{"id":28155,"date":"2021-12-11T08:08:12","date_gmt":"2021-12-11T11:08:12","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=28155"},"modified":"2021-12-11T10:57:18","modified_gmt":"2021-12-11T13:57:18","slug":"o-rap-revolucionario-de-don-l-uma-analise-materialista-dialetica-de-roteiro-para-ainouz-vol-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/28155","title":{"rendered":"O rap revolucion\u00e1rio de Don L"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/averdade.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/438266e7-album-don-l.png?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"imagem\" \/><!--more--><\/p>\n<p>Por Marcola, via <a href=\"https:\/\/medium.com\/k%C3%B2if%C3%A9\/uma-analise-materialista-dlal%C3%A9tica-de-roteiro-para-a%C3%AFnouz-vol-2-e5dd90f1a19e\">K\u00f2if\u00e9<\/a><\/p>\n<p>Don L, um dos maiores rappers que temos hoje\u200a\u2014\u200amas que n\u00e3o vem de hoje\u200a\u2014\u200alan\u00e7ou essa semana o aguardado disco \u201cRoteiro para A\u00efnouz, Vol. 2\u201d. E, para desespero do p\u00fablico liberal e ancap do rap, al\u00e9m das minorias cada vez mais reacion\u00e1rias e divisionistas, o \u201ccomunista que curte carros\u201d trouxe nessa obra sua vis\u00e3o sobre o comunismo, seus l\u00edderes e suas experi\u00eancias, e como o povo brasileiro pode se beneficiar da ci\u00eancia imortal do proletariado. Armado das influ\u00eancias de Lenin, Ho Chi Minh e Mao Zedong, al\u00e9m de outros grandes revolucion\u00e1rios, Don L sintetizou a grande necessidade n\u00e3o s\u00f3 do Brasil mas de todos os povos do terceiro mundo: derrubar o capitalismo.<\/p>\n<p>Esse texto n\u00e3o tem o objetivo de avaliar o disco, do qual gostei muito, nem mesmo as rimas, ou explica-las, mas, sim, baseado no materialismo hist\u00f3rico e dial\u00e9tico, criados por Marx e Engels, situar algumas quest\u00f5es \u2014 que o rapper trouxe no disco \u2014 em seus contextos hist\u00f3ricos.<\/p>\n<p><strong>Interl\u00fadio<\/strong><\/p>\n<p>A hist\u00f3ria, dizem, \u00e9 contada pelos vencedores. Portugueses, espanh\u00f3is, ingleses, franceses, e depois da primeira guerra \u2014 emergindo como pot\u00eancia capitalista \u2014 os Estados Unidos, contaram a hist\u00f3ria do mundo a seu modo, ou seja, um modo racista, classista e colonialista. De b\u00e1rbaros a sujos, os povos de todo o mundo foram retratados das piores formas, tendo suas culturas e modos de vida massacrados e subjugados. Marx e Engels, com o desenvolvimento do materialismo hist\u00f3rico e dial\u00e9tico, criaram um m\u00e9todo de analisar a hist\u00f3ria da humanidade que se baseia no modo de produ\u00e7\u00e3o das sociedades, e como a infraestrutura (que corresponde a um dado n\u00edvel de desenvolvimento das for\u00e7as produtivas e \u00e0 rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o da sociedade) espec\u00edfica desses modos de produ\u00e7\u00e3o influenciam a superestrutura, ou seja, as leis, a cultura e a ideologia. Marx e Engels sintetizaram muito bem essa ideia em seu cl\u00e1ssico \u201cA Ideologia Alem\u00e3\u201d.<\/p>\n<p>As id\u00e9ias da classe dominante s\u00e3o, em cada \u00e9poca, as id\u00e9ias dominantes, isto \u00e9, a classe que \u00e9 a for\u00e7a material dominante da sociedade \u00e9, ao mesmo tempo, sua for\u00e7a espiritual dominante.<\/p>\n<p>No Interl\u00fadio de \u201cRPA 2\u201d, isso fica expl\u00edcito com o testemunho de um pastor, que diz:<\/p>\n<p>\u201coc\u00ea tem que entender que enquanto voc\u00ea n\u00e3o for capaz de contar a sua hist\u00f3ria, sua hist\u00f3ria vai virar uma piada na boca do diabo, sua hist\u00f3ria vai virar uma pe\u00e7a teatral, pro diabo apresentar e fazer voc\u00ea chorar.<\/p>\n<p>No s\u00e9culo 20, foram muitos os revolucion\u00e1rios, historiadores e te\u00f3ricos que tentaram acabar com a piada na boca do diabo. Cl\u00f3vis Moura, um dos maiores soci\u00f3logos de nossa hist\u00f3ria, em sua vasta obra, destruiu a tese do \u201cnegro d\u00f3cil\u201d, trazendo a luz as lutas dos africanos e afro-brasileiros contra a escravid\u00e3o. Partindo dos princ\u00edpios marxistas, Cl\u00f3vis nos conta uma hist\u00f3ria de luta, resist\u00eancia, tentativas de insurrei\u00e7\u00e3o, e como esse processo foi o fator determinante para o fim da escravid\u00e3o no Brasil \u2014 assim como o avan\u00e7o do capitalismo na Inglaterra \u2014 mostrando que a Lei \u00c1urea foi nada mais do que um documento que tinha por fun\u00e7\u00e3o dar uma roupagem liberal para os fatos.<\/p>\n<p><strong>Vila Rica<\/strong><\/p>\n<p><em>na trilha pra vila rica<\/em><br \/>\n<em>\u200ba tomar todo o ouro que eu preciso<\/em><br \/>\n<em>\u200bsaquear engenhos no caminho<\/em><br \/>\n<em>\u200bmatar os soldados do rei gringo<\/em><\/p>\n<p>Cl\u00f3vis Moura ainda se faz presente na faixa seguinte, \u201cVila Rica\u201d. Don L fala sobre Canudos e os quilombos, sendo Palmares o mais expressivo. Cl\u00f3vis conta em sua obra \u201cQuilombos \u2014 Resist\u00eancia ao Escravismo\u201d, que os quilombos eram \u201ca unidade b\u00e1sica de resist\u00eancia negra e ind\u00edgena\u201d. Segundo o autor, al\u00e9m dos quilombos, haviam outras formas de resist\u00eancia a escravid\u00e3o, como o assassinato dos senhores, o suic\u00eddio, o banditismo quilombola, o saque de fazendas, armas, ouro, mantimentos e as guerrilhas urbanas. Ainda sobre os quilombos, Cl\u00f3vis afirma que estes se organizavam de forma comunit\u00e1ria, livre do sistema de classe escravista. Se via ali uma forma social distinta da dominante, onde os negros fugidos poderiam se organizar e auxiliar na insurrei\u00e7\u00e3o que tanto almejavam.<\/p>\n<p><strong>\u200bfavela venceu<\/strong><\/p>\n<p><em>se a gente t\u00e1 mec, eles t\u00e3o Donald (Trump)<\/em><br \/>\n<em>\u200bdo nada n\u00f3s Kim Jon, hmm\u2026<\/em><br \/>\n<em>\u200bdesculpa mas tem uma bomba<\/em><\/p>\n<p>A Rep\u00fablica Popular Democr\u00e1tica da Coreia \u2014 mais conhecida como a melhor Cor\u00e9ia \u2014 surgiu ap\u00f3s o fim da segunda guerra mundial, com sua liberta\u00e7\u00e3o das amarras do fascismo japon\u00eas, liderada por Kim Il-Sung, guerrilheiro que se torna o l\u00edder do ent\u00e3o chamado Partido Comunista da Cor\u00e9ia. O pa\u00eds, um m\u00eas antes do final da Segunda Guerra, \u00e9 dividido em duas zonas de influ\u00eancia, entre Estados Unidos e Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. O paralelo 38 foi designado como o ponto de divis\u00e3o entre os dois novos pa\u00edses, Coreia do Sul e Cor\u00e9ia do Norte. Foi ent\u00e3o que surgiu a Guerra Fria, incitada pelos Estados Unidos e a Inglaterra, o que fez com que o pa\u00eds n\u00e3o fosse reunificado \u2014 desejo esse que era compartilhado entre o norte e o sul. O clima gerado por essa divis\u00e3o ocasionou uma grande tens\u00e3o entre os dois pa\u00edses, at\u00e9 que, em 1950, estoura a Guerra da Cor\u00e9ia.<\/p>\n<p>Os Estados Unidos tinham grande interesse na regi\u00e3o, j\u00e1 se baseando em sua pol\u00edtica expansionista \u2014 expressa na Doutrina Truman \u2014 possibilitada pela ascens\u00e3o do pa\u00eds como a grande pot\u00eancia capitalista do mundo. A Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica cumpriu a sua parte do acordo, e retirou suas tropas do lado norte, na data estabelecida. O que se viu foi uma guerra de massacre \u00e9tnico e racial. Dados mostram que a destrui\u00e7\u00e3o na Pen\u00ednsula Coreana foi superior \u00e0 que ocorreu no Jap\u00e3o durante a Segunda Guerra. Importante lembrar que o pa\u00eds foi assombrado por duas bombas at\u00f4micas, lan\u00e7adas pelos terroristas norte-americanos. O livro \u201cOs imperialistas dos Estados Unidos iniciaram a Guerra da Cor\u00e9ia\u201d, traduzido pelos companheiros da Editora Nova Cultura, \u00e9 um relato brutal do massacre que a democracia americana causou na Cor\u00e9ia.<\/p>\n<p>Com o t\u00e9rmino do conflito e a cria\u00e7\u00e3o de uma zona desmilitarizada entre as duas na\u00e7\u00f5es, a Coreia do Norte se viu apoiada pela China e a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. Ao fim do bloco socialista, em 1991, a Rep\u00fablica Popular Democr\u00e1tica da Coreia se viu praticamente sozinha e cercada por na\u00e7\u00f5es inimigas. Foi ent\u00e3o que, refletindo o ensinamento de Mao Zedong (\u201cO poder nasce da ponta do cano de um fuzil\u201d), a Cor\u00e9ia do Norte decidiu come\u00e7ar um plano at\u00f4mico para o pa\u00eds, fazendo com que o sul \u2014 que se tornou uma base americana na pen\u00ednsula \u2014 baixasse o tom nocivo, assim como o dos americanos. As demonstra\u00e7\u00f5es de armas, e em especial, de suas bombas at\u00f4micas, fez com que o norte pudesse ter um respiro, enquanto tentava reconstruir a sua na\u00e7\u00e3o sobre as bases do socialismo. O efeito disso foi que, em 2018, Donald Trump \u2014 ent\u00e3o presidente dos Estados Unidos e um grande racista \u2014 se reuniu, de rabo entre as pernas, com Kim Jong Un, ent\u00e3o l\u00edder do povo norte-coreano, numa enorme derrota diplom\u00e1tica,<\/p>\n<p>E \u00e9 essa grande hist\u00f3ria que Don L consegue, de forma magistral, resumir nas linhas dessa faixa. Nosso dever \u00e9 lutar por um mundo livre de bombas como essa, criadas para o massacre de outros povos. Mas, tamb\u00e9m, fazer uma an\u00e1lise material da situa\u00e7\u00e3o na pen\u00ednsula coreana, e defendermos a autodefesa \u2014 como bem sintetizou Huey P. Newton \u2014 da Rep\u00fablica Popular Democr\u00e1tica da Coreia, at\u00e9 que o pa\u00eds possa se reunificar sob bases socialistas e a amea\u00e7a imperialista dos Estados Unidos cessem.<\/p>\n<p><strong>auri sacra fame<\/strong><\/p>\n<p><em>\u200btodo esse ouro, ouro, dando de heran\u00e7a<\/em><br \/>\n<em>o que era dos outros,<\/em><br \/>\n<em>\u200be, tenho nada a perder<\/em><\/p>\n<p>Um dos grandes feitos de Marx, em seu <em>magnum opus<\/em> \u201cO Capital Vl.1\u201d foi demonstrar, no cap\u00edtulo \u201cA assim chamada acumula\u00e7\u00e3o primitiva\u201d, como o idealismo liberal mentiu sobre a forma com a qual as riquezas da nascente burguesia europeia se fizeram, que, segundo estes, foram a partir de uma simples acumula\u00e7\u00e3o de seus lucros, quase como uma poupan\u00e7a. Tracie, no verso \u201c\u200btodo esse ouro, ouro, dando de heran\u00e7a o que era dos outros, \u200be, tenho nada a perder\u201d, nos d\u00e1, de forma simples e po\u00e9tica, um panorama de como esse processo de acumula\u00e7\u00e3o aconteceu.<\/p>\n<p>Marx abre o cap\u00edtulo afirmando:<\/p>\n<p>Viu-se como o dinheiro \u00e9 transformado em capital, como por meio do capital se faz mais-valia e da mais-valia se faz mais capital. Entretanto a acumula\u00e7\u00e3o do capital pressup\u00f5e a mais-valia, a mais-valia a produ\u00e7\u00e3o capitalista (\u2026).<\/p>\n<p>Ou seja, a acumula\u00e7\u00e3o primitiva do capital se d\u00e1 num processo dial\u00e9tico entre o dinheiro que pode adquirir o capital, e o capital que gera mais dinheiro. Mas essa acumula\u00e7\u00e3o tem outros fatores determinantes. O roubo de terras, a escravid\u00e3o por d\u00edvida e o tr\u00e1fico de africanos geraram uma riqueza sem procedentes na m\u00e3o da burguesia. Esse processo hist\u00f3rico utilizou de roubos, espolia\u00e7\u00f5es, subjuga\u00e7\u00e3o de povos distantes e massacres. \u00c9 importante lembrar que esse processo n\u00e3o surge sob uma base racial \u2014 conceito social que \u00e9 estranho \u00e0 \u00e9poca \u2014 mas sob bases econ\u00f4micas e de classe, que surgem a partir da divis\u00e3o social do trabalho, criando uma separa\u00e7\u00e3o entre quem produz e quem lucre em cima da produ\u00e7\u00e3o alheia.<\/p>\n<p>E, ora, se a propriedade privada \u00e9 uma forma de roubo, \u00e9 claro que, como diz Tracie, \u201cn\u00e3o temos nada a perder\u201d.<\/p>\n<p>O verso faz ainda mais sentido se pensarmos que Tasha e Tracie s\u00e3o descendentes de nigerianos. A Nig\u00e9ria foi um dos pa\u00edses mais afetados pelo tr\u00e1fico de africanos escravizados. O povo Yorub\u00e1 se tornou uma das etnias mais presentes em nosso pa\u00eds, principalmente em Salvador, onde resistiram por meio do candombl\u00e9, do samba, da f\u00e9 nos orix\u00e1s e em sua for\u00e7a e determina\u00e7\u00e3o, para se livrar da sua condi\u00e7\u00e3o de escravo. O autor Eric Williams, em seu livro \u201cCapitalismo e escravid\u00e3o\u201d, conta que, foi a partir desse processo que a revolu\u00e7\u00e3o indistrial na Inglaterra foi poss\u00edvel. O sangue africano e indigena banharam a europa de ouro e maquinarias, possibilitando que a produ\u00e7\u00e3o desses pa\u00edses atingissem n\u00edveis jamais vistos na hist\u00f3ria da humanidade, os colocando como pot\u00eancia mundial.<\/p>\n<p>E por fim, podemos voltar ao tema que aborda a hist\u00f3ria dos povos colonizados. Hoje, em 2021, ap\u00f3s s\u00e9culos de escravid\u00e3o, \u00e9 imensa a quantidade de artef\u00e1tos de povos originarios e africanos que est\u00e3o em posse de museus europeus. Existe um movimento de pa\u00edses africanos, que desejam retomar esses artefatos, os quais representam sua cultura e sua hist\u00f3ria. Museus que cobram em euro, que geram uma quantidade imensa de dinheiro com turismo, \u201cdando de heran\u00e7a o que \u00e9 dos outros\u201d.<\/p>\n<p><strong>Bingo<\/strong><\/p>\n<p><em>\u200bno mundo por conta pr\u00f3pria<\/em><br \/>\n<em>\u200bser foda \u00e9 s\u00f3 um crit\u00e9rio (c\u00ea tem que tentar a sorte)<\/em><br \/>\n<em>\u200be papo de m\u00e9rito \u00e9 tipo policial honesto<\/em><br \/>\n<em>\u200btu sabe que \u00e9 folclore<\/em><\/p>\n<p>Marx, novamente em \u201cA ideologia alem\u00e3\u201d, exp\u00f5e uma de suas frases mais c\u00e9lebres, onde mostra, de forma sublime, o que ser\u00e1 poss\u00edvel num mundo comunista:<\/p>\n<p>(\u2026) na sociedade comunista, em que cada um n\u00e3o tem uma esfera de atividade exclusiva, mas pode se aperfei\u00e7oar no ramo que lhe agradar, a sociedade regulamenta a produ\u00e7\u00e3o geral, o que cria para mim a possibilidade de hoje fazer uma coisa, amanh\u00e3 outra, ca\u00e7ar de manh\u00e3, pescar na parte da tarde, cuidar do gado ao anoitecer, fazer cr\u00edtica ap\u00f3s as refei\u00e7\u00f5es, a meu bel \u2014 prazer, sem nunca me tornar ca\u00e7ador, pescador ou cr\u00edtico.<\/p>\n<p>A divis\u00e3o social do trabalho possibilitou uma maior efici\u00eancia na produ\u00e7\u00e3o social. Contudo, quando observada sob uma sociedade de classes, esta torna o trabalho alienante, pois quem produz n\u00e3o tem controle sobre a mercadoria, o produto final. J\u00e1 vimos muitos reacion\u00e1rios afirmarem que \u201cos socialistas usufruem das mercadorias geradas no capitalismo\u201d, o famoso \u201csocialista de iPhone\u201d. Isso acontece porque o trabalho \u2014 essencial para o desenvolvimento da humanidade e para sanar as suas necessidades \u2014 ganha, sob o capitalismo, a forma-mercadoria, e, ent\u00e3o, se torna alienante. O trabalhador passa, ent\u00e3o, a n\u00e3o ter acesso aos bens produzidos por ele e seus semelhantes. A aliena\u00e7\u00e3o faz com que o trabalhador se torne apenas for\u00e7a de trabalho, que pode ser comprada no mercado, como um t\u00eanis, um carro ou uma j\u00f3ia. Como ent\u00e3o podemos falar de m\u00e9rito? Como ser foda, como diz Don nesse verso?<\/p>\n<p>Se, sob o comunismo, onde o fim da propriedade privada dos meios de produ\u00e7\u00e3o gera a propriedade social dos meios de produ\u00e7\u00e3o, a aliena\u00e7\u00e3o deixa de existir. Ent\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel, sim, que os trabalhadores possam ca\u00e7ar de manh\u00e3, pescar na parte da tarde, cuidar do gado ao anoitecer e fazer cr\u00edtica ap\u00f3s as refei\u00e7\u00f5es. E \u00e9 por isso que devemos lutar, para que possamos fazer m\u00fasica, textos, arte, ou seja l\u00e1 o que for, de forma digna, tendo acesso a nossa subsist\u00eancia e as riquezas geradas pelo nosso trabalho.<\/p>\n<p><strong>Trilha para uma nova<\/strong><\/p>\n<p><em>Se fosse pra viver por isso<\/em><br \/>\n<em>\u200beu n\u00e3o teria a bem dizer morrido pelo que acredito (quase)<\/em><br \/>\n<em>\u200beu continuo na disposi\u00e7\u00e3o primo<\/em><br \/>\n<em>\u200bse for pra n\u00f3s viver por isso<\/em><br \/>\n<em>\u200beu prefiro morrer pelo que eu acredito<\/em><\/p>\n<p>Don L fecha o disco com a s\u00edntese de toda a mensagem que transpassa o \u00e1lbum. Morrer pelo que se acredita, dar a vida, se doar, lutar e construir uma nova sociedade, livre de explora\u00e7\u00e3o, racismo, sexismo e outros \u201cismos\u201d oriundos do modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista. Se s\u00e3o as classes trabalhadoras e camponesas que sofrem com esse sistema \u2014 e que s\u00e3o suas bases na infraestrutura do modo de produ\u00e7\u00e3o \u2014 como disseram Marx, Engels, L\u00eanin, Stalin e tantos outros g\u00eanios do socialismo cient\u00edfico, s\u00f3 essas classes podem mudar os rumos da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>A dial\u00e9tica marxista \u2014 baseada na mat\u00e9ria, e n\u00e3o no idealismo \u2014 nos mostrou que, no ventre de toda sociedade em decomposi\u00e7\u00e3o, surge uma nova. Assim como o fim do feudalismo originou a burguesia, sua ant\u00edtese, o capitalismo originou, tamb\u00e9m, a sua ant\u00edtese: o proletariado. Armados da teoria correta e da pr\u00e1tica correta, como bem nos lembra Mao Zedong, o proletariado, aliado aos camponeses pobres, se torna a \u00fanica for\u00e7a revolucion\u00e1ria capaz de levar o capitalismo a sua decomposi\u00e7\u00e3o, e do seu ventre, parir. o socialismo. Para isso, precisamos nos organizar, estudar, e cada vez mais nos apoderarmos do legado que Karl Marx e Friedrich Engels nos deixaram: o socialismo cient\u00edfico, prolet\u00e1rio e revolucion\u00e1rio. Uni-vos!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/28155\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"O rap revolucion\u00e1rio de Don L - Uma analise materialista-dial\u00e9tica de \u201cRoteiro para A\u00efnouz, Vol. 2\u201d","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[13,50,104],"tags":[224],"class_list":["post-28155","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s14-cultura","category-c61-cultura-revolucionaria","category-c117-outras-opinioes","tag-3b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-7k7","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28155","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28155"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28155\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28155"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28155"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28155"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}