{"id":28524,"date":"2022-03-03T06:54:15","date_gmt":"2022-03-03T09:54:15","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=28524"},"modified":"2022-03-03T06:54:15","modified_gmt":"2022-03-03T09:54:15","slug":"o-mundo-ja-nao-sera-o-que-era","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/28524","title":{"rendered":"O mundo j\u00e1 n\u00e3o ser\u00e1 o que era"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/idsb.tmgrup.com.tr\/ly\/uploads\/images\/2021\/02\/16\/93543.jpg?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"imagem\" \/><!--more--><\/p>\n<p><strong>Por Jos\u00e9 Goul\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>ABRIL ABRIL<\/p>\n<p>A partir de agora o mundo nunca mais voltar\u00e1 a ser o que foi desde o in\u00edcio da d\u00e9cada de noventa do s\u00e9culo passado, quando os Estados Unidos assumiram isoladamente o comando planet\u00e1rio.<\/p>\n<p>De tanto esticar, a corda rebentou. Ao cabo de um longo processo de cerco e humilha\u00e7\u00e3o, a R\u00fassia decidiu extirpar militarmente o tumor russ\u00f3fobo ucraniano, circunst\u00e2ncia que est\u00e1 deixando os dirigentes ocidentais e a propaganda social em estado de choque, mas sem a dec\u00eancia de assumirem as responsabilidades que t\u00eam na situa\u00e7\u00e3o. Durante oito anos, sem dar mostras de quaisquer escr\u00fapulos, os Estados Unidos, a OTAN e a Uni\u00e3o Europeia apoiaram o regime ucraniano sustentado por esquadr\u00f5es da morte nazistas saudosos de Hitler e aproveitaram essa cobertura para tentar criar uma imensa base militar que, uma vez incorporada \u00e0 OTAN, estrangularia militarmente a R\u00fassia.<\/p>\n<p>A interven\u00e7\u00e3o desencadeada por Moscou contra as estruturas militares e repressivas do regime ucraniano, tendo em vista igualmente criar condi\u00e7\u00f5es que interrompam o massacre cont\u00ednuo das discriminadas popula\u00e7\u00f5es de origem russa, pretende liquidar essa estrat\u00e9gia atlantista. Principalmente cortando pela raiz a manobra para a integra\u00e7\u00e3o de Kiev na Alian\u00e7a Atl\u00e2ntica e deixando tamb\u00e9m definido o padr\u00e3o de comportamento do Kremlin caso a OTAN insista na integra\u00e7\u00e3o da Ge\u00f3rgia. Sem esquecer as recent\u00edssimas advert\u00eancias \u00e0 Su\u00e9cia e \u00e0 Finl\u00e2ndia.<\/p>\n<p>A partir de agora o mundo nunca mais voltar\u00e1 a ser o que foi desde o in\u00edcio da d\u00e9cada de noventa do s\u00e9culo passado, quando os Estados Unidos assumiram isoladamente o comando planet\u00e1rio, sem poderem ser contestados, aproveitando a extin\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. Nestes dias, e apesar de ainda n\u00e3o se ter dissipado o nevoeiro de guerra, acabou a era da impunidade das a\u00e7\u00f5es imperiais e coloniais para implanta\u00e7\u00e3o unilateral de um globalismo absolutista a servi\u00e7o de uma casta abrigada em nichos de riqueza criados \u00e0 custa de toda a humanidade.<\/p>\n<p>Come\u00e7ou, provavelmente, a era do multilateralismo, aquela em que o dom\u00ednio absoluto dos Estados Unidos, flanqueado pelos aliados, passa a ser verdadeiramente contestado. A resposta militar russa \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o da Ucr\u00e2nia numa base militar da OTAN quebra pela primeira vez o cerco e o ciclo de intimida\u00e7\u00e3o e conten\u00e7\u00e3o montado pela alian\u00e7a contra um inimigo fabricado artificialmente e do qual necessita para sobreviver. O maior ex\u00e9rcito do mundo j\u00e1 n\u00e3o tem o poder absoluto, confirmando-se assim, na atual crise e com maior significado, o que j\u00e1 sucedera no Iraque, no Afeganist\u00e3o e, de certa forma, na S\u00edria.<\/p>\n<p>Interpretada conjuntamente com o recente tratado estrat\u00e9gico assinado no mais alto n\u00edvel pela China e a R\u00fassia, a a\u00e7\u00e3o russa na Ucr\u00e2nia, n\u00e3o mais contest\u00e1vel do que muitas outras desenvolvidas pelos membros da OTAN, \u00e9 uma machadada na ordem mundial unipolar, que os Estados Unidos e seus s\u00faditos pretendiam que fosse inquestion\u00e1vel.<\/p>\n<p>Agora j\u00e1 n\u00e3o \u00e9. A R\u00fassia deixou uma mensagem muito s\u00e9ria de que possui capacidade de resposta \u00e0s amea\u00e7as contra as suas inten\u00e7\u00f5es de contribuir para uma nova ordem internacional na qual n\u00e3o mandem os mesmos de sempre \u00e0 luz de uma esp\u00e9cie de direito divino de usucapi\u00e3o. As oligarquias russas est\u00e3o mostrando \u00e0s oligarquias ocidentais que o caminho para o globalismo de \u00edndole tendencialmente autorit\u00e1ria n\u00e3o est\u00e1 livre de s\u00e9rios obst\u00e1culos.<\/p>\n<p>A mensagem e a\u00e7\u00f5es da China, pa\u00eds que tem mantido uma proverbial cautela sobre os acontecimentos na Ucr\u00e2nia, tamb\u00e9m n\u00e3o deixam d\u00favidas de que o nascente multilateralismo veio para ficar.<\/p>\n<p>Nada disto tem a ver com democracia, direitos humanos, o bem-estar das pessoas, o respeito pelo ambiente e o aproveitamento dos recursos naturais com fins que beneficiem a humanidade.<\/p>\n<p>O que est\u00e1 em causa s\u00e3o interesses, neg\u00f3cios, acesso aos bens que a Terra nos oferece, uma luta entre oligarquias e plutocracias, umas mais bem disfar\u00e7adas que outras, pela influ\u00eancia sobre governos, institui\u00e7\u00f5es nacionais e internacionais, conglomerados econ\u00f4micos e financeiros. As pessoas s\u00e3o meros instrumentos neste tabuleiro. \u00c9 a sociopatia \u00e0 solta, animada pela anarquia neoliberal que \u00e9 determinante mesmo onde n\u00e3o \u00e9 seguida segundo as plenas convic\u00e7\u00f5es fundamentalistas e ortodoxas.<\/p>\n<p>A interven\u00e7\u00e3o russa na Ucr\u00e2nia n\u00e3o respeita o direito internacional. O pobre direito internacional que h\u00e1 d\u00e9cadas sofre maus tratos nas m\u00e3os dos que querem impor, em alternativa, uma \u00abordem internacional baseada em regras\u00bb; normas estas a serem cumpridas por todos mas estabelecidas totalitariamente por uma s\u00f3 na\u00e7\u00e3o, os Estados Unidos da Am\u00e9rica. Um direito internacional despudoradamente invocado, de maneira hist\u00e9rica e alienada, por aqueles para quem viol\u00e1-lo \u00e9 o p\u00e3o de cada dia.<\/p>\n<p>De fato, entra pelos terrenos da aliena\u00e7\u00e3o o coro dos dirigentes ocidentais e dos meios de propaganda corporativos que asfixiam a opini\u00e3o p\u00fablica de quase todo o mundo impondo-lhe uma opini\u00e3o \u00fanica sobre a opera\u00e7\u00e3o da R\u00fassia na Ucr\u00e2nia. Um pa\u00eds onde o regime de base nazista \u2013 coisa de que tantos \u00abbem informados\u00bb se esquecem \u2013 se dedicava h\u00e1 oito anos a uma met\u00f3dica limpeza \u00e9tnica de vastas regi\u00f5es do Leste do pa\u00eds, incitado e auxiliado pela OTAN, que o tinha verdadeiramente adotado. Ao mesmo tempo que as autoridades de Kiev, comprometidas com os Acordos de Minsk de 2015, contendo neles a solu\u00e7\u00e3o diplom\u00e1tica para os conflitos no pa\u00eds, protelavam a sua aplica\u00e7\u00e3o at\u00e9 que Moscou perdeu a paci\u00eancia e as ilus\u00f5es de que alguma vez a parte ucraniana pretendesse cumpri-los.<\/p>\n<p>Para quem vive apenas na espuma dos dias, anestesiado e tamb\u00e9m alarmado pela chuva de soundbites manipuladores ou pela torrente de \u00aban\u00e1lises\u00bb cacof\u00f4nicas, \u00e9 importante recordar que o ex\u00e9rcito ucraniano integrou manobras da OTAN envolvendo o territ\u00f3rio, c\u00e9us e \u00e1guas da Ucr\u00e2nia, em junho, julho e setembro do ano passado, obviamente contra a R\u00fassia. A Ucr\u00e2nia fazia parte, de fato, da estrutura militar da OTAN, pelo que representava uma amea\u00e7a \u00e0 seguran\u00e7a de uma R\u00fassia cercada por dezenas de milhares de tropas multinacionais dotadas com armamento ultramoderno e armas nucleares \u2013 tudo \u00abdefensivo\u00bb \u2013 constantemente humilhada, caluniada e tratada como um Estado p\u00e1ria. Este cen\u00e1rio contradizia plenamente o princ\u00edpio da Organiza\u00e7\u00e3o para a Seguran\u00e7a e Coopera\u00e7\u00e3o na Europa (OSCE) aceita tanto pelo Oriente quanto pelo Ocidente e segundo o qual a seguran\u00e7a \u00e9 indivis\u00edvel. Isto \u00e9, apesar de as alian\u00e7as militares serem abertas a qualquer pa\u00eds que o deseje e tenha condi\u00e7\u00f5es para as integrar, isso nunca poder\u00e1 acontecer \u00e0 custa da seguran\u00e7a de outro Estado.<\/p>\n<p>N\u00e3o passa de uma triste figura, uma express\u00e3o de hipocrisia, de elitismo pr\u00f3prio de aristocracias arruinadas e de arrog\u00e2ncia colonial, a campanha de propaganda, intoxica\u00e7\u00e3o e p\u00e2nico montada pelos dirigentes internacionais e pela m\u00e1quina de propaganda que o neoliberalismo instalou com uma efic\u00e1cia avassaladora no mundo ocidental e especial acuidade na Uni\u00e3o Europeia. A mentira tornou-se a verdade absoluta e indiscut\u00edvel, sob pena de as opini\u00f5es diferentes da vers\u00e3o oficial serem consideradas mensagens do inimigo; a realidade paralela abafa e enterra fatos, provas e circunst\u00e2ncias.<\/p>\n<p>Quem se indigna, sem conseguir evitar tons pat\u00e9ticos, contra a opera\u00e7\u00e3o militar russa na Ucr\u00e2nia encarou com bonomia a sangrenta destrui\u00e7\u00e3o da Iugosl\u00e1via e entusiasmou-se com o covarde bombardeamento da OTAN sobre Belgrado; olhou serenamente para a cruel invas\u00e3o do Afeganist\u00e3o; babou-se de emo\u00e7\u00e3o com as \u00abopera\u00e7\u00f5es cir\u00fargicas\u00bb e a \u00abguerra direta\u00bb da devastadora agress\u00e3o contra o Iraque \u2013 realizada a partir do momento em que o secret\u00e1rio de Estado norte-americano exibiu na ONU um frasquinho de um inocente p\u00f3 branco que seria o \u00abcombust\u00edvel\u00bb das armas qu\u00edmicas iraquianas inseridas num arsenal de armas de exterm\u00ednio massivo que jamais apareceram; apoiou com ardor a guerra contra a S\u00edria na qual a OTAN criou e alimentou grupos de mercen\u00e1rios fundamentalistas isl\u00e2micos para retirar de Damasco o \u00abtirano Assad\u00bb e instaurar \u00aba democracia\u00bb; tal como na L\u00edbia, onde a OTAN, tamb\u00e9m de m\u00e3o dada com terroristas isl\u00e2micos dos quais nasceu, por exemplo, o Isis ou Estado Isl\u00e2mico, chacinou civis, assassinou de maneira revoltante o chefe de Estado e depois deixou o pa\u00eds \u00e0 deriva, agonizando numa anarquia de que n\u00e3o se v\u00ea o fim; e mais ainda o que se passa no I\u00eamen, na guerra provocada pela divis\u00e3o do Sud\u00e3o, na Som\u00e1lia, no Sahel; e sem contar com a inexist\u00eancia na comunica\u00e7\u00e3o corporativa de informa\u00e7\u00f5es sobre os bombardeios a\u00e9reos praticamente di\u00e1rios de Israel sobre a S\u00edria.<\/p>\n<p><strong>As duas faces da R2P<\/strong><\/p>\n<p>R2P, Responsability to Protect ou Responsabilidade de Proteger, foi uma doutrina inventada pelos Estados Unidos e a OTAN para intervirem militarmente, promoverem golpes de Estado, assassinar ou mesmo chacinar em pa\u00edses que supostamente n\u00e3o respeitam as normas de conduta impostas por aquelas entidades.<\/p>\n<p>Criado na administra\u00e7\u00e3o norte-americana de William Clinton, o pretexto foi invocado com especial destempero pela secret\u00e1ria de Estado Madeleine Albright na guerra criminosa contra a Iugosl\u00e1via, incluindo o bombardeamento de Belgrado.<\/p>\n<p>A chacina da L\u00edbia foi outro exemplo em que foi aplicada a R2P, sem esquecer as \u00abguerras humanit\u00e1rias\u00bb protagonizadas por William Clinton como presidente norte-americano, entre as quais se podem recordar a invas\u00e3o da Som\u00e1lia, bombardeios contra uma escola no Afeganist\u00e3o e uma f\u00e1brica de produtos farmac\u00eauticos no Sud\u00e3o.<\/p>\n<p>A interven\u00e7\u00e3o militar ordenada pelas autoridades russas, sob comando do presidente Vladimir Putin, nos territ\u00f3rios do Leste da Ucr\u00e2nia autoproclamados como Rep\u00fablicas Populares de Donetsk e Lugansk, n\u00e3o representou nada de novo em rela\u00e7\u00e3o ao que tem sido a pr\u00e1tica dos Estados Unidos e aliados tanto na OTAN como na Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n<p>H\u00e1, no entanto, uma diferen\u00e7a factual a registrar: as tropas russas, enviadas alegadamente num contexto de \u00abmanuten\u00e7\u00e3o de paz\u00bb, t\u00eam como miss\u00e3o defender (R2P) os cidad\u00e3os ucranianos de origem russa habitando nos territ\u00f3rios do Leste da Ucr\u00e2nia, centenas de milhares deles detentores de passaportes russos, de uma potencial e mais do que previs\u00edvel agress\u00e3o militar do regime de Kiev e das suas tropas de choque nazistas. A presen\u00e7a das mais bem equipadas e preparadas tropas ucranianas na linha de contato com a regi\u00e3o do Donbass \u00e9 uma prova inequ\u00edvoca dessa inten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Existem, de fato, v\u00e1rios ind\u00edcios de que uma invas\u00e3o da regi\u00e3o do Donbass conduzida pelo regime de Kiev estava j\u00e1 em andamento. A Miss\u00e3o de Observa\u00e7\u00e3o da Organiza\u00e7\u00e3o de Seguran\u00e7a e Coopera\u00e7\u00e3o na Europa (OSCE) em a\u00e7\u00e3o na linha de contato registrara nos \u00faltimos dias um aumento exponencial dos bombardeamentos para o interior dos campos inimigos executados, em maioria esmagadora, a partir do lado ocidental. Al\u00e9m disso, foi notada uma intensa atividade de ve\u00edculos ucranianos de desminagem de terrenos, fazendo prever a imin\u00eancia do avan\u00e7o de for\u00e7as terrestres.<\/p>\n<p>Acresce que o programa do atual presidente do regime de Kiev, Volodymir Zelensky, previa a reconquista pela for\u00e7a do territ\u00f3rio russo da Crimeia e a \u00abnormaliza\u00e7\u00e3o\u00bb da situa\u00e7\u00e3o nos territ\u00f3rios do Donbass, isto \u00e9, a concretiza\u00e7\u00e3o da limpeza \u00e9tnica.<\/p>\n<p>Postas as coisas neste p\u00e9, afinal a doutrina de Responsabilidade de Proteger ser\u00e1 propriedade \u00fanica e intransmiss\u00edvel de Washington e da OTAN ou pode servir de exemplo a outras na\u00e7\u00f5es, neste caso a R\u00fassia?<\/p>\n<p>Seguindo a mesma linha de racioc\u00ednio, ser\u00e1 que apenas os Estados Unidos e a Alian\u00e7a Atl\u00e2ntica podem cercar militarmente outros pa\u00edses, inundando de armas, incluindo de exterm\u00ednio em massa, as linhas avan\u00e7adas das suas for\u00e7as, sem que as na\u00e7\u00f5es assim amea\u00e7adas tenham o direito de se defender e de proteger popula\u00e7\u00f5es afins?<\/p>\n<p>Da doutrina R2P aplicada pelos Estados Unidos e a OTAN nasceu, por exemplo, uma entidade muito peculiar chamada Kosovo, governada por terroristas isl\u00e2micos e funcionando como entreposto de tr\u00e1ficos v\u00e1rios, entre eles o de \u00f3rg\u00e3os humanos; no entanto, grande e sonoro \u00e9 o esc\u00e2ndalo porque do R2P aplicado pela R\u00fassia decorre o reconhecimento de peculiares entidades como as Rep\u00fablicas Populares de Donetsk e Lugansk. \u00abQuem Putin julga que \u00e9 para reconhecer outros Estados?\u00bb, interrogou-se o penoso Joseph Biden, ligado aos auriculares e fixado no teleponto, mais ou menos na mesma ocasi\u00e3o em que confirmou o reconhecimento da anexa\u00e7\u00e3o ilegal do territ\u00f3rio s\u00edrio dos Montes Gol\u00e3 por Israel. Tudo de uma transparente coer\u00eancia, que pode ainda ser refor\u00e7ada com a poss\u00edvel integra\u00e7\u00e3o do Kosovo \u00e0 OTAN.<\/p>\n<p>Quem vai \u00e0 guerra d\u00e1 e leva, \u00e9 um aforismo portugu\u00eas bem enraizado. Parece, por\u00e9m, que h\u00e1 quem apenas queira dar sem correr o risco de levar. No fundo, n\u00e3o passa de um cacoete de quem acha que a impunidade dos comportamentos guiados por mentalidades coloniais e imperiais dura para sempre.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, os tempos mudaram; as \u00faltimas semanas ilustram bem essa realidade e a rea\u00e7\u00e3o de novo tipo ensaiada pela R\u00fassia traduz uma altera\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o de for\u00e7as geoestrat\u00e9gica. Da\u00ed tamb\u00e9m a sufocante barragem de propaganda que executa uma met\u00f3dica lavagem no c\u00e9rebro dos cidad\u00e3os, inspirada nos confins totalit\u00e1rios imaginados por George Orwell.<\/p>\n<p><strong>Um pouco de hist\u00f3ria recente<\/strong><\/p>\n<p>Sem ser necess\u00e1rio recuar por ora aos tempos em que \u00abL\u00eanin, os seus seguidores e a R\u00fassia comunista bolchevique\u00bb criaram a Ucr\u00e2nia, segundo a hist\u00f3ria recriada pelo olig\u00e1rquico inner circle de Vladimir Putin, fa\u00e7amos uma revis\u00e3o das origens mais recentes do problema ucraniano que conduziram \u00e0 situa\u00e7\u00e3o atual.<\/p>\n<p>Depois de Gorbatchov e o alco\u00f3latra agente da CIA Boris Ieltsin terem desmantelado a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, a Ucr\u00e2nia independente rapidamente se transformou num pr\u00f3digo alimento da gula dos c\u00edrculos pol\u00edtico-militares ocidentais e das transnacionais globalizantes, meios imbu\u00eddos da sempre insaci\u00e1vel mentalidade colonial e da correspondente arrog\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Em 2004, provavelmente porque nem tudo corria como devia, os centros de costume, Soros e companhia, organizaram uma revolu\u00e7\u00e3o colorida, neste caso em tons laranja, para dar alento aos partid\u00e1rios da integra\u00e7\u00e3o na Uni\u00e3o Europeia e na OTAN, comandados pela nacionalista primeira-ministra Yulia Tymochenko, com liga\u00e7\u00f5es fascistas bem identificadas.<\/p>\n<p>Em finais de 2013, a Ucr\u00e2nia, sob a presid\u00eancia do russ\u00f3fono Viktor Yanukovytch e abalada por uma corrup\u00e7\u00e3o end\u00eamica, chegou a um ponto de fratura entre os partid\u00e1rios da ades\u00e3o \u00e0 Uni\u00e3o Europeia e \u00e0 OTAN e os defensores de um refor\u00e7o da soberania aprofundando as liga\u00e7\u00f5es com a R\u00fassia.<\/p>\n<p>Recorrendo de novo \u00e0 receita da revolu\u00e7\u00e3o colorida, os Estados Unidos e a Uni\u00e3o Europeia montaram uma suposta \u00abRevolu\u00e7\u00e3o da Dignidade\u00bb que degenerou, em fevereiro de 2014, nos acontecimentos da Pra\u00e7a Maidan, em Kiev, onde grupos de assalto nazistas acabaram por assumir o poder determinante do movimento. Atiradores pertencentes a esses grupos, usando fardas policiais e colocados nos telhados dos edif\u00edcios no entorno, dispararam sobre manifestantes provocando numerosos mortos e feridos. Mais um exemplo das opera\u00e7\u00f5es de falsa bandeira em que os Estados Unidos s\u00e3o especialistas h\u00e1 bastante mais de um s\u00e9culo.<\/p>\n<p>O golpe aconteceu quando Joseph Biden era vice-presidente de Obama e esteve diretamente associado \u00e0 montagem da opera\u00e7\u00e3o. Depois foi recompensado generosamente, tendo o filho Hunter Biden como testa de ferro, com um importante cargo de administra\u00e7\u00e3o numa das maiores empresas petrol\u00edferas ucranianas.<\/p>\n<p>Na sequ\u00eancia dos dist\u00farbios em Kiev, o presidente Yanukovytch foi afastado. Enquanto isso, o embaixador norte-americano Geoffrey R. Pyatt e a subsecret\u00e1ria de Estado, a neoconservadora Victoria Nuland, operacionais do golpe, distribu\u00edam biscoitos aos manifestantes na Pra\u00e7a Maidan, por onde tamb\u00e9m perambulavam vistosas figuras de institui\u00e7\u00f5es europeias, designadamente membros \u00abprogressistas\u00bb do Parlamento Europeu.<\/p>\n<p>Uma vez imposta a \u00abdemocracia\u00bb na Ucr\u00e2nia e instalada uma administra\u00e7\u00e3o sob controle paramilitar nazista em Kiev, o novo regime instaurou uma guerra civil contra as regi\u00f5es Leste do pa\u00eds, habitadas maioritariamente por ucranianos de origem e l\u00edngua russa. Tratava-se de eliminar a influ\u00eancia russa no pa\u00eds para impor um nacionalismo de \u00edndole fascista trabalhando pela integra\u00e7\u00e3o na Uni\u00e3o Europeia e na OTAN.<\/p>\n<p>As tropas de assalto nazistas, proclamando-se herdeiras dos terroristas ucranianos que tiveram a seu cargo as chacinas ordenadas por Hitler no in\u00edcio dos anos quarenta do s\u00e9culo passado, distinguiram-se pela crueldade nas opera\u00e7\u00f5es no Leste ucraniano, atuando como esquadr\u00f5es da morte, onde as popula\u00e7\u00f5es criaram dispositivos de autodefesa e acabaram por proclamar as Rep\u00fablicas Populares de Donetsk e Lugansk.<\/p>\n<p>O regime de Kiev perdeu a guerra, que foi suspensa atrav\u00e9s dos Acordos de Minsk, assinados em 2015 pelo governo ucraniano e os representantes das rec\u00e9m-criadas rep\u00fablicas, sob a \u00e9gide da Alemanha, da Fran\u00e7a e da R\u00fassia. Os documentos previam o cessar-fogo, o desarmamento das partes envolvidas e a autonomia dos territ\u00f3rios do Donbass de acordo com leis ucranianas a serem elaboradas de modo a permitir essa solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os cidad\u00e3os de origem russa na Ucr\u00e2nia s\u00e3o considerados de segunda ordem: n\u00e3o podem ensinar nem aprender a sua l\u00edngua e s\u00e3o discriminados social e administrativamente por falarem russo; meios de comunica\u00e7\u00e3o em l\u00edngua russa s\u00e3o encerrados. A combina\u00e7\u00e3o de xenofobia com nazismo na atua\u00e7\u00e3o do regime ucraniano nunca preocupou os Estados Unidos, a OTAN e a Uni\u00e3o Europeia1.<\/p>\n<p>Com a cumplicidade dos Estados Unidos, o governo de Kiev recusou-se sempre a aplicar os acordos, por terem sido assinados \u00absob a for\u00e7a das armas russas\u00bb. No entanto, logo que Moscou reconheceu as rep\u00fablicas no Donbass e iniciou as opera\u00e7\u00f5es militares, o regime ucraniano apressou-se a apelar ao regresso \u00e0 diplomacia. Simultaneamente, o presidente Zelensky iniciou a s\u00e9rie de sucessivos e pungentes apelos aos Estados Unidos, \u00e0 OTAN e \u00e0 Uni\u00e3o Europeia para que lhe enviassem ajuda militar. Isso n\u00e3o aconteceu: o dirigente ucraniano ficou sabendo, da pior maneira, como os seus \u00abamigos\u00bb ocidentais tratam aqueles de quem se servem para depois pularem fora. Ou de como o povo ucraniano n\u00e3o foi mais do que carne para canh\u00e3o na grande opera\u00e7\u00e3o de cerco \u00e0 R\u00fassia pela OTAN. Respeito pelos direitos humanos?<\/p>\n<p><strong>Guerra de ideologias?<\/strong><\/p>\n<p>Muitos polit\u00f3logos, essa casta que parece ter recebido o privil\u00e9gio \u00fanico de interpretar uma ci\u00eancia oculta como \u00e9 a pol\u00edtica, asseguram que a crise ucraniana e, numa perspectiva mais ampla, o frente-a-frente entre a OTAN e a R\u00fassia \u00e9 fruto de uma luta ideol\u00f3gica.<\/p>\n<p>Ignor\u00e2ncia, incompet\u00eancia, m\u00e1-f\u00e9, de tudo um pouco? Problemas de quem estuda por cartilha \u00fanica e nada mais existe debaixo do sol.<\/p>\n<p>Uma luta ideol\u00f3gica? Quais s\u00e3o as ideologias que se confrontam quando de um lado est\u00e3o for\u00e7as do capitalismo neoliberal e, do outro, for\u00e7as do capitalismo neoliberal ainda que convivendo com um sistema de arraigadas tonalidades nacionalistas \u2013 refor\u00e7adas pelo acossamento propagand\u00edstico e militar estrangeiro?<\/p>\n<p>Trata-se de um confronto entre for\u00e7as anticomunistas dos dois lados da barricada, como os mais recentes discursos de Vladimir Putin bem demonstram. O Ocidente v\u00ea-se no espelho quando olha para a R\u00fassia de Putin, mas a arrog\u00e2ncia e o ego elitista fazem com que n\u00e3o se reconhe\u00e7a.<\/p>\n<p>O que move estas for\u00e7as n\u00e3o s\u00e3o ideologias mas interesses, a necessidade de ter acesso a um bolo planet\u00e1rio que uma parte, a colonial, exige na \u00edntegra; e a que a outra pretende igualmente chegar, traduzindo afinal o confronto entre unipolaridade e multipolaridade \u2013 a que a China se junta.<\/p>\n<p>O que est\u00e1 na raiz dos momentos que o mundo atravessa, e que representam uma ruptura com o passado recente, de poder tendencialmente globalista, \u00e9 a quebra da unipolaridade Estados Unidos\/OTAN\/Uni\u00e3o Europeia atrav\u00e9s do aparecimento de mais duas pot\u00eancias com uma escala de interven\u00e7\u00e3o crescente e rivalizando na capacidade de estar presentes atrav\u00e9s do mundo na disputa de vias de comunica\u00e7\u00e3o, mat\u00e9rias-primas, mecanismos regionais e continentais de integra\u00e7\u00e3o, desenvolvimento tecnol\u00f3gico e militar. Neste quadro n\u00e3o existem hoje d\u00favidas de que os donos disto tudo est\u00e3o perdendo privil\u00e9gios que supunham eternos.<\/p>\n<p>Os movimentos em curso arrasam tamb\u00e9m a chamada doutrina Wolfowitz, do ent\u00e3o secret\u00e1rio da Defesa norte-americano, Paul Wolfowitz, que em 1992, logo imediatamente na sequ\u00eancia do desaparecimento da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, postulou a necessidade de impedir que surgisse uma outra grande pot\u00eancia capaz de rivalizar com os Estados Unidos. Naquela altura, a formula\u00e7\u00e3o visava, imagine-se, a Uni\u00e3o Europeia, que n\u00e3o poderia jamais atingir condi\u00e7\u00f5es que lhe permitissem disputar espa\u00e7os, bens e poder com a pot\u00eancia imperial. A Uni\u00e3o cresceu, chegou at\u00e9 aos 28 membros, mas nunca deu qualquer raz\u00e3o para os receios de Wolfowitz. Os s\u00faditos continuam no curral, mais mansos e obedientes hoje do que nunca.<\/p>\n<p>Afinal os oligarcas russos que manobram o poder em Moscou entendem que n\u00e3o podem ficar atr\u00e1s dos oligarcas ocidentais como Gates, Bezzos, Musk e v\u00e1rios outros que tais, enriquecendo a um ritmo cada vez mais vertiginoso.<\/p>\n<p>Uma coisa parece certa: a Europa pagar\u00e1 a fatura mais elevada do efeito de boomerang das san\u00e7\u00f5es \u00e0 R\u00fassia e ainda as consequ\u00eancias das contra-san\u00e7\u00f5es que Moscou diz estar preparando. Como sempre, da mesma maneira que nos casos de guerra, os Estados Unidos ser\u00e3o menos prejudicados pela situa\u00e7\u00e3o e ainda far\u00e3o excelentes neg\u00f3cios com a venda de g\u00e1s natural liquefeito (GNL) aos pa\u00edses europeus submetidos \u00e0 crise energ\u00e9tica e alegremente conformados \u2013 at\u00e9 satisfeitos \u2013 com a extin\u00e7\u00e3o do projeto, j\u00e1 conclu\u00eddo, do gasoduto Nord Stream 2 entre a R\u00fassia e a Alemanha. Situa\u00e7\u00e3o que o vice-presidente russo Medvedev comentou assim dirigindo-se aos europeus: \u00abBem-vindos ao corajoso mundo novo: dois mil euros por mil metros c\u00fabicos de g\u00e1s\u00bb.<\/p>\n<p><strong>Extin\u00e7\u00e3o de mitos<\/strong><\/p>\n<p>Dois mitos que servem de pilares \u00e0 propaganda ocidental ru\u00edram fragorosamente nestes dias.<\/p>\n<p>Um deles dizia-nos que Putin, oriundo no seu passado das fileiras do KGB, pretenderia recriar a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, pelo que os seus comportamentos se inseriam nessa estrat\u00e9gia. Se d\u00favidas houvesse, o seu famoso discurso sobre o reconhecimento das rep\u00fablicas do Donbass deixou tudo em pratos limpos. A R\u00fassia \u00e9 a campe\u00e3 da \u00abdescomuniza\u00e7\u00e3o\u00bb e tem muito a ensinar \u00e0 Ucr\u00e2nia nessa mat\u00e9ria, foi mais ou menos o que Putin disse. Recorda-se que a oligarquia russa no poder condena de maneira veemente a submiss\u00e3o \u00aba ideologias estrangeiras\u00bb no per\u00edodo sovi\u00e9tico e o fato de, nessa altura, a R\u00fassia ter sido governada por \u00abn\u00e3o-russos\u00bb que obrigaram o pa\u00eds a sustentar as outras rep\u00fablicas da Uni\u00e3o, designadamente a Ucr\u00e2nia.<\/p>\n<p>Da\u00ed que sejam completamente destitu\u00eddas de sentido as teorias sobre a suposta inten\u00e7\u00e3o de Moscou de restaurar \u00abo imperialismo sovi\u00e9tico\u00bb. De fato, o que inspira Putin e os c\u00edrculos olig\u00e1rquicos que gerem o seu pa\u00eds \u00e9 a velha \u00abalma russa\u00bb, a heran\u00e7a cultural, religiosa e social da Grande R\u00fassia, a Gr\u00e3-R\u00fassia imperial de matriz czarista. Uma esp\u00e9cie de neoconservadorismo rendido ao neoliberalismo econ\u00f4mico e com um elitismo recuperado suscept\u00edvel de degenerar em arrog\u00e2ncia, sobretudo quando sente necessidade de responder \u00e0 arrog\u00e2ncia ocidental.<\/p>\n<p>Dizer que Putin \u00abtem nostalgia da URSS\u00bb, como escreveram esten\u00f3grafos burocratas atuando como \u00abjornalistas\u00bb, \u00e9 um disparate at\u00e9 como meio de agita\u00e7\u00e3o e propaganda porque s\u00f3 consegue enganar quem deseja mesmo ser enganado.<\/p>\n<p>A oligarquia transnacional globalista entrou em estado de choque porque percebeu que tem na R\u00fassia um rival \u00e0 altura, o qual, como agora deixou claro, n\u00e3o est\u00e1 dispon\u00edvel para se submeter. Um rival bem mais imprevis\u00edvel que a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, o que nada tem de tranquilizador quando do outro lado est\u00e1 gente em posi\u00e7\u00f5es de comando e para quem a utiliza\u00e7\u00e3o de armas de exterm\u00ednio massivo n\u00e3o \u00e9 tabu.<\/p>\n<p>O desastre ambulante que \u00e9 o ministro portugu\u00eas Santos Silva diz-se alarmado porque a interven\u00e7\u00e3o russa na Ucr\u00e2nia \u00abp\u00f5e em causa a ordem mundial\u00bb.<\/p>\n<p>Por uma vez, exce\u00e7\u00e3o que confirma a regra, o senhor das Necessidades que parece ter gabinete em Washington est\u00e1 cheio de raz\u00e3o.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma nova ordem mundial em gesta\u00e7\u00e3o, de car\u00e1ter multilateral, mas Portugal e os portugueses parecem condenados, pelo alinhamento internacional dos seus dirigentes e apesar da Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, a ficar amarrados \u00e0 velha ordem e a pol\u00edticas que se viram contra os interesses do pa\u00eds. Por isso l\u00e1 v\u00e3o mais 1500 militares portugueses para cen\u00e1rios envolventes de uma guerra com a qual Portugal nada tem a ver, contribuindo com mais carne para canh\u00e3o a servi\u00e7o de interesses alheios, al\u00e9m de pagar os custos de san\u00e7\u00f5es e contra-san\u00e7\u00f5es de um antagonismo alimentado artificialmente.<\/p>\n<p>Existe muito mais mundo para l\u00e1 da Europa. Entidades de integra\u00e7\u00e3o regional como a Uni\u00e3o Econ\u00f4mica Euroasi\u00e1tica, inicialmente dinamizada pela R\u00fassia, a Organiza\u00e7\u00e3o do Tratado de Seguran\u00e7a Coletiva, a Organiza\u00e7\u00e3o de Coopera\u00e7\u00e3o de Xangai, os BRIC (Brasil, R\u00fassia, \u00cdndia, China e \u00c1frica do Sul), a recentemente institu\u00edda Uni\u00e3o Comercial do Sudeste Asi\u00e1tico, a Iniciativa Cintura e Estrada \u2013 chamada tamb\u00e9m \u00aba nova rota da seda\u00bb \u2013 promovida pela China s\u00e3o exemplos de converg\u00eancias que envolvem a esmagadora maioria da popula\u00e7\u00e3o do mundo e que t\u00eam incid\u00eancia crescente em regi\u00f5es at\u00e9 muito distantes, sobretudo do imenso Sul Global ainda em d\u00e9ficit de desenvolvimento. E que funcionam muito mais em sistemas de coopera\u00e7\u00e3o do que de depend\u00eancia e submiss\u00e3o.<\/p>\n<p>Esta poderosa realidade, que \u00e9 inexistente para quem vive sob a tutela da informa\u00e7\u00e3o corporativa, tem uma din\u00e2mica inimagin\u00e1vel e poder\u00e1 ser preponderante na economia mundial talvez mais cedo do que seria de supor.<\/p>\n<p>A partir de agora a R\u00fassia orientar-se-\u00e1 muito mais para Oriente, virando gradualmente as costas ao Ocidente, o que nada ter\u00e1 de favor\u00e1vel para a Europa apesar de o comportamento irrespons\u00e1vel e arrogante dos dirigentes continentais fazer crer o contr\u00e1rio.<\/p>\n<p>O fiel do equil\u00edbrio de for\u00e7as est\u00e1 se deslocando para o Oriente, num ritmo not\u00e1vel, enquanto a Europa, arrastada por um militarismo sugando recursos que existem e mesmo os que n\u00e3o existem, mergulha cada vez mais fundo na crise econ\u00f4mica, energ\u00e9tica, tecnol\u00f3gica, ambiental e, inevitavelmente, social.<\/p>\n<p>A Europa pode estar caminhando para um destino inquietante para todos os que nela vivem: o de se transformar numa pen\u00ednsula ocidental quase irrelevante da grande massa continental euroasi\u00e1tica.<\/p>\n<p>1 &#8211; Veja-se a investiga\u00e7\u00e3o de Oleksiy Kuzmenko, publicada no Illiberalism Studies Program da Universidade de Washington (EUA), sobre a forma\u00e7\u00e3o, na principal academia militar da Ucr\u00e2nia, prestada por militares da organiza\u00e7\u00e3o internacional nazista Cent\u00faria, com ramifica\u00e7\u00f5es em escolas militares de pa\u00edses da OTAN como a Alemanha, o Reino Unido e o Canad\u00e1.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Goul\u00e3o, Exclusivo AbrilAbril<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/28524\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"Existe muito mais mundo para l\u00e1 da Europa.","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[225],"class_list":["post-28524","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-geral","tag-4a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-7q4","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28524","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28524"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28524\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28524"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28524"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28524"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}