{"id":2849,"date":"2012-05-14T11:16:59","date_gmt":"2012-05-14T11:16:59","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=2849"},"modified":"2012-05-14T11:16:59","modified_gmt":"2012-05-14T11:16:59","slug":"actualidade-de-marx-num-mundo-caotico-a-beira-da-barbarie","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2849","title":{"rendered":"Actualidade de Marx num mundo ca\u00f3tico \u00e0 beira da barb\u00e1rie (*)"},"content":{"rendered":"\n<p>No cerne do grande debate ideol\u00f3gico travado no \u00e2mbito do movimento comunista internacional uma quest\u00e3o continua a suscitar um interesse absorvente: a transi\u00e7\u00e3o do capitalismo para o socialismo. J\u00e1 Lenine dizia que ela seria infinitamente mais dif\u00edcil do que a tomada do poder em Outubro de 17. E at\u00e9 hoje n\u00e3o encontr\u00e1mos respostas satisfat\u00f3rias.<\/p>\n<p>Uma campanha de \u00e2mbito mundial desencadeada por intelectuais de grandes universidades dos Estados Unidos e da Europa, amplamente divulgada pelo sistema medi\u00e1tico controlado pelo imperialismo, proclamou desde a desagrega\u00e7\u00e3o da URSS o fim do marxismo. Para esses ep\u00edgonos do capitalismo, o neoliberalismo como ideologia definitiva assinalaria o fim da Hist\u00f3ria; no marxismo identificavam um arca\u00edsmo obsoleto.<\/p>\n<p>Essas profecias n\u00e3o tardaram a ser desmentidas pelo caminhar da Hist\u00f3ria. Em lugar da era de progresso, abund\u00e2ncia e democracia, anunciada por George Bush (pai) ap\u00f3s o desaparecimento da URSS, uma crise de civiliza\u00e7\u00e3o abateu-se sobre a humanidade. A concentra\u00e7\u00e3o de riqueza foi acompanhada por um alastramento da pobreza. Fomes c\u00edclicas assolaram e assolam pa\u00edses da \u00c1frica e da \u00c1sia. No in\u00edcio do mil\u00e9nio o capitalismo entrou numa crise estrutural de propor\u00e7\u00f5es globais.<\/p>\n<p>Pela primeira vez na Hist\u00f3ria, o capitalismo est\u00e1 sendo abalado at\u00e9 aos alicerces &#8211; como sublinha Istv\u00e1n Meszaros &#8211; como sistema mundial \u00abe a transcend\u00eancia da autoaliena\u00e7\u00e3o do trabalho\u00bb configura um desafio dram\u00e1tico. Sem solu\u00e7\u00f5es, porque a Acumula\u00e7\u00e3o n\u00e3o funciona mais de acordo com a l\u00f3gica do capital, os EUA, apresentando-se como p\u00f3lo da democracia e da liberdade, desencadearam agress\u00f5es monstruosas contra povos do ex-Terceiro Mundo, alegando que defendem a humanidade contra o terrorismo.<\/p>\n<p><strong>UM DEBATE SEMPRE ACTUAL<\/strong><\/p>\n<p>O debate sobre o combate ao imperialismo como tarefa revolucion\u00e1ria priorit\u00e1ria deve ser acompanhado de outro complementar sobre as causas e consequ\u00eancias da derrota tempor\u00e1ria do socialismo.<\/p>\n<p>Os comunistas (quase todos) coincidem hoje na conclus\u00e3o de que a transforma\u00e7\u00e3o da R\u00fassia num pa\u00eds capitalista foi uma trag\u00e9dia para a humanidade.<\/p>\n<p>Mas persistem no movimento comunista profundas diverg\u00eancias quando a discuss\u00e3o incide sobre o processo cujo desfecho foi o desaparecimento da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica.<\/p>\n<p>Segundo alguns partidos, a ofensiva imperialista foi determinante para contaminar a sociedade sovi\u00e9tica, minar o PCUS, e provocar a implos\u00e3o do regime. Para outros, uma minoria, as ra\u00edzes da contra-revolu\u00e7\u00e3o s\u00e3o fundamentalmente internas. A perestroika teria sido apenas a espoleta e o instrumento de um complexo processo contra revolucion\u00e1rio cuja evolu\u00e7\u00e3o acompanhou a luta de classes na R\u00fassia revolucion\u00e1ria.<\/p>\n<p>No primeiro tomo da sua obra \u00abA luta de classes da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica\u00bb, Charles Bethelheim chama a aten\u00e7\u00e3o para uma evid\u00eancia ao lembrar que dentro do pr\u00f3prio partido comunista a luta interna foi permanente numa sucess\u00e3o de \u00abguerras civis\u00bb at\u00edpicas. Por outras palavras, a contra revolu\u00e7\u00e3o principiou por cima, no cora\u00e7\u00e3o do PCUS.<\/p>\n<p>Mas tr\u00eas d\u00e9cadas transcorreram at\u00e9 que a rela\u00e7\u00e3o de for\u00e7as na direc\u00e7\u00e3o do PCUS se alterasse, permitindo que o XX Congresso assinalasse a viragem que criaria condi\u00e7\u00f5es para a destrui\u00e7\u00e3o gradual do chamado \u00absocialismo real\u00bb.<\/p>\n<p>A vit\u00f3ria sobre as hordas hitlerianas, que salvou a humanidade do fascismo e os grandes \u00eaxitos econ\u00f3micos, cient\u00edficos e sociais que catapultaram o pa\u00eds de Lenine para segunda pot\u00eancia mundial, e tamb\u00e9m a solidariedade internacionalista com povos em luta contra o imperialismo, tornaram quase invis\u00edvel at\u00e9 \u00e0 perestroika o fermentar da contra revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o cabe nesta interven\u00e7\u00e3o a an\u00e1lise dos erros e desvios da constru\u00e7\u00e3o do socialismo na URSS, o afastamento do PCUS da democracia leninista e as consequ\u00eancias negativas do voluntarismo e do dogmatismo subjectivista.<\/p>\n<p>Mas a aus\u00eancia de \u00eaxito no desafio da transi\u00e7\u00e3o do capitalismo para o socialismo tal como Marx concebia este n\u00e3o impediu o surgimento na Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica de uma sociedade muito menos marcada pela desigualdade e pela injusti\u00e7a social do que a de qualquer das falsas democracias representativas do Ocidente, que s\u00e3o, na realidade, ditaduras da burguesia de fachada democr\u00e1tica.<\/p>\n<p><strong>O IMPERIALISMO COLECTIVO<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o obstante a contradi\u00e7\u00e3o de interesses entre os EUA e os outros pa\u00edses do ex-G7 persistirem, essas contradi\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o como antes antag\u00f3nicas pelo que \u00e9 hoje m\u00ednima a probabilidade de guerras inter-imperialistas como aquelas que provocaram dezenas de milh\u00f5es de mortos na primeira metade do s\u00e9culo XX. Ao imperialismo cl\u00e1ssico sucedeu aquilo a que o economista argentino Cl\u00e1udio Kats chama o imperialismo colectivo.<\/p>\n<p>Sob a hegemonia dos EUA, cuja superioridade militar \u00e9 esmagadora, pa\u00edses como o Reino Unido, a Fran\u00e7a, a Alemanha, o Jap\u00e3o e outros aliados menores (It\u00e1lia, Espanha, Canad\u00e1, Austr\u00e1lia, etc.) tornaram-se c\u00famplices de uma estrat\u00e9gia de domina\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria. Invocando pretextos falsos como a exist\u00eancia de armas de exterm\u00ednio massivo ou a luta contra a fantasm\u00e1tica Al Qaeda, os EUA invadiram, vandalizaram e ocuparam o Iraque e o Afeganist\u00e3o e as suas for\u00e7as armadas praticaram ali crimes contra humanidade que somente encontram precedente no Reich nazi.<\/p>\n<p>Goebels dizia que uma mentira muito repetida aparece como verdade. N\u00e3o podia imaginar que a perversa propaganda hitleriana surge hoje como jogo quase inofensivo comparada com a sinistra engrenagem de desinforma\u00e7\u00e3o montada pelo imperialismo para servir a sua estrat\u00e9gia. Nesta era da informa\u00e7\u00e3o instant\u00e2nea, uma gigantesca m\u00e1quina, cientificamente montada e controlada pelos laborat\u00f3rios ideol\u00f3gicos do imperialismo, bombardeia os povos com um discurso e imagens que distorcem a realidade.<\/p>\n<p>Promover a aliena\u00e7\u00e3o das massas e manipular a consci\u00eancia social \u00e9 um objectivo permanente do imperialismo. Essa ofensiva medi\u00e1tica visa anular a combatividade dos povos mediante a robotiza\u00e7\u00e3o progressiva do homem, meta facilitada pela contracultura alienante exportada pelos EUA.<\/p>\n<p>Nesse contexto, as actuais guerras coloniais s\u00e3o precedidas de um massacre das consci\u00eancias concebido para neutralizar eventuais reac\u00e7\u00f5es \u00e0s agress\u00f5es militares, apresentadas como iniciativas imprescind\u00edveis \u00e0 defesa da democracia e da paz.<\/p>\n<p>As modernas guerras imperiais n\u00e3o seriam entretanto poss\u00edveis sem a cumplicidade do Conselho de Seguran\u00e7a da ONU, transformado em instrumento dessa estrat\u00e9gia.<\/p>\n<p>A sataniza\u00e7\u00e3o de l\u00edderes transformados em verdugos dos seus povos tornou-se rotina nessas campanhas. Aconteceu isso com Khadaffi. O dirigente l\u00edbio, que h\u00e1 dois anos era recebido com abra\u00e7os por Sarkozy, Cameron, Berlusconi e Obama passou, de repente, a ser qualificado de monstro e acusado de crimes contra a humanidade. Para se apoderarem do petr\u00f3leo e do g\u00e1s do pa\u00eds os novos cruzados do Ocidente fabricaram uma rebeli\u00e3o em Benghasi e fizeram aprovar pelo Conselho de Seguran\u00e7a da ONU uma Resolu\u00e7\u00e3o sobre a \u00abexclus\u00e3o a\u00e9rea\u00bb &#8211; com a cumplicidade, ap\u00f3s vacila\u00e7\u00f5es, da R\u00fassia e da China \u2013 resolu\u00e7\u00e3o ali\u00e1s logo desrespeitada quando come\u00e7aram a explodir bombas e m\u00edsseis em Tripoli.<\/p>\n<p>Seguiram-se seis meses de uma guerra repugnante, na qual a NATO funcionou como instrumento de uma agress\u00e3o definida pela ONU como \u00abinterven\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria\u00bb.<\/p>\n<p>Expulsar a China da \u00c1frica foi um dos objectivos dessa agress\u00e3o, conclu\u00edda com o assass\u00ednio de Muamar Khadaffi. Mais de 35 000 chineses, t\u00e9cnicos e trabalhadores, foram retirados da L\u00edbia, onde trabalhavam. A China tinha ali, como noutros pa\u00edses do Continente, importantes investimentos. Cabe lembrar que Angola \u00e9 actualmente o segundo fornecedor de petr\u00f3leo africano \u00e0 China.<\/p>\n<p>A cria\u00e7\u00e3o de um ex\u00e9rcito permanente dos EUA na \u00c1frica foi preparada com anos de anteced\u00eancia. A recente interven\u00e7\u00e3o militar no Uganda, anunciada por Obama com o pretexto de combater uma min\u00fascula seita religiosa subitamente qualificada de \u00abterrorista\u00bb, foi uma etapa desse ambicioso projecto. O presidente norte-americano j\u00e1 informou, entretanto, que os EUA enviar\u00e3o tropas para \u00abcombater o terrorismo\u00bb no Congo, Sud\u00e3o do Sul e Rep\u00fablica Centro Africana, se os governos desses pa\u00edses pedirem \u00abajuda\u00bb.<\/p>\n<p>No \u00e2mbito dessa escalada, ignorada pelos media internacionais, avi\u00f5es da USAF, a partir da sofisticada base instalada em Djibuti, bombardeiam periodicamente a Som\u00e1lia e o I\u00e9men, para &#8211; segundo afirma Washington &#8211; \u00abcombater movimentos tribais aliados da Al Qaeda\u00bb.<\/p>\n<p><strong>IR\u00c3O E CHINA<\/strong><\/p>\n<p>Qual ser\u00e1 a pr\u00f3xima vitima do sistema de poder hegemonizado pelos EUA?<\/p>\n<p>O comportamento dos EUA traz \u00e0 mem\u00f3ria o do Reich nazi. Primeiro foi a anexa\u00e7\u00e3o da \u00c1ustria; depois Munique e a posterior destrui\u00e7\u00e3o da Checoeslov\u00e1quia; finalmente a exig\u00eancia da entrega de Dantzig, a invas\u00e3o da Pol\u00f3nia, a guerra mundial.<\/p>\n<p>N\u00e3o pretendo estabelecer analogias. Mas o desprezo pelos povos e pelo seu direito \u00e0 independ\u00eancia \u00e9 o mesmo, tal como o cinismo e a hipocrisia do discurso.<\/p>\n<p>Primeiro foi o Afeganist\u00e3o, depois o Iraque, em seguida a L\u00edbia, agora foi o Uganda. Nos intervalos, Israel, com o apoio de Washington, invadiu o L\u00edbano e promoveu o massacre de Gaza.<\/p>\n<p>A S\u00edria est\u00e1 na linha de mira. O Ir\u00e3o \u00e9, na apar\u00eancia, o grande \u00abinimigo da democracia ocidental\u00bb a derrotar. Mas o inimigo real \u00e9 a China. No seu discurso sobre o Estado da Uni\u00e3o, Obama n\u00e3o escondeu que na estrat\u00e9gia americana as prioridades se deslocaram do M\u00e9dio Oriente para a \u00c1sia Oriental. Hillary Clinton foi mais longe no final de Fevereiro. Ao qualificar o governo da China como \u00abileg\u00edtimo\u00bb (sic) assumiu uma posi\u00e7\u00e3o desafiadora. James Petras viu nela uma \u00abdeclara\u00e7\u00e3o de guerra\u00bb a prazo.<\/p>\n<p>A gula imperial \u00e9 insaci\u00e1vel. Nestes dias, \u00e9 imprevis\u00edvel o rumo dos acontecimentos no Golfo.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o de atacar o Ir\u00e3o tem esbarrado com forte resist\u00eancia no Pent\u00e1gono. Os estrategos do sistema n\u00e3o t\u00eam a certeza de que as mais potentes bombas convencionais possam destruir em Natanz as instala\u00e7\u00f5es nucleares subterr\u00e2neas do pa\u00eds. Israel n\u00e3o pode intervir sem o aval de Washington e teme o poder de retalia\u00e7\u00e3o iraniano. A hip\u00f3tese do recurso a armas nucleares t\u00e1cticas tem sido tema de especula\u00e7\u00e3o. Mas os custos de uma tal op\u00e7\u00e3o seriam devastadores no plano pol\u00edtico.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o ca\u00f3tica criada no Afeganist\u00e3o ap\u00f3s a queima do Cor\u00e3o numa base norte-americana veio alias confirmar o fracasso da estrat\u00e9gia americana na \u00c1sia Central. Que credibilidade merecem as for\u00e7as de seguran\u00e7a\u00bb do Afeganist\u00e3o criadas pelos EUA e a NATO se os soldados afeg\u00e3os matam com frequ\u00eancia os oficiais americanos e europeus que os treinam.<\/p>\n<p>A escalada de leis reaccion\u00e1rias nos EUA assinala o fim do regime \u00abdemocr\u00e1tico\u00bb na Rep\u00fablica. A chamada Lei da Autoriza\u00e7\u00e3o da Seguran\u00e7a Nacional, promulgada por Obama, revogou na pr\u00e1tica a Constitui\u00e7\u00e3o bicenten\u00e1ria do pa\u00eds. A partir de agora, qualquer cidad\u00e3o suspeito de liga\u00e7\u00f5es com supostos terroristas pode ser preso por tempo indeterminado e eventualmente submetido a tortura no \u00e2mbito de outra lei aprovada pelo Congresso.<\/p>\n<p>A fascistiza\u00e7\u00e3o das For\u00e7as Armadas nas guerras asi\u00e1ticas \u00e9 j\u00e1 inocult\u00e1vel. No Afeganistao, elementos do corpo de Marines exibiram publicamente a bandeira das SS nazis e n\u00e3o foram punidos.<\/p>\n<p>Comentando a promulga\u00e7\u00e3o por Obama da lei de Autoriza\u00e7\u00e3o da Seguran\u00e7a Nacional, Michel Chossudovsky, definiu os EUA como \u00abum Estado totalit\u00e1rio com traje civil\u00bb.<\/p>\n<p>N\u00e3o exagera. Os EUA est\u00e3o a assumir o perfil de um IV Reich.<\/p>\n<p><strong>QUE FAZER?<\/strong><\/p>\n<p>Perante a estrat\u00e9gia imperial que amea\u00e7a a humanidade, a pergunta de Lenine QUE FAZER? adquire uma dram\u00e1tica actualidade.<\/p>\n<p>A recusa da \u00abnova ordem mundial\u00bb que o imperialismo pretende impor assumiu nos \u00faltimos anos propor\u00e7\u00f5es planet\u00e1rias.<\/p>\n<p>Seattle foi um marco na rejei\u00e7\u00e3o do sistema de domina\u00e7\u00e3o que utiliza o FMI, o Banco Mundial e a OMC como instrumentos da pol\u00edtica do grande capital. De repente, milh\u00f5es de homens e mulheres come\u00e7aram a sair \u00e0s ruas em gigantescos protestos contra a religi\u00e3o do dinheiro e as guerras imperiais.<\/p>\n<p>O lema do primeiro Foro Social Mundial &#8211; \u00aboutro mundo \u00e9 poss\u00edvel\u00bb &#8211; traduziu esse descontentamento e a esperan\u00e7a de uma mudan\u00e7a radical. Mas, transcorrida mais de uma d\u00e9cada, o pr\u00f3prio Foro transformou-se numa caixa-de-resson\u00e2ncia de discursos inofensivos.<\/p>\n<p>No ano passado, o Movimento dos Indignados, em Espanha, e o Ocupem Wall Street, nos EUA, mobilizaram multid\u00f5es, expressando o desespero das massas oprimidas. Mas esses protestos, positivos, e outros, promovidos por diferentes movimentos sociais, n\u00e3o amea\u00e7am seriamente o poder do capital. Os jovens sabem o que rejeitam, mas esbarram com um muro intranspon\u00edvel na formula\u00e7\u00e3o de uma alternativa. Que querem, afinal?<\/p>\n<p>O espontane\u00edsmo \u00e9 como a mar\u00e9 oce\u00e2nica; assim como sobe, desce.<\/p>\n<p>O capitalismo est\u00e1 condenado a desaparecer. Mas o seu fim n\u00e3o tem data e a agonia pode ser muito prolongada.<\/p>\n<p>Que fazer ent\u00e3o?-repito<\/p>\n<p>N\u00e3o serei eu, nem outros comunistas a tirar do bolso a receita m\u00e1gica.<\/p>\n<p>\u00c9 minha convic\u00e7\u00e3o que Lenine enunciou uma evid\u00eancia ao lembrar que n\u00e3o h\u00e1 revolu\u00e7\u00e3o dur\u00e1vel sem um partido revolucion\u00e1rio que a promova e lidere as massas. Para mal da humanidade, a destrui\u00e7\u00e3o da URSS e a implanta\u00e7\u00e3o na R\u00fassia do capitalismo permitiu ao imperialismo desencadear uma tempestade contra revolucion\u00e1ria que atingiu os partidos comunistas, semeando a confus\u00e3o ideol\u00f3gica. Alguns com grandes tradi\u00e7\u00f5es, como o italiano, desapareceram ap\u00f3s v\u00e1rias metamorfoses; outros, como o franc\u00eas e o espanhol, social democratizaram-se, assumindo linhas reformistas.<\/p>\n<p>A cria\u00e7\u00e3o do Partido da Esquerda Europeia contribuiu para aumentar a confus\u00e3o. N\u00e3o obstante a maioria dos partidos que a ele aderiram serem nominalmente comunistas, defendem estrat\u00e9gias reformistas. Actuam sobretudo dentro do sistema parlamentar, concentrando a sua luta em reivindica\u00e7\u00f5es sobre problemas imediatos, sem d\u00favida importantes, mas secundarizam a luta pelo socialismo como objectivo principal. Neutralizar a combatividade das massas, orientando as lutas no quadro institucional, \u00e9 o objectivo inconfessado do Partido da Esquerda Europeia. Batem-se, na pr\u00e1tica, pelo \u00abaperfei\u00e7oamento\u00bb do sistema.<\/p>\n<p>No panorama europeu, o Partido Comunista da Gr\u00e9cia, o KKE, surge hoje como a grande excep\u00e7\u00e3o \u00e0 tend\u00eancia maiorit\u00e1ria que privilegia a linha reformista. A sua contribui\u00e7\u00e3o &#8211; mais de uma dezena de greves gerais num ano &#8211; para a luta dos trabalhadores gregos contra as pol\u00edticas impostas pelos governantes dos grandes pa\u00edses da zona euro, a Alemanha e a Fran\u00e7a, tem sido decisiva.<\/p>\n<p>Julgo \u00fatil afirmar neste Congresso marxista que acompanhar os acontecimentos da Gr\u00e9cia, reflectir sobre eles e apoiar o combate dos comunistas gregos se tornou hoje um dever revolucion\u00e1rio.<\/p>\n<p>O KKE defende a cria\u00e7\u00e3o e o fortalecimento de uma Frente democr\u00e1tica anti-imperialista e anti-monopolista, uma alian\u00e7a entre trabalhadores e pequenos e m\u00e9dios agricultores.<\/p>\n<p>Permitam-me que cite um par\u00e1grafo do artigo da secret\u00e1ria geral do KKE, a camarada Aleka Papariga, publicado no n\u00famero 2 da Revista Comunista Internacional:<\/p>\n<p>Desenvolvimento desigual quer dizer desenvolvimento pol\u00edtico e social desigual, o que significa que as condi\u00e7\u00f5es pr\u00e9vias para o in\u00edcio da situa\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria podem surgir mais cedo num pais ou num grupo de pa\u00edses que, sob condi\u00e7\u00f5es especificas, pode constituir \u00abo elo mais fraco\u00bb do sistema imperialista. Isto \u00e9 particularmente importante hoje, quando o desenvolvimento e as remodela\u00e7\u00f5es ocorrem no sistema imperialista e se intensificam as contradi\u00e7\u00f5es tanto no \u00e2mbito dos pa\u00edses como no sistema imperialista. Entendemos, portanto, que cada partido comunista, tal como os trabalhadores de cada pa\u00eds, tem o dever internacionalista de contribuir para a luta de classes ao n\u00edvel internacional, mobilizando e organizando a luta contra as consequ\u00eancias das crises nacionais, com vista ao derrubamento do poder burgu\u00eas, \u00e0 conquista do poder pelos trabalhadores e \u00e0 constru\u00e7\u00e3o do socialismo.<\/p>\n<p>Insistindo na den\u00fancia do oportunismo, a camarada Aleka Papariga lembra tamb\u00e9m que as reformas, por mais importantes que sejam, n\u00e3o podem conduzir ao socialismo sem uma confronta\u00e7\u00e3o final com a burguesia cujo desfecho seria a destrui\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es do Estado capitalista.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o \u00e9 fundamental. A chamada via pac\u00edfica para o socialismo foi ensaiada no Chile com o desfecho que conhecemos. Hoje a tese \u00e9 retomada na Am\u00e9rica Latina pelos te\u00f3ricos do Socialismo do S\u00e9culo XXI, nomeadamente na Venezuela Bolivariana e na Bol\u00edvia.<\/p>\n<p>Em textos que publiquei no ano passado ap\u00f3s participar no Foro Internacional de Maracaibo, critiquei essas posi\u00e7\u00f5es, reafirmando a convic\u00e7\u00e3o de que a destrui\u00e7\u00e3o do estado capitalista, em choque com o poder burgu\u00eas, ter\u00e1 de preceder a constru\u00e7\u00e3o de um poder popular est\u00e1vel.<\/p>\n<p>Trata-se, insisto, de uma quest\u00e3o fundamental para o movimento comunista internacional.<\/p>\n<p>Obviamente que a Europa n\u00e3o \u00e9 a Am\u00e9rica Latina. E devemos sempre ter presente que a Europa \u00e9 uma diversidade.<\/p>\n<p>Mas no cerne do grande debate ideol\u00f3gico travado no \u00e2mbito do movimento comunista internacional uma quest\u00e3o continua a suscitar um interesse absorvente: a transi\u00e7\u00e3o do capitalismo para o socialismo. J\u00e1 Lenine dizia que ela seria infinitamente mais dif\u00edcil do que a tomada do poder em Outubro de 17. E at\u00e9 hoje n\u00e3o encontr\u00e1mos respostas satisfat\u00f3rias. (**)<\/p>\n<p>O que \u00e9 valido para a Gr\u00e9cia n\u00e3o \u00e9 obviamente transpon\u00edvel para outros pa\u00edses da zona euro. \u00c0s condi\u00e7\u00f5es objectivas peculiares somam-se ali condi\u00e7\u00f5es subjectivas inexistentes noutros pa\u00edses. A disponibilidade para a luta dos trabalhadores gregos \u00e9 insepar\u00e1vel de uma heran\u00e7a hist\u00f3rica de sofrimento acumulado desde as lutas contra a ocupa\u00e7\u00e3o turca no s\u00e9culo XIX. Em 1945 a insurrei\u00e7\u00e3o grega, ap\u00f3s a expuls\u00e3o dos alem\u00e3es, quase levou ao poder os trabalhadores. Foi a b\u00e1rbara repress\u00e3o do ex\u00e9rcito brit\u00e2nico que restabeleceu a monarquia e impediu h\u00e1 mais de sessenta anos a constru\u00e7\u00e3o na Gr\u00e9cia de um Poder .<\/p>\n<p><strong>PORTUGAL<\/strong><\/p>\n<p>Pa\u00eds perif\u00e9rico, subdesenvolvido, semi-colonizado, Portugal est\u00e1 h\u00e1 muito desgovernado por for\u00e7as pol\u00edticas que se submetem docilmente \u00e0s imposi\u00e7\u00f5es do imperialismo e as aplaudem.<\/p>\n<p>As sanguessugas do capital, actuando nem nome da Comiss\u00e3o Europeia e do FMI, proclamam que os trabalhadores devem sacrificar-se, ser compreensivos, apertar o cinto e cumprir todas as exig\u00eancias da troika para recuperar a confian\u00e7a dos \u00abmercados\u00bb. Um sistema medi\u00e1tico perverso e corrupto participa no jogo da mentira. Emite cr\u00edticas irrelevantes ao funcionamento da engrenagem, mas n\u00e3o contesta o diktat do capital.<\/p>\n<p>O coro dos ep\u00edgonos, perante o avolumar da indigna\u00e7\u00e3o popular, teme que ela assuma propor\u00e7\u00f5es torrenciais e repete que somos um povo de \u00abbrandos costumes\u00bb, diferente do grego, um povo que compreende a necessidade da \u00abausteridade\u00bb, consciente de que a supera\u00e7\u00e3o da crise depende dela.<\/p>\n<p>Incutir nas massas um sentimento de fatalismo \u00e9 objectivo permanente no massacre medi\u00e1tico. Arrogantes, os sacerdotes do capital bradam que n\u00e3o h\u00e1 alternativa \u00e0 sua pol\u00edtica.<\/p>\n<p>S\u00f3 pelos caminhos da luta pode ser encontrada a solu\u00e7\u00e3o para os problemas do nosso povo.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio combater com firmeza a aliena\u00e7\u00e3o que atinge grande parte da popula\u00e7\u00e3o. \u00c9 indispens\u00e1vel combater a falsa ideia de que vivemos numa sociedade democr\u00e1tica, porque o regime parlamentar foi legitimado pelo voto popular. \u00c9 necess\u00e1rio desmontar as campanhas que condenam as greves como anti-patri\u00f3ticas e as manifesta\u00e7\u00f5es de protesto como iniciativas rom\u00e2nticas, in\u00fateis.<\/p>\n<p>\u00c9 importante ajudar milh\u00f5es de portugueses a compreender como foi poss\u00edvel que 38 anos ap\u00f3s uma Revolu\u00e7\u00e3o t\u00e3o bela como a nossa, o pa\u00eds tenha voltado a ser dominado pela classe que o oprimia na \u00e9poca do fascismo.<\/p>\n<p>Como foi poss\u00edvel o refluxo? A correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as que permitiu as grandes conquistas revolucion\u00e1rias durante os governos do general Vasco Gon\u00e7alves n\u00e3o se alterou de um dia para o outro.<\/p>\n<p>A base social do PS n\u00e3o \u00e9 mesma do PSD. Mas a direc\u00e7\u00e3o do PS tem actuado colectivamente ao servi\u00e7o do grande capital. Na quase glorifica\u00e7\u00e3o de S\u00f3crates no Congresso daquele partido, o PS projectou bem a sua imagem. O secret\u00e1rio-geral tinha conduzido o pa\u00eds \u00e0 beira do abismo com a sua politica neoliberal, mas foi ali aclamado com o her\u00f3i e salvador. Renovaram-lhe a confian\u00e7a e ele afundou mais Portugal. Depois ocorreu o esperado. O funcionamento dos mecanismos da ditadura da burguesia de fachada democr\u00e1tica colocou a alian\u00e7a PSD-CDS de novo no governo. Uma parcela ponder\u00e1vel do eleitorado acreditou que votava por uma mudan\u00e7a. Na realidade limitou-se a accionar o rod\u00edzio da altern\u00e2ncia no governo de partidos que competem na tarefa de servir os interesses do capital.<\/p>\n<p>Hoje, cabe perguntar: como pode ter chegado a Primeiro-ministro uma criatura como Passos Coelho? O homem \u00e9 um ser de indig\u00eancia mental t\u00e3o transparente que at\u00e9 intelectuais de direita como Pacheco Pereira reconhecem o \u00f3bvio.<\/p>\n<p>A maioria do povo acompanha com ang\u00fastia as cenas da farsa dram\u00e1tica. A contesta\u00e7\u00e3o \u00e1 pol\u00edtica que est\u00e1 a destruir o pa\u00eds n\u00e3o p\u00e1ra de crescer. Mas \u00e9 ainda muito insuficiente. As grandes manifesta\u00e7\u00f5es de protesto e as greves nacionais e sectoriais somente podem abalar o sistema se a luta de massas adquirir um car\u00e1cter permanente, intenso e diversificado. Nas f\u00e1bricas, nos transportes, nos portos, nas escolas, na Administra\u00e7\u00e3o, em m\u00faltiplos locais de trabalho, nas ruas.<\/p>\n<p>\u00c9 evidente que as condi\u00e7\u00f5es subjectivas n\u00e3o s\u00e3o em Portugal as da Gr\u00e9cia, cujos trabalhadores, caluniados se batem hoje pela humanidade.<\/p>\n<p>O esfor\u00e7o do PCP na luta contra o imobilismo e a aliena\u00e7\u00e3o tem sido importante como contributo para o aprofundamento da consci\u00eancia de classe e do n\u00edvel ideol\u00f3gico da classe trabalhadora. Essa \u00e9 uma tarefa revolucion\u00e1ria.<\/p>\n<p>N\u00e3o se deve ceder ao pessimismo. N\u00e3o se combate a pobreza, o desemprego, a supress\u00e3o de conquistas sociais baixando os bra\u00e7os.<\/p>\n<p>A luta do povo portugu\u00eas \u00e9 insepar\u00e1vel da luta de outros povos, v\u00edtimas de pol\u00edticas ainda mais cru\u00e9is.<\/p>\n<p>\u00c9 tarefa priorit\u00e1ria desmascarar a monstruosidade das agress\u00f5es imperiais a pa\u00edses da \u00c1sia e de \u00c1frica, lembrar que nas condi\u00e7\u00f5es mais adversas, os povos do Iraque, do Afeganist\u00e3o, da Palestina, da L\u00edbia, entre outros, resistem e se batem contra a barb\u00e1rie imperialista. A luta dos povos \u00e9 hoje planet\u00e1ria.<\/p>\n<p>\u00c9 \u00fatil lembrar que o povo cubano, hostilizado pela mais poderosa pot\u00eancia do mundo, defende h\u00e1 mais de meio s\u00e9culo a sua revolu\u00e7\u00e3o com coragem espartana.<\/p>\n<p>\u00c9 \u00fatil lembrar que na Am\u00e9rica Latina os trabalhadores da Venezuela bolivariana, da Bol\u00edvia e do Equador apontam \u00e0quele Continente o caminho da luta contra o imperialismo predador.<\/p>\n<p>\u00c9 oportuno recordar que foram as grandes revolu\u00e7\u00f5es que contribu\u00edram decisivamente para o progresso da humanidade. A burguesia francesa apunhalou em 1792 a Revolu\u00e7\u00e3o por ela concebida e dirigida. Uma lenda negra foi forjada para a satanizar e lhe colar a imagem de um tempo de horrores. Mas, transcorridos mais de dois s\u00e9culos, \u00e9 imposs\u00edvel negar que a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa ficou a assinalar uma viragem maravilhosa na caminhada da Humanidade para o futuro.<\/p>\n<p>\u00c9 tamb\u00e9m oportuno lembrar que o mesmo ocorreu com a Revolu\u00e7\u00e3o Russa de Outubro de 1917.O imperialismo festejou como vit\u00f3ria memor\u00e1vel a reimplanta\u00e7\u00e3o do capitalismo na p\u00e1tria de Lenine. Falsifica a Hist\u00f3ria. N\u00e3o h\u00e1 cal\u00fania que possa inverter a realidade; as grandes conquistas dos trabalhadores europeus no s\u00e9culo XX surgiram como heran\u00e7a indirecta da Revolu\u00e7\u00e3o Socialista Russa, a mais progressista da hist\u00f3ria da Humanidade. Foi o medo do socialismo e do comunismo que for\u00e7ou as burguesias europeias a conformar-se com conquistas como a jornada das oito horas, as f\u00e9rias pagas, o 13\u00ba sal\u00e1rio.<\/p>\n<p>Em Portugal \u00e9 preciso reassumir a esperan\u00e7a que empurra para o combate e a vit\u00f3ria.<\/p>\n<p>Em 1383 e 1640, quando o pa\u00eds estava de rastos e tudo parecia afundar-se, o povo portugu\u00eas desafiou o imposs\u00edvel aparente e venceu.<\/p>\n<p>\u00c9 oportuno n\u00e3o esquecer que, ap\u00f3s quase meio s\u00e9culo de fascismo, o povo portugu\u00eas foi sujeito de uma grande revolu\u00e7\u00e3o que na Europa Ocidental realizou conquistas mais profundas do que qualquer outra desde a Comuna de Paris.<\/p>\n<p>Vivemos um tempo de pesadelo, com os inimigos do povo novamente encastelados no poder. Mas as sementes de Abril sobreviveram \u00e0 contra-revolu\u00e7\u00e3o e depende da nossa gente que elas voltem a germinar nos campos e cidades de Portugal.<\/p>\n<p>O horizonte apresenta-se sombrio. Mas sou optimista. As condi\u00e7\u00f5es subjectivas para a luta est\u00e3o a amadurecer embora lentamente.<\/p>\n<p>Karl Marx \u00e9, a cada dia, mais actual para a compreens\u00e3o do choque com a engrenagem trituradora do capital. A alternativa \u00e9 entre Socialismo ou Barb\u00e1rie. E o socialismo vencer\u00e1!<\/p>\n<p>Obrigado por me ouvirem.<\/p>\n<p>__<\/p>\n<p>(*) Comunica\u00e7\u00e3o apresentada no Congresso \u201cMarx em Maio\u201d.<\/p>\n<p>(**) A minha concord\u00e2ncia com as posi\u00e7\u00f5es do KKK perante a crise estrutural do capitalismo e concretamente com a estrat\u00e9gia adoptada na luta em curso na Gr\u00e9cia contra a submiss\u00e3o dos governos da burguesia hel\u00e9nica \u00e0s pol\u00edticas neoliberais impostas pelo imperialismo n\u00e3o significa que me identifique com algumas das an\u00e1lises e conclus\u00f5es da Resolu\u00e7\u00e3o Politica aprovada em 2008 pelo XVIII Congresso daquele Partido.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.odiario.info\/?p=2474\" target=\"_blank\">http:\/\/www.odiario.info\/?p=2474<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: ODiario.info\n\n\n\n\n\n\n\n\nMiguel Urbano Rodrigues\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2849\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-2849","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-JX","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2849","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2849"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2849\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2849"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2849"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2849"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}