{"id":28123,"date":"2021-12-04T23:48:01","date_gmt":"2021-12-05T02:48:01","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=28123"},"modified":"2021-12-04T23:48:01","modified_gmt":"2021-12-05T02:48:01","slug":"racismo-estrutural-pandemia-e-mundo-do-trabalho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/28123","title":{"rendered":"Racismo estrutural, pandemia e mundo do trabalho"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/unidadeclassista.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/UC-contra-o-racismo.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->RACISMO ESTRUTURAL, PANDEMIA E A DIN\u00c2MICA DE EXCLUS\u00c3O DO POVO NEGRO NO MUNDO DO TRABALHO<\/p>\n<p>No dia 19\/11, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) divulgou, no M\u00eas da Consci\u00eancia Negra, os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios Cont\u00ednua (Pnad Cont\u00ednua). Foram apresentados o atual cen\u00e1rio e as condi\u00e7\u00f5es em que a classe trabalhadora brasileira vem enfrentando a pandemia, revelando que a popula\u00e7\u00e3o negra continua sendo exclu\u00edda, submetida ao subemprego, desemprego ou \u00e0 informalidade. Revelando que o Racismo Estrutural faz parte dessa din\u00e2mica que atinge a classe trabalhadora brasileira, que \u00e9 majoritariamente negra.<\/p>\n<p>Entre o 1\u00ba e o 2\u00ba trimestre de 2020, segundo a pesquisa do IBGE, 8,9 milh\u00f5es de homens e mulheres sa\u00edram da for\u00e7a de trabalho \u2013 perderam empregos ou ca\u00edram no desalento (deixaram de procurar emprego por acreditarem n\u00e3o ser poss\u00edvel conseguir vaga no mercado de trabalho). Desse total, 6,4 milh\u00f5es eram negros e 2,5 milh\u00f5es, trabalhadores n\u00e3o negros.<\/p>\n<p>Quando \u00e9 realizada uma an\u00e1lise comparativa do volume da for\u00e7a de trabalho do 2\u00ba trimestre de 2021 com o mesmo per\u00edodo de 2020, fica demonstrado que a for\u00e7a de trabalho negra cresceu 3,8 milh\u00f5es (1,79 milh\u00f5es de homens e 1,97 milh\u00f5es de mulheres). J\u00e1 entre a popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o negra o aumento foi de 2,3 milh\u00f5es (963 mil homens e 1,38 milh\u00f5es de mulheres).<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica dos \u00faltimos anos, a taxa de desemprego para a popula\u00e7\u00e3o negra sempre foi maior. No segundo trimestre de 2021, a cada 100 mulheres negras, 20 procuravam trabalho (representa 9,8%), uma propor\u00e7\u00e3o maior do que a de n\u00e3o negras, que era de 13 para cada 100.<\/p>\n<p>Os dados apresentados na pesquisa do IBGE destacaram que as mulheres negras tiveram um aumento de oferta de trabalho dom\u00e9stico sem carteira assinada 16,8%, enquanto o trabalho por conta pr\u00f3pria cresceu 15,8%. Para o homem negro, houve eleva\u00e7\u00e3o do assalariamento sem carteira no setor privado (23,4%) e do trabalho por conta pr\u00f3pria (13,5%).<\/p>\n<p>A inser\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o negra no mercado de trabalho sempre foi marcada por dificuldades muito maiores que para os n\u00e3o negros. Por\u00e9m, a pandemia do Coronav\u00edrus acentuou as diferen\u00e7as. As maiores v\u00edtimas da alta do desemprego, da redu\u00e7\u00e3o de rendimentos, do trabalho precarizado e da destrui\u00e7\u00e3o de direitos b\u00e1sicos fazem parte da popula\u00e7\u00e3o negra.<\/p>\n<p>Esses fatores foram determinantes para fragilizar parte significativa da classe trabalhadora negra que vive nas periferias dos grandes centros. O reflexo diante do cen\u00e1rio da pandemia \u00e9 que uma parcela maior da popula\u00e7\u00e3o negra perdeu o emprego e voltou para casa e diante da neglig\u00eancia do governo genocida. E essa popula\u00e7\u00e3o, mesmo antes da vacina\u00e7\u00e3o, foi obrigada pela necessidade a buscar alternativas de sobreviv\u00eancia, voltando a se expor ao perigo do v\u00edrus.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a descoberta da vacina e o avan\u00e7o na imuniza\u00e7\u00e3o no final de 2020, os n\u00edveis de ocupa\u00e7\u00e3o de negros e n\u00e3o negros come\u00e7aram a crescer. Por\u00e9m, cabe observar que quase 40% dos negros e negras que antes estavam na for\u00e7a de trabalho ainda n\u00e3o voltaram ao trabalho em 2021. Situa\u00e7\u00e3o que exp\u00f5e o Racismo Estrutural dentro de uma l\u00f3gica perversa, pois, segundo dados do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, os negros e negras t\u00eam 40% mais chances de morrer de covid-19 do que os n\u00e3o negros.<\/p>\n<p>Os dados do 2\u00ba trimestre de 2021 confirmam uma triste realidade brasileira, a de que o conjunto de contrarreformas gerou mais trabalho informal, com menores rendimentos e sem direitos garantidos em lei. A economia n\u00e3o cresceu por incompet\u00eancia pol\u00edtica do governo, mas porque ele aplica um projeto pol\u00edtico de terra arrasada, que busca garantir o m\u00e1ximo de lucro para o grande capital, massacrando o povo seja pela fome, carestia da cesta b\u00e1sica e dos combust\u00edveis, seja mantendo o processo de dificultar a vacina\u00e7\u00e3o nas periferias e comunidades mais distantes.<\/p>\n<p>Quando falamos de classe trabalhadora no Brasil tamb\u00e9m informamos que essa classe tem ra\u00e7a. A popula\u00e7\u00e3o negra comp\u00f5e 55%, e essa mesma popula\u00e7\u00e3o \u00e9 o alvo maior do \u00f3dio da classe dominante, que utiliza de diversos subterf\u00fagios para seguir em seus lugares de privil\u00e9gio e manuten\u00e7\u00e3o de poder. Por isso a Unidade Classista destaca que, para acabar com o racismo e suas diversas manifesta\u00e7\u00f5es (estrutural, ambiental, racial, econ\u00f4mico e Institucional), precisamos destruir o capitalismo.<\/p>\n<p>Secretaria de Luta Antirracista<\/p>\n<p>UNIDADE CLASSISTA!<\/p>\n<p>FUTURO SOCIALISTA!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/28123\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[31],"tags":[219],"class_list":["post-28123","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c31-unidade-classista","tag-manchete"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-7jB","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28123","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28123"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28123\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28123"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28123"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28123"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}