{"id":28127,"date":"2022-01-12T00:52:18","date_gmt":"2022-01-12T03:52:18","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=28127"},"modified":"2022-01-22T16:31:19","modified_gmt":"2022-01-22T19:31:19","slug":"declaracao-politica-do-xvi-congresso-do-pcb","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/28127","title":{"rendered":"Declara\u00e7\u00e3o Pol\u00edtica do XVI Congresso do PCB"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/lh3.googleusercontent.com\/pw\/AM-JKLXJfMWZer6WAOW9NLKenT4D0LzZJt5KJHuIoti-PeRU0AkZLQrLamCYk5vQCRHye3sLn-6qTWS0wapBProlqc9772Ny6WBB6NOnKBVyAsIX8INAg8CUUDWKifZ-jJI4zStdZrkwlJOIM88arWbOGESM=w859-h573-no\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Pelo Poder Popular, rumo ao Socialismo!<\/p>\n<p>O Partido Comunista Brasileiro realizou, em novembro de 2021, seu XVI Congresso, num contexto de crise profunda do sistema capitalista, que atinge a todos os pa\u00edses e setores sociais, de crise pol\u00edtica e econ\u00f4mica no Brasil, com oposi\u00e7\u00e3o e insatisfa\u00e7\u00f5es crescentes por parte da maioria da popula\u00e7\u00e3o brasileira ao Governo Bolsonaro, em virtude do agravamento da carestia, da fome, do desemprego e da recess\u00e3o na economia. Esse quadro se acirrou ainda mais com a crise sanit\u00e1ria global da pandemia da Covid-19.<\/p>\n<p>Nesse contexto, o grande capital, para manter seus ganhos, atua em meio aos Estados nacionais para seguir retirando direitos da classe trabalhadora, privatizando empresas p\u00fablicas, demitindo e reduzindo sal\u00e1rios, fragilizando as rela\u00e7\u00f5es de trabalho, restringindo liberdades democr\u00e1ticas, lucrando com a degrada\u00e7\u00e3o ambiental. Como resultado, temos o brutal aumento de concentra\u00e7\u00e3o da riqueza, guerras contra os povos que n\u00e3o aceitam as imposi\u00e7\u00f5es do imperialismo, o desemprego de milh\u00f5es de trabalhadores e trabalhadoras, a amplia\u00e7\u00e3o da barb\u00e1rie e da mis\u00e9ria.<\/p>\n<p>Milh\u00f5es de pessoas morreram com a pandemia, sobretudo nos pa\u00edses perif\u00e9ricos e nas camadas mais exploradas da classe trabalhadora nos pa\u00edses centrais, principalmente por conta das condi\u00e7\u00f5es materiais de vida. H\u00e1 enormes contingentes de deslocados de seus pa\u00edses em consequ\u00eancia das guerras de rapina, do aumento da explora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e das trabalhadoras e de cada vez mais prec\u00e1rias condi\u00e7\u00f5es de vida da popula\u00e7\u00e3o. Essa crise desvenda de maneira objetiva a contradi\u00e7\u00e3o entre o capitalismo e os interesses da imensa maioria da humanidade, bem como os pr\u00f3prios limites e contradi\u00e7\u00f5es desse sistema.<\/p>\n<p>O Capitalismo hoje<\/p>\n<p>O modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista, como forma de organizar a produ\u00e7\u00e3o e a distribui\u00e7\u00e3o da riqueza, est\u00e1 em processo acelerado de esgotamento. A continuidade desse sistema representa uma grave amea\u00e7a \u00e0 pr\u00f3pria exist\u00eancia da humanidade e \u00e0 vida em todo o planeta.<\/p>\n<p>O s\u00e9culo XXI marca definitivamente o per\u00edodo em que a crise sist\u00eamica do capitalismo tem se tornado mais intensa e profunda, atingindo todos os setores da vida social, processo que se intensificou com a crise sanit\u00e1ria global. Como em outros momentos da hist\u00f3ria, o grande capital e seus representantes na institucionalidade buscam uma sa\u00edda para essa grave crise atacando povos, destruindo os direitos e garantias dos trabalhadores e das trabalhadoras, rebaixando os sal\u00e1rios, realizando demiss\u00f5es em massa, devastando o meio ambiente, atacando as liberdades democr\u00e1ticas e avan\u00e7ando contra o fundo p\u00fablico, com o objetivo de recuperar as taxas de lucro colocando todo o \u00f4nus da crise que eles pr\u00f3prios criaram na conta dos trabalhadores, da juventude e a popula\u00e7\u00e3o pobre em geral.<\/p>\n<p>Est\u00e1 cada vez mais evidente que as transforma\u00e7\u00f5es sociais necess\u00e1rias para a supera\u00e7\u00e3o desse quadro n\u00e3o podem ser realizadas nos limites do sistema capitalista, e a \u00fanica forma de abrir caminho para uma nova etapa na hist\u00f3ria da humanidade \u00e9 superar o capitalismo e construir a sociedade socialista.<\/p>\n<p>Mesmo abalado pela crise, o imperialismo, que \u00e9 a express\u00e3o org\u00e2nica e pol\u00edtica do grande capital, procura de todas as formas sair da crise e manter essa velha ordem apodrecida e desumana. Os governos capitalistas intensificam e radicalizam as pol\u00edticas neoliberais e colocam trilh\u00f5es de d\u00f3lares para privilegiar os setores rentistas, salvar bancos e empresas privadas, ampliam o saque aos recursos p\u00fablicos, intensificam a sabotagem, as san\u00e7\u00f5es internacionais e a promo\u00e7\u00e3o de guerras como forma de fortalecer o complexo industrial militar e reduzir a crise de hegemonia imperialista.<\/p>\n<p>Na Am\u00e9rica Latina, os Estados Unidos e seus aliados intensificam o bloqueio criminoso contra Cuba e as san\u00e7\u00f5es contra a Venezuela e criam bases militares em v\u00e1rios pa\u00edses. Os EUA reativaram a IV Frota para chantagear as na\u00e7\u00f5es e ter o poder de interven\u00e7\u00e3o r\u00e1pida na regi\u00e3o, promovem golpes contra governos para garantir a defesa dos seus interesses e controlar as riquezas naturais, como a biodiversidade da Amaz\u00f4nia e o pr\u00e9-sal.<\/p>\n<p>Para os comunistas se torna cada vez mais expl\u00edcito que esse sistema n\u00e3o cair\u00e1 de podre, nem ser\u00e1 modificado estruturalmente atrav\u00e9s de reformas graduais para torn\u00e1-lo mais humano. Pelo contr\u00e1rio, quanto mais se aprofunda a crise mais o sistema resiste da forma mais agressiva poss\u00edvel, sem quaisquer escr\u00fapulos, para defender seus interesses. A grande burguesia j\u00e1 apoiou o nazifascismo de Hitler e Mussolini, militares genocidas nas ditaduras latino-americanas e hoje se alia a bandos fascistas em v\u00e1rios pa\u00edses.<\/p>\n<p>\u00c9 tarefa dos comunistas derrotar, atrav\u00e9s da luta organizada do proletariado e seus aliados, esse sistema explorador do ser humano, predador da natureza e fomentador da barb\u00e1rie e da mis\u00e9ria no planeta.<\/p>\n<p>As condi\u00e7\u00f5es em que se d\u00e1 a luta pelo Socialismo no Brasil<\/p>\n<p>O desenvolvimento do sistema capitalista como um todo e, em particular, no caso brasileiro, elimina a possibilidade hist\u00f3rica de qualquer alian\u00e7a entre uma suposta \u201cburguesia nacional\u201d e a classe trabalhadora, para a realiza\u00e7\u00e3o de uma revolu\u00e7\u00e3o \u201cnacional-libertadora\u201d, ou seja, o enfrentamento, num primeiro momento, do capital estrangeiro presente no pa\u00eds para, numa etapa posterior, realizar-se a revolu\u00e7\u00e3o socialista. A burguesia brasileira, s\u00f3cia subalterna do grande capital internacional, n\u00e3o tem interesse em alterar o atual padr\u00e3o de desenvolvimento do Brasil, excludente e concentrador de renda. O proletariado \u00e9 o inimigo principal da burguesia brasileira e contra o proletariado a burguesia realiza uma luta permanente.<\/p>\n<p>Mudan\u00e7as estruturais s\u00f3 ocorrer\u00e3o se dirigidas pelas for\u00e7as socialistas, anticapitalistas e anti-imperialistas. N\u00e3o h\u00e1 qualquer possibilidade de alian\u00e7as com a burguesia brasileira, que est\u00e1 integrada ao grande capital internacional e, portanto, umbilicalmente ligada aos interesses do imperialismo. A revolu\u00e7\u00e3o brasileira \u00e9, portanto, de car\u00e1ter socialista, e este \u00e9 o objetivo central da a\u00e7\u00e3o do PCB. A revolu\u00e7\u00e3o socialista, uma vez vitoriosa no Brasil, ser\u00e1 de fundamental import\u00e2ncia para o processo revolucion\u00e1rio em muitos outros pa\u00edses.<\/p>\n<p>A estrutura da economia brasileira inclui uma infraestrutura robusta, com estradas, portos, aeroportos, telecomunica\u00e7\u00f5es e outros segmentos de grande porte. Mesmo estando hoje em processo de desindustrializa\u00e7\u00e3o, o Brasil disp\u00f5e de um parque industrial desenvolvido de grande dimens\u00e3o, que cobre praticamente todos os setores da produ\u00e7\u00e3o, uma agricultura mecanizada, com grande volume de produ\u00e7\u00e3o e trabalho assalariado, voltada para a exporta\u00e7\u00e3o e integrada ao mercado mundial, num modelo extremamente lesivo ao meio ambiente, invasor de terras ind\u00edgenas e quilombolas e de povos tradicionais, que gera desmatamento, deslocamentos for\u00e7ados de popula\u00e7\u00f5es, destrui\u00e7\u00e3o de biomas inteiros e esgotamento de recursos h\u00eddricos. Outras formas de organiza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o no campo, como os milhares de pequenos propriet\u00e1rios, que t\u00eam papel fundamental para a seguran\u00e7a e a soberania alimentar dos brasileiros, est\u00e3o tamb\u00e9m subordinados \u00e0 l\u00f3gica do capital e ao mercado capitalista, vivendo em condi\u00e7\u00f5es de estrangulamento e car\u00eancia de pol\u00edticas de apoio. O Brasil disp\u00f5e, tamb\u00e9m, de um amplo e forte setor de servi\u00e7os, incluindo-se os servi\u00e7os financeiros e banc\u00e1rios e de um sistema de comunica\u00e7\u00f5es integrado nacionalmente.<\/p>\n<p>Esse conjunto de elementos permite o entendimento de que, mesmo com imensas dificuldades a serem superadas, como boicotes externos e enfrentamentos de classe no plano interno, sob uma estrutura de poder socialista, ser\u00e1 poss\u00edvel, com a reorienta\u00e7\u00e3o do sistema produtivo para o atendimento \u00e0s necessidades da grande maioria da popula\u00e7\u00e3o, suprir, para todos os brasileiros e brasileiras, os bens e os servi\u00e7os necess\u00e1rios ao bem-estar, com infraestrutura geral, moradia, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e outras demandas essenciais. Muitas plantas produtivas hoje inativas poder\u00e3o ser reativadas, gerando muitos empregos. Nesse contexto, o desenvolvimento cient\u00edfico ser\u00e1 enfatizado, e o esfor\u00e7o tecnol\u00f3gico dever\u00e1 ser voltado, prioritariamente, para o atendimento \u00e0s necessidades de trabalhadores e trabalhadoras, com a expans\u00e3o das universidades e institutos de pesquisa.<\/p>\n<p>O padr\u00e3o vigente do desenvolvimento capitalista brasileiro \u2013 como no caso geral do padr\u00e3o capitalista \u2013 vem gerando condi\u00e7\u00f5es de mais desigualdade, desemprego estrutural, fome e desespero, que, aliados \u00e0 falta de perspectivas para a maioria, comp\u00f5em, igualmente, o conjunto de condi\u00e7\u00f5es objetivas que viabilizam o processo revolucion\u00e1rio socialista. No entanto, as condi\u00e7\u00f5es subjetivas para a revolu\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o est\u00e3o presentes na dimens\u00e3o necess\u00e1ria para a deflagra\u00e7\u00e3o do processo revolucion\u00e1rio no Brasil.<\/p>\n<p>A economia brasileira \u00e9 dominada pelos oligop\u00f3lios e grandes grupos econ\u00f4micos, e os 100 maiores grupos econ\u00f4micos t\u00eam um volume de vendas anual correspondente a 56% do PIB, o que demonstra o alto grau de concentra\u00e7\u00e3o e centraliza\u00e7\u00e3o do capital no pa\u00eds. O capital estrangeiro hegemoniza os ramos mais din\u00e2micos da economia, como automobil\u00edstico, eletroeletr\u00f4nica, qu\u00edmico e farmac\u00eautico. Na maioria dos setores econ\u00f4micos, \u00e9 o grande capital internacional que prov\u00ea as tecnologias e responde pelos fluxos financeiros e comerciais.<\/p>\n<p>As classes fundamentais do pa\u00eds, tanto a burguesia quanto o proletariado, est\u00e3o perfeitamente definidas. A burguesia industrial concentra suas atividades na regi\u00e3o Sudeste, mas tem parcelas importantes no Sul do pa\u00eds e alguns estados do Nordeste. A burguesia financeira \u00e9 o setor em que os grupos de capital nacional s\u00e3o majorit\u00e1rios, e os 10 maiores bancos s\u00e3o respons\u00e1veis pela din\u00e2mica financeira no pa\u00eds. A burguesia comercial e de servi\u00e7os est\u00e1 hegemonizada pelas grandes cadeias de supermercado, lojas de departamento e centros de log\u00edstica, muito embora existam dezenas de milhares de pequenos neg\u00f3cios espalhados por todo o Brasil. A burguesia agr\u00e1ria \u00e9 hegemonizada pelo agroneg\u00f3cio e existem ainda fra\u00e7\u00f5es burguesas nas \u00e1reas da sa\u00fade e da educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O proletariado brasileiro \u00e9 gigantesco, o segundo maior do continente. Os trabalhadores e as trabalhadoras ligados\/as diretamente \u00e0 produ\u00e7\u00e3o correspondem a 36,89 milh\u00f5es de trabalhadores ocupados, sendo que grande parte desse contingente \u00e9 jovem, entre 16 e 35 anos. Trabalhadores\/as da \u00e1rea comercial e de servi\u00e7os somam 53,8 milh\u00f5es, os\/as quais, em sua grande maioria, est\u00e3o concentrados na regi\u00e3o Sudeste e especialmente nas regi\u00f5es metropolitanas, o que significa dizer que \u00e9 exatamente nas grandes cidades onde pulsa mais intensamente a luta de classes em nosso pa\u00eds. Entre os\/as trabalhadores\/as ocupados\/as, cerca de 38 milh\u00f5es atuam em atividades informais, sem direitos e garantias trabalhistas.<\/p>\n<p>O Estado brasileiro sempre se caracterizou por uma constru\u00e7\u00e3o pol\u00edtica pelo alto, mediante a a\u00e7\u00e3o de grupos dominantes no interior do poder. Temos uma classe dominante integrada ao imperialismo, que sempre procurou afastar a classe trabalhadora e a popula\u00e7\u00e3o em geral das decis\u00f5es econ\u00f4micas e pol\u00edticas e que assume, no essencial, um perfil truculento e reacion\u00e1rio. As institui\u00e7\u00f5es do Estado burgu\u00eas brasileiro \u2013 Executivo, Legislativo e Judici\u00e1rio \u2013 seguem em funcionamento, sem rupturas, desde a queda da ditadura empresarial-militar, com muitas limita\u00e7\u00f5es e fragilidades, de acordo com a l\u00f3gica e os interesses centrais da burguesia, estando hoje mais legitimadas no corpo da sociedade. No entanto, as liberdades democr\u00e1ticas existentes, conquistadas com muita luta, v\u00eam sendo mais restringidas e sofrem frequentes e intensos ataques.<\/p>\n<p>A Revolu\u00e7\u00e3o brasileira<\/p>\n<p>O capitalismo brasileiro, por seu peso econ\u00f4mico e pol\u00edtico, se constitui como parte integrante do sistema de domina\u00e7\u00e3o do imperialismo. O Brasil, pa\u00eds com elevado \u00edndice de industrializa\u00e7\u00e3o, concentra\u00e7\u00e3o e centraliza\u00e7\u00e3o do capital, apresenta uma estrutura definida entre burguesia e proletariado, onde as rela\u00e7\u00f5es de assalariamento s\u00e3o hegem\u00f4nicas, tanto nas cidades quanto no campo, com concentra\u00e7\u00e3o das duas classes fundamentais em polos antag\u00f4nicos nas regi\u00f5es metropolitanas e grandes cidades, al\u00e9m de elevado \u00edndice de urbaniza\u00e7\u00e3o \u2013 80% da popula\u00e7\u00e3o vive nas cidades.<\/p>\n<p>A defini\u00e7\u00e3o do car\u00e1ter socialista da revolu\u00e7\u00e3o brasileira significa que subordinamos as t\u00e1ticas que utilizamos \u00e0 nossa estrat\u00e9gia, de forma a evitar as ilus\u00f5es reformistas ou a aceita\u00e7\u00e3o ilus\u00f3ria da possibilidade de humaniza\u00e7\u00e3o do capitalismo. Todas as conquistas dos trabalhadores e das trabalhadoras na sua luta di\u00e1ria devem ser parte de uma estrat\u00e9gia para derrotar o bloco burgu\u00eas e conquistar o socialismo, o que imp\u00f5e a necessidade de a classe trabalhadora conscientizar-se plenamente de que somente com a socializa\u00e7\u00e3o dos meios de produ\u00e7\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel a constru\u00e7\u00e3o de uma nova sociedade, livre da explora\u00e7\u00e3o e da opress\u00e3o. Essa op\u00e7\u00e3o evidencia que n\u00e3o h\u00e1 hip\u00f3tese alguma de constru\u00e7\u00e3o de alian\u00e7as esp\u00farias com nossos inimigos de classe.<\/p>\n<p>O car\u00e1ter socialista da revolu\u00e7\u00e3o significa tamb\u00e9m reafirmar o direito de rebeli\u00e3o das massas contra a explora\u00e7\u00e3o e a opress\u00e3o e estar presente em todos os espa\u00e7os de lutas, dentro e fora da ordem, dentro e fora da institucionalidade, mantendo a independ\u00eancia org\u00e2nica, pol\u00edtica e de classe de nossa organiza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria. O car\u00e1ter socialista da revolu\u00e7\u00e3o brasileira n\u00e3o significa aus\u00eancia de media\u00e7\u00f5es nas lutas do proletariado, da juventude e da popula\u00e7\u00e3o pobre nos locais de trabalho, nos locais de moradia e de estudo e nos diferentes espa\u00e7os de atua\u00e7\u00e3o e luta que se abrem em meio \u00e0 luta de classes. As lutas cotidianas de nosso povo se chocam tamb\u00e9m diariamente com os interesses do capital e servem de elemento pedag\u00f3gico para as mobiliza\u00e7\u00f5es populares. S\u00e3o parte integrante do longo processo de constru\u00e7\u00e3o da revolu\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n<p>Os aliados dos comunistas no processo revolucion\u00e1rio<\/p>\n<p>O processo de contraposi\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria \u00e0 domina\u00e7\u00e3o burguesa no Brasil tem, como n\u00facleo central, o proletariado ligado \u00e0s cadeias de produ\u00e7\u00e3o do valor. Este \u00e9 o setor mais interessado e mais consequente da revolu\u00e7\u00e3o brasileira, pela pr\u00f3pria posi\u00e7\u00e3o que ocupa no interior do sistema econ\u00f4mico \u2013 os trabalhadores e as trabalhadoras da cidade e do campo. Somam-se a este contingente, no processo revolucion\u00e1rio, setores da pequena burguesia, pequenos agricultores e trabalhadores aut\u00f4nomos. Podem aliar-se ao processo movimentos juvenis, movimentos sociais e populares, os intelectuais progressistas, al\u00e9m de todos aqueles e aquelas que se incorporarem objetivamente na luta anticapitalista e anti-imperialista. Os inimigos da revolu\u00e7\u00e3o brasileira s\u00e3o a burguesia monopolista nacional e internacional, o imperialismo, a burguesia financeira, a burguesia rural.<\/p>\n<p>A revolu\u00e7\u00e3o brasileira, para os comunistas, dever\u00e1 ser um fen\u00f4meno de massas, a ser realizada pelos milh\u00f5es de explorados\/as e oprimidos\/as. Como as classes dominantes brasileiras sempre utilizaram a viol\u00eancia e a repress\u00e3o para barrar a luta da classe trabalhadora e dos\/as comunistas, n\u00e3o descartamos nenhuma forma de resist\u00eancia \u00e0 viol\u00eancia da burguesia na luta revolucion\u00e1ria.<\/p>\n<p>O processo revolucion\u00e1rio brasileiro tem, como tarefa central, a constru\u00e7\u00e3o da sociedade socialista atrav\u00e9s do poder popular, uma bandeira cada vez mais incorporada \u00e0 luta real das massas e nas manifesta\u00e7\u00f5es de rua por todo o pa\u00eds. O poder popular n\u00e3o \u00e9 uma alian\u00e7a entre partidos de esquerda, mas uma constru\u00e7\u00e3o que envolve as batalhas cotidianas dos trabalhadores e das trabalhadoras, da juventude e dos setores populares por dentro e por fora da ordem. \u00c9 necess\u00e1rio superar a fragmenta\u00e7\u00e3o social e pol\u00edtica da classe trabalhadora e fortalecer as lutas das massas para construir um programa unit\u00e1rio e um instrumento organizativo que unifique as demandas populares, com vistas \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de um bloco alternativo de poder da classe trabalhadora em contraposi\u00e7\u00e3o ao bloco burgu\u00eas.<\/p>\n<p>A crise brasileira<\/p>\n<p>A crise brasileira \u00e9 parte da crise sist\u00eamica global, com as singularidades e especificidades pr\u00f3prias de um pa\u00eds perif\u00e9rico e com economia subordinada aos grandes centros do capitalismo internacional. Essa crise ocorre num momento em que se encerra um longo ciclo iniciado com as greves do ABC e fechou com o impeachment da presidenta Dilma. O governo de coaliz\u00e3o, que foi representado hegemonicamente pelo Partido dos Trabalhadores, tem responsabilidade nesta crise porque desenvolveu uma pol\u00edtica de fortalecimento do capitalismo brasileiro \u2013 gerada e mantida em fun\u00e7\u00e3o, essencialmente, dos interesses da burguesia, que sustentou o trip\u00e9 macroecon\u00f4mico neoliberal com austeridade fiscal, metas de infla\u00e7\u00e3o e c\u00e2mbio flutuante \u2013, e n\u00e3o realizou as medidas necess\u00e1rias para promover mudan\u00e7as estruturais no pa\u00eds em favor da classe trabalhadora, limitando-se a implementar pol\u00edticas de compensa\u00e7\u00e3o social para os setores mais pobres da popula\u00e7\u00e3o, como no caso do programa Bolsa Fam\u00edlia e outros.<\/p>\n<p>A conjuntura mundial favor\u00e1vel, vigente naquele per\u00edodo, principalmente pelo aumento internacional dos pre\u00e7os das commodities agr\u00edcolas e minerais exportadas pelo Brasil, proporcionou ao governo de coaliz\u00e3o, na sua primeira d\u00e9cada, as condi\u00e7\u00f5es para um crescimento m\u00e9dio anual maior que o do per\u00edodo anterior, com o aumento da oferta de emprego e a eleva\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio-m\u00ednimo. No entanto, em fun\u00e7\u00e3o da crise sist\u00eamica global que se seguiu e da queda dos pre\u00e7os internacionais dessas mat\u00e9rias-primas, o governo come\u00e7ou a apresentar fortes sintomas de crise. Um dos marcos desse processo foram as manifesta\u00e7\u00f5es de junho de 2013, todas realizadas por fora do governo e das entidades controladas ou cooptadas pelo PT, sendo hostis a elas e a outras organiza\u00e7\u00f5es combativas. A crise mundial, a queda nas receitas com exporta\u00e7\u00e3o e as tens\u00f5es da pol\u00edtica interna, a orienta\u00e7\u00e3o e os erros na condu\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica econ\u00f4mica, al\u00e9m do descontentamento popular em fun\u00e7\u00e3o da aus\u00eancia de medidas para resolver os problemas reais da popula\u00e7\u00e3o, foram fen\u00f4menos que geraram uma din\u00e2mica desagregadora, levando \u00e0 crise que estamos vivendo atualmente.<\/p>\n<p>Estavam presentes nas manifesta\u00e7\u00f5es de 2013 grupos de extrema-direita que j\u00e1 atuavam para insuflar segmentos descontentes da popula\u00e7\u00e3o a ir \u00e0s ruas, com palavras de ordem conservadoras e reacion\u00e1rias, somando-se aos ataques ao governo do PT. Esses grupos aumentaram, pouco a pouco, a partir de ent\u00e3o, a ofensiva contra o PT e as esquerdas em geral, e dariam sustenta\u00e7\u00e3o \u00e0 movimenta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de Bolsonaro pelo Brasil, iniciada logo a seguir, no caminho da constru\u00e7\u00e3o de sua candidatura \u00e0 presid\u00eancia da Rep\u00fablica em 2018.<\/p>\n<p>Os l\u00edderes do governo de concilia\u00e7\u00e3o de classe n\u00e3o compreenderam o significado da insatisfa\u00e7\u00e3o popular, n\u00e3o entenderam as implica\u00e7\u00f5es da crise mundial e seus reflexos no Brasil e foram v\u00edtimas das pr\u00f3prias ilus\u00f5es de classe. Enquanto isso, as classes dominantes, cientes da mudan\u00e7a r\u00e1pida da conjuntura e das debilidades do governo, resolveram descartar o PT e construir um governo \u201cpuro sangue\u201d, pois os petistas n\u00e3o controlavam mais o movimento popular e n\u00e3o podiam realizar, de maneira r\u00e1pida e intensa, o ajuste neoliberal que a burguesia reivindicava. A presidenta Dilma, reeleita com estreita margem de votos, ainda tentou uma virada ortodoxa ao nomear um banqueiro ultraliberal, uma latifundi\u00e1ria e um representante dos industriais para os minist\u00e9rios, al\u00e9m de outros representantes da direita cl\u00e1ssica. O resultado dessa nova concilia\u00e7\u00e3o foi o aumento do desgaste da administra\u00e7\u00e3o, uma recess\u00e3o brutal, o aumento acelerado do desemprego e a desmoraliza\u00e7\u00e3o do governo.<\/p>\n<p>A partir da\u00ed as classes dominantes resolveram abertamente conspirar para a queda do governo. Para tanto, ativou-se a Opera\u00e7\u00e3o Lava a Jato, com den\u00fancias di\u00e1rias de corrup\u00e7\u00e3o no governo. Criou-se um clima no qual o PT era visto como os \u00fanicos respons\u00e1veis pela corrup\u00e7\u00e3o no Brasil. Logo as den\u00fancias de corrup\u00e7\u00e3o e a insatisfa\u00e7\u00e3o popular foram capturadas pelos movimentos de direita e transformadas em movimento de massas nas ruas pelo impeachment da presidenta, processo ampliado pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o, que cumpriram o papel de comit\u00ea de comunica\u00e7\u00f5es das classes dominantes. Essas articula\u00e7\u00f5es viabilizaram o golpe institucional de 2016 e o impeachment da presidenta Dilma, que foi substitu\u00edda pelo vice Michel Temer.<\/p>\n<p>O governo Temer se encarregou de aplicar o ajuste neoliberal como as classes dominantes desejavam, aprovando diversas contrarreformas no Congresso. O documento &#8220;Ponte para o Futuro&#8221;, apresentado pelo governo golpista, representou fielmente a reconfigura\u00e7\u00e3o da domina\u00e7\u00e3o burguesa e imperialista no pa\u00eds, apontando para a recupera\u00e7\u00e3o das taxas de lucro e de rentabilidade e impulsionando um violento processo de centraliza\u00e7\u00e3o de capitais em setores como do varejo, agroneg\u00f3cio e financeiro. Estes elementos estariam presentes no governo Bolsonaro, deixando clara uma linha de continuidade.<\/p>\n<p>Mas a tarefa das classes dominantes ainda n\u00e3o estava completa, pois haveria elei\u00e7\u00f5es em 2018, e o ex-presidente Lula estava liderando em todas as pesquisas de opini\u00e3o. Mesmo estando muito descaracterizado em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s suas origens populares e sindicais e \u00e0 postura combativa de antes, o PT ainda se mantinha como refer\u00eancia em muitas bases sociais, e Lula congregava em torno de si um conjunto de apoios ainda maior na sociedade.<\/p>\n<p>A Opera\u00e7\u00e3o Lava a Jato se transformou no bra\u00e7o jur\u00eddico do golpe, com as dela\u00e7\u00f5es premiadas e pris\u00f5es de v\u00e1rios dirigentes do PT, tudo isso diariamente reportado com \u00eanfase pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o. O desfecho desse processo foi a condena\u00e7\u00e3o do ex-presidente e, posteriormente, sua pris\u00e3o, al\u00e9m do impedimento de participar das elei\u00e7\u00f5es. A Opera\u00e7\u00e3o Lava a Jato foi uma trama das classes dominantes, aliadas com os Estados Unidos, para afastar o l\u00edder das pesquisas da elei\u00e7\u00e3o. O juiz S\u00e9rgio Moro e os procuradores de Curitiba agiam abertamente para fraudar o processo eleitoral no Brasil, como depois ficou provado pela divulga\u00e7\u00e3o das conversas entre eles. O resultado de todo esse processo foi a elei\u00e7\u00e3o de Bolsonaro.<\/p>\n<p>As li\u00e7\u00f5es s\u00e3o de que governos de concilia\u00e7\u00e3o de classe num mundo globalizado, onde as burguesias de cada pa\u00eds est\u00e3o umbilicalmente ligadas ao capital internacional, tendem a fracassar porque n\u00e3o conseguem atender as reivindica\u00e7\u00f5es populares e, quando deixam de ser funcionais para o capital, s\u00e3o descartados. A experi\u00eancia hist\u00f3rica tem demonstrado que os partidos de esquerda que realizaram alian\u00e7as com a burguesia terminaram sendo cooptados pelo projeto burgu\u00eas e transformados em instrumento da ordem capitalista. \u00c9 praticamente imposs\u00edvel realizar uma pol\u00edtica econ\u00f4mica e social voltada para os interesses populares sem a mobiliza\u00e7\u00e3o e o apoio organizado das grandes massas do povo e sem romper com a subordina\u00e7\u00e3o ao capital internacional. Essa \u00e9 a natureza do fracasso dos chamados governos reformistas-progressistas na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>O significado do governo Bolsonaro<\/p>\n<p>A elei\u00e7\u00e3o de Bolsonaro significou uma profunda derrota para a classe trabalhadora, a juventude e a popula\u00e7\u00e3o pobre porque seu governo radicalizou as pol\u00edticas antipopulares neoliberais, a pauta reacion\u00e1ria dos costumes, as contrarreformas, o entreguismo do patrim\u00f4nio p\u00fablico mediante as privatiza\u00e7\u00f5es, a ofensiva contra os direitos e sal\u00e1rios de trabalhadores e trabalhadoras, a destrui\u00e7\u00e3o do meio ambiente, a persegui\u00e7\u00e3o aos ind\u00edgenas e quilombolas, as agress\u00f5es racistas, machistas e lgbtf\u00f3bicos, os ataques \u00e0 educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, \u00e0 ci\u00eancia e a amea\u00e7a permanente \u00e0s liberdades democr\u00e1ticas e aos direitos humanos. A emerg\u00eancia da pandemia veio escancarar outra face desse governo: o negacionismo cient\u00edfico, a campanha contra a vacina e o uso de m\u00e1scaras e a propaganda de medicamentos ineficazes para o combate \u00e0 Covid. As a\u00e7\u00f5es do governo provocaram mais de 615 mil mortes entre os brasileiros, o segundo pa\u00eds com mais mortos por Covid no mundo.<\/p>\n<p>A elei\u00e7\u00e3o de Bolsonaro tamb\u00e9m revelou de maneira n\u00edtida mais uma vez que as classes dominantes brasileiras n\u00e3o t\u00eam escr\u00fapulos. Basta lembrar que no passado apoiaram a ditadura e n\u00e3o t\u00eam nenhum problema em apoiar os bandos fascistas do governo Bolsonaro, desde que estas for\u00e7as sirvam aos seus interesses econ\u00f4micos e pol\u00edticos. Trata-se de um governo de extrema-direita, que flerta com o fascismo e o golpe, representa o grande capital, os ricos e poderosos e \u00e9 totalmente subserviente ao imperialismo. Mesmo que setores burgueses apresentem contradi\u00e7\u00f5es pontuais com o governo, porque Bolsonaro com suas fanfarronices est\u00e1 atrapalhando os neg\u00f3cios, todos est\u00e3o de acordo com a pol\u00edtica neoliberal, as contrarreformas, o ataque aos direitos e sal\u00e1rios de trabalhadores e trabalhadoras, a pol\u00edtica de assalto ao patrim\u00f4nio p\u00fablico e o saque ao fundo p\u00fablico.<\/p>\n<p>O resultado concreto dessa pol\u00edtica em tr\u00eas anos de governo foi o aumento da concentra\u00e7\u00e3o de renda, o desemprego, o trabalho informal, a mis\u00e9ria e a fome. Mais de 50% da popula\u00e7\u00e3o vive em inseguran\u00e7a alimentar, mais de 20 milh\u00f5es de brasileiros e brasileiras se encontram nas filas da fome e cada vez mais fam\u00edlias se postam diante dos a\u00e7ougues e terminais de descarte de lixo para conseguir ossos de boi, pelancas de carne e carca\u00e7as de frango para se alimentar. A classe dominante demonstra, mais uma vez, extrema perversidade no tratamento da quest\u00e3o da pobreza no Brasil, como no epis\u00f3dio em que os ministros da Economia e da Agricultura recomendaram que restaurantes e supermercados oferecessem restos de comida e alimentos vencidos para a popula\u00e7\u00e3o como forma de resolver o problema da fome.<\/p>\n<p>A retomada das lutas nas ruas<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o em que a popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 vivendo, por outro lado, tem acirrado e tornada aberta a luta de classes no Brasil. Trabalhadores e trabalhadoras, a juventude e a popula\u00e7\u00e3o pobre n\u00e3o deixaram de se manifestar contra a candidatura e o governo Bolsonaro, tendo, como um dos pontos mais emblem\u00e1ticos, a manifesta\u00e7\u00e3o das mulheres na campanha do Ele N\u00e3o, que reuniu centenas de milhares de manifestantes em todo o Brasil antes das elei\u00e7\u00f5es de 2018.<\/p>\n<p>A crise sanit\u00e1ria, por\u00e9m, fez com que as manifesta\u00e7\u00f5es de massa fossem bruscamente interrompidas. Por mais de um ano, Bolsonaro chantageou o pa\u00eds com amea\u00e7as de golpe, manifesta\u00e7\u00f5es fascistas em v\u00e1rios Estados, elogiando torturadores e pedindo a interven\u00e7\u00e3o militar. Bolsonaro surfou nesse per\u00edodo na pandemia porque sabia que seus opositores estavam praticando o distanciamento social e defendendo as vacinas.<\/p>\n<p>No entanto, a r\u00e1pida deteriora\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es \u2013 j\u00e1 dram\u00e1ticas \u2013 da vida da popula\u00e7\u00e3o, o reconhecimento mais generalizado da gravidade da pandemia e o avan\u00e7o da vacina\u00e7\u00e3o permitiram que a popula\u00e7\u00e3o voltasse novamente \u00e0s ruas a partir do final de maio, iniciativa na qual nosso Partido teve um papel importante, tanto no chamado \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es quanto na presen\u00e7a organizada e disciplinada nos atos convocados. Essas manifesta\u00e7\u00f5es v\u00eam tendo import\u00e2ncia fundamental na conjuntura n\u00e3o s\u00f3 porque representaram a retomada da luta nas ruas, mas principalmente porque incorporaram aos protestos centenas de milhares de lutadores e lutadoras em cerca de 400 das maiores cidades do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio de 2013, os atos foram organizados e dirigidos pelos movimentos sociais e populares e partidos pol\u00edticos de esquerda. Os setores revolucion\u00e1rios conseguiram imprimir tamanha intensidade \u00e0 luta nas ruas que mesmo os reformistas foram compelidos a aderir \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es. Contudo, guiadas por uma t\u00e1tica oportunista de reconcilia\u00e7\u00e3o com a burguesia, limitada \u00e0 sangria eleitoral de Bolsonaro, as for\u00e7as predominantes no movimento de massas foram incapazes de travar a luta pelo impeachment de modo consistente e com independ\u00eancia de classe. Mesmo assim, as manifesta\u00e7\u00f5es contribu\u00edram para ampliar o isolamento nacional e internacional de Bolsonaro, cujos reflexos se expressam na perda de popularidade do governo. O desgaste de Bolsonaro se estende \u00e0 sua fam\u00edlia e a diversos membros de seu governo, e o relat\u00f3rio da CPI da Covid aumentou ainda mais esse desgaste.<\/p>\n<p>No entanto, n\u00e3o se pode subestimar Bolsonaro e seus aliados. Seu governo ainda conta com apoio de v\u00e1rios setores das classes dominantes, de contingentes expressivos das camadas m\u00e9dias e at\u00e9 mesmo de setores populares incentivados por um grupo de pastores inescrupulosos de igrejas neopentecostais. Conta tamb\u00e9m com apoio de segmentos das For\u00e7as Armadas e, em especial, de setores das pol\u00edcias militares e das mil\u00edcias. Bolsonaro n\u00e3o cair\u00e1 de podre. Seu governo s\u00f3 ser\u00e1 derrotado se conseguirmos aglutinar um poderoso movimento de massas, que envolva grandes manifesta\u00e7\u00f5es de rua, aliadas \u00e0 paralisa\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o e da circula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mesmo com o desgaste e a eventual retirada de Bolsonaro do poder pelo \u201cimpeachment\u201d, indiciamento criminal ou pela derrota nas elei\u00e7\u00f5es de 2022, o chamado \u201cbolsonarismo\u201d tende a se manter como uma aglutina\u00e7\u00e3o de conservadores, negacionistas, obscurantistas, fascistas e outros grupos, com segmentos organizados e desorganizados da popula\u00e7\u00e3o. No que diz respeito aos seus interesses centrais, a burguesia segue ganhando com esse governo, que, mesmo na pandemia, j\u00e1 conseguiu aprovar a independ\u00eancia do Banco Central, a reforma da previd\u00eancia, a privatiza\u00e7\u00e3o da Eletrobras e atualmente tenta privatizar os correios e aprovar a reforma administrativa.<\/p>\n<p>As classes dominantes, em princ\u00edpio, n\u00e3o t\u00eam interesse em derrubar Bolsonaro e preferem desgast\u00e1-lo at\u00e9 2022 e, nesse intervalo, encontrar um candidato com viabilidade eleitoral para represent\u00e1-las, compondo a chamada \u201cterceira via\u201d. Determinadas for\u00e7as pol\u00edticas, incluindo-se algumas que se situam no campo da oposi\u00e7\u00e3o pela esquerda ao governo, no entanto, parecem tamb\u00e9m apostar no desgaste de Bolsonaro para enfrent\u00e1-lo nas elei\u00e7\u00f5es de 2022, deixando em segundo plano a mobiliza\u00e7\u00e3o para a sua derrubada imediata.<\/p>\n<p>O PCB e as media\u00e7\u00f5es t\u00e1ticas<\/p>\n<p>O PCB busca enraizar-se junto ao proletariado, construindo-se como organiza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria de acordo com a vida real da popula\u00e7\u00e3o, presente em todos os organismos vivos da sociedade. As lutas pela revolu\u00e7\u00e3o brasileira devem ser aglutinadas no Bloco Revolucion\u00e1rio do Proletariado, uma constru\u00e7\u00e3o contra-hegem\u00f4nica ao polo do capital, capaz de organizar o conjunto de a\u00e7\u00f5es transformadoras de emancipa\u00e7\u00e3o do proletariado e pela constru\u00e7\u00e3o do socialismo. Politicamente, esse processo se expressa na Frente Anticapitalista e Anti-imperialista, pois as lutas contra a explora\u00e7\u00e3o, contra os monop\u00f3lios econ\u00f4micos e financeiros e contra o latif\u00fandio s\u00e3o essencialmente lutas anticapitalistas, dado que o grande capital exerce seu dom\u00ednio em todas as esferas da vida social e que as lutas de resist\u00eancia de trabalhadores e trabalhadoras na defesa dos direitos e sal\u00e1rios, por educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade p\u00fablicas, moradia, direitos previdenci\u00e1rios, mobilidade urbana, as lutas no campo, as reivindica\u00e7\u00f5es por acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o e aos bens culturais e ao lazer se chocam com a l\u00f3gica privada e do mercado. As lutas anticapitalistas se unem \u00e0 luta contra o imperialismo, pois o sistema capitalista brasileiro est\u00e1 associado aos centros imperialistas mundiais, e a burguesia brasileira \u00e9 parte integrante e aliada do imperialismo e de seus interesses no Brasil.<\/p>\n<p>A atua\u00e7\u00e3o do PCB se desdobra em dois movimentos t\u00e1ticos que se articulam: travamos as lutas defensivas das massas dos trabalhadores, das trabalhadoras e da juventude em unidade de a\u00e7\u00e3o com outras for\u00e7as que se op\u00f5em \u00e0s pol\u00edticas neoliberais, na defesa das liberdades democr\u00e1ticas e contra o fascismo, bem como buscamos construir uma frente social e pol\u00edtica de car\u00e1ter classista revolucion\u00e1ria, tendo como espinha dorsal a classe trabalhadora, a juventude e os movimentos sociais e populares que, juntos, representam a absoluta maioria do povo brasileiro. O PCB mant\u00e9m sua independ\u00eancia pol\u00edtica, org\u00e2nica e de classe, rejeita as articula\u00e7\u00f5es de frentes amplas com a burguesia e n\u00e3o participar\u00e1 de governos comprometidos com o capital.<\/p>\n<p>As organiza\u00e7\u00f5es sindicais hoje hegem\u00f4nicas, atualmente dirigidas pelos partidos da concilia\u00e7\u00e3o de classes, se institucionalizaram, perderam a combatividade e, com a elei\u00e7\u00e3o do presidente Lula, se transformaram em instrumentos da ordem, tendo perdido a combatividade e se burocratizado. Hoje representam um freio \u00e0 luta de classes e \u00e0 reorganiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e das trabalhadoras. Esse processo de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 ordem iniciou-se a partir da chegada do PT ao governo federal. O novo bloco do poder deixou de lado a mobiliza\u00e7\u00e3o de trabalhadores e trabalhadoras, substituindo as lutas sociais nas ruas por acordos institucionais e de gabinetes, cooptando, simultaneamente, lideran\u00e7as dos movimentos sociais para controlar as a\u00e7\u00f5es das massas. O resultado foi o apassivamento e a despolitiza\u00e7\u00e3o dos\/as trabalhadores\/as e da juventude, desarmando esses segmentos para as lutas contra o capital. Esse apassivamento se refletiu na baixa mobiliza\u00e7\u00e3o para a luta contra o impeachment da presidenta Dilma.<\/p>\n<p>O PCB atua no movimento de massas com Coletivos abertos \u00e0 participa\u00e7\u00e3o de pessoas que, embora alinhadas \u00e0s nossas concep\u00e7\u00f5es, ainda n\u00e3o s\u00e3o militantes partid\u00e1rios. Nosso objetivo priorit\u00e1rio \u00e9 o fortalecimento da Unidade Classista como instrumento de organiza\u00e7\u00e3o e luta no movimento sindical e popular, especialmente nas categorias estrat\u00e9gicas da produ\u00e7\u00e3o e da circula\u00e7\u00e3o de mercadorias e servi\u00e7os. Priorizamos a participa\u00e7\u00e3o nas entidades sindicais e nos movimentos populares e a atua\u00e7\u00e3o nos locais de trabalho, moradia e estudo. Defendemos a utiliza\u00e7\u00e3o de formas alternativas de organiza\u00e7\u00e3o, como a ocupa\u00e7\u00e3o e recupera\u00e7\u00e3o de f\u00e1bricas e empresas, de terras dos latif\u00fandios, moradias e terrenos para a habita\u00e7\u00e3o, sempre buscando politizar e organizar os trabalhadores e as trabalhadoras para a luta pelo poder popular.<\/p>\n<p>Apoiamos e lutamos pela realiza\u00e7\u00e3o de um Encontro Nacional da Classe Trabalhadora, a ser constru\u00eddo a partir do campo sindical classista, para desenvolver a unidade de a\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria, um programa de lutas e uma Frente ou Central Sindical classista de \u00e2mbito nacional. Os militantes do PCB e de seus coletivos participam de todos os f\u00f3runs unit\u00e1rios de mobiliza\u00e7\u00e3o e lutas nos Estados, buscando organizar a frente social e pol\u00edtica classista, especialmente no interior do F\u00f3rum Sindical, Popular e da Juventude por Direitos e Liberdades Democr\u00e1ticas, um dos principais instrumentos para a reorganiza\u00e7\u00e3o de nossa classe.<\/p>\n<p>Tem sido intenso o crescimento e o fortalecimento da Uni\u00e3o da Juventude Comunista, hoje organizada em todo o pa\u00eds, com presen\u00e7a marcante nas manifesta\u00e7\u00f5es nacionais. O PCB busca fortalecer e expandir essa frente de luta nas universidades p\u00fablicas e privadas e especialmente na juventude secundarista, com destaque para as escolas t\u00e9cnicas, Faetecs e institutos federais, a partir de suas entidades de base. A UJC deve refor\u00e7ar e desenvolver sua atua\u00e7\u00e3o junto a jovens trabalhadores e trabalhadoras e atuar com intensidade nos movimentos culturais.<\/p>\n<p>O Coletivo Feminista Classista Ana Montenegro, o Coletivo Minervino de Oliveira \u2013 voltado para a luta antirracista \u2013 v\u00eam crescendo e intensificando a sua atua\u00e7\u00e3o. O Coletivo LGBT Comunista vem se organizando em n\u00edvel nacional. Avan\u00e7amos nossa participa\u00e7\u00e3o nas lutas dos povos ind\u00edgenas e em comunidades populares. O PCB d\u00e1 especial aten\u00e7\u00e3o ao trabalho cultural, especialmente entre os jovens e busca a aproxima\u00e7\u00e3o com intelectuais progressistas para o fortalecimento da luta cultural e ideol\u00f3gica contra os valores burgueses, conservadores e reacion\u00e1rios.<\/p>\n<p>Como partido internacionalista, o PCB empreende a\u00e7\u00f5es de solidariedade com todos os povos do mundo atacados pelo imperialismo e pelo fascismo, especialmente com os povos cubano e palestino, cuja resist\u00eancia aos bloqueios e \u00e0s sabotagens imperialistas tem sido refer\u00eancia para todos os revolucion\u00e1rios e revolucion\u00e1rias do mundo. Na luta contra o reformismo e o revisionismo, o PCB respeita a diversidade de opini\u00f5es que existem no movimento comunista internacional e busca fortalecer o bloco revolucion\u00e1rio em seu interior, bem como contribuir para a constru\u00e7\u00e3o desse p\u00f3lo revolucion\u00e1rio na Am\u00e9rica Latina e no Caribe.<\/p>\n<p>O PCB participa dos processos eleitorais porque entende que esta \u00e9 uma frente de luta importante, mesmo sob as condi\u00e7\u00f5es de extrema dificuldade para os partidos revolucion\u00e1rios por conta do poder econ\u00f4mico e da legisla\u00e7\u00e3o eleitoral cada vez mais restritiva \u00e0 participa\u00e7\u00e3o nos meios de comunica\u00e7\u00e3o e acesso aos fundos p\u00fablicos eleitorais. Nas elei\u00e7\u00f5es \u00e9 poss\u00edvel dialogar com as massas, realizando a den\u00fancia do capitalismo, a defesa das ideias socialistas e comunistas e a apresenta\u00e7\u00e3o de propostas e eixos de luta em defesa dos interesses da classe trabalhadora e dos setores populares contra a burguesia. S\u00e3o momentos em que a popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 mais aberta ao debate pol\u00edtico.<\/p>\n<p>Os resultados eleitorais dos comunistas expressam, em grande parte, a inser\u00e7\u00e3o do Partido nos movimentos sociais e populares. A pol\u00edtica de alian\u00e7as do PCB no terreno eleitoral se realiza com os partidos do campo anticapitalista e anti-imperialista e com movimentos sociais e populares, resguardando-se a possibilidade de chapas e candidaturas pr\u00f3prias. O PCB considera importante eleger representantes na institucionalidade, ampliando a esfera de atua\u00e7\u00e3o do Partido, compreendendo que os eleitos e as eleitas devem estar a servi\u00e7o da classe trabalhadora, sendo sua atua\u00e7\u00e3o balizada pela linha do Partido e suas resolu\u00e7\u00f5es pol\u00edticas.<\/p>\n<p>O PCB completar\u00e1 100 anos de exist\u00eancia em 2022. O XVI Congresso do PCB reafirma o seu compromisso com a revolu\u00e7\u00e3o brasileira e com a constru\u00e7\u00e3o do socialismo em nosso pa\u00eds, na perspectiva da sociedade comunista. Lutaremos com todos os meios poss\u00edveis para a derrota da hegemonia burguesa no Brasil, pela socializa\u00e7\u00e3o dos meios de produ\u00e7\u00e3o e o controle do poder popular, como forma de criar a sociedade da igualdade, da fraternidade, da solidariedade, da abund\u00e2ncia para todos e da felicidade humana: a sociedade comunista!<\/p>\n<p>Viva a revolu\u00e7\u00e3o brasileira e o socialismo!<\/p>\n<p>Viva o internacionalismo prolet\u00e1rio!<\/p>\n<p>Viva o Partido comunista Brasileiro!<\/p>\n<p>XVI Congresso Nacional do PCB<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/28127\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[375],"tags":[219,246],"class_list":["post-28127","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-xvi-congresso","tag-manchete","tag-np"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-7jF","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28127","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28127"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28127\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28127"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28127"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28127"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}