{"id":28478,"date":"2022-02-25T10:55:42","date_gmt":"2022-02-25T13:55:42","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=28478"},"modified":"2022-12-30T13:35:21","modified_gmt":"2022-12-30T16:35:21","slug":"declaracao-politica-sobre-a-crise-militar-na-ucrania","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/28478","title":{"rendered":"Declara\u00e7\u00e3o Pol\u00edtica sobre a crise militar na Ucr\u00e2nia"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/images01.brasildefato.com.br\/f9e68e9e502ebcd5182dd0f4585ba8d4.jpeg?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"imagem\" \/><!--more--><\/p>\n<p><strong>Pelo fim da OTAN e da guerra &#8211; pela paz e o socialismo na Ucr\u00e2nia, na R\u00fassia e em todo o mundo!<\/strong><\/p>\n<p>O conjunto de opera\u00e7\u00f5es militares especiais realizadas pela R\u00fassia, desde a manh\u00e3 do dia 24 de fevereiro, em territ\u00f3rio ucraniano, representa, nesse momento, o esgotamento das tratativas diplom\u00e1ticas de resolu\u00e7\u00e3o do conflito que envolve R\u00fassia e Ucr\u00e2nia e que tem, como raz\u00e3o primeira, a anunciada possibilidade de ingresso da Ucr\u00e2nia na Organiza\u00e7\u00e3o do Tratado do Atl\u00e2ntico Norte \u2013 OTAN \u2013, o que colocaria em risco a seguran\u00e7a da R\u00fassia, como alega o governo desse pa\u00eds. As opera\u00e7\u00f5es foram precedidas por uma declara\u00e7\u00e3o do governo russo de reconhecimento da independ\u00eancia das Rep\u00fablicas de Donesk e Luhansk, na regi\u00e3o do Donbass, como forma de proteger a popula\u00e7\u00e3o que vinha sendo bombardeada por nova onda de ataques do regime ucraniano desde o come\u00e7o da semana passada. A maioria de sua popula\u00e7\u00e3o dessa regi\u00e3o reivindica a autodetermina\u00e7\u00e3o e vem sendo castigada h\u00e1 oito anos pelo regime reacion\u00e1rio de Kiev, quando um golpe realizado naquele Pa\u00eds, na esteira das chamadas revolu\u00e7\u00f5es coloridas, transformou a Ucr\u00e2nia num posto avan\u00e7ado dos interesses do imperialismo estadunidense.<\/p>\n<p>Como pano de fundo, no entanto, est\u00e1 a press\u00e3o que vem sendo exercida pelo governo dos Estados Unidos junto aos pa\u00edses que comp\u00f5em a OTAN para expandir essa organiza\u00e7\u00e3o militar aos pa\u00edses situados nas fronteiras russas, como a Ucr\u00e2nia, e que desde a queda da URSS j\u00e1 est\u00e1 presente 14 pa\u00edses da regi\u00e3o, com a clara inten\u00e7\u00e3o de cercar militarmente a R\u00fassia, conter o fortalecimento internacional do bloco China-R\u00fassia, que vem se constituindo como um claro contraponto aos interesses do imperialismo estadunidense e seus aliados e sabotar o gasoduto Nordstream2. A entrada da Ucr\u00e2nia na OTAN traria a possibilidade da instala\u00e7\u00e3o, nesse pa\u00eds, de m\u00edsseis de m\u00e9dio alcance com ogivas nucleares, o que \u00e9 inaceit\u00e1vel para a R\u00fassia, pois colocaria em risco, alegadamente, a sua seguran\u00e7a estrat\u00e9gica.<\/p>\n<p>Os Estados Unidos e Uni\u00e3o Europeia querem a Ucr\u00e2nia na OTAN para disputar com a R\u00fassia o controle dos recursos naturais e dos mercados euroasi\u00e1ticos e disfar\u00e7am essas inten\u00e7\u00f5es alegando defender a &#8220;democracia&#8221;, os direitos do povo ucraniano e a liberdade dos pa\u00edses decidirem a quem se associar. A press\u00e3o dos EUA sobre a R\u00fassia tamb\u00e9m visa manter a supremacia global estadunidense, forjada ao longo da chamada Guerra Fria, quando Estados Unidos e Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica capitaneavam, respectivamente, os blocos capitalista e socialista, que mantinham alian\u00e7as de defesa militar \u2013 OTAN e Pacto de Vars\u00f3via &#8211; e que atingiu seu apogeu ap\u00f3s a restaura\u00e7\u00e3o capitalista na URSS.<\/p>\n<p>Contudo, com o advento da crise mundial de 2008, bem como o fortalecimento da presen\u00e7a internacional chinesa e, em menor medida, russa, emergiram crescentes contradi\u00e7\u00f5es no interior do bloco imperialista ocidental, bem como o decl\u00ednio dos EUA como pot\u00eancia absoluta. Tamb\u00e9m a crescente hegemonia do imperialismo alem\u00e3o sobre a Uni\u00e3o Europeia e os impasses dessa alian\u00e7a inter-imperialista s\u00e3o fatores a levar em conta. Nesse sentido, a aproxima\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e econ\u00f4mica da R\u00fassia com pa\u00edses europeus, ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas, intensifica as contradi\u00e7\u00f5es intercapitalistas na pr\u00f3pria OTAN.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 o caso da Alemanha que, em alian\u00e7a com Moscou, est\u00e1 na fase final da conclus\u00e3o de um gasoduto que permitir\u00e1 a importa\u00e7\u00e3o de g\u00e1s natural da R\u00fassia, resolvendo suas necessidades energ\u00e9ticas e propiciando significativas receitas financeiras \u00e0 R\u00fassia. \u00c9 imposs\u00edvel compreender a crise atual sem levar em considera\u00e7\u00e3o o esfor\u00e7o desesperado do imperialismo estadunidense para minar as rela\u00e7\u00f5es entre a burguesia russa e a burguesia alem\u00e3, conter a influ\u00eancia da primeira e minar a soberania energ\u00e9tica alem\u00e3.<\/p>\n<p>Cinicamente, mesmo com tantos atos de guerra e sabotagem \u00e0 paz mundial, os Estados Unidos imputam exclusivamente \u00e0 R\u00fassia a responsabilidade pelo belicismo na regi\u00e3o &#8211; isso a despeito das in\u00fameras guerras deflagradas pelo imperialismo estadunidense e seus aliados nos \u00faltimos tempos: os casos dos ataques ao Afeganist\u00e3o, \u00e0 L\u00edbia, Iraque e S\u00edria s\u00e3o apenas alguns dos exemplos das guerras de rapina recentes promovidas por esse bloco para a garantia de seus interesses pol\u00edticos e econ\u00f4micos no mundo. O fim da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica j\u00e1 teria sido suficiente para a extin\u00e7\u00e3o da OTAN, mas o que se tem observado \u00e9 o avan\u00e7o belicista do imperialismo estadunidense que, com sua fraseologia hip\u00f3crita sobre a paz, mant\u00e9m mais de 700 de bases militares em praticamente todos os continentes, inclusive na Am\u00e9rica Latina, al\u00e9m de estruturas de intelig\u00eancia ativas por todo o mundo.<\/p>\n<p>A R\u00fassia de hoje n\u00e3o \u00e9 a antiga Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica socialista, cujo fim p\u00f4s por terra as muitas e profundas conquistas dos trabalhadores sovi\u00e9ticos. A R\u00fassia \u00e9, hoje, um pa\u00eds capitalista, cujo governo atual tem pretens\u00f5es expansionistas e exerce forte repress\u00e3o interna aos movimentos dos trabalhadores. A Ucr\u00e2nia, ap\u00f3s a extin\u00e7\u00e3o da URSS, se desindustrializou e vive um quadro de pobreza crescente. Sua economia se baseia em grandes grupos privados oligopolistas e seu governo atual tem vi\u00e9s neofascista, que incentiva um sentimento nacionalista anti-R\u00fassia. O governo atual, de Zelensky, \u00e9 sucessor da derrubada, em 2014, por um golpe de inspira\u00e7\u00e3o fascista, do presidente Yanukovitch, que buscava fortalecer os la\u00e7os pol\u00edticos e econ\u00f4micos com a R\u00fassia, e do governo seguinte, de Poroshenko, um empres\u00e1rio fascista e corrupto. H\u00e1, no pa\u00eds, forte presen\u00e7a de grupos fascistas ativos e forte repress\u00e3o contra os sindicatos e os comunistas. A popula\u00e7\u00e3o de origem russa \u00e9 discriminada e o governo realiza frequentes a\u00e7\u00f5es militares contra a popula\u00e7\u00e3o insurreta da regi\u00e3o do Donbass.<\/p>\n<p>Os interesses das burguesias estadunidense e russa s\u00e3o evidentes nessa luta pela partilha do mundo capitalista e a guerra n\u00e3o interessa aos trabalhadores. Denunciamos as a\u00e7\u00f5es do imperialismo estadunidense, que atirou a regi\u00e3o nas m\u00e3os do fascismo e da rea\u00e7\u00e3o, com o objetivo de consolidar sua influ\u00eancia global. Conclamamos os trabalhadores dos pa\u00edses membros da OTAN a lutar pela sa\u00edda de seus pa\u00edses dessa alian\u00e7a inter-imperialista para a partilha do mundo: sem a dissolu\u00e7\u00e3o da OTAN, um futuro de paz para toda a humanidade mundial \u00e9 inconceb\u00edvel.<\/p>\n<p>A \u00fanica solu\u00e7\u00e3o para esse conflito, cuja escalada est\u00e1 longe de terminar, passa pela luta independente da classe trabalhadora mundial contra o imperialismo dos EUA, da OTAN e do sistema capitalista. Nenhuma burguesia de nenhuma na\u00e7\u00e3o trar\u00e1 aos explorados e oprimidos do mundo a paz. Acima de tudo, apontamos para a necessidade da classe trabalhadora ucraniana organizar-se para liquidar de uma vez o regime neofascista e estabelecer no pa\u00eds um Poder Popular, tomando em suas pr\u00f3prias m\u00e3os a iniciativa na luta por uma Ucr\u00e2nia autodeterminada e socialista, avessa a todo tipo de interven\u00e7\u00e3o burguesa estrangeira! Refor\u00e7amos ainda a import\u00e2ncia da unidade dos trabalhadores russos e ucranianos para a supera\u00e7\u00e3o do capitalismo e a constru\u00e7\u00e3o do socialismo em seus pa\u00edses, e dos trabalhadores de todos os pa\u00edses para seguirem no rumo da revolu\u00e7\u00e3o socialista em todo o mundo.<\/p>\n<p>Trabalhadoras e trabalhadores do mundo, uni-vos!<\/p>\n<p><strong>Comiss\u00e3o Pol\u00edtica Nacional do Comit\u00ea Central do Partido Comunista Brasileiro (PCB).<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/28478\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"\"\u00c9 imposs\u00edvel compreender a crise atual sem levar em considera\u00e7\u00e3o o esfor\u00e7o desesperado do imperialismo estadunidense para minar as rela\u00e7\u00f5es entre a burguesia russa e a burguesia alem\u00e3, conter a influ\u00eancia da primeira e minar a soberania energ\u00e9tica alem\u00e3.\"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[18,1,26,254,125],"tags":[219,246],"class_list":["post-28478","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s22-europa","category-geral","category-c25-notas-politicas-do-pcb","category-russia","category-c138-ucrania","tag-manchete","tag-np"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-7pk","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28478","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28478"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28478\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28478"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28478"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28478"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}