{"id":28341,"date":"2022-01-25T14:28:08","date_gmt":"2022-01-25T17:28:08","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=28341"},"modified":"2022-01-28T15:01:28","modified_gmt":"2022-01-28T18:01:28","slug":"o-dia-em-que-o-pcb-nao-morreu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/28341","title":{"rendered":"O dia em que o PCB n\u00e3o morreu!"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/lavrapalavra.com\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/ivan.jpg?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"imagem\" \/><!--more--><\/p>\n<p><em><strong>25 de janeiro de 1992: 30 anos do \u201cracha\u201d<\/strong><\/em><\/p>\n<p><strong>Por Ivan Pinheiro<\/strong><\/p>\n<p>Hoje completam-se exatamente 30 anos do dia <strong>25 de janeiro de 1992<\/strong>, em que centenas de comunistas brasileiros, vindos de todas as regi\u00f5es do pa\u00eds, garantiram a manuten\u00e7\u00e3o do seu Partido e inauguraram uma etapa desafiadora de sua hist\u00f3ria, em cujo \u00eaxito s\u00f3 eles e outros poucos militantes das lutas pelo socialismo acreditavam. At\u00e9 porque n\u00e3o se tratava apenas de preservar o partido, como se fosse uma pe\u00e7a de museu, mas de mudar radicalmente sua pol\u00edtica e seu car\u00e1ter, no processo que chamamos de <strong>Reconstru\u00e7\u00e3o Revolucion\u00e1ria.<\/strong><\/p>\n<p>Havia pouca gente que apostava que essa resist\u00eancia pudesse durar alguns meses, o que era natural naqueles dias. A contrarrevolu\u00e7\u00e3o acabara de derrotar a principal experi\u00eancia de constru\u00e7\u00e3o do socialismo no s\u00e9culo XX. N\u00e3o havia mais a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e muito menos o Partido criado por Lenin, que levou \u00e0 vit\u00f3ria a Revolu\u00e7\u00e3o Russa em 1917 e influenciou o PCB desde sua funda\u00e7\u00e3o, em 1922. Durante muitos anos nossos amigos e interlocutores achavam estranho ainda nos declararmos comunistas. Perguntavam-nos, quase invariavelmente: \u201c<strong>mas o comunismo n\u00e3o acabou?<\/strong>\u201d.<\/p>\n<p>Esse ambiente, que sugeria a vit\u00f3ria definitiva do capitalismo e o fim da luta de classes, contaminou a maioria reformista do Comit\u00ea Central, que j\u00e1 vinha descaracterizando o partido, durante toda a d\u00e9cada de 1980, com sua pol\u00edtica de concilia\u00e7\u00e3o de classes com a burguesia.<\/p>\n<p>Imposs\u00edvel descrever em poucas palavras os antecedentes e os desmembramentos desse dia hist\u00f3rico, incontorn\u00e1vel, em que o PCB n\u00e3o acabou, <strong>\u00e0s v\u00e9speras dos seus 70 anos<\/strong> e, <strong>exatamente por isso<\/strong>, \u00e9 hoje a for\u00e7a pol\u00edtica mais leg\u00edtima para comemorar seu Centen\u00e1rio no pr\u00f3ximo 25 de mar\u00e7o! N\u00e3o faltam meios para conhecer melhor os fatos e as circunst\u00e2ncias que resultaram no que ficou conhecido entre n\u00f3s como o \u201c<strong>racha<\/strong>\u201d. Al\u00e9m de muitas fontes de pesquisa j\u00e1 dispon\u00edveis, durante este ano vir\u00e3o a p\u00fablico muitos livros, documentos, textos, debates e document\u00e1rios a respeito.<\/p>\n<p>Apenas a t\u00edtulo de resumo, lembro que poucos dias ap\u00f3s o in\u00edcio da dissolu\u00e7\u00e3o da URSS e da restaura\u00e7\u00e3o capitalista, realizou-se em Bras\u00edlia (01.09.91) uma reuni\u00e3o do CC para debater estes acontecimentos. A maioria aprovou a convoca\u00e7\u00e3o de um congresso extraordin\u00e1rio do partido para 25 e 26 de janeiro de 1992, em S\u00e3o Paulo, tendo como pauta a liquida\u00e7\u00e3o do PCB e a cria\u00e7\u00e3o de uma \u201c<strong>nova forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica<\/strong>\u201d. Imediatamente \u00e0 proclama\u00e7\u00e3o do resultado, a minoria de cerca de um ter\u00e7o do CC assume a mesa dos trabalhos e, ap\u00f3s a sa\u00edda dos renegados, inicia uma hist\u00f3rica reuni\u00e3o que decide pela divulga\u00e7\u00e3o de um manifesto contra a liquida\u00e7\u00e3o do partido e pela cria\u00e7\u00e3o do <strong>Movimento Nacional em Defesa do PCB.<\/strong><\/p>\n<p>Em 12 e 13 de outubro de 1991, re\u00fane-se no Rio de Janeiro o <strong>Encontro Nacional em Defesa do PCB<\/strong>, com a presen\u00e7a de camaradas da grande maioria dos Estados brasileiros que, por unanimidade, comprometem-se com a luta pela preserva\u00e7\u00e3o e reconstru\u00e7\u00e3o do partido e decidem impulsionar o movimento na perspectiva da mobiliza\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o dos milhares de comunistas por todo o pa\u00eds que viriam a garantir a vit\u00f3ria. N\u00e3o foi uma obra de poucos!<\/p>\n<p>No mesmo s\u00e1bado, <strong>25 de janeiro de 1992<\/strong>, e na mesma S\u00e3o Paulo &#8211; cujo anivers\u00e1rio de funda\u00e7\u00e3o se comemorava -, em locais pr\u00f3ximos, enquanto os que queriam enterrar o partido simulavam um \u201ccongresso extraordin\u00e1rio\u201d, realizamos a<strong> Confer\u00eancia Nacional de Reorganiza\u00e7\u00e3o do PCB<\/strong> , com cerca de 300 participantes, cujas primeiras decis\u00f5es, ainda ao nascer do dia, foram no sentido de n\u00e3o reconhecer o \u201ccongresso\u201d manipulado com direito de voto de n\u00e3o militantes, de caminharmos em passeata at\u00e9 o local de sua realiza\u00e7\u00e3o para exigir o debate e a palavra de dois camaradas e, em seguida, voltarmos ao local da Confer\u00eancia para formalizar a continuidade do partido, discutir e aprovar uma Declara\u00e7\u00e3o Pol\u00edtica, eleger o novo Comit\u00ea Central e convocar o verdadeiro <strong>X Congresso do PCB,<\/strong> que realizou-se um ano depois, no Rio de Janeiro, de <strong>25 a 28 de mar\u00e7o de 1993<\/strong>.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o de, em<strong> qualquer circunst\u00e2ncia<\/strong>, entrarmos em passeata dentro do pr\u00f3prio audit\u00f3rio em que se realizava a farsa da \u201cnova forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica\u201d e l\u00e1 presencialmente a denunciarmos e provocarmos o debate entre oradores de cada posi\u00e7\u00e3o foi fundamental para formalizar e publicizar o \u201c<strong>racha<\/strong>\u201d de forma clara e transparente, para podermos virar aquela nebulosa p\u00e1gina da hist\u00f3ria do PCB de forma digna e combativa, sem espa\u00e7o para vers\u00f5es que insinuassem nossa desist\u00eancia da luta ou derrota pol\u00edtica. Tanto \u00e9 assim que fizeram de tudo para impedir nossa entrada naquele audit\u00f3rio, desde a expuls\u00e3o sum\u00e1ria e administrativa, sem processo disciplinar nem direito de defesa, dos membros do CC que haviam assumido a dire\u00e7\u00e3o do <strong>Movimento Nacional em Defesa do PCB<\/strong> \u00e0 contrata\u00e7\u00e3o de uma equipe de seguran\u00e7a privada que, at\u00e9 o momento de nossa chegada, s\u00f3 permitia a entrada de quem apresentasse credencial oficial do evento fornecida pelos organizadores. A energia pol\u00edtica com que chegamos ao local levou-os prontamente a aceitar nossas exig\u00eancias.<\/p>\n<p>Para lembrar este dia hist\u00f3rico, homenageio aqui alguns destes her\u00f3is que participaram de eventos desta vitoriosa jornada e que hoje s\u00f3 est\u00e3o entre n\u00f3s como mem\u00f3ria e exemplo de suas vidas de luta, como <strong>Ana Montenegro, Armando Ziller, Carlos Telles, Celso Manso, Expedito Rocha, Fernandes Pacheco (Pachec\u00e3o), Francisco Milani, Irun Santana, Isnard Teixeira, Moacir Dantas, Oscar Niemeyer, Osmar Costa Silva, Paulo Cavalcanti, Paulo Gnecco, Raimundo Alves (Raimund\u00e3o), Raimundo Jinkings, Tia Helena, Wilson Previdi, Yeda Santos<\/strong> e os dois \u00fanicos Deputados Constituintes de 1946 vivos \u00e0 \u00e9poca: <strong>Jos\u00e9 Maria Crispim e Oswaldo Pacheco.<\/strong><\/p>\n<p>E para lembrar alguns momentos decisivos e emocionantes do \u201c<strong>dia em que o PCB n\u00e3o morreu<\/strong>\u201d, n\u00e3o posso deixar de destacar a participa\u00e7\u00e3o decisiva neste processo de lutas do saudoso e querido camarada <strong>Hor\u00e1cio Macedo<\/strong>, que dirigiu o partido entre 1992 e 1995 e nos deixou fisicamente em 1999.<\/p>\n<p>Convido-os, uns a conhecer e outros a rever suas contundentes e s\u00e1bias palavras na interven\u00e7\u00e3o em que <strong>Hor\u00e1cio<\/strong> representava o <strong>Movimento Nacional em Defesa do PCB<\/strong> nos momentos decisivos do \u201c<strong>racha<\/strong>\u201d, para um audit\u00f3rio em que, num ambiente de tens\u00e3o, misturavam-se em pouco espa\u00e7o os comunistas que lutavam pela manuten\u00e7\u00e3o e reconstru\u00e7\u00e3o do seu partido e os oportunistas que pretendiam enterr\u00e1-lo naquele dia e que hoje, cinicamente \u2013 ainda que agrupados em uma legenda eleitoral de centro-direita que atende pelo nome de Cidadania -, se apresentam como herdeiros do partido fundado em 1922, mas que n\u00e3o estaria comemorando seus <strong>100 anos de vida ininterrupta<\/strong> este ano, se n\u00e3o fossem aqueles que ousaram lhes enfrentar e derrotar em 1992!<\/p>\n<p>Ivan Pinheiro<br \/>\n(25 de janeiro de 2022)<\/p>\n<p><span class=\"embed-youtube\" style=\"text-align:center; 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