{"id":2817,"date":"2012-05-08T18:44:51","date_gmt":"2012-05-08T18:44:51","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=2817"},"modified":"2012-05-08T18:44:51","modified_gmt":"2012-05-08T18:44:51","slug":"estoque-dispara-e-montadoras-ja-pensam-em-ferias-coletivas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2817","title":{"rendered":"Estoque dispara e montadoras j\u00e1 pensam em f\u00e9rias coletivas"},"content":{"rendered":"\n<p>A ind\u00fastria automobil\u00edstica encerrou abril com estoques suficientes para 43 dias de vendas. \u00c9 o maior n\u00edvel desde novembro de 2008, no in\u00edcio da crise global, quando o encalhe nas f\u00e1bricas e nas revendas atingiu o equivalente a 56 dias de vendas.<\/p>\n<p>Na virada do m\u00eas, havia 366,5 mil ve\u00edculos nos p\u00e1tios, quantidade muito maior que a das vendas de abril, de 257,8 mil unidades, e da produ\u00e7\u00e3o, que somou 260,8 mil autom\u00f3veis, comerciais leves, caminh\u00f5es e \u00f4nibus. Segundo dados divulgados ontem pela Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Fabricantes de Ve\u00edculos Automotores (Anfavea), em abril as vendas ca\u00edram 14,2% e a produ\u00e7\u00e3o, 15,5% em rela\u00e7\u00e3o a mar\u00e7o.<\/p>\n<p>Diante desse quadro, algumas montadoras podem adotar medidas para reduzir a produ\u00e7\u00e3o. O presidente do Sindicato dos Metal\u00fargicos de Betim, Jo\u00e3o Alves de Almeida, diz que a Fiat j\u00e1 o procurou para acertar um per\u00edodo de dez dias de f\u00e9rias coletivas a partir da pr\u00f3xima semana, para cerca de 2 mil trabalhadores. A Fiat nega a informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Almeida disse tamb\u00e9m que fornecedores de pe\u00e7as iniciaram per\u00edodos de f\u00e9rias ontem, entre elas a Teksid, fabricante de blocos de motores do grupo Fiat, que emprega cerca de 600 funcion\u00e1rios. &#8220;A Fiat informou que espera uma recupera\u00e7\u00e3o das vendas nos pr\u00f3ximos meses, por isso n\u00e3o tem planos de demiss\u00e3o&#8221;, afirmou o sindicalista.<\/p>\n<p>S\u00e1bados extras de trabalho que estavam programados para este m\u00eas foram cancelados na Fiat e na f\u00e1brica da General Motors no ABC paulista, segundo o presidente do Sindicato dos Metal\u00fargicos de S\u00e3o Caetano do Sul, Aparecido In\u00e1cio da Silva.<\/p>\n<p>Os p\u00e1tios das montadoras tinham 111.620 ve\u00edculos no fim de abril, o correspondente a 13 dias de vendas. J\u00e1 nas concession\u00e1rias havia 254,8 mil unidades, ou 30 dias de vendas. Em mar\u00e7o, os estoques totais eram para 35 dias de vendas.<\/p>\n<p>De acordo com Cledorvino Belini, presidente da Anfavea, a retra\u00e7\u00e3o das vendas pode estar relacionada ao menor n\u00famero de dias \u00fateis, em decorr\u00eancia dos feriados da Semana Santa e do Dia do Trabalho. Embora este \u00faltimo tenha sido em maio, o dia 30 de abril fez parte do feriado prolongado.<\/p>\n<p>Empresas do setor e os revendedores, contudo, creditam a queda das vendas ao maior rigor dos bancos na libera\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito para o financiamento, por causa da alta inadimpl\u00eancia.<\/p>\n<p>Produ\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos somou 260,8 mil unidades em abril, queda de 7,5% na compara\u00e7\u00e3o com o mesmo m\u00eas de 2011. No acumulado do quadrimestre, houve queda de 10,1%, para 998,9 mil ve\u00edculos, ante 1,11 milh\u00e3o em 2011.<\/p>\n<p>Apesar da retra\u00e7\u00e3o, o setor encerrou abril com 145.063 empregados, o que representa estabilidade em rela\u00e7\u00e3o a mar\u00e7o. Na compara\u00e7\u00e3o com abril de 2011, houve alta de 5,9% no total de funcion\u00e1rios no setor.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>M\u00e3o de Obra vira aprincipal preocupa\u00e7\u00e3o de empres\u00e1rios<\/strong><\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>A preocupa\u00e7\u00e3o com a m\u00e3o de obra chegou ao topo da lista de temores dos executivos que comandam grandes empresas brasileiras, presentes \u00e0 cerim\u00f4nia de entrega da 12 \u00aa edi\u00e7\u00e3o do pr\u00eamio Executivo de Valor, ontem em S\u00e3o Paulo. Em uma lista de seis itens de &#8220;preocupa\u00e7\u00f5es imediatas&#8221; &#8211; demanda fraca, m\u00e3o de obra, infla\u00e7\u00e3o, c\u00e2mbio, custo do cr\u00e9dito e inadimpl\u00eancia dos clientes &#8211; a disponibilidade, o custo de pessoal e sua qualifica\u00e7\u00e3o receberam as notas m\u00e1ximas (de oito a dez), seja na ind\u00fastria, no varejo ou em servi\u00e7os. A nota para essa preocupa\u00e7\u00e3o ficou acima da infla\u00e7\u00e3o, revertendo inquieta\u00e7\u00f5es de 2011. No ano passado, no mesmo evento, executivos relataram que &#8220;velhas&#8221; preocupa\u00e7\u00f5es com aumento de custos de insumos haviam retornado para sua agenda.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da m\u00e3o de obra, demanda fraca e c\u00e2mbio apareceram como fortes preocupa\u00e7\u00f5es de curto prazo. Para esses itens, os temores foram mais fortes entre as companhias muito ligadas ao com\u00e9rcio exterior, mas tamb\u00e9m apareceram entre diferentes produtores de bens de consumo, como autom\u00f3veis, vestu\u00e1rio e bebidas.<\/p>\n<p>O presidente da CPFL, Wilson Ferreira J\u00fanior, explica que n\u00e3o h\u00e1 &#8220;uma preocupa\u00e7\u00e3o somente com qualifica\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m com disponibilidade de m\u00e3o de obra. A disputa por funcion\u00e1rios acaba inflacionando os sal\u00e1rios e, em alguns casos, as op\u00e7\u00f5es de contrata\u00e7\u00e3o s\u00e3o muito poucas&#8221;, diz o executivo. Renato Alves Vale, presidente da CCR, acrescenta \u00e0 disponibilidade outra preocupa\u00e7\u00e3o: a forma\u00e7\u00e3o. &#8220;Nossa preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 ter pessoal preparado para garantir sucesso em um ambiente de crescimento, com aumento de demanda.&#8221; Essa prepara\u00e7\u00e3o, salienta, tamb\u00e9m envolve a capacidade de gerar lideran\u00e7as para guiar a empresa.<\/p>\n<p>&#8220;A forma\u00e7\u00e3o de m\u00e3o de obra no m\u00e9dio prazo \u00e9 o principal motivo de preocupa\u00e7\u00e3o para a Totvs, afirma La\u00e9rcio Cosentino, executivo-chefe da maior companhia de software de capital nacional. &#8220;O setor de tecnologia da informa\u00e7\u00e3o demanda m\u00e3o de obra em larga escala e a velocidade da forma\u00e7\u00e3o de t\u00e9cnicos nos pr\u00f3ximos anos ser\u00e1 inferior \u00e0 necessidade das empresas&#8221;, diz Cosentino. Para ele, demanda fraca, cr\u00e9dito, infla\u00e7\u00e3o, inadimpl\u00eancia dos clientes e c\u00e2mbio mereceram notas muito baixas &#8211; de dois a tr\u00eas.<\/p>\n<p>A m\u00e3o de obra tamb\u00e9m est\u00e1 entre as maiores preocupa\u00e7\u00f5es da farmac\u00eautica francesa Sanofi-Aventis, controladora do laborat\u00f3rio Medley, maior de gen\u00e9ricos do Brasil, presidida no pa\u00eds por Heraldo Marchezini. Esse item recebeu nota oito. Na petroqu\u00edmica Braskem, o projeto de crescimento e internacionaliza\u00e7\u00e3o fez a m\u00e3o de obra subir ao topo dos temores. Carlos Fadigas, presidente da companhia, diz que esse fator j\u00e1 seria cr\u00edtico em qualquer circunst\u00e2ncia. &#8220;Como vivemos uma \u00e9poca de pleno emprego, a disputa natural entre as empresas pelos melhores talentos do mercado torna-se mais acirrada e pressiona os sal\u00e1rios para cima, o que torna a quest\u00e3o dos recursos humanos ainda mais relevante&#8221;, diz ele. Por isso, o executivo sugere que o governo siga desonerando o custo da m\u00e3o de obra.<\/p>\n<p>Fabio Schvartsman, diretor-geral da Klabin, acrescenta demanda fraca e inadimpl\u00eancia \u00e0 preocupa\u00e7\u00e3o com m\u00e3o de obra. Schvartsman diz que o conjunto de medidas tomadas pelo governo para fortalecimento da economia, seja de incentivo \u00e0s ind\u00fastrias, sejam as a\u00e7\u00f5es da pol\u00edtica monet\u00e1ria de redu\u00e7\u00e3o de juros, ainda n\u00e3o se traduziram em recupera\u00e7\u00e3o importante na economia. Outro setor, bem diferente, tem preocupa\u00e7\u00e3o semelhante. A demanda fraca e o custo do cr\u00e9dito s\u00e3o as maiores preocupa\u00e7\u00f5es para Jayme Garfynkel, presidente da Porto Seguro. Quanto ao custo do cr\u00e9dito, seu maior temor recai sobre o financiamento de ve\u00edculos, que, segundo ele, j\u00e1 afeta o mercado de seguros.<\/p>\n<p>J\u00e1 para o presidente do grupo S\u00e3o Martinho, F\u00e1bio Venturelli, o c\u00e2mbio est\u00e1 no topo das preocupa\u00e7\u00f5es. A estabilidade do moeda, diz ele, \u00e9 essencial para as atividades da companhia por conta de seu &#8220;expressivo volume de exporta\u00e7\u00f5es&#8221;. Em um segmento com caracter\u00edsticas semelhantes, o presidente da BRF &#8211; Brasil Foods, Jos\u00e9 Antonio do Prado Fay, tamb\u00e9m relacionou a m\u00e3o de obra como principal preocupa\u00e7\u00e3o. &#8220;Trabalhamos em um setor em que a m\u00e3o de obra \u00e9 muito intensiva e temos dificuldade para contratar&#8221;, disse ele, citando os cerca de 2 mil postos de trabalho abertos que a BRF n\u00e3o conseguiu preencher.<\/p>\n<p>Ainda no agroneg\u00f3cio, o presidente da JBS, Wesley Batista, tamb\u00e9m elencou m\u00e3o de obra como sua principal inquieta\u00e7\u00e3o. &#8220;Para fazer frente ao crescimento do Brasil, precisamos de m\u00e3o de obra qualificada&#8221;, sendo necess\u00e1rio maior &#8220;investimento em educa\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Em outro setor, e procurando outro perfil de profissional, o presidente da operadora de telefonia Telef\u00f4nica\/Vivo, Ant\u00f4nio Carlos Valente, fez coro aos empres\u00e1rios do agroneg\u00f3cio. &#8220;Trata-se de um tema que, devido ao desempenho econ\u00f4mico dos anos recentes, pode trazer algumas dificuldades para companhias dos mais variados segmentos, em especial para aquelas com alto n\u00edvel de especializa\u00e7\u00e3o como o nosso&#8221;, diz Valente. Ainda no setor de servi\u00e7os, a reten\u00e7\u00e3o dos empregados \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o. O presidente do Cinemark, Marcelo Bertini, diz que a empresa trabalha muito com primeiro emprego e sal\u00e1rio m\u00ednimo, onde o mercado \u00e9 muito competitivo, dificultando a manuten\u00e7\u00e3o dos funcion\u00e1rios na empresa.<\/p>\n<p>C\u00e2mbio, m\u00e3o de obra, demanda fraca e inadimpl\u00eancia ocupam, cada um, a mesma nota de preocupa\u00e7\u00e3o do presidente da Fiat, Cledorvino Belini. Marcando oito para cada um desses itens, ele aposta que a redu\u00e7\u00e3o dos juros trar\u00e1 uma revers\u00e3o do quadro de retra\u00e7\u00e3o que marcou o primeiro trimestre.<\/p>\n<p>A demanda tamb\u00e9m est\u00e1 entre as preocupa\u00e7\u00f5es de outro setor ligado ao consumo. Apesar dos bons resultados da companhia nos \u00faltimos trimestres, o presidente da Hering, Fabio Hering, nota desacelera\u00e7\u00e3o da demanda. &#8220;N\u00e3o sei se esse movimento est\u00e1 relacionado com o endividamento grande, principalmente da classe m\u00e9dia. Porque a gente n\u00e3o v\u00ea nada em termos de emprego e renda&#8221;, observa o executivo.<\/p>\n<p>A dificuldade em entender o que est\u00e1 acontecendo com a demanda \u00e9 partilhada pelo presidente da Ambev, Jo\u00e3o Castro Neves. Ele disse que a demanda \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o &#8220;importante&#8221; da companhia. Ele diz que o segmento em que a companhia atua passou por forte crescimento em 2009 e 2010, e desde 2011 est\u00e1 vivendo um processo de desacelera\u00e7\u00e3o. No primeiro trimestre do ano, o volume de vendas da companhia cresceu, mas por conta de ganho de participa\u00e7\u00e3o de mercado, e n\u00e3o por conta da expans\u00e3o do segmento. &#8220;A preocupa\u00e7\u00e3o com essa retra\u00e7\u00e3o ou desacelera\u00e7\u00e3o, como se queira chamar, n\u00e3o est\u00e1 restrita ao nosso setor nem \u00e0 nossa companhia, mas ao mercado como um todo&#8221;.<\/p>\n<p>Mostrando que as preocupa\u00e7\u00f5es de curto prazo s\u00e3o as mesmas que marcam uma vis\u00e3o de longo prazo, a quest\u00e3o tribut\u00e1ria, um tema que vem atormentando a companhia nos \u00faltimos meses, \u00e9 a principal preocupa\u00e7\u00e3o do presidente da Vale, Murilo Ferreira. &#8220;Isso gera uma incerteza na precifica\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es da empresa e causa receio para os investidores e para a companhia&#8221;, afirmou. A essa quest\u00e3o ele atribuiu nota oito. Em seguida, ele elenca a m\u00e3o de obra (sete) e o c\u00e2mbio.<\/p>\n<p>Ferreira n\u00e3o ficou sozinho. O que mais preocupa Alessandro Carlucci, presidente da empresa de venda direta de cosm\u00e9ticos Natura, neste momento, \u00e9 o &#8220;arcabou\u00e7o tribut\u00e1rio do Brasil&#8221;, que, segundo ele, dificulta o planejamento das empresas. Entre os itens levantados pelo Valor, a dificuldade de m\u00e3o de obra est\u00e1 entre os assuntos que mais afligem o executivo, que atribui um grau de preocupa\u00e7\u00e3o entre cinco e seis ao tema. &#8220;A busca por talentos vai ficar cada vez mais desafiadora, porque a capacidade do Brasil de desenvolver pessoas n\u00e3o \u00e9 na mesma velocidade com a qual a economia cresce&#8221;, diz.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Berlim reage a Hollande e diz que n\u00e3o muda pacto fiscal<\/strong><\/p>\n<p>O Estado de S. Paulo<\/p>\n<p>Depois da festa, a dura realidade pol\u00edtica e econ\u00f4mica. O presidente eleito da Fran\u00e7a, Fran\u00e7ois Hollande, enfrentou ontem o primeiro atrito diplom\u00e1tico com o governo da Alemanha, que mandou recado via imprensa sobre sua recusa em renegociar o tratado de estabilidade fiscal da Europa.<\/p>\n<p>O aviso de Berlim foi dado no momento em que cresce a press\u00e3o no bloco pela ado\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas de crescimento que complementem a austeridade defendida por Angela Merkel.<\/p>\n<p>A controv\u00e9rsia com o governo alem\u00e3o ocorreu ainda cedo, quando Hollande chegou a seu escrit\u00f3rio, no centro de Paris, ostentando olheiras no rosto, depois da maratona do hist\u00f3rico 6 de maio.<\/p>\n<p>Jornais de toda a Europa trouxeram em reportagens de capa a mensagem enviada pelo presidente eleito em seu discurso de vit\u00f3ria em Tulle, quando o socialista prometeu &#8220;dar \u00e0 constru\u00e7\u00e3o europeia uma dimens\u00e3o de crescimento, de emprego, de prosperidade e de futuro&#8221; e enfrentar a austeridade, que &#8220;n\u00e3o pode mais ser uma fatalidade&#8221;.<\/p>\n<p>A resposta de Berlim veio no in\u00edcio da manh\u00e3, por interm\u00e9dio do porta-voz do governo, Steffen Seibert. Recusando o &#8220;crescimento por d\u00e9ficit&#8221; e enfatizando a necessidade de &#8220;reformas estruturais&#8221;, o Executivo alem\u00e3o afirmou que &#8220;n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel renegociar o pacto fiscal&#8221;, &#8220;assinado por 25 dos 27 pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia&#8221;.<\/p>\n<p>Hollande n\u00e3o respondeu \u00e0s afirma\u00e7\u00f5es. Mas, em entrevista concedida na sexta-feira e publicada ontem pela revista eletr\u00f4nica Slate.fr, o presidente eleito deu a t\u00f4nica da firmeza com que pretende dialogar com a Alemanha de Merkel. &#8220;N\u00f3s teremos discuss\u00f5es com nossos parceiros, e em especial com nossos amigos alem\u00e3es&#8221;, disse. &#8220;No entanto, eles n\u00e3o podem p\u00f4r dois cadeados de uma s\u00f3 vez: um sobre eurob\u00f4nus, outro sobre o financiamento direito das d\u00edvidas pelo Banco Central Europeu (BCE).&#8221;<\/p>\n<p>De acordo com o ex-diretor de campanha do Partido Socialista, o primeiro encontro entre Hollande e Merkel ocorrer\u00e1 em Berlim, no dia 16, o dia seguinte \u00e0 transmiss\u00e3o de poder no Pal\u00e1cio do Eliseu.<\/p>\n<p>Outras reuni\u00f5es sobre a crise das d\u00edvidas ocorrer\u00e3o a seguir, durante a c\u00fapula da Uni\u00e3o Europeia, prevista para 28 e 29 de junho, em Bruxelas. O certo \u00e9 que a Alemanha tamb\u00e9m ter\u00e1 de ceder para obter o aval da Fran\u00e7a e de outros pa\u00edses ao pacto de estabilidade fiscal. Desde domingo, diversos l\u00edderes pol\u00edticos incorporaram o discurso desenvolvimentista de Hollande.<\/p>\n<p>Gabinete. Em meio \u00e0 controv\u00e9rsia, o novo chefe de Estado tem uma semana para montar seu governo. Ontem, o socialista afirmou que informar\u00e1 seu gabinete na data da posse. &#8220;Em 15 de maio voc\u00eas ter\u00e3o o nome do primeiro-ministro&#8221;, disse. O Pal\u00e1cio de Matignon, onde trabalha o chefe de governo, deve ser conduzido por um dentre tr\u00eas nomes: o senador Jean-Marc Ayrault, a secret\u00e1ria-geral do PS, Martine Aubry, ou o coordenador de campanha, Pierre Moscovici.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de preparar sua equipe, Hollande precisa se organizar para sua primeira viagem internacional como chefe de Estado. No dia 18, o presidente ir\u00e1 a Washington, onde ter\u00e1 reuni\u00e3o bilateral com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.<\/p>\n<p>Na pauta dos dois l\u00edderes haver\u00e1 outro assunto espinhoso: a retirada das tropas da Fran\u00e7a do Afeganist\u00e3o. Em sua campanha eleitoral, o socialista havia prometido o retorno dos soldados at\u00e9 o fim de 2012, antecipando em um ano o calend\u00e1rio de Nicolas Sarkozy.<\/p>\n<p>Ainda em 18 de maio, ele participar\u00e1 do G-8, em Camp David. A seguir, em 20 e 21, ser\u00e1 a vez da c\u00fapula da Organiza\u00e7\u00e3o do Tratado do Atl\u00e2ntico Norte (Otan), em Chicago.<\/p>\n<p>Esse assunto tamb\u00e9m pode causar controv\u00e9rsia, porque, nos bastidores diplom\u00e1ticos, Paris est\u00e1 insatisfeita com o espa\u00e7o obtido no Comando Integrado ap\u00f3s a decis\u00e3o de Sarkozy de retornar \u00e0 alian\u00e7a atl\u00e2ntica, tomada em 2009.<\/p>\n<p>N\u00e3o bastassem esses eventos, Hollande ter\u00e1 de enfrentar uma agenda de campanha carregada, j\u00e1 que a Fran\u00e7a passar\u00e1 por elei\u00e7\u00f5es parlamentares em junho que definir\u00e3o a maioria na Assembleia Nacional e no Senado, cruciais para a sustenta\u00e7\u00e3o de seu projeto pol\u00edtico. Detalhe: o pleito se dar\u00e1 nos dias da confer\u00eancia Rio+20, no Brasil. A decis\u00e3o sobre sua participa\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi tomada.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Bancos reagem a Dilma e n\u00e3o garantem cr\u00e9dito maior<\/strong><\/p>\n<p>O Globo<\/p>\n<p>Uma semana depois de terem se transformado em alvo da artilharia da presidente Dilma Rousseff para reduzir os juros, os bancos reagiram. Na v\u00e9spera do Dia do Trabalho, a presidente foi \u00e0 TV no hor\u00e1rio nobre e criticou a &#8220;l\u00f3gica perversa&#8221; do sistema financeiro, chamou de &#8220;roubo&#8221; as tarifas cobradas para administrar fundos de investimento e pediu queda urgente das taxas cobradas a consumidores e empresas. Ontem, a Federa\u00e7\u00e3o Brasileira dos Bancos (Febraban), enfim, se pronunciou. E n\u00e3o hesitou em apelar para a met\u00e1fora:<\/p>\n<p>&#8220;Algu\u00e9m j\u00e1 disse que voc\u00ea pode levar um cavalo at\u00e9 a beira do rio, mas n\u00e3o conseguir\u00e1 obrig\u00e1-lo a beber a \u00e1gua&#8221;, escreveu Rubens Sardenberg, economista-chefe da federa\u00e7\u00e3o, que divulgou ontem um relat\u00f3rio e p\u00f4s em d\u00favida a efic\u00e1cia das medidas oficiais para estimular a concess\u00e3o de empr\u00e9stimos e aquecer a economia. Interlocutores da presidente Dilma reagiram com ironia ao relat\u00f3rio. Ao ouvir a frase, um t\u00e9cnico rebateu:<\/p>\n<p>&#8211; Voc\u00ea n\u00e3o pode obrigar um cavalo a beber \u00e1gua, mas ele tamb\u00e9m pode morrer de sede.<\/p>\n<p>Para a Febraban, n\u00e3o h\u00e1 garantia de uma &#8220;amplia\u00e7\u00e3o significativa da oferta de cr\u00e9dito dom\u00e9stica&#8221; nos pr\u00f3ximos meses, apesar do cen\u00e1rio de queda acelerada da taxa b\u00e1sica de juros, a Selic. Na sexta-feira, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que &#8220;o cr\u00e9dito n\u00e3o est\u00e1 crescendo a contento&#8221; e que os &#8220;bancos s\u00e3o um pouco resistentes&#8221;.<\/p>\n<p>Intitulado &#8220;Informativo Semanal de Economia Banc\u00e1ria&#8221;, o relat\u00f3rio \u00e9 o resultado de uma consulta feita pela pr\u00f3pria Febraban junto aos bancos sobre as principais estimativas dos bancos. No texto divulgado ontem, n\u00e3o h\u00e1 men\u00e7\u00e3o sobre a press\u00e3o do governo. O texto de Sardenberg diz que &#8220;a mudan\u00e7a nas regras da poupan\u00e7a funcionou como est\u00edmulo adicional para o mercado trabalhar com a expectativa de novos cortes na Selic&#8221;. Mas, em seguida, pondera que a &#8220;quest\u00e3o que se coloca agora \u00e9 at\u00e9 que ponto essas redu\u00e7\u00f5es (de juros e da remunera\u00e7\u00e3o da poupan\u00e7a) v\u00e3o estimular a amplia\u00e7\u00e3o da oferta de cr\u00e9dito&#8221;. Para a Febraban, o pa\u00eds vive hoje um paradoxo econ\u00f4mico, que funciona como obst\u00e1culo para os objetivos do Planalto. &#8220;A piora dos indicadores, especialmente os externos, abre espa\u00e7o para quedas adicionais dos juros b\u00e1sicos, mas ao mesmo tempo parece impor uma cautela adicional aos agentes econ\u00f4micos&#8221;.<\/p>\n<p>Desgaste com lista de reivindica\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>Os dados de inadimpl\u00eancia nos empr\u00e9stimos, que se refletiram nos balan\u00e7os do primeiro trimestre dos grandes bancos, preocupam os banqueiros em rela\u00e7\u00e3o ao aumento da concess\u00e3o do cr\u00e9dito. H\u00e1 ainda outro fator, que \u00e9 a expectativa de a Selic voltar a subir em 2013, o que tamb\u00e9m inibiria a expans\u00e3o das carteiras. &#8220;\u00c9 poss\u00edvel criar condi\u00e7\u00f5es mais favor\u00e1veis \u00e0 expans\u00e3o do cr\u00e9dito reduzindo as taxas b\u00e1sicas, mas uma amplia\u00e7\u00e3o efetiva das opera\u00e7\u00f5es passa por uma postura mais agressiva, tando dos emprestadores como dos tomadores de cr\u00e9dito, que por sua vez depende de expectativas econ\u00f4micas mais otimistas&#8221;.<\/p>\n<p>Pela pesquisa que acompanha o relat\u00f3rio, os bancos reduziram sua proje\u00e7\u00e3o para a expans\u00e3o da carteira de cr\u00e9dito neste ano: de 16,6%, no levantamento feito no m\u00eas passado, para 16,2%. Quanto \u00e0 trajet\u00f3ria da Selic, 59,3% dos economistas consultados pela Febraban esperam que a taxa b\u00e1sica de juros (em 9% ao ano) volte ao patamar de 10% em dezembro de 2013.<\/p>\n<p>Para a equipe econ\u00f4mica, as taxas de juros atuais s\u00e3o incompat\u00edveis com as condi\u00e7\u00f5es de solv\u00eancia da economia e deveriam se equiparar ao padr\u00e3o internacional de taxa. Os bancos p\u00fablicos foram escolhidos como ponta-de-lan\u00e7a dessa disputa. S\u00f3 o Banco do Brasil j\u00e1 anunciou tr\u00eas mudan\u00e7as de juros desde o m\u00eas passado.<\/p>\n<p>Um fator adicional de estresse entre bancos e governo, segundo analistas, \u00e9 o desgaste do presidente da Febraban, Murilo Portugal. Em reuni\u00e3o em abril, Portugal disse que a redu\u00e7\u00e3o mais r\u00e1pida das taxas de juros dependeria de v\u00e1rios outros pontos, como a queda da inadimpl\u00eancia e a redu\u00e7\u00e3o dos compuls\u00f3rios (dinheiro que os bancos t\u00eam de repassar ao BC). Para o governo, essa postura mostrou que os bancos n\u00e3o querem reduzir margens de lucro:<\/p>\n<p>&#8211; Quem apresenta uma lista com duas demandas quer resolver um problema. J\u00e1 quem apresenta uma lista com 23 n\u00e3o quer tratar de nada, apenas criar dificuldades &#8211; disse um interlocutor da presidente.<\/p>\n<p>Portugal participou ontem de um semin\u00e1rio, mas n\u00e3o falou sobre juros. Procurada para comentar o relat\u00f3rio do seu economista-chefe, a Febraban disse que n\u00e3o se pronunciaria.<\/p>\n<p>Oficialmente, o Planalto preferiu n\u00e3o comentar o relat\u00f3rio, mas reservadamente os t\u00e9cnicos destacam que, embora a presidente esteja travando uma queda de bra\u00e7o pela redu\u00e7\u00e3o dos spreads, das tarifas e pelo aumento do cr\u00e9dito, ela sabe que n\u00e3o h\u00e1 como obrigar os bancos a fazerem isso.<\/p>\n<p>&#8211; O que vai fazer os bancos agirem \u00e9 o pr\u00f3prio mercado &#8211; disse uma fonte.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Bloco contra a austeridade<\/strong><\/p>\n<p>O Globo<\/p>\n<p>O status quo come\u00e7a a ser seriamente questionado na Europa. Cinco elei\u00e7\u00f5es nos \u00faltimos dias &#8211; que v\u00e3o desde as disputas municipais na It\u00e1lia e no Reino Unido, passando por uma regional na Alemanha at\u00e9 a mudan\u00e7a na Presid\u00eancia da Fran\u00e7a e no Parlamento da Gr\u00e9cia &#8211; apontam para uma rejei\u00e7\u00e3o p\u00fablica cada vez maior aos dirigentes e partidos que apoiam pol\u00edticas econ\u00f4micas de acordo com o receitu\u00e1rio alem\u00e3o de austeridade no continente em crise.<\/p>\n<p>&#8211; Sentimos que um bloco come\u00e7a a se constituir em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 Alemanha. At\u00e9 quando a Alemanha vai poder resistir sozinha? Ser\u00e1 que vai conservar sua lideran\u00e7a? Ela est\u00e1 cada vez mais isolada &#8211; constata Vivien Pertusot, que dirige, em Bruxelas, o Instituto Franc\u00eas de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais (Ifri).<\/p>\n<p>O maior exemplo desta tend\u00eancia foi a volta triunfal neste fim de semana dos socialistas na Fran\u00e7a, 30 anos depois que Fran\u00e7ois Mitterrand conquistou o poder numa elei\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, em 1981. O novo presidente, Fran\u00e7ois Hollande, promete lutar contra a pol\u00edtica de austeridade generalizada no continente. Ele quer rediscutir o pacto de estabilidade que 25 dos 27 pa\u00edses-membros da Uni\u00e3o Europeia (UE) assinaram em fevereiro, alegando que \u00e9 preciso dar mais \u00eanfase ao crescimento econ\u00f4mico. Uma proposta que a chanceler federal alem\u00e3, Angela Merkel, j\u00e1 rejeitou ontem mesmo depois de anunciar que receberia Hollande na Alemanha &#8220;de bra\u00e7os abertos&#8221;:<\/p>\n<p>&#8211; N\u00f3s, na Alemanha, e eu, pessoalmente, somos da opini\u00e3o de que o pacto fiscal n\u00e3o \u00e9 negoci\u00e1vel. J\u00e1 foi negociado e assinado por 25 pa\u00edses &#8211; disse.<\/p>\n<p>O pacto foi costurado por Merkel com Nicolas Sarkozy, antecessor de Hollande. A dupla defensora da austeridade trabalhou t\u00e3o junta que ganhou o apelido de &#8220;Merkozy&#8221;. Na madrugada de segunda-feira em Paris, diante de uma multid\u00e3o na Pra\u00e7a da Bastilha, o novo presidente lan\u00e7ou uma frase que resume a virada no humor dos franceses:<\/p>\n<p>&#8211; Austeridade n\u00e3o precisar ser uma fatalidade na Europa &#8211; disse.<\/p>\n<p>Hollande como catalisador<\/p>\n<p>O movimento de rejei\u00e7\u00e3o n\u00e3o ocorreu apenas da Fran\u00e7a. No domingo, os dois principais partidos pol\u00edticos encarregados de tirar a Gr\u00e9cia do buraco &#8211; o conservador Nova Democracia e os socialistas do Pasok &#8211; n\u00e3o conseguiram maioria nas elei\u00e7\u00f5es parlamentares. O que se viu foi a ascens\u00e3o impressionante de extremistas de esquerda e de direita. A Gr\u00e9cia ter\u00e1, pela primeira vez no Parlamento, deputados de um partido que defende ideologia neonazista, o Aurora Dourada, que carrega um s\u00edmbolo muito pr\u00f3ximo de uma su\u00e1stica.<\/p>\n<p>Na Gr\u00e3-Bretanha, a coaliz\u00e3o conservadora liderada por David Cameron &#8211; um defensor da pol\u00edtica de austeridade &#8211; perdeu as elei\u00e7\u00f5es locais para o Partido dos Trabalhistas, que, assim como Hollande, coloca o crescimento econ\u00f4mico como prioridade. As elei\u00e7\u00f5es municipais na It\u00e1lia tamb\u00e9m deram provas da resist\u00eancia do eleitorado \u00e0s duras medidas de alta de impostos e cortes de pens\u00f5es implementadas pelo premier Mario Monti, com o desempenho favor\u00e1vel de legendas de centro-esquerda nas urnas. Na pr\u00f3pria Alemanha, o partido de Merkel perdeu o governo do estado de Schleswig-Holstein, que dever\u00e1 passar a uma coaliz\u00e3o dos social-democratas com os verdes e a minoria dinamarquesa.<\/p>\n<p>Para Vivien Pertusot, do Ifri em Bruxelas, a ret\u00f3rica dos franceses desafia os alem\u00e3es. Mas na pr\u00e1tica, n\u00e3o h\u00e1 interesse de Hollande e nem de Merkel em colidir.<\/p>\n<p>&#8211; Nunca assistimos a uma queda de bra\u00e7o entre Alemanha e Fran\u00e7a desde 1963. O casal franco-alem\u00e3o sempre tenta funcionar. Mesmo que haja hoje uma oposi\u00e7\u00e3o sobre o pacto fiscal, claramente, n\u00e3o haver\u00e1 ruptura neste casal.<\/p>\n<p>Outra raz\u00e3o, segundo ele: Fran\u00e7ois Hollande sabe que n\u00e3o pode isolar Angela Merkel, e vice-versa.<\/p>\n<p>&#8211; Ele precisa ter uma rela\u00e7\u00e3o s\u00e3 com a Alemanha para poder conseguir passar outras iniciativas (de interesse da Fran\u00e7a) no n\u00edvel europeu. Ele sabe que n\u00e3o vai conseguir mudar &#8211; explica, dizendo que possivelmente ocorrer\u00e3o pequenas mudan\u00e7as &#8220;cosm\u00e9ticas&#8221; no pacto, para que Hollande n\u00e3o saia perdendo.<\/p>\n<p>Mas Hollande pode se tornar o catalisador de uma alian\u00e7a entre pa\u00edses que se op\u00f5em \u00e0 austeridade a qualquer pre\u00e7o, prev\u00ea Pertusot: os governos de B\u00e9lgica, Pol\u00f4nia e Espanha j\u00e1 declararam apoio a esta linha favor\u00e1vel ao crescimento.<\/p>\n<p>O economista Francesco Saraceno, do Observat\u00f3rio Franc\u00eas de Conjunturas Econ\u00f4micas, acha que Hollande tem uma chance real de influenciar a mudan\u00e7a de dire\u00e7\u00e3o da Europa. E uma das raz\u00f5es \u00e9 que, agora, n\u00e3o se trata mais de queixas de pequenas economias, mas de grandes:<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o se via a Gr\u00e9cia indo para Bruxelas e dizendo: olha, isso n\u00e3o est\u00e1 funcionando. Agora \u00e9 um grande pa\u00eds que chega e diz: espera a\u00ed, isso n\u00e3o est\u00e1 funcionando. A Fran\u00e7a, sozinha, \u00e9 pequena para mudar as coisas. Mas a Fran\u00e7a pode agir como uma for\u00e7a catalisadora organizando uma coaliza\u00e7\u00e3o de pa\u00edses com problemas (com a austeridade).<\/p>\n<p>Mas ainda n\u00e3o h\u00e1 consenso sobre a eventual mudan\u00e7a de rumo no continente. Charles Grant, diretor do Centre for European Reform, em Londres, lembra que os franceses n\u00e3o est\u00e3o de fato implementando um programa de austeridade. E relativiza a derrota dos conservadores no Reino Unido, dizendo que foi mais um voto contra os erros sucessivos de David Cameron do que contra a austeridade preconizada por ele.<\/p>\n<p>&#8211; Na Fran\u00e7a eu diria que foi mais um voto contra Sarkozy do que contra a austeridade.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Estudo estima impacto de spread menor na atividade<\/strong><\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>As medidas de corte dos juros banc\u00e1rios, capitaneadas pelo Banco do Brasil e pela Caixa, poder\u00e3o ter um impacto expressivo sobre a atividade econ\u00f4mica, a depender da abrang\u00eancia do volume de cr\u00e9dito ofertado a taxas menores, mostra estudo do Credit Suisse. Se o BB e a Caixa &#8220;transferirem os benef\u00edcios da redu\u00e7\u00e3o de juros para todos os tomadores de cr\u00e9dito das modalidades afetadas pelas medidas&#8221;, os spreads cairiam de 35,1 para 29,5 pontos percentuais para a pessoa f\u00edsica, recuando de 18,4 para 17,1 pontos no caso das empresas, estima o Credit Suisse, numa hip\u00f3tese em que os bancos privados n\u00e3o diminuem as taxas de modo significativo. Nesse cen\u00e1rio, a proje\u00e7\u00e3o de crescimento do banco aumentaria de 2,5% para 2,8% em 2012 e de 4% para 4,5% em 2013.<\/p>\n<p>O economista-chefe do Credit Suisse, Nilson Teixeira, lembra que a queda dos juros impulsiona a demanda pelo canal do cr\u00e9dito, diminuindo o comprometimento de renda com d\u00edvidas e reduzindo inadimpl\u00eancia. Ele destaca, contudo, a elevada incerteza sobre o efeito e a abrang\u00eancia das medidas. &#8220;O c\u00e1lculo do impacto da redu\u00e7\u00e3o dos spreads sobre o crescimento do cr\u00e9dito e atividade \u00e9 uma tarefa complexa por diversos motivos, entre as quais o fato de n\u00e3o haver experi\u00eancias similares anteriores no pa\u00eds.&#8221;<\/p>\n<p>Uma das d\u00favidas \u00e9 quanto ao efeito que elas ter\u00e3o sobre o estoque de empr\u00e9stimos dos bancos p\u00fablicos, assim como sobre qual ser\u00e1 a taxa m\u00e9dia que vai vigorar em cada uma das modalidades. Outra inc\u00f3gnita \u00e9 a propor\u00e7\u00e3o em que os bancos privados v\u00e3o acompanhar a decis\u00e3o do BB e da Caixa. Com base no que ocorreu em 2009, quando a crise global travou o cr\u00e9dito, a queda efetiva dos spreads dever\u00e1 ser bastante concentrada no BB e na Caixa num primeiro momento, acredita Teixeira.<\/p>\n<p>A despeito dessas incertezas, o Credit Suisse construiu tr\u00eas cen\u00e1rios para calcular o impacto das medidas sobre o cr\u00e9dito e a atividade. Na primeiro, o BB e a Caixa n\u00e3o estendem a queda dos juros para todos os tomadores de cr\u00e9dito nas linhas que tiveram an\u00fancio de redu\u00e7\u00e3o das taxas. A medida \u00e9 restrita a linhas espec\u00edficas, ocorrendo em apenas um trimestre. O spread para a pessoa f\u00edsica cairia 2 pontos percentuais e para empresas, 0,7 ponto, com efeito modesto sobre o cr\u00e9dito. O PIB em 2012 cresceria 2,7% e 4,3% no ano que vem. No intermedi\u00e1rio, todos os tomadores de empr\u00e9stimos nas linhas com redu\u00e7\u00e3o dos juros do BB e da Caixa s\u00e3o beneficiados. Isso levaria a uma acelera\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito suficiente para fazer o PIB avan\u00e7ar 2,8% neste ano e 4,5% em 2013.<\/p>\n<p>Teixeira constr\u00f3i ainda um quadro &#8220;extremo&#8221;, em que se consideram n\u00e3o apenas as hip\u00f3teses para o BB e para a Caixa do cen\u00e1rio intermedi\u00e1rio, como se assume que &#8220;as demais institui\u00e7\u00f5es financeiras diminuem suas taxas em 50% da intensidade da redu\u00e7\u00e3o programada para as institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas de varejo&#8221;. Nesse caso, o spread recuaria 13,1 pontos para a pessoa f\u00edsica e 3,3 pontos para pessoa jur\u00eddica em um per\u00edodo de quatro trimestres, enquanto o PIB cresceria 3% neste ano e 4,9% no ano que vem. &#8220;Essa simula\u00e7\u00e3o \u00e9 apresentada apenas para efeito de avalia\u00e7\u00e3o dos benef\u00edcios m\u00e1ximos para um prazo at\u00e9 o fim de 2013&#8221;, diz o estudo. O banco n\u00e3o vai mudar as estimativas para o PIB, preferindo esperar informa\u00e7\u00f5es sobre o cr\u00e9dito de maio e junho.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Gasto com juros pode cair para 4,6% do PIB<\/strong><\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>A queda da taxa Selic para 8,5% este ano, como j\u00e1 projeta o mercado financeiro de acordo com o boletim Focus, resultar\u00e1 em uma economia no pagamento de juros de cerca de R$ 28 bilh\u00f5es em compara\u00e7\u00e3o com a despesa registrada em 2011, de acordo com estimativa feita por fontes do governo. A redu\u00e7\u00e3o das despesas com juros seria equivalente a 0,6% do Produto Interno Bruto (PIB) projetado para 2012. A estimativa do governo \u00e9 de que cada ponto percentual de queda da Selic, mantida por doze meses, representa uma redu\u00e7\u00e3o da despesa com o pagamento de juros de R$ 10,4 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Os c\u00e1lculos feitos por analistas do mercado s\u00e3o parecidos. A Tend\u00eancia Consultoria, por exemplo, projeta uma economia com juros este ano de cerca de R$ 30 bilh\u00f5es. Segundo a consultoria, o Brasil vai gastar R$ 206,8 bilh\u00f5es com o servi\u00e7o da d\u00edvida p\u00fablica, valor abaixo do R$ 236,7 bilh\u00f5es em 2011. Em termos reais, descontando a infla\u00e7\u00e3o, a economia ser\u00e1 ainda maior, de R$ 43 bilh\u00f5es, pois a valores de 2012, o gasto do ano passado teria sido de R$ 249,7 bilh\u00f5es. &#8220;O efeito (da queda da Selic) \u00e9 ben\u00e9fico, ao menos no curto prazo&#8221;, ressalta Felipe Salto, economista da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas (FGV) e analista da Tend\u00eancias. Ele considerou na conta uma taxa m\u00e9dia Selic de 8,9%. Se a estimativa estiver correta, o valor cair\u00e1 para 4,6% do PIB, o menor dos \u00faltimos onze anos, pelo menos.<\/p>\n<p>As fontes do governo alertaram, no entanto, que o pagamento de juros pelo setor p\u00fablico \u00e9 uma despesa financeira, que n\u00e3o \u00e9 considerada no c\u00e1lculo do super\u00e1vit prim\u00e1rio. Assim, a queda da Selic, por si s\u00f3, n\u00e3o abre espa\u00e7o fiscal para maiores gastos de custeio ou de investimento, que s\u00e3o despesas prim\u00e1rias. Para que isso ocorra, o governo precisaria reduzir o super\u00e1vit prim\u00e1rio previsto para 2012.<\/p>\n<p>Embora n\u00e3o abra espa\u00e7o fiscal imediato para novos gastos, a queda da Selic ajuda a reduzir mais rapidamente a d\u00edvida l\u00edquida como propor\u00e7\u00e3o do PIB, que est\u00e1 atualmente em 36.6% do PIB. A presidente Dilma Rousseff disse, durante a campanha, que pretende concluir o seu mandato com taxa de juro real de 2% ao ano e d\u00edvida l\u00edquida em 30% do PIB. Fontes do governo acham que depois que a d\u00edvida l\u00edquida chegar a esse patamar ser\u00e1 poss\u00edvel definir um super\u00e1vit prim\u00e1rio menor, que seja suficiente apenas para manter a d\u00edvida l\u00edquida constante em rela\u00e7\u00e3o ao PIB.<\/p>\n<p>A diminui\u00e7\u00e3o da despesa com juros permite tamb\u00e9m ao setor p\u00fablico zerar o seu d\u00e9ficit nominal com maior rapidez. O resultado nominal considera todas as despesas do setor p\u00fablico, incluindo o pagamento dos juros. Em 2011, o d\u00e9ficit nominal do setor p\u00fablico ficou em 2,61% do PIB.<\/p>\n<p>Felipe Salto destaca que o ganho obtido no pagamento de juros da d\u00edvida p\u00fablica \u00e9 elevado apesar de a parcela dessa d\u00edvida atrelada \u00e0 Selic, composta pelas Letras Financeiras do Tesouro (LFTs), ser hoje muito menor do que era em passado recente. Segundo seus dados, em 1999 esses t\u00edtulos p\u00f3s-fixados respondiam por de 62% a 63% do total da d\u00edvida p\u00fablica federal brasileira. Hoje, eles representam apenas de 26% a 27% do total. O economista conta tamb\u00e9m que, gra\u00e7as aos efeitos ben\u00e9ficos dos juros baixos, o d\u00e9ficit nominal das contas p\u00fablicas brasileiras medido em 12 meses est\u00e1 em trajet\u00f3ria cadente, tendo fechado mar\u00e7o em 2,42% do PIB e devendo chegar a dezembro em 1,5% ou 1,6% do PIB.<\/p>\n<p>O analista da Tend\u00eancias explica que, embora a redu\u00e7\u00e3o da d\u00edvida em LFT seja positiva do ponto de vista fiscal, tanto que o governo chegou a proibir os fundos do setor p\u00fablico de comprarem t\u00edtulos indexados \u00e0 Selic, a trajet\u00f3ria dessa redu\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi ainda mais aguda por pelo menos duas raz\u00f5es: uma \u00e9 que em determinado momento o governo optou por acumular reservas cambiais, segurando a aprecia\u00e7\u00e3o do real. Nesse processo, ele precisa colocar t\u00edtulos no mercado para retirar de circula\u00e7\u00e3o os reais usados na compra de d\u00f3lares (esteriliza\u00e7\u00e3o). Al\u00e9m disso, avalia que se a redu\u00e7\u00e3o das LFTs n\u00e3o for fruto de melhorias estruturais da economia do pa\u00eds, o mercado pode exigir juros mais altos para aceitar outros pap\u00e9is do governo.<\/p>\n<p>O ex-diretor do Banco Central (BC) e hoje chefe da Divis\u00e3o Econ\u00f4mica da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional do Com\u00e9rcio (CNC) Carlos Thadeu de Freitas v\u00ea tr\u00eas ganhos imediatos decorrentes da queda da Selic: a redu\u00e7\u00e3o da d\u00edvida p\u00fablica p\u00f3s-fixada (LFTs), da d\u00edvida pr\u00e9-fixada, uma vez que o governo est\u00e1 pagamento menos para rolar essa fatia, e tamb\u00e9m da d\u00edvida em d\u00f3lares, considerando que o Brasil \u00e9 credor da moeda americana e que sai ganhando quando essa moeda passa a valer mais. A aprecia\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar, na leitura de Freitas, tem na queda da Selic uma das suas raz\u00f5es.<\/p>\n<p>Em uma segunda etapa, o ex-diretor do BC entende que o teste ser\u00e1 saber se o governo vai conseguir manter a Selic sem oscila\u00e7\u00f5es bruscas que venham a desfazer as conquistas do presente. Para ele, no longo prazo, o aprofundamento dos investimentos e das reformas estruturais ser\u00e3o imprescind\u00edveis.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Petrobras afaga a Bol\u00edvia<\/strong><\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>A Petrobras dever\u00e1 continuar investindo na rela\u00e7\u00e3o comercial com a Bol\u00edvia. O diretor de g\u00e1s e energia da Petrobras, Jos\u00e9 Alcides Martins, afirmou que a compra do g\u00e1s boliviano \u00e9 necess\u00e1ria para o suprimento do mercado interno. Ano passado, segundo ele, o pa\u00eds importou, em m\u00e9dia, de 26 milh\u00f5es de metros c\u00fabicos por dia do pa\u00eds vizinho.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 claro que sempre existe o risco regulat\u00f3rio&#8221;, disse Alcides, que participou ontem de semin\u00e1rio sobre g\u00e1s natural, do Instituto Brasileiro de Petr\u00f3leo (IBP), no Rio. &#8220;Mas precisamos manter o suprimento nacional&#8221;.<\/p>\n<p>Foi seu primeiro evento p\u00fablico depois de assumir a diretoria. Alcides leu um discurso de 20 minutos, onde destacou a necessidade de aumentar a oferta de g\u00e1s no pa\u00eds e n\u00e3o descartou a possibilidade de fazer parcerias com empresas. &#8220;O mercado n\u00e3o ser\u00e1 atendido apenas pela Petrobras, mas tamb\u00e9m por outras empresas que est\u00e3o no mercado&#8221;, disse Alcides, que citou como exemplo empresas do grupo EBX, do empres\u00e1rio Eike Batista, e tamb\u00e9m a HRT, que explora reservas na bacia do Solim\u00f5es, na Amaz\u00f4nia. &#8220;N\u00f3s n\u00e3o negamos parcerias com ningu\u00e9m que possa agregar valor&#8221;, disse Alcides, destacando que n\u00e3o h\u00e1 nada novo agora.<\/p>\n<p>Em outro evento, o assessor da presid\u00eancia da Petrobras, Andre Garcez Ghirardi, alertou que a capacidade da estatal para investir em pa\u00edses latino-americanos pode estar sendo superestimada.<\/p>\n<p>&#8220;Diante da dimens\u00e3o do pr\u00e9-sal e do plano de investimento, h\u00e1 a falsa impress\u00e3o de que a Petrobras tem recursos excedentes. A realidade \u00e9 outra. \u00c9 um ato de equil\u00edbrio gerenciar o fluxo de caixa&#8221;, disse Ghirardi. &#8220;Existe um espa\u00e7o pequeno para aplicar nos vizinhos qualquer recurso que n\u00e3o seja gerado no pr\u00f3prio pa\u00eds&#8221;, afirmou sobre valores adicionais de investimento.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\nO Estado de S. 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