{"id":28581,"date":"2022-03-19T07:20:58","date_gmt":"2022-03-19T10:20:58","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=28581"},"modified":"2022-03-19T07:20:58","modified_gmt":"2022-03-19T10:20:58","slug":"torquemadas-do-pensamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/28581","title":{"rendered":"Torquemadas do pensamento"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.abrilabril.pt\/sites\/default\/files\/styles\/node_aberto_vp768\/public\/assets\/img\/16070.jpg?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"imagem\" \/><!--more--><\/p>\n<p><strong>Jos\u00e9 Goul\u00e3o, via\u00a0ABRIL ABRIL<\/strong><\/p>\n<p>A confraria transeuropeia de pol\u00edcias de opini\u00e3o deu finalmente corpo \u00e0 assustadora profecia de George Orwell e criou o Minist\u00e9rio da Verdade.<\/p>\n<p>Passam por estes dias 19 anos sobre a segunda invas\u00e3o do Iraque pelos Estados Unidos e outras pot\u00eancias da OTAN, mantendo-se ainda a ocupa\u00e7\u00e3o militar estrangeira do pa\u00eds. Uma guerra limpa, admir\u00e1vel sobretudo quando \u00e9 apreciada de uma varanda de hotel de Bagd\u00e1, lan\u00e7ada por gente com plena sanidade mental, sustentada por raz\u00f5es de uma verdade inquestion\u00e1vel, sem crian\u00e7as mortas, sem civis bombardeados, sem destrui\u00e7\u00e3o da maior parte das infraestruturas do pa\u00eds, sem tortura nem chacinas, sem roubos de recursos naturais, sem jornalistas bombardeados de helic\u00f3pteros como se fossem alvos de um jogo de computador, com espetaculares, cir\u00fargicos e inofensivos fogos-de-artif\u00edcio lan\u00e7ados por m\u00e1quinas de aut\u00eantica fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. Um deleite para orgulhosos chefes pol\u00edticos, inebriados jornalistas esgotando os arsenais de adjetivos e embasbacados telespectadores agarrados \u00e0s telas de v\u00eddeo, sorvendo a mais recente superprodu\u00e7\u00e3o de Hollywood. Solid\u00e1rios com as v\u00edtimas? Uns esparsos milhares.<\/p>\n<p><strong>Que diferen\u00e7a dos tempos de hoje!<\/strong><\/p>\n<p>Testemunhamos na Ucr\u00e2nia a ant\u00edtese desse epis\u00f3dio do in\u00edcio do s\u00e9culo. Uma guerra \u00e0 moda antiga, cruel como eram os conflitos armados nesses tempos, com destrui\u00e7\u00e3o e v\u00edtimas mortais, desencadeada por um louco, travada na Europa e n\u00e3o em qualquer pa\u00eds do Terceiro Mundo, provocando refugiados com um visual civilizado e n\u00e3o esses maltrapilhos com pele escura vindos sabe-se l\u00e1 de onde para perturbar a vida das sociedades civilizadas. Al\u00e9m disso, horrorizando os telespectadores n\u00e3o s\u00f3 com as imagens, mas tamb\u00e9m com as palavras que as acompanham, brutais, acusadoras, aterrorizadoras e assentes em certezas que ningu\u00e9m poder\u00e1 p\u00f4r em causa.<\/p>\n<p>Assim sendo, acha o leitor que a guerra tem a ver com o cerco da R\u00fassia pela OTAN, o mais poderoso ex\u00e9rcito do mundo e que v\u00ea em Moscou o seu principal inimigo? Ou com o fato de a entrada da Ucr\u00e2nia na OTAN apertar esse cerco, encurralando ainda mais o territ\u00f3rio russo? Ou com a amea\u00e7a do presidente ucraniano de que poder\u00e1 voltar a dotar o pa\u00eds com armas nucleares? Ou com o massacre das popula\u00e7\u00f5es russas do Leste pelas for\u00e7as militares ucranianas e que j\u00e1 dura h\u00e1 oito anos? Ou com o fato, amplamente comprovado, de que o Estado ucraniano e as suas for\u00e7as militares assentam em organiza\u00e7\u00f5es nazistas apoiadas pela OTAN e que t\u00eam como objetivo \u00abacabar com a russifica\u00e7\u00e3o\u00bb da popula\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, pobre eufemismo para limpeza \u00e9tnica? Ou com a rejei\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica de acordos de paz (Acordos de Minsk) pelas autoridades de Kiev com a cumplicidade da Alemanha e da Fran\u00e7a? Ou ainda com a lei sobre \u00abos povos aut\u00f3ctones\u00bb promulgada pelo presidente Zelensky h\u00e1 menos de um ano, instituindo um sistema de apartheid de direitos, liberdades e garantias entre as popula\u00e7\u00f5es ucranianas de origem escandinava e as comunidades eslavas, consideradas em linguagem comum como \u00abos pretos da neve\u00bb?<\/p>\n<p>Pois o leitor est\u00e1 proibido de achar qualquer coisa deste g\u00eanero; nem diz\u00ea-lo; e o mais seguro \u00e9 mesmo n\u00e3o pensar porque incorre no crime de viola\u00e7\u00e3o da opini\u00e3o \u00fanica estabelecida pelos dirigentes dos Estados Unidos e dos seus sat\u00e9lites da Uni\u00e3o Europeia, fiscalizada atrav\u00e9s de uma comunica\u00e7\u00e3o social sem d\u00favidas e que nunca se engana. Como nos idos tempos de Salazar, que julg\u00e1vamos ultrapassados de vez, quem n\u00e3o est\u00e1 conosco est\u00e1 contra n\u00f3s, neste caso a favor do d\u00e9spota Putin. E se est\u00e1 de acordo com as asser\u00e7\u00f5es atr\u00e1s expostas em forma interrogat\u00f3ria, mesmo que seja apenas de uma, saiba que poderia ser um habitante da \u00abbolha\u00bb de Putin, como define o presidente ucraniano Zelensky. Bem pode o estimado leitor defender a negocia\u00e7\u00e3o da paz como \u00fanica sa\u00edda poss\u00edvel e humana da situa\u00e7\u00e3o que isso de nada lhe vale: \u00e9 um agente russo, um troll do Kremlin, um desprez\u00edvel eco de Moscovo.<\/p>\n<p>Mesmo que, como cantava o poeta, seja verdade que \u00abn\u00e3o h\u00e1 machado que corte a raiz ao pensamento\u00bb, o mais seguro, nestes tempos, parece ser n\u00e3o pensar e n\u00e3o contrariar o que lhe ordenam porque pode haver tenta\u00e7\u00f5es \u00abdesviantes\u00bb, como algu\u00e9m j\u00e1 escreveu, e ent\u00e3o l\u00e1 estar\u00e3o, para o enxovalhar e o que mais adiante se ver\u00e1, a senhora Von der Leyen com a autoridade que lhe d\u00e1 a ascend\u00eancia nazista de pai, m\u00e3e e sobretudo do av\u00f4 \u2013 que, como oficial das hordas de Hitler mandou fuzilar dezenas de resistentes polacos, judeus e sovi\u00e9ticos, por sinal na Ucr\u00e2nia; ou os senhores Borrell e tantos dos seus colegas, entre eles um dos mais zelosos, o senhor Santos Silva, para quem a democracia \u00e9 uma propriedade privada para p\u00f4r e dispor. E que n\u00e3o est\u00e1 preocupado com as repercuss\u00f5es na Europa das san\u00e7\u00f5es impostas \u00e0 R\u00fassia: pois n\u00e3o, quem as vai sofrer s\u00e3o os povos, em primeiro lugar os mais desfavorecidos, n\u00e3o ele.<\/p>\n<p><strong>O Minist\u00e9rio da Verdade<\/strong><\/p>\n<p>Esta confraria transeuropeia de pol\u00edcias de opini\u00e3o deu finalmente corpo \u00e0 assustadora profecia de George Orwell e criou o Minist\u00e9rio da Verdade. Nele se concentram torquemadas do esp\u00edrito, mentirosos de profiss\u00e3o, esbirros das ideias, macartistas dos comportamentos e toda uma poderosa corte de analistas, especialistas, comentadores, piv\u00f4s e entrevistadores que gostam de se ouvir a si mesmos dizendo exatamente as mesmas coisas e empunhando, justiceiros, o \u00abmartelo dos hereges\u00bb, como no s\u00e9culo XV chamaram ao inquisidor-mor, o frade Tom\u00e1s de Torquemada.<\/p>\n<p>Sabendo n\u00f3s que a imposi\u00e7\u00e3o do neoliberalismo como sistema econ\u00f4mico-pol\u00edtico de abrang\u00eancia global \u00e9 acompanhada pela formata\u00e7\u00e3o da uma opini\u00e3o \u00fanica sobre o funcionamento da sociedade, n\u00e3o dever\u00edamos surpreender-nos com uma situa\u00e7\u00e3o deste tipo.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, o poder avassalador com que caiu sobre n\u00f3s o surto de propaganda de guerra representa um salto qualitativo no processo de controle do pensamento dos cidad\u00e3os, como que remetendo os \u00abdissidentes\u00bb, aqueles que habitualmente usam a capacidade de cr\u00edtica perante os conceitos dominantes, para a categoria dos potenciais autores de delitos de opini\u00e3o, criminosos pass\u00edveis de ser encarados como seres desprez\u00edveis, traidores, at\u00e9 mesmo alvos de persegui\u00e7\u00f5es. Uma abordagem t\u00e3o intensa como esta vem refor\u00e7ar de maneira trituradora os ensaios autorit\u00e1rios e de exterm\u00ednio dos mecanismos democr\u00e1ticos realizados durante as fases mais agudas da pandemia de Covid-19.<\/p>\n<p>A prop\u00f3sito da crise da Ucr\u00e2nia, observem como os corajosos comentadores portugueses, sobretudo militares, que colocaram as suas compet\u00eancias, conhecimentos e experi\u00eancias ao dispor de espa\u00e7os de televis\u00e3o dedicados ao assunto, e que expuseram ideias dissonantes da vers\u00e3o oficial e obrigat\u00f3ria, est\u00e3o desaparecendo gradualmente de cena e se tornaram alvos dos aparelhos cens\u00f3rios a servi\u00e7o do Minist\u00e9rio da Verdade. A honestidade intelectual est\u00e1, deste modo, sob vigil\u00e2ncia rigorosa.<\/p>\n<p>O seman\u00e1rio de Bilderberg, \u00f3rg\u00e3o oficial deste minist\u00e9rio orwelliano refor\u00e7ado com uma atualiza\u00e7\u00e3o do totalitarismo macartista, dedicou nutrida prosa contra os majores-generais Carlos Branco, Raul Cunha, Agostinho Costa e o coronel Carlos Matos Gomes por terem sa\u00eddo do modelo em que devemos todos estar alinhados no que diz respeito \u00e0 invas\u00e3o russa da Ucr\u00e2nia. Eles explicaram objetivamente e com a qualidade de conte\u00fado pr\u00f3pria de quem dedicou uma longa vida profissional \u00e0s ci\u00eancias e atividades militares, com muitos anos de presen\u00e7a em terrenos cr\u00edticos, por exemplo na ex-Iugosl\u00e1via, circunst\u00e2ncias que escapam \u00e0 maioria dos leigos como n\u00f3s. N\u00e3o foram coment\u00e1rios, mas sim verdadeiras li\u00e7\u00f5es que nos permitem usar a cabe\u00e7a para refletir e formar opini\u00f5es sobre uma guerra sem d\u00favida evit\u00e1vel. Ora esse \u00e9 o problema: pensar \u2013 meio caminho andado para n\u00e3o engolir a verdade \u00fanica.<\/p>\n<p>Afirmando, sem pudor, que as opini\u00f5es daqueles militares coincidem com as \u00abposi\u00e7\u00f5es de Putin\u00bb, o jornal cita fontes castrenses, algumas de cariz insultuoso, que n\u00e3o t\u00eam coragem de dar o nome e a cara, o que diz tudo sobre o seu car\u00e1ter e o de quem lhes deu voz.<\/p>\n<p><strong>A censura, a manada e os jornalistas<\/strong><\/p>\n<p>Em terras portuguesas, garantidamente na Beira Baixa, costuma dizer-se que \u00abquem quer conhecer o vil\u00e3o basta p\u00f4r-lhe o porrete na m\u00e3o\u00bb.<\/p>\n<p>Foi exatamente o porrete de um autoritarismo cens\u00f3rio, ao mesmo tempo de uma mesquinhez rid\u00edcula, que levou os ministros dos Neg\u00f3cios Estrangeiros da Uni\u00e3o Europeia a proibir o acesso no espa\u00e7o comunit\u00e1rio a publica\u00e7\u00f5es e emiss\u00f5es russas, entre elas o Russia Today e o Sputnik. Ali\u00e1s, a decis\u00e3o antes de ser tomada j\u00e1 o era: o agora aut\u00eantico primeiro-ministro em exerc\u00edcio Santos Silva aconselhara de v\u00e9spera os cidad\u00e3os portugueses a n\u00e3o frequentarem esses \u00f3rg\u00e3os de comunica\u00e7\u00e3o do inimigo, o que demonstra algum d\u00e9ficit de confian\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 solidez da opini\u00e3o \u00fanica, mas, por outro lado, parece ser aquela \u00faltima oportunidade paternalista que qualquer agente da repress\u00e3o concede com benevol\u00eancia c\u00ednica antes de baixar o porrete na v\u00edtima.<\/p>\n<p>Ora os senhores ministros sujaram-se por muito pouco.<\/p>\n<p>Provavelmente confundiram o jornalismo com a atividade praticada por aquela manada de seres sem \u00e9tica nem respeito pela profiss\u00e3o que os poderes t\u00eam \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o para fazerem chegar a verdade indiscut\u00edvel e as ordens \u00e0 generalidade dos cidad\u00e3os, cada vez mais indefesos.<\/p>\n<p>Acharam os senhores ministros que os jornalistas s\u00e3o uma esp\u00e9cie extinta de vez? Pensaram que os jornalistas que trabalham com opini\u00f5es, consci\u00eancia e fatos ficariam \u00f3rf\u00e3os devido \u00e0 censura de meios de comunica\u00e7\u00e3o russos? Ou que os jornalistas a s\u00e9rio s\u00e3o capazes de produzir informa\u00e7\u00e3o com base apenas na vers\u00e3o de uma das partes em conflito, seja ela qual for? Sabemos que, como ministros, vivem numa realidade paralela, que perderam o contato com a vida em sociedade tal como existe e chegam at\u00e9 a acreditar na comunica\u00e7\u00e3o social montada para os servir. Problema deles \u2013 mas tamb\u00e9m nosso, enquanto deixarmos.<\/p>\n<p>Os censores falharam e ficaram a descoberto nas suas manobras repressivas. \u00c9 \u00f3bvio que existem centenas de fontes cred\u00edveis sobre o conflito, significativamente muitas delas norte-americanas, da p\u00e1tria adotiva do senhor Santos Silva, que repelem a opini\u00e3o \u00fanica. H\u00e1 tamb\u00e9m o contacto direto, o skype, o zoom. E saibam os agentes macartistas que circulam pela net dezenas de links de acesso aos meios russos proibidos por Bruxelas. Como veem, recursos n\u00e3o faltam e diversidade de fontes tamb\u00e9m n\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 certo que poderiam trancar a internet, por exemplo, o que certamente os tornaria ainda mais populares. Continuaria, por\u00e9m, a haver telefone e at\u00e9 contatos pessoais diretos, jornalistas competentes no terreno e dos dois lados da barricada, enfim uma pan\u00f3plia de meios que alimentam uma informa\u00e7\u00e3o independente \u2013 situada, segundo os torquemadas do pensamento, obviamente ao lado de Putin.<\/p>\n<p>A mensagem \u00e9 prim\u00e1ria, mas se beneficiando de colossais meios de expans\u00e3o torna-se asfixiante, uma verdadeira censura institucionalizada apesar do fracasso pat\u00e9tico dos censores a varejo. Goebbels dar\u00e1 certamente cambalhotas de inveja no meio das chamas infernais.<\/p>\n<p><strong>Pandemia de racismo e nazismo<\/strong><\/p>\n<p>Em 8 de mar\u00e7o, conforme testemunha a ag\u00eancia Getty Images, a OTAN celebrou o Dia Internacional da Mulher fazendo circular, evocando todas as mulheres do mundo, a imagem de uma terrorista do batalh\u00e3o nazista ucraniano Azov exibindo na farda o s\u00edmbolo do grupo, um sol negro, oriundo do ocultismo nazista alem\u00e3o e que resulta da sobreposi\u00e7\u00e3o de tr\u00eas cruzes su\u00e1sticas.<\/p>\n<p>Para a Alian\u00e7a Atl\u00e2ntica a mulher nazista representa uma \u00abcombatente da liberdade\u00bb, tal como os ucranianos do Leste, resistentes \u00e0 limpeza \u00e9tnica, s\u00e3o \u00abterroristas\u00bb. No mesmo n\u00edvel, por certo, dos \u00abterroristas\u00bb palestinos que resistem \u00e0 matan\u00e7a, ao apartheid e ao confisco das suas terras.<\/p>\n<p>Poderia ser um caso isolado, mas n\u00e3o \u00e9. O nazismo revanchista inspirado no colaboracionismo com Hitler nos anos quarenta do s\u00e9culo passado e o racismo que lhe est\u00e1 associado s\u00e3o instrumentos que os Estados Unidos e a Uni\u00e3o Europeia t\u00eam manipulado, acarinhado e apoiado desde o golpe pela \u00abdemocracia\u00bb cometido em Kiev no ano de 2014.<\/p>\n<p>Os governantes europeus \u2013 os norte-americanos nem se d\u00e3o a esse trabalho \u2013 e a comunica\u00e7\u00e3o social amestrada pretendem minimizar essas pr\u00e1ticas fazendo crer que a presen\u00e7a nazista \u00e9 insignificante no poder ucraniano.<\/p>\n<p>Isso \u00e9 totalmente falso e pretende esconder um colaboracionismo europeu e norte-americano com o nazismo para transformarem a Ucr\u00e2nia numa ponta de lan\u00e7a contra a R\u00fassia, enfraquecendo economicamente este pa\u00eds, isolando-o e tentando impedir que seja um empecilho \u00e0 estrat\u00e9gia globalista conduzida no quadro do unilateralismo como ordem mundial inquestion\u00e1vel.<\/p>\n<p>O fato de o presidente norte-americano Joseph Biden ter amea\u00e7ado a China de que ir\u00e1 \u00abtomar medidas\u00bb no caso de Pequim n\u00e3o cumprir as san\u00e7\u00f5es contra Moscou revela, desde j\u00e1, o que vir\u00e1 a seguir ao hipot\u00e9tico enfraquecimento da R\u00fassia.<\/p>\n<p>O nazismo ucraniano n\u00e3o \u00e9 um instrumento recente dos Estados Unidos e seus sat\u00e9lites. Desde 1949 que a CIA (e a sua antecessora OSS) usa os grupos nazistas ucranianos primeiro contra o poder sovi\u00e9tico e, j\u00e1 depois da independ\u00eancia, sempre que o governo de Kiev n\u00e3o represente plenamente os interesses de Washington e Bruxelas. Assim aconteceu com a \u00abrevolu\u00e7\u00e3o colorida\u00bb laranja de 2004 e com a mais eficaz e bem-sucedida conspira\u00e7\u00e3o terrorista de Maidan.<\/p>\n<p>O primeiro governo sa\u00eddo do golpe de 2014 e as estruturas adjacentes integravam 10 representantes de grupos nazistas, entre eles o primeiro-ministro adjunto, o ministro da Defesa, o ministro da Educa\u00e7\u00e3o e Ci\u00eancia, o ministro da Ecologia e Recursos Naturais, o ministro da Agricultura e Alimenta\u00e7\u00e3o, o ministro da Juventude e Desportos e dois secret\u00e1rios do Conselho de Seguran\u00e7a e de Defesa.<\/p>\n<p>Este foi o governo criado sob orienta\u00e7\u00e3o direta do falecido senador fascista norte-americano John McCain, da secret\u00e1ria de Estado Adjunta Victoria Nuland, por sinal uma norte-americana de ascend\u00eancia ucraniana e judaica, e do ent\u00e3o vice-presidente de Obama, Joseph Biden.<\/p>\n<p>Atualmente o presidente do Parlamento de Kiev \u00e9 o nazista Andrei Paruby, fundador do Partido Nacional-Socialista da Ucr\u00e2nia e que, embora esteja sob a capa de outro partido, faz quest\u00e3o de dizer que n\u00e3o alterou as suas posi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>E o principal conselheiro do comandante em chefe das For\u00e7as Armadas ucranianas, general Valeri Zoluzhni, \u00e9 Dmitro Yarosh, que antes disso dirigia o Batalh\u00e3o Azov, um regimento nazista das tropas de Kiev que se tem destacado na limpeza \u00e9tnica no Leste e, presentemente, na persegui\u00e7\u00e3o e fuzilamento de civis que tentam sair das cidades atrav\u00e9s de corredores humanit\u00e1rios. Al\u00e9m de instalarem armamento pesado em zonas residenciais, usando os civis como escudos humanos.<\/p>\n<p>As simpatias nazistas n\u00e3o s\u00e3o muito relevantes como express\u00e3o da sociedade ucraniana, mesmo na maior parte das regi\u00f5es ocidentais, mas est\u00e3o firmemente incrustadas desde 2014, no n\u00edvel de poder pol\u00edtico e militar, nas estruturas do Estado ucraniano.<\/p>\n<p>O presidente Zelensky gosta de repetir que n\u00e3o \u00e9 simpatizante nazista porque \u00e9 judeu.<\/p>\n<p>Essa circunst\u00e2ncia n\u00e3o o impediu, por\u00e9m, de agraciar recentemente com o t\u00edtulo de \u00abher\u00f3i da p\u00e1tria\u00bb, em pleno Parlamento, o atual comandante do Sector de Direita e, por iner\u00eancia, do Batalh\u00e3o Azov, Dmytro Kotsubaylo. Este nazista fez quest\u00e3o de receber a homenagem em farda operacional.<\/p>\n<p>O nazismo como pilar das estruturas pol\u00edtico-militares do Estado ucraniano reflete tend\u00eancias racistas enraizadas no pa\u00eds e que divide totalmente a regi\u00e3o Ocidental da regi\u00e3o Oriental.<\/p>\n<p>No dia 21 de julho de 2021, portanto h\u00e1 menos de um ano, o presidente Zelensky promulgou a chamada lei dos \u00abpovos aut\u00f3ctones\u00bb, que s\u00f3 reconhece direitos plenos aos ucranianos de origem escandinava, segregando, com esp\u00edrito de apartheid, os de origem eslava, em grande parte russ\u00f3fonos, os \u00abpretos da neve\u00bb. Recorda-se que uma das consignas dos grupos nazistas ao assumirem o poder em Kiev depois do golpe de Maidan era \u00abbarrar a russifica\u00e7\u00e3o\u00bb do pa\u00eds, o que depois passaram \u00e0 pr\u00e1tica com a guerra e a limpeza \u00e9tnica imposta no Leste, onde as popula\u00e7\u00f5es, como forma de autodefesa, criaram as Rep\u00fablicas Populares de Donetsk e Lugansk.<\/p>\n<p>De acordo com a lei dos \u00abpovos aut\u00f3ctones\u00bb, a l\u00edngua russa \u00e9 suprimida dos servi\u00e7os p\u00fablicos e estatais, n\u00e3o pode ser ensinada, aprendida e falada.<\/p>\n<p>O exaltado reconhecimento desta singular forma de \u00abdemocracia\u00bb, no entender da OTAN e da Uni\u00e3o Europeia, expandiu-se como uma pandemia pela Europa e os Estados Unidos atrav\u00e9s da hist\u00e9rica rea\u00e7\u00e3o \u00e0 agress\u00e3o russa, como se as a\u00e7\u00f5es criminosas de \u00edndole militar fossem uma novidade nos pouco mais de vinte anos deste s\u00e9culo.<\/p>\n<p>Por exemplo, clubes de futebol que em tempos exibiram bandeiras da Palestina e foram multados por isso agora s\u00e3o exuberantemente felicitados quando enfeitam os equipamentos com s\u00edmbolos ucranianos; aquele que \u00e9 considerado o maior maestro vivo do mundo, Valery Georgiev, foi demitido das orquestras que dirigia por ter ficado em sil\u00eancio perante os acontecimentos na Ucr\u00e2nia, e a c\u00e9lebre cantora l\u00edrica russa Anna Netrebko teve o mesmo destino; o jogador de futebol mais internacional de sempre da Ucr\u00e2nia foi apagado dos anais desportivos do pa\u00eds por n\u00e3o se ter pronunciado sobre o conflito; e se por acaso o leitor tiver a ousadia de hospedar um gato russo como companhia saiba que n\u00e3o pode registar a respectiva ra\u00e7a na Federa\u00e7\u00e3o Internacional Felina, ficando o pobre bichano sem pedigree.<\/p>\n<p>S\u00e3o aspectos ainda assim menores, quase caricaturais, que traduzem uma gigantesca vaga de racismo, xenofobia, segrega\u00e7\u00e3o e persegui\u00e7\u00e3o \u2013 atingindo at\u00e9 crian\u00e7as russas v\u00edtimas de bullying nas escolas \u2013 que se expande na Europa como uma peste, atingindo os n\u00edveis da irracionalidade e da crueldade pura, na esteira daquilo que agora Biden finalmente confessou ser o objetivo de toda a campanha: \u00aba guerra econ\u00f4mica contra a R\u00fassia\u00bb.<\/p>\n<p><strong>Onde se recorda Pulitzer<\/strong><\/p>\n<p>Provavelmente o cidad\u00e3o comum n\u00e3o se apercebe do significado profundo destes comportamentos porque consome, na maioria dos casos sem defesas, as mensagens inquinadas ou simplesmente mentirosas dos dirigentes pol\u00edticos e da comunica\u00e7\u00e3o social dominante. S\u00e3o eles que disseminam o racismo e a xenofobia aproveitando-se da situa\u00e7\u00e3o ucraniana.<\/p>\n<p>Na verdade, a solidariedade manifestada atrav\u00e9s da onda de acontecimentos e comportamentos em massa, regra geral plenos de boa vontade, \u00e9 parcelada por circunst\u00e2ncias perversas e destina-se apenas a parte dos cidad\u00e3os ucranianos, os de \u00abprimeira\u00bb, de origem escandinava, segregando os restantes ucranianos, os que afinal t\u00eam sido v\u00edtimas da guerra conduzida h\u00e1 oito anos em boa parte por grupos nazistas treinados e financiados pela OTAN.<\/p>\n<p>O cen\u00e1rio assim montado \u00e9 de uma coer\u00eancia comovente. A Pol\u00f4nia, que ainda h\u00e1 semanas punha para correr os refugiados que pretendiam entrar no pa\u00eds \u2013 v\u00edtimas das muitas guerras provocadas pelos Estados Unidos, a OTAN e a Uni\u00e3o Europeia \u2013 recebe agora de bra\u00e7os abertos os fugitivos ucranianos, obviamente ocidentais e de \u00abprimeira\u00bb, como definiria Zelensky.<\/p>\n<p>A Uni\u00e3o Europeia, que para n\u00e3o receber refugiados financia campos de concentra\u00e7\u00e3o na L\u00edbia onde, depois de desapossadas dos seus bens, pessoas que fogem das guerras e do colonialismo s\u00e3o torturadas e mesmo assassinadas; que persegue seres humanos \u00e0 deriva no Mediterr\u00e2neo, deixando que milhares deles se afoguem, pois agora essa Uni\u00e3o Europeia est\u00e1 pronta a receber os refugiados ucranianos, sejam eles quantos forem.<\/p>\n<p>\u00c9 sempre mais reconfortante, pelos vistos, acolher gente com boa apar\u00eancia, de prefer\u00eancia seres louros e de olhos azuis, do que maltrapilhos de pele escura, esfomeados que pretendem viver \u00e0s custas dos servi\u00e7os sociais dos pa\u00edses civilizados. Trata-se de inje\u00e7\u00f5es de \u00absangue puro\u00bb, como dizia o inquisidor Torquemada, seguido depois por Hitler e agora, na Ucr\u00e2nia, pelo \u00abfuhrer branco\u00bb, Andriy Biletsky, fundador das mil\u00edcias Corpo Nacional e depois do Batalh\u00e3o Azov, cuja obra inspira os acampamentos de crian\u00e7as que recebem forma\u00e7\u00e3o nazista e treino militar, e que tem como objetivo \u00abconduzir as ra\u00e7as brancas na cruzada final\u00bb. Biletsky, tamb\u00e9m ele inspirado pelo agora her\u00f3i nacional da regi\u00e3o ocidental da Ucr\u00e2nia, Stepan Bandera, que inspirou o assassinato em massa dos seus compatriotas, judeus ou n\u00e3o, a soldo de Hitler. Biletsky, enfim, ponta de lan\u00e7a da grande fraternidade ocidental.<\/p>\n<p>At\u00e9 as autoridades portuguesas, t\u00e3o parcas em receber refugiados das guerras e das cat\u00e1strofes naturais na \u00c1frica e no Oriente M\u00e9dio, apesar de Portugal ser dos pa\u00edses da Uni\u00e3o com as portas mais entreabertas mas onde um imigrante ucraniano foi assassinado por agentes policiais no aeroporto de Lisboa, est\u00e1 agora pronto para receber os refugiados da Ucr\u00e2nia ocidental \u00abque for preciso\u00bb. O governo portugu\u00eas \u00e9, portanto, parte da grande vaga xen\u00f3foba.<\/p>\n<p>A comunica\u00e7\u00e3o social desempenha papel essencial nesta cavalgada. Uns de maneira encapotada, sabendo o que est\u00e3o a fazer mas n\u00e3o dando o flanco para n\u00e3o perderem efic\u00e1cia nos objetivos; outros, delirantes, com o cora\u00e7\u00e3o ao p\u00e9 da boca desvendam o que lhes vai na alma. De certa maneira, a situa\u00e7\u00e3o atual \u00e9 um campo inexplorado: pela primeira vez neste s\u00e9culo os meios corporativos est\u00e3o do lado das v\u00edtimas da guerra (mas s\u00f3 de algumas) e n\u00e3o do lado dos agressores.<\/p>\n<p>Diz Charlie D\u2019Agata, correspondente em Kiev da CBS News norte-americana: \u00abEste n\u00e3o \u00e9 um lugar, com todo o respeito, como o Iraque ou o Afeganist\u00e3o, onde h\u00e1 d\u00e9cadas os conflitos se arrastam. Esta \u00e9 uma cidade relativamente civilizada, relativamente europeia, onde isto n\u00e3o \u00e9 de esperar\u00bb.<\/p>\n<p><strong>Xenofobia, mas \u00abcom todo o respeito\u00bb<\/strong><\/p>\n<p>A palavra agora para Peter Dobbie, do canal ingl\u00eas da Al-Jazeera, sobre os refugiados: \u00abO que \u00e9 convincente \u00e9 que s\u00f3 de olhar para eles, da maneira como est\u00e3o vestidos, s\u00e3o pessoas pr\u00f3speras, de classe m\u00e9dia, n\u00e3o s\u00e3o obviamente refugiados tentando fugir de \u00e1reas do Oriente M\u00e9dio que ainda est\u00e3o em grande estado de guerra; n\u00e3o s\u00e3o pessoas tentando fugir de \u00e1reas do Norte da \u00c1frica: parecem-se com qualquer fam\u00edlia europeia que seja nossa vizinha\u00bb.<\/p>\n<p>Note-se que, apesar de tudo, os refugiados do Oriente M\u00e9dio e do Norte de \u00c1frica ainda s\u00e3o considerados \u00abpessoas\u00bb.<\/p>\n<p>A BBC deu voz a um ex-procurador adjunto da Ucr\u00e2nia, David Sakarelidze, para afirmar \u00abque \u00e9 muito emocionante para mim porque vejo europeus com olhos azuis e cabelos louros que est\u00e3o sendo mortos\u00bb. E Lucy Watson, da ITV News brit\u00e2nica, admira-se porque \u00abo impens\u00e1vel aconteceu: esta n\u00e3o \u00e9 uma na\u00e7\u00e3o em desenvolvimento do Terceiro Mundo, isto \u00e9 a Europa\u00bb.<\/p>\n<p>A emo\u00e7\u00e3o \u00e9 compartilhada por Daniel Hannan, ex-deputado europeu, em declara\u00e7\u00f5es ao Daily Telegraph: \u00abEles parecem-se tanto conosco, \u00e9 isso que torna isto t\u00e3o chocante. A guerra deixou de ser uma coisa que atinge popula\u00e7\u00f5es empobrecidas e remotas, pode acontecer a qualquer um\u00bb.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m Michel Knowles, identificado como jornalista do Daily Wire, foi abalado pelo choque. \u00abAcabou agora de me ocorrer\u00bb, surpreendeu-se, \u00abque esta \u00e9 a primeira grande guerra entre na\u00e7\u00f5es civilizadas na minha vida\u00bb.<\/p>\n<p>Guerra \u00e9 coisa de pobres, de gente a quem a viol\u00eancia militar \u00e9 levada pelos ricos para que fiquem finalmente civilizados e democratizados. Desde 24 de fevereiro, in\u00edcio da invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia pela R\u00fassia, houve mais bombardeamentos a\u00e9reos da Ar\u00e1bia Saudita contra o I\u00eamen, com apoio norte-americano, do que de russos sobre o territ\u00f3rio ucraniano.<\/p>\n<p>Entretanto, Jeremy Bowen, jornalista do modelo de independ\u00eancia e circunspec\u00e7\u00e3o que \u00e9 a BBC, divulgou instru\u00e7\u00f5es sobre \u00abonde e como\u00bb lan\u00e7ar cocktails Molotov, \u00abum guia para os volunt\u00e1rios ucranianos\u00bb.<\/p>\n<p>Joseph Pulitzer, grande jornalista norte-americano falecido em 1911, escreveu um dia que \u00abcom o tempo, uma imprensa c\u00ednica, mercen\u00e1ria, demag\u00f3gica, corrupta formar\u00e1 um p\u00fablico t\u00e3o vil como ela\u00bb.<\/p>\n<p>Pulitzer era realmente um vision\u00e1rio, algu\u00e9m que percebeu h\u00e1 mais de um s\u00e9culo o potencial de manipula\u00e7\u00e3o e degrada\u00e7\u00e3o social que havia num instrumento t\u00e3o indispens\u00e1vel como a comunica\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>O cen\u00e1rio montado a prop\u00f3sito da Ucr\u00e2nia \u00e9 exemplar. E ainda h\u00e1 quem se surpreenda com a veloz reativa\u00e7\u00e3o de correntes neofascistas e neonazistas atrav\u00e9s da Europa. Pois se os pr\u00f3prios dirigentes da OTAN e da Uni\u00e3o Europeia, proclamados defensores da democracia, lhes d\u00e3o a m\u00e3o para defenderem os seus interesses \u2013 que n\u00e3o os dos povos dos seus pa\u00edses \u2013 fica tudo explicado. Da\u00ed que nada haja de escandaloso em vermos em Portugal bandeiras da Juventude Socialista juntas com as do Chega e do Setor de Direita ucraniano em manifesta\u00e7\u00f5es sobre a Ucr\u00e2nia. Tal como Borrell e Santos Silva tomam atitudes cens\u00f3rias enquanto sustentam objetivamente o terrorismo do \u00abf\u00fchrer branco\u00bb que se prolonga h\u00e1 oito anos.<\/p>\n<p>Nada disto tem a ver com a paz ou a defesa da paz, \u00fanica maneira de interromper a nova fase do conflito ucraniano aberta com a tamb\u00e9m criminosa agress\u00e3o russa. Nesta guerra n\u00e3o h\u00e1 inocentes, a n\u00e3o ser as v\u00edtimas civis a Ocidente e Oriente do pa\u00eds, tal como poder\u00e1 n\u00e3o haver vencedores.<\/p>\n<p>Mas at\u00e9 a defesa da diplomacia urgente, do respeito por acordos assinados e assumidos pela ONU, da procura de solu\u00e7\u00f5es pac\u00edficas como \u00fanica sa\u00edda desta trag\u00e9dia significa um apoio a Putin para aqueles que incitam Zelensky a n\u00e3o se envolver seriamente no processo negocial, de modo a que a guerra se prolongue.<\/p>\n<p>As castas dirigentes e os seus megafones est\u00e3o atuando cada vez mais irresponsavelmente em n\u00edvel internacional.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Goul\u00e3o, Exclusivo AbrilAbril<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/28581\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"As castas dirigentes e os seus megafones est\u00e3o atuando cada vez mais irresponsavelmente em n\u00edvel internacional: pregam abertamente a xenofobia - mas \"com todo o respeito\".","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[233],"class_list":["post-28581","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-geral","tag-6a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-7qZ","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28581","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28581"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28581\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28581"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28581"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28581"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}