{"id":27986,"date":"2021-10-27T00:24:02","date_gmt":"2021-10-27T03:24:02","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=27986"},"modified":"2021-10-27T00:24:02","modified_gmt":"2021-10-27T03:24:02","slug":"o-retrato-da-violencia-classista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/27986","title":{"rendered":"O retrato da viol\u00eancia classista"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/lh3.googleusercontent.com\/pw\/AM-JKLUaJ4fOfQAIP6Gjay5Y3IQZ1K7sKtpT-8gHvI4VqWBUf9zGFR9ZqhU450-cGXAXxiVAuOcecCoyFg0ILNNxGuN4bkuJzP5ZSe22K8-VbX-ke_BrP_ci_ClGzWdjdfNOmAIJz9LSw3r8IXFKjV5jV7Yo=w1200-h675-no\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Bahia ocupa primeiro lugar no ranking de mortes violentas do Brasil no primeiro trimestre de 2021<\/p>\n<p>Jornal O MOMENTO &#8211; PCB da Bahia<\/p>\n<p>Por Manuella Logrado<\/p>\n<p>A pandemia trouxe para a popula\u00e7\u00e3o baiana uma nova preocupa\u00e7\u00e3o com as altas taxas de mortalidade oriundas da COVID-19, aliadas ao grande descaso com a vida humana atrav\u00e9s dos esquemas de compra de vacina, aus\u00eancia de pol\u00edticas p\u00fablicas efetivas de distanciamento social e implementa\u00e7\u00e3o de medidas sanit\u00e1rias de maneira ison\u00f4mica \u00e0 popula\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, um outro n\u00famero alarma os baianos e este diz respeito ao avan\u00e7o da viol\u00eancia no Estado, que encontra na pol\u00edtica de seguran\u00e7a p\u00fablica da gest\u00e3o burgo-petista de Rui Costa um bra\u00e7o violentamente punitivista congregado ao cen\u00e1rio de viol\u00eancia em todo o Estado da Bahia.<\/p>\n<p>A viol\u00eancia no Estado da Bahia \u00e9 uma velha conhecida da classe trabalhadora. Ela a encontra nos coletivos, nos locais de trabalho e at\u00e9 mesmo nos locais de moradia, por\u00e9m, conforme os n\u00fameros extra\u00eddos da Secretaria de Seguran\u00e7a P\u00fablica da Bahia (SSP\/BA) e Monitor da Viol\u00eancia (G1), o primeiro semestre do ano de 2021 teve um aumento 7,1% no n\u00famero de assassinatos, sendo registrada 2.931 mortes violentas no per\u00edodo em quest\u00e3o.<\/p>\n<p>Outro dado que chama aten\u00e7\u00e3o corresponde \u00e0 queda em 8% de mortes violentas no Brasil inteiro. Entretanto, na extrema contram\u00e3o deste dado, o Estado da Bahia teve um aumento percentual consider\u00e1vel de assassinatos no primeiro semestre do ano corrente, evidenciando uma gest\u00e3o pautada na viol\u00eancia e na inseguran\u00e7a por parte do Governo Estadual.<\/p>\n<p>Com isso, a Bahia passou a concentrar 13,5% das mortes violentas de todo o Brasil no primeiro trimestre do ano de 2021. Sendo assim, a Bahia foi o Estado que mais contribuiu para os n\u00fameros de assassinatos no Brasil, ultrapassando o Rio de Janeiro \u2013 que ocupa a segunda posi\u00e7\u00e3o no monitor da viol\u00eancia, com a marca de 9% das mortes violentas do pa\u00eds para o mesmo per\u00edodo.<\/p>\n<p>Estes n\u00fameros apenas ilustram o cen\u00e1rio de caos de uma gest\u00e3o que, al\u00e9m de ter reduzido em 7,6% a verba da seguran\u00e7a p\u00fablica no ano de 2021, promove diversos cortes na educa\u00e7\u00e3o e aplaude com louvor a atua\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edcia totalmente militarizada e coisificada, que tem como progn\u00f3stico uma atua\u00e7\u00e3o violenta. Essa atua\u00e7\u00e3o apenas alimenta uma guerra fascistizada no seio da classe trabalhadora, e a grande classe beneficiada assiste ao terror sem que o seu dedo sequer alcance o gatilho que ceifou a vida de 2.931 baianos no primeiro semestre de 2021.<\/p>\n<p>Concentrando esta an\u00e1lise dos \u00edndices de viol\u00eancia do Estado, mais precisamente na capital soteropolitana e regi\u00e3o metropolitana (RMS), se torna claro o car\u00e1ter classista dessa viol\u00eancia, que segue num avan\u00e7o assustador. Em 10 anos (2011 a 2021), Salvador e RMS atingiram a triste marca de 20 mil mortes violentas, conforme dados extra\u00eddos da SSP\/BA.<\/p>\n<p>Em uma an\u00e1lise de tratamento dos dados da SSP\/BA, realizado pelo site Correio 24 horas, das 20 mil mortes quem mais morreu foram jovens da faixa et\u00e1ria de 17 a 26 anos, sendo que no ano de 2021 foram assassinadas 29 pessoas da faixa et\u00e1ria de 19 anos. Esses dados evidenciam o perfil destas v\u00edtimas.<\/p>\n<p>Outro componente que chama bastante aten\u00e7\u00e3o \u00e9 a distribui\u00e7\u00e3o das mortes nestes 10 anos por bairros de Salvador e RMS. Nas seis primeiras coloca\u00e7\u00f5es, nenhum bairro considerado de classe m\u00e9dia\/classe m\u00e9dia alta ocupa posi\u00e7\u00e3o no ranking. Em 2021, S\u00e3o Marcos est\u00e1 liderando a quantidade mortes violentas, seguido por S\u00e3o Caetano, Val\u00e9ria, Fazenda Grande do Retiro, conforme gr\u00e1fico extra\u00eddo do site Correio 24 horas, cuja mat\u00e9ria voc\u00ea pode conferir na \u00edntegra aqui:<\/p>\n<p>https:\/\/www.correio24horas.com.br\/noticia\/nid\/em-uma-decada-salvador-e-rms-perderam-20-mil-vidas-para-a-violencia\/<br \/>\nNeste contexto, \u00e9 importante ressaltar que, conforme dados do IBGE, a popula\u00e7\u00e3o destes bairros \u00e9 majoritariamente preta. O bairro de S\u00e3o Marcos, que ocupa a primeira posi\u00e7\u00e3o no ranking, recentemente foi alvo de opera\u00e7\u00f5es policiais contra o tr\u00e1fico sob a alega\u00e7\u00e3o de que o territ\u00f3rio possui uma forte disputa entre fac\u00e7\u00f5es. A localidade em quest\u00e3o possui lugar recorrente nos notici\u00e1rios municipais, de modo que h\u00e1 poucos meses havia sido noticiado que o bairro teve tr\u00eas mortes violentas seguidas em menos de duas horas.<\/p>\n<p>Sendo assim, mais opera\u00e7\u00f5es policiais s\u00e3o despendidas para o controle das fac\u00e7\u00f5es locais que disputam territ\u00f3rio do tr\u00e1fico, retroalimentando um sistema de viol\u00eancias, mas possuindo amparo em uma legisla\u00e7\u00e3o repressiva e ineficaz de suposto combate \u00e0s drogas. Esse \u201ccombate\u201d serve, na verdade, para atuar como um grande mantedor de opress\u00f5es e catalisador do genoc\u00eddio da popula\u00e7\u00e3o preta e pobre.<\/p>\n<p>Assim, est\u00e1 tra\u00e7ado o perfil das pessoas que mais morreram violentamente em Salvador e na RMS nos \u00faltimos 10 anos: homens, jovens de 17 \u00e0 26 anos, moradores de bairros perif\u00e9ricos, em sua grande maioria pretos, desvelando assim o car\u00e1ter classista dessa viol\u00eancia que avan\u00e7a justamente em um momento de forte acirramento da luta de classes na conjuntura nacional e ganha o apoio do bra\u00e7o forte repressivo da PM de Rui Costa. O governador fomenta o ciclo violento em todo o Estado, mas principalmente nas periferias soteropolitanas.<\/p>\n<p>Neste sentido, nunca \u00e9 demais destacar o car\u00e1ter dessa viol\u00eancia e o perfil dos que seguem sendo assassinados e compondo a dita \u201cpopula\u00e7\u00e3o perigosa\u201d. Essa popula\u00e7\u00e3o nada mais \u00e9 do que um produto social das rela\u00e7\u00f5es de opress\u00e3o estabelecidas e sedimentadas atrav\u00e9s de mecanismo legislativos, da viol\u00eancia policial e do manto punitivista do poder estatal, como bem enuncia a historiadora Cec\u00edlia Coimbra em seu estudo sobre as classes perigosas do Rio de Janeiro:<\/p>\n<p>Ao longo do \u00faltimo s\u00e9culo, as subjetividades que sedimentaram e continuam sedimentando a rela\u00e7\u00e3o entre pobreza e criminalidade a rela\u00e7\u00e3o, n\u00e3o s\u00e3o apenas os discursos do capital, mas fundamentalmente suas a\u00e7\u00f5es bem concretas, suas pr\u00e1ticas \u00e0s vezes microsc\u00f3picas que excluem, estigmatizam e pretendem a destruir os pobres na cidade (COIMBRA, 2001, p. 132)<\/p>\n<p>\u00c9 neste contexto que a viol\u00eancia no Estado da Bahia avan\u00e7a, exterminando a popula\u00e7\u00e3o preta e pobre, gerando inseguran\u00e7a para o trabalhador em uma roda c\u00edclica de viol\u00eancia e encontrando total suporte na gest\u00e3o de Rui Costa para se alastrar. E assim seguimos na terra das arbitrariedades, na terra da Chacina do Cabula, das opera\u00e7\u00f5es policiais que alimentam o genoc\u00eddio da popula\u00e7\u00e3o perif\u00e9rica. A classe trabalhadora soteropolitana se v\u00ea amedrontada nos seus deslocamentos de trabalho, no seu cotidiano e n\u00e3o encontra sossego nem mesmo nos bairros onde residem, vivendo no meio de conflitos entre fac\u00e7\u00f5es forjadas pelo pr\u00f3prio Estado, incapaz de ceifar o monstro que nutriu e segue nutrindo. Afinal, \u00e9 justamente esse monstro que financia e mant\u00e9m intactos os privil\u00e9gios de uma classe dominante completamente descomprometida com o valor da vida humana.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"GNyMf7Hcv2\"><p><a href=\"https:\/\/omomento.org\/o-retrato-da-violencia-classista-bahia\/\">O retrato da viol\u00eancia classista: Bahia ocupa primeiro lugar no ranking de mortes violentas do Brasil no primeiro trimestre de 2021<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;O retrato da viol\u00eancia classista: Bahia ocupa primeiro lugar no ranking de mortes violentas do Brasil no primeiro trimestre de 2021&#8221; &#8212; O Momento: Di\u00e1rio do Povo\" src=\"https:\/\/omomento.org\/o-retrato-da-violencia-classista-bahia\/embed\/#?secret=GNyMf7Hcv2\" data-secret=\"GNyMf7Hcv2\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/27986\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[244],"tags":[224],"class_list":["post-27986","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-violencia","tag-3b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-7ho","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27986","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=27986"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27986\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=27986"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=27986"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=27986"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}