{"id":28052,"date":"2021-11-14T23:57:06","date_gmt":"2021-11-15T02:57:06","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=28052"},"modified":"2021-11-14T23:57:06","modified_gmt":"2021-11-15T02:57:06","slug":"avanco-do-garimpo-em-roraima-mais-morte-e-destruicao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/28052","title":{"rendered":"Avan\u00e7o do garimpo em Roraima: mais morte e destrui\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/0V1A6509.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Na imagem, o impacto provocado pelo garimpo ilegal nas \u00e1guas da regi\u00e3o do rio Uraricoera<\/p>\n<p>Cr\u00e9ditos: Bruno Kelly \/ Amaz\u00f4nia Real \/ Brasil de Fato<\/p>\n<p>Sete ind\u00edgenas mortos em seis meses com o avan\u00e7o do garimpo em Roraima<\/p>\n<p>AbrilAbril<\/p>\n<p>Apesar de o Supremo Tribunal Federal ter ordenado ao Estado brasileiro que garantisse a seguran\u00e7a dos Yanomami, n\u00e3o existem mecanismos de prote\u00e7\u00e3o implementados, denunciam diversas organiza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Dois ind\u00edgenas da comunidade isolada Moxihat\u00ebt\u00ebma, na Terra Ind\u00edgena (TI) Yanomami, foram mortos a tiro durante um ataque de garimpeiros ilegais, denunciou a Hutukara Associa\u00e7\u00e3o Yanomami (HAY).<\/p>\n<p>De acordo com a organiza\u00e7\u00e3o, uma base de extra\u00e7\u00e3o de subst\u00e2ncias minerais (garimpo) ilegal fica a apenas 12 quil\u00f4metros da comunidade isolada, na regi\u00e3o do Alto Rio Apia\u00fa, em Mucaja\u00ed, no Sul do estado de Roraima, pondo em risco os ind\u00edgenas que recusam qualquer contato com pessoas externas.<\/p>\n<p>Um outro Yanomami faleceu com mal\u00e1ria por falta de cuidados m\u00e9dicos, j\u00e1 que os funcion\u00e1rios das unidades de sa\u00fade foram retirados dos seus postos depois do in\u00edcio dos ataques, revela o Brasil de Fato.<\/p>\n<p>Desde abril deste ano, as comunidades da regi\u00e3o do Palimi\u00fa, tamb\u00e9m na TI Yanomami, t\u00eam sido alvo de garimpeiros armados, e mais de dez pedidos de socorro foram feitos pelos ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>No quarto pedido de socorro enviado pela Hutukara Associa\u00e7\u00e3o Yanomami \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio (Funai), \u00e0 Pol\u00edcia Federal em Roraima, \u00e0 1.\u00aa Brigada de Infantaria da Selva do Ex\u00e9rcito e ao Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal em Roraima (MPF-RR), a associa\u00e7\u00e3o solicitou que fossem enviados agentes de seguran\u00e7a para a regi\u00e3o do Palimi\u00fa e para os isolados Moxihat\u00ebt\u00ebma.<\/p>\n<p>Segundo a HAY, o pedido de garantias de seguran\u00e7a ao Estado foi sempre total, uma vez que ind\u00edgenas de todo o territ\u00f3rio Yanomami se encontram vulner\u00e1veis aos ataques dos garimpeiros.<\/p>\n<p>Mesmo com as mortes de crian\u00e7as e a decis\u00e3o do Supremo, nada mudou<\/p>\n<p>S\u00f3 este ano, foram mortos pelo garimpo sete ind\u00edgenas da TI Yanomami: tr\u00eas adultos Moxihat\u00ebt\u00ebma e quatro crian\u00e7as, com idades entre um e sete anos, da regi\u00e3o do Palimi\u00fa.<\/p>\n<p>Questionados pelo Brasil de Fato sobre as medidas tomadas e pol\u00edticas implementadas, o Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a e Seguran\u00e7a P\u00fablica, o Minist\u00e9rio do Meio Ambiente, a Pol\u00edcia Federal e a Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio (Funai) n\u00e3o responderam. J\u00e1 o Minist\u00e9rio da Defesa informou que, como se trata de crimes (como o de assassinato), quem responde pelas queixas s\u00e3o a Pol\u00edcia Federal e o Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a e Seguran\u00e7a P\u00fablica.<\/p>\n<p>H\u00e1 quase seis meses o Supremo Tribunal Federal (STF) ordenou que o Estado garantisse a seguran\u00e7a dos Yanomami sob ataque dos garimpeiros em Roraima, mas, de acordo com Ivo C\u00edpio Aureliano, assessor Jur\u00eddico do Conselho Ind\u00edgena de Roraima (CIR), a situa\u00e7\u00e3o continua em estado cr\u00edtico, sem que alguma coisa tenha mudado.<\/p>\n<p>\u00abAt\u00e9 hoje n\u00e3o existe mecanismo de seguran\u00e7a para a comunidade. Os ind\u00edgenas seguem vulner\u00e1veis porque o governo federal n\u00e3o garantiu o cumprimento da decis\u00e3o judicial\u00bb, explicou.<\/p>\n<p>O CIR juntou-se a v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas Yanomami para denunciar a omiss\u00e3o do Estado. \u00abJ\u00e1 encaminhou v\u00e1rias den\u00fancias ao Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a e tamb\u00e9m ao Minist\u00e9rio dos Direitos Humanos\u00bb, referiu o assessor jur\u00eddico.<\/p>\n<p>Entre as medidas para garantir a integridade, dignidade e seguran\u00e7a dos Yanomami, Ivo Aureliano aponta o cumprimento da decis\u00e3o judicial de retirar os invasores, a presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os b\u00e1sicos na sa\u00fade e na educa\u00e7\u00e3o nas escolas Yanomami, bem como a reactiva\u00e7\u00e3o das Bases de Protec\u00e7\u00e3o na TI Yanomami.<\/p>\n<p>Responsabilidades apontadas ao governo de Bolsonaro<\/p>\n<p>\u00abO governo Bolsonaro tem causado o aumento das invas\u00f5es, como, por exemplo, com o desmonte [desmantelamento] dos \u00f3rg\u00e3os de fiscaliza\u00e7\u00e3o (IBAMA, Funai e ICMBio). E com o discurso favor\u00e1vel ao garimpo e explora\u00e7\u00e3o mineral nas terras ind\u00edgenas\u00bb, diz o assessor do CIR ao Brasil de Fato.<\/p>\n<p>Mesmo com a pandemia, em 2020 o garimpo ilegal avan\u00e7ou 30% na TI Yanomami, o equivalente a 500 campos de futebol. Percorrendo novas rotas entre os estados do Amazonas e de Roraima, no Norte do Brasil, os garimpeiros ilegais est\u00e3o mais pr\u00f3ximos das comunidades dos povos origin\u00e1rios.<\/p>\n<p>No total, a \u00e1rea desflorestada na TI Yanomami \u00e9 de 2400 hectares (equivalente a 3.300 campos de futebol). De acordo com dados divulgados este ano, s\u00f3 o rio Uraricoera, que bordeja a comunidade Palimi\u00fa, concentra mais de metade (52%) de toda a \u00e1rea degradada pelo garimpo ilegal na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Den\u00fancia internacional<\/p>\n<p>No in\u00edcio deste m\u00eas, os l\u00edderes ind\u00edgenas D\u00e1rio e Davi Kopenawa Yanomami reuniram-se com deputados europeus na Fran\u00e7a, onde pediram prote\u00e7\u00e3o para a floresta e para a biodiversidade na Amaz\u00f4nia, bem como apoio para os povos ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>\u00abO homem branco gosta de matar \u00edndio no Brasil. A soja e o boi est\u00e3o destruindo a floresta amaz\u00f4nica. O fogo est\u00e1 matando a floresta e o meio ambiente est\u00e1 sofrendo. Os animais, os peixes est\u00e3o em extin\u00e7\u00e3o, as \u00e1guas s\u00e3o contaminadas. A obra do governo n\u00e3o \u00e9 boa para o povo ind\u00edgena, ele s\u00f3 faz destruir o meio ambiente e a floresta nativa\u00bb, declarou ent\u00e3o Davi Kopenawa.<\/p>\n<p>O territ\u00f3rio Yanomami, com cerca de 10 milh\u00f5es de hectares, \u00e9 a maior reserva ind\u00edgena do Brasil, localizada entre Roraima e o Amazonas. Segundo a Hutukara, vivem ali 30 mil ind\u00edgenas, mas o n\u00famero de invasores do garimpo ilegal \u2013 em busca de ouro, diamantes e ni\u00f3bio \u2013 \u00e9 muito superior. A associa\u00e7\u00e3o estima que rondem os 100 mil.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/28052\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[239],"tags":[221],"class_list":["post-28052","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiental","tag-2a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-7is","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28052","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28052"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28052\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28052"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28052"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28052"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}