{"id":27982,"date":"2021-10-26T00:26:29","date_gmt":"2021-10-26T03:26:29","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=27982"},"modified":"2021-10-26T00:26:29","modified_gmt":"2021-10-26T03:26:29","slug":"militancia-real-e-performance-revolucionaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/27982","title":{"rendered":"Milit\u00e2ncia real e performance \u201crevolucion\u00e1ria\u201d"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ujc.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/militancia-real-e-performance-revo.png\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->por Carol Estev\u00e3o, Jo\u00e3o Oliveira e Guilherme Quina, militantes da UJC no n\u00facleo Ruy Mauro Marini, em Londrina (PR)<\/p>\n<p>A luta de classes s\u00f3 avan\u00e7a em favor da classe trabalhadora atrav\u00e9s de a\u00e7\u00f5es concretas para mudar a realidade. Ela \u00e9 organizada por partidos, sindicatos, movimentos populares, coletivos, entre outros. O discurso inflamado e dito \u201crevolucion\u00e1rio\u201d, difundido por muitos grupos sect\u00e1rios, n\u00e3o atinge as estruturas da realidade.<\/p>\n<p>No mundo virtual facilmente voc\u00ea se torna um \u201crevolucion\u00e1rio\u201d, mas quando olhamos para a classe trabalhadora fora das bolhas das redes sociais, vemos um v\u00e1cuo de organiza\u00e7\u00e3o da nossa classe e os pretensos discursos e a\u00e7\u00f5es \u201crevolucion\u00e1rias\u201d se dissipam no ar e n\u00e3o passam de meras palavras e a\u00e7\u00f5es jogadas ao vento, que nada contribuem para a organiza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora na sua luta pelo poder.<\/p>\n<p>Esse tipo de fen\u00f4meno foi previsto e defendido por autores da p\u00f3s-modernidade, como Felix Guatarri e Gilles Deleuze (anteriormente vinculados a c\u00edrculos intelectuais de correntes maoistas), que, em uma a\u00e7\u00e3o anti-hegeliana, tentam colocar a nova din\u00e2mica social da repeti\u00e7\u00e3o e da diferen\u00e7a. Ou seja, a partir da repetida simula\u00e7\u00e3o lingu\u00edstica, se faz a diferen\u00e7a e assim se concretiza um tipo de \u201cguerrilha virtual\u201d. Para esses autores, este seria o objetivo final, j\u00e1 que os mesmos entendiam que as chances de supera\u00e7\u00e3o do neoliberalismo j\u00e1 se mostravam esgotadas.<\/p>\n<p>Um exemplo hist\u00f3rico \u00e9 o movimento punk e as sub-culturas, muito influenciados pelo anarquismo do s\u00e9culo XX, que desenvolve uma cr\u00edtica radical da sociedade, de forma a defender a sua exclusividade combativa, sendo estes exemplos p\u00f3s-modernos de uma est\u00e9tica, linguagem, que envolve elementos da pol\u00edtica, mas n\u00e3o apresenta efetividade na a\u00e7\u00e3o contra as formas neoliberais do capitalismo. S\u00e3o formas individuais de protestos, que acabam se tornando derrotistas, j\u00e1 que privilegiam a mudan\u00e7a singular, do indiv\u00edduo radical, acima das outras identidades existentes na classe trabalhadora.<\/p>\n<p>Aqueles que procuram de forma individualista vender uma performance, uma forma de \u201cluta\u201d sect\u00e1ria que n\u00e3o abarca toda a nossa classe, n\u00e3o leva em conta os conflitos geracionais, os erros e acertos, historicamente, do movimento oper\u00e1rio e, com isso, buscam se autoproclamar enquanto seres (e organiza\u00e7\u00f5es) iluminadas por sua linguagem anticapitalista, que muitas vezes carrega muito de anticomunismo, como a ojeriza aos partidos revolucion\u00e1rios, os quais s\u00e3o alcunhados, pelos \u201cseres iluminados\u201d, como eleitoreiros e, portanto, inimigos.<\/p>\n<p>Como comunistas, durante toda a hist\u00f3ria, fomos cr\u00edticos \u00e0 social-democracia e o reformismo paralisante de diversas organiza\u00e7\u00f5es, assim como tamb\u00e9m tecemos cr\u00edticas a algumas das t\u00e1ticas adotadas por grupos anarquistas; todavia, a cr\u00edtica vazia n\u00e3o \u00e9 o foco dos comunistas.<\/p>\n<p>Acreditamos que a supera\u00e7\u00e3o desses elementos \u00e9 a pr\u00e1tica revolucion\u00e1ria impulsionada por uma teoria refletida na objetividade e subjetividade de nossa classe. O discurso sem pr\u00e1tica, no fim, tem como objetivo ganhos individuais ou, na maioria das vezes, para grupos minorit\u00e1rios ganharem relev\u00e2ncia nas bolhas virtuais criadas.<\/p>\n<p>A performance \u201crevolucion\u00e1ria\u201d \u00e9 difundida nas redes e nas ruas e nivelada descaradamente, parecendo que na pr\u00e1tica \u00e9 uma t\u00e1tica importante para a luta de massas, mas no fundo \u00e9 apenas um teatro para autopropaganda, principalmente, nas redes sociais. Isso n\u00e3o \u00e9 um problema por si s\u00f3, ele s\u00f3 se torna um problema quando esses grupos resumem a luta pol\u00edtica a uma est\u00e9tica e\/ou uma identidade que se pode comprar e usufruir de forma oportunista de algo bem maior que o pr\u00f3prio indiv\u00edduo.<\/p>\n<p>Os te\u00f3ricos da p\u00f3s-modernidade acabam por confirmar e dar fundamento a esses m\u00e9todos que, para esses grupos autonomistas dedicados \u00e0 teatraliza\u00e7\u00e3o da radicalidade, s\u00e3o exatamente a express\u00e3o do movimento real. Como afirma Gilles Deleuze:<\/p>\n<p>\u201cO teatro \u00e9 o movimento real e extrai o movimento real de todas as artes que utiliza. Eis o que nos \u00e9 dito: este movimento, a ess\u00eancia e a interioridade do movimento, \u00e9 a repeti\u00e7\u00e3o, n\u00e3o a oposi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o a media\u00e7\u00e3o. Hegel \u00e9 denunciado como aquele que prop\u00f5e um movimento do conceito abstrato em vez do movimento da Physis e da Psiqu\u00ea. Hegel substitui a verdadeira rela\u00e7\u00e3o do singular e do universal na Ideia pela rela\u00e7\u00e3o abstrata do particular com o conceito em geral.\u201d<\/p>\n<p>em \u201cDiferen\u00e7a e Repeti\u00e7\u00e3o\u201d<br \/>\nA milit\u00e2ncia organizada, que dialeticamente aproxima a pr\u00e1tica da teoria (e vice-versa), consegue enxergar as contradi\u00e7\u00f5es e as t\u00e1ticas necess\u00e1rias e adequadas para a supera\u00e7\u00e3o do Estado burgu\u00eas, pela perspectiva da constru\u00e7\u00e3o do Poder Popular no rumo do Socialismo.<\/p>\n<p>A milit\u00e2ncia meramente perform\u00e1tica, teatral, n\u00e3o consegue analisar concretamente essas contradi\u00e7\u00f5es, porque n\u00e3o se baseia em nenhuma teoria revolucion\u00e1ria que se alinha com a pr\u00e1tica e a realidade totalmente fragmentada do mundo atual, sendo um prato cheio para o surgimento desses grupos que, mesmo pela linguagem, reivindicam o pensamento revolucion\u00e1rio, mas na realidade, em sua raz\u00e3o pr\u00f3pria, agem atrav\u00e9s de teorias que n\u00e3o abrangem o objetivo da revolu\u00e7\u00e3o social. De forma oportunista, utilizam das manifesta\u00e7\u00f5es para ganhos individuais de sua bolha, se apresentando como a vanguarda da revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os comunistas n\u00e3o temem o uso revolucion\u00e1rio da viol\u00eancia, mas tamb\u00e9m n\u00e3o a fetichizamos. Para n\u00f3s, devemos avaliar, de forma concreta, em quais situa\u00e7\u00f5es estamos inseridos e quais t\u00e1ticas de luta s\u00e3o as mais apropriadas para o avan\u00e7o da nossa classe. Agora n\u00e3o esperem de n\u00f3s o embarque cego em a\u00e7\u00f5es meramente perform\u00e1ticas, que em nada contribuem com o movimento de massas.<\/p>\n<p>Entendemos que setores e pessoas ainda n\u00e3o experimentados na luta ainda n\u00e3o s\u00e3o acostumados com a din\u00e2mica complexa da luta de classes, portanto, estes, ansiosos por uma participa\u00e7\u00e3o significativa, aderem \u00e0 t\u00e1tica que performa, que apresenta maior radicalidade aparente.<\/p>\n<p>Sendo assim, devemos questionar: essas t\u00e1ticas perform\u00e1ticas geram algum saldo organizativo? Essa t\u00e1tica contribui na articula\u00e7\u00e3o da classe, com capacidade para envolv\u00ea-la com maior grau de universalidade?<\/p>\n<p>Fica evidente que n\u00e3o h\u00e1 nenhum impacto de eleva\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia da classe trabalhadora com essas a\u00e7\u00f5es perform\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Precisamos analisar de forma cr\u00edtica a luta da juventude no Brasil, posto que, muito mais que uma est\u00e9tica, necessitamos de uma luta di\u00e1ria e imersa nos problemas do nosso povo. Mas \u00e9 importante refor\u00e7ar que n\u00f3s n\u00e3o estamos aqui para criminalizar esses setores. Estes ser\u00e3o politicamente derrotados antes e depois dessas a\u00e7\u00f5es, devido \u00e0 inconsequente realiza\u00e7\u00e3o de tais t\u00e1ticas. Tirar utilidade ou proveito para criar bolhas e ganhos individualistas \u00e9 fazer o jogo do capitalismo e enganar uma massa de jovens desacreditados da pol\u00edtica para o ego de muitos e o lucro de poucos.<\/p>\n<p>N\u00f3s, comunistas da UJC, defendemos que \u00e9 o momento de apostar no fortalecimento e na organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, buscando tanto a prepara\u00e7\u00e3o de um processo de greve geral contra esse governo genocida e sua pol\u00edtica de terra arrasada, como um longo e dedicado trabalho de reorganiza\u00e7\u00e3o de nossa classe, mediante a constru\u00e7\u00e3o, no momento mais favor\u00e1vel da luta de classes, de um Encontro Nacional da Classe Trabalhadora (ENCLAT), a partir do qual se possa produzir um programa comum e uma unidade org\u00e2nica dos trabalhadores e das trabalhadoras.<\/p>\n<p>Continuaremos apoiando e trabalhando para o fortalecimento do F\u00f3rum por Direitos e Liberdades, que re\u00fane atualmente o sindicalismo mais combativo do pa\u00eds. A hora \u00e9 de avan\u00e7ar na ofensiva e ampliar a luta contra o Governo de Bolsonaro, Mour\u00e3o e Guedes e contra o capitalismo, pela constru\u00e7\u00e3o do Poder Popular, no rumo do Socialismo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/27982\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[27],"tags":[226],"class_list":["post-27982","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c27-ujc","tag-4b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-7hk","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27982","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=27982"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27982\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=27982"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=27982"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=27982"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}