{"id":28130,"date":"2021-12-08T01:33:44","date_gmt":"2021-12-08T04:33:44","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=28130"},"modified":"2021-12-08T01:33:44","modified_gmt":"2021-12-08T04:33:44","slug":"do-litoral-ao-sertao-caravana-do-poder-popular","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/28130","title":{"rendered":"Do litoral ao sert\u00e3o: caravana do Poder Popular"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/lh3.googleusercontent.com\/pw\/AM-JKLVGX6usi4lfqwo8qqFk4R3fcfDFolcMHPDAev4ynMXANn6cLN38Qbru2VAQicgXHIo5ySHfpE-uVOF_-F5IkMhmFz9XDJz1C-chsA3zjmNkEk_68BdQkoke32wbGwsteddwwsmKbJgD6npPzrGfUaT6=w1191-h894-no\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Luiza Melo e Jones Manoel<\/p>\n<p>O m\u00eas de novembro, dentre v\u00e1rias lutas e acontecimentos, foi palco da primeira experi\u00eancia da Caravana do Poder Popular. A iniciativa, organizada pelo PCB-PE e pelos coletivos partid\u00e1rios, visa mobilizar o debate p\u00fablico sobre a Revolu\u00e7\u00e3o Brasileira e a luta de classes no estado, ser um instrumento de aproxima\u00e7\u00e3o\/recrutamento de setores da juventude e da classe trabalhadora e o embri\u00e3o do processo de cria\u00e7\u00e3o dos comit\u00eas pelo poder popular (os comit\u00eas v\u00e3o ser objeto de reflex\u00e3o em um pr\u00f3ximo escrito). Embora a iniciativa v\u00e1 percorrer todo o estado e realizar v\u00e1rias atividades na regi\u00e3o metropolitana do Recife, o foco s\u00e3o as cidades pequenas e m\u00e9dias e as regi\u00f5es genericamente chamadas de \u201cinterior do estado\u201d.<\/p>\n<p>Pernambuco, como a maioria dos estados, tem a popula\u00e7\u00e3o concentrada no litoral e na regi\u00e3o metropolitana. Segundo dados do IBGE, mais de 80% da popula\u00e7\u00e3o brasileira vive em \u00e1reas urbanas, 57% dos brasileiros vivem em 6% das cidades e dos quase 10 milh\u00f5es de pernambucanos, 3.743.854 vivem na regi\u00e3o metropolitana do Recife. A concentra\u00e7\u00e3o sociogeogr\u00e1fica \u00e9 bem evidente. A maioria da nossa classe trabalhadora vive nas grandes cidades em condi\u00e7\u00f5es de moradia prec\u00e1ria nas favelas, morros, alagados e vilas.<\/p>\n<p>As grandes cidades, pela concentra\u00e7\u00e3o de trabalhadores e produ\u00e7\u00e3o de mercadoria, tamb\u00e9m t\u00eam a tend\u00eancia a um maior tecido organizativo em compara\u00e7\u00e3o com as pequenas e m\u00e9dias cidades. \u00c9 bem mais comum encontrar sindicatos organizados e atuantes, movimentos de luta contra opress\u00f5es (como feminista e antirracista), coletivos de cultura, atua\u00e7\u00e3o de partidos pol\u00edticos e espa\u00e7os de reflex\u00e3o e debate nos grandes centros. Em muitos estados, como Pernambuco, a tend\u00eancia de atra\u00e7\u00e3o dos grandes centros urbanos \u00e9 t\u00e3o pronunciada que \u00e9 uma cena comum um militante que mora em Olinda, Paulista ou Jaboat\u00e3o, deslocar-se com frequ\u00eancia para participar de um ato de rua\/protesto no centro do Recife \u2013 cena bem menos comum na sua cidade.<\/p>\n<p>O fen\u00f4meno de \u201ccidades dormit\u00f3rio\u201d, termo muito usado na economia, tamb\u00e9m se reflete na pol\u00edtica. Onde est\u00e1 concentrado o capital e os trabalhadores, temos uma tend\u00eancia de concentrar as lutas e formas de organiza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora. Nesse sentido, \u00e9 fundamental para a luta pela Revolu\u00e7\u00e3o Brasileira, na particularidade de Pernambuco, aumentar a for\u00e7a e influ\u00eancia do PCB no movimento oper\u00e1rio e popular na regi\u00e3o metropolitana e seu trabalho territorial nas grandes comunidades como Jord\u00e3o, Ibura, Alto Jos\u00e9 do Pinho, Casa Amarela, Cajueiro Seco etc.<\/p>\n<p>A maior concentra\u00e7\u00e3o de lutas e formas organizativas da classe trabalhadora nos grandes centros urbanos significa, tamb\u00e9m, maior \u201cconcorr\u00eancia\u201d com organiza\u00e7\u00f5es reformistas, social-liberais, de direita e diversos aparelhos de hegemonia da burguesia. Essa din\u00e2mica cria uma aparente contradi\u00e7\u00e3o: \u00e9 bem mais f\u00e1cil iniciar o trabalho pol\u00edtico nos grandes centros, mas quando atingimos certo n\u00edvel de crescimento, a amplia\u00e7\u00e3o da influ\u00eancia pol\u00edtica esbarra em v\u00e1rios desafios.<\/p>\n<p>J\u00e1 a din\u00e2mica nas cidades pequenas\/m\u00e9dias e o cotidiano do povo trabalhador do campo de Pernambuco (onde vive 18,94% da popula\u00e7\u00e3o) s\u00e3o diferentes. Temos um tecido organizado mais fraco, menos tradi\u00e7\u00e3o de movimento sociais, sindicalismo, debates e espa\u00e7os culturais de reflex\u00e3o diretamente pol\u00edtica e a realiza\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es tradicionais, como atos de rua, \u00e9 bem mais dif\u00edcil. Esse baixo tecido organizativo da classe trabalhadora, em muitos dos 185 munic\u00edpios do estado, se reflete numa aus\u00eancia de uma pol\u00edtica prolet\u00e1ria e exist\u00eancia apenas de uma pol\u00edtica eleitoral que, no melhor dos casos, podemos chamar de \u201ccentro-esquerda\u201d \u2013 em muitas cidades do estado, junto aos partidos da direita tradicional, temos apenas o PT como express\u00e3o eleitoral, sem qualquer trabalho pol\u00edtico de organiza\u00e7\u00e3o da classe.<\/p>\n<p>Nessas regi\u00f5es, \u00e9 comum termos fam\u00edlias que est\u00e3o entre as mais ricas da localidade e, num processo de retroalimenta\u00e7\u00e3o, o poder econ\u00f4mico fortalece o poder pol\u00edtico e o espa\u00e7o para o enfrentamento \u00e9 reduzido por diversos determinantes \u2013 \u00e9 conhecido, por exemplo, o papel que o emprego p\u00fablico tem nas cidades pequenas. Ser oposi\u00e7\u00e3o ao grupo dominante pode criar um fechamento permanente de oportunidades de emprego. Aliado a isso, tendencialmente, temos menos espa\u00e7o de m\u00eddia para den\u00fancias e debates e maiores possibilidades de mortes sem repercuss\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 uma realidade de Pernambuco e do Brasil o uso como base eleitoral dos trabalhadores do campo para manter a for\u00e7a institucional de um grupo no estado e projetar-se para o Brasil. A Fam\u00edlia Coelho, h\u00e1 d\u00e9cadas, domina Petrolina. Do controle de Petrolina, um grande polo econ\u00f4mico e pol\u00edtico do sert\u00e3o pernambucano, os Coelhos j\u00e1 fizeram deputados federais, estaduais, senadores, governador e n\u00e3o \u00e9 segredo para ningu\u00e9m que sonham com a presid\u00eancia. Em Belo Jardim, domina a fam\u00edlia Mendon\u00e7a do golpista ex-ministro da educa\u00e7\u00e3o Mendon\u00e7a Filho. A f\u00f3rmula \u00e9 simples: garantir alta porcentagem de votos no seu \u201ccurral eleitoral\u201d e votos em outras zonas eleitorais do estado a partir de m\u00e1quinas partid\u00e1rias e muito dinheiro. O resultado, especialmente nas elei\u00e7\u00f5es legislativas, \u00e9 vit\u00f3ria quase certa.<\/p>\n<p>Como combater isso? Garantir um processo de organiza\u00e7\u00e3o popular, politiza\u00e7\u00e3o e eleva\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia de classe para al\u00e9m dos grandes centros urbanos, interiorizando as lutas e chegando \u00e0s pequenas e m\u00e9dias cidades, ao povo trabalhador do campo, das \u00e1guas e quilombolas. A classe trabalhadora vive nas regi\u00f5es metropolitanas\/grandes cidades e tamb\u00e9m nas pequenas\/m\u00e9dias cidades, nos quilombos, nos terreiros, na beira dos rios, na ro\u00e7a. Contudo, mesmo sendo a mesma classe, n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es de vida iguais, como aponta Jo\u00e3o Cabral de Melo Neto em Morte e vida Severina, a precariza\u00e7\u00e3o dos modos de vida do povo trabalhador do campo \u00e0 cidade se expressa de v\u00e1rios modos. O desemprego, o enfraquecimento da agricultura familiar, a superexplora\u00e7\u00e3o do trabalho em costura no Agreste, a seca, a fome, s\u00e3o cen\u00e1rios comuns no interior, que precisam ser discutidos e enfrentados com um projeto revolucion\u00e1rio.<\/p>\n<p>A primeira cidade da Caravana do Poder Popular foi Bezerros, uma cidade do Agreste pernambucano com uma m\u00e9dia de 60 mil habitantes, conhecida como a Terra do Papangu. Bezerros \u00e9 um \u00f3timo exemplo da din\u00e2mica pol\u00edtica em uma cidade pequena\/m\u00e9dia, marcada pelo conservadorismo, que tem uma gest\u00e3o de direita do DEM, que venceu o PSB que estava no poder h\u00e1 duas gest\u00f5es, sobretudo devido a aus\u00eancia de uma real alternativa aos bezerrenses. A disputa eleitoral de direita x direita acontece em muitas cidades do interior, o que evidencia a necessidade de candidatura dos comunistas para realmente construirmos alternativas revolucion\u00e1rias para o povo trabalhador de Pernambuco. Assim como em outras cidades, Bezerros n\u00e3o tem uma cultura de atos e mobiliza\u00e7\u00f5es grandes de rua. A aus\u00eancia de candidaturas realmente \u00e0 esquerda \u00e9 consequ\u00eancia dessa falta de organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e luta unificada nas ruas. Nos atos Fora Bolsonaro tivemos um ac\u00famulo pol\u00edtico importante nesse sentido, onde conseguimos interiorizar os atos em v\u00e1rias cidades, inclusive em Bezerros, o que sinaliza que h\u00e1 abertura e interesse para a organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, basta criarmos espa\u00e7os e reais alternativas para o povo trabalhador.<\/p>\n<p>A Caravana do Poder Popular tem como objetivo realizar atividades em 30 cidades do agreste, sert\u00e3o e zona da mata. Mobilizar a milit\u00e2ncia concentrada na regi\u00e3o metropolitana, fortalecer os trabalhos j\u00e1 em curso, ampliar o recrutamento e visibilidade do partido nessas regi\u00f5es e atacar, em duas frentes, a for\u00e7a da oligarquia e burguesia local. \u00c9 fundamental, na luta de classes em Pernambuco, n\u00e3o cimentar uma realidade muito presente em v\u00e1rios estados: organiza\u00e7\u00f5es socialistas e comunistas com alguma for\u00e7a nas grandes cidades e o \u201cinterior\u201d totalmente dominado por partidos da direita, latifundi\u00e1rios e elites locais.<\/p>\n<p>Esse desafio \u00e9 ainda maior considerando a necessidade de avan\u00e7ar na participa\u00e7\u00e3o dos comunistas nas lutas pela terra com os povos do campo. Em nosso estado, em outras \u00e9pocas, o PCB teve protagonismo important\u00edssimo na luta pela reforma agr\u00e1ria, Ligas Camponesas e na organiza\u00e7\u00e3o de sindicatos rurais, em mem\u00f3ria temos o nosso camarada Greg\u00f3rio Bezerra que teve papel fundamental nessa luta.<\/p>\n<p>No processo de Reorganiza\u00e7\u00e3o Revolucion\u00e1ria do Partido, o nosso crescimento tem sido mais urbano. O Partido, nos \u00faltimos anos, vem avan\u00e7ando na sua influ\u00eancia social e organiza\u00e7\u00e3o pelo interior do estado, mas precisa potencializar esse crescimento. Para voltar a ter protagonismo na luta pela terra, \u00e9 indispens\u00e1vel envolvimento org\u00e2nico com as lutas, recrutamento de camponeses, a\u00e7\u00e3o ativa em sindicatos rurais, comiss\u00f5es pastorais, mais a\u00e7\u00e3o em unidade com os sem-terra. Desse modo, a Caravana do Poder Popular \u00e9 uma ferramenta nessa luta.<\/p>\n<p>Com debate pol\u00edtico, venda de livros, entrevista na r\u00e1dio, arrecada\u00e7\u00e3o de alimentos, panfletagem, a nossa Caravana \u00e9 uma estrat\u00e9gia de fortalecer e abrir caminhos na interioriza\u00e7\u00e3o das lutas rumo \u00e0 constru\u00e7\u00e3o do Poder Popular! Temos comunistas em todas as regi\u00f5es do nosso estado, precisamos agora fortalecer e ampliar nossa inser\u00e7\u00e3o. Desde as cidades em que j\u00e1 temos uma c\u00e9lula ou trabalho desenvolvido at\u00e9 aquelas em que temos apenas simpatizantes ou amigos do Partido, a Caravana pretende chegar aos quatro cantos do nosso estado.<\/p>\n<p>Se tiver interesse em levar a Caravana para a sua cidade em Pernambuco, entre em contato pelo @pcb.pe. Do campo \u00e0 cidade, do sert\u00e3o ao litoral, os comunistas como alternativa em Pernambuco!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/28130\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[140],"tags":[221],"class_list":["post-28130","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c140-jornal-o-poder-popular","tag-2a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-7jI","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28130","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28130"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28130\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28130"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28130"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28130"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}