{"id":28598,"date":"2022-03-23T10:00:10","date_gmt":"2022-03-23T13:00:10","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=28598"},"modified":"2022-03-22T22:26:28","modified_gmt":"2022-03-23T01:26:28","slug":"122-anos-de-gregorio-bezerra-feito-de-ferro-e-flor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/28598","title":{"rendered":"122 anos de Greg\u00f3rio Bezerra, &#8220;feito de ferro e flor&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/lavrapalavra.com\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/image-7.png?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"imagem\" \/><!--more--><\/p>\n<p><strong>Por Roberto Arrais, membro do Comit\u00ea Central do PCB<\/strong><\/p>\n<p>No dia 13 de mar\u00e7o de 1900 nasceu Greg\u00f3rio Bezerra, no s\u00edtio Moc\u00f3s, no munic\u00edpio de Panelas, agreste pernambucano.<\/p>\n<p>Ele viveu o que grande parte da popula\u00e7\u00e3o trabalhadora viveu e vive: o trabalho infantil, aos 4 anos de idade, ajudando a fam\u00edlia na lavoura, crian\u00e7a abandonada nas ruas do Recife, aos 10 anos, carregador de frete, vendedor de jornais, ajudante de pedreiro, sua sonhada profiss\u00e3o. Em 1917 participa da greve geral que ganhou grande parte do pa\u00eds, pela jornada de 8 horas de trabalho e condi\u00e7\u00f5es de trabalho digno. Na sua participa\u00e7\u00e3o no movimento grevista ele enfrenta a viol\u00eancia policial e \u00e9 preso, ainda aos 17 anos de idade, ficando por mais de cinco anos encarcerado na Casa de Deten\u00e7\u00e3o do Recife, hoje Casa da Cultura de Pernambuco.<\/p>\n<p>A classe trabalhadora brasileira ainda vive grande parte dessas agruras que mutilam as popula\u00e7\u00f5es camponesas, quilombolas, ind\u00edgenas e moradoras das periferias das cidades brasileiras. \u00c9 o que assistimos nos pres\u00eddios brasileiros, onde se tem como seus inquilinos cerca de 90% da popula\u00e7\u00e3o negra e pobre das periferias, os quais ficam anos aguardando processos e decis\u00f5es que dormem nas gavetas do judici\u00e1rio, em grande parte vinculado aos interesses das elites e das pessoas dos \u201cbens\u201d.<\/p>\n<p>Greg\u00f3rio Bezerra foi eternizado como her\u00f3i do povo brasileiro, n\u00e3o por seu desejo e vontade, mas foi se transformando pela sua bravura, dedica\u00e7\u00e3o incondicional \u00e0 luta da classe, fidelidade \u00e0 luta popular, pela resist\u00eancia nos seus 22 anos de pris\u00e3o, nos anos de luta clandestina, no ex\u00edlio, nos seus mais de 50 anos de milit\u00e2ncia no Partido Comunista Brasileiro, lutando pela revolu\u00e7\u00e3o socialista.<\/p>\n<p>Greg\u00f3rio continua presente na luta pela reforma agr\u00e1ria, que foi uma de suas principais bandeiras, onde carregava sua raiz camponesa, continua presente na voz do que lutam por habita\u00e7\u00e3o, pela igualdade de g\u00eanero, que n\u00e3o aceitam qualquer forma de discrimina\u00e7\u00e3o, seja de ra\u00e7a, de g\u00eanero, de etnia, continua presente nos encarcerados e torturados, nos sem terra, sem teto, sem direitos humanos garantidos, e est\u00e1 presente nos que resistem e lutam como as popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas, negras e negros, LGBTs, trabalhadores e trabalhadoras, servidores e servidoras, os\/as ambientalistas, que defendem uma sociedade igualit\u00e1ria, sem explora\u00e7\u00e3o do homem pelo pr\u00f3prio homem, com sustentabilidade ambiental, justi\u00e7a social e igualdade econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>Greg\u00f3rio \u00e9 lembrado e homenageado atrav\u00e9s de logradouros p\u00fablicos, movimentos, hist\u00f3ria e atrav\u00e9s de obras liter\u00e1rias, escritas sobre ele e por ele, como a sua autobiografia, que foi editada inicialmente pela editora Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira em dois volumes e pela Editora Boitempo, que juntou os dois volumes num s\u00f3 e acrescentou fotos e textos sobre ele. Esse livro escrito no ex\u00edlio, entre 1969 e 1979, \u00e9 um livro que fala de sua vida e trajet\u00f3ria, com forte emo\u00e7\u00e3o pelas duras passagens de sua inf\u00e2ncia, as pris\u00f5es, as torturas sofridas, especialmente em 1964, quando foi arrastado e espancado pelas ruas do Bairro da Casa Forte no Recife, pelo ex\u00e9rcito que tentou enforc\u00e1-lo numa das principais pra\u00e7as, concebida pelo paisagista Burle Marx, com o mesmo nome do Bairro, Casa Forte, mas que foi impedido gra\u00e7as \u00e0 solidariedade e indigna\u00e7\u00e3o popular e das freiras do Col\u00e9gio Sagrada Fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Infelizmente alguns desses logradouros se encontram abandonados, como o da \u201cPonte Greg\u00f3rio Bezerra\u201d e a \u201cPra\u00e7a Greg\u00f3rio Bezerra\u201d no bairro da Torre, ambos no Recife, a cidade onde mais tempo viveu sua vida. \u00c9 preciso cobrar responsabilidade dos gestores p\u00fablicos nessa pol\u00edtica de preserva\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria e dos monumentos e logradouros que os homenageiam, porque isso \u00e9 hist\u00f3ria, \u00e9 exemplo, \u00e9 cidadania.<\/p>\n<p>Tem outro monumento que concebemos, sonhamos e solicitamos a um dos seus camaradas, o grande arquiteto, dos maiores do mundo, Oscar Niemeyer, que o doou em forma de concep\u00e7\u00e3o e que, junto com outro arquiteto seu colaborador e companheiro de escrit\u00f3rio, Jair Valera, transformaram em projeto de arquitetura, que \u00e9 o \u201cMemorial Greg\u00f3rio Bezerra\u201d, para ser constru\u00eddo na sua cidade natal, em Panelas, Pernambuco. Esse Memorial foi concebido no ano do Centen\u00e1rio de nascimento de Greg\u00f3rio, em 2000. A gest\u00e3o do atual prefeito se comprometeu em retomar esse projeto, para garantir que em sua terra, al\u00e9m da Escola que carrega seu nome, tamb\u00e9m abrigue a sua mem\u00f3ria, sua hist\u00f3ria e que possa servir de exemplo para as atuais e futuras gera\u00e7\u00f5es como exemplo e inspira\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 importante lembrar-se de Greg\u00f3rio todos os dias, especialmente no m\u00eas em que o PCB comemora seu centen\u00e1rio de exist\u00eancia, que tem nele um de seus mais destacados quadros militantes, que enche de orgulho a todos e todas, especialmente a juventude que se organiza e segura firmemente o bast\u00e3o da luta socialista.<\/p>\n<p>O poeta Ferreira Gullar, autor de um poema em que destacou a trajet\u00f3ria deste her\u00f3i, denominado de \u201cHist\u00f3ria de um Valente\u201d, conseguiu sintetizar essa figura extraordin\u00e1ria do movimento de luta dos trabalhadores e das trabalhadoras brasileiras, dizendo: \u201c(&#8230;) Valentes, conheci muitos,\/ E valent\u00f5es, muito mais,\/ uns s\u00f3 Valente no nome\/ uns outros s\u00f3 de cartaz,\/ uns valentes pela fome,\/ outros, por comer demais,\/ sem falar dos que s\u00e3o homem\/ s\u00f3 com capangas atr\u00e1s.\/ (&#8230;) Mas existe nessa terra\/ muito homem de valor\/ que \u00e9 bravo sem matar gente\/ mas n\u00e3o teme matador,\/que gosta de sua gente\/e que luta a seu favor,\/ como Greg\u00f3rio Bezerra,\/ feito de ferro e de flor. (&#8230;)\u201d.<\/p>\n<p>(Texto e foto \u2013 Roberto Arrais \u2013 Jornalista e membro do CC do PCB)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/28598\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"\"Greg\u00f3rio Bezerra foi eternizado como her\u00f3i do povo brasileiro n\u00e3o por seu desejo e vontade, mas pela sua dedica\u00e7\u00e3o incondicional \u00e0 luta da classe, nos seus mais de 50 anos de milit\u00e2ncia no Partido Comunista Brasileiro, lutando pela revolu\u00e7\u00e3o socialista.\"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[365],"tags":[225],"class_list":["post-28598","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-centenario-do-pcb","tag-4a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-7rg","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28598","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28598"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28598\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28598"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28598"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28598"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}