{"id":28349,"date":"2022-01-28T15:00:08","date_gmt":"2022-01-28T18:00:08","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=28349"},"modified":"2022-01-28T15:00:08","modified_gmt":"2022-01-28T18:00:08","slug":"para-alem-da-terceira-via-e-da-falsa-polarizacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/28349","title":{"rendered":"Para al\u00e9m da terceira via e da falsa polariza\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/www12.senado.leg.br\/noticias\/materias\/2020\/11\/30\/especialistas-analisam-abstencao-recorde-nas-eleicoes-de-2020\/20201115_00010mo.jpg\/@@images\/image\/imagem_materia\" alt=\"imagem\" \/><!--more--><\/p>\n<p><strong>Por Rodrigo Lima<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 preciso superar o senso comum liberal que caracteriza Lula e Bolsonaro como extremos, com o falso discurso da polariza\u00e7\u00e3o e que busca emplacar o termo \u201cterceira via\u201d, vazio politicamente e que n\u00e3o tem defini\u00e7\u00e3o conceitual, servindo apenas para confundir e manipular a opini\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n<p>A partir de uma an\u00e1lise marxista podemos compreender as pr\u00e9-candidaturas a partir de suas posi\u00e7\u00f5es na luta de classes, no conflito entre capital e trabalho e em seus compromissos ou antagonismos com a ordem social e pol\u00edtica, situando-as nos campos da conserva\u00e7\u00e3o, da reforma ou da revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Linhas gerais que se expressam nos programas, operados por partidos pol\u00edticos e liderados por pol\u00edticos que personificam interesses e expectativas das classes, fra\u00e7\u00f5es e camadas sociais.<\/p>\n<p>Tomando estes crit\u00e9rios na an\u00e1lise entendo as pr\u00e9-candidaturas a partir de tr\u00eas grandes campos: conservador (extrema-direita e direita neoliberal), reformista (social-liberal e social-democrata) e revolucion\u00e1rio (esquerda socialista).<\/p>\n<p>A extrema-direita apresenta duas pr\u00e9-candidaturas com viabilidade eleitoral, uma articulada pelo Partido Militar, cuja express\u00e3o \u00e9 Jair Bolsonaro, e outra pelo Partido da Lava Jato, com S\u00e9rgio Moro como l\u00edder. Ambos comprometidos com o projeto ultraliberal, com o aprofundamento da subservi\u00eancia do Brasil aos EUA, com a repress\u00e3o e criminaliza\u00e7\u00e3o da pobreza e dos movimentos sociais e com a retirada de direitos dos trabalhadores.<\/p>\n<p>Claro que existem nuances entre os representantes da extrema-direita, seja pelas bases sociais que os sustentam, seja pela tentativa de disputarem o papel de \u201cpaladinos da moralidade\u201d e de melhores condutores das reformas para a burguesia, mas em ess\u00eancia representam o mesmo projeto.<\/p>\n<p>No campo conservador tamb\u00e9m existem pr\u00e9-candidaturas da direita neoliberal como as de D\u00f3ria (PSDB), Simone Tebet (MDB) e Rodrigo Pacheco (PSD), com uma agenda liberal na economia, que em linhas gerais aponta para a manuten\u00e7\u00e3o do programa do Golpe de 2016 e que tamb\u00e9m articulam-se com a agenda repressiva da extrema-direita, mas que se diferenciam por apresentarem um discurso liberal em rela\u00e7\u00e3o a agenda de costumes.<\/p>\n<p>No campo reformista, a pr\u00e9-candidatura social-liberal tem em Lula seu principal representante, com amplo favoritismo at\u00e9 o momento. As articula\u00e7\u00f5es pol\u00edticas apontam que o PT e o ex-presidente est\u00e3o construindo uma base de sustenta\u00e7\u00e3o ainda mais \u00e0 direita do que a engenharia apresentada nos mandatos petistas (2003-2016).<\/p>\n<p>A costura de alian\u00e7as com figuras e partidos que protagonizaram o Golpe sinalizam que o PT busca uma nova pol\u00edtica de concilia\u00e7\u00e3o, agora sob as bases do programa \u201cUma ponte para o Futuro\u201d. Ou seja, n\u00e3o h\u00e1 perspectiva de revers\u00e3o das reformas neoliberais e de oposi\u00e7\u00e3o aos interesses do capital financeiro. At\u00e9 o momento n\u00e3o est\u00e1 claro qual ser\u00e1 o programa a ser apresentado, mas a tend\u00eancia \u00e9 que Lula siga se equilibrando entre a busca do apoio e confian\u00e7a do mercado (ou de boa parte dele) e a ades\u00e3o das massas trabalhadoras, principalmente dos setores mais precarizados, com a promessa da retomada de pol\u00edticas focalizadas de distribui\u00e7\u00e3o de renda, de gera\u00e7\u00e3o de empregos com baixa remunera\u00e7\u00e3o e qualifica\u00e7\u00e3o e de inclus\u00e3o pelo consumo das massas.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o \u00e9 que as condi\u00e7\u00f5es para organizar este arranjo s\u00e3o muito mais adversas do que no in\u00edcio do s\u00e9culo XXI. O espa\u00e7o pra concilia\u00e7\u00e3o \u00e9 inexistente numa economia sem perspectivas de crescimento econ\u00f4mico e com um estado estrangulado pelo teto de gastos, al\u00e9m da perda de sua capacidade de investimentos com o avan\u00e7o das privatiza\u00e7\u00f5es das estatais.<\/p>\n<p>Ciro, como bem pontua Milton Temer, \u00e9 um candidato da social-democracia. Sem d\u00favidas, posicionado \u00e0 esquerda de Lula, com um programa que busca uma alian\u00e7a entre o empresariado industrial, setores da classe m\u00e9dia cada vez mais proletarizada e de segmentos da classe trabalhadora. A quest\u00e3o \u00e9 que o neotrabalhismo de Ciro e seu Projeto Nacional de Desenvolvimento visa uma articula\u00e7\u00e3o com um capital produtivo nacional que n\u00e3o busca um pacto produtivo e desenvolvimentista.<\/p>\n<p>As Federa\u00e7\u00f5es Industriais, em especial a FIESP, j\u00e1 est\u00e3o totalmente integradas e dominadas pelo poder do capital financeiro, sem o menor interesse em mudar o padr\u00e3o industrial do pa\u00eds e reposicion\u00e1-lo na divis\u00e3o internacional do trabalho.<\/p>\n<p>No campo da esquerda socialista h\u00e1 boas possibilidades de constru\u00e7\u00e3o de pr\u00e9-candidaturas, como s\u00e3o os casos da UP e do PCB, que j\u00e1 anunciaram que apresentar\u00e3o nomes na disputa presidencial. A quest\u00e3o \u00e9 que, ainda que essas for\u00e7as pol\u00edticas tenham capacidade de mobiliza\u00e7\u00e3o e agita\u00e7\u00e3o nas ruas, no campo eleitoral ainda ocupam um espa\u00e7o marginal.<\/p>\n<p>O que pode mudar se houver acerto na linha pol\u00edtica, com a constru\u00e7\u00e3o de um programa que dialogue diretamente com as demandas urgentes da classe trabalhadora e que apresente a radicalidade necess\u00e1ria que o momento hist\u00f3rico exige.<\/p>\n<p>As defini\u00e7\u00f5es v\u00e3o ficando claras e as for\u00e7as do campo de esquerda que vacilam em suas posi\u00e7\u00f5es tendem a ser \u2018atropeladas\u2019 pela conjuntura. Talvez o caso mais emblem\u00e1tico seja o do PSOL, que oscila entre compor o campo social-liberal e apresentar uma candidatura pr\u00f3pria, com uma posi\u00e7\u00e3o \u00e0 esquerda.<\/p>\n<p>Sem criar ilus\u00f5es com elei\u00e7\u00f5es que s\u00e3o realizadas nos marcos da democracia burguesa, com claras limita\u00e7\u00f5es para avan\u00e7os das for\u00e7as populares no terreno institucional e representativo, as for\u00e7as revolucion\u00e1rias podem participar do processo eleitoral de 2022 denunciando o projeto burgu\u00eas em curso (expresso nas pol\u00edticas neoliberais e neofascistas) e divulgando as bandeiras anticapitalistas e anti-imperialistas, ampliando o debate estrat\u00e9gico sobre o Poder Popular e o Socialismo, sem perder de vista a constru\u00e7\u00e3o de media\u00e7\u00f5es que contemplem as demandas imediatas da classe trabalhadora.<\/p>\n<p>O momento \u00e9 prop\u00edcio para a elabora\u00e7\u00e3o de um programa revolucion\u00e1rio a ser debatido durante o processo eleitoral e para al\u00e9m dele, articulado \u00e0s lutas populares que seguem por todo o pa\u00eds e que tendem a se intensificar diante do cen\u00e1rio da barb\u00e1rie capitalista.<\/p>\n<p>Delimitar e conceituar os partidos e personalidades que operam na conjuntura pol\u00edtica a partir da luta de classes \u00e9 o desafio para situar o que realmente estar\u00e1 em jogo no processo eleitoral de 2022, superando o falso debate sobre polariza\u00e7\u00e3o e terceira via que tem permeado as discuss\u00f5es pol\u00edticas no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Rodrigo Lima \u00e9 professor no Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) e militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB)<\/p>\n<p>Foto: Thomaz Silva\/Ag\u00eancia Brasil Fonte: Ag\u00eancia Senado<br \/>\nFonte: https:\/\/natrincheiradasideias.wordpress.com\/2022\/01\/24\/para-alem-da-terceira-via-e-da-falsa-polarizacao\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/28349\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"\u00c9 preciso superar o senso comum liberal que caracteriza Lula e Bolsonaro como extremos, com o falso discurso da polariza\u00e7\u00e3o e que busca emplacar o termo \u201cterceira via\u201d, vazio politicamente, servindo apenas para confundir a opini\u00e3o p\u00fablica.","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[234],"class_list":["post-28349","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-geral","tag-6b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-7nf","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28349","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28349"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28349\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28349"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28349"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28349"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}