{"id":28609,"date":"2022-03-25T15:36:17","date_gmt":"2022-03-25T18:36:17","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=28609"},"modified":"2022-03-31T16:17:55","modified_gmt":"2022-03-31T19:17:55","slug":"um-enorme-coracao-vermelho-que-continua-pulsando","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/28609","title":{"rendered":"Um enorme cora\u00e7\u00e3o vermelho que continua pulsando"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/boitempoeditorial.files.wordpress.com\/2022\/03\/image-4.png?w=747\" alt=\"imagem\" \/><!--more--><\/p>\n<p><strong>Por Mauro Iasi,\u00a0Via BLOG DA <a href=\"https:\/\/blogdaboitempo.com.br\/2022\/03\/25\/os-100-anos-do-pcb-um-enorme-coracao-vermelho-que-continua-pulsando\/#prettyPhoto\">BOITEMPO<\/a><\/strong><\/p>\n<p>Nesta longa luta os comunistas aprenderam com a hist\u00f3ria a renascer sempre. Perseguidos, presos, mortos, viraram ossos e pedras, ra\u00edzes e rios, mem\u00f3ria e reconhecimento, terra e semente, at\u00e9 que germinaram novamente, para desespero dos algozes que tentam impedir o futuro. Nossa vingan\u00e7a \u00e9 renascer.<\/p>\n<p>Sua inf\u00e2ncia foi como de todas as crian\u00e7as naquela \u00e9poca. Trabalhava mais de dez horas em uma f\u00e1brica escura, respirando a fuligem que tomava todo o ar do velho galp\u00e3o. Seus pais eram camponeses e vieram de outras partes do mundo, fugindo da guerra ou da fome, embrulharam seus pertences em grossos panos pretos e embarcaram em navios lotados de medo e esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>N\u00e3o se via muito \u00e0 frente na grossa neblina que a proa do navio cortava na noite. Por conta da cor da noite, da lembran\u00e7a dos mortos, do vestido das mulheres de a\u00e7o e flor, costurou-se uma bandeira negra e sob ela se lutava e cantavam c\u00e2nticos antigos de outras lutas contra a explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel mudar o mundo, fazer um mundo de todos, precisamos de ferramentas, de terra, de trigo e de nossos bra\u00e7os, sem governo e sem patr\u00f5es, onde o amor habite o cora\u00e7\u00e3o dos homens e n\u00e3o as alturas inating\u00edveis de um c\u00e9u povoado por mortos. Nos ajud\u00e1vamos, cuid\u00e1vamos dos doentes e das vi\u00favas, nos reun\u00edamos nos parques para falar de nossos sonhos libert\u00e1rios e dos caminhos para construir futuros feitos de p\u00e3o, vinho e liberdade. Fomos anarquistas.<\/p>\n<p>Corria o ano de 1917. Clam\u00e1vamos por sal\u00e1rios dignos, jornadas de trabalho de oito horas, proibi\u00e7\u00e3o do trabalho de crian\u00e7as. A resposta dos poderosos era o sabre e as balas. Balas que assassinaram o sapateiro pobre e seu sangue nos uniu a todos. A cidade, por um tempo, foi nossa e escrevemos em uma grande faixa: \u201caquele que n\u00e3o trabalha, n\u00e3o come\u201d. O negro de nossos casacos pu\u00eddos e dos vestidos antiquados, misturou-se \u00e0s costas lanhadas por chibatas, eles tamb\u00e9m transportados em navios de medo, tamb\u00e9m eles, negra e secular resist\u00eancia. E gritamos: basta!<\/p>\n<p>Corria o ano de 1917. Do outro lado do mundo tamb\u00e9m se ouvia os gritos da revolta, foice ceifando o passado para transform\u00e1-lo em p\u00e3o, martelos forjando o a\u00e7o elevando fa\u00edscas brilhantes que se transformavam em estrelas costuradas no corpo negro da noite. N\u00f3s os ouv\u00edamos, como um eco distante de n\u00f3s mesmos, como se ao atravessar oceanos desde a \u00c1frica ou da Europa fossemos deixando pelas \u00e1guas revoltas uma linha invis\u00edvel que nos unia, feita de l\u00e1grimas e sangue, de luta e esperan\u00e7a. Aqui se ouvia basta, l\u00e1 se ouviu o grande estrondo de uma velha ordem ruindo, com seus reis e castelos, com seus m\u00edsticos conselheiros e generais com uniformes cheios de gale\u00f5es e medalhas. O mundo podia mudar. N\u00e3o era apenas a substitui\u00e7\u00e3o de mantos reais por cartolas e fraques, eram oper\u00e1rios e camponeses, soldados e marinheiros, mulheres e homens, povos com l\u00ednguas e fei\u00e7\u00f5es distintas que se levantavam para construir seu pr\u00f3prio mundo livre dos exploradores.<\/p>\n<p>Aqui e l\u00e1 o sangue correu mais uma vez. L\u00e1 para receber o futuro e fertilizar o solo para o plantio, aqui para coagular sob velhas feridas e deixar em nossa carne novas cicatrizes. Aqui n\u00e3o foi o futuro que veio, mas um passado renitente e ardiloso, mais uma vez as pris\u00f5es, mais uma vez o desterro. Muitos foram presos em navios. Parece que navios fazem parte de nossa sina, navegamos sempre acorrentados, sempre levados a outro mundo que n\u00e3o ser\u00e1 nosso e n\u00e3o ser\u00e1 novo.<\/p>\n<p>Mas, o sol nascia no oriente. Pod\u00edamos sentir seu calor expulsando as trevas. O sangue flu\u00eda pelas linhas invis\u00edveis que tra\u00e7amos no mapa, como se o mundo fosse um s\u00f3 corpo, como se nossa voz proclamasse um s\u00f3 idioma em v\u00e1rias l\u00ednguas, como se ao mesmo tempo em que est\u00e1vamos ainda presos aqui, est\u00e1vamos livres l\u00e1 longe depois dos mares que nos trouxeram. Sorvemos o vinho tinto do nosso sangue distante, indagamos por seus caminhos e olhamos para nossos passos. Enquanto o escuro da noite ia se desfazendo diante de uma aurora radiante, tingindo nuvens, mares e montes com seu profundo escarlate, levantamos nossas bandeiras e elas eram vermelhas. Nelas n\u00e3o haviam bras\u00f5es, drag\u00f5es ou le\u00f5es, nem flor de lis, nem cruzes, linhas brit\u00e2nicas, utopias francesas ou listras americanas, era apenas um enorme cora\u00e7\u00e3o vermelho do tamanho do planeta. Bordamos nela dois instrumentos de trabalho com que ceif\u00e1vamos e forj\u00e1vamos, uma foice camponesa e um martelo oper\u00e1rio. Nos tornamos comunistas.<\/p>\n<p>Corria o ano de 1922. Sent\u00edamos em nossas entranhas o novo germinando inquieto. Oper\u00e1rios erguendo suas cabe\u00e7as orgulhosos, jovens exercendo o sagrado crime da recusa, soldados marchando n\u00e3o mais em nome de seus generais, poetas reinventando as palavras, pintoras criando as formas e cores de outro mundo que n\u00e3o aquele que morria, m\u00fasicas, a eterna rebeldia do som se recriando em novas melodias costuradas pelas velhas notas. Quer\u00edamos ser modernos, abaixo os arca\u00edsmos olig\u00e1rquicos, suas vestes e seus casar\u00f5es, abaixo o burgu\u00eas funesto.<\/p>\n<p>Corria o ano de 1922. Trabalhadores se re\u00fanem em Niter\u00f3i e proclamam: somos parte deste sonho e desta luta, n\u00f3s os acompanharemos pela trilha da emancipa\u00e7\u00e3o, somos parte da humanidade e nosso compromisso \u00e9 libert\u00e1-la da opress\u00e3o e da mis\u00e9ria, somos parte do mundo que abrindo os olhos reconheceu seus grilh\u00f5es e conseguiu ver as ferramentas para romp\u00ea-los, o sabemos em nossa carne e nosso sangue, mas aprenderemos em nossas consci\u00eancias desvendando as determina\u00e7\u00f5es do mundo para al\u00e9m das apar\u00eancias que as escondem; somos marxistas, somos comunistas. E assim se fizeram parte, se fizeram partido e nasceu o PCB, Se\u00e7\u00e3o Brasileira da Internacional Comunista.<\/p>\n<p>Corriam os anos. O primeiro candidato oper\u00e1rio \u00e0 presid\u00eancia da Rep\u00fablica, Minervino de Oliveira, oper\u00e1rio marmorista negro e comunista. O Bloco Oper\u00e1rio e Campon\u00eas, sindicatos e associa\u00e7\u00f5es, campanhas e lutas, persegui\u00e7\u00f5es e \u00f3dio, clandestinidade, pris\u00f5es e mortes acolhidas pelo imenso cora\u00e7\u00e3o vermelho de nossa bandeira.<\/p>\n<p>Em um ano como este, um tenente se rebela e percorre o que ainda n\u00e3o era um pa\u00eds. Revela-se a mis\u00e9ria e a fome que as cortinas olig\u00e1rquicas escondiam. Cavalga sem nunca ser derrotado empunhando nossa esperan\u00e7a at\u00e9 que encontrou nossa bandeira. Luiz Carlos Prestes agora \u00e9 um comunista, para nunca mais deixar de s\u00ea-lo, agora a esperan\u00e7a \u00e9 comunista e percorrer\u00e1 aquilo que quer ser e ser\u00e1 um pa\u00eds.<\/p>\n<p>Corriam os anos. Corriam as d\u00e9cadas. Lutas, resist\u00eancia, clandestinidade, her\u00f3is e m\u00e1rtires, ditaduras e democracias. Um enorme cora\u00e7\u00e3o vermelho pulsa como uma esperan\u00e7a que acolhe os que sofrem e lutam e como \u00e9 um cora\u00e7\u00e3o acolhe poetas e pintores, artistas e intelectuais. As veias espalhadas pelo corpo do mundo nos fazem uma s\u00f3 classe.<\/p>\n<p>Os comunistas olham o mundo que querem mudar. Os comunistas procuram entender o mundo que precisa ser mudado. Os comunistas lutam para mudar o mundo. \u201cOs comunistas guardam sonhos\u201d. Nesta longa luta os comunistas aprenderam com a hist\u00f3ria a renascer sempre. Perseguidos, presos, mortos, os comunistas viraram ossos e pedras, ra\u00edzes e rios, mem\u00f3ria e reconhecimento, terra e semente, at\u00e9 que germinaram novamente, para desespero dos algozes que tentam impedir o futuro. Nossa vingan\u00e7a \u00e9 renascer.<\/p>\n<p>E correu um s\u00e9culo, com todos seus minutos e horas, seus dias e meses, seus anos e d\u00e9cadas. N\u00f3s comunistas est\u00e1vamos em cada segundo deste s\u00e9culo. Cem anos e n\u00f3s estamos aqui. Nossos carrascos est\u00e3o sepultados sob tumbas majestosas, seus nomes ostentam cidades sujas e avenidas frias enquanto suas almas apodrecem na ignom\u00ednia. Os comunistas renascem em seu grande cora\u00e7\u00e3o vermelho e suas ferramentas de trabalho. Nosso corpo conhece o frio da noite, mas tamb\u00e9m a certeza da aurora, nossos olhos viram as trevas da morte, mas tamb\u00e9m a alegria da vida, a dor de derrotas e o sabor das vit\u00f3rias, carregamos em nossa bagagem nossas gl\u00f3rias e desacertos, crimes e desvios que n\u00e3o esquecemos para n\u00e3o repeti-los. Nosso corpo \u00e9 o planeta e nossa alma a humanidade.<\/p>\n<p>Come\u00e7ou um novo s\u00e9culo. Os comunistas se re\u00fanem e olham o mundo. Perguntam-se: ainda h\u00e1 explora\u00e7\u00e3o? Aqueles que trabalham s\u00e3o privados da riqueza que produzem por uma classe de parasitas? O mundo e a humanidade est\u00e3o em perigo diante da explora\u00e7\u00e3o do capital e seus senhores? Ent\u00e3o in\u00fameras veias espalhadas pelo corpo do planeta bombeiam sangue em um velho cora\u00e7\u00e3o e levantamos nossa estandarte vermelho com uma foice e um martelo, nos preparamos para mais 100 anos e repetimos com nosso amado arquiteto comunista: \u201cenquanto houver mis\u00e9ria e opress\u00e3o, ser comunista \u00e9 a nossa decis\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Viva os 100 anos do PCB!<\/p>\n<p>Na foto que abre o artigo, os fundadores do Partido Comunista Brasileiro (PCB), em mar\u00e7o de 1922. De p\u00e9, da esquerda para a direita: Manuel Cendon, Joaquim Barbosa, AstroJildo Pereira, Jo\u00e3o da Costa Pimenta, Lu\u00eds Peres e Jos\u00e9 Elias da Silva; sentados, da esquerda para a direita: Hermog\u00eanio Silva, Ab\u00edlio de Nequete e Cristiano Cordeiro.<\/p>\n<p>Quando e por que nascemos, por Mauro Iasi<br \/>\nN\u00e3o sei quantos anos temos.<br \/>\nSei que festejamos hoje 100 anos<br \/>\nporque nascemos em 1922.<br \/>\nMas, talvez tenha sido antes,<br \/>\ntalvez tenhamos nascido em 1917<br \/>\nquando os trabalhadores russos<br \/>\niniciaram a constru\u00e7\u00e3o do futuro,<br \/>\nou foi em 1919 quando na Internacional<br \/>\nsonhamos sonhos planet\u00e1rios.<br \/>\nTalvez tenha sido antes ainda.<br \/>\nEm 1871, na Paris Revolucion\u00e1ria da Comuna<br \/>\nou em 1848, quando os trabalhadores<br \/>\nlevantaram-se para falar com sua pr\u00f3pria voz.<br \/>\nN\u00e3o sei, mas talvez tenha sido antes.<br \/>\nQuando dois alem\u00e3es se encontraram<br \/>\ne viram o mundo atrav\u00e9s de nossos olhos<br \/>\nnos mostrando o caminho da emancipa\u00e7\u00e3o.<br \/>\nMas talvez n\u00e3o.<br \/>\nTalvez tenha sido h\u00e1 muito mais tempo:<br \/>\nquando um trabalhador<br \/>\nolhou para suas m\u00e3os<br \/>\ne percebeu que n\u00e3o eram mais suas m\u00e3os.<br \/>\nQuando olhou para seus p\u00e9s e viu<br \/>\nque a terra n\u00e3o era mais a sua terra.<br \/>\nN\u00e3o sei, mas acredito que foi ali que nascemos.<br \/>\nTalvez por isso \u00e9 que nascemos.<br \/>\nTalvez por isso vivemos tanto tempo.<br \/>\nTalvez por isso resistimos.<br \/>\nTalvez por isso estejamos aqui hoje<br \/>\npara dizer aos trabalhadores:<br \/>\n\u2014 Olha, esta s\u00e3o suas m\u00e3os,<br \/>\ns\u00e3o seus os produtos do trabalho.<br \/>\n\u2014 Olha, esta \u00e9 tua terra,<br \/>\ns\u00e3o nossos seus frutos.<br \/>\n\u2014 Coragem, levanta a cabe\u00e7a e veja:<br \/>\nolha este sol que se insinua<br \/>\npor tr\u00e1s das nuvens que o escondia.<br \/>\nN\u00e3o h\u00e1 noite t\u00e3o longa que derrote o dia.<br \/>\nVeja como tinge de vermelho o universo.<br \/>\n\u2014 Levanta tua m\u00e3o, camarada, assim\u2026<br \/>\nagora fecha o punho, isso\u2026<br \/>\nLembra como era aquela can\u00e7\u00e3o?<br \/>\nCoragem, voc\u00eas nunca estar\u00e3o sozinhos<br \/>\nPorque aqui estamos camaradas.<br \/>\nPor isso nascemos.<br \/>\nPor isso lutamos tanto.<br \/>\nPor isso sobrevivemos.<br \/>\n\u00c9 por voc\u00eas camaradas<br \/>\nque fomos, que somos, que seremos<br \/>\nsempre<br \/>\nComunistas!<\/p>\n<p>***<br \/>\nConfira o \u00faltimo Caf\u00e9 Bolchevique, coluna mensal de Mauro Iasi na TV Boitempo, em que ele comenta os 100 anos do PCB e a atualidade da luta comunista:<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>Mauro Iasi \u00e9 professor adjunto da Escola de Servi\u00e7o Social da UFRJ, pesquisador do NEPEM (N\u00facleo de Estudos e Pesquisas Marxistas), do NEP 13 de Maio e membro do Comit\u00ea Central do PCB. \u00c9 autor do livro O dilema de Hamlet: o ser e o n\u00e3o ser da consci\u00eancia (Boitempo, 2002) e colabora com os livros Cidades rebeldes: Passe Livre e as manifesta\u00e7\u00f5es que tomaram as ruas do Brasil e Gy\u00f6rgy Luk\u00e1cs e a emancipa\u00e7\u00e3o humana (Boitempo, 2013), organizado por Marcos Del Roio. Colabora para o Blog da Boitempo mensalmente, \u00e0s quartas. Na TV Boitempo, apresenta o Caf\u00e9 Bolchevique, um encontro mensal para discutir conceitos-chave da tradi\u00e7\u00e3o marxista a partir de reflex\u00f5es sobre a conjuntura.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/28609\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"\"Trabalhadores, se re\u00fanem em Niter\u00f3i e proclamam: somos parte deste sonho e desta luta, n\u00f3s os acompanharemos pela trilha da emancipa\u00e7\u00e3o; somos marxistas, somos comunistas. 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