{"id":2831,"date":"2012-05-10T16:23:07","date_gmt":"2012-05-10T16:23:07","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=2831"},"modified":"2012-05-10T16:23:07","modified_gmt":"2012-05-10T16:23:07","slug":"real-derrete-em-meio-a-menor-apetite-por-risco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2831","title":{"rendered":"Real derrete em meio a menor apetite por risco"},"content":{"rendered":"\n<p>O real brasileiro tangenciou ontem seu ponto mais baixo em rela\u00e7\u00e3o ao d\u00f3lar desde julho de 2009, com o c\u00e2mbio a R$ 1,9649 no preg\u00e3o da manh\u00e3. Esse valor representou uma queda de 4% em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas anterior. A divisa brasileira registra uma desvaloriza\u00e7\u00e3o de 21% em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua alta recorde de 12 anos atingida em julho passado.<\/p>\n<p>O Brasil n\u00e3o pode dizer que \u00e9 o \u00fanico respons\u00e1vel pela queda do real. O apetite mundial por risco se voltou contra os mercados emergentes, em meio \u00e0 turbul\u00eancia europeia decorrente da crise da d\u00edvida soberana. Os pre\u00e7os das commodities, al\u00e9m disso, recuaram em conson\u00e2ncia com a desacelera\u00e7\u00e3o do crescimento da China.<\/p>\n<p>Mas o Brasil tamb\u00e9m fez sua parte. O primeiro combatente em favor da moeda foi o ministro da Fazenda brasileiro, Guido Mantega, que travou uma batalha solit\u00e1ria durante os anos de &#8220;boom&#8221; de 2010 e 2011, quando o real parecia pronto para subir para sempre, puxado pela disparada dos pre\u00e7os do min\u00e9rio de ferro, da soja e de outras commodities brasileiras.<\/p>\n<p>Neste ano, a presidente Dilma Rousseff assumiu a batalha, frustrada pela repentina desacelera\u00e7\u00e3o do crescimento da economia brasileira decorrente do impacto devastador da valoriza\u00e7\u00e3o do real sobre a competitividade da ind\u00fastria do pa\u00eds. Ela reclamou pessoalmente \u00e0 chanceler alem\u00e3 Angela Merkel e ao presidente americano Barack Obama sobre um &#8220;tsunami&#8221; de dinheiro que inundaria o Brasil em decorr\u00eancia da permissividade da pol\u00edtica monet\u00e1ria praticada pelas economias avan\u00e7adas.<\/p>\n<p>A presidente associou esse esfor\u00e7o a uma &#8220;guerra \u00e0s taxas de juros&#8221; voltada contra as exorbitantes taxas cobradas pela concess\u00e3o de cr\u00e9dito no Brasil. Atacou os bancos brasileiros por cobran\u00e7a excessiva (a taxa de empr\u00e9stimo m\u00e9dia ao consumidor continua sendo de 44%) e reduziu o retorno garantido pago \u00e0s cadernetas de poupan\u00e7a. Por seu lado, o Banco Central fez sua parte ao reduzir sua taxa b\u00e1sica, a Selic, que ainda \u00e9 uma das mais altas dentre todas as grandes economias, descendo aos atuais 9%. A institui\u00e7\u00e3o dever\u00e1 realizar mais cortes, para n\u00edveis pr\u00f3ximos a baixas recordes de todos os tempos, no fim do m\u00eas.<\/p>\n<p>Mas ser\u00e1 que o governo est\u00e1 simplesmente brincando com os controles do superpetroleiro que \u00e9 o Brasil, quando os problemas est\u00e3o na casa de m\u00e1quinas? Muitos economistas s\u00e3o dessa opini\u00e3o. Manipular as taxas de c\u00e2mbio e de juros s\u00f3 vai render resultados de longo prazo se os fundamentos econ\u00f4micos subjacentes derem sustenta\u00e7\u00e3o \u00e0 medida.<\/p>\n<p>Embora a maioria dos economistas concorde que essa \u00e9 uma boa hora para baixar as taxas de juros, as medidas adotadas at\u00e9 agora n\u00e3o v\u00e3o curar as tend\u00eancias inflacion\u00e1rias fundamentais da economia brasileira. Toda vez que a economia voltar a um crescimento superior \u00e0 tend\u00eancia, a baixa taxa de investimentos, a falta de competitividade da ind\u00fastria e a grandeza e o car\u00e1ter perdul\u00e1rio do governo contribuir\u00e3o para fomentar um ressurgimento do risco inflacion\u00e1rio.<\/p>\n<p>Para consolidar sua vit\u00f3ria nessa fase da guerra cambial, o governo brasileiro precisa convencer o Congresso da necessidade de iniciar uma discuss\u00e3o verdadeira sobre uma segunda gera\u00e7\u00e3o de reformas. As guerras s\u00e3o ganhas pela lideran\u00e7a, n\u00e3o pela cosm\u00e9tica.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p>Espanha estatiza quarto maior banco do pa\u00eds por crise financeira<\/p>\n<p>Ag\u00eancia EFE<\/p>\n<p>O governo da Espanha decidiu nesta quarta-feira estatizar o Banco Financiero y de Ahorros, e com isso controlar\u00e1 45% do Bankia &#8212; quarta maior entidade financeira do pa\u00eds por ativos &#8212; e disponibilizar\u00e1 capital para sanear o grupo, informou nesta quarta-feira o Minist\u00e9rio da Economia.<\/p>\n<p>A pasta dirigida por Luis de Guindos impulsionar\u00e1 os tr\u00e2mites para transformar em a\u00e7\u00f5es o empr\u00e9stimo de \u20ac 4,465 bilh\u00f5es que o pa\u00eds concedeu ao grupo no final de 2008.<\/p>\n<p>Como resultado desta convers\u00e3o, o Estado, mediante o Fundo de Reestrutura\u00e7\u00e3o Ordenada Banc\u00e1ria (FROB) ser\u00e1 titular indireto de 45% do capital do Bankia, e ter\u00e1 seu controle.<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio da Economia considera que a convers\u00e3o da ajuda do Estado se faz necess\u00e1ria porque v\u00ea &#8220;improv\u00e1vel, em vista da situa\u00e7\u00e3o da entidade e de seu grupo&#8221;, que possa devolver em cinco anos o dinheiro recebido.<\/p>\n<p>Portanto, com esta considera\u00e7\u00e3o, cabe ao Estado requerer que a ajuda se transforme em uma participa\u00e7\u00e3o, que neste caso representa a nacionaliza\u00e7\u00e3o do grupo e a tomada do controle do Bankia.<\/p>\n<p>No entanto, isto n\u00e3o significa a interven\u00e7\u00e3o da entidade, reitera a pasta, mas &#8220;um primeiro passo necess\u00e1rio para garantir a solv\u00eancia, a tranquilidade dos clientes e dissipar as d\u00favidas dos mercados sobre as necessidades de capital da entidade&#8221;.<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio destaca que a partir de agora a nova ger\u00eancia do Bankia, presidido pelo ex-diretor do BBVA Jos\u00e9 Ignacio Goirigolzarri, ter\u00e1 que apresentar ao Banco da Espanha seu plano de reestrutura\u00e7\u00e3o, viabilidade e melhora de gest\u00e3o corporativa.<\/p>\n<p>O governo espera que o Bankia, com 10 milh\u00f5es de clientes e mais de 400 mil acionistas, aproveitar\u00e1 seu potencial para continuar desempenhando um papel primordial no setor banc\u00e1rio espanhol.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p>Caixa e BB n\u00e3o t\u00eam os menores juros, diz Banco Central<\/p>\n<p>O Estado de S. Paulo<\/p>\n<p>Mesmo com a s\u00e9rie de cortes agressivos de juros anunciados desde o m\u00eas passado, os estatais Banco do Brasil e Caixa Econ\u00f4mica Federal n\u00e3o t\u00eam as menores taxas do mercado, segundo informa\u00e7\u00f5es divulgadas ontem pelo Banco Central.<\/p>\n<p>O per\u00edodo da pesquisa do BC foi de 19 a 25 de abril, ap\u00f3s o in\u00edcio da primeira rodada de redu\u00e7\u00e3o de juros de Caixa e BB.<\/p>\n<p>Numa das linhas divulgadas pelo BC, a de conta garantida, o BB aparece como dono da 30\u00aa melhor taxa, num ranking com 38 institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>No cheque especial para pessoas f\u00edsicas, a melhor taxa mensal colhida pelo BC foi a do Banco Prosper, de 2,11% ao m\u00eas. A pior, do 31\u00ba, foi a do Santander Brasil, em 10,34%.<\/p>\n<p>A melhor taxa do cr\u00e9dito pessoal, segundo o BC, foi do Banco BVA, com 0,73% ao m\u00eas. Caixa e BB apareceram com a 13\u00aa e 32\u00aa melhores taxas, respectivamente, de um total de 91 institui\u00e7\u00f5es consultadas.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p>Massa salarial j\u00e1 subiu 6,2% no ano<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>No primeiro trimestre deste ano, a massa salarial nas seis principais regi\u00f5es metropolitanas cresceu 6,2% acima da infla\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo de 2011, impulsionada pela alta de 18,8% na constru\u00e7\u00e3o civil, de 7,9% nos chamados outros servi\u00e7os (alojamento, transportes, limpeza urbana e servi\u00e7os pessoais) e de 7,2% no segmento que engloba da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica at\u00e9 educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e servi\u00e7os sociais. S\u00e3o todos setores que n\u00e3o sofrem com a concorr\u00eancia externa. Em 2011, a massa total cresceu 4,8%.<\/p>\n<p>Os n\u00fameros mostram a solidez do mercado de trabalho, o que deve garantir um impulso \u00e0 demanda nos pr\u00f3ximos meses, ainda que o elevado n\u00edvel de endividamento de muitas fam\u00edlias seja um limite \u00e0 capacidade de consumo. A massa salarial \u00e9 a combina\u00e7\u00e3o da varia\u00e7\u00e3o do emprego e da renda real.<\/p>\n<p>Na constru\u00e7\u00e3o, o reajuste de 14,1% do sal\u00e1rio m\u00ednimo ajudou a impulsionar o rendimento real, que subiu 12,2% no primeiro trimestre, tamb\u00e9m influenciado pela escassez de m\u00e3o de obra, diz o economista Rafael Bacciotti, da Tend\u00eancias Consultoria, autor do levantamento feito a pedido do Valor, com base na Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do IBGE.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a constru\u00e7\u00e3o vive um bom momento em v\u00e1rias frentes, como diz Lucia Garcia, respons\u00e1vel pela Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) feita pela Funda\u00e7\u00e3o Sistema Estadual de An\u00e1lise de Dados (Seade) e o Departamento Intersindical de Estat\u00edsticas e Estudos Socioecon\u00f4micos (Dieese). O efeito da renda em alta impulsiona, por exemplo, os pequenos reparos, a amplia\u00e7\u00e3o de moradias j\u00e1 existentes e a autoconstru\u00e7\u00e3o, observa ela, que destaca o momento ainda razoavelmente positivo do mercado imobili\u00e1rio e as grandes obras de infraestrutura. Nesse cen\u00e1rio, cresce tamb\u00e9m o emprego na constru\u00e7\u00e3o. De janeiro a mar\u00e7o, a ocupa\u00e7\u00e3o aumentou 6% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano passado. &#8220;N\u00e3o faltam motivos para a expans\u00e3o da massa salarial na constru\u00e7\u00e3o&#8221;, resume Lucia.<\/p>\n<p>Diretor-adjunto do Centro de Estudos Sindicais e Economia do Trabalho (Cesit) da Unicamp, Anselmo Luis dos Santos tamb\u00e9m destaca a escassez da m\u00e3o de obra como um fator importante para entender o que se passa na constru\u00e7\u00e3o, citando tamb\u00e9m o impacto do programa Minha Casa, Minha Vida, o financiamento imobili\u00e1rio e projetos como a constru\u00e7\u00e3o de hidrel\u00e9tricas e est\u00e1dios. Para completar, 2012 \u00e9 um ano eleitoral, o que costuma levar \u00e0 antecipa\u00e7\u00e3o de obras para o primeiro semestre do ano, como nota recente relat\u00f3rio da LCA Consultores.<\/p>\n<p>Os chamados outros servi\u00e7os se beneficiam do pr\u00f3prio momento favor\u00e1vel do emprego e da renda, segundo analistas. A for\u00e7a do mercado de trabalho sustenta o dinamismo desse segmentos, por manter elevada a demanda por servi\u00e7os pessoais &#8211; como cabeleireiro e manicure &#8211; e permitir que as pessoas viajem mais, aumentando a demanda por hot\u00e9is. No grupo outros servi\u00e7os, a alta real da massa salarial de 7,9% foi puxada pela expans\u00e3o de 6,8% do rendimento real &#8211; a ocupa\u00e7\u00e3o cresceu 1%.<\/p>\n<p>No caso do segmento que engloba administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, defesa, seguridade social, educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e servi\u00e7os sociais, \u00e9 mais dif\u00edcil identificar as causas do movimento, dizem Bacciotti e Lucia, dada a heterogeneidade do segmento. O governo federal tem sido rigoroso na pol\u00edtica salarial para o funcionalismo, indicando que a maior press\u00e3o sobre os rendimentos n\u00e3o deve vir do setor p\u00fablico. J\u00e1 os segmentos de educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade, que passam por um aumento estrutural de demanda, podem explicar o movimento, acredita Lucia. De janeiro a mar\u00e7o, o rendimento real nesse setor amplo cresceu 4,3% sobre igual per\u00edodo de 2011, e a ocupa\u00e7\u00e3o avan\u00e7ou 2,8%.<\/p>\n<p>Nos servi\u00e7os dom\u00e9sticos, a massa salarial cresceu no primeiro trimestre 3,2% acima da infla\u00e7\u00e3o, apesar do forte aumento do rendimento real, de 7,3%, fortemente influenciado pelo sal\u00e1rio m\u00ednimo. O crescimento da massa \u00e9 menor porque o n\u00famero de ocupados no setor tem encolhido &#8211; caiu 3,8% no per\u00edodo. Segundo Bacciotti e Lucia, muitas dom\u00e9sticas t\u00eam migrado para outros empregos, com o mercado de trabalho aquecido.<\/p>\n<p>Na ind\u00fastria, a massa salarial tamb\u00e9m cresce abaixo da m\u00e9dia de todos os setores, mas a um ritmo ainda razo\u00e1vel para um segmento que sofre com a competi\u00e7\u00e3o do importado e enfrenta dificuldades para exportar. No primeiro trimestre, a massa no setor subiu 5% acima da infla\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a igual intervalo de 2011, um aumento que se deveu quase todo \u00e0 alta do rendimento real, de 4,6%. A ocupa\u00e7\u00e3o cresceu apenas 0,4%.<\/p>\n<p>O economista Jos\u00e9 Marcio Camargo, da Opus Gest\u00e3o de Recursos, diz que a for\u00e7a do mercado de trabalho leva a ind\u00fastria a conceder aumentos salariais expressivos, para n\u00e3o perder trabalhadores que podem migrar para outras empresas industriais ou at\u00e9 mesmo para outros setores. Al\u00e9m disso, muitas companhias do setor t\u00eam evitado demitir, na expectativa de que a situa\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria melhore nos pr\u00f3ximos meses, com o impacto da queda dos juros e as medidas de est\u00edmulo ao cr\u00e9dito.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m professor da PUC-Rio, Camargo destaca o impulso para os sal\u00e1rios na economia num quadro de desemprego baixo &#8211; em mar\u00e7o, a taxa ficou em 6,2%. &#8220;H\u00e1 uma oferta de trabalho que cresce relativamente pouco e uma demanda que avan\u00e7a a taxas fortes. Isso ocorre porque o crescimento tem se baseado muito no setor de servi\u00e7os, quase tr\u00eas vezes mais intensivo em m\u00e3o de obra do que a ind\u00fastria&#8221;, diz Camargo. C\u00e1lculos da Opus indicam que, no prazo de um ano, o recuo de 1 ponto percentual da taxa de desemprego faz os sal\u00e1rios nominais subirem m<\/p>\n<p>1, 8 ponto. Lucia lembra que a infla\u00e7\u00e3o mais baixa no primeiro trimestre deste ano ajuda a explicar a for\u00e7a real dos rendimentos.<\/p>\n<p>Segundo Santos, com o desemprego baixo, os sindicatos t\u00eam espa\u00e7o para reivindicar aumentos salariais expressivos, num quadro em que h\u00e1 escassez de m\u00e3o de obra em alguns segmentos espec\u00edficos.<\/p>\n<p>Para Camargo, o mercado de trabalho apertado \u00e9 hoje sem d\u00favida um &#8220;fator positivo para o aumento de demanda na economia brasileira&#8221;. A quest\u00e3o, observa ele, \u00e9 que h\u00e1 muitas fam\u00edlias bastante endividadas, ao mesmo tempo em que os bancos t\u00eam sido mais cautelosos na concess\u00e3o de cr\u00e9dito, por causa da inadimpl\u00eancia mais alta. Com isso, a demanda tem sido mais moderada do que sugere a for\u00e7a da massa salarial.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p>Infla\u00e7\u00e3o d\u00e1 salto e BC pode frear juro baixo<\/p>\n<p>O Globo<\/p>\n<p>A infla\u00e7\u00e3o brasileira triplicou em abril. O \u00cdndice Nacional de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) saiu de 0,21% em mar\u00e7o para 0,64% &#8211; a maior taxa em um ano. Apenas tr\u00eas itens (cigarro, empregado dom\u00e9stico e rem\u00e9dios) concentraram quase 40% da taxa de abril. Mas os pre\u00e7os maiores, frisam analistas, aparecem disseminados na economia. Assim, o \u00edndice acumula varia\u00e7\u00e3o de 1,87% no ano e 5,10% nos \u00faltimos 12 meses. N\u00fameros que j\u00e1 levantam d\u00favidas no mercado: uma infla\u00e7\u00e3o mais salgada pode dar um basta aos cortes dos juros? A princ\u00edpio, n\u00e3o. Mas a resposta, para especialistas, depende do n\u00edvel da atividade da economia e dos desdobramentos da crise internacional &#8211; indicadores que mexem com c\u00e2mbio, demanda e, naturalmente, com a infla\u00e7\u00e3o. Na semana passada, o governo mexeu no rendimento da caderneta de poupan\u00e7a, com a inten\u00e7\u00e3o de permitir um corte maior dos juros.<\/p>\n<p>&#8211; O IPCA de mar\u00e7o triplicou, com uma alta abrupta. Apesar de tr\u00eas itens concentrarem 38% da alta, h\u00e1 aumentos generalizados &#8211; disse Eulina Nunes, gerente do IBGE, em refer\u00eancia a aumentos dos pre\u00e7os de cigarros e rem\u00e9dios e nos sal\u00e1rios de empregados dom\u00e9sticos, de 15,04%, 1,58% e 1,86%, respectivamente.<\/p>\n<p>Os gastos nos supermercados subiram no m\u00eas passado. S\u00f3 o grupo de Alimentos e Bebidas saiu de 0,25% para 0,51% em abril. O feij\u00e3o carioca &#8211; o mais consumido no pa\u00eds &#8211; enfrentou problemas com a seca no Nordeste, e o consumidor pagou 12,66% a mais pelo alimento. Tamb\u00e9m encareceram itens como o feij\u00e3o mulatinho (13,09%), a farinha de mandioca (6,58%) e o alho (6,33%). Al\u00e9m disso, o efeito da alta do d\u00f3lar come\u00e7a a aparecer na conta do supermercado. Segundo Eulina, os artigos de limpeza, com alta de 1,38%, ficaram mais caros por causa, em parte, do d\u00f3lar mais valorizado. Insumos dessa ind\u00fastria s\u00e3o importados.<\/p>\n<p>&#8211; E h\u00e1 ind\u00edcios de que o \u00f3leo de soja tenha sofrido influ\u00eancia do c\u00e2mbio: o d\u00f3lar mais alto estimulou a exporta\u00e7\u00e3o do produto, reduzindo a oferta interna &#8211; explicou Eulina.<\/p>\n<p>Contrato futuro sobe com a infla\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>A infla\u00e7\u00e3o veio acima das proje\u00e7\u00f5es de 0,58%, segundo o \u00faltimo boletim Focus. Para maio, a expectativa de um IPCA mais suave, em 0,47%.<\/p>\n<p>&#8211; O que se viu em abril n\u00e3o \u00e9 uma tend\u00eancia: \u00e9 um comportamento pontual. Essa alta n\u00e3o deve alterar os planos do Banco Central (BC), que na pr\u00f3xima reuni\u00e3o deve reduzir 0,50 ponto percentual a taxa b\u00e1sica de juros, a Selic. Os cortes devem continuar at\u00e9 uma Selic de 8%, quando o governo vai parar e olhar a atividade &#8211; disse Carlos Thadeu de Freitas, ex-diretor do BC.<\/p>\n<p>Freitas explica que \u00e9 poss\u00edvel fazer mais cortes na Selic porque o n\u00edvel de atividade ainda est\u00e1 fraco, com perspectivas de crescimento abaixo dos 3% em 2012. Al\u00e9m disso, a crise empurrou a demanda mundial para baixo, levando o Brasil a importar defla\u00e7\u00e3o do mundo. Uma opini\u00e3o compartilhada com Eduardo Velho, economista da Prosper Corretora, que espera uma infla\u00e7\u00e3o de 0,42% em maio.<\/p>\n<p>&#8211; Acredito em mais dois cortes nos juros, de 0,50 ponto percentual. A Selic pode at\u00e9 entrar 2013 em 7,5%. A infla\u00e7\u00e3o de agora n\u00e3o se trata de uma amea\u00e7a: esse problema o governo empurrou para 2013, quando a economia pode estar mais aquecida.<\/p>\n<p>Apesar da cren\u00e7a dos analistas, o IPCA de 0,64% influenciou o mercado de juros futuros. A taxa do contrato com vencimento em janeiro de 2013 passou de 7,97% para 8,03%, num movimento de alta verificado na maioria dos contratos. O IPCA de ontem foi o segundo indicador seguido a apontar acelera\u00e7\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o &#8211; na ter\u00e7a-feira, foi a vez do IGP-DI.<\/p>\n<p>As taxas dos contratos futuros de juros vinha em movimento cont\u00ednuo de queda. Na semana passada, o movimento acelerou-se, com a decis\u00e3o do governo de mudar a regra da poupan\u00e7a.<\/p>\n<p>&#8211; O mercado parecia estar acreditando muito que, sem a restri\u00e7\u00e3o da poupan\u00e7a, a Selic poderia ir abaixo de 8%, mas come\u00e7ou a reavaliar os pre\u00e7os, incluindo outras vari\u00e1veis, como a infla\u00e7\u00e3o &#8211; explica Rog\u00e9rio Freitas, s\u00f3cio da Te\u00f3rica Investimentos.<\/p>\n<p>Andr\u00e9 Perfeito, economista da Gradual Investimentos, n\u00e3o est\u00e1 t\u00e3o certo de que o BC siga cortando a Selic. Para ele, o BC deve cortar 0,50 ponto percentual em fins de maio, mas deve indicar na ata que o per\u00edodo de afrouxamento monet\u00e1rio chega ao fim por causa de incentivos j\u00e1 dados \u00e0 economia.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p>Investigada por desvios, Delta ainda cobra R$ 1 bi de governos<\/p>\n<p>O Globo<\/p>\n<p>Presidente de empreiteira investigada por desvios amea\u00e7a ir \u00e0 Justi\u00e7a se n\u00e3o receber pagamentos<\/p>\n<p>O GLOBO: Como os governos federal, estadual e municipais, que s\u00e3o clientes da Delta, est\u00e3o se comportando diante das den\u00fancias que pesam sobre a empreiteira?<\/p>\n<p>CARLOS ALBERTO VERDINI: Alguns deram uma parada para fazer auditagem e j\u00e1 est\u00e3o come\u00e7ando a pagar. N\u00e3o temos medo de auditagem. Todos os contratos s\u00e3o fiscalizados. O cliente \u00e9 obrigado a fiscalizar. E as concorr\u00eancias foram feitas. Uma quest\u00e3o \u00e9 que, como fizeram um estardalha\u00e7o, cria um certo receio na conjuntura atual; quem est\u00e1 com a caneta, na hora de dar a canetada final, fica com medo.<\/p>\n<p>A CGU pode declarar a empresa inid\u00f4nea. Como o senhor v\u00ea isso?<\/p>\n<p>VERDINI: Estamos fazendo um trabalho para levar \u00e0 Casa Civil, mostrando nossa defesa. Uma coisa \u00e9: uma estrada depois de feita ficou com um buraco. \u00c9 preciso saber se foi mal executado ou se foi erro de projeto: 99% s\u00e3o erro de projeto. Porque tudo \u00e9 feito em cima de projeto b\u00e1sico. Agora \u00e9 que o Dnit, em fun\u00e7\u00e3o da troca de diretoria, declarou que todos os projetos ser\u00e3o feitos em cima de projetos executivos. O projeto executivo leva um ano, no m\u00ednimo, para ser feito. E a responsabilidade \u00e9 do gestor. Quando a gente entra na concorr\u00eancia, executa o projeto que \u00e9 oferecido ali.<\/p>\n<p>O senhor teme que a CGU decida pela inidoneidade da Delta?<\/p>\n<p>VERDINI: Essa hip\u00f3tese n\u00e3o passa na minha cabe\u00e7a. Primeiro, porque somos muito grandes. Voc\u00ea n\u00e3o pode tirar da Delta e dar a qualquer um. \u00c9 direito adquirido. Primeiro, tem de gerar um momento para rescis\u00e3o. Tem de fazer o encontro de contas. E depois vai ter de licitar. Esse processo \u00e9 demorado. Tenho certeza de que, ao licitar, voc\u00ea vai contratar por um pre\u00e7o mais alto do que \u00e9 praticado hoje. E as obras v\u00e3o ficar paradas. Vai atrasar todos os cronogramas. N\u00e3o \u00e9 uma coisa f\u00e1cil de ser executada. \u00c9 direito adquirido da Delta. N\u00f3s ganhamos as licita\u00e7\u00f5es. Voc\u00ea vai ter de provar que estou errado para rescindir meu contrato. Eu posso ir para a Justi\u00e7a e dizer: &#8220;eu n\u00e3o concordo&#8221;. E vai ficar uma discuss\u00e3o at\u00e9 chegar a um determinado fim, para ent\u00e3o licitar aquela licita\u00e7\u00e3o espec\u00edfica.<\/p>\n<p>Estamos falando de que universo de contratos? E de que valores?<\/p>\n<p>VERDINI: Estamos tocando hoje 200 contratos, em 25 estados. O saldo desses contratos hoje \u00e9 de R$ 4,7 bilh\u00f5es. Temos a receber hoje R$ 900 milh\u00f5es, sendo R$ 450 milh\u00f5es j\u00e1 no caixa. E R$ 450 milh\u00f5es em tramita\u00e7\u00e3o de medi\u00e7\u00e3o e faturamento. Isso em todas as esferas de governo.<\/p>\n<p>Como o senhor viu o envolvimento do seu nome com o dos homens do contraventor Carlinhos Cachoeira?<\/p>\n<p>VERDINI: Dizer que tenho relacionamento com uma pessoa que tenta falar comigo e n\u00e3o fala, e que diz que tenho uma amizadezinha&#8230; Isso \u00e9 perder tempo. Eu o conheci (o ex-sargento da Aeron\u00e1utica Idalberto Araujo, o Dad\u00e1, flagrado em escuta da PF citando o empres\u00e1rio) quando fui ao escrit\u00f3rio de Bras\u00edlia. Estava cuidando do projeto do trem- bala e precisei ir a Bras\u00edlia. No escrit\u00f3rio, o Claudio Abreu estava com ele e me apresentou. Morreu o assunto. Naturalmente, devia estar querendo, como diz l\u00e1 (na escuta da PF), queria contratar uma empresa e me procurou para ver se eu ajudava. Ele n\u00e3o falou comigo. E eu n\u00e3o retornei a liga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O senhor conhecia o Claudio Abreu? Foi surpreendido com a s\u00e9rie de den\u00fancias contra ele?<\/p>\n<p>VERDINI: Ele trabalhava na empresa. Todo mundo ficou surpreso. Foi surpresa geral porque ele era uma pessoa trabalhadora e idolatrava a empresa. A Delta em primeiro lugar. Ele colava nas paredes o slogan &#8220;ame-a ou deixe-a&#8221;.<\/p>\n<p>E se o senhor for convocado \u00e0 CPI?<\/p>\n<p>VERDINI: Parece que j\u00e1 fizeram um requerimento, mas n\u00e3o tenho medo.<\/p>\n<p>A empreiteira deixou de fazer aportes em obras como a do Maracan\u00e3, uma das quais deixou?<\/p>\n<p>VERDINI: Precis\u00e1vamos preservar o caixa. N\u00f3s vinhamos aportando e discutindo, mas chegou o momento em que resolvemos de vez o assunto. Tanto que ainda temos dinheiro a receber pelo servi\u00e7o executado. Em torno de R$ 40 milh\u00f5es. Executamos os servi\u00e7os juntos e cada um tem a sua parcela. E a nossa parcela era 30%.<\/p>\n<p>E qual \u00e9 a participa\u00e7\u00e3o do dono, Fernando Cavendish, na empresa? N\u00e3o no processo de venda, j\u00e1 que o senhor prefere n\u00e3o falar deste assunto. Mas qual o papel dele no cotidiano da empresa? Ele est\u00e1 afastado?<\/p>\n<p>VERDINI: Totalmente afastado. Foi uma decis\u00e3o que se tomou para que n\u00e3o houvesse interfer\u00eancia na auditoria que est\u00e1 sendo feita. Isso mostra, ao mesmo tempo, que n\u00f3s atuamos na pr\u00f3pria carne de pronto. Afastamos outros diretores envolvidos.<\/p>\n<p>Mas acontece um afastamento do pr\u00f3prio dono da empresa?<\/p>\n<p>VERDINI: Mostramos que seria melhor para ele e para n\u00f3s que ele se afastasse. Porque hoje, infelizmente, coitado, ele est\u00e1 sendo tratado como persona non grata, com v\u00e1rios adjetivos. Como \u00e9 que ele vai chegar a dizer: minha empresa n\u00e3o \u00e9 assim, n\u00e3o fiz isso, n\u00e3o fiz aquilo. Foi fruto de muita discuss\u00e3o. E infelizmente me escolheram.<\/p>\n<p>H\u00e1 quanto tempo o senhor est\u00e1 na empresa?<\/p>\n<p>VERDINI: Estou h\u00e1 nove anos na Delta. Trabalhei 14 anos na Queiroz Galv\u00e3o e 13 na Camargo Corr\u00eaa. Trabalhei ainda um ano na Embratel, no in\u00edcio da carreira. Mas, \u00e9 como se diz, tem que assumir. N\u00e3o devo nada a ningu\u00e9m. N\u00e3o tenho medo de assumir desafios. E, mod\u00e9stia \u00e0 parte, acho que tenho compet\u00eancia para poder tocar a empresa. Tenho certeza de que vamos sair dessa, at\u00e9 para melhor.<\/p>\n<p>O resultado dessa auditoria no Centro-Oeste&#8230;<\/p>\n<p>VERDINI: Olha, estamos fazendo auditoria no Centro-Oeste e no pa\u00eds inteiro. Estamos fazendo dois tipos de auditoria. Uma para apurar o fato e outra interna, financeira. Isso vai ser encaminhado para a CPI porque \u00e9 o que vai dizer de fato o que aconteceu. At\u00e9 agora, todo mundo s\u00f3 fala, fala, fala, fala, mas n\u00e3o tem nada de concreto.<\/p>\n<p>Mas mesmo se a empresa for vendida? Muda alguma coisa nas decis\u00f5es?<\/p>\n<p>VERDINI: N\u00e3o sei te dizer. N\u00e3o sou eu que estou participando. Se eu tivesse participando, diria com o maior prazer. At\u00e9 para explicar para dentro, pois est\u00e1 todo mundo me perguntando. Mas essa \u00e9 uma decis\u00e3o do acionista que tem que ser respeitada.<\/p>\n<p>O senhor falou de direitos adquiridos de qualquer empreiteira com contratos com o poder p\u00fablico, e que a declara\u00e7\u00e3o de idoneidade n\u00e3o \u00e9 uma coisa simples&#8230;<\/p>\n<p>VERDINI: \u00c9. Tem que ter um processo, ele \u00e9 demorado. E outra coisa: n\u00e3o \u00e9 simplesmente dizer que voc\u00ea est\u00e1 inid\u00f4neo. Voc\u00ea pode pode afirmar isso pelo fato x, mas eu tenho direito de me defender, de provar que eu estou certo.<\/p>\n<p>O senhor est\u00e1 dizendo que, em tese, isso pode resultar em uma a\u00e7\u00e3o judicial?<\/p>\n<p>VERDINI: Claro. Porque \u00e9 leg\u00edtimo. Isso \u00e9 normal. Voc\u00ea tem o direito de defesa em qualquer circunst\u00e2ncia.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p>BNDESPar faz menos diferen\u00e7a como s\u00f3cio<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>Que o desenvolvimento do mercado de capitais brasileiro reduziu a necessidade de ter o Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES) como s\u00f3cio \u00e9 algo que j\u00e1 se intui desde que as ofertas de a\u00e7\u00f5es foram retomadas no pa\u00eds em meados da d\u00e9cada passada. Um estudo finalizado por pesquisadores do Insper sugere, no entanto, que n\u00e3o s\u00f3 a necessidade, mas tamb\u00e9m a vantagem de ter o banco de fomento como s\u00f3cio se diluiu.<\/p>\n<p>A pesquisa, que analisou as empresas que integram a carteira da BNDESPar &#8211; bra\u00e7o de participa\u00e7\u00f5es do banco &#8211; entre 1995 e 2009, concluiu que no primeiro per\u00edodo analisado, at\u00e9 2002, as companhias que possu\u00edam a BNDESPar como s\u00f3cia tinham desempenho, medido pelo Retorno sobre Ativos (ROA, calculado com a divis\u00e3o do lucro pelo ativo), superior \u00e0s demais. Mas no per\u00edodo de 2003 a 2009, essa vantagem n\u00e3o se sustentou.<\/p>\n<p>Para o autor Carlos Inoue e seu orientador, professor S\u00e9rgio Lazzarini, entre todas as hip\u00f3teses testadas para entender o motivo da diferen\u00e7a de resultados nos dois per\u00edodos distintos, a \u00fanica que se sustentou foi a maior maturidade do mercado. &#8220;A \u00fanica hip\u00f3tese que sobrevive \u00e9 a de que as empresas em geral passaram a ter mais capacidade de capitaliza\u00e7\u00e3o&#8221;, diz Lazzarini. &#8220;Provavelmente o desenvolvimento do mercado brasileiro reduziu o efeito da presen\u00e7a do banco sobre os resultados das empresas&#8221;, completa Inoue.<\/p>\n<p>Ou seja, com mais oportunidades de acesso a outras fontes de recursos, como as ofertas p\u00fablicas de a\u00e7\u00f5es na BM&amp;FBovespa e fundos investimento em participa\u00e7\u00e3o, as empresas puderam investir e ter melhores desempenhos mesmo sem o apoio da BNDESPar, que tinha na sua origem, entre outras fun\u00e7\u00f5es, a de fomentar o mercado de capitais local. Al\u00e9m disso, a evolu\u00e7\u00e3o no cumprimento de regras de governan\u00e7a tamb\u00e9m parecem ter minimizado o peso do banco de fomento.<\/p>\n<p>&#8220;A associa\u00e7\u00e3o entre empresas e governo pode facilitar a obten\u00e7\u00e3o de recursos essenciais quando existem imperfei\u00e7\u00f5es no mercado financeiro. \u00c0 medida que este se desenvolve, essa estrat\u00e9gia por si s\u00f3 n\u00e3o garante um melhor desempenho \u00e0s empresas&#8221;, escrevem os pesquisadores nas conclus\u00f5es do trabalho.<\/p>\n<p>O estudo acad\u00eamico usou como base dados referentes a 293 empresas n\u00e3o financeiras do mercado brasileiro. Foram ent\u00e3o criados dois grupos: o primeiro das empresas que possu\u00edam participa\u00e7\u00e3o societ\u00e1ria direta ou indireta da BNDESPar e o segundo das demais companhias.<\/p>\n<p>Os pesquisadores usaram modelos para comparar ent\u00e3o se havia diferen\u00e7a entre os dois grupos tanto em termos de resultado das opera\u00e7\u00f5es, como tamb\u00e9m em valor de mercado.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s diversos testes de relev\u00e2ncia estat\u00edstica, o estudo concluiu que, entre 1995 e 2002, as empresas que tinham a BNDESPar como s\u00f3cia obtiveram retorno sobre ativo 5,2% acima da m\u00e9dia das demais companhias. E essa vantagem foi maior para empresas que n\u00e3o faziam parte de grupos econ\u00f4micos. No aspecto de valoriza\u00e7\u00e3o de mercado, n\u00e3o houve diferen\u00e7a relevante.<\/p>\n<p>No per\u00edodo seguinte, de 2003 a 2009, a vantagem em termos de ROA deixou de existir e, novamente, n\u00e3o foi detectado pr\u00eamio nem desconto nas a\u00e7\u00f5es pelo fato de se ter a BNDESPar como s\u00f3cio.<\/p>\n<p>Em nenhum dos casos foi avaliado o impacto de empr\u00e9stimos feito pelo banco.<\/p>\n<p>Mas o estudo tamb\u00e9m mediu o n\u00edvel investimentos, de endividamento e custo da d\u00edvida entre os dois diferentes grupos. N\u00e3o foram identificadas diferen\u00e7as relevantes nesses indicadores, com exce\u00e7\u00e3o de uma. No primeiro per\u00edodo de 1995 a 2002, as empresas que tinham o banco estatal como s\u00f3cio aumentaram mais os investimentos fixos do que as demais.<\/p>\n<p>&#8220;Aparentemente, o maior n\u00edvel de investimento est\u00e1 determinando o melhor desempenho das empresas investidas pelo BNDES no per\u00edodo&#8221;, diz o estudo.<\/p>\n<p>Segundo o trabalho, o resultado parece corroborar a proposi\u00e7\u00e3o de que a participa\u00e7\u00e3o do banco de desenvolvimento minimiza as restri\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito e assegura o investimento em projetos rent\u00e1veis. Mais uma vez, no entanto, no intervalo entre 2003 e 2009 a diferen\u00e7a entre as empresas com e sem BNDESPar deixou de existir no quesito alta de investimento.<\/p>\n<p>Os pesquisadores tamb\u00e9m testaram a hip\u00f3tese de a BNDESPar atuar como &#8220;hospital&#8221; de empresa com dificuldades financeiras, mas conclu\u00edram que apesar de haver casos isolados, isso est\u00e1 longe de ser regra. Pelo contr\u00e1rio, nos \u00faltimos anos, foi poss\u00edvel identificar que o banco estatal passou a ser s\u00f3cio de empresas maiores e que tinham apresentado desempenho passado acima da m\u00e9dia do mercado, na linha da tese de forma\u00e7\u00e3o das &#8220;campe\u00e3s nacionais&#8221;. Inoue alerta, no entanto, que isso n\u00e3o significou que, depois da inje\u00e7\u00e3o de capital, a empresa tenha ficado ainda melhor do que j\u00e1 era.<\/p>\n<p>&#8220;Est\u00e1 mais dif\u00edcil a BNDESPar fazer diferen\u00e7a para as empresas, como foi no passado com Aracruz, Embraer. Para ela conseguir isso, seja em termos de lucratividade ou socialmente, precisa ter muito crit\u00e9rio&#8221;, afirma Lazzarini.<\/p>\n<p>Segundo o professor, o banco deveria colocar mais foco em empresas que tem necessidade de capitaliza\u00e7\u00e3o e dar transpar\u00eancia para os crit\u00e9rios de sele\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ele diz ainda que os empres\u00e1rios locais est\u00e3o habituados a contar com o BNDES como s\u00f3cio em seus projetos. E lembrou do caso recente envolvendo a tentativa de fus\u00e3o do P\u00e3o de A\u00e7\u00facar com o Carrefour. &#8220;O Abilio Diniz comentou depois que o maior erro dele foi entrar com BNDESPar [o que casou rea\u00e7\u00e3o negativa]. Ele n\u00e3o precisava desse recurso oficial. Dava para pegar com fundos privados.&#8221;<\/p>\n<p>Procurado, o BNDES n\u00e3o quis abordar os aspectos espec\u00edficos do estudo. Em nota, a institui\u00e7\u00e3o disse que a empresa de participa\u00e7\u00f5es cumpre seu papel o apoio a &#8220;empresas brasileiras no seu processo de internacionaliza\u00e7\u00e3o e inova\u00e7\u00e3o, apoio a setores estrat\u00e9gicos para o pa\u00eds, fortalecimento do mercado de capitais e indu\u00e7\u00e3o de boas pr\u00e1ticas de governan\u00e7a e sustentabilidade&#8221;.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p>Teto do cr\u00e9dito imobili\u00e1rio poder\u00e1 cair<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>O governo poder\u00e1 alterar a legisla\u00e7\u00e3o para baixar o limite de taxa de juros, que \u00e9 de at\u00e9 12% ao ano mais Taxa Referencial (TR), dos financiamentos imobili\u00e1rios firmados no \u00e2mbito do Sistema Financeiro da Habita\u00e7\u00e3o (SFH). Essa seria uma forma de &#8220;for\u00e7ar&#8221; os bancos a repassarem aos clientes a redu\u00e7\u00e3o do custo de capta\u00e7\u00e3o de recursos a partir das mudan\u00e7as feitas na remunera\u00e7\u00e3o das cadernetas de poupan\u00e7a.<\/p>\n<p>A medida \u00e9 uma das que v\u00eam sendo estudadas como \u00faltima op\u00e7\u00e3o do governo para pressionar o barateamento dos empr\u00e9stimos banc\u00e1rios.<\/p>\n<p>O ministro da Fazenda, Guido Mantega, primeiro far\u00e1 alguns &#8220;ajustes&#8221; nas regras da portabilidade para permitir que os clientes dos bancos possam transferir suas d\u00edvidas de uma institui\u00e7\u00e3o para outra. Na avalia\u00e7\u00e3o da \u00e1rea econ\u00f4mica, essas mudan\u00e7as devem proporcionar aumento da concorr\u00eancia e, consequentemente, provocar uma diminui\u00e7\u00e3o dos custos de financiamento ao consumidor. Somente depois de analisar os resultados das altera\u00e7\u00f5es na portabilidade \u00e9 que o governo tomar\u00e1 a decis\u00e3o sobre a necessidade de se alterar o limite da taxa de juros nos financiamentos habitacionais.<\/p>\n<p>Atualmente, a legisla\u00e7\u00e3o brasileira prev\u00ea uma taxa m\u00e1xima de juros de at\u00e9 12% ao ano mais TR, para financiamentos do SFH. Uma resolu\u00e7\u00e3o do Banco Central (BC), que trata do direcionamento dos dep\u00f3sitos na caderneta de poupan\u00e7a, estabelece que, no m\u00ednimo, 65% dos recursos devem ser aplicados em financiamento imobili\u00e1rio, sendo que, no m\u00ednimo, 80% deste valor deve ser destinado para opera\u00e7\u00f5es no \u00e2mbito do SFH com taxa de juros de at\u00e9 12% ao ano mais TR, e 20%, no m\u00e1ximo, para empr\u00e9stimos contratados a taxas de mercado.<\/p>\n<p>Os bancos, no entanto, j\u00e1 praticam um percentual menor, algo em torno de 10%. Por isso, no entendimento do Minist\u00e9rio da Fazenda, o teto de juros fixado em lei poderia ser diminu\u00eddo para um n\u00famero inferior ao cobrado atualmente pelas institui\u00e7\u00f5es financeiras, caso haja resist\u00eancia para repassar uma poss\u00edvel redu\u00e7\u00e3o do custo do funding ao cliente.<\/p>\n<p>Alguns t\u00e9cnicos de governo e de institui\u00e7\u00f5es financeiras j\u00e1 dizem que o repasse do barateamento dos recursos da caderneta de poupan\u00e7a, uma das principais fontes do cr\u00e9dito imobili\u00e1rio, ser\u00e1 limitada devido \u00e0 falta de previsibilidade com rela\u00e7\u00e3o ao comportamento da taxa b\u00e1sica de juros (Selic) ao longo dos contratos, que podem chegar a 30 anos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, existe o temor dos bancos de que possa ocorrer um descasamento entre ativos e passivos &#8211; o custo do &#8220;funding&#8221; oscilaria conforme a Selic, enquanto a taxa cobrada do mutu\u00e1rio permaneceria fixa. O Minist\u00e9rio da Fazenda alega, no entanto, que &#8220;este risco de descasamento entre capta\u00e7\u00f5es e aplica\u00e7\u00f5es nas contas de dep\u00f3sito de poupan\u00e7a (com o cr\u00e9dito imobili\u00e1rio) j\u00e1 existe e n\u00e3o ser\u00e1 alterado pela nova proposta&#8221;.<\/p>\n<p>Para garantir queda nos juros dos financiamentos imobili\u00e1rios, o governo aposta na portabilidade de cr\u00e9dito. Criada em 2006, a possibilidade de transferir um contrato de cr\u00e9dito para outro banco n\u00e3o emplacou nessas opera\u00e7\u00f5es de financiamento imobili\u00e1rio por conta do elevado &#8220;custo burocr\u00e1tico&#8221;.<\/p>\n<p>Um dos problemas que a \u00e1rea econ\u00f4mica est\u00e1 tentando resolver diz respeito do registro das garantias em cart\u00f3rio dos empr\u00e9stimos imobili\u00e1rios. Hoje, quando um cr\u00e9dito imobili\u00e1rio \u00e9 refinanciado, o mutu\u00e1rio incorre em dois custos. Um para dar baixa da hipoteca ou aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria do contrato antigo no cart\u00f3rio. Outro \u00e9 fazer um novo registro de hipoteca ou aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria do novo contrato. Segundo um t\u00e9cnico do governo, j\u00e1 h\u00e1 &#8220;medidas em curso para mitigar o problema&#8221;.<\/p>\n<p>Outro impasse se refere aos impactos da portabilidade nas opera\u00e7\u00f5es securitizadas (transformadas em valores mobili\u00e1rios negoci\u00e1veis), bem como do risco de agentes financeiros se especializarem em &#8220;portar&#8221; e n\u00e3o em originar cr\u00e9ditos. Em m\u00e9dia, um contrato de cr\u00e9dito imobili\u00e1rio leva entre 2 a 3 anos de carregamento em carteira para que o banco originador recupere integralmente o custo do neg\u00f3cio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\nValor Econ\u00f4mico\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2831\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[106],"tags":[],"class_list":["post-2831","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c119-olhovivo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-JF","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2831","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2831"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2831\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2831"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2831"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2831"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}