{"id":28050,"date":"2021-11-14T23:54:52","date_gmt":"2021-11-15T02:54:52","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=28050"},"modified":"2021-11-21T18:34:13","modified_gmt":"2021-11-21T21:34:13","slug":"clovis-moura-uma-biografia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/28050","title":{"rendered":"Cl\u00f3vis Moura: uma biografia"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/lh3.googleusercontent.com\/pw\/AM-JKLVoDCKU3v8gAxk2fgqKTA8Oz87R7av5AWZoYSyRk644qpcwbTiV8sxBqDTilWdwS0zz8LsDhPyke0gO2ZQA4s0LeIhsuipWWwH_4dEENe7QMeFsC9meVawpJFEh6gE85LKQPmfA4uxJAP4t13i1IxHc=w850-h400-no\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Funda\u00e7\u00e3o Dinarco Reis<\/p>\n<p>Entrevista online com Soraya Moura | Por Jeferson Garcia<\/p>\n<p>Jeferson Garcia: Boa tarde, Soraya. Desde j\u00e1 agrade\u00e7o por esta conversa. Para come\u00e7ar, quem \u00e9 Soraya Moura?<\/p>\n<p>Soraya Moura: Sou filha \u00fanica, casada, tenho uma filha. Sou historiadora, me formei na USP em 1983. Atualmente, trabalho com organiza\u00e7\u00e3o de acervos hist\u00f3ricos e pesquisa. Tenho uma micro empresa, Armaz\u00e9m de Hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Jeferson Garcia: Quem foi Cl\u00f3vis Steiger de Assis Moura?<\/p>\n<p>Soraya Moura: Cl\u00f3vis Steiger de Assis Moura foi um intelectual comunista que dedicou sua vida ao conhecimento e ao debate. Nasceu em Amarante, no interior do Piau\u00ed. Cresceu entre Amarante, Natal (RN), Juazeiro e Salvador. Filho de m\u00e3e de origem germ\u00e2nica e pai mesti\u00e7o. Com uma grande sensibilidade era m\u00faltiplo em seus interesses; al\u00e9m da atividade de pesquisador e soci\u00f3logo, jornalista e de sua milit\u00e2ncia pol\u00edtica, gostava de desenhar (no que era muito bom, nas primeiras p\u00e1ginas dos meus cadernos do prim\u00e1rio ele sempre fazia um desenho de abertura: no de Ci\u00eancias, ele desenhou um microsc\u00f3pio, no de Hist\u00f3ria uma caravela, entre outros), escrever poesias e pe\u00e7as teatrais. Tinha uma \u201cvoracidade\u201d pelo conhecimento em suas diversas \u00e1reas.<\/p>\n<p>Jeferson Garcia: Como \u00e9 para voc\u00ea ser \u201cguardi\u00e3\u201d das mem\u00f3rias de seu pai e estar rotineiramente sendo convidada a apresentar a hist\u00f3ria dele?<\/p>\n<p>Soraya Moura: \u00c9 muito gratificante sentir que ele chegou onde sempre quis estar. Sua preocupa\u00e7\u00e3o nunca foi galgar postos acad\u00eamicos. Dizia que o conhecimento, se n\u00e3o servisse para mudar a vida das pessoas, transformar e libertar, n\u00e3o servia para nada. Sinto que \u00e9 uma forma de realizar seu desejo. Me sinto muito feliz em ver seu pensamento entre jovens que querem mudar e transformar nossa sociedade t\u00e3o desigual, sua obra chegou onde ele sempre quis que estivesse.<\/p>\n<p>Jeferson Garcia: Como foi a inf\u00e2ncia em rela\u00e7\u00e3o ao trabalho e as tarefas pol\u00edticas de seu pai?<\/p>\n<p>Soraya Moura: Minha inf\u00e2ncia foi diferente da inf\u00e2ncia dos meus amigos. Em primeiro lugar, nenhum colega de escola sabia, na \u00e9poca, o que fazia um soci\u00f3logo e nem sabiam o que era uma ditadura, muito menos que viv\u00edamos em uma. Desde muito cedo, eu sabia que meu pai fazia um trabalho \u201cproibido\u201d. Essas quest\u00f5es sempre foram faladas abertamente em casa. N\u00e3o sei em que idade comecei a ter consci\u00eancia pol\u00edtica, quando olho para minha inf\u00e2ncia parece que sempre tive. Achava \u201cher\u00f3ico\u201d meu n\u00facleo familiar. Havia um certo medo, mas a sensa\u00e7\u00e3o de \u201chero\u00edsmo\u201d era maior.<\/p>\n<p>Jeferson Garcia: Em um evento, voc\u00ea narra que, certa vez, voc\u00ea quase foi para a escola com um broche de L\u00eanin. Como foi? Que ano isso ocorreu? Voc\u00ea se lembra de outras situa\u00e7\u00f5es parecidas?<\/p>\n<p>Soraya Moura: Eu estudava em uma escola classe m\u00e9dia t\u00edpica dos anos 60. Os alunos contavam vantagens sobre os bens materiais dos pais, carros, s\u00edtios etc\u2026 Eu pensei, n\u00e3o tenho nada disso para me gabar, mas,\u2026 \u201cmeu pai tem um broche que d\u00e1 cadeia\u201d\u2026 Lembro que todos pararam e me olharam sem acreditar\u2026 Causei espanto! No dia seguinte, peguei o broche que meu pai havia recebido de uma delega\u00e7\u00e3o sovi\u00e9tica quando da sua visita ao Brasil. Meu pai sempre lembrava rindo que eu passei pela sala, com sainha rodada, lancheira e o broche do Lenin na lapela. Ele me segurou e me explicou o que aquilo poderia causar. Isso foi em 1964 ou in\u00edcio de 1965.<\/p>\n<p>O Pedro Pomar frequentava muito a minha casa, eu o conhecia como \u201cTio M\u00e1rio\u201d, s\u00f3 soube da sua real identidade quando ele foi assassinado. Ele sempre trazia presentes, bonecas sovi\u00e9ticas, lembrancinhas etc. Era meu \u201ctio\u201d querido. Um certo dia, aproveitando o meu entusiasmo \u201cher\u00f3ico\u201d ele pediu que eu fosse at\u00e9 a rua e olhasse se havia alguma coisa suspeita (eu j\u00e1 sabia que ele era perseguido). Fui at\u00e9 a rua, olhei e com 9 anos o que eu poderia achar suspeito? Meu pai ficou muito bravo com ele pela responsabilidade que colocou nas minhas costas. Imaginem se ele fosse capturado na minha frente, como eu lidaria com essa culpa. Ah, mas eu me senti a verdadeira Passion\u00e1ria!!<\/p>\n<p>Jeferson Garcia: Quais s\u00e3o as mem\u00f3rias que voc\u00ea guarda da sua rela\u00e7\u00e3o com seu pai?<\/p>\n<p>Soraya Moura: Apesar de todas as suas atividades, ele sempre foi muito presente. Gost\u00e1vamos de fazer r\u00e1dio novela, com um pequeno gravador faz\u00edamos a narra\u00e7\u00e3o e os efeitos especiais de alguma hist\u00f3ria. \u00cdamos muito ao teatro infantil e aos cinemas.<\/p>\n<p>Ele gostava muito de conversar, contar hist\u00f3rias de sua inf\u00e2ncia e juventude. Era um \u00f3timo contador de hist\u00f3rias. Seu escrit\u00f3rio de trabalho (que ele chamava de gabinete) ficava na ed\u00edcula do sobrado onde mor\u00e1vamos. Era muito comum receber amigos, companheiros, estudantes e passar horas conversando. At\u00e9 o padre da par\u00f3quia do bairro frequentava seu \u201cgabinete\u201d. Quando entrei na Faculdade, gostava muito de conversar com meus amigos tomando um aperitivo, seu \u201cgabinete\u201d estava sempre recebendo. Uma das caracter\u00edsticas marcantes do meu pai era sua generosidade intelectual, seu prazer em conversar com jovens, dividir seu conhecimento, sem ter uma postura de \u201cmestre\u201d, de dono do saber.<\/p>\n<p>Jeferson Garcia: Sobre o desenvolvimento te\u00f3rico e pol\u00edtico dele. Como foi a forma\u00e7\u00e3o de seu pai? Ele era autodidata, certo?<\/p>\n<p>Soraya Moura: Certo. Meu pai era autodidata e tinha muito orgulho disso. Acho que sua \u00faltima forma\u00e7\u00e3o em institui\u00e7\u00e3o escolar foi no Rio Grande do Norte, no Col\u00e9gio dos Irm\u00e3os Maristas, um col\u00e9gio cat\u00f3lico de classe m\u00e9dia, em Natal. Ele contava que, l\u00e1, apesar de estar quase sempre de castigo por conta de sua rebeldia contra a r\u00edgida disciplina dos padres, formou um grupo de jovens ansiosos por leituras de cl\u00e1ssicos, encomendavam livros do Rio de Janeiro e esperavam ansiosamente a chegada. L\u00e1, participou do Gr\u00eamio Estudantil e criou um jornal Aos 14 anos de idade, escreveu o seu primeiro artigo sobre o movimento da Inconfid\u00eancia Mineira. Acredito que a semente se sua trajet\u00f3ria est\u00e1 l\u00e1.<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 80, recebeu o t\u00edtulo de Doutor Notorio Saber da Universidade de S\u00e3o Paulo devido ao reconhecimento de sua obra.<\/p>\n<p>Jeferson Garcia: O sustento da fam\u00edlia vinha do trabalho de Cl\u00f3vis Moura como jornalista?<\/p>\n<p>Soraya Moura: Em parte de seu trabalho como jornalista, minha m\u00e3e trabalhava, era funcion\u00e1ria p\u00fablica e garantia o sustento da fam\u00edlia nos per\u00edodos de instabilidade econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>Jeferson Garcia: Em que per\u00edodo da vida a quest\u00e3o negra se tornou uma prioridade dos debates e pesquisas do seu pai? Ele participou, na juventude, de estudos coletivos sobre o racismo no Brasil?<\/p>\n<p>Soraya Moura: Acredito que foi durante a sua estada em Salvador e, posteriormente, Juazeiro, e o contado com intelectuais que procuravam pesquisar e estudar a quest\u00e3o do negro no Brasil, na d\u00e9cada de 40. A partir da\u00ed passou a se corresponder com v\u00e1rios intelectuais que estudavam a quest\u00e3o do negro no Brasil.<\/p>\n<p>Jeferson Garcia: Seu pai foi um intelectual marxista. Em seus estudos ele deixa n\u00edtida a preocupa\u00e7\u00e3o em fazer uma an\u00e1lise do problema do negro brasileiro a partir da dial\u00e9tica marxista. Quando ocorreu o encontro de Cl\u00f3vis Moura com o comunismo?<\/p>\n<p>Soraya Moura: Em Salvador, se aproximou de intelectuais que formavam a chamada Academia dos Rebeldes e muitos deles j\u00e1 eram ligados ao Partido Comunista. O grupo debatia e publicava textos de seus membros: Jorge Amado, Edison Carneiro, Jo\u00e3o Cordeiro, entre outros.<\/p>\n<p>No come\u00e7o dos anos 1950, j\u00e1 morando em S\u00e3o Paulo, integrou a Frente Cultural do PCB, que reunia Caio Prado J\u00fanior, Villanova Artigas, Artur Neves, entre outros. Participava ativamente da Revista Fundamentos e da Revista Brasiliense com artigos e membro do conselho Editorial, em alguns per\u00edodos.<\/p>\n<p>Jeferson Garcia: Ali\u00e1s, qual o marxismo de Cl\u00f3vis Moura? Quais obras e pensadores mais influenciaram o seu pensamento em rela\u00e7\u00e3o ao materialismo hist\u00f3rico?<\/p>\n<p>Soraya Moura: Em uma entrevista ele destacou que sua influ\u00eancia te\u00f3rica foi marcada por marxistas ingleses e soci\u00f3logos radicais americanos, como Charles Wright Mills, destacou dois livros importantes que foram \u201csubstantivos na cristaliza\u00e7\u00e3o do seu pensamento\u201d: O Anti-Duhring, de Engels e O Capital, de Marx.<\/p>\n<p>Jeferson Garcia: De acordo com algumas pesquisas, a aproxima\u00e7\u00e3o de seu pai com o Partido Comunista Brasileiro (PCB) ocorreu por volta de 1942 e a milit\u00e2ncia se deu at\u00e9 os anos 1960. \u00c9 isso mesmo?<\/p>\n<p>Soraya Moura: Sim. Ele sempre contava que uma das raz\u00f5es de ter se afastado da milit\u00e2ncia dentro de partidos pol\u00edticos foi o fato de colocar em primeiro lugar a sua posi\u00e7\u00e3o de \u201clivre pensador\u201d. Sentia que dentro dos partidos seu pensamento era congelado. Lembrava que sua milit\u00e2ncia foi marcada por v\u00e1rios \u201ccastigos\u201d disciplinares, lembrava do \u201cCurso Stalin\u201d realizado em um s\u00edtio onde os militantes \u201crebeldes\u201d ficavam isolados reciclando suas a\u00e7\u00f5es e disciplina dentro do Partido. Lembrava rindo que \u201cvivia fazendo o curso Stalin\u201d. Sua personalidade inquieta, rebelde e intransigente com certos comportamentos fazia com que n\u00e3o fosse \u201cum homem de Partido\u201d.<\/p>\n<p>Jeferson Garcia: Durante o per\u00edodo de partido, sabemos da rela\u00e7\u00e3o de seu pai com te\u00f3ricos militantes como Caio Prado J\u00fanior, Valter Pomar, etc. Quais eram as principais refer\u00eancias te\u00f3ricas e pol\u00edticas de Cl\u00f3vis Moura?<\/p>\n<p>Soraya Moura: Posso dizer que Caio Prado J\u00fanior foi uma refer\u00eancia te\u00f3rica, apesar de suas cr\u00edticas posteriores, por ser um dos primeiros a propor uma an\u00e1lise marxista da realidade brasileira. Quanto a Valter Pomar, n\u00e3o imagino como uma refer\u00eancia te\u00f3rica.<\/p>\n<p>Jeferson Garcia: \u00c9 conhecida a hist\u00f3ria de que Caio Prado J\u00fanior havia indicado a seu pai que n\u00e3o estudasse os temas que resultaram em \u201cRebeli\u00f5es da Senzala\u201d. Diversos s\u00e3o os estudos, hoje, que fazem a autocr\u00edtica de certas posturas de marxistas sobre a quest\u00e3o racial brasileira. Como seu pai lidou com esse problema?<\/p>\n<p>Soraya Moura: Essa passagem com Caio Prado J\u00fanior \u00e9 uma quest\u00e3o controversa. Nas cartas que trocaram nos anos 40, 50, fica claro que Caio Prado n\u00e3o desencoraja o estudo do assunto, mas como meu pai residia em Juazeiro, ap\u00f3s sua sa\u00edda de Salvador, a dificuldade que seria a pesquisa e leitura de bibliografia referente ao tema, em Juazeiro, t\u00e3o longe dos centros intelectuais fez com que Caio Prado o alertasse sobre a dificuldade da pesquisa sobre o tema.<\/p>\n<p>Jeferson Garcia: Ainda hoje, pouco aparece o pensamento de seu pai nos estudos e colet\u00e2neas acerca da realidade brasileira, sobre as interpreta\u00e7\u00f5es do Brasil. Por que isso ocorre?<\/p>\n<p>Soraya Moura: Acredito que seu distanciamento dos meios acad\u00eamicos se deu pelo fato de ser um comunista \u201craiz\u201d como diriam hoje e um autodidata. Sua postura assumidamente comunista assustava os meios acad\u00eamicos dos anos 60 e 70. Fazia cr\u00edticas ao diletantismo acad\u00eamico, a certas abordagens sociol\u00f3gicas distantes da realidade. Era um homem da pr\u00e1xis.<\/p>\n<p>Jeferson Garcia: Ainda pensando nas refer\u00eancias te\u00f3ricas de seu pai. Voc\u00ea se lembra, ao menos um pouco, da configura\u00e7\u00e3o da biblioteca dele? principais autores que ele lia, poetas, tipo de literatura que gostava, etc? Se voc\u00ea fosse descrever os livros que tinham ali, quais voc\u00ea se lembra?<\/p>\n<p>Soraya Moura: Sua biblioteca era muito variada. Lembro de uma das visitas dos agentes do DOPS l\u00e1 em casa quando foram vasculhar sua biblioteca ele disse \u201cEu sou um livre pensador, aqui voc\u00ea vai encontrar desde a B\u00edblia at\u00e9 Karl Marx\u201d. E era verdade, al\u00e9m dos cl\u00e1ssicos que trazia desde sua juventude, Voltaire e todos os iluministas, Dostoievski, romances da famosa cole\u00e7\u00e3o de romances sovi\u00e9ticos ( n\u00e3o me recordo o nome) que publicava romances como \u201cAssim foi Temperado o A\u00e7o\u201d, \u201cSpartacus\u201d, \u201cO homem que saiu do Frio\u201d entre outros. Jack London tamb\u00e9m tinha um lugar especial em sua biblioteca. Poetas: Castro Alves, Vinicius de Moraes, romances de Jorge Amado.<\/p>\n<p>Grande parte de sua biblioteca era dedicada ao estudo da sociedade brasileira, \u00e0 quest\u00e3o racial, desde Silvio Romero, Joaquim Nabuco, Oliveira Vianna, Lima Barreto, Edson Carneiro, Florestan Fernandes, Octavio Ianni, Caio Prado J\u00fanior, Nelson Werneck Sodr\u00e9 , entre outros. Muitos volumes sobre Sociologia e Filosofia, Hegel, Karl Marx, Friedrich Engels, Antonio Gramsci, Henri Lefebvre, Max Weber . Obras de Lenin, Stalin, Fidel Castro.<\/p>\n<p>Jeferson Garcia: Em um debate na internet, voc\u00ea comenta que a biblioteca dele est\u00e1 na Funda\u00e7\u00e3o Palmares e que possivelmente se encontra na lista dos livros que a Funda\u00e7\u00e3o pensa em se desfazer. Voc\u00ea poderia nos contar mais sobre isso?<\/p>\n<p>Soraya Moura: Em 2001, 2002. Meu pai vendeu sua biblioteca para a Funda\u00e7\u00e3o Palmares, tinha como objetivo, uma vez que sua segunda esposa estava se aposentando, morar em Salvador. Quando surgiu na imprensa a not\u00edcia da inten\u00e7\u00e3o da Palmares e a divulga\u00e7\u00e3o de alguns t\u00edtulos reconheci alguns livros que faziam parte da biblioteca do meu pai, em uma dessas mat\u00e9rias havia a contra capa de um desses livros com a assinatura do meu pai, mania que ele carregou por toda a vida, assinar a contra capa dos livros. Reconheci livros, com sua assinatura, principalmente, ligados ao marxismo.<\/p>\n<p>Jeferson Garcia: Como era o ambiente de sua casa em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 conviv\u00eancia com os camaradas de partido de seu pai? Muitos comunistas passavam por ali? Quem eram eles?<\/p>\n<p>Soraya Moura: Era uma rela\u00e7\u00e3o tranquila, fazia parte do cotidiano. Passaram por l\u00e1 entre v\u00e1rios comunistas: o Carlos Marighela, Arruda C\u00e2mara, Jos\u00e9 Carlos Ruy, o Pedro Pomar. O Pomar era uma presen\u00e7a mais frequente, durante alguns per\u00edodos em que a repress\u00e3o endurecia, sua esposa Carolina ficava hospedada em casa.<\/p>\n<p>Jeferson Garcia: Seu pai rompeu com o Partido nos anos 1960, mas n\u00e3o rompe com o marxismo. Como voc\u00ea v\u00ea esse processo?<\/p>\n<p>Soraya Moura: Acredito que seu rompimento com o Partido n\u00e3o tenha se dado por quest\u00f5es relativas ao marxismo, pelo contr\u00e1rio, sua cr\u00edtica, muitas vezes apontava a falta de uma an\u00e1lise dial\u00e9tica marxista nas a\u00e7\u00f5es do partido.<\/p>\n<p>Jeferson Garcia: Soraya, obrigado pelo seu tempo. Que a mem\u00f3ria de Cl\u00f3vis Moura contribua cada vez mais com a luta contra o racismo e o capitalismo, pela emancipa\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n<p>Soraya Moura \u00e9 historiadora formada pela USP e filha de Cl\u00f3vis Moura.<\/p>\n<p>Jeferson Garcia \u00e9 militante do Coletivo Negro Minervino de Oliveira \u2013 n\u00facleo Maring\u00e1 \u2013 e do Partido comunista Brasileiro (PCB)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/28050\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[365,46],"tags":[223],"class_list":["post-28050","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-centenario-do-pcb","category-c56-memoria","tag-3a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-7iq","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28050","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28050"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28050\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28050"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28050"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28050"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}