{"id":28596,"date":"2022-03-23T09:00:32","date_gmt":"2022-03-23T12:00:32","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=28596"},"modified":"2022-03-22T22:25:00","modified_gmt":"2022-03-23T01:25:00","slug":"a-luta-das-mulheres-na-conjuntura-internacional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/28596","title":{"rendered":"A luta das mulheres na conjuntura internacional"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/lavrapalavra.com\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/fdim.png?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"imagem\" \/><!--more--><\/p>\n<p><strong>Contribui\u00e7\u00f5es do Coletivo Feminista Classista Ana Montenegro ao Congresso da Federa\u00e7\u00e3o Democr\u00e1tica Internacional de Mulheres<\/strong><\/p>\n<p><strong>Coordena\u00e7\u00e3o Nacional do Coletivo Feminista Classista Ana Montenegro<\/strong><\/p>\n<p>As mulheres trabalhadoras e toda nossa classe est\u00e3o sendo massacradas por uma pandemia gerada pela rela\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria do capital com a natureza, que ainda se estende devido \u00e0 condu\u00e7\u00e3o indevida dos Estados capitalistas e a desigual vacina\u00e7\u00e3o em n\u00edvel global em prol da lucratividade burguesa. O aprofundamento da crise mundial do capital em sua fase monopolista \u00e9 acompanhado por guerras entre capitalistas pelo controle de fontes energ\u00e9ticas, mercados e massas de trabalhadores\/as. Corrida armamentista, militariza\u00e7\u00e3o, dissemina\u00e7\u00e3o de bases e frotas navais, amea\u00e7as de guerra, chantagens e san\u00e7\u00f5es, agress\u00e3o militar direta ou indireta s\u00e3o tra\u00e7os da face b\u00e9lica do imperialismo, principalmente da maior pot\u00eancia imperialista, os Estados Unidos. Temos sofrido e morrido nas guerras imperialistas, em abortos clandestinos, nas filas dos sistema de sa\u00fade, nos campos de refugiados, em movimentos migrat\u00f3rios e nos trabalhos mais precarizados. Isso demonstra o aprofundamento das contradi\u00e7\u00f5es insol\u00faveis do capital, comprovando os limites hist\u00f3ricos do regime capitalista.<\/p>\n<p>O capitalismo segue com mais rapidez a tend\u00eancia de mundializa\u00e7\u00e3o dos mercados e da produ\u00e7\u00e3o, com a alta concentra\u00e7\u00e3o e centraliza\u00e7\u00e3o do capital forjando grandes conglomerados e empresas trans e multinacionais que operam mundialmente. Cada vez mais s\u00e3o introduzidas novas tecnologias na produ\u00e7\u00e3o, processo este que s\u00f3 fez refor\u00e7ar, nas \u00faltimas d\u00e9cadas, a tend\u00eancia \u00e0 queda nas taxas de lucros e o movimento de financeiriza\u00e7\u00e3o da riqueza. Enquanto poucos milion\u00e1rios acumulam a maior parte das riquezas, uma imensa massa da popula\u00e7\u00e3o mundial, principalmente nos pa\u00edses perif\u00e9ricos, sofre com a fome e com a inseguran\u00e7a alimentar.<\/p>\n<p>Em muitas partes do mundo, a pandemia esteve relacionada a recess\u00f5es brutais e prejudicou o acesso aos alimentos. No entanto, mesmo antes da pandemia, a fome e a desnutri\u00e7\u00e3o j\u00e1 estavam se aprofundando. Isso foi ainda maior em na\u00e7\u00f5es afetadas por conflitos, extremos clim\u00e1ticos e recess\u00f5es econ\u00f4micas.<\/p>\n<p><strong>Erradica\u00e7\u00e3o da feminiza\u00e7\u00e3o da pobreza juvenil<\/strong><\/p>\n<p>Diante da pandemia de Covid-19, as medidas tomadas pela grande maioria dos pa\u00edses foram direcionadas aos interesses do mercado e pouco ou nada garantiram seguridade social e econ\u00f4mica para a classe trabalhadora, impactando sobretudo as mulheres, em especial as mulheres jovens de pa\u00edses perif\u00e9ricos do sistema. Houve um agravamento dram\u00e1tico da fome mundial em 2020, relacionado ao aumento da pobreza e da precariedade das condi\u00e7\u00f5es de vida da classe trabalhadora em geral.<\/p>\n<p>Em todo o mundo, cerca de 1,3 bilh\u00e3o de pessoas s\u00e3o multidimensionalmente pobres (sem estruturas de sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, saneamento, moradia, adequados), sendo que as mulheres e os grupos \u00e9tnicos e povos origin\u00e1rios s\u00e3o os mais afetados pela pobreza que aumentou consideravelmente durante a pandemia. Quase 85% vivem na \u00c1frica Subsaariana (556 milh\u00f5es) ou no Sul da \u00c1sia (532 milh\u00f5es). Cerca de dois ter\u00e7os das pessoas multidimensionalmente pobres (836 milh\u00f5es) vivem em fam\u00edlias em que nenhuma mulher ou menina completou pelo menos seis anos de escolaridade (Dados do PNUD, 2021).<\/p>\n<p>Estima-se que cerca de um d\u00e9cimo da popula\u00e7\u00e3o global \u2013 at\u00e9 811 milh\u00f5es de pessoas \u2013 passam fome, estando concentrada principalmente nos pa\u00edses da periferia global. Mais da metade de todas as pessoas subalimentadas e desnutridas (418 milh\u00f5es) vivem na \u00c1sia, mais de um ter\u00e7o (282 milh\u00f5es) na \u00c1frica e 60 milh\u00f5es na Am\u00e9rica Latina e no Caribe. A desigualdade de g\u00eanero no acesso a alimentos se aprofundou: para cada 10 homens com inseguran\u00e7a alimentar, havia 11 mulheres com inseguran\u00e7a alimentar em 2020 (comparados a 10,6 em 2019) (Dados da UNICEF, 2021).<\/p>\n<p>A desnutri\u00e7\u00e3o \u00e9 uma das piores faces da pobreza de crian\u00e7as e jovens. Em 2020, estima-se que mais de 149 milh\u00f5es de crian\u00e7as menores de 5 anos sofriam de desnutri\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica, ou eram muito baixas para sua idade, mais de 45 milh\u00f5es tinham desnutri\u00e7\u00e3o aguda, ou eram muito magras para sua altura e quase 39 milh\u00f5es estavam acima do peso.<\/p>\n<p>Como uma das regi\u00f5es com maior desigualdade no mundo, a Am\u00e9rica Latina e Caribe tiveram um aumento significativo na pobreza e extrema pobreza em 2020, alcan\u00e7ando n\u00edveis que n\u00e3o foram observados nos \u00faltimos 12 e 20 anos, respectivamente, bem como houve piora nos \u00edndices de desigualdade e nas taxas de ocupa\u00e7\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho, sobretudo das mulheres. A taxa de desocupa\u00e7\u00e3o regional situou-se em 10,7% no final de 2020 (aumento de 2,6 pontos percentuais em rela\u00e7\u00e3o a 2019). A queda generalizada do emprego afeta principalmente as mulheres jovens, trabalhadoras informais e migrantes. (Dados do Panorama Social da Am\u00e9rica Latina, CEPAL).<\/p>\n<p>Outra face da pobreza \u00e9 o trabalho infantil. No in\u00edcio de 2020, 160 milh\u00f5es de crian\u00e7as estavam trabalhando &#8211; um aumento de 8,4 milh\u00f5es de crian\u00e7as desde 2016. Isso equivale a quase 1 em cada 10 crian\u00e7as em todo o mundo. Ainda segundo as estat\u00edsticas, entre 2016 e 2020, o n\u00famero de crian\u00e7as de 5 a 17 anos que realizam trabalhos perigosos, isto \u00e9, todo trabalho suscet\u00edvel a prejudicar a sa\u00fade, seguran\u00e7a ou moral, subiu para 79 milh\u00f5es ( Dados da OIT).<\/p>\n<p>A feminiliza\u00e7\u00e3o da pobreza, em todas as fases da vida, est\u00e1 diretamente relacionada aos processos imperialistas, colonialistas e ao avan\u00e7o predat\u00f3rio do capitalismo no mundo, em especial nos pa\u00edses perif\u00e9ricos. O trip\u00e9 capitalismo, racismo e patriarcado se articula com mais intensidade nos momentos de crise promovendo a piora nas condi\u00e7\u00f5es de vida da ampla maioria da popula\u00e7\u00e3o em benef\u00edcio do 1% que concentra a maior parte da riqueza global e que se beneficia com a retirada de direitos trabalhistas, sociais, previdenci\u00e1rios, com o aumento do desemprego, da mis\u00e9ria e da fome, com a precariedade ou aus\u00eancia de pol\u00edticas de sa\u00fade e seguridade social e econ\u00f4mica.<\/p>\n<p><strong>Precariza\u00e7\u00e3o do trabalho<\/strong><\/p>\n<p>Apesar das lutas constantes das mulheres, a divis\u00e3o sexual do trabalho, mesmo com novas caracter\u00edsticas, se mant\u00e9m como elemento central para a reprodu\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho e do capital. As mulheres continuam ganhando menos que os homens, mesmo acumulando mais tempo de estudos em diversas profiss\u00f5es. Por outro lado, o cuidado dom\u00e9stico e dos filhos ainda \u00e9 exercido majoritariamente por mulheres, que acumulam m\u00faltiplas jornadas. Quando estudam e se organizam politicamente, essa sobrecarga \u00e9 ainda mais ampliada. A seletividade excludente na admiss\u00e3o de empregos devido \u00e0 maternidade, o cuidado familiar exclusivo (a maioria das chefes de fam\u00edlia s\u00e3o mulheres) e a ocupa\u00e7\u00e3o dos postos de trabalho mais precarizados s\u00e3o outros problemas centrais para as mulheres.<\/p>\n<p>A juventude \u00e9 um momento crucial da vida, em que jovens come\u00e7am a perceber as suas aspira\u00e7\u00f5es e tem possibilidade de assumir sua independ\u00eancia econ\u00f4mica. A crise global do capital tem dificultado a conquista do emprego para as jovens em termos de: i) aumento do desemprego, subemprego e condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias de inser\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho; ii) empregos de menor qualidade para aquelas que encontram trabalho, iii) maior desigualdade no mercado de trabalho iv) transi\u00e7\u00f5es da escola para o trabalho mais longas e inseguras, e v) afastamentos prolongados do mercado de trabalho.<\/p>\n<p>Outro aspecto a ser considerado \u00e9 a intensifica\u00e7\u00e3o do trabalho, que atinge as trabalhadoras precarizadas, submetidas a aceitar condi\u00e7\u00f5es de trabalho mais dif\u00edceis, mais penosas e sal\u00e1rios mais baixos. Um exemplo disso s\u00e3o os empregos em telemarketing e call centers, que t\u00eam uma grande rotatividade de empregados, intensifica\u00e7\u00e3o do trabalho, excesso de horas trabalhadas e baixos sal\u00e1rios. Esses trabalhos s\u00e3o desenvolvidos em cabines isoladas, sob um rigoroso controle e cobran\u00e7a intensa por metas, com a consequente perda do sentido de solidariedade entre as trabalhadoras.<\/p>\n<p>As mulheres ainda s\u00e3o maioria nos trabalhos relacionados ao cuidado, como entre as trabalhadoras da sa\u00fade e no trabalho dom\u00e9stico. O servi\u00e7o dom\u00e9stico \u00e9 um dos trabalhos mais prec\u00e1rios e com baixos sal\u00e1rios no mundo e a \u00fanica possibilidade de emprego para milhares de jovens. Na Regi\u00e3o da Am\u00e9rica Latina e Caribe, cerca de 91,1% das pessoas que realizam trabalho dom\u00e9stico remunerado na regi\u00e3o s\u00e3o mulheres. Das 14,8 milh\u00f5es de trabalhadoras dom\u00e9sticas contabilizadas na regi\u00e3o em 2019, 72,3% n\u00e3o t\u00eam acesso a um emprego formal. Para 725.000, os n\u00edveis de prote\u00e7\u00e3o legal s\u00e3o insuficientes ou inadequados e 10 milh\u00f5es carecem de cobertura devido \u00e0 n\u00e3o aplica\u00e7\u00e3o das leis e pol\u00edticas em vigor. ( DADOS DA OIT)<\/p>\n<p>Esses trabalhos mais prec\u00e1rios e rotativos dificultam ainda mais a organiza\u00e7\u00e3o das mulheres e jovens trabalhadoras. A organiza\u00e7\u00e3o sindical, que poderia ser um espa\u00e7o para organiza\u00e7\u00e3o pela luta por direitos e por melhores condi\u00e7\u00f5es de vida e trabalho, tem sido cada vez mais desarticulada e perseguida por governos reacion\u00e1rios e pelo conjunto de mecanismos burgueses. A precariza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m limita o acesso a esses espa\u00e7os, pois os empregos s\u00e3o cada vez mais rotativos e inst\u00e1veis. Por outro lado, os sindicatos t\u00eam tido cada vez mais dificuldades de existirem e se manterem como um espa\u00e7o de luta e organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por outro lado, a l\u00f3gica liberal do empreendedorismo e empoderamento agem na contram\u00e3o da emancipa\u00e7\u00e3o das mulheres da classe trabalhadora ao deslocarem a supera\u00e7\u00e3o das opress\u00f5es, fundadas na estrutura social de classes, para a cria\u00e7\u00e3o de alternativas individuais atrelada aos interesses do capital. O liberalismo busca cooptar as lutas hist\u00f3ricas das mulheres vendendo a ideia do empreendedorismo como solu\u00e7\u00e3o para um problema coletivo, criando ilus\u00f5es de que \u00e9 poss\u00edvel mudar a situa\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica de opress\u00f5es pela via do mercado. Sabemos que essa \u00e9 mais uma estrat\u00e9gia do capital para manter a domina\u00e7\u00e3o de classes e que as reais transforma\u00e7\u00f5es das nossas vidas s\u00f3 ser\u00e3o efetivas a partir da organiza\u00e7\u00e3o coletiva e da revolu\u00e7\u00e3o socialista.<\/p>\n<p>Por isso, a Federa\u00e7\u00e3o Democr\u00e1tica Internacional de Mulheres se coloca na luta por sal\u00e1rios iguais para trabalhos iguais, pela garantia de direitos trabalhistas e condi\u00e7\u00f5es dignas de trabalho para as jovens e para toda a classe trabalhadora. Nos colocamos contr\u00e1rias a todas as formas de trabalho precarizadas, que tem atingido principalmente as mulheres no mundo. Defendermos a organiza\u00e7\u00e3o sindical como espa\u00e7o fundamental de lutas das mulheres de nossa classe e o direito das mulheres se organizarem politicamente em qualquer pa\u00eds do mundo.<\/p>\n<p><strong>Igualdade no acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Em torno de 62 milh\u00f5es de meninas deixam de frequentar uma sala de aula diariamente devido a fome, pobreza, trabalho infantil, casamento for\u00e7ado, falta de seguran\u00e7a e saneamento b\u00e1sico. De acordo com a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Educa\u00e7\u00e3o, a Ci\u00eancia e a Cultura (Unesco), metade delas nunca mais voltar\u00e1 \u00e0 escola. Dois ter\u00e7os dos 758 milh\u00f5es de analfabetos do mundo s\u00e3o mulheres.<\/p>\n<p>A falta de escolaridade leva a um alto \u00edndice de mortalidade de mulheres e tamb\u00e9m a um alto \u00edndice de natalidade e, consequentemente, a n\u00edveis ainda maiores de mortalidade infantil e mortalidade no parto. Al\u00e9m da gravidez, as meninas sem informa\u00e7\u00e3o adquirem doen\u00e7as sexualmente transmiss\u00edveis mais cedo e mais facilmente. Sem educa\u00e7\u00e3o a vida sexual \u00e9 mais precoce e sem prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A falta de educa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m deixa as jovens mais expostas a viol\u00eancias sexuais diversas e a trabalhos mais prec\u00e1rios. A grande maioria das vezes \u00e9 na escola que as meninas saber\u00e3o que o corpo delas deve ser respeitado, que precisam se proteger de doen\u00e7as e, principalmente, como se proteger de gravidezes precoces.<\/p>\n<p>H\u00e1 pa\u00edses africanos e asi\u00e1ticos que ainda negam a educa\u00e7\u00e3o de uma maneira geral para as meninas: as raz\u00f5es podem ser culturais, sociais, religiosas ou por simples falta de estrutura.<\/p>\n<p>Quanto maior o n\u00edvel educacional das mulheres, alerta a Unesco, menor \u00e9 o n\u00famero de casamentos envolvendo crian\u00e7as. Uma menina que completa o ensino fundamental tem 14% menos chances de se casar precocemente. Com o ensino m\u00e9dio terminado a porcentagem aumenta para 60%. Os benef\u00edcios sociais da escola s\u00e3o extraordin\u00e1rios.<\/p>\n<p>H\u00e1 pa\u00edses da \u00c1frica e \u00c1sia que a educa\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 negada para meninas, devido a raz\u00f5es culturais, sociais ou simplesmente, por falta de acesso. Na Som\u00e1lia, por exemplo, estima-se que 95% das garotas entre 7 e 16 anos, nas comunidades mais pobres, nunca tenham ido para a escola. Na Nig\u00e9ria, h\u00e1 mais de 5 milh\u00f5es de estudantes do sexo feminino fora da sala de aula.<\/p>\n<p>Por outro lado, o trabalho infantil tamb\u00e9m dificulta o acesso \u00e0 escola, al\u00e9m de prejudicar as crian\u00e7as f\u00edsica e mentalmente, restringir seus direitos e limitar suas oportunidades futuras. De acordo com relat\u00f3rio do UNICEF, h\u00e1 100 milh\u00f5es de crian\u00e7as que ainda n\u00e3o recebem aulas presenciais. Milhares podem estar em risco de n\u00e3o retornar \u00e0 escola por falta de recursos familiares e programas de apoio do Estado que auxiliem essas fam\u00edlias para que n\u00e3o tenham que recorrer ao emprego de seus filhos e suas filhas.<\/p>\n<p>Defendemos que os governos aumentem os gastos com servi\u00e7os p\u00fablicos e, especialmente, em prote\u00e7\u00e3o social. Deve-se garantir o acesso universal \u00e0 educa\u00e7\u00e3o gratuita e de boa qualidade para ambos os sexos, com a reabertura das escolas de forma segura, medidas de seguran\u00e7a e sa\u00fade que permitam proteger estudantes, fam\u00edlias e professores. Por outro lado, \u00e9 defendemos que a educa\u00e7\u00e3o seja um direito garantido para todas as mulheres, crian\u00e7as e jovens do mundo e que haja uma rigorosa fiscaliza\u00e7\u00e3o para impedir o trabalho infantil. \u00c9 inadmiss\u00edvel ainda existirem crian\u00e7as e jovens que n\u00e3o podem acessar a educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Processos Migrat\u00f3rios<\/strong><\/p>\n<p>A mistura letal de guerras, COVID-19, pobreza, fome, desemprego e emerg\u00eancias clim\u00e1ticas agravou a situa\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria dos deslocados, a maioria dos quais est\u00e3o hospedados em pa\u00edses da periferia global. A tend\u00eancia ao aumento do deslocamento for\u00e7ado continuou em 2021 &#8211; com n\u00fameros globais superando 84 milh\u00f5es ( Dados da Ag\u00eancia da ONU para Refugiados ). A pandemia agravou as restri\u00e7\u00f5es de fronteiras, devido a transmissibilidade da COVID &#8211; 19, o que aumentou a limita\u00e7\u00e3o do acesso ao asilo em muitos locais.<\/p>\n<p>Os conflitos internos, dos quais muitos s\u00e3o estimulados e provocados pelo capital &#8211; imperialismo e pelas pot\u00eancias imperialistas, geram grande parte dos refugiados. No primeiro semestre de 2021, grande parte dos deslocamentos internos ocorreram na \u00c1frica, inclusive na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo ( 1,3 milh\u00e3o) e na Eti\u00f3pia ( 1,2 milh\u00f5es). As viol\u00eancias em Mianmar e no Afeganist\u00e3o tamb\u00e9m for\u00e7aram milhares de pessoas a deixarem suas casas entre janeiro e junho de 2021.<\/p>\n<p>As dificuldades socioecon\u00f4micas foram agravadas pela pandemia, o que agrava a situa\u00e7\u00e3o de domina\u00e7\u00e3o e viol\u00eancias \u00e0s refugiadas, deslocadas internamente e ap\u00e1tridas. Milh\u00f5es dessas jovens dependem de empregos prec\u00e1rios na economia informal, muitas das quais trabalham em condi\u00e7\u00f5es an\u00e1logas ao trabalho escravo. Em alguns contextos onde as fam\u00edlias s\u00e3o atingidas por conflitos, desastres, inseguran\u00e7a e pobreza crescente, as meninas s\u00e3o retiradas da escola para trabalhar, casar e, nos casos mais extremos, para serem vendidas.<\/p>\n<p>A desigualdade de g\u00eanero \u00e9 intensificada pelos deslocamentos for\u00e7ados. Existem um aumento mundial de relatos de viol\u00eancia de g\u00eanero, como viol\u00eancia dom\u00e9stica, estupros, casamentos for\u00e7ados e trabalho infantil. A viol\u00eancia sexual sempre foi uma arma usada para a submiss\u00e3o e controle de mulheres e crian\u00e7as. Milhares de mulheres imigrantes ou refugiadas est\u00e3o expostas \u00e0 fome e a priva\u00e7\u00f5es diversas, que as colocam em situa\u00e7\u00e3o ainda mais grave de vulnerabilidade \u00e0 viol\u00eancia sexual. Essas viol\u00eancias s\u00e3o realizadas tanto por homens nas situa\u00e7\u00f5es de conflitos, pessoas respons\u00e1veis pela travessias ou por militares que est\u00e3o trabalhando nas fronteiras ou em situa\u00e7\u00f5es de conflito.<\/p>\n<p>Nesse momento, presenciamos a crise na Ucr\u00e2nia, que chegou a seu auge no dia 24 de fevereiro, quando a R\u00fassia iniciou opera\u00e7\u00f5es militares no territ\u00f3rio ucraniano, tendo como pano de fundo a expans\u00e3o da OTAN (Organiza\u00e7\u00e3o do Tratado do Atl\u00e2ntico Norte) para o leste europeu, o avan\u00e7o de governos reacion\u00e1rios e de cunho fascista pelo mundo, a luta pela independ\u00eancia das Rep\u00fablicas de Donetsk e Lugansk, que enfrentam h\u00e1 oito anos os ataques fascistas de Kiev e as disputas capitalistas na regi\u00e3o. Os interesses dos EUA e da Uni\u00e3o Europeia em conter o fortalecimento internacional do bloco China-R\u00fassia se expressa na expans\u00e3o da OTAN, que j\u00e1 est\u00e1 presente em 14 pa\u00edses da regi\u00e3o, formando um cerco militar nas fronteiras russas. A rea\u00e7\u00e3o do antissovi\u00e9tico Putin, apresentada como se tivesse fins humanit\u00e1rios, pode ser importante para derrubar os neonazista de Kiev, por\u00e9m, representa os interesses capitalistas e expansionistas russos na regi\u00e3o. Essa guerra j\u00e1 est\u00e1 aumentando o n\u00famero de refugiadas e dificultando as condi\u00e7\u00f5es de vida na regi\u00e3o. A \u00fanica solu\u00e7\u00e3o para esse conflito passa pela luta independente da classe trabalhadora em n\u00edvel mundial contra o imperialismo dos EUA, da OTAN e o sistema capitalista.<\/p>\n<p>A Federa\u00e7\u00e3o Democr\u00e1tica Internacional de Mulheres se coloca contr\u00e1ria a todas as guerras imperialistas e toda a explora\u00e7\u00e3o capitalista, que produz processos migrat\u00f3rios e refugiados em todo o planeta. Nos colocamos contr\u00e1rias a todas as viol\u00eancias de g\u00eanero, sejam elas \u00e0s refugiadas ou a qualquer mulher no mundo. Nesse momento \u00e9 fundamental nos colocarmos contra toda a ofensiva neonazista, como a que ganhou o governo da Ucr\u00e2nia e tem violentado as\/os trabalhadores\/as das Rep\u00fablicas de Donetsk e Lugansk. Lutamos pelo fim da OTAN e de toda a sua ofensiva contra a classe trabalhadora do mundo.<\/p>\n<p><strong>CONCLUS\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<p>As rela\u00e7\u00f5es sociais de classe, sexo\/g\u00eanero e ra\u00e7a\/etnia est\u00e3o historicamente interligadas ao desenvolvimento do capitalismo, portanto, n\u00e3o podem ser analisadas e compreendidas separadamente. A vida das mulheres trabalhadoras, cis e trans, LBTs, PcDs, do campo e da cidade, ind\u00edgenas, quilombolas, ribeirinhas, das periferias urbanas est\u00e3o no centro das lutas da Federa\u00e7\u00e3o Democr\u00e1tica Internacional de Mulheres (FDIM). A media\u00e7\u00e3o entre as pautas imediatas, que perpassam a manuten\u00e7\u00e3o da vida e melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho, alimenta\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, moradia, transporte e a estrat\u00e9gia socialista, orientam nossa organiza\u00e7\u00e3o e a constru\u00e7\u00e3o do poder popular.<\/p>\n<p>Para erradicar totalmente a pobreza e sua feminiliza\u00e7\u00e3o, garantir o acesso pleno e universal \u00e0 educa\u00e7\u00e3o para mulheres, com rela\u00e7\u00f5es de trabalho dignas, n\u00e3o fundamentadas na divis\u00e3o sexual do trabalho e que contemplem as especificidades de mulheres m\u00e3es, PcDs, e toda diversidade que comp\u00f5e as mulheres da classe trabalhadora, \u00e9 fundamental enfrentar as ra\u00edzes desses problemas que se encontram nas rela\u00e7\u00f5es sociais de classe, sexo\/g\u00eanero, ra\u00e7a\/etnia. Em outras palavras, \u00e9 preciso derrotar o capitalismo para construir uma sociabilidade que permita nossa liberta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>FONTE DE DADOS:<br \/>\nhttps:\/\/www.unicef.org\/brazil\/comunicados-de-imprensa\/relatorio-da-onu-ano-pandemico-marcado-por-aumento-da-fome-no-mundo<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"ioms2oz5Wy\"><p><a href=\"https:\/\/data.unicef.org\/resources\/sofi-2021\/\">The State of Food Security and Nutrition in the World 2021<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;The State of Food Security and Nutrition in the World 2021&#8221; &#8212; UNICEF DATA\" src=\"https:\/\/data.unicef.org\/resources\/sofi-2021\/embed\/#?secret=ioms2oz5Wy\" data-secret=\"ioms2oz5Wy\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"duN4V6QKSm\"><p><a href=\"https:\/\/www.acnur.org\/portugues\/2022\/03\/09\/conflitos-crise-climatica-e-covid-19-agravam-desigualdades-para-mulheres-e-meninas-deslocadas\/\">Conflitos, crise clim\u00e1tica e Covid-19 agravam desigualdades para mulheres e meninas deslocadas<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;Conflitos, crise clim\u00e1tica e Covid-19 agravam desigualdades para mulheres e meninas deslocadas&#8221; &#8212; UNHCR ACNUR Brasil\" src=\"https:\/\/www.acnur.org\/portugues\/2022\/03\/09\/conflitos-crise-climatica-e-covid-19-agravam-desigualdades-para-mulheres-e-meninas-deslocadas\/embed\/#?secret=duN4V6QKSm\" data-secret=\"duN4V6QKSm\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><br \/>\nhttps:\/\/www.cepal.org\/es\/publicaciones\/46687-panorama-social-america-latina-2020<br \/>\nhttps:\/\/conexaoplaneta.com.br\/blog\/mais-de-60-milhoes-de-meninas-nao-tem-acesso-educacao-no-mundo\/#fechar<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/28596\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"\"O liberalismo busca cooptar as lutas hist\u00f3ricas das mulheres vendendo a ideia do empreendedorismo como solu\u00e7\u00e3o para um problema coletivo, criando ilus\u00f5es de que \u00e9 poss\u00edvel mudar a situa\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica de opress\u00f5es pela via do mercado.\"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[22],"tags":[222],"class_list":["post-28596","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c3-coletivo-ana-montenegro","tag-2b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-7re","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28596","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28596"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28596\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28596"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28596"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28596"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}