{"id":28617,"date":"2022-03-29T09:45:11","date_gmt":"2022-03-29T12:45:11","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=28617"},"modified":"2022-03-29T09:45:11","modified_gmt":"2022-03-29T12:45:11","slug":"o-revolucionario-direito-ao-odio-de-classe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/28617","title":{"rendered":"O revolucion\u00e1rio direito ao \u00f3dio de classe"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/1.bp.blogspot.com\/-59vtiORjvdA\/XRGeAuSw6dI\/AAAAAAAAJC0\/n4An-DwqgzIV_zKvy_SxybvAjONx9bdNQCLcBGAs\/s1600\/burgueses%2Be%2Bproletarios%2Bprofessorjunioronline.jpg?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"imagem\" \/><!--more--><\/p>\n<p>Por C\u00e9sar Su\u00e1rez, via El Machete &#8211; \u00f3rg\u00e3o oficial do Partido Comunista do M\u00e9xico<\/p>\n<p>Em sua obra &#8220;Juventude e moralidade sexual&#8221;, Alexandra Kollontai explorou a base material do sentimento de amor, ou seja, as rela\u00e7\u00f5es entre os seres humanos, que em nossa \u00e9poca de propriedade e divis\u00e3o social em classes, ainda s\u00e3o predominantemente rela\u00e7\u00f5es de poder. No entanto, Kollontai prop\u00f5e que no futuro, no socialismo haver\u00e1 (e j\u00e1 no presente entre a classe trabalhadora come\u00e7a a se desenhar assim) uma grande rela\u00e7\u00e3o de camaradagem. E quem escreve estas linhas sente que Che chegou \u00e0 mesma conclus\u00e3o quando afirmou que todos os revolucion\u00e1rios s\u00e3o movidos pelo mais profundo sentimento de amor.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, o amor s\u00f3 pode existir quando ambas as partes est\u00e3o de acordo. Se as partes est\u00e3o em oposi\u00e7\u00e3o, s\u00e3o outros sentimentos que brotam. O mais comum costuma ser o \u00f3dio.<\/p>\n<p>Dentre esses se destaca, pelo interesse deste escrito, aquele que se coloca da parte da classe trabalhadora e dos despossu\u00eddos contra os patr\u00f5es, seus subordinados e seu Estado. \u00c9 sempre visto nos v\u00e1rios confrontos pelo mundo, e desse \u00f3dio, por exemplo, d\u00e3o testemunho artistas do hip-hop, quando falam do \u00f3dio que os moradores de bairros populares e da periferia sentem contra a pol\u00edcia, assim como o rap ou grupos de punk, mas tamb\u00e9m o cinema e a literatura.<\/p>\n<p>De onde se origina esse \u00f3dio? Do conflito de interesses. Pois a classe trabalhadora quer, exige e luta por um sal\u00e1rio mais alto para viver dignamente, enquanto todos aqueles que passaram para o lado dos patr\u00f5es (ou seja, gerentes, supervisores, policiais e funcion\u00e1rios p\u00fablicos) se esfor\u00e7am para negar essa reivindica\u00e7\u00e3o. Para conquistar e convencer os trabalhadores de que suas demandas n\u00e3o t\u00eam fundamento ou possibilidade de serem satisfeitas, eles mentem, humilham ou intimidam. Todos n\u00f3s que trabalhamos para um chefe j\u00e1 passamos por isso: \u201c\u00e9 que voc\u00ea precisa nos mostrar que voc\u00ea vale a pena antes de pagarmos o que voc\u00ea pede\u201d (que \u00e9 realmente o que precisamos); &#8220;n\u00e3o podemos pagar horas extras porque n\u00e3o h\u00e1 or\u00e7amento para o projeto&#8221; (mas o patr\u00e3o manda os filhos para uma escola particular); \u201cas di\u00e1rias s\u00e3o um apoio\u201d (na realidade \u00e9 um dever do empregador, porque trabalhar fora da cidade \u00e9 ordem do empregador); &#8220;pare de agitar seus colegas de trabalho porque voc\u00ea est\u00e1 nos causando problemas&#8221; (mas sal\u00e1rios baixos e excesso de trabalho s\u00e3o o verdadeiro problema).<\/p>\n<p>Subjacente a cada uma dessas situa\u00e7\u00f5es desagrad\u00e1veis est\u00e1 a nega\u00e7\u00e3o do direito de ganhar o suficiente para viver com dignidade, favorecendo assim o empregador. Em todos esses casos, esse \u00f3dio \u00e9 justificado. Enquanto nossa classe vive na mis\u00e9ria, eles vivem no luxo, com viagens caras, jantares e carros de luxo. Sua opul\u00eancia \u00e9 sustentada pela pobreza generalizada em que nossa classe vive. E \u00e9 a\u00ed que surge o \u00f3dio aos gerentes, supervisores e policiais, que pertencem ao grupo dos despossu\u00eddos, mas abrem m\u00e3o de suas consci\u00eancias, e com elas sua dignidade e orgulho de classe, em troca de maior retribui\u00e7\u00e3o, e assim se tornam inimigos do trabalhador.<\/p>\n<p>Agora, do ponto de vista da nossa classe, todos n\u00f3s temos vidas, temos fam\u00edlias e pessoas que dependem do nosso trabalho para viver. Nisso nos assemelhamos a esses inimigos. Mas \u00e9 a\u00ed que as diferen\u00e7as terminam, porque, enquanto nossa consci\u00eancia nos faz trabalhar duro e sem passar por cima dos outros, eles realmente se esfor\u00e7am para nos fazer sentir que n\u00e3o merecemos viver-bem-gra\u00e7as-a-nosso-trabalho ao qual aspiramos. \u00c9 por isso que n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil perdo\u00e1-los ou sentir empatia por eles. Porque eles escolheram confrontar a nossa classe para seu pr\u00f3prio benef\u00edcio. Decidiram renunciar \u00e0 fraternidade com seus irm\u00e3os de classe em favor dos patr\u00f5es, para se beneficiarem.<\/p>\n<p>Embora sejam pessoas e com isso mostrem do que \u00e9 feita sua consci\u00eancia, esses confrontos e esse \u00f3dio devem ir para al\u00e9m do n\u00edvel pessoal. Porque seu menosprezo costuma fazer parte de seu trabalho e nem sempre \u00e9 algo pessoal. Esse papel que eles cumprem \u00e9 na verdade mais um dos obst\u00e1culos que o capitalismo nos imp\u00f5e para continuarmos beneficiando os patr\u00f5es, porque s\u00f3 pode haver benef\u00edcio para os patr\u00f5es \u00e0 custa do trabalho e do sacrif\u00edcio de nossa classe. Como este jornal repete um dia e outro tamb\u00e9m, devemos nos organizar com nossos irm\u00e3os de classe, organizar nossos sindicatos, nosso partido, para passar das lutas nas empresas e f\u00e1bricas para a derrubada revolucion\u00e1ria desse regime de parasitas, para construir o socialismo, esse novo mundo onde nossa classe n\u00e3o se humilhe em favor de uns poucos, mas que sempre leve em conta as necessidades da maioria que, com suas m\u00e3os e seu intelecto, constr\u00f3i e sustenta este mundo.<\/p>\n<p>Fonte: https:\/\/elmachete.mx\/index.php\/2022\/03\/27\/el-revolucionario-derecho-al-odio\/<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Partido Comunista Brasileiro (PCB)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/28617\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"\"Devemos nos organizar com nossos irm\u00e3os de classe para passar das lutas nas empresas e f\u00e1bricas para a derrubada revolucion\u00e1ria desse regime de parasitas, para construir o socialismo, um mundo onde nossa classe n\u00e3o se humilhe em favor de uns poucos.\"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[233],"class_list":["post-28617","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-geral","tag-6a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-7rz","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28617","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28617"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28617\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28617"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28617"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28617"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}