{"id":28277,"date":"2022-01-11T07:54:54","date_gmt":"2022-01-11T10:54:54","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=28277"},"modified":"2022-01-16T20:09:27","modified_gmt":"2022-01-16T23:09:27","slug":"crise-das-chuvas-no-sul-da-bahia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/28277","title":{"rendered":"Crise das chuvas no Sul da Bahia"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/lavrapalavra.com\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/pcbba.png?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"imagem\" \/><!--more--><\/p>\n<p><strong>Nota Pol\u00edtica do Comit\u00ea Regional do PCB &#8211; Bahia<\/strong><\/p>\n<p>O final do ano de 2021 bem como o in\u00edcio de 2022 t\u00eam sido marcados por uma trag\u00e9dia humanit\u00e1ria na Regi\u00e3o Sul da Bahia que j\u00e1 colocou mais de 130 munic\u00edpios em situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia, em decorr\u00eancia da presen\u00e7a de fortes enchentes, bem como deslizamentos e barragens rompidas. O denominador comum da trag\u00e9dia encontra responsabilidade direta na l\u00f3gica do Capital, e no Estado submetido a seus interesses, promovendo uma ocupa\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o que coloca a popula\u00e7\u00e3o trabalhadora em situa\u00e7\u00e3o vulner\u00e1vel.<\/p>\n<p>Ainda que eventos clim\u00e1ticos extremos sejam de not\u00edcia amplamente conhecida e documentada, a afirma\u00e7\u00e3o costumeiramente difundida nos ve\u00edculos de informa\u00e7\u00e3o da grande m\u00eddia insiste em uma narrativa de \u201cacidentes\u201d, \u201ctrag\u00e9dias naturais\u201d e joga para a \u201cimprevisibilidade do Clima\u201d a responsabilidade pelos epis\u00f3dios dram\u00e1ticos de chuvas que j\u00e1 vitimaram 26 pessoas e deixaram mais de 30 mil baianos desabrigados, al\u00e9m de mais de 60 mil baianos desalojados, dentre os mais de 700 mil atingidos pelas Chuvas.<\/p>\n<p>Na regi\u00e3o Sul da Bahia, cidades como Ilh\u00e9us e Itabuna, al\u00e9m de munic\u00edpios vizinhos est\u00e3o entre os pontos mais atingidos, deixando milhares de fam\u00edlias ilhadas, ou em situa\u00e7\u00e3o de forte vulnerabilidade. Em Itabuna, o Rio Cachoeira chegou a subir 9 metros, colocando diversas regi\u00f5es da cidade com \u00e1gua at\u00e9 pr\u00f3xima aos telhados. Em Ilh\u00e9us as enchentes no Rio Almada atingiram fortemente diversos bairros, deixando mais de 8 mil desalojados, diversas regi\u00f5es ilhadas, sendo nas zonas rurais alguns dos quadros mais dram\u00e1ticos de isolamento e desabastecimento. As chuvas na cidade chegaram a inundar at\u00e9 o aeroporto da cidade trazendo peixes para a pista.<\/p>\n<p>Apesar de algumas limita\u00e7\u00f5es, a capacidade humana de previs\u00e3o de eventos clim\u00e1ticos avan\u00e7ou nos \u00faltimos tempos a ponto de fornecer boa capacidade de evacua\u00e7\u00f5es e medidas protetivas. Entretanto, a grande quest\u00e3o reside na l\u00f3gica de ocupa\u00e7\u00e3o urbana e na utiliza\u00e7\u00e3o dos recursos naturais promovidos pelo capitalismo. O encarecimento do terreno urbano, somado \u00e0 aus\u00eancia de pol\u00edticas de moradia de larga escala, vem sendo dois dos principais fatores que levam \u00e0 popula\u00e7\u00e3o trabalhadora a ocupar regi\u00f5es de risco, como encostas ou pr\u00f3ximas \u00e0s margens dos rios, quando n\u00e3o ocupando trechos de suas margens e at\u00e9 mesmo invadindo em certos casos a superf\u00edcie desses corpos, construindo palafitas e outros tipos de moradias prec\u00e1rias. Ademais, a utiliza\u00e7\u00e3o indevida dos recursos naturais vem promovendo amplo desgaste ambiental nos rios, que em grande parte se v\u00eaem assoreados, desprovidos de suas margens e matas ciliares, quando n\u00e3o completamente comprometidos ao serem transformados em esgotos urbanos, sendo muitos destes tamponados e completa ou parcialmente cobertos. \u00c0 utiliza\u00e7\u00e3o indevida dos recursos h\u00eddricos se soma a aus\u00eancia de pol\u00edticas ecol\u00f3gicas eficazes voltadas para ocupa\u00e7\u00e3o urbana, como a manuten\u00e7\u00e3o das redes de drenagem e cobertura vegetal.<\/p>\n<p>A trag\u00e9dia aqui relatada e ora vivida pela popula\u00e7\u00e3o baiana se mostra portanto como uma trag\u00e9dia humanit\u00e1ria de responsabilidade direta do capitalismo e do estado burgu\u00eas, respons\u00e1vel pela organiza\u00e7\u00e3o social de nossas cidades. Em resposta \u00e0 tal situa\u00e7\u00e3o a auto-organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e trabalhadoras tem dado mostras de alguns embri\u00f5es de alternativas, em primeiro lugar pautadas na solidariedade para com as fam\u00edlias atingidas. A milit\u00e2ncia do PCB e seus coletivos presentes na regi\u00e3o t\u00eam operado iniciativas de organiza\u00e7\u00e3o, como a Campanha SOS Sul da Bahia e a Brigada Poder Popular, que vem arrecadando recursos, seja em doa\u00e7\u00f5es de dinheiro ou at\u00e9 em bens f\u00edsicos, no entanto, o maior resultado vem sendo o refor\u00e7o na auto-organiza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora em favor de seus interesses. O princ\u00edpio da solidariedade de classe vem se mostrando como um ponto de partida importante para a sensibiliza\u00e7\u00e3o do povo trabalhador, que passa a se reconhecer em suas condi\u00e7\u00f5es, ao mesmo tempo em que experimentam as formas de organiza\u00e7\u00e3o que expressam a for\u00e7a que a uni\u00e3o de nossa classe possui em lidar com as trag\u00e9dias ocasionadas pelo capitalismo e pelo poder p\u00fablico submisso. Tais iniciativas educam pouco a pouco em nossa classe nos caminhos que nos levar\u00e3o \u00e0 supera\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria ordem capitalista, com a reorganiza\u00e7\u00e3o de nossa sociedade pautada em novos princ\u00edpios, onde a organiza\u00e7\u00e3o da vida humana, do espa\u00e7o social, possa estar em harmonia com o espa\u00e7o natural.<\/p>\n<p>Partido Comunista Brasileiro &#8211; Bahia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/28277\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[225,246],"class_list":["post-28277","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-geral","tag-4a","tag-np"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-7m5","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28277","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28277"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28277\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28277"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28277"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28277"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}