{"id":281,"date":"2010-02-25T18:09:30","date_gmt":"2010-02-25T18:09:30","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=281"},"modified":"2010-02-25T18:09:30","modified_gmt":"2010-02-25T18:09:30","slug":"socrates-ate-quando","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/281","title":{"rendered":"SOCRATES, AT\u00c9 QUANDO?"},"content":{"rendered":"\n<p>Hitler suicidara-se uma semana antes. Naqueles dias sent\u00edamos o peso de um absurdo para o qual ningu\u00e9m tinha resposta. Como pudera um povo de velha cultura, o alem\u00e3o, que tanto contribu\u00edra para o progresso da humanidade, permitir passivamente que um aventureiro aloucado exercesse durante 13 anos um poder absoluto. A raz\u00e3o n\u00e3o encontrava explica\u00e7\u00e3o para esse absurdo que precipitou a humanidade numa guerra apocal\u00edptica (50 milh\u00f5es de mortos) que destruiu a Alemanha e cobriu de escombros a Europa?<\/p>\n<p>Muitos leitores ficarao chocados a por evocar, a proposito da crise portuguesa,o que se passou na Alemanha a partir dos anos 30.<\/p>\n<p>Quero esclarecer que n\u00e3o me passa sequer pela cabe\u00e7a estabelecer paralelos entre o Reich hitleriano e o Portugal agredido por S\u00f3crates. Qualquer analogia seria absurda.<\/p>\n<p>S\u00e3o outros o contexto hist\u00f3rico, os cen\u00e1rios, a dimens\u00e3o das personagens e os efeitos.<\/p>\n<p>Mas hoje tamb\u00e9m em Portugal se justifica a pergunta &#8220;Como foi poss\u00edvel?&#8221;<\/p>\n<p>Sim. Que estranho conjunto de circunst\u00e2ncias conduziu o Pa\u00eds ao desastre que o atinge? Como explicar que o povo que foi sujeito da Revolu\u00e7\u00e3o de Abril tenha hoje como Primeiro-ministro, transcorridos 35 anos, uma criatura como Jos\u00e9 S\u00f3crates? Como podem os portugueses suportar passivamente h\u00e1 mais de cinco anos a humilha\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica autocr\u00e1tica, semeada de esc\u00e2ndalos, que ofende a raz\u00e3o e arru\u00edna e ridiculariza o Pais perante o Mundo?<\/p>\n<p>O descalabro \u00e9tico socr\u00e1tico justifica outra pergunta: como pode um Partido que se chama Socialista (embora seja neoliberal) ter desde o in\u00edcio apoiado maci\u00e7amente com servilismo, por vezes com entusiasmo, e continuar a apoiar, o desgoverno e despaut\u00e9rios do seu l\u00edder, o cidad\u00e3o Primeiro-ministro?<\/p>\n<p>Portugal caiu num p\u00e2ntano e n\u00e3o h\u00e1 resposta satisfat\u00f3ria para a perman\u00eancia no poder do homem que insiste em apresentar um panorama triunfalista da pol\u00edtica reaccion\u00e1ria respons\u00e1vel pela transforma\u00e7\u00e3o acelerada do pais numa sociedade parasita, super endividada, que consome muito mais do que produz.<\/p>\n<p>Pode muita gente concluir que exagero ao atribuir tanta responsabilidade pelo desastre a um indiv\u00edduo. Isso porque S\u00f3crates \u00e9, afinal, um instrumento do grande capital que o colocou \u00e0 frente do Executivo e do imperialismo que o tem apoiado. Mas n\u00e3o creio neste caso empolar o factor subjectivo.<\/p>\n<p>N\u00e3o conhe\u00e7o precedente na nossa Hist\u00f3ria para a cadeia de esc\u00e2ndalos mai\u00fasculos em que surge envolvido o actual Primeiro-ministro.<\/p>\n<p>Ela \u00e9 t\u00e3o alarmante que os primeiros, desde o mist\u00e9rio do seu diploma de engenheiro, obtido numa universidade fantasm\u00e1tica (j\u00e1 encerrada), aparecem j\u00e1 como coisa banal quando comparados com os mais recentes.<\/p>\n<p>O \u00faltimo \u00e9 nestes dias tema de manchetes na Comunica\u00e7\u00e3o Social e j\u00e1 dele se fala al\u00e9m fronteiras.<\/p>\n<p>\u00c9 afinal um esc\u00e2ndalo velho, que o Presidente do Supremo Tribunal e o Procurador-geral da Rep\u00fablica tentaram abafar, mas que retomou actualidade quando um seman\u00e1rio divulgou excertos de escutas do caso Face Oculta.<\/p>\n<p>Alguns despachos do procurador de Aveiro e do juiz de instru\u00e7\u00e3o criminal do Tribunal da mesma comarca com transcri\u00e7\u00f5es de conversas telef\u00f3nicas valem por uma demolidora pe\u00e7a acusat\u00f3ria reveladora da voca\u00e7\u00e3o liberticida do governo de S\u00f3crates para amorda\u00e7ar a Comunica\u00e7\u00e3o Social.<\/p>\n<p>Desta vez o Primeiro-ministro ficou exposto sem defesa. As vozes de gente sua articulando projectos de controlo de uma emissora de televis\u00e3o e de afastamento de jornalistas inc\u00f3modos est\u00e3o gravadas. N\u00e3o h\u00e1 desmentidos que possam apagar a conspira\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Um mar de lama escorre dessas conversas, envolvendo o Primeiro-ministro. A agressiva tentativa de defesa deste afunda-o mais no p\u00e2ntano. Impossibilitado de negar os factos, qualifica de &#8220;infame&#8221; a divulga\u00e7\u00e3o daquilo a que chama &#8220;conversas privadas&#8221;.<\/p>\n<p>Basta recordar que todas as grava\u00e7\u00f5es dos di\u00e1logos telef\u00f3nicos de S\u00f3crates com o banqueiro Vara, seu ex-ministro foram destru\u00eddas por decis\u00e3o (lament\u00e1vel) do Presidente do Supremo Tribunal de Justi\u00e7a, para se ter a certeza de que seriam muit\u00edssimo mais comprometoras para ele do que as &#8220;conversas privadas&#8221; que tanto o indignam agora, divulgadas ali\u00e1s dias depois de, num restaurante, ter defendido, em amena &#8220;conversa&#8221; com dois ministros seus, a necessidade de silenciar o jornalista M\u00e1rio Crespo da SIC Noticias.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 apenas por serem indesment\u00edveis os factos que este esc\u00e2ndalo difere dos anteriores que colocaram Jos\u00e9 S\u00f3crates no banco dos r\u00e9us do Tribunal da opini\u00e3o p\u00fablica. Desta vez a hip\u00f3tese da sua demiss\u00e3o \u00e9 levantada em editoriais de di\u00e1rios que o apoiaram nos primeiros anos e personalidades pol\u00edticas de m\u00faltiplos quadrantes afirmam sem rodeios que n\u00e3o tem mais condi\u00e7\u00f5es para exercer o cargo.<\/p>\n<p>O cidad\u00e3o Jos\u00e9 S\u00f3crates tem mentido repetidamente ao Pa\u00eds, com desfa\u00e7atez e arrog\u00e2ncia, exibindo n\u00e3o apenas a sua incompet\u00eancia e mediocridade, mas, o que \u00e9 mais grave, uma debilidade de car\u00e1cter incompat\u00edvel com a chefia do Executivo.<\/p>\n<p>Repito: como pode tal criatura permanecer como Primeiro-ministro?<\/p>\n<p>At\u00e9 quando, S\u00f3crates, teremos de te suportar?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: odiario.info\n\n\n\n\nPor: Miguel Urbano Rodrigues\nPerten\u00e7o a uma gera\u00e7\u00e3o que se tornou adulta durante a II Guerra Mundial. Acompanhei com espanto e angustia a evolu\u00e7\u00e3o lenta da trag\u00e9dia que durante quase seis anos desabou sobre a humanidade.\nDesde a capitula\u00e7\u00e3o de Munique, ainda adolescente, tive dificuldade em entender porque n\u00e3o travavam a Fran\u00e7a e a Inglaterra o III Reich alem\u00e3o. Pressentia que a corrida para o abismo n\u00e3o era uma inevitabilidade. Podia ser detida.\nEm Maio de 1945, quando o \u00faltimo tiro foi disparado e a bandeira sovi\u00e9tica i\u00e7ada sobre as ru\u00ednas do Reichstag, em Berlim, formulei como milh\u00f5es de jovens em todo o mundo a pergunta\n&#8220;Como foi poss\u00edvel?&#8221;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/281\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-281","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-4x","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/281","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=281"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/281\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=281"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=281"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=281"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}