{"id":28120,"date":"2021-12-03T23:35:00","date_gmt":"2021-12-04T02:35:00","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=28120"},"modified":"2021-12-03T23:35:00","modified_gmt":"2021-12-04T02:35:00","slug":"a-mulher-afega-nos-20-anos-de-ocupacao-da-otan","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/28120","title":{"rendered":"A mulher afeg\u00e3 nos 20 anos de ocupa\u00e7\u00e3o da OTAN"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogs.publico.es\/puntoyseguido\/files\/2021\/11\/000_9qu8hk-800x436.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Mulheres afeg\u00e3s no campo de refugiados de Saray Shamali em Kabul em 2 de novembro de 2021.<br \/>\nFoto: H\u00e9ctor RETAMAL\/AFP<\/p>\n<p>Nazan\u00edn Armanian<\/p>\n<p>ODIARIO.INFO<\/p>\n<p>Se hoje as mulheres afeg\u00e3s se veem reduzidas a uma condi\u00e7\u00e3o verdadeiramente sub-humana no que diz respeito a direitos e liberdades, os respons\u00e1veis n\u00e3o s\u00e3o apenas os fascistas talib\u00e3s. S\u00e3o quem durante d\u00e9cadas alimentou a rea\u00e7\u00e3o afeg\u00e3 (clero, capitalismo, senhores feudais, o setor mais subdesenvolvido do pa\u00eds; todos apoiados pelos EUA e Gr\u00e3-Bretanha, depois pela OTAN), quem alimentou mujahidines e talib\u00e3s, quem ocupou e destruiu o pa\u00eds em conluio com essas monstruosidades medievais, invertendo um n\u00e3o muito long\u00ednquo passado de progresso<\/p>\n<p>Cheiram-te o h\u00e1lito,<br \/>\nn\u00e3o seja que tenhas pronunciado \u201camo-te\u201d<br \/>\nH\u00e1 que esconder o amor na cave.<br \/>\n&#8211; Ahmad Shamlu<\/p>\n<p>Devido a que:<\/p>\n<p>&#8211; As Conven\u00e7\u00f5es de Genebra (1949) consideram que \u00e9 obriga\u00e7\u00e3o das pot\u00eancias ocupantes proporcionar \u00e0 popula\u00e7\u00e3o ocupada seguran\u00e7a, alimenta\u00e7\u00e3o, educa\u00e7\u00e3o e garantir os seus direitos e liberdades, e que de 2001 a 2021 o Afeganist\u00e3o esteve oficialmente sob a bota dos pa\u00edses da OTAN;<br \/>\n&#8211; Os governos de Hamid Karzai (2005-2014) e Ashraf Ghani (2014-2021), que administraram o principal narco-estado do planeta, foram instalados por Washington;<br \/>\n&#8211; As for\u00e7as da extrema-direita isl\u00e2mica (chamadas \u201cfundamentalistas\u201d pela imprensa para amenizar a sua periculosidade), desde os Mujahidines aos Talib\u00e3s, foram patrocinadas pela CIA desde 1980 at\u00e9 hoje, e<br \/>\n&#8211; Um dos principais pretextos da OTAN para agredir o Afeganist\u00e3o foi \u201clibertar as mulheres afeg\u00e3s da opress\u00e3o Talib\u00e3\u201d.<\/p>\n<p>Os Estados Unidos e os seus parceiros s\u00e3o os respons\u00e1veis diretos pela terr\u00edvel situa\u00e7\u00e3o que a popula\u00e7\u00e3o deste estrat\u00e9gico pa\u00eds est\u00e1 vivendo e em particular as suas meninas e mulheres h\u00e1 d\u00e9cadas. A trag\u00e9dia das mulheres afeg\u00e3s foi utilizada por outro dos bombeiros pir\u00f4manos da Casa Branca, George Bush, com o fim de recrutar a opini\u00e3o p\u00fablica para instalar as suas tropas no pa\u00eds localizado perto da China e da R\u00fassia; e o Congresso chegou a aprovar a \u201cLei de Ajuda \u00e0s Mulheres e Crian\u00e7as Afeg\u00e3s\u201d em 2001. Uma vez ocupado o pa\u00eds, colocou entre par\u00eanteses o tema da \u201cguerra humanit\u00e1ria\u201d criando outra narrativa: a guerra b\u00edblica do \u201cBem contra o Mal\u201d.<\/p>\n<p>A cronologia dos acontecimentos demonstra a que ponto chegam os farsantes reunidos nos \u201cThink-Tank\u201d \u2013 os que elaboraram a conspira\u00e7\u00e3o contra o Iraque e contra o Afeganist\u00e3o afirmando que \u201cBin Laden estava na caverna de Tora Bora\u201d -, acusando aqueles que os desmascaram de conspiran\u00f3icos.<\/p>\n<p>As afeg\u00e3s antes da Rep\u00fablica Democr\u00e1tica (1978)<\/p>\n<p>O terremoto pol\u00edtico e social originado na regi\u00e3o pela Revolu\u00e7\u00e3o Bolchevique de 1917 (compar\u00e1vel com o impacto da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa na Europa) e a viragem na situa\u00e7\u00e3o das mulheres russas, na maioria dos pa\u00edses do Oriente M\u00e9dio e da \u00c1sia Central e tamb\u00e9m do vizinho afeg\u00e3o, fez com que tivessem que reconhecer os direitos da mulher nas suas pol\u00edticas:<\/p>\n<p>&#8211; 1920: a rainha Soraya, de origem s\u00edria, esposa do monarca Amanullah Kahn, promove escolas modernas (n\u00e3o madrassas!) para meninas e meninos, apesar da dura oposi\u00e7\u00e3o do clero e dos senhores feudais.<\/p>\n<p>&#8211; 1921: \u00e9 abolido o casamento for\u00e7ado e infantil; a prostitui\u00e7\u00e3o nupcial \u00e9 tornada ilegal; \u00e9 restrita a poliginia, embora seja mantida, entre outras, a lei judaico-isl\u00e2mica de obrigar as meninas violadas a dormir com o seu agressor.<\/p>\n<p>&#8211; 1929: a monarquia \u00e9 derrubada pelas tribos afeg\u00e3s armadas pelos brit\u00e2nicos, por ser modernizadora.<\/p>\n<p>&#8211; 1950: durante o reinado de Zahir Shah e sua esposa Humaira, a Universidade de Cabul admite mulheres, embora em salas de aula separadas dos homens.<\/p>\n<p>&#8211; 1956: Kobra Nurzai \u00e9 nomeada Ministra da Sa\u00fade e atuou at\u00e9 1969.<\/p>\n<p>&#8211; 1957: a enfermeira Anahita Ratebzad organiza o \u201cmovimento contra o v\u00e9u\u201d e consegue eliminar a obriga\u00e7\u00e3o de usar len\u00e7o na cabe\u00e7a ao tratar de pacientes do sexo masculino.<\/p>\n<p>&#8211; 1964: a Constitui\u00e7\u00e3o reconhece a igualdade entre homem e mulher; concede o direito de voto \u00e0s mulheres. Nas elei\u00e7\u00f5es parlamentares, quatro mulheres s\u00e3o eleitas, entre elas a Sra. Ratebzad, pol\u00edtica marxista. Que as monarquias semilaicas daquela \u00e9poca na zona fossem mais avan\u00e7adas do que as chamadas \u201crep\u00fablicas\u201d isl\u00e2micas de hoje, todas totalit\u00e1rias e de recorte medieval, deve-se ao fato de que representavam o capitalismo face aos res\u00edduos do feudalismo obscurantista. Nesse mesmo ano, as feministas fundam a Organiza\u00e7\u00e3o Democr\u00e1tica da Mulher Afeg\u00e3. O \u201cfeminismo isl\u00e2mico\u201d ainda n\u00e3o havia sido inventado e ningu\u00e9m se atrevia a pintar o patriarcado religioso de cor de rosa.<\/p>\n<p>&#8211; 1968: centenas de mulheres manifestam-se contra a lei conservadora que pro\u00edbe as mulheres de estudar no estrangeiro.<\/p>\n<p>Entre 1973 e 1978, na Rep\u00fablica (sem mais!) do Afeganist\u00e3o, dirigida por Mohammed Daud Khan, 15% dos parlamentares ser\u00e3o mulheres, enquanto a cirurgi\u00e3 Sohaila Sadigh \u00e9 premiada como a primeira coronela (honor\u00e1ria) do pa\u00eds: durante o regime Talib\u00e3, ela continuou a operar vestida de homem.<\/p>\n<p>Sob a Rep\u00fablica Democr\u00e1tica<\/p>\n<p>&#8211; 1978: o estado socialista afeg\u00e3o, entre as medidas reformadoras (as leis laborais, distribui\u00e7\u00e3o de terras, etc.), pro\u00edbe tamb\u00e9m o casamento infantil e a norma que obriga as vi\u00favas a casar com os irm\u00e3os do defunto.<\/p>\n<p>&#8211; 1980: a doutora Ratebzad ser\u00e1 a embaixadora do pa\u00eds na Iugosl\u00e1via e um ano depois tornar-se-\u00e1 Ministra da Educa\u00e7\u00e3o. O presidente Najibul\u00e1 ser\u00e1 recordado pelos afeg\u00e3os pelo seu amor ao seu pa\u00eds e ao seu povo.<\/p>\n<p>&#8211; Declara sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o gratuitas pela primeira vez na hist\u00f3ria do pa\u00eds, revolucionando a vida das mulheres e meninas trabalhadoras. Leva \u00e1gua e eletricidade \u00e0s aldeias mais remotas.<\/p>\n<p>&#8211; Concede liberdade na indument\u00e1ria. A burka, (vem do termo Purda, \u201ccortina\u201d em persa antigo), uma vestimenta de origem judaica e adotada pelos islamistas mais mis\u00f3ginos, que era exclusiva da etnia pashtun, vai desaparecendo.<\/p>\n<p>&#8211; Cria dezenas de milhares de escolas para meninos e meninas; postos de trabalho para as mulheres, al\u00e9m de creches e licen\u00e7as maternidade de tr\u00eas meses remuneradas. Elas ser\u00e3o cerca de metade do pessoal docente e de sa\u00fade do pa\u00eds (o mesmo sucede no Ir\u00e3o ou no Iraque de ent\u00e3o).<\/p>\n<p>&#8211; Substitui os Tribunais Religiosos por tribunais civis: um grande al\u00edvio para as mulheres-esposas.<\/p>\n<p>&#8211; 1983: nomeia a feminista veterana Soraya Perlika como presidente do Crescente Vermelho Afeg\u00e3o. Estabele a idade nupcial em 16 anos para elas e 18 para eles.<\/p>\n<p>Mas a frente anti-progresso afeg\u00e3 (clero, capitalismo, senhores feudais, o setor mais subdesenvolvido do pa\u00eds, todos apoiados pelos Estados Unidos e pelo Reino Unido), numa brutal campanha, clama que \u201cos comunistas pretendem coletivizar as mulheres do pa\u00eds\u201d, preparando o assalto ao estado socialista.<\/p>\n<p>O regime dos jihadistas<\/p>\n<p>&#8211; 1992: com a tomada de Cabul pela Alian\u00e7a do Norte e outros grupos anticomunistas vinculados com a CIA, Ar\u00e1bia Saudita e Ir\u00e3, milh\u00f5es de homens e mulheres afeg\u00e3os tiveram que fugir das suas casas, pois os jihadistas contaminavam a \u00e1gua das escolas femininas, atacavam os neg\u00f3cios dirigidos pelas mulheres (cabeleireiros, escolas, etc.), destru\u00edam os dep\u00f3sitos de \u00e1gua, postes el\u00e9tricos, f\u00e1bricas e planta\u00e7\u00f5es, violavam e apedrejavam os insubmissos. No bairro de Afshar, em Cabul, em 13 de fevereiro de 1992, massacraram cerca de 700 residentes da etnia Hazara, violaram e mutilaram as mulheres e sodomizaram as crian\u00e7as antes de as matar. \u201cA hist\u00f3ria recordar-nos-\u00e1 por termos desmantelado a URSS e n\u00e3o por termos criado os Mujahidines e os seus crimes\u201d, disse o conselheiro de seguran\u00e7a de Jimmy Carter, Zbigniew Brzezinski, o padrinho desta organiza\u00e7\u00e3o criminosa.<\/p>\n<p>Os Talib\u00e3 substituem os Mujahidin<\/p>\n<p>Em 1996, o Pent\u00e1gono decide desfazer-se dos Mujahidines por meio dos Talib\u00e3s, \u201cadeptos de serem p\u00e1rocos isl\u00e2micos\u201d. Talvez estes fossem capazes de estabelecer uma nova ordem no pa\u00eds, agora que a URSS havia desaparecido.<\/p>\n<p>Este grupo fascista parecer-se-\u00e1 muito com os seus colegas europeus do s\u00e9culo passado, e n\u00e3o apenas no seu \u00f3dio tanto ao socialismo como \u00e0 democracia liberal, mas tamb\u00e9m por proibirem partidos pol\u00edticos, sindicatos, associa\u00e7\u00f5es patronais, liberdade de imprensa, etc. Embora tamb\u00e9m venha a ter tra\u00e7os pr\u00f3prios:<\/p>\n<p>&#8211; Com o mito viril do guerreiro, faz a apologia da mulher como esposa e m\u00e3e, s\u00edmbolo da pureza, fertilidade e felicidade (para o homem): as que se distanciam desse simbolismo ser\u00e3o apedrejadas em p\u00fablico, a\u00e7\u00e3o similar \u00e0 das fogueiras acesas pela Inquisi\u00e7\u00e3o Crist\u00e3 para queimar as \u201cbruxas\u201d.<\/p>\n<p>&#8211; A idade nupcial das \u201cmulheres\u201d \u00e9 reduzida para os 8 anos: dizia Mussolini que as mulheres solteiras n\u00e3o tinham lugar na \u201csua It\u00e1lia\u201d.<\/p>\n<p>&#8211; As mulheres ser\u00e3o despojadas de todos os direitos humanos: ficar\u00e3o em pris\u00e3o domiciliar e n\u00e3o poder\u00e3o sair de casa, nem para ir comprar p\u00e3o, nem levar os filhos ao m\u00e9dico, se n\u00e3o estiverem acompanhadas por um homem. A ignor\u00e2ncia ser\u00e1 sin\u00f4nimo de dec\u00eancia. N\u00e3o poder\u00e3o ser examinadas por m\u00e9dicos, mesmo que isso lhes custe a vida; no entanto, em certas circunst\u00e2ncias, poder\u00e3o \u201cexaminar\u201d o corpo do paciente atrav\u00e9s do espelho (conforme determina a Sharia). Assim, 16 em cada 100 mulheres perdiam a vida ao dar \u00e0 luz, e 17 em cada 100 beb\u00eas morriam antes do seu primeiro anivers\u00e1rio.<\/p>\n<p>&#8211; Negam a capacidade de lideran\u00e7a das mulheres, recorrendo ao Alcor\u00e3o: \u201cPor alguma raz\u00e3o Al\u00e1 enviou apenas profetas do sexo masculino e s\u00f3 a eles fez revela\u00e7\u00f5es\u201d (21: 7).<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o permitem o trabalho da mulher (lan\u00e7ando na pobreza as que s\u00e3o chefes de fam\u00edlia) nem mesmo que usem o saco-burca. Infligiam 75 chicotadas com cabo met\u00e1lico \u00e0quelas mulheres cujos corpos se viam quando o vento passava por baixo dessa horrenda vestimenta, express\u00e3o viva da frase \u201ca melhor mulher \u00e9 a muda (n\u00e3o discute), surda (n\u00e3o ouve o voz dos homens) e cega (n\u00e3o olha para outros homens)\u201d, uma boneca sexual nas m\u00e3os de um pervertido. E quando as deixaram sair, ordenaram uma separa\u00e7\u00e3o estrita entre os sexos (o seu colega do Ir\u00e3, Ahmadinejad, chegou at\u00e9 a propor separar os elevadores, inclusive os passeios).<\/p>\n<p>&#8211; Pro\u00edbem o lazer, a televis\u00e3o, a m\u00fasica, o cinema, fazer voar papagaios de papel (o entretenimento das crian\u00e7as afeg\u00e3s pobres), rir, dan\u00e7ar, cantar, conversar com homens n\u00e3o aparentados, apaixonar-se, usar maquiagem e verniz de unhas, saltos altos, perfumes, andar de bicicleta, guiar autom\u00f3veis, ser fotografada ou ir ao hammam (banhos p\u00fablicos, causando-lhes s\u00e9rios problemas de sa\u00fade), porque s\u00e3o \u201cimporta\u00e7\u00f5es do Ocidente\u201d.<\/p>\n<p>&#8211; Converteram as mesquitas em centros de controle dos cidad\u00e3os: quem n\u00e3o comparecia era acusado de ap\u00f3stata, espancado e at\u00e9 executado. Os advers\u00e1rios foram acusados de \u201cespi\u00f5es dos estrangeiros\u201d.<\/p>\n<p>&#8211; Estabeleceram que a indeniza\u00e7\u00e3o por magoar mulheres \u00e9 metade da dos homens: ela \u00e9 metade humana, ela \u00e9 Untermensch, diziam os nazistas, sub-humana. Aplicaram a lei da lapida\u00e7\u00e3o, a de Tali\u00e3o, e lan\u00e7aram seres humanos de edif\u00edcios altos por amarem a pessoa errada. A fome, o tr\u00e1fico sexual, os maus-tratos e os feminic\u00eddios dispararam.<\/p>\n<p>&#8211; O grau de barb\u00e1rie Talib\u00e3 era tal que as fam\u00edlias ricas enviaram as suas filhas \u00e0s \u201crep\u00fablicas isl\u00e2micas\u201d do Ir\u00e3 (de cujos Talib\u00e3s tinham fugido cerca de 5 milh\u00f5es de iranianos) ou do Paquist\u00e3o para as proteger.<\/p>\n<p>A coabita\u00e7\u00e3o OTAN-Talib\u00e3<\/p>\n<p>Em outubro de 2001, e sob o pretexto de castigar os seus antigos aliados da Al-Qaeda-Talib\u00e3 pelos atentados de 11 de Setembro, os Estados Unidos e seus aliados aplicam puni\u00e7\u00e3o coletiva \u00e0 na\u00e7\u00e3o afeg\u00e3, lan\u00e7ando 20.000 bombas sobre o seu povo, causando dezenas de milhares de mortos, feridos e mutilados, e a fuga de milh\u00f5es de almas das suas casas naquele duro inverno. As 500 toneladas de ur\u00e2nio empobrecido despejadas s\u00e3o vistas em crian\u00e7as que nasceram com graves deforma\u00e7\u00f5es, conforme denunciou o coronel m\u00e9dico norte-americano Asaf Durakovic, antes de ser expulso do ex\u00e9rcito.<\/p>\n<p>Depois, enviaram uns 300.000 soldados dos setores sociais exclu\u00eddos para matarem outros pobres por uns trocados. Levaram a viol\u00eancia a outro n\u00edvel: sequestrar, violar, prostituir um n\u00famero imposs\u00edvel de determinar de meninas e mulheres afeg\u00e3s.<\/p>\n<p>Aten\u00e7\u00e3o ao dado: em 2012, o Pent\u00e1gono revela que pelo menos 26.000 mulheres e homens norte-americanos foram v\u00edtimas de viol\u00eancia sexual em bases dos EUA. S\u00f3 no Iraque e s\u00f3 em 2004, umas 40 mulheres soldados denunciaram ter sido violadas e, em 2016, eram mais de 5.000. Imaginem o que eles fizeram \u00e0s mulheres afeg\u00e3s \u201cn\u00e3o compatriotas, n\u00e3o armadas\u201d! O caso da neurocirurgi\u00e3 paquistanesa Dra. Aafia Siddiqui (1972) e seus tr\u00eas filhos pequenos no Afeganist\u00e3o, sequestrada pela CIA em 2003 e submetida a brutais torturas e viola\u00e7\u00f5es, foi apenas a ponta do iceberg. As atrocidades e os crimes de guerra da OTAN no Afeganist\u00e3o foram, obviamente, ignorados pelo Tribunal Penal Internacional.<\/p>\n<p>As mudan\u00e7as cosm\u00e9ticas feitas em algumas cidades grandes, como inaugura\u00e7\u00e3o de cabeleireiros femininos, s\u00e3o como os McDonald\u2019s que os EUA abriram nos pa\u00edses do ex-Pacto de Vars\u00f3via: \u201cum sinal da sua liberta\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Entre 2010-2011, 66% das meninas afeg\u00e3s com idades entre 12 e 15 estavam fora da escola e, em 2015, segundo a UNICEF, 7,3 milh\u00f5es de crian\u00e7as (das quais 60% eram meninas) abandonaram a escola devido \u00e0 pobreza; muitas dessas meninas empregadas nas planta\u00e7\u00f5es de \u00f3pio exploradas pelos cart\u00e9is internacionais da droga, dando origem ao fen\u00f4meno das \u201cNoivas da droga\u201d, enquanto disparava o consumo de \u00f3pio entre as mulheres mais pobres.<\/p>\n<p>Em 2009, uma lei obriga a esposa a satisfazer os desejos sexuais do seu marido; isto \u00e9, viola\u00e7\u00e3o marital. E aprovam outra que permite que mulheres sejam presas por \u201ccomportamento indecoroso\u201d. Agora imaginem uma pris\u00e3o feminina!<\/p>\n<p>Em 2012, a Comiss\u00e3o de Direitos Humanos do Afeganist\u00e3o registrou 5.575 casos de viol\u00eancia f\u00edsica contra mulheres (queim\u00e1-la viva, espanc\u00e1-la at\u00e9 a morte, mutil\u00e1-la etc.). Centenas de mulheres foram leiloadas em pra\u00e7as p\u00fablicas.<\/p>\n<p>E o balan\u00e7o em 2021:<br \/>\n&#8211; Todos os anos, pelo menos 2.300 mulheres e meninas se imolam, no mais absoluto desespero.<br \/>\n&#8211; Apenas 37% das mulheres jovens sabem ler e escrever, a percentagem reduz-se nas mulheres adultas: 19%.<br \/>\n&#8211; Segundo Global Rights, 9 em cada 10 mulheres afeg\u00e3s sofreram viol\u00eancia sexual e f\u00edsica ou foram for\u00e7adas a contrair matrim\u00f4nio.<br \/>\n&#8211; 67% da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem acesso a \u00e1gua pot\u00e1vel.<br \/>\n&#8211; A esperan\u00e7a de vida das mulheres n\u00e3o chega aos 50 anos.<\/p>\n<p>Como se de um laborat\u00f3rio de controle social se tratasse, s\u00e3o patrulhadas por policiais do \u201cv\u00edcio e da virtude\u201d (tamb\u00e9m utilizadas pelas teocracias da Ar\u00e1bia Saudita e do Ir\u00e3) que vigiam n\u00e3o s\u00f3 os contatos entre os seres humanos, mas tamb\u00e9m o grau da sua obedi\u00eancia \u00e0s normas mais absurdas sobre as cores das roupas ou o corte do cabelo e da barba dos meninos: os infratores receber\u00e3o os 75 a\u00e7oites que Deus manda.<\/p>\n<p>Nestes anos, a OTAN cogoverna com os Talib\u00e3s: \u201cOs Talib\u00e3 n\u00e3o s\u00e3o nossos inimigos\u201d, disse Biden durante o mandato de Obama. Os EUA permitiram que o grupo se reorganizasse at\u00e9 expandir seu poder por grande parte do pa\u00eds, onde, gra\u00e7as a Washington, continuou a aplicar as suas normas: chegaram a construir milhares de madrassas e cerca de 100.000 mesquitas.<\/p>\n<p>Talib\u00e3 II<\/p>\n<p>E quando os EUA decidem entregar o poder em Kabul aos Talib\u00e3s com o objetivo de afundar a China, o grupo isl\u00e2mico de extrema-direita, em busca de apoio mundial, \u00e9 for\u00e7ado a fazer \u201cdiscursos de domesticidade\u201d (como quando Khomeini na sua entrevista com Oriana Fallaci em Paris prometeu n\u00e3o impor o v\u00e9u e legalizar at\u00e9 mesmo o partido comunista), enquanto decapitava a policial gr\u00e1vida de 8 meses Negar Masum\u00ed e o jogador de basquete Mahjabin Hakimi, como ponta do iceberg das atrocidades que nunca deixaram de cometer.<\/p>\n<p>Para os Talib\u00e3s, os \u201cmu\u00e7ulmanos\u201d n\u00e3o necessitam de habita\u00e7\u00e3o, emprego, universidades, \u00e1gua pot\u00e1vel etc., mas de mais centros religiosos para salvar as suas almas, contaminadas pela modernidade. Desde 15 de agosto, milhares de fam\u00edlias de etnias n\u00e3o pashtun foram expulsas dos seus lares, e as suas terras e casas foram ocupadas por esses bandidos; centenas de mulheres, muitas gr\u00e1vidas ou com beb\u00eas, tiveram que se refugiar nas montanhas apenas com a roupa que tinham vestida.<\/p>\n<p>Hoje, o principal problema da mulher afeg\u00e3 n\u00e3o \u00e9 poder estudar como afirmam a imprensa ocidental e as afeg\u00e3s das classes altas, mas alimentar a sua fam\u00edlia e ter seguran\u00e7a: o desespero \u00e9 tal que est\u00e3o vendendo as suas filhas pequenas para poder dar de comer a outros membros da fam\u00edlia.<\/p>\n<p>N\u00e3o, nem \u00e9 poss\u00edvel reformar uma ideologia fascista, nem os seus adeptos poder\u00e3o moderar sua aplica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Satan\u00e1s, \u00e9brio com a vit\u00f3ria,<br \/>\nfaz banquete do nosso funeral<br \/>\nH\u00e1 que esconder a Luz e Deus na cave.<\/p>\n<p>Fonte: https:\/\/blogs.publico.es\/puntoyseguido\/7429\/la-mujer-afgana-durante-los-20-anos-de-la-ocupacion-de-la-otan\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/28120\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[374],"tags":[228],"class_list":["post-28120","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-afeganistao","tag-5b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-7jy","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28120","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28120"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28120\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28120"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28120"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28120"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}