemos colocar o povo na rua e, para ela, \u00e9 importante ter o nosso apoio em uma medida t\u00e3o sens\u00edvel como essa&#8221;, disse o presidente da Uni\u00e3o Geral dos Trabalhadores (UGT), Ricardo Patah.<\/p>\n<p>Os 26 empres\u00e1rios que estiveram com a presidente ontem tamb\u00e9m aplaudiram a iniciativa do governo de reduzir os juros, pressionar os bancos para reduzirem os spreads e pediram que a &#8220;guerra&#8221; se estenda para o alongamento do cr\u00e9dito, contou Joesley Batista, da JBS Friboi. &#8220;S\u00e3o medidas de bom senso, boas para o Brasil&#8221;, disse Andr\u00e9 Esteves, presidente do banco BTG Pactual.<\/p>\n<p>O ministro Guido Mantega avaliou que os custos do cr\u00e9dito imobili\u00e1rio tendem a cair na medida que o custo da capta\u00e7\u00e3o da poupan\u00e7a diminui. Disse, tamb\u00e9m, que ter\u00e3o que ser feitos &#8220;ajustes&#8221; na portabilidade e que os t\u00e9cnicos est\u00e3o estudando isso. Para o ministro, no entanto, a press\u00e3o do governo para a queda dos juros \u00e9 concentrada, principalmente, nas modalidades em que considera o spread banc\u00e1rio (diferen\u00e7a entre a taxa de capta\u00e7\u00e3o e a cobrada do tomador) elevado. Esse \u00e9 o caso, segundo ele, do capital giro e cr\u00e9dito consignado.<\/p>\n<p>Os bancos, segundo o Minist\u00e9rio da Fazenda, ter\u00e3o 30 dias para se prepararem para a mudan\u00e7a, tendo que operacionalizar uma segrega\u00e7\u00e3o das contas dos poupadores entre os dep\u00f3sitos antigos e os que v\u00e3o obedecer ao gatilho. Quando o investidor for sacar da caderneta de poupan\u00e7a, o banco abater\u00e1 automaticamente o saque da conta nova, que render\u00e1 menos.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p>Tecnologia, Desenvolvimento e Ilus\u00f5es<\/p>\n<p>Adriano Benayon<\/p>\n<p>No momento em que surgem novos avan\u00e7os na nanotecnologia e na cria\u00e7\u00e3o de materiais, como o grafeno, \u00e9 fundamental compreender a intera\u00e7\u00e3o da tecnologia com o desenvolvimento econ\u00f4mico e social.<\/p>\n<p>Indispens\u00e1vel afastar ilus\u00f5es, pois n\u00e3o h\u00e1 algo de que se fale tanto e de que se entenda t\u00e3o pouco como essa intera\u00e7\u00e3o. Mesmo os \u00a0que trabalham em \u00a0inovar com produtos e processos n\u00e3o t\u00eam, na maioria, a percep\u00e7\u00e3o de como um pa\u00eds se desenvolve atrav\u00e9s da \u00a0tecnologia.<\/p>\n<p>Na teoria econ\u00f4mica, ela \u00e9 vista como progresso t\u00e9cnico e elemento externo \u00e0 fun\u00e7\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o, na qual entram os fatores: recursos naturais, trabalho e capital (conjunto de m\u00e1quinas, instrumentos e materiais utilizados na produ\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p>Alguns autores assinalam o papel da tecnologia como fator organizativo, que determina a composi\u00e7\u00e3o e a propor\u00e7\u00e3o dos fatores de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os que exercem poder sobre o capital, privado ou \u00a0p\u00fablico, escolhem a tecnologia a ser adotada. \u00a0Para isso, baseiam-se, de um lado, no que os t\u00e9cnicos criam e, de outro, nas estrat\u00e9gias de mercado e\/ou nos objetivos da pol\u00edtica econ\u00f4mica. Os criadores de tecnologias as desenvolvem em fun\u00e7\u00e3o de suas ideias e do que lhes \u00e9 demandado por parte dos que comandam o capital.<\/p>\n<p>Fator invis\u00edvel, mas concreto, da produ\u00e7\u00e3o, a tecnologia decorre do trabalho, pois \u00e9 gente que a produz: engenheiros, t\u00e9cnicos, artes\u00e3os (como nos primeiros s\u00e9culos da industrializa\u00e7\u00e3o) ou oper\u00e1rios.<\/p>\n<p>Por outro lado, tendo valor &#8211; e muito, do ponto de vista do mercado e em termos monet\u00e1rios &#8211; a tecnologia \u00e9 quase sempre apropriada pelos detentores do capital, podendo a mais-valia ser especialmente elevada.<\/p>\n<p>De resto, o ordenamento jur\u00eddico da propriedade industrial est\u00e1 no Acordo TRIPS (Trade Related Intellectual Property Rights) da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio (OMC), aprovado no Brasil, no final de 1994.<\/p>\n<p>Esse acordo protege, muito mais que os direitos dos inventores, as corpora\u00e7\u00f5es transnacionais. \u00c9 instrumento da oligarquia para aprofundar o apartheid tecnol\u00f3gico, impedindo a absor\u00e7\u00e3o de tecnologia por pa\u00edses e \u00a0empresas de menor desenvolvimento.<\/p>\n<p>A les\u00e3o ao desenvolvimento tecnol\u00f3gico do Pa\u00eds foi refor\u00e7ada com a Lei de Propriedade Industrial, 9.279\/1996, enviesada em favor das empresas transnacionais, que controlam os mercados no Brasil.<\/p>\n<p>Essas legisla\u00e7\u00f5es inserem-se no salto qualitativo do crescimento da concentra\u00e7\u00e3o do poder sob o imp\u00e9rio anglo-americano, em seguida ao desmantelamento da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. Foi assim radicalizada a apropria\u00e7\u00e3o da tecnologia pelos concentradores transnacionais do poder econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>Se, antes de 1990, j\u00e1 prevalecia o comando do capitalismo \u2013 por defini\u00e7\u00e3o, concentrador \u2013 sobre os benef\u00edcios e os rendimentos monet\u00e1rios advindos da tecnologia, esta passou, desde ent\u00e3o, a ser cada vez mais amplamente expropriada do Estado, dos empres\u00e1rios m\u00e9dios e pequenos, bem como dos t\u00e9cnicos e demais trabalhadores.<\/p>\n<p>Tal como os demais bens suscet\u00edveis de serem p\u00fablicos, ou de &#8211; embora privados &#8211; beneficiarem o conjunto da sociedade, a tecnologia vem sendo objeto da privatiza\u00e7\u00e3o concentradora.<\/p>\n<p>E o que \u00a0isso tem a ver com a desindustrializa\u00e7\u00e3o do Brasil, com o baixo percentual de empregos de qualidade, com as infra-estruturas econ\u00f4mica e social mal constru\u00eddas e deterioradas? E com o enorme d\u00e9ficit nas transa\u00e7\u00f5es correntes com o exterior, o qual n\u00e3o arrefece nem com a redu\u00e7\u00e3o da demanda, como foi em 2011?<\/p>\n<p>Ora, \u00a0o Brasil, ap\u00f3s agosto de 1954, foi sendo inviabilizado em termos de desenvolvimento econ\u00f4mico e social, ao ter continuadamente subsidiado a ocupa\u00e7\u00e3o do mercado por empresas transnacionais. Com esse tipo de ocupa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se desenvolvem tecnologias nacionais, pois raras s\u00e3o as as empresas de capital nacional que subsistem no mercado.<\/p>\n<p>A\u00ed reside um ponto-chave: tecnologia capaz de alavancar o desenvolvimento s\u00f3 cresce dentro de empresas em competi\u00e7\u00e3o nos mercados. Entretanto, domina, na opini\u00e3o comum, a falsa \u00a0concep\u00e7\u00e3o de que o Brasil est\u00e1 atrasado tecnologicamente porque investe pouco em educa\u00e7\u00e3o, ci\u00eancia, pesquisa b\u00e1sica e tecnologia.<\/p>\n<p>\u00c9 verdade que investe relativamente pouco. Mas o grave mesmo \u00e9 que, desse pouco, quase nada resulta em proveito da economia do Pa\u00eds. Por que? Porque n\u00e3o h\u00e1 empresas nacionais evoluindo com progressos tecnol\u00f3gicos pr\u00f3prios. Elas simplesmente ficaram sem chance de permanecer no mercado ou de nele entrar, salvo em raros e passageiros nichos, logo apropriados pelos concentradores, principalmente transnacionais.<\/p>\n<p>Poder\u00edamos comparar a tecnologia aos nutrientes e adubos de uma planta, que seria a empresa produtiva. Ora, se a planta n\u00e3o \u00e9 nossa, de pouco nos serve aliment\u00e1-la.<\/p>\n<p>As transnacionais t\u00eam seus centros tecnol\u00f3gicos, em geral nas matrizes, e utilizam nas subsidi\u00e1rias daqui a tecnologia j\u00e1 paga no exterior durante anos de vendas, o que lhes permite custo real zero no Brasil. N\u00e3o t\u00eam, pois, interesse em investir nem em adquirir alguma aqui desenvolvida.<\/p>\n<p>Se alguma lhes interessar, quase nada pagar\u00e3o por ela, porque, controlando o mercado em sistema de oligop\u00f3lio, imp\u00f5em os pre\u00e7os e as condi\u00e7\u00f5es, na qualidade de \u00fanicas compradoras. O que fizeram muito foi adquirir empresas nacionais apertadas pela pol\u00edtica econ\u00f4mica, que as oprime em favor das ETNs.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 a s\u00edntese da quest\u00e3o, como expus e documentei no meu livro \u201cGlobaliza\u00e7\u00e3o versus Desenvolvimento: N\u00e3o existe pa\u00eds que se tenha desenvolvido, havendo entregado seu mercado a empresas comandadas por capitais estrangeiros.<\/p>\n<p>Portanto, o conceito de \u201ctransfer\u00eancia de tecnologia\u201d no Brasil s\u00f3 tem sentido na dire\u00e7\u00e3o inversa \u00e0quela em que costumam falar dele: de brasileiros para as transnacionais dos pa\u00edses ditos desenvolvidos, ao contr\u00e1rio do que acontece(u) nos pa\u00edses realmente em desenvolvimento.<\/p>\n<p>Agrade\u00e7o ao Prof. Weber de Figueiredo, da UFRJ, por me ter transmitido \u00a0um exemplo t\u00edpico da ilus\u00e3o \u201cdesenvolvimentista\u201d fomentada \u00a0por JK: \u00a0a elimina\u00e7\u00e3o de mais um projeto de ind\u00fastria nacional, a Romisetta.<\/p>\n<p>Figueiredo assim resumiu informa\u00e7\u00f5es de Fernando Campanholo sobre esse ve\u00edculo \u00a0produzido pela Romi, empresa brasileira de Santa B\u00e1rbara do Oeste (SP), de 1956 a 1959:<\/p>\n<p>\u201cO governo JK abriu linha de financiamento subsidiado destinado \u00e0s multinacionais de autom\u00f3veis que se estavam instalando no Brasil. A nacional Romi tamb\u00e9m pleiteou o financiamento, deixando os burocratas embara\u00e7ados, pois o financiamento fora pensado apenas para as multinacionais. Mas uma solu\u00e7\u00e3o engenhosa foi encontrada. O governo baixou uma portaria definindo que autom\u00f3vel \u00e9 o ve\u00edculo que tem dois bancos, o dianteiro e o traseiro! E, assim, a brasileira Romi foi jogada para escanteio, ficando fora do financiamento oficial, falindo a sua linha automotiva.\u201d<\/p>\n<p>A Romisetta era um carro leve, de um s\u00f3 banco. Mas o importante \u00e9 come\u00e7ar a produzir para o mercado, o primeiro passo para evoluir em tecnologia. N\u00e3o importa n\u00e3o ser de primeira linha.<\/p>\n<p>O Fusca da VW chegou a mais de 50% do mercado, dominou-o por mais de vinte anos e pouco evoluiu. Fora desenvolvido nos anos 1930, e a VW \u00a0ganhou o incr\u00edvel subs\u00eddio, dado \u00e0s multinacionais, \u00a0em 1954, \u00a0de registrar como investimento em moeda, o equipamento e tecnologia de produ\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o mais do que amortizados. Portanto, custo zero para o capital e a tecnologia. Al\u00e9m disso, com JK, mais subs\u00eddios, como o financiamento oficial.<\/p>\n<p>Campanholo conclui: \u201cA fabrica\u00e7\u00e3o de 3.000 unidades no Brasil no per\u00edodo de 1956 at\u00e9 1961, principalmente comparados \u00e0s 22.543 Isettas-BMW fabricadas somente em 1956 pela Alemanha, fica como triste lembran\u00e7a de quanto n\u00f3s estamos suscet\u00edveis e passivos aos mandos e desmandos do capital estrangeiro. At\u00e9 hoje.\u201d<\/p>\n<p>Resultado: as transnacionais, que ficaram com o mercado brasileiro de gra\u00e7a, continuam recebendo subs\u00eddios e remetendo centenas de bilh\u00f5es de d\u00f3lares para o exterior, a diversos t\u00edtulos. Isso significa descapitalizar o Pa\u00eds.<\/p>\n<p>O Brasil foi programado pelo imp\u00e9rio anglo-americano para ser uma \u00e1rea de explora\u00e7\u00e3o de recursos naturais, em condi\u00e7\u00e3o semelhante \u00e0 maioria dos pa\u00edses africanos, submetidos ao mesmo tipo de interven\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, em base de lucros provenientes tamb\u00e9m da ind\u00fastria, controlada pelas transnacionais.<\/p>\n<p>Foram elementos-chave da estrat\u00e9gia para que esse programa tenha sido realizado a pleno contento das pot\u00eancias imperiais e associadas: 1) a interven\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e militar diretamente junto aos governos brasileiros; 2) a interven\u00e7\u00e3o do dinheiro e da corrup\u00e7\u00e3o nas elei\u00e7\u00f5es, no sistema formalmente democr\u00e1tico; 3) o genoc\u00eddio cultural; 4) o fomento da cren\u00e7a em que a entrada do capital estrangeiro favorece o desenvolvimento, complementa a poupan\u00e7a nacional, e em outras fal\u00e1cias.<\/p>\n<p>Os entreguistas, culminando com os mega-entreguistas Collor e FHC, radicalizaram \u00a0a aplica\u00e7\u00e3o dessa f\u00e9 bizarra e fatal. Foram muito al\u00e9m da simples abertura ao com\u00e9rcio: fizeram o Estado brasileiro subsidiar os investimentos diretos estrangeiros, de forma inacredit\u00e1vel, e discriminar contra o capital nacional.<\/p>\n<p>O Brasil n\u00e3o deixar\u00e1 de ser um pa\u00eds saqueado e enganado pela conversa fiada, enquanto n\u00e3o se reverter, de modo cabal, tudo isso e a mentalidade subjacente.<\/p>\n<p>Eis algumas consequ\u00eancias para um pa\u00eds que participa do BRICs e pleiteia assento permanente no Conselho de Seguran\u00e7a da ONU, s\u00f3 para ser enrolado pela pot\u00eancia dominante:<\/p>\n<p>&#8220;Dos 25 navios da Marinha de Guerra do Brasil apenas 14 est\u00e3o em condi\u00e7\u00f5es de navegar, e dos seus23 avi\u00f5es apenas um tem condi\u00e7\u00f5es de levantar voo. Enquanto isso, a R\u00fassia, a \u00cdndia e a China s\u00e3o pot\u00eancias nucleares, detentoras de tecnologia militar de alt\u00edssimo n\u00edvel&#8230;&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o produzimos sequer uma calculadora de bolso, pois falta-nos at\u00e9 f\u00e1brica de chips \u2013 somos meros montadores de aparelhos eletr\u00f4nicos.&#8221;<\/p>\n<p>* &#8211; Adriano Benayon \u00e9 Doutor em Economia e autor de \u201cGlobaliza\u00e7\u00e3o versus Desenvolvimento\u201d<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p>Coutinho pede para empres\u00e1rio investir na \u00c1frica<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, pediu ontem que o empresariado nacional se mobilize em prol de investimentos em projetos na \u00c1frica. Durante discurso de encerramento no semin\u00e1rio &#8220;Investindo na \u00c1frica: Oportunidades, Desafios e Instrumentos para Coopera\u00e7\u00e3o Econ\u00f4mica&#8221;, Coutinho afirmou que o continente africano \u00e9 &#8220;repleto de oportunidades&#8221; para as companhias brasileiras. &#8220;E n\u00e3o s\u00e3o investimentos sem retorno&#8221;, disse.<\/p>\n<p>Ele admitiu, por\u00e9m, que os projetos no continente africano carecem de capital de giro para um desenvolvimento eficiente. &#8220;Esse \u00e9 o grande desafio, o d\u00e9ficit de funding&#8221;, disse. Mas sinalizou que o Brasil poderia contribuir para resolver o problema. &#8220;Vou conversar com o ministro Guido Mantega a respeito&#8221;, afirmou. Coutinho lembrou que a regi\u00e3o crescia a taxas de 6% antes da crise global em 2008 e que neste ano deve crescer 5,5%.<\/p>\n<p>Coutinho anunciou que o BNDES aprovou financiamento de R$ 6,5 milh\u00f5es para estudo t\u00e9cnico de avalia\u00e7\u00e3o de viabilidade de produ\u00e7\u00e3o de biocombust\u00edveis nos pa\u00edses membros da Uni\u00e3o Econ\u00f4mica e Monet\u00e1ria do Oeste Africano (Uemoa). Os trabalhos ser\u00e3o conduzidos pelo cons\u00f3rcio BAIN-MMSO, formado pela consultoria BAIN Brasil e o escrit\u00f3rio Machado, Meyer, Sendacz e Opice Advogados. Os recursos ser\u00e3o provenientes do Fundo de Estrutura\u00e7\u00e3o de Projetos do banco (BNDES-FEP). O financiamento permitir\u00e1 levantamento de todo o territ\u00f3rio de Benim, Burkina Faso, Costa do Marfim, Mali, N\u00edger e Togo, bem como as condi\u00e7\u00f5es ambientais, sociais, de mercado, de infraestrutura, de marco regulat\u00f3rio e de estrutura tribut\u00e1ria nestes pa\u00edses.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p>Metas concretas para a Rio+20 dividem pa\u00edses<\/p>\n<p>O Estado de S. Paulo<\/p>\n<p>As negocia\u00e7\u00f5es do rascunho da Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Desenvolvimento Sustent\u00e1vel, a Rio+20, com encerramento previsto para hoje em Nova York, dividiam ontem os organizadores do evento sobre a conveni\u00eancia do estabelecimento de metas para os sete principais temas do encontro no Rio, em junho.<\/p>\n<p>Essa divis\u00e3o envolve tanto diferen\u00e7as pol\u00edticas como tamb\u00e9m opini\u00f5es distintas sobre como defender estrat\u00e9gias para o fortalecimento do desenvolvimento sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>De um lado, h\u00e1 os defensores do estabelecimento de metas r\u00edgidas para \u00e1reas como \u00e1gua, seguran\u00e7a alimentar e energia. Dessa forma, a Rio+20 teria uma import\u00e2ncia maior e os resultados seriam mais claros. Ao mesmo tempo, muitos negociadores que participam das discuss\u00f5es na ONU consideram prematuro impor metas na Rio+20, que ocorrer\u00e1 entre os dias 20 e 22 de junho, optando por objetivos mais gerais em cada uma das \u00e1reas.<\/p>\n<p>Para completar, segundo os defensores dessa linha de negocia\u00e7\u00e3o, as metas dos mil\u00eanio, que ainda est\u00e3o distantes de serem cumpridas a apenas tr\u00eas anos do fim do prazo, em 2015, correm o risco de serem ofuscadas pelas do meio ambiente.<\/p>\n<p>Autoridades governamentais n\u00e3o t\u00eam falado abertamente porque temem que seus pa\u00edses sejam classificados como obst\u00e1culos para a confer\u00eancia em defesa do meio ambiente.<\/p>\n<p>O risco, de acordo com um dos negociadores ontem em Nova York, era de haver um fracasso da confer\u00eancia no Rio, que marca tamb\u00e9m o anivers\u00e1rio de 20 anos da Eco-92. &#8220;Quase n\u00e3o houve avan\u00e7o, mas at\u00e9 amanh\u00e3 (hoje) pode haver novidades&#8221;, disse. S\u00e3o esperados cerca de 50 mil participantes no Rio.<\/p>\n<p>O secret\u00e1rio-geral da Rio+20, Sha Zukang, tentava manter o otimismo ontem, diante de obst\u00e1culos e de tentativas de amenizar o texto o m\u00e1ximo poss\u00edvel. Na sua avalia\u00e7\u00e3o, o encontro deveria ao menos &#8220;lan\u00e7ar um processo que conduza a metas de desenvolvimento sustent\u00e1vel&#8221;.<\/p>\n<p>O chamado rascunho zero do documento contava inicialmente com 6 mil p\u00e1ginas, sendo reduzido para apenas 19 nas negocia\u00e7\u00f5es em mar\u00e7o. Com os adendos colocados pelos governos envolvidos, subiu para 200. Esse documento revisado, segundo os organizadores, encontrou 26 \u00e1reas de atua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>EUA, Jap\u00e3o, Canad\u00e1 e tamb\u00e9m algumas na\u00e7\u00f5es europeias t\u00eam se mostrado reticentes com alguns pontos em negocia\u00e7\u00e3o, incluindo o estabelecimento de metas. Tamb\u00e9m h\u00e1 press\u00f5es da iniciativa privada. O Brasil se esfor\u00e7a para que a Rio+20 n\u00e3o seja um fracasso como a confer\u00eancia do clima realizada na Dinamarca em 2009, onde n\u00e3o foram produzidos resultados.<\/p>\n<p>Em Nova York, h\u00e1 reclama\u00e7\u00f5es de falta de foco nas negocia\u00e7\u00f5es. Haver\u00e1 apenas mais uma rodada no Rio, menos longa, pouco antes do in\u00edcio da confer\u00eancia.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p>AL atrai investimentos<\/p>\n<p>Correio Braziliense<\/p>\n<p>A Am\u00e9rica Latina comemora uma marca hist\u00f3rica de investimento estrangeiro direto (IED) na regi\u00e3o \u2014 US$ 135 bilh\u00f5es em 2011 \u2014 justamente quando o mundo observa com preocupa\u00e7\u00e3o o avan\u00e7o estatizante de Argentina e Bol\u00edvia sobre empresas controladas por capital de fora. O montante recorde divulgado ontem em Santiago, no Chile, pela Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica para Am\u00e9rica Latina e Caribe (Cepal), \u00f3rg\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas, representa 10% do fluxo mundial no per\u00edodo.<\/p>\n<p>O Brasil liderou o fluxo de recursos no ano passado, com US$ 66,7 bilh\u00f5es ou 43% do IED total. Em seguida, vem M\u00e9xico (US$ 19,44 bilh\u00f5es), Chile (US$ 17,29 bilh\u00f5es), Col\u00f4mbia (US$ 13,23 bilh\u00f5es), Peru (US$ 7,659 bilh\u00f5es), Argentina (US$ 7,24 bilh\u00f5es), Venezuela (US$ 5,30 bilh\u00f5es) e Uruguai (US$ 2,52 bilh\u00f5es). Os valores apurados pelos quatro primeiros do ranking foram recordes hist\u00f3ricos.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio do organismo ligado \u00e0s Na\u00e7\u00f5es Unidas indica ainda que os valores totais do ano passado devem ser superados este ano, possivelmente superando a m\u00e1xima hist\u00f3rica, de 2008, quando os ingressos somaram US$ 137 bilh\u00f5es. Em 2010, Am\u00e9rica Latina recebeu US$ 120,88 bilh\u00f5es em IED, contra US$ 81,59 bilh\u00f5es do ano anterior, auge da crise econ\u00f4mica mundial.<\/p>\n<p>&#8220;Apesar da incerteza que ainda reina nos mercados financeiros globais, as economias latino-americanas atra\u00edram significativos volumes de investimento estrangeiro direto em 2011, que devem se manter altos em 2012&#8221;, disse Alicia B\u00e1rcena, secret\u00e1ria executiva da Cepal, durante a apresenta\u00e7\u00e3o do levantamento anual.<\/p>\n<p>Segundo ela, 46% dos ingressos do IED se destinaram ao setor de ve\u00edculos utilit\u00e1rios, refletindo uma maior confian\u00e7a das multinacionais e das crescentes oportunidades de neg\u00f3cios na regi\u00e3o, que cresceu 4,3% ano passado.<\/p>\n<p>Incertezas<\/p>\n<p>Para 2012, a Cepal prev\u00ea desacelera\u00e7\u00e3o das economias latino-americanas, com expans\u00e3o m\u00e9dia de 3,7%, em meio ao baixo crescimento dos pa\u00edses desenvolvidos e seus reflexos sobre os fluxos de investimento. Seus t\u00e9cnicos avaliam que, caso a crise na Eurozona ganhe dimens\u00f5es maiores, \u00e9 poss\u00edvel que a taxa de IED continue em alta, mas limitada por eventuais recuos, sobretudo de europeus. A aposta \u00e9 que a taxa na Am\u00e9rica Latina este ano varie de uma queda de 2% a uma alta de 8%.<\/p>\n<p>O Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI) negou que a Am\u00e9rica Latina esteja entrando numa de nacionaliza\u00e7\u00f5es de empresas. O porta-voz do organismo, Gerry Rice, disse ontem que as recentes expropria\u00e7\u00f5es por parte de Argentina e Bol\u00edvia de empresas espanholas n\u00e3o mudam o clima de investimento. &#8220;Trata-se de uma regi\u00e3o muito diversa e n\u00e3o podemos dizer que o que est\u00e1 ocorrendo \u00e9 uma tend\u00eancia. De uma maneira geral, seus pa\u00edses se beneficiaram de investimentos externos&#8221;, disse.<\/p>\n<p>Em um sinal contr\u00e1rio \u00e0 seguran\u00e7a dos investimentos externos, o presidente da Bol\u00edvia, Evo Morales, anunciou esta semana a expropria\u00e7\u00e3o da Transportadora de Eletricidade (TDE), filial do grupo espanhol Red El\u00e9ctrica. Duas semanas antes, o governo argentino anunciou o confisco de 51% das a\u00e7\u00f5es da petroleira YPF, em poder da tamb\u00e9m espanhola Repsol. (SR)<\/p>\n<p>Tsunami monet\u00e1rio<\/p>\n<p>A Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe (Cepal) considera estrategicamente importante para pa\u00edses como o Brasil a ado\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas para coibir valoriza\u00e7\u00e3o excessiva da moeda local. Estudo do organismo sobre investimentos diretos revela ser imposs\u00edvel identificar todos os capitais em busca de lucros com juros elevados e que chegam disfar\u00e7ados de Investimento Estrangeiro Direto (IED). Ness sentido, a Cepal avaliza a cr\u00edtica do Pal\u00e1cio do Planalto ao chamado &#8220;tsunami monet\u00e1rio&#8221;. Para o secret\u00e1rio executivo adjunto da Cepal, Antonio Prado, os pa\u00edses precisam ter instrumentos para evitar a aprecia\u00e7\u00e3o excessiva do c\u00e2mbio e, assim, defender sua capacidade de exporta\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p>BCE mant\u00e9m taxa, n\u00e3o discute cortes e decepciona<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>Como era esperado, o Banco Central Europeu (BCE) manteve sua taxa de juros em 1%. O encontro da autoridade monet\u00e1ria aconteceu em Barcelona, na Espanha, foco das atuais preocupa\u00e7\u00f5es dos investidores com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 crise da zona do euro.<\/p>\n<p>Logo ap\u00f3s Mario Draghi, presidente do BCE, dizer que a autoridade monet\u00e1ria n\u00e3o discutiu um corte da taxa de juros nesta \u00faltima reuni\u00e3o, o euro ganhou terreno diante de outras moedas. Depois de uma semana em que indicadores econ\u00f4micos apontaram para maior desacelera\u00e7\u00e3o na zona do euro, cresceu a expectativa de que o banco central poderia deixar a porta aberta para um corte dos juros \u00e0 frente.<\/p>\n<p>&#8220;O fato de o corte n\u00e3o ter sido discutido reduz quaisquer expectativas de afrouxamento por enquanto&#8221;, disse Daragh Maher, estrategista de c\u00e2mbio do HSBC.<\/p>\n<p>Em entrevista coletiva, Draghi disse que \u00e9 fundamental garantir a sustentabilidade fiscal e o crescimento na zona do euro. &#8220;Ao mesmo tempo que o necess\u00e1rio ajuste fiscal est\u00e1 pesando no crescimento econ\u00f4mico de curto prazo, sua implementa\u00e7\u00e3o bem sucedida vai contribuir para a sustentabilidade das finan\u00e7as p\u00fablicas e, consequentemente, para a redu\u00e7\u00e3o do pr\u00eamio de risco soberano.&#8221;<\/p>\n<p>Draghi tamb\u00e9m destacou que, junto com a consolida\u00e7\u00e3o fiscal, o crescimento e o potencial de expans\u00e3o da economia da zona do euro t\u00eam de ser impulsionados por reformas estruturais decisivas, ressaltando ser preciso dar condi\u00e7\u00f5es para a atividade empreendedora, o surgimento de empresas e a cria\u00e7\u00e3o de empregos.<\/p>\n<p>Sobre o plano de ajuste na zona do euro, o dirigente do BCE acredita que diverg\u00eancias regionais nos eventos econ\u00f4micos s\u00e3o uma caracter\u00edstica prevista, &#8220;mas desequil\u00edbrios consider\u00e1veis se acumularam na \u00faltima d\u00e9cada em v\u00e1rios pa\u00edses da zona do euro e agora est\u00e3o em processo de serem corrigidos&#8221;.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m do curto prazo, Draghi espera que a regi\u00e3o da zona do euro siga em recupera\u00e7\u00e3o gradual, apoiada pela demanda externa, pelo juro baixo na regi\u00e3o e por todas as medidas tomadas para o funcionamento adequado da economia. Mas, como emendou, ainda existem tens\u00f5es que devem perturbar o percurso de retomada econ\u00f4mica, como os problemas em alguns mercados da d\u00edvida soberana europeia e o impacto disso nas condi\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito bem como o alto desemprego.<\/p>\n<p>&#8220;Como dissemos anteriormente, a perspectiva econ\u00f4mica continua sujeita a riscos de baixa, relacionados em particular com uma intensifica\u00e7\u00e3o das tens\u00f5es nos mercados de d\u00edvida da zona do euro e o potencial cont\u00e1gio para a economia real da regi\u00e3o, assim como novos aumentos nos pre\u00e7os das commodities&#8221;, disse Draghi.<\/p>\n<p>Ele espera que a infla\u00e7\u00e3o na \u00e1rea da moeda comum fique acima de 2% em 2012, basicamente em decorr\u00eancia de aumentos nos pre\u00e7os de energia e impostos indiretos, mas prev\u00ea que arrefe\u00e7a no come\u00e7o de 2013, se situando abaixo de 2%.<\/p>\n<p>No \u00e2mbito monet\u00e1rio, o presidente do BCE considerou que ainda \u00e9 necess\u00e1rio tempo para o pleno impacto das medidas heterodoxas e para um efeito positivo no aumento de empr\u00e9stimos. &#8220;Neste contexto, deve ser destacado que a segunda opera\u00e7\u00e3o de financiamento de longo prazo foi estabelecida apenas em 1\u00ba de mar\u00e7o de 2012&#8221;, sublinhou.<\/p>\n<p>Draghi aproveitou para refor\u00e7ar que \u00e9 essencial que os bancos se fortale\u00e7am. &#8220;A solidez do balan\u00e7o dos bancos vai ser um fator chave para facilitar tanto a provis\u00e3o apropriada de cr\u00e9dito para a economia quanto normalizar os canais de financiamento&#8221;, disse.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p>Eletrobr\u00e1s investir\u00e1 R$ 300 mi em projetos no exterior<\/p>\n<p>O Estado de S. Paulo<\/p>\n<p>A Eletrobr\u00e1s investir\u00e1 R$ 300 milh\u00f5es na \u00e1rea internacional em 2012, afirmou o presidente da empresa, Jos\u00e9 da Costa Carvalho Neto. O montante envolve projetos como a Usina de Tumar\u00edn, na Nicar\u00e1gua, al\u00e9m de uma hidrel\u00e9trica e um conjunto de parques e\u00f3licos no Uruguai.<\/p>\n<p>No ano passado, o investimento da companhia fora do Pa\u00eds foi pouco significativo, afirmou o executivo. O aumento do or\u00e7amento internacional neste ano est\u00e1 em linha com a meta de destinar 10% do investimento anual da estatal a projetos no exterior, em especial na Am\u00e9rica do Sul.<\/p>\n<p>A Eletrobr\u00e1s investir\u00e1 R$ 13,3 bilh\u00f5es em 2012, mas o plano no m\u00e9dio prazo \u00e9 aportar cerca de R$ 10 bilh\u00f5es por ano. O ideal, diz Carvalho Neto, \u00e9 ter cerca de R$ 1 bilh\u00e3o investido na \u00e1rea internacional.<\/p>\n<p>&#8220;Esse porcentual subir\u00e1 aos poucos, \u00e0 medida que deslanchar o plano de investimentos&#8221;, disse.<\/p>\n<p>Em abril, a Eletrobr\u00e1s assinou com a estatal uruguaia UTE um acordo para a constru\u00e7\u00e3o de um conjunto de parques e\u00f3licos, cujo custo \u00e9 estimado entre R$ 3,5 mil e R$ 4 mil o megawatt. Os estudos para a implanta\u00e7\u00e3o do projeto terminam em 60 dias, informou Carvalho Neto.<\/p>\n<p>A estatal de energia tamb\u00e9m receber\u00e1 agora a licen\u00e7a ambiental para instalar uma linha de transmiss\u00e3o que possibilitar\u00e1 um interc\u00e2mbio de 500 MW de energia entre Brasil e Uruguai.<\/p>\n<p>Estiagem. O presidente da Eletrobr\u00e1s descartou a necessidade de o Brasil importar energia da Argentina para suprir o Estado do Rio Grande do Sul, afetado por uma forte estiagem. O executivo afirmou que a integra\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica entre Brasil, Uruguai e Argentina continua nos planos do governo, mas garantiu que &#8220;n\u00e3o h\u00e1 necessidade de importar (energia) da Argentina no curto prazo&#8221;.<\/p>\n<p>O presidente da Eletrobr\u00e1s participou de um semin\u00e1rio sobre Oportunidades de Investimento na \u00c1frica, promovido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES), no Rio.<\/p>\n<p>A Eletrobr\u00e1s tem uma s\u00e9rie de projetos em estudo para o continente africano. Nos planos, est\u00e3o uma hidrel\u00e9trica de 350 MW em Angola e outra de 1.500 MW no norte de Mo\u00e7ambique, em parceria com a local EDM.<\/p>\n<p>Estimado em US$ 6 bilh\u00f5es, o projeto prev\u00ea ainda a constru\u00e7\u00e3o de linhas de transmiss\u00e3o para levar energia ao mercado mo\u00e7ambicano. O BNDES avalia financiar o investimento.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\nValor Econ\u00f4mico\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2798\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[106],"tags":[],"class_list":["post-2798","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c119-olhovivo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-J8","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2798","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2798"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2798\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2798"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2798"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2798"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}