{"id":28151,"date":"2021-12-10T14:13:41","date_gmt":"2021-12-10T17:13:41","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=28151"},"modified":"2021-12-10T14:13:41","modified_gmt":"2021-12-10T17:13:41","slug":"o-que-e-a-liberdade-covid-19-e-a-defesa-do-direito-a-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/28151","title":{"rendered":"O que \u00e9 a liberdade? COVID-19 e a defesa do direito \u00e0 vida"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/lavrapalavra.com\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/d1aepli-320da0b2-0e1b-4e7e-862a-6ca1d042fca4.jpg?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"imagem\" \/><!--more--><\/p>\n<p>Por Emiliano Alessandroni, via Marxismo Oggi, traduzido por Bruno Bianchi<\/p>\n<p>\u201c<em>Se, portanto, estamos de acordo com Hegel em pensar a liberdade n\u00e3o como uma forma vazia, mas como um conte\u00fado de valor universal, n\u00e3o podemos ent\u00e3o deixar de descobrir como, no curso da pandemia do COVID-19, entre os velhos sistemas capitalistas (ver principalmente os Estados Unidos e a Europa) e as experiencias sociais de orienta\u00e7\u00e3o socialista (vejamos Cuba, China e Vietn\u00e3) \u2013 embora isso possa parecer um paradoxo aos olhos da supremacia ocidental que identifica \u201cOcidente\u201d e \u201cdemocracia\u201d e est\u00e1 habituado a conceber a \u201cliberdade\u201d unicamente como \u201cliberdade do Ocidente\u201d e nunca como \u201clivre do Ocidente\u201d \u2013 foi o segundo que defendeu muito mais do que o primeiro, o valor do universalismo e a causa da liberdade.<\/em>\u201d<\/p>\n<p><strong>A ret\u00f3rica da liberdade em tempos de COVID-19<\/strong><\/p>\n<p>\u201cLiberdade! Liberdade! Liberdade\u201d. \u00c9 com este grito, repetido e cadenciado por um veemente aplauso e de um baque r\u00edtmico de golpes na mesa, que na It\u00e1lia, em outubro de 2020, noventa clientes de um restaurante em Pesaro, defenderam a decis\u00e3o de seu propriet\u00e1rio Umberto Carriera, de violar as medidas anti-COVID impostas pelo Estado e manter aberto o seu local.<\/p>\n<p>\u201cEles est\u00e3o zombando de n\u00f3s\u201d, afirmou o propriet\u00e1rio do restaurante e j\u00e1 propriet\u00e1rio de seis estabelecimentos comerciais, n\u00e3o muito antes de se encontrar com o l\u00edder da Liga, Matteo Salvini: \u201co v\u00edrus \u00e9 uma droga de v\u00edrus como os outros\u2026 qualquer que seja a decis\u00e3o tomada pelo governo daqui em diante, os meus restaurantes n\u00e3o ir\u00e3o mais fechar\u201d[1].<\/p>\n<p>At\u00e9 a data atual, este \u201cv\u00edrus como qualquer outro\u201d j\u00e1 matou, apenas na It\u00e1lia, cerca de 130 mil pessoas.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o parece ser uma quest\u00e3o quantitativa: seja baixo ou alto o n\u00famero de v\u00edtimas, dez mil ou um milh\u00e3o, a conviv\u00eancia com a morte parece ser um pre\u00e7o que se deveria estar disposto a pagar para defender uma coisa t\u00e3o elevada e preciosa como a liberdade. Este \u00e9 pelo menos o significado das palavras pronunciadas pelo Primeiro-Ministro brit\u00e2nico Boris Johnson: \u201cEntre n\u00f3s h\u00e1 mais cont\u00e1gios do que na It\u00e1lia porque amamos a liberdade\u201d[2]. Ou seja, o apego \u00e0 liberdade \u00e9 entre os ingleses t\u00e3o forte que eles nunca a deturpariam, a qualquer custo, com medidas restritivas e lockdown de qualquer tipo. Contudo, quando o custo da liberdade come\u00e7ou a subir vertiginosamente e as massas de cad\u00e1veres come\u00e7aram a lotar os necrot\u00e9rios, foram os pr\u00f3prios ingleses que exigiram ao Primeiro-Ministro Johnson alguma deturpa\u00e7\u00e3o daquela liberdade que ele tanto havia anunciado[3].<\/p>\n<p>A mesma linha era adotada nos EUA pelo presidente Donald Trump. Pesando contra os governadores que nos estados individuais impuseram medidas restritivas, ele afirmou imediatamente que, aconte\u00e7a o que acontecer, ele defenderia at\u00e9 o fim a democracia: t\u00e3o logo o vemos abertamente lado a lado com todos os manifestantes que come\u00e7aram a marchar nas ruas americanas para protestar contra o lockdown (estamos em maio de 2020): \u201co grande povo\u201d americano \u201cquer a liberdade\u201d, afirmou celebrando e incitando as manifesta\u00e7\u00f5es[4]. Naquela \u00e9poca, no entanto, em Nova York, montanhas de cad\u00e1veres eram jogados em valas comuns, pois os cemit\u00e9rios agora estavam t\u00e3o saturados de caix\u00f5es que explodiram[5].<\/p>\n<p>Ainda assim, em novembro do mesmo ano, o chefe da Casa Branca e autoproclamado paladino da liberdade reafirmou mais uma vez os seus princ\u00edpios: \u201cEste governo n\u00e3o lan\u00e7ar\u00e1 nunca qualquer lockdown, sob nenhuma circunst\u00e2ncia\u201d[6].<\/p>\n<p>Passados alguns meses, os EUA viram ultrapassar o limiar das 500 mil v\u00edtimas, atingindo em pouco tempo cerca de 615 mil mortes: \u00e9, como j\u00e1 foi referido, um n\u00famero de morte, na hist\u00f3ria dos EUA, superior ao da \u201cprimeira, da segunda guerra mundial, da guerra do Vietn\u00e3, do 11 de setembro, da guerra do Afeganist\u00e3o e da guerra do Iraque, juntas\u201d[7].<\/p>\n<p>Mas em sua \u201cluta pela liberdade\u201d, que se torna cada vez mais uma luta contra as medidas antipand\u00eamicas, o presidente americano n\u00e3o est\u00e1 s\u00f3. Em maio de 2021, no Brasil, o presidente Bolsonaro chegou a recorrer ao ex\u00e9rcito: e n\u00e3o, como em muitos Estados europeus ou como na China, para fazer cumprir o lockdown, mas ao contr\u00e1rio, para impedi-lo. Lutando contra o confinamento social decretado pelos governadores para prevenir a propaga\u00e7\u00e3o do coronav\u00edrus, Bolsonaro antecipa com estas palavras o envio das for\u00e7as armadas: \u201cEu n\u00e3o ordenei fechar nada, o meu ex\u00e9rcito vai sair \u00e0s ruas para manter a sua liberdade!\u201d[8].<\/p>\n<p>At\u00e9 o pa\u00eds sul-americano, que viajava no ritmo de cerca de 4 mil mortes por dia, j\u00e1 passou, como os Estados Unidos, de meio milh\u00e3o de v\u00edtimas, ao ponto que o ex-presidente Lula indicou abertamente Bolsonaro como o \u201crespons\u00e1vel pelo maio genoc\u00eddio da hist\u00f3ria do Brasil\u201d[9].<\/p>\n<p>Mas o que \u00e9 a essa liberdade que parece ser t\u00e3o cara ao cora\u00e7\u00e3o, antes mesmo dos anti-vacinas, dos anti-m\u00e1scaras, e dos anti-visto, para aqueles que, como Bolsonaro, lutaram com todas as suas for\u00e7as contra o lockdown e as medidas de distanciamento social? Sobre este aspecto, o pr\u00f3prio presidente do Brasil pode ajudar a esclarecer: \u201cParalisar a economia por causa de 5 mil ou 7 mil pessoas que morrer\u00e3o pela febre COVID-19 n\u00e3o \u00e9 realista\u201d, afirmou em mar\u00e7o de 2020[10]. \u00c9 evidente que a liberdade que est\u00e1 em primeiro lugar no cora\u00e7\u00e3o do l\u00edder da extrema direita brasileira \u00e9 a liberdade do poder econ\u00f4mico. E \u00e9 precisamente sobre esta prioridade atribu\u00edda \u00e0 \u201cliberdade econ\u00f4mica\u201d sobre o \u201cdireito \u00e0 necessidade extrema\u201d (diria Hegel), isto \u00e9, \u00e0 liberdade do elevado perigo de morte, que s\u00e3o baseadas as suas escolhas pol\u00edticas e a sua gest\u00e3o da pandemia.<\/p>\n<p>Vem \u00e0 mente, na situa\u00e7\u00e3o que acabamos de descrever, as palavras que o autor da Fenomenologia do Esp\u00edrito havia pronunciado nas suas Li\u00e7\u00f5es sobre filosofia da hist\u00f3ria: \u201cQuando se evoca a palavra liberdade\u201d, lembra o fil\u00f3sofo alem\u00e3o, \u201c\u00e9 preciso sempre prestar aten\u00e7\u00e3o para que n\u00e3o sejam, ao inv\u00e9s, interesses privados para aqueles de que estamos falando\u201d[11].<\/p>\n<p>No entanto, esta sobreposi\u00e7\u00e3o entre a palavra \u201cliberdade\u201d e o \u201cinteresse privado\u201d parece ocorrer continuamente no curso da hist\u00f3ria e parece ter ocorrido, com maior frequ\u00eancia, mesmo no curso desta pandemia. Mais uma vez \u201cLiberdade! Liberdade\u201d, bradaram na It\u00e1lia os manifestantes contr\u00e1rios ao Green Pass, com uma parte da filosofia que faziam eco: \u201cse forem reprimidas as liberdades individuais por decreto, o que estar\u00e1 em perigo \u00e9 a democracia\u201d, disse Giorgio Agamben em refer\u00eancia \u00e0 \u201ccertifica\u00e7\u00e3o verde COVID-19\u201d[12]. E Massimo Cacciari em La Stampa: \u201cVivemos h\u00e1 mais de vinte anos em um estado de exce\u00e7\u00e3o que, de vez em quando, com motiva\u00e7\u00f5es diversas, que tamb\u00e9m podem parecer fundadas e razo\u00e1veis, condiciona, enfraquece, limita a liberdade\u201d[13].<\/p>\n<p>Mas algumas quest\u00f5es surgem neste ponto: quando as sacrossantas liberdades individuais, defendidas por chefes de Estado, propriet\u00e1rios, homens do povo e fil\u00f3sofos, s\u00e3o realmente livres? E o que significa exatamente liberdade? Esse termo pode coincidir com uma gen\u00e9rica \u201caus\u00eancia de restri\u00e7\u00f5es\u201d? Para desatar estes n\u00f3s, me parece que, bem mais do que Agamben ou Cacciari, s\u00e3o mais do que tudo as li\u00e7\u00f5es de Hegel que podem vir em nosso socorro.<\/p>\n<p>O que \u00e9, ent\u00e3o, para Hegel, liberdade?<\/p>\n<p>As li\u00e7\u00f5es de Hegel e a liberdade como aus\u00eancia de restri\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>Entretanto, vale a pena tentar compreender o que, em seu julgamento, absolutamente n\u00e3o \u00e9 (embora muitas vezes e de forma completamente err\u00f4nea possa ser para n\u00f3s): liberdade, para Hegel, n\u00e3o \u00e9 absolutamente o \u201cfazer o que se quer\u201d.<\/p>\n<p>Trata-se, de fato, de uma vis\u00e3o meramente formalista da liberdade, quase como se tal conceito n\u00e3o tivesse algum conte\u00fado espec\u00edfico ou que o conte\u00fado espec\u00edfico que volta e meia esta forma presumida assuma seja irrelevante. Assim, \u201cliberdade\u201d pode ser qualquer conte\u00fado da vontade: quem quer o green pass, quem n\u00e3o o quer, quem quer tratar os doentes nos hospirais com ritos m\u00e1gicos, quem n\u00e3o o quer fazer, quem quer matar os chineses, quem quer atirar nas balsas dos imigrantes, a liberdade pode ser tudo isso neste ponto\u2026 e portanto, nada.<\/p>\n<p>Entretanto, este ponto deve ser mantido firmemente no lugar: a liberdade, para Hegel, n\u00e3o \u00e9 arbitr\u00e1ria, a liberdade n\u00e3o \u00e9 absolutamente o \u201cfazer o que se quer\u201d. Aqui est\u00e1 o que ele escrevem em Princ\u00edpios da filosofia do direito:<\/p>\n<p>\u201cA representa\u00e7\u00e3o mais comum que se tem da liberdade \u00e9 o arb\u00edtrio\u2026 Quando se diz que a Liberdade em geral consiste no \u2018poder fazer o que se quer\u2019, uma tal representa\u00e7\u00e3o s\u00f3 pode ser tomada por falta de educa\u00e7\u00e3o do pensamento; nela n\u00e3o se encontra nenhum ind\u00edcio do que \u00e9 a livre vontade em si e por si, o direito, a \u00e9tica, etc. [\u2026]. O arb\u00edtrio, ao inv\u00e9s de ser a vontade na sua Verdade, \u00e9 antes a vontade como contradi\u00e7\u00e3o [\u2026]. O arb\u00edtrio, quando se afirma que \u00e9 a Liberdade, certamente pode ser definido como uma ilus\u00e3o[14].<\/p>\n<p>E na Est\u00e9tica:<\/p>\n<p>O sujeito, como prisioneiro do singular, dos limitados e mesquinhos interesses de seu desejo, n\u00e3o \u00e9 livre em si mesmo, pois n\u00e3o se determina segundo a universalidade e racionalidade essenciais de sua vontade, nem \u00e9 livre em rela\u00e7\u00e3o ao mundo externo, porque o desejo essencialmente permanece determinado pelas coisas e se refere a elas[15].<\/p>\n<p><strong>A liberdade de um termina onde come\u00e7a a do outro?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 preciso ter em mente que uma semelhante vis\u00e3o formalista afeta, segundo Hegel, tamb\u00e9m aquele conceito de liberdade j\u00e1 presente em pensadores como Rousseau, Kant e Fichte e que penetrou de maneira profunda no senso comum de hoje depois da c\u00e9lebre formula\u00e7\u00e3o de Martin Luther King: \u201cA minha liberdade termina onde come\u00e7a a do outro\u201d.<\/p>\n<p>Escreve criticamente Hegel nos Princ\u00edpios:<\/p>\n<p>Tal defini\u00e7\u00e3o implica o ponto de vista, difundido sobretudo depois de Rousseau, segundo o qual a base substancial e o termo primeiro do direito [ou da liberdade \u2013 E.A.] deve ser a vontade, mas n\u00e3o a vontade como ser-em-si-e-para-si, como racional, deve ser o esp\u00edrito, mas n\u00e3o como um esp\u00edrito verdadeiro, mas como indiv\u00edduo particular, como vontade do singular em seu arb\u00edtrio particular.<\/p>\n<p>De acordo com esse princ\u00edpio\u2026 n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que a Raz\u00e3o pode resultar apenas como limitante, e certamente ela \u00e9 entendida n\u00e3o como Raz\u00e3o imanente, mas simplesmente como um universal externo, formal[16].<\/p>\n<p>\u00c9 evidente que para Hegel a liberdade n\u00e3o \u00e9 nem arbitrariedade (ou seja, \u201cfazer o que se quer\u201d), nem a media\u00e7\u00e3o dos arb\u00edtrios (ou seja, a media\u00e7\u00e3o dos diferentes \u201cfazer o que queremos\u201d). Para Hegel, a liberdade \u00e9 um conte\u00fado que est\u00e1 em sintonia com a racionalidade do mundo e o interesse universal. Livre pode ser definido ent\u00e3o como aquele indiv\u00edduo que \u00e9 posto nas condi\u00e7\u00f5es de desejar para si mesmo aquilo cuja realiza\u00e7\u00e3o constitui ao mesmo tempo uma aquisi\u00e7\u00e3o universal. E n\u00e3o s\u00f3 isso: n\u00e3o \u00e9 suficiente a converg\u00eancia entre o desejo particular e o interesse universal, \u00e9 necess\u00e1rio que tal converg\u00eancia seja plena de consci\u00eancia, de saber, que os homens singulares tomem consci\u00eancia da coincid\u00eancia de conte\u00fado entre o seu desejo subjetivo e o bem do g\u00eanero humano.<\/p>\n<p>Quando a liberdade n\u00e3o est\u00e1 carregada de um conte\u00fado de valor universal, para Hegel n\u00e3o \u00e9 liberdade, mas arb\u00edtrio, interesse particular que fala em nome da liberdade, mas que da liberdade possui e difunde apenas a ilus\u00e3o.<\/p>\n<p>No Pref\u00e1cio aos Princ\u00edpios, o c\u00e9lebre fil\u00f3sofo citou alguns versos do Fausto de Goethe, aquela obra monumental que mostra o confronto entre Fausto e Mefist\u00f3feles, ou entre a humanidade e os seus instintos mais baixos e primordiais:<\/p>\n<p>\u201cEle tamb\u00e9m despreza o intelecto e a ci\u00eancia<\/p>\n<p>Talentos supremos do homem<\/p>\n<p>Ent\u00e3o voc\u00ea se entregou ao diabo<\/p>\n<p>E ter\u00e1 que afundar\u201d.<\/p>\n<p>Espero que esta li\u00e7\u00e3o hegeliana possa ajudar a todos n\u00f3s a nos orientarmos melhor nas disputas desses dias (ou melhor, desses meses) que trazem tanto \u00e0 tona a palavra \u201cliberdade\u201d ao ponto de t\u00ea-la transformada, como diria Laclau, em um \u201csignificante vazio\u201d. Talvez tamb\u00e9m gra\u00e7as a Hegel tenhamos mais cedo ou mais tarde a possibilidade, neste significante, de ench\u00ea-lo novamente de conte\u00fado; apesar de todos os Agamben e os Cacciari do caso, que continuam implicitamente a postular a liberdade como uma mera aus\u00eancia de restri\u00e7\u00f5es, como um sarc\u00f3fago vazio dentro do qual seria pass\u00edvel colocar qualquer conte\u00fado da vontade.<\/p>\n<p><strong>A liberdade nos tempos do COVID-19 entre socialismo e capitalismo<\/strong><\/p>\n<p>Se, portanto, estamos de acordo com Hegel em pensar a liberdade n\u00e3o como uma forma vazia, mas como um conte\u00fado de valor universal, n\u00e3o podemos ent\u00e3o deixar de descobrir como, no curso da pandemia do COVID-19, entre os velhos sistemas capitalistas (ver principalmente os Estados Unidos e a Europa) e as experiencias sociais de orienta\u00e7\u00e3o socialista (vejamos Cuba, China e Vietn\u00e3) \u2013 embora isso possa parecer um paradoxo aos olhos da supremacia ocidental que identifica \u201cOcidente\u201d e \u201cdemocracia\u201d e est\u00e1 habituado a conceber a \u201cliberdade\u201d unicamente como \u201cliberdade do Ocidente\u201d e nunca como \u201clivre do Ocidente\u201d \u2013 foi o segundo que defendeu muito mais do que o primeiro, o valor do universalismo e a causa da liberdade. Nos primeiros, de fato, a liberdade do poder econ\u00f4mico (a liberdade particularista) minou a liberdade de exist\u00eancia e o direito \u00e0 vida (liberdade universal), muito mais do que nos segundos.<\/p>\n<p>Isso pode ser constatado n\u00e3o apenas do ponto de vista das ci\u00eancias matem\u00e1ticas (isto \u00e9, confrontando o n\u00famero de mortes entre uns e outros, ou o compromisso e a capacidade com que respectivamente defenderam o direito \u00e0 vida dentro do seu pr\u00f3prio dom\u00ednio), mas tamb\u00e9m do ponto de vista do esp\u00edrito geral e dos comportamentos gradualmente assumidos em escala mundial. Desde o in\u00edcio, a Rep\u00fablica Popular Chinesa exortou todos os pa\u00edses do mundo a deixar de lado os ressentimentos pol\u00edticos, a cooperar, a coordenar todos juntos na luta contra o COVID-19: \u201cA epidemia mostra claramente que o v\u00edrus n\u00e3o conhece fronteiras nacionais, n\u00e3o distingue entre Norte, Sul, Leste ou Oeste. Nenhum pa\u00eds pode enfrenta-lo sozinho, apenas unindo as for\u00e7as \u00e9 poss\u00edvel vencer esse desafio\u201d[17], afirmou, por exemplo, o embaixador chines na It\u00e1lia. Logo as palavras foram seguidas dos fatos: somente para nossa pen\u00ednsula a Rep\u00fablica Popular enviou \u201c31 toneladas de materiais, incluindo equipamentos de aparelhos respirat\u00f3rios, roupas, m\u00e1scaras\u2026 alguns medicamentos antiv\u00edrus junto com sangue e plasma\u201d[18]. Na regi\u00e3o de Marche, na prov\u00edncia de Ancona, a China construiu um hospital de campanha com 50 m\u00e9dicos, 80 enfermeiros e 30 t\u00e9cnicos vindos de Wuhan, prontos a arriscar suas vidas, em um momento em que nem havia vacinas dispon\u00edveis, a fim de trazer sua riqueza de experi\u00eancia e ajudar a It\u00e1lia a cuidar dos pacientes da COVID[19]. Por outro lado, numerosas for\u00e7as-tarefas de sa\u00fade foram enviadas por Pequim a nosso pa\u00eds, para nos apoiar em um momento de grande dificuldade[20]. A primeira delas (enquanto o governo italiano mostrava toda a sua fraqueza no confronto da Confedera\u00e7\u00e3o e do poder econ\u00f4mico, permitindo que f\u00e1bricas e centros de produ\u00e7\u00e3o permanecessem abertos apesar das greves e dos protestos dos trabalhadores[21]), mostrou forte preocupa\u00e7\u00e3o com a frouxid\u00e3o demonstrada por nossa lideran\u00e7a pol\u00edtica perante uma tal emerg\u00eancia: \u201c\u00c9 necess\u00e1rio fazer mais para conter a difus\u00e3o da epidemia. Na Lombardia, as medidas tomadas n\u00e3o s\u00e3o r\u00edfidas o bastante: \u00e9 necess\u00e1rio interromper a atividade econ\u00f4mica e a circula\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou a Cruz Vermelha chinesa na It\u00e1lia; \u201cNas ruas ainda se encontram muitas pessoas\u201d, alertou em Roma um professor chines de medicina pulmonar e vice-diretor do Instituto Nacional de Doen\u00e7as Parasit\u00e1rias; infelizmente, \u201cn\u00e3o s\u00e3o tomadas outras medidas\u201d, afirmou de maneira perempt\u00f3ria Qiu Yunqing (especialista chines em doen\u00e7as infecciosas no topo da delega\u00e7\u00e3o de treze especialistas que visitaram hospitais no norte da It\u00e1lia), \u00e9 necess\u00e1rio um \u201cdistanciamento social \u2018r\u00edgido\u2019 com todas as portas fechadas: f\u00e1bricas, escrit\u00f3rios, com\u00e9rcio. Tudo fechado\u201d[22].<\/p>\n<p>Seria tolice e malicioso, uma esp\u00e9cie de atitude de \u201cPerigo Amarelo\u201d ou de \u201cprotocolos dos S\u00e1bios de Mao Zedong\u201d acreditar que por tr\u00e1s destas sugest\u00f5es havia um desejo maligno chin\u00eas de atacar a liberdade da popula\u00e7\u00e3o italiana, em vez de um claro desejo de defende-la.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m ao Vietn\u00e3, por sua vez, n\u00e3o faltou esp\u00edrito de colabora\u00e7\u00e3o e solidariedade, enviando a Malpensa uma carga de tr\u00eas toneladas de materiais hospitalar[23]. E mesmo a pequena Cuba enviou os seus pr\u00f3prios m\u00e9dicos e enfermeiros especialistas em doen\u00e7as infecciosas, ent\u00e3o candidatos ao Nobel da Paz, com o objetivo de dar a sua pr\u00f3pria contribui\u00e7\u00e3o[24].<\/p>\n<p>Nenhum desses pa\u00edses sonhou, mesmo remotamente, em lan\u00e7ar um ataque econ\u00f4mico, com embargos e san\u00e7\u00f5es, contra qualquer Estado ocidental ou oriental.<\/p>\n<p>Como tem se comportado, em vez, deste ponto de vista, o mundo capitalista? Em mar\u00e7o de 2021, a It\u00e1lia, junto com a Gr\u00e3-Bretanha, Fran\u00e7a e Holanda, expresseu em Vienna, no Conselho de Direitos Humanos da ONU, o voto contra uma resolu\u00e7\u00e3o condenando os embargos unilaterais[25].<\/p>\n<p>Os Estados Unidos, por sua vez, depois de mais de 60 anos de bloqueio econ\u00f4mico comercial e de verdadeiras atividades terroristas contra Cuba[26], intensificou sob a administra\u00e7\u00e3o Trump a guerra econ\u00f4mica contra a ilha, lan\u00e7ando 243 medidas coercitivas, ent\u00e3o confirmadas e aumentadas pelo presidente Biden[27], apesar da condena\u00e7\u00e3o j\u00e1 expressa da ONU[28].<\/p>\n<p>Em 4 de junho de 2020, Steve Bannon, um homem da extrema direita e ex-l\u00edder estrategista da Casa Branca, fundou em Nova York, junto com Guo Wengui, bilion\u00e1rio e dissidente chin\u00eas j\u00e1 acusado de corrup\u00e7\u00e3o, o New Federal State of China, uma organiza\u00e7\u00e3o que se prop\u00f5e explicitamente o objetivo de derrubar o PCC e o governo de Pequim. O Presidente Trump, por sua vez, lan\u00e7a san\u00e7\u00f5es contra a China[29], inclusive estas, como aquelas contra Cuba, aumentadas e endurecidas pelo governo Biden[30]. Esta continuidade da pol\u00edtica externa entre os dois presidentes americanos se manifesta tamb\u00e9m na maneira como ambos alimentaram, sem nenhuma evid\u00eancia concreta e em absoluto desprezo pelas demonstra\u00e7\u00f5es dos estudos cient\u00edficos mais fidedignos[31], as teses de conspira\u00e7\u00e3o sobre a origem artificial do COVID-19[32].<\/p>\n<p>Enquanto isso, a Rep\u00fablica Popular da China, n\u00e3o s\u00f3 defendeu a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) dos ataques do governo Trump, que j\u00e1 havia preparado a sa\u00edda dos EUA e a interrup\u00e7\u00e3o do financiamento, mas tamb\u00e9m dos recentes conflitos que, no que diz respeito \u00e0 gest\u00e3o da vacina\u00e7\u00e3o, surgiram entre esta e o bloco dos Estados capitalistas ocidentais. A este respeito, \u00e9 preciso lembrar que a China tem apoiado assiduamente, junto com Cuba e Vietn\u00e3, a proposta liderada da \u00cdndia e da \u00c1frica do Sul \u00e0 Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio de suspender as patentes de vacinas para permitir ao Terceiro Mundo aquelas coberturas massivas que de outra forma, dada sua condi\u00e7\u00e3o de escassez econ\u00f4mica, n\u00e3o poderia garantir. Mas, mais uma vez, a vida parece, para os Estados\/na\u00e7\u00f5es de orienta\u00e7\u00e3o capitalista, n\u00e3o valer tanto quanto os lucros das grandes empresas farmac\u00eauticas \u00e0s quais destinaram precisamente os fundos p\u00fablicos para o desenvolvimento de vacinas: assim, com os votos contr\u00e1rios dos Estados Unidos, da Gr\u00e3-Bretanha e dos pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia, a proposta da \u00cdndia e da \u00c1frica do Sul \u00e9 rejeitada. \u201cSem pagamentos, sem vacinas\u201d: apesar de algumas declara\u00e7\u00f5es improvisadas do presidente Biden, que apenas verbalmente mostrou d\u00favidas, esta permaneceu a decis\u00e3o inalterada do Ocidente capitalista. E \u00e9 neste ponto que surge um novo confronto com a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade. Esta \u00faltima, de fato, acredita que para combater de maneira mais adequada a dissemina\u00e7\u00e3o do COVID-19 e evitar uma prolifera\u00e7\u00e3o de variantes que ir\u00e3o gradativamente tornar as vacinas desenvolvidas at\u00e9 agora menos eficazes, \u00e9 mais importante garantir a todo o planeta, pelo menos, a cobertura de uma primeira dose do que em alguns pa\u00edses a da terceira. Aceita por todo o mundo economicamente atrasado e pelos Estados de orienta\u00e7\u00e3o socialista, esta recomenda\u00e7\u00e3o da OMS foi abruptamente rejeitada pelos Estados ocidentais de orienta\u00e7\u00e3o capitalista, para os quais parece mais importante garantir a terceira doce aos \u00dcbermenschen do bloco euro-atl\u00e2ntico, do que a primeira dose aos Untermenschen dos Estados subdesenvolvidos[33]. A Rep\u00fablica Popular da China, por outro lado, al\u00e9m de ter apoiado assiduamente o pedido da \u00cdndia e da \u00c1frica do Sul de suspens\u00e3o de patentes de vacinas, al\u00e9m de j\u00e1 ter vacinado mais de um quinto da popula\u00e7\u00e3o mundial[34] e limitando os cont\u00e1gios atrav\u00e9s de controle sanit\u00e1rios rigorosos e da introdu\u00e7\u00e3o do passaporte vacinal[35], al\u00e9m de j\u00e1 ter oferecido a sua contribui\u00e7\u00e3o em termos de m\u00e9dicos, vacinas e material hospitalar a pa\u00edses em dificuldade, depois de ter j\u00e1 oferecido 110 milh\u00f5es de doses ao programa Covax (uma opera\u00e7\u00e3o lan\u00e7ada pelas Na\u00e7\u00f5es Unidas para facilitar a aquisi\u00e7\u00e3o de vacinas aos pa\u00edses mais pobres), compromete-se a doar 2 bilh\u00f5es de ampolas ao resto do mundo at\u00e9 o final de 2021 e 100 milh\u00f5es de d\u00f3lares ao citado programa. A China, disse o presidente Xi Jinping, \u201ccontinuar\u00e1 a fazer todo o poss\u00edvel para ajudar os pa\u00edses em desenvolvimento a enfrentar a pandemia\u201d e continuar\u00e1 a trabalhar para \u201cfortalecer a coopera\u00e7\u00e3o internacional em vacinas e promover a sua distribui\u00e7\u00e3o\u201d[36].<\/p>\n<p>\u00c9 claro, entre os pa\u00edses que lideram o bloco euro-atl\u00e2ntico, devemos incluir tamb\u00e9m o caso de Israel, que teve um n\u00famero relativamente baixo de mortes e que garantiu o \u201cdireito \u00e0 vida\u201d de sua pr\u00f3pria popula\u00e7\u00e3o por meio da vacina\u00e7\u00e3o em massa imediata. Mas tal direito, neste Estado, foi pensado em termos realmente universais? Depois de receber uma chuva de cr\u00edticas por n\u00e3o apoiar as popula\u00e7\u00f5es dos territ\u00f3rios ocupados, Israel firmou um acordo com a Autoridade Nacional Palestina (ANP) para o fornecimento de 1,2 milh\u00f5es de doses Pfizer. Esta \u00faltima, por\u00e9m, logo foi for\u00e7ada a cancelar o acordo e devolver as doses, assim que percebeu que Israel havia enviado cargas de frascos com prazo de validade iminente. Em suma, enquanto o governo de Tel Aviv j\u00e1 havia realizado em sua pr\u00f3pria popula\u00e7\u00e3o 60% da vacina\u00e7\u00e3o, os palestinos, com os hospitais j\u00e1 saturados de enfermos, continuavam abaixo do 1%[37], e se deparavam com a tr\u00e1gica possibilidade de escolher entre morrer (direta ou indiretamente) de COVID-19 ou inocular nas veias f\u00e1rmacos vencidos[38]. Mais uma vez foi a Rep\u00fablica Popular da China que veio em socorro, garantindo ao povo palestino 200 mil doses de vacinas e um milh\u00e3o de d\u00f3lares a ser gastos em assist\u00eancia sanit\u00e1ria[39].<\/p>\n<p>Ao final desse quadro, podemos chegar a uma conclus\u00e3o entre 1) os pa\u00edses capitalistas liderados por governos liberais-conservadores; 2) aquele mundo dos No-Vax, No-Mask, No-Pass e No-Lockdown que, apesar de suas diferen\u00e7as internas, de alguma forma legitimou as suas escolhas; 3) os pa\u00edses liderados por governos liberais democr\u00e1ticos (tamb\u00e9m subordinados \u00e0s grandes pot\u00eancias econ\u00f4micas e incapazes de pensar na liberdade substancial e no direito \u00e0 vida em termos autenticamente universais) e 4) os pa\u00edses de orienta\u00e7\u00e3o socialista liderados por partidos comunistas (Cuba, China e Vietn\u00e3 em primeiro lugar), s\u00e3o estes \u00faltimos que, apesar das suas contradi\u00e7\u00f5es, tem manifestado uma maior propens\u00e3o universalista, um maior esp\u00edrito cooperativo e uma inclina\u00e7\u00e3o mais profunda para a defesa da liberdade em escala mundial. Por outro lado, s\u00e3o os mesmos sujeitos pol\u00edticos que mostraram com este \u00faltimo termo, \u201cliberdade\u201d, n\u00e3o pode ser desvinculado de um conte\u00fado de valor universal, daquela \u201cluta de classes\u201d e daquela \u201cluta pelo reconhecimento\u201d (de mem\u00f3ria marxiana e hegeliana), que querem ser o ve\u00edculo de um universalismo cada vez mais concreto. Devemos nos lembrar disso toda vez que em um discurso ouvimos a palavra \u201cliberdade\u201d usada como um significante vazio, como uma bandeira ret\u00f3rica com a qual adornamos e obscurecemos em busca de meros interesses particulares.<\/p>\n<p>Via <a href=\"https:\/\/lavrapalavra.com\/2021\/12\/02\/o-que-e-a-liberdade-covid-19-e-a-defesa-do-direito-a-vida\/\">LavraPalavra<\/a><\/p>\n<p><strong>Notas:<\/strong><\/p>\n<p>[1] D. Falcioni, Pesaro, ristorante aperto nonostante il Dpcm. Il titolare: \u201cNon chiudo, dovranno arrestarmi\u201d, Fanpage, 26-10-2020.<\/p>\n<p>[2] Covid, Johnson: \u201cPi\u00f9 contagi dell\u2019Italia perch\u00e9 amiamo la libert\u00e0\u201d, Adnkronos, 23-09-2020.<\/p>\n<p>[3] T. Di Giovannandrea, Londra, epidemiologi britannici contro le decisioni di Boris Johnson, RaiNews, 14-03-2020.<\/p>\n<p>[4] Nonostante la \u2018strage\u2019 Trump attacca ancora il lockdown: \u201cI democratici lo usano per scopi politici\u201d, Globalist, 11-05-2020.<\/p>\n<p>[5] Cfr. Coronavirus, immagini shock dagli Usa: fosse comuni a New York, TgCom24, 10-04-2020.<\/p>\n<p>[6] Coronavirus, Trump: \u00abQuesta amministrazione non varer\u00e0 mai un lockdown\u00bb, Corriere della Sera, 14-11-2020.<\/p>\n<p>[7] Covid. Allarme Usa, studio CDC: la variante Delta pi\u00f9 pericolosa, si diffonde come la varicella, RaiNews, 30-07-2021.<\/p>\n<p>[8] Covid: Bolsonaro, mio esercito pronto a difendere la libert\u00e0, ANSA, 14-05-2021.<\/p>\n<p>[9] \u201cCovid, Bolsonaro responsabile del pi\u00f9 grande genocidio nella storia del Brasile\u201d: l\u2019attacco di Lula, Il Fatto Quotidiano, 26-03-2021.<\/p>\n<p>[10] U. Mazzantini, Bolsonaro: \u00abI veri uomini non prendono il coronavirus\u00bb. L\u2019opposizione: \u00abIl Brasile non pu\u00f2 essere distrutto da Bolsonaro\u00bb, Greenreport, 31-03-2020.<\/p>\n<p>[11] Hegel, Vorlesungen \u00fcber die Philosophie der Weltgeschichte, trad. it., Lezioni sulla filosofia della storia, a cura di Giovanni Bonacina e Livio Sichirollo, Laterza, Bari 2003, p. 350.<\/p>\n<p>[12] G. Agamben, \u201cNon discutiamo le vaccinazioni ma l\u2019uso politico del Green Pass\u201d, La Stampa, 30-07-2021.<\/p>\n<p>[13] M. Cacciari, Ecco perch\u00e9 dico no al Green Pass e alla logica del sorvegliare e punire, La Stampa, 28-07-2021.<\/p>\n<p>[14] Hegel, Grundlinien, W 7, 65 \u00a7 15, tr. it. p. 103.<\/p>\n<p>[15] Hegel, Vorlesungen \u00fcber die \u00c4sthetik, W 13, 58, tr. it., Estetica, Einaudi, Torino 1997, vol. I, p. 46.<\/p>\n<p>[16] Hegel, Grundlinien, W 7, 79-80 \u00a7 29, tr. it., p. 117.<\/p>\n<p>[17] M.G. Napolitano, Ambasciatore cinese: \u201cGli aiuti? Siamo amici, vogliamo salvare vite\u201d, Adnkronos, 05-04-2020.<\/p>\n<p>[18] Coronavirus, l\u2019aiuto cinese all\u2019Italia: \u201cMateriale, esperti e i risultati del lavoro di migliaia di medici\u201d, La Stampa, 13-03-2020.<\/p>\n<p>[19] Un ospedale e medici cinesi a Ancona, ANSA, 25-03-2020.<\/p>\n<p>[20] Coronavirus, la Cina invia in Italia il terzo team di medici, RaiNews, 25-03-2020.<\/p>\n<p>[21] Emergenza coronavirus, la rabbia nelle fabbriche aperte. Scioperi spontanei: \u201cNon siamo carne da macello\u201d, La Repubblica, 12-03-2020.<\/p>\n<p>[22] Coronavirus, l\u2019infettivologo cinese: \u201cPer fermare il contagio bisogna chiudere tutto. Servono pi\u00f9 tutele per i vostri medici\u201d, Il Fatto Quotidiano, 30-03-2020.<\/p>\n<p>[23] COVID-19: Arrivato carico di aiuti sanitari dal Vietnam, Ministero degli Affari Esteri e della Cooperazione Internazionale, 17-04-2020 https:\/\/www.esteri.it\/mae\/it\/sala_stampa\/archivionotizie\/approfondimenti\/covid-19-arrivato-scarico-di-aiuti-sanitari-dal-vietnam.html.<\/p>\n<p>[24] Coronavirus, Cuba in soccorso dell\u2019Italia: 52 medici e infermieri in arrivo a Crema, La Repubblica, 21-03-2020; Coronavirus: Cuba invia seconda brigata medica in Italia, Sicurezza Internazionale 14-04-2020; L. Landoni, Coronavirus, i medici cubani al lavoro in Lombardia candidati al Nobel per la Pace, La Repubblica, 28-09-2020.<\/p>\n<p>[25] Polemiche per la decisione dell\u2019Italia di votare \u201cno\u201d all\u2019Onu alla condanna delle sanzioni Usa su Cuba, La Repubblica, 30-03-2021.<\/p>\n<p>[26] Cfr. S. Lamrani (a cura di), Il terrorismo degli Stati Uniti contro Cuba. Il caso dei Cinque: una storia inquietante censurata dai media, Sperling &amp; Kupfer, Segrate 2006.<\/p>\n<p>[27] Cuba, Biden conferma le misure di Trump, Adnkronos, 16-07-2021; Usa, Biden: \u201cLe nuove sanzioni a Cuba sono solo all\u2019inizio\u201d, Tgcom24, 23-07-2021.<\/p>\n<p>[28] D. Battistessa, Embargo Cuba, Onu: \u201cIl blocco economico Usa v\u00ecola i diritti umani\u201d, Osservatorio Diritti, 16-07-2021.<\/p>\n<p>[29] Trump firma le sanzioni alla Cina per Hong Kong, ANSA, 14-07-2020.<\/p>\n<p>[30] Biden estende bando Trump su societ\u00e0 cinesi, 59 aziende nella black list, Il Sole 24 Ore, 03-06-202; I Bremmer, Perch\u00e9 Biden mostra i muscoli con la Cina (pi\u00f9 di Trump), Corriere della Sera, 08-07-2021.<\/p>\n<p>[31] Cfr. Kristian G. Andersen, Andrew Rambaut, W. Ian Lipkin, Edward C. Holmes &amp; Robert F. Garry, The proximal origin of SARS-CoV-2, Nature Medicine, n. 26, 2020 https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41591-020-0820-9; L\u2019Oms, \u2018il virus \u00e8 di origine naturale\u2019, ANSA, 01-05-2020; L\u2019Oms: \u201cI dati portano all\u2019ipotesi di un\u2019origine animale del virus\u201d, ANSA 10-02-2021.<\/p>\n<p>[32] G. Belardelli, Biden e Facebook riabilitano la teoria dell\u2019origine artificiale del Covid, HuffPost, 27-05-2021. Refutar a bizarra tese sobre o virus liberado de um laborat\u00f3rio de Wuham tamb\u00e9m \u00e9 um fato que qualquer epidemiologista deve estar atento: o epicentro de uma infec\u00e7\u00e3o viral n\u00e3o coincide necessariamente com o local de origem do v\u00edrus, que ao inv\u00e9s disso poderia ser m\u00faltiplo, como os estudos sobre a presen\u00e7a da COVID j\u00e1 na It\u00e1lia em setembro de 2019. Cfr. Covid in Italia gi\u00e0 da settembre 2019, lo dice uno studio dell\u2019Istituto dei tumori di Milano, ANSA, 15-11-2020 e outros que j\u00e1 detectaram a presen\u00e7a de pacientes de COVID nos EUA em dezembro e na Fran\u00e7a em novembro de 2019: \u2018Covid j\u00e1 estava nos EUA em dezembro de 2019\u2019: o estudo federal sobre um milh\u00e3o de volunt\u00e1rios, Il Fatto Quotidiano, 15-06-2021; Coronavirus, \u201cprimeiros casos na Fran\u00e7a j\u00e1 em novembro\u201d, Adnkronos, 07-05-2020.<\/p>\n<p>[33] Cfr. G. Cadalanu, Schiaffo dei Paesi ricchi all\u2019Oms: \u201cPrima la terza dose a noi, poi si vedr\u00e0\u201d, La Repubblica 06-08-2021.<\/p>\n<p>[34] Vaccini: Cina, somministrate oltre 1,5 miliardi di dosi, ANSA, 23-07-2021.<\/p>\n<p>[35] R. Ippoliti, La Cina lancia il passaporto vaccinale, \u00e8 il primo paese al mondo, La Stampa, 09-03-2021.<\/p>\n<p>[36] Vaccini: Xi, Cina dar\u00e0 2 miliardi di dosi entro fine 2021, ANSA 05-08-2021.<\/p>\n<p>[37] R. Bongiorni, Medio Oriente: israeliani vaccinati al 60%, palestinesi sotto l\u20191%, Il Sole 24 Ore, 03-04-2021; La denuncia contro Israele: vaccini solo ai coloni, esclusi palestinesi, Huffpost, 03-01-2021.<\/p>\n<p>[38] Palestinesi annullano accordo su vaccini con Israele. Annuncio da Ramallah: la data di scadenza \u00e8 troppo ravvicinata, ANSA, 18-06-2021.<\/p>\n<p>[39] La Cina promette vaccini e un milione di dollari ai palestinesi, Sicurezza Internazionale, 22-05-2021.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/28151\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[245,10,104],"tags":[226],"class_list":["post-28151","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-direitos-humanos","category-s19-opiniao","category-c117-outras-opinioes","tag-4b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-7k3","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28151","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28151"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28151\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28151"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28151"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28151"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}